1. O que é cirrose?
A cirrose é, na verdade, o resultado de diversas doenças crônicas do fígado, que levaram a destruição gradual das células com houve formação de cicatrizes.
2. A cirrose não é doença de alcoólatras?
O uso exagerado e crônico do álcool pode levar à cirrose, sendo que a probabilidade disso acontecer depende muito do tempo, da quantidade de álcool ingerido e da predisposição genética. De qualquer modo, é importante saber que a maioria das pessoas com cirrose hoje não são os alcoólatras, e sim os portadores de hepatite C.
Outras causas comuns são a hepatite B, medicações tóxicas ao fígado, hepatite autoimune, esteato-hepatite não alcoólica, cirrose biliar, colangite esclerosante, hemocromatose e doença de Wilson. Há outras causas mais raras, mas infelizmente em cerca de 30% dos cirróticos não encontramos a causa.
3. A cirrose é contagiosa?
A cirrose, em si, não é. Mas a doença que levou à cirrose pode ser contagiosa, especialmente as hepatites B e C.
4. Quais os sintomas da cirrose?
O fígado é um órgão com grande reserva funcional, ou seja, só quando estiver muito comprometido leva ao aparecimento dos sintomas. As únicas exceções são a hemorragia por varizes de esôfago e o câncer do fígado, que podem ocorrer mesmo sem sinais prévios.
Na cirrose já com comprometimento pequeno das funções do fígado, podemos encontrar sintomas leves como fraqueza, emagrecimento, alteração menstrual em mulheres e impotência em homens, sangramentos em gengivas, inchaço nas pernas e na barriga. Nos casos mais graves, aumento do abdome por acúmulo de líquidos (chamado de ascite), pele e olhos amarelos (icterícia), aumento das mamas em homens, hematomas espontâneos na pele, sonolência, tremores, cãibras e confusão mental.
5. Se os sintomas só aparecem com a doença avançada, como o diagnóstico pode ser feito no início da doença?
As pessoas com risco para adquirir as doenças causadoras da cirrose devem fazer acompanhamento médico.
6. Qual a importância do diagnóstico precoce?
O diagnóstico precoce das doenças que levam à cirrose pode permitir o tratamento (cura ou controle) dessas doenças, permitindo assim que a progressão para cirrose seja lentificada ou interrompida. Mesmo naqueles com cirrose, pode atrasar o aparecimento dos sintomas.
7. Existe tratamento para a cirrose?
Não. O único tratamento para a cirrose é o transplante do fígado. A cirrose é a conseqüência de diversas doenças do fígado, que devem ser tratadas antes de se chegar à cirrose. Alguns tratamentos estão em estudo para evitar a progressão da doença, mas não há comprovação científica que justifique o seu uso.
Portanto, se o seu médico lhe disser que vai curar a sua cirrose ele está fazendo uma das duas coisas: enganando você ou prescrevendo um remédio que pode ser prejudicial à sua saúde. Ambos os casos são obviamente antiéticos. Procure um hepatologista para cuidar de você.
Outra coisa muito importante: cada vez estão sendo descritos mais casos de cirrose e hepatites secundárias ao uso de remédios "naturais". Lembre-se que os maiores venenos já produzidos pelo homem são extraídos diretamente de plantas e que se uma erva tem potencial para curar, também pode ter para matar.
8. Se não há tratamento, o que pode ser feito?
Podemos dizer que há dois tipos de complicações da cirrose: as rápidas e as lentas. As lentas são o acúmulo de água na barriga (ascite), inchaço nas pernas, confusão mental e infecções. Essas complicações ocorrem quando o fígado está realmente muito ruim e o tratamento é muito difícil. As medicações devem ser cuidadosamente avaliadas por um especialista, pois muitas fazem mais mal do que bem. Pode ser necessário um transplante de fígado nessa fase.
