Já no início do século XIX, o Estado imperial chinês, em função de seus problemas internos, experimentava enormes déficits na balança comercial. Além de um grave surto inflacionário, que provocou a queda do preço da prata - então usada como moeda, a China tornou-se praticamente dependente de um só produto de exportação: o ópio. Era cada vez mais evidente, para os analistas da realidade chinesa, que a Dinastia Quing estava em franca decadência, expressa pela crescente perda de territórios. Nesse contexto, a China foi obrigada a enfrentar um poderoso inimigo: a Grã-Bretanha.
A PRIMEIRA GUERRA DO ÓPIO (1839 -1842)
CAUSAS DO CONFLITO - em 1820, os ingleses haviam obtido a
exclusividade das operações comerciais no porto de Cantão.
Importador de seda, chá e porcelana, então em moda no continente
europeu, a Inglaterra conhecia um grande déficit comercial em relação
China. Para compensar suas perdas, a Grã-Bretanha vendia ópio
indiano para o Império do Meio (China). O governo de Beijing resolveu
proibir a transação da droga. Isso levou Londres a declarar
guerra à China
1839 - 1942 - a marinha e o exército britânicos, dotados
de armamento moderno, venceram com facilidade as tropas chinesas
CONSEQÜÊNCIAS DA VITÓRIA - a China foi
obrigada a entregar 5 portos livres para o comércio britânico,
além de conceder o território da ilha de Hong Kong

Em 1853, o trono chinês foi abalado pela rebelião de Taiping, quando rebeldes controlaram, durante 11 anos, grande parte do território meridional do país, sendo esmagados com o apoio de tropas ocidentais. Apesar de todos os percalços, a China continuava a comprar grandes quantidades de ópio, que se tornaram um vício nacional, remetendo prata para o ocidente, o que empobrecia ainda mais a nação. Em 1856, eclodia a Segunda Guerra do Ópio.
CAUSA BÁSICA - interesse ocidental em submeter definitivamente
a China ao domínio imperialista
O CONFLITO - tropas anglo-francesas tomam Beijing (Pequim)
CONSEQÜÊNCIAS - o governo chinês foi obrigado
a assinar um acordo pelo qual mais sete portos eram abertos ao comércio
internacional. Além disso, era concedida permissão para implantação
de missões religiosas cristãs no território chinês
A decadência da dinastia Manchu teve continuidade com perdas territoriais para o Império Russo, então em momentâneo expansionismo:
1858 - os russos controlam as margens setentrionais do rio Amour
1864 a 1871 - perda de toda extensão noroeste do Sin-Kiang
1897 - perda da Manchúria
1912 - a região setentrional de Tannoutouva torna-se protetorado russo
1912 - a Mongólia se separa da China, tornando-se socialista em 1921,
sob tutela soviética
No final do século XIX, o Japão elabora um plano de expansão imperial, buscando controlar parte do Pacífico e o sudeste asiático, regiões que compreenderiam, na terminologia nipônica, a "Esfera da Co-Prosperidade Asiática". Em 1894, após humilhante derrota militar, a China perde a Coréia e o Japão ocupa a Ilha de Taiwan (Formosa). Antes disso, ainda em 1885, a China cede a Indochina França. Em 1896, a Birmânia passa ao controle britânico.
Esse agudo processo de decadência provoca uma frustrada tentativa de reação: em 1900, um grupo nacionalista chinês, os Boxers, tenta expulsar as nações imperialistas, cercando, por 55 dias, o bairro ocidental de Beijing. Mas os Boxers acabam sendo trucidados por tropas ocidentais e japonesas.

Os malogros externos, os conflitos internos, os constantes surtos de fome e a corrupção e ineficiência administrativas levaram a Dinastia Quing à decadência final. Em 1911, o Partido Nacionalista (Kuo-Min-Tang, Partido do Povo) derruba o Trono e, liderado pelo doutor Sun Yat-sen, proclama a República.
O Kuo-Min-Tang era uma agremiação partidária formada por jovens intelectuais antiimperialistas, mas de formação cultural ocidental: seus objetivos eram expulsar o ocidente da China, mas, simultaneamente, modernizá-la segundo padrões europeus. Essas propostas democráticas desagradavam às velhas lideranças militares chinesas, os "senhores da guerra" ("warlords"), e, em conseqüência, a China foi vitimada por uma guerra civil, na qual as diversas áreas do país foram disputadas por chefes militares regionais, sempre apoiados por potências estrangeiras, interessadas em abafar os ímpetos nacionalistas dos partidários de Sun Yat-sen.
Em 1921, em Xangai, era fundado o Partido Comunista da China, que, num primeiro momento, aliou-se ao Kuo-Min-Tang, ajudando-os a enfrentar os chefes militares locais. Em 1927, o Partido Nacionalista, vitorioso na guerra civil, massacrou mais de 40 mil lideranças comunistas. Como represália, o líder vermelho Mao Zedong (Mao Tse-tung), que propunha uma revolução campesina para socializar a China, deu início a uma Revolução nascida no campo. O líder do Kuo-Min-Tang, o generalíssimo Chiang Kai-shek, deu violento combate aos comunistas, forçando-os a uma longa e dolorosa retirada para as áreas montanhosas do norte, episódio conhecido como "A Longa Marcha" (1934).
Em 1937, o Japão atacou a China, obrigando o governo a firmar um acordo com os comunistas, formando uma "frente ampla" contra os nipônicos. Esse acordo nem sempre foi cumprido, sendo intermitentemente violado: um absoluto caos tomou conta da China. Por vezes, comunistas e nacionalistas combatiam o Japão; de quando em vez, lutavam entre si.