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REPÚBLICA POPULAR DA CHINA

ALGUNS PROBLEMAS GEOPOLÍTICOS

A República Popular da China mantém um frio relacionamento com o governo indiano, em razão de disputas fronteiriças. Beijing reclama o território de Nefa, que compreende 84 mil quilômetros quadrados do nordeste indiano. Por seu turno, Nova Deli aspira retomar a região de Ak Sai Chin, localizada na Caxemira e ocupada pela China na década de 60. Outro motivo de animosidade da Índia em relação China é o fato dessa última apoiar o Paquistão em seu conflito com a Índia pela posse da região da Caxemira.

Sem dúvida, o mais grave problema geopolítico da República Popular da China é a questão do Tibete. Em 1911, logo após a revolução nacionalista que proclamou a República da China, Beijing declarou que o Tibete era parte integrante do território chinês. Somente em 1950, as intenções chinesas se materializaram, quando tropas do Exército Popular de Libertação ocuparam a área. Em 1959, nacionalistas tibetanos - defendendo seus valores culturais e as práticas religiosas budistas tradicionais - promoveram um levante contra o governo comunista, sendo esmagados. O fracasso da insurreição fez com que o grande líder religioso do Tibete, o Dalai Lama, fugisse para a Índia onde reside até hoje. Buscando aparar arestas, o governo chinês vem buscando uma aproximação com o Dalai, "convivência pacífica" cada vez mais negada pelos partidários do grande chefe religioso, que hoje contam com explícito apoio de nações e personalidades ocidentais.

Outro problema para o governo de Beijing é o florescimento de movimentos separatistas na região de Sin-Kyang. Aí, somente 38% da população pertencem à etnia Han - amplamente majoritária na República Popular da China. Na região, predominam os Uigures, muçulmanos de origem turca. Em 1991, quando do colapso da União Soviética, duas ex-repúblicas socialistas de religião islâmica, localizadas na fronteira de Sin-Kyang, ganharam independência: o Cazaquistão e a Quirquízia. Os uigures se entusiasmaram pois confiavam no apoio de seus "irmãos étnicos". Para o dissabor daqueles, os dois países não quiseram entrar em conflito com a poderosa República Popular da China e se abstiveram de qualquer atitude em prol dos separatistas de Sin-Kyang. Além de não contarem com auxílio externo, os nacionalistas uigures, que sonham em criar a República Oriental do Turquestão, perderam o apoio da maioria de sua própria população devido ao grande surto de prosperidade vivido pela região, o que vem anestesiando os anseios emancipacionistas locais.

Finalmente, na Mongólia Interior, também ocorre um movimento separatista da etnia mongol, embora essa última seja minoritária face aos hans. Por esse motivo, e também pela falta de suporte da República da Mongólia, os nacionalistas da Mongólia Interior limitam-se a pedir maior autonomia cultural e democratização da China.

A POPULAÇÃO CHINESA

Com 1 bilhão e 300 milhões de habitantes, a China é o país mais povoado do mundo. Sua população, contudo, é etnicamente homogênea: 91% são descendentes do grupo Han. O restante compreende mais de 50 etnias minoritárias, destacando-se tibetanos, manchus, mongóis e coreanos. Visando controlar essa explosão demográfica, o governo de Beijing tem levado a efeito, ao longo dos últimos anos, uma política de controle populacional, com relativo êxito.

A população chinesa que está desigualmente distribuída pelo território, apresenta uma densidade demográfica média de 130 hab/km² - a maior dentre os países de grande extensão geográfica - mas apresentando vazios demográficos enormes, notadamente nas regiões montanhosas de ocupação nômade, como, por exemplo, no Tibete e nas áreas desérticas da Mongólia Interior e de Sin-Kyang. No leste do país, as bacias fluviais - zonas propícias à agropecuária - a China conhece densidades demográficas acima de 2.000 hab/km² Nas colinas da extremidade meridional do país e nas planícies orientais - um quinto do território chinês - habitam 80% da população. Tentando superar os problemas acarretados pela formação desses quistos demográficos, o governo comunista tem subsidiado as migrações para as áreas despovoadas de Sin-Kyang e da Mongólia Interior, onde se praticam a mineração e a agricultura irrigada. Graças política de controle demográfico do governo de Beijing, o crescimento vegetativo chinês tem sido de 1% ao ano. Contudo, esse êxito é relativo pois, em função dos grandes contingentes populacionais, 1% significa um acréscimo anual de 13 milhões de pessoas. Essa é a razão pela qual, na população chinesa, há absoluta predominância de jovens (58% de pessoas abaixo de 25 anos), o que propicia uma fácil reciclagem da mão-de-obra ativa. Por outro lado, uma população de jovens implica a necessidade de constante criação de empregos e de altos investimentos sociais nas áreas da saúde e educação.

