Fazenda Pau D'Alho

Fazenda Pau D'Alho

Valença

Fazenda Pau D'Alho

A fazenda do Pau D’Alho teve origem nas terras da sesmaria concedida a Joaquim Marques da Silva e sua mulher D. Faustina Angélica de Moura, denominada Cachoeira de Santa Rosa. Sua excelente localização geográfica, nas proximidades da Aldeia de Valença, facilitou sua abertura ainda em princípios do século XIX, sendo assim uma das pioneiras na zona da recém fundada Aldeia.

Marques da Silva, que havia se estabelecido na Fazenda de Santa Rosa, teve muitos filhos que, após constituírem família, estabeleceram-se na sesmaria, dando origem a outras pequenas propriedades como Pau D’Alho.Após o falecimento de Joaquim Marques da Silva, a viúva e os filhos dividem as terras, vendendo parte delas.

Em 1835, a viúva D. Faustina vende parte das terras da Fazenda Pau D’Alho ao comendador José da Silveira Vargas. Silveira Vargas foi Comendador da Ordem da Rosa e seria em 1826 o primeiro presidente da Câmara Municipal de Valença e um dos maiores animadores de seu progresso. Vargas inaugurou em Valença um período de importantes realizações, sendo responsável pelo primeiro passo em prol da instauração do ensino primário na vila, da fundação da Santa Casa de Misericórdia e da construção da matriz de N. Senhora da Glória. Foi também pioneiro na vacinação antivariólica e na preservação do meio ambiente valenciano, combatendo ecologicamente as pragas que atacavam a lavoura de café.

Embora tenha feito de sua Pau D’Alho um importante empreendimento agrícola, em cuja propriedade trabalhavam cerca de 170 escravos, Vargas não se dedicou com afinco às atividades da lavoura cafeeira. Era político e capitalista, sendo na época um dos maiores acionistas do Banco do Brasil. Ao morrer em 1861, deixou um capital acumulado em 1, 016: 494 # 974 contos de Réis.

Após a morte de Vargas a fazenda ficou em poder da viúva D. Maria Joaquina da Silveira e os seis filhos do extinto casal: D. Bárbara, D. Carolina, D. Placidina, Custódio, Antônio e Alexandre, cuja administração da fazenda a este último caberia.

Em 1866, falece D. Maria Joaquina, e Pau D’Alho fica em poder dos filhos Carolina, Placidina, Custódio e Alexandre. Na época contando com uma área de 562 e meia braça, por 1 500 de fundos em terras, Pau D’Alho era um verdadeiro celeiro para Valença. Produzia além de café, muito milho, arroz, mandioca, feijão, carne de porco, além de madeira para construção, lã de carneiro e algodão.

Em fins do século XIX, o café encontrava-se em profunda decadência em todo Vale do Paraíba. Muitas fazendas estavam hipotecadas aos bancos nesta época e, com a Abolição da Escravatura em 1888, a situação ainda mais se agravara. O mesmo ocorria em Pau D’Alho. Luís Damasceno Ferreira, filho de D. Placidina e do comendador João Damasceno Ferreira, nesta época estudava medicina no Rio de Janeiro. Abandonou o curso e veio para Valença administrar a fazenda dos pais e tios, que encontrava-se com sua economia abalada. Damasceno, ilustre autor da "História de Valença", dirigiu a fazenda até 1897 quando foi vendida ao comerciante italiano Vito Pentagna, que já era proprietário nesta ocasião da vizinha Fazenda Santa Rosa.

Nicolau, Caetano e Vito Pentagna eram filhos de Saverio Pentagna e Giuseppina Sorrentino, oriundos da vila de Scário, província de Salerno - Itália. Como tantos outros italianos, fugia do crescente empobrecimento do sul do país, buscando as glórias prometidas pelo café do outro lado do Atlântico. Nicolao foi o primeiro a chegar no Brasil em 1863.

Em 1878, Nicolao transfere-se para Valença, onde tornou-se sócio do português Manuel Pereira Sampaio na casa comercial "Pentagna & Sampaio", constituindo uma das maiores da região. Logo depois chegaram em Valença os outros irmãos Vito e Caetano. Vito trabalhou como tropeiro entre o sul de Minas e Valença. Não tardou e entrou para sócio da firma "Pentagna & Sampaio" e seu nome não demorou a ser sinônimo de líder comercial. Em seguida, torna-se proprietário da Fazenda de Santa Rosa.

Dotado de tino industrial, aproveitou o represamento do Rio das Flores em sua Fazenda Pau D’Alho, iniciando em 10 de março de 1912 a construção de uma usina hidrelétrica para proporcionar a concretização de seu velho sonho de instalar mais uma indústria em Valença. Logo após, em 07 de setembro de 1913, era fundada a Cia. Fiação Tecidos Santa Rosa.

Faltando pouco para ver definitivamente concluído seu maior empreendimento, falecia Vito Pentagna vítima de um infarto.

Após a morte de Vito em 1914, a fazenda passou às mãos da viúva Urbana de Castro Pentagna. Esta legou por sua morte, em 1940, ao filho Dr. Savério Pentagna, advogado, industrial e político. Dr. Savério esteve sempre dinâmico à frente da direção da fábrica Santa Rosa, enfrentando momentos difíceis, que só puderam ser contornados por sua grande habilidade. Com a saúde abalada, em 1953 coordenou a venda do controle acionário da Companhia para seu cunhado Dr. Júlio Mourão Guimarães. Pouco tempo depois veio a falecer.

O atual proprietário é o Humberto Vito Ribecco Pentagna, único filho varão do Dr. Savério, que desde cedo dedicou grande interesse pela fazenda, colocando-se logo que a idade o permitiu, à frente de sua administração. Para assista-la de forma mais completa, buscou formação profissional adequada, tornando-se engenheiro agrônomo. Em plena atividade, Humberto já tem sua continuidade assegurada em seu filho Savério Vito Pentagna, 4º geração da família na fazenda, um fato raro nos dias atuais.

A principal atividade econômica da Fazenda Pau D’Alho sempre foi o café, que aos milhares de pés, cobria seu vasto solo, abarrotando de grãos as grandes tulhas. A libertação dos escravos e a conseqüente decadência da lavoura cafeeira em todo o estado transformaram, como na maioria das fazendas da região, seus cafezais em pasto para o gado. Nos anos 60 voltou-se ao plantio original do café.

Em suas terras, além dos pastos para o gado bovino, há plantações de milho e feijão e uma grande variedade de árvores frutíferas. Encontramos também belas quedas d’água, sendo digna de nota por seu valor histórico e magnificência, a Usina Hidrelétrica Vito Pentagna, cuja barragem, que represa o Rio das Flores, foi inaugurada em 1943, em substituição a uma antiga existente. Responsável pelo fornecimento de energia da Companhia Fiação e Tecidos Santa Rosa, esta usina atendeu também a particulares em Valença. Com uma localização privilegiada, em meio a um cenário de grande beleza natural, inspirou uma justa homenagem da internacionalmente famosa Rosinha de Valença, que compôs "Usina de Prata", interpretada pelo cantor Ney Matogrosso. Sócios Fundadores do Instituto PRESERVALE, Humberto e sua esposa, Aparecida Pentagna, recebem grupos de Turismo Cultural em visita orientada pela propriedade, recentemente restaurada pela família.

Texto e Pesquisa: Adriano Novaes /site do Preservale
Revisão: Sonia Mattos Lucas
Fontes: Anotações de Fernando Antônio Ielpo Jannuzzi Filho

Fonte: www.valedocafe.com.br