
A Fazenda Santo Antônio foi aberta em terras da sesmaria concedida em 1814, por provisão a João Soares Pinho, que já se havia estabelecido nesta fazenda desde 1807, quando estas ainda eram consideradas "terras devolutas". Alguns anos depois, foram adquiridas por Francisco Martins Pimentel, que já estaria estabelecido na vizinha sesmaria de Santa Teresa.
Em 1850, casava-se, no oratório de Santa Teresa, com Francisca, a filha de Pimentel, Manoel Antônio Esteves, recebendo como dote a fazenda Santo Antônio do Paiol. Seria a segunda e a mais próspera fase daquele estabelecimento cafeeiro. Logo após o casamento, morre o sogro e Esteves, com a fortuna aumentada, manda construir nova sede, em frente à pioneira Santa Teresa. Terminada em 1852, a casa foi dotada com todos os requisitos exigidos de uma fazenda de café do ciclo.
Desenvolvendo profícua atividade, Esteves ampliou os cafezais, adquirindo ou abrindo novas fazendas, tais como São Manuel, Ribeirão, Santa Catarina, São Francisco, Nazaré e Boa Vista. Nelas chegou a ter mais de seiscentos escravos. Eliminando intermediários, ele mesmo negociava a produção, operando no Rio de Janeiro e em Santos com a firma exportadora Esteves & Filhos. Se já era grande fazendeiro, tornar-se-ia grande comissário de café. Como uma das mais proeminentes figuras do vale, Esteves se empenhou nas gestões que viabilizaram a construção da Estrada de Ferro União Valenciana, com evidentes benefícios para a economia local. Da estrada de ferro seria o primeiro presidente, e por seu trabalho receberia do governo imperial a comenda da Ordem da Rosa.
Manoel Antônio Esteves morreu em sua casa do Rio de Janeiro em 1879, no auge de seu prestígio e da fortuna que legou aos filhos. Sucede-lhe na administração dos negócios o filho Francisco Martins Esteves, pessoa de cultura e saber, de hábitos refinados, amante da música clássica e da ópera. Residiu em Paris por algum tempo, ao se casar com Ana Carolina, filha do conselheiro e ministro do Império, Zacarias de Góes e Vasconcelos. Retornando ao Brasil, trabalhou na comissária e na fazenda Santo Antônio, sem demonstrar gosto ou inclinação para o mundo dos negócios.
Administrando a fazenda como lhe era possível e já enfrentando os contratempos que sucederam a derrocada do ciclo, Francisco adquire partes dos demais herdeiros e fixa-se definitivamente em Paiol, que passou a gerir juntamente com o filho, Marcos Zacarias Manoel Esteves, depois seu sucessor na fazenda em franca decadência. Em meio às maiores dificuldades, os Esteves se desfazem de parte das terras, com a finalidade de assegurar a manutenção das benfeitorias. Marcos morreria precocemente em 1941, e sua viúva desde então desenvolveu esforço que deve ser enaltecido. Com a fazenda praticamente desativada, sem renda e com o patrimônio em terras sensivelmente reduzido, Francisca Olympia Alves de Queiroz Esteves lutou determinadamente para preservar como pôde todo o acervo móvel e imóvel de Santo Antônio.
Assumindo uma ligação afetiva com a memória da fazenda, do marido e da saga
dos Esteves, empenhou-se com denodo para manter vivo tudo que dissesse respeito
a Marcos e aos Esteves.
Assim chega até o ano de 1969, quando, idosa, não mais podendo prosseguir
em seu propósito, e nem mesmo se manter na fazenda, toma a deliberação de
doá-la a uma entidade religiosa, a Congregação da Pequena Obra da Divina Providência
(Don Orione), como último recurso para manter a propriedade e os pertences
dos Esteves.-No ano de 1990, a Fazenda Santo Antonio do Paiol foi arrendada
por Rogério Vianna, empresário carioca que, juntamente com sua esposa Maria
Alice, empreendeu uma grande reforma na sede, já então desgastada pelo tempo.
Nesta empreitada, foram recuperados a sede, o mobiliário e, especialmente, foi organizado o acervo documental da Fazenda, magnífico legado preservado pela família Esteves que, não obstante, havia permanecido inacessível aos olhos de pesquisadores e interessados. Sócio Fundador do Instituto PRESERVALE, Rogério restituiu à Fazenda Santo Antonio do Paiol a sua dignidade e importância histórica, bem como resgatou, em meio aos documentos encontrados em Esteves, informações de enorme valor histórico, que estão sendo hoje pesquisados e catalogados a partir de projeto do Instituto PRESERVALE. A Fazenda voltou às mãos da Ordem Dom Orione no ano de 2000, e está retomando, com o PRESERVALE, as atividades de Turismo Cultural iniciadas por Rogério e Maria Alice Vianna.
Fonte: Fazenda Santo Antônio do Paiol
Revisão: Sonia Mattos Lucas / site Preservale
Fonte: www.valedocafe.com.br