HISTÓRICO DA NATALIDADE NA CHINA
(número médio de filhos por mulher em idade fértil)

Em 1979, o governo chinês conseguiu acelerar a queda da taxa de natalidade graças a uma legislação que determinava que cada casal só poderia ter um filho. Essa medida, se teve um aspecto positivo, aumentou, de maneira significativa, o número de abortos de fetos do sexo feminino. Em conseqüência, a proporção de nascimentos masculinos (116 homens para cada 100 mulheres) tornou-se muito maior que a média mundial (105 homens para cada 100 mulheres).

Em 1994, a China foi alvo de protestos mundiais quando adotou uma política de caráter eugênico (eugenia: purificação racial). De fato, na ocasião entrou em vigor a Lei dos Cuidados Médicos Maternidade e Infância, pela qual pessoas portadoras de doenças contagiosas e mentais são estimuladas à adiar o matrimônio. Além disso, proibiu-se o exame para verificação do sexo dos fetos e mães grávidas de crianças portadora de doenças hereditárias são aconselhadas a abortar.

A China tem 70% de sua população vivendo nas áreas rurais e em pequenas aldeias. Sua urbanização, portanto, é pequena: somente 20 cidades possuem mais de 1 milhão de habitantes.

AS MAIORES CIDADES CHINESAS

Hoje em dia, o governo chinês tem interesse de limitar as concentrações urbanas, por meio da edificação de pequenas e médias cidades e do controle do crescimento das grandes. Rigorosas restrições têm sido impostas aos deslocamentos humanos entre as áreas urbanas e tem sido praticada uma política de incentivo à transferência de populações citadinas para as áreas rurais, principalmente para as frentes de trabalho pioneiras situadas no Tibete, Manchúria e Sin-Kyang.

A ECONOMIA CHINESA: A AGROPECUÁRIA

A economia chinesa - extremamente diversificada e com grandes contrastes de desenvolvimento regional e setorial - é fundamentalmente calcada na agropecuária, que ocupa 60% da população ativa e contribui com 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Durante o apogeu do modelo "socialista", a unidade produtora básica eram as "comunas populares", enormes fazendas coletivas que abrigavam uma média de 20 mil famílias e que, além de suas atividades econômicas agrárias, desempenhavam também funções industrial, política, administrativa, educacional, militar e social. Em 1979, quando da adoção do "socialismo de mercado", as comunas populares têm sido desmanteladas e a ênfase, agora, é dada para o sistema de cooperativas, cujos produtos são destinados ao mercado.

Nos últimos anos, as técnicas agrícolas têm sido modernizadas. Nas regiões áridas, estão sendo levados a efeito enormes projetos de irrigação e recuperação dos solos pobres de material orgânico e, por conseqüência, não agricultáveis. Isso ocorre fundamentalmente na Mongólia e em Sin-Kyang, onde, atualmente, vem se difundindo o cultivo irrigado de trigo e algodão. Surpreendentemente, a China ocupa hoje o primeiro lugar mundial de terrenos irrigados, cerca de 55 milhões de hectares.

EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA (EM TONELADAS)

PRODUTOS

1959
1989
1995

Seda (primeiro produtor mundial)

68.000
63.000
71.000

Trigo (primeiro produtor mundial)

7.000.000
89.000.000
112.000.000

Arroz (primeiro produtor mundial)

13.450.000
77.000.000
189.000.000

Tabaco (primeiro produto mundial)

1.700.000
3.500.000

Chá (segundo produtor mundial)

112.000
454.000
623.000

Algodão (segundo produtor mundial)

1.640.00
3.540.000
11.000.000

Milho (segundo produtor mundial)

9.000.000
65.000.000
105.000.000

Soja (terceiro produtor mundial)

2.730.000
11.000.000
13.000.000

Batata (terceiro produtor mundial)

28.000.000
37.000.000

Cana (terceiro produtor mundial)

1.039.300
5.200.000
6.800.000

Na Manchúria e na bacia fluvial Huang Ho, na extremidade setentrional das planícies orientais, as boas condições climáticas e a presença de solo fértil aluvial ("loess") possibilitam o cultivo de beterraba, soja, trigo, algodão e sorgo. Nas áreas meridionais, graças ao clima mais quente, proliferam produtos tropicais, tais como a cana-de-açúcar, tabaco, frutas, chá, milho, arroz de inundação e amoreira (bicho-da-seda). O arroz é o produto que ocupa as maiores regiões do espaço agrícola chinês, sendo produzido em vales fluviais, que, ao longo do verão, apresentam altos índices de umidade.

A pecuária chinesa também vem progredindo, destacando-se os rebanhos de suínos (425 milhões de cabeças, o primeiro do mundo), ovinos (123 milhões de cabeças, o segundo do mundo) e o de bovinos (100 milhões de cabeças, o quarto do mundo). Além disso, grande é a produção de galináceos (a primeira do mundo), destacando-se, também, a criação de patos (65% da produção mundial).

Apesar do volume da produção agropecuária chinesa, por longo tempo, ainda não será suficiente para atender à demanda interna. De fato, há, no país, 1 bilhão e 300 milhões de bocas ávidas de alimentos.

A ECONOMIA CHINESA: A INDÚSTRIA

O desenvolvimento da indústria pesada é facilitado pela abundância de recursos minerais e energéticos existentes no solo chinês. As principais riquezas são:

RECURSOS MINERAIS

TUNGSTÊNIO - primeira produção mundial

ESTANHO - primeira produção mundial

CARVÃO - primeira produção mundial

MINÉRIO DE FERRO - segunda produção mundial, fundamentalmente extraído na Manchúria

ANTIMÔNIO - terceira produção mundial

PETRÓLEO - quarta produção mundial

FOSFATOS - quarta produção mundial

OURO - quinta produção mundial

MANGANÊS
MERCÚRIO

No nordeste do país e ao longo do curso do rio Huang Ho, o potencial hidrelétrico - bastante grande - ainda permanece parcialmente explorado, apesar das China deter a quinta maior produção de eletricidade do planeta.

Antes da revolução socialista, a exploração dos recursos naturais era realizada por empresas estrangeiras, já que o partido político então dominante - o Kuo-Min-Tang - estava a serviço dos interesses neocolonialistas. Na ocasião, as poucas indústrias existentes estavam concentradas junto às jazidas de carvão da Manchúria e nas áreas litorâneas de Tientsin e Xangai, locais de fácil acesso aos navios das potências imperialistas ocidentais. Com o advento do comunismo, o desenvolvimento industrial passou a apresentar novas características: socialização dos meios de produção, planificação centralizada e prioridade das indústrias de base. Contudo, a falta de capitais, a ausência de transportes e o atraso tecnológico da mão-de-obra atrapalharam o crescimento industrial do país.

Atualmente, os centros industriais chineses localizam-se nas planícies orientais, apesar dos esforços governamentais no sentido de incentivar a descentralização.

AS ÁREAS INDUSTRIAIS CHINESAS

INDÚSTRIA PESADA (SIDERURGIA, METALURGIA, EQUIPAMENTOS E PRODUTOS QUÍMICOS) - Manchúria, Beijing, Cantão, Nanquim, Xangai e Wuhan (essas três ultimas cidades situadas no vale do rio Yang Tsé-Kiang)

INDÚSTRIA LEVE - Xangai, Beijing, Tientsin e, mais recentemente, Tsingtao e Sian

INDÚSTRIAS ARTESANAIS E ALIMENTÍCIAS - distribuídas por todo país

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