Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Fazenda Café  Voltar

Fazenda Vista Alegre

Valença

Fazenda Vista Alegre

Francisco Martins Pimentel, açoreano da Ilha de São Miguel, já antes de 1829 estava estabelecido em Valença, nas terras que viriam a integrar a Fazenda Vista Alegre. No final dos anos 40, adquiriu a Fazenda Santa Terezinha (cuja sede original desapareceu) e lá faleceu em 1852. Esta é, provavelmente, a data em que um de seus dez filhos, Joaquim Gomes Pimentel, passou a ocupar a sede da Vista Alegre, imprimindo sua marca na história da Fazenda, e de toda a região, através de notáveis atuações pioneiras no campo das artes, da cultura e do desenvolvimento sócio-econômico.

Alçando em 24 de outubro a posição de Alferes, Joaquim Pimentel recebe, em 28 de Fevereiro de 1864, de D. Luís "El Rey" de Portugal, o título de Visconde de Pimentel. No ano seguinte, registra o primeiro mapa de sua propriedade, bem como de seus vizinhos e parentes, abrangendo uma área que ocuparia de São Francisco a Esteves, aprofundando-se pela Serra da Concórdia (antiga Serra de São Manuel) até o lugar aonde existe hoje a Fazenda da Conquista.

Em 16 de junho de 1869, torna-se Capitão da Guarda Nacional, já então consagrado pelo dinamismo e pela inovação de métodos e tecnologias de produção rural e na vida social da Fazenda Vista Alegre.

Célebre em sua época pelo convívio com as artes, o Visconde de Pimentel freqüentemente promovia saraus na Fazenda, para onde trazia apresentações memoráveis de artistas e músicos famosos, como por exemplo, o pianista Gotshalk, em 21 de Agosto de 1869.

O Visconde criou também sua própria banda de música, constituída por 27 escravos libertos. A Banda de Música da Fazenda Vista Alegre costumava apresentar-se em todas as ocasiões festivas da região. Aprendia-se na Fazenda, além de música, as artes teatrais e a religião. A Escola de Ingênuos, como ficou conhecida, foi a primeira no país a alfabetizar filhos de escravos e crianças pobres das redondezas.

A Casa da Música, local onde funcionava a escola, existe ainda, próximo à sede.

As inovações implantadas na Fazenda Vista Alegre motivaram uma histórica visita do Conde D’Eu a Valença, de 16 a 18 de Setembro de 1876, na qual o Conde teve a oportunidade de participar de animados saraus, visitas às instalações das propriedades de Pimentel, cavalgadas e passeios no lago que existia aonde é hoje o Parque de Exposições de Valença, em cuja nascente mineral refrescou-se.

Embora tenha atingido fama e grande prestígio em vida, o Visconde de Pimentel faleceu sem ter deixado herdeiros e já com seus bens inteiramente hipotecados à sua irmã, Maria Francisca, viúva do Comendador Manoel Esteves, dono de casa comissária de café. Esta, por sua vez, após retirar todos os bens - móveis, documentos, quadros e objetos -, veio a entregar a Vista Alegre em pagamento de suas próprias dívidas ao Banco do Brasil, por ocasião da derrocada da economia cafeeira na Velha Província, a partir da Abolição.

A Fazenda Vista Alegre é adquirida em leilão pela família do Barão de Oliveira Castro em 1901, juntamente com as vizinhas Chacrinha e Campo Alegre.

Em 1912 chegam à Vista Alegre, trazidos pela mão da família Oliveira Castro, os primeiros imigrantes dinamarqueses do Vale, que vieram a fundar, na Fazenda, a primeira indústria de queijos de tecnologia européia do Estado, os famosos Laticínios Dana. A família Nielssen residiu na Vista Alegre por cerca de trinta anos, tendo desenvolvido e aprimorado queijos de qualidades variadas, até transferirem-se para o sul de Minas, aonde vieram a multiplicar indústrias e marcas de laticínios diversos.

A Fazenda Vista Alegre pertence, desde 1980, a Delio e Clair de Mattos Santos, que a adquiriram de Eduardo Soares Sampaio, herdeiro indireto do Barão de Oliveira Castro. O Dr. Delio Mattos é advogado e empresário, Cônsul Honorário da República de Malta, Fundador e Conselheiro do Instituto Preservale. Sua esposa, Claïr de Mattos Santos é escritora e editora, tendo escrito, dentre outras obras de ficção, romance e teatro, o livro "Grãos Vermelhos do Vale", que narra a saga do café ambientada na Fazenda Vista Alegre.

Após haver desenvolvido também a produção de laticínios, hoje desativada, a Fazenda Vista Alegre dedica-se hoje à criação de gado Canchim, e às atividades de Turismo Cultural. Participando do programa de Visitação Orientada do Instituto PRESERVALE, destinado a promover o conhecimento e a pesquisa dos Patrimônios Históricos e Culturais do Vale do Paraíba, a Vista Alegre mantém a tradição de um importante legado histórico, oferecendo a todos os que a visitam um pedaço da memória nacional.

Fonte: www.valedocafe.com.br

Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal