
Atualmente, a Fazenda Paraíso está na mini-série "Um Só Coração", da TV Globo.
A "Jóia de Valença" como dizem os historiadores, pertencia na época do café à freguesia valenciana de Santa Thereza, famosa pela suas condições favoráveis ao cultivo da rubiácea, pelas importantes fazendas com seus magníficos solares rurais e pela maior concentração de fazendeiros nobilitados (barões, viscondes e condes) de toda a rica e grande região de serra acima da cidade dos marqueses.
O nome original dessa fazenda era Flores do Paraízo, provavelmente em homenagem ao Rio das Flores que corre em suas terras e pouco adiante deságua no Rio Preto e, também, por ser mesmo um paraíso.
O conjunto agrícola de grande porte - do qual considerável parte ainda hoje se vê - foi construído por Domingos Custódio Guimarães, 1o barão e depois visconde do Rio Preto e era a sede de seu império cafeeiro.
Ao morrer deixou cerca de 15 grandes propriedades agrícolas nas Províncias Fluminense e Mineira, além de casas, palacetes urbanos e inúmeros outros bens (vale a pena conhecer, em Valença, o palacete dele, hoje a Faculdade de Economia, e o mausoléu da família no cemitério do Riachuelo).
A residência da Fazenda do Paraíso, um solar de dois andares de inspiração neoclássica em forma de U, foi construído solto no meio do terreno. Tal construção é ricamente ornamentada por fora com obras de cantaria, ferro e madeira e por dentro com paisagens, pinturas "trompe l’oeil" e "faux marbre" do pintor espanhol José Maria Villaronga, papéis de parede franceses, ricos trabalhos de marcenaria, em especial, nos pisos, além de outros em variados tipos de ladrilhos hidráulicos, etc. O interior, ricamente decorado com móveis, estatuetas, lustres e espelhos têm, para arrematar, uma capela interna que ocupa a altura dos dois andares e parte considerável da profundidade do casarão na sua ala esquerda.
Nesse conjunto agrícola e nesse ambiente requintado, ambos particularmente enfeitados e engalanados, no dia 7 de setembro de 1868, data em que o jovem Império do Brasil completava 46 anos de idade, foi comemorada a inauguração da ligação rodoviária de Manoel Duarte com a estrada União e Industria. A data foi propositadamente escolhida, pois coincidia com o dia do aniversário do visconde do Rio Preto, que faria 66 anos, posto ter sido ele o grande incentivador da ligação mencionada e que facilitaria, em muito, o escoamento do café desta parte da região valenciana e das fazendas dele, naturalmente. Para tanto, foi montada uma monumental festa para comemorar os três eventos. Aconteceu o imprevisto. Em meio à grande festa quando, sob aplausos, o visconde do Rio Preto adentrava a rica sala de entrada do solar, ele veio a falecer de fulminante ataque cardíaco nos braços da viscondessa e amparado por parentes e por personalidades como Mariano Procópio Ferreira Lage - engenheiro, construtor da estrada e figura de proa da festa, José Francisco de Mesquita - o marques de Bonfim, ex-sócio e amigo particular do aniversariante, e na presença de um sem número de ilustres convidados de vários locais da Província Fluminense, em particular de Valença e da Corte.
Paraíso, ainda guardando muito do esplendor do passado quando, certamente, era a mais rica e suntuosa casa sede do café do Vale do Rio Preto e após passar por outros proprietários, foi vendida em 1912 ao cel. Alexandre Belfort Arantes descendente de tradicionais troncos mineiros, em cuja família ainda se encontra sendo hoje administrada por um bisneto dele, Paulo Roberto Belfort Carneiro da Silva.
Texto e Fonte: Roberto Guião de Souza Lima / site do Preservale
Fonte: www.valedocafe.com.br