As complicações "rápidas" e muito graves são o câncer de fígado e a hemorragia digestiva. São muito graves e com altíssima mortalidade. Mas isso pode ser evitado com o devido acompanhamento médico. O hepatologista usa de métodos de imagem e exames de sangue para detectar o aparecimento do câncer do fígado ainda na sua fase inicial, quando há possibilidade de cura. Também realiza exames periódicos para detectar o aparecimento de varizes no esôfago e indica tratamento com remédio ou por endoscopia para prevenir seu sangramento.
9. Há uma dieta para portadores de cirrose?
Não há uma dieta específica, cada paciente tem necessidades que variam de características individuais (como a presença de outras doenças como o diabetes ou hipertensão arterial), seu estado nutricional, estágio da cirrose e a presença de complicações (como a ascite e a encefalopatia hepática).
De modo geral, as recomendações básicas são evitar o excesso de sal, frituras e carne vermelha, manter abstinência alcoólica e procurar fracionar a dieta, comendo mais vezes ao dia uma menor quantidade de alimento. Mas o adequado é individualizar a necessidade dietética sob orientação do médico e do nutricionista.
Fonte: www.sitemedico.com.br
A cirrose hepática é o resultado final de anos de agressões
ao fígado, sendo caracterizada pela substituição do tecido hepático normal
por nódulos e tecido fibroso. No fundo, nada mais é do que a cicatrização
do fígado. Onde deveria haver tecido funcionante, há apenas fibrose (cicatriz).
Como era de se esperar, quanto mais extensa for a cirrose, menor é o número
de células saudáveis e maior é o grau de insuficiência hepática. Em última
análise, a cirrose é um estado de falência do fígado, um órgão nobre sem o
qual não conseguimos sobreviver.
Várias doenças podem levar a cirrose. Entre as mais comuns podemos citar:
a) Cirrose alcoólica
É uma causa prevínivel de cirrose. O consumo diário e prolongado de álcool
pode levar ao desenvolvimento de lesões hepáticas. Por mais que algumas pessoas
achem pouco, 720 ml de cerveja ou 300 ml de vinho consumidos diariamente já
são considerados fatores de risco para doenças do fígado, principalmente em
mulheres.
O consumo regular de álcool leva a esteatose hepática (fígado gorduroso),
que pode evoluir para hepatite alcoólica, e por fim, para cirrose e falência
hepática.
Para saber mais sobre os perigos do álcool
b) Hepatites virais
As hepatites virais crônicas, principalmente B e C, são causas comuns de lesão
do fígado, podendo levar a cirrose após anos de doença ativa. Muitas vezes
o paciente sequer desconfia ser portador de um dos vírus, só descobrindo muitos
anos depois quando os sintomas da cirrose começam a se manifestar
c) Hepatite auto-imune
É uma doença auto-imune , onde os nosso organismo começa inapropriadamente
a produzir anticorpos contra o próprio fígado, como se este fosse um ser invasor,
um corpo estranho que não nos pertence.
d) Esteatose hepática não alcoólica
Não só o consumo regular de álcool, mas outros fatores também podem levar
à um fígado gorduroso. A esteatose hepática pode evoluir para hepatite e posteriormente
cirrose. As principais causas são obesidade, diabetes, uso crônico de corticóides
e desnutrição
e) Cirrose biliar primária
Também um doença de origem auto-imune onde há destruição das vias biliares
e consequentemente do fígado.
f) Outras doenças
Sintomas da Cirrose
Para um melhor entendimento, podemos dividir os sintomas da cirrose entre
aqueles causados pela insuficiência hepática, e aqueles causados pela hipertensão
porta.
Reparem no gráfico acima que resume o sistema porta.
Todo o sangue vindo das veias do trato digestivo (estômago, intestinos,
pâncreas...) e do baço, drenam em direção a uma única grande veia que desemboca
no fígado. Essa é chamada de sistema porta ou veia porta.
A existência do sistema porta garante que todas as substâncias absorvidas
pelo trato gastrointestinal, passem primeiro pelo fígado antes de caírem na
circulação sistêmica.
