Em todo o país, o clima sofre uma grande influência das massas de ar. Durante o inverno, os ventos polares, provenientes da Sibéria, e a massa continental fria e seca determinam as condições climáticas. Já no verão, diminui a massa polar e a massa continental se desloca para a extremidade norte, fazendo com que o território chinês seja alvo de uma quente e úmida massa oceânica, que se apresenta sob a forma de ventos monçônicos. Em resumo, o sudeste e o sul conhecem altas temperaturas ao longo do ano inteiro, inexistindo períodos efetivamente secos, pois as chuvas aumentam na época das monções, chegando a atingir mais de 2.500mm anuais. Aí, o panorama botânico mostra uma bela paisagem de florestas tropicais. O cultivo do arroz é possibilitado pelas cheias de verão que inundam deltas fluviais, onde se concentra a grande maioria da população chinesa.
Climas variados determinam paisagens vegetais diversificadas, como se pode observar no mapa abaixo.
"Ao norte do Taka Makan (Sink-Yang) fica o lugar mais fundo (-155 metros) e mais quente da China, a depressão de Turfan. Aí, a temperatura já chegou a 75º C , mas Turfan, um local de parada na velha Rota da Seda, que rodeia as montanhas Tian, ao norte, é também um oásis. O calor é repelido pela sombra das parreiras irrigadas por canais subterrâneos que drenam cursos d’água das montanhas. Os canais, alguns deles centenários, permeiam o deserto como uma colméia e são alimentados através de poços de acesso que salpicam as areias.
Embora os canais mantenham as vinhas úmidas, elas são fustigadas pelo frio abaixo de zero no inverno e pela areia que o vento sopra durante os três meses da primavera. O vento, chamado de "furacão negro", costuma "sepultar" as pessoas em suas casas por vários dias. Os recentes programas de reflorestamento criaram cordões de proteção em torno do oásis e reduziram aquele perigo, além de introduzirem árvores numa paisagem que já foi tão desprovida delas, como a vizinha Mongólia - onde, dizem, "é preciso andar 100 quilômetros para se enforcar". O reflorestamento também transformou o cultivo de uvas numa pequena indústria. Hoje, o oásis produz passas e vinte diferentes vinhos.
Outros oásis de Sin Kiang são também altamente produtivos. No mercado da vila de Hami, dois visitantes recentes viram "pães de crosta dourada" e "boxes repletos de cenouras, berinjelas e várias qualidades de feijão, inclusive uma com vagem de mais de 30 centímetros e grãos arredondados". Havia abóboras em profusão, cebolas, suculentos pimentões verdes, aipo, alface e pepinos, além do perfumado melão Hami, cada um "rotulado pelo produtor com a marca em relevo."
A China (termo que significa o "Império do Meio" ou o "Centro do Mundo"), uma das mais antigas civilizações do planeta, conheceu, ao longo de sua história, um duplo e antagônico processo: por vezes, o país inteiro se agrupava ao redor de um governo central; em outros momentos, conflitos internos provocavam uma quase total desintegração. Alguns sinólogos (denominação dada aos peritos em assuntos chineses) dão a esse processo o nome de "a teoria do nó", pois, em certos períodos, a nação chinesa estava atada por uma administração centralizadora, períodos esses seguidos por um caótico desatar e a emergência de poderes regionais nas mãos dos "warlords", "senhores da guerra", que possuíam exércitos particulares, exercendo o mando político em moldes feudais.
O Estado chinês se consolidou há aproximadamente 2.200 anos, sob o Imperador Qin Shihuan, que, na ocasião, implantou o sistema único de escrita baseado em ideogramas, até hoje prevalecente no país. O significado dessa inovação foi a unificação da grafia numa nação na qual eram falados centenas de idiomas. Agora, embora mantendo suas próprias línguas, os chineses podiam ler os mesmos textos. No quadro abaixo, resumiremos as primeiras fases da história chinesa:
DINASTIA TANG (618 - 907) - restabelecimento da unidade
chinesa após um longo período de fragmentação
política; a unidade refeita permitiu a criação de uma
civilização sofisticada e refinada
DINASTIA SONG (960 - 1279) - grande desenvolvimento
artístico e tecnológico, superior a qualquer outra sociedade
da época
UM FEITO TÉCNICO - a partir do século 3 a.C.,
os chineses, visando impedir invasões militares provenientes do norte,
levaram a efeito a construção da Grande Muralha, com 5.000 km
de extensão. Em 1276, os mongóis, encabeçados por Gêngis
Khan, superaram essa barreira defensiva e tomaram a China que foi por eles
governada até 1368
UMA REVOLUÇÃO CULTURAL - marcou profundamente
a cultura chinesa a figura de Confúcio (Kung Fu-Tze), filósofo
cujos princípios básicos eram: a responsabilidade social de
todos os indivíduos; o papel fundamental da família na comunidade;
a honestidade no trato dos assuntos de Estado; o respeito aos mais velhos
e a importância da lealdade. Na mesma época, o pensador Lao-Tse
escreveu a obra fundamental do "taoísmo", cujo titulo é
"Tao Te Ching" ("O Caminho da Virtude"), que valoriza
a naturalidade, a simplicidade e a espontaneidade
SÉCULO XIII - contatos com o Ocidente, iniciados com
a chegada à China do mercador veneziano Marco Pólo
SÉCULO XVI - navegadores portugueses fundam, em território
chinês, o enclave de Macau
DINASTIA QUING (1644 - 1911) - provenientes da Manchúria,
os Imperadores Quings submeteram os diversos povos locais e moldaram, em termos
básicos, o território da China moderna. Além disso, no
século XVIII, a dinastia Manchu, além de propiciar um grande
desenvolvimento econômico e cultural, expandiu o império, transformando
a Coréia, a Indochina, o Sião (hoje, Tailândia), o Nepal
e a Birmânia (atualmente, Mianmá) em estados vassalos
CONFLITOS - a expansão chinesa, além de exigir
enormes recursos financeiros, entrou em choque com interesses geopolíticos
de outras potências: na região sudeste, o governo de Beijing
esbarrava com a França que então controlava a Cochinchina (depois,
Indochina Francesa); ao sul, a presença chinesa incomodava a Inglaterra,
que, na ocasião, dominava a Índia; e, ao norte, eram freqüentes
os conflitos com o Império Russo
PROBLEMAS ECONÔMICOS - a vida comercial chinesa era
vítima de um excessivo controle estatal, que dificultava o crescimento
econômico. As principais rotas mercantis eram: ao sul, Cantão,
"porta de entrada" dos produtos da Europa Ocidental; na região
setentrional, o comércio com a Rússia passava por Kiakhta. Os
principais produtos chineses então exportados eram: seda, porcelanas,
soja, chá, laca e ópio.
PROBLEMAS ADMINISTRATIVOS - ineficiência burocrática
e corrupção na Corte, no Exército e nos quadros administrativos.
Progressivamente, proliferaram rebeliões regionais, em sua maioria
provocadas por grupos étnicos minoritários