Em 1º. de junho de 1981 saía o primeiro Corvette da moderna fábrica de Bowling Green, no estado do Kentucky, embora a de St. Louis continuasse em atividade por mais dois meses. Nesse ano passava a ser oferecida injeção de combustível CrossFire, monoponto, que elevava a potência do 350 V8 para 200 cv e reduzia as emissões. O vidro traseiro agora se erguia, como a terceira porta de um hatchback.
Se alguém lhe tentar vender um Corvette 1983, chame a polícia. Não existiram unidades à venda desse ano-modelo, pois a GM ainda não tinha pronta a nova geração (C4). Quando a finalizou, sanando problemas de qualidade, já era tarde demais: preferiu apresentá-la como modelo 1984.
O C4 era um carro novo, apesar das semelhanças com os últimos StingRay. Seu desenho era limpo e mais sutil que o de seu antecessor. As velhas grades duplas davam lugar a um jogo de faróis retangulares, que complementavam os tradicionais escamoteáveis. Duas fendas substituíam as tomadas de ar laterais, voltando ao estilo Mako Shark. As novas medidas fizeram com que o Vette encolhesse 20 centímetros; seu coeficiente aerodinâmico (Cx) baixava em 24%, para 0,34.

Depois da lacuna do modelo 1983, chegava o C4, um Corvette moderno e atraente, com amplo capô e o consagrado motor 350 V8
O novo chassi possuía uma estrutura integral, acompanhada de uma célula de sobrevivência, que garantia maior segurança em caso de acidentes e rigidez à torção. Sua carroceria fastback chamava a atenção pelo formato do capô, que tomava toda a dianteira. Sob a imensa peça estava o velho e bom 350 V8, com o mesmo bloco em ferro fundido, que abrigava o comando de válvulas.
A injeção eletrônica agora era a Rochester TBI (semelhante ao de nossos Monzas e Kadetts de 1992 a 1996) que, aliada a um catalisador trifásico com bomba de ar auxiliar, garantia baixos índices de emissão. A potência continuava modesta, 205 cv, mas o carro alcançava 220 km/h. Trazia bancos com ajuste lombar, câmbio automático de quatro marchas, rodas de 16 pol, sistema de áudio Delco/Bose e painel de instrumentos de leitura digital.

O C4 ficava ainda mais bonito na versão conversível, lançada em 1986. Pouco depois vinha a edição comemorativa de 35 anos
O desenho do novo Corvette inspirou outros fabricantes, como a Toyota, que em 1986 lançava o Supra com grande capô, opção de teto removível e carroceria fastback. A própria GM bebeu da fonte e lançou versões de seus pony-cars, Chevrolet Camaro e Pontiac Firebird TransAm, com formato similar ao de seu primo maior. Até o Comendador Enzo, que era cético quanto a ver no Vette um esportivo puro-sangue, à altura de suas criações, passou a enxergá-lo com outros olhos.
A GM buscava novas tecnologias que atendessem aos padrões de emissões americanos, reduzissem o consumo e permitissem alta potência. Nessa corrida desenfreada, a cada ano o Corvette aderia a novos componentes que otimizassem esses objetivos. Em 1985 era adotada no motor L98 a injeção multiponto tuned-port da Bosch, que elevava a potência a 230 cv e a máxima a 240 km/h. Mais uma vez era o carro mais rápido produzido nos EUA.
Em 1986 era apresentada a versão conversível do C4, que trazia de volta o glamour dos primeiros Corvettes. Era um ano especial para o carro: o conversível foi pace-car da 70ª. edição da 500 Milhas de Indianápolis e ganhou uma série especial, enquanto o sistema de freios antitravamento (ABS) tornava-se item de série.
Ao mesmo tempo a Chevrolet estudava uma parceria com a Lotus para produzir um novo motor, equipado com cabeçotes de 32 válvulas sobre o bloco do 350 V8. A cooperação resultou em 1988 no Corvette ZR-1, um legítimo supercarro.
Usando o moderno motor LT5 de 5,7 litros (5.727 cm3), com bloco também de alumínio, duplo comando nos cabeçotes e 32 válvulas, apresentava números expressivos: potência de 375 cv a 5.800 rpm, torque máximo de 39,2 m.kgf, velocidade máxima de 272 km/h. Era capaz de acelerar de 0 a 96 km/h em apenas 4,9 segundos e completar o quarto de milha em 13,2 s.
Era um carro de temperamento bravo, mas fácil de conduzir. Uma de suas curiosidades era o câmbio manual de seis marchas, em que ao tentar passar de primeira para segunda, com baixa carga (pouca abertura de acelerador), o motorista engatava na verdade a quarta marcha. O objetivo era reduzir o consumo e, sobretudo, as emissões. Pela mesma razão a sexta era extremamente longa, com relação 0,50:1, para regime baixíssimo em velocidades de viagem.
Outra particularidade era que, apesar da mesma cilindrada, o motor não tinha componentes em comum com os demais small-block, exigindo conhecimentos e ferramentas especiais. Isso não impediria seu sucesso se o ZR-1 não fosse tão caro: US$ 59 mil no lançamento (seriam US$ 83 mil hoje). Venderam-se 6.491 unidades entre 1988 e 1995.
No final dos anos 80 o Corvette já havia recuperado seu status de superesportivo dentro e fora dos Estados Unidos. A versão comemorativa de 35 anos, além do ZR-1, ajudou a reforçar sua imagem de potência e desempenho.
Em 1989 a Chevrolet lançava a caixa manual de seis marchas para as versões comuns, com a mesma sexta 0,50. Antes o câmbio era o chamado Doug Nash 4+3, de quatro marchas, com sobremarcha (overdrive) utilizável em segunda, terceira e quarta. Outra novidade era o Selective Ride Control System (sistema de controle seletivo de rodagem), que permitia ao motorista ajustar do painel a carga dos amortecedores nos padrões Touring, Sport e Competition.
Apesar do desenho ainda atraente da remodelação de 1983, o Corvette já demonstrava sinais de velhice. Seus rivais europeus já haviam passado por modificações estéticas, os japoneses invadiam o segmento de carros esporte (com Mitsubishi 3000 GT, Nissan 300 ZX, Toyota Supra e Mazda RX-7) e o Vette continuava inerte.
Em 1991 a Chevrolet realizava uma cirurgia plástica, com novos faróis, luzes de direção e lanternas traseiras. Ganhava também motor LT1 de 300 cv e controle de tração de série. A versão ZR-1 passava a ser identificada por uma plaqueta ao lado das tomadas de ar laterais. Nesse ano o Corvette alcançava a marca de um milhão de unidades vendidas.

O modelo convencional ganhava mudanças de estilo, amortecedores ajustáveis a bordo e chegava a 300 cv no veterano motor 350
Um ano depois, em 1993, o carro comemorava seu 40º. aniversário com uma edição especial, em cor vermelho Rubi, e o pacote RPO Z25, que elevava a potência do ZR-1 de 375 para 405 cv e permitia velocidade máxima de 290 km/h. E o executivo-chefe da Chevrolet Jim Perkins anunciava o lançamento da quinta geração do Corvette para 1997. Em 1994 o Vette recebia outro prêmio: era inaugurado o Museu Nacional do Corvette, em Bowling Green, que abrigava toda a história do “Orgulho Americano”.