Cirrose Hepática (Página 9)
Cirrose Hepática


Cirrose é o termo usado para descrever um fígado doente que apresenta lesão cicatricial grave, geralmente causada por muitos anos de agressão contínua. O fígado é um órgão grande (que pesa aproximadamente 1,5 Kg) que está situado no abdomen superior direito, abaixo do gradeado costal.

Ele executa muitas funções que são essenciais à vida incluindo:

Detoxificação do sangue

Metabolização de remédios

Produção das proteínas do sangue que são essenciais para coagulação normal do sangue

Produção de albumina, uma proteína necessária à manutenção do balanço normal de fluidos no corpo

Produção de líquidos e enzimas necessárias para uma digestão normal

O fígado é muito eficiente em reparar-se quando lesado, o que pode ocorrer com determinadas doenças como a hepatite. O processo de cicatrização envolve a criação do tecido da cicatriz. Assim, lesões repetidas ou contínuas ao fígado (como ocorre com uso pesado do álcool) pode formar cicatriz no fígado. O corpo pode tolerar um fígado “parcialmente cicatricial” sem conseqüências sérias. Entretanto, eventualmente, a formação de cicatriz pode tornar-se exagerada a tal ponto que o fígado pode um não mais conseguir executar suas funções normais.

Concluindo, e em resumo, a cirrose é uma doença crônica e degenerativa do fígado que envolve a formação de tecido fibroso (cicatricial) e formação de nódulos os quais, em última análise, determinam a destruição da arquitetura normal do órgão com conseqüente comprometimento de sua função.


QUAIS AS CAUSAS DA CIRROSE?

A cirrose tem muitas causas. É importante encontrar a causa de sua cirrose, já que o tratamento e o prognóstico pode variar segundo a etiologia ou doença de base. A maioria das causas (95%) pode ser identificada com teste específico. Nos restantes 5% dos pacientes, em que a causa é desconhecida, diz-se tratar-se de cirrose criptogênica (ou criptogenética ou idiopática).

As causas mais freqüentes de cirrose incluem:

Abuso de álcool
Hepatite crônica (B ou C)

As causas menos comuns incluem:

Hemocromatose (uma condição em que há acúmulo de ferro no corpo)

Esteato-hepatite não-alcoólica (uma circunstância em que gordura e tecido de cicatriz se acumulam no fígado por razões ainda mal compreendidas)

Hepatite auto-imune (uma circunstância em que o sistema imunológico do organismo reage contra o próprio fígado)

Colangite esclerosante primária (uma doença dos grandes canais biliares)

Cirrose biliar primária (uma doença dos pequenos dutos biliares)

Doença de Wilson (uma doença rara do metabolismo do cobre)

Atresia das vias biliares (uma doença dos dutos biliares nas crianças)

Doenças mais raras do metabolismo

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA CIRROSE?

Pessoas com cirrose podem não ter sintoma algum, podem ter os sintomas relacionados à causa subjacente da doença hepática, ou mesmo desenvolver os sintomas relacionados diretamente à cirrose.

Sintomas devido à doença hepática de base - algumas das causas específicas da doença de fígado têm determinadas características ou sintomas que podem persistir após o desenvolvimento da cirrose. Como exemplos, as doenças causadas por dutos biliares danificados (tais como a cirrose biliar primária e a colangite esclerosante primária) são associadas geralmente com prurido, que pode ser severo. Os pacientes com colangite esclerosante podem desenvolver icterícia, um amarelamento da pele e dos olhos devido aos dutos obstruídos, mesmo antes de haver cirrose estabelecida. A fadiga é muito comum em muitas doenças crônicas do fígado sem cirrose.

Sintomas devidos especificamente