O paciente cirrótico possuiu um fígado cheio de fibrose (cicatriz), o que
em fases avançadas obstrui a chegada de sangue ao fígado. Quanto mais extensa
for a cirrose, maior é a obstrução ao sangue que chega pela veia porta.
Quando o sangue vindo dos órgãos abdominais encontra uma obstrução ao seu fluxo, a pressão na veia porta aumenta. Começa então um processo chamado de hipertensão porta.
O sangue quando encontra uma obstrução, não fica parado esperando a mesma acabar. Ele precisa voltar para o coração de alguma maneira, e se à frente há uma obstrução, o único caminho é voltar por outras veias.
A veia porta é bem calibrosa, e suporta grandes fluxos de sangue. O mesmo
não acontece com as veias do resto do sistema digestivo. Quando o sangue que
deveria ser drenado pela veia porta, começa a retornar em grande quantidade
por veias colaterais, surgem as varizes.
Reparem na foto abaixo. Vejam a circulação colateral que foi desenvolvida.
As veia abdominais que são finas e recebem um fluxo baixo de sangue, agora
são obrigadas a drenar todo o sangue que deveria chegar ao fígado pela veia
porta.
Essas veias dilatadas ocorrem também nos órgãos, principalmente no estômago,
intestino e esôfago. Pode-se agora entender porque um dos sinais da cirrose
é a presença de varizes de esôfago, estômago e intestino.
Pronto. Entendido a parte de cima, já podemos explicar os sintomas da cirrose
causados pela hipertensão porta.
a) Anemia, plaquetopenia (plaquetas baixas) e leucopenia (leucócitos baixos)
O baço tem como uma de suas funções eliminar as células do sangue que já
estão velhas. Cada vez que o sangue passa pelo baço, milhares de células são
removidas para que haja espaço para a chegada de novas hemácias, plaquetas
e leucócitos recém-produzidos. Na hipertensão portal, o sangue que deveria
sair do baço para o fígado, fica congestionado e permanece mais tempo dentro
do mesmo.
Como o sangue fica represado dentro do baço, este acaba por eliminar mais
células do que seria necessário. Este fenômeno é chamado de hiperesplenismo
(espleno = baço), que significa a sua função exagerada.
Anemia e plaquetopenia são muito comuns na cirrose
b) Esplenomegalia
O aumento da pressão de sangue dentro do baço leva-o a aumentar de tamanho,
ficando facilmente palpável ao exame físico. Chamamos este aumento de esplenomegalia.
Muitas vezes a suspeita de cirrose surge quando ao exame físico detectamos
um baço aumentado de tamanho.
C) Hemorragia digestiva
A presença de varizes, no estômago e principalmente no esôfago são um fator
de risco para hemorragias. Esses vasos não estão preparados par receber tamanho
fluxo e pressão sanguínea, podendo romper-se espontâneamente.
As hemorragias digestivas das varizes de esôfago costumam ser dramáticas,
com perdas maciças de sangue através de vômitos. O paciente vomita sangue
vivo em grandes quantidades.
d) Ascite
Reparem na foto acima o tamanho do abdômen do paciente. Isto é a ascite,
o acumulo de água dentro da cavidade abdominal. É causado pela hipertensão
porta e pela falta de albumina no sangue (explico à frente) constituindo-se
em um dos sinais mais comuns da cirrose. Pode haver acúmulos de mais de 10
litros de líquido ascítico dentro da cavidade peritonial.
Uma das complicações da ascite é a peritonite, causada quando este líquido
dentro da barriga infecciona. Também é um caso grave que se não for identificado
e tratado a tempo pode evoluir com sepse
Além do abdômen, pode haver acúmulo de líquidos nas pernas e no pulmão.
Os sinais e sintomas causados pela hipertensão porta costumam ser os responsáveis
pelas emergências médicas nos pacientes cirróticos, principalmente a hemorragia
digestiva e a peritonite.
Além da hipertensão porta, o doente com cirrose também apresenta sintomas
pela falência de funcionamento do fígado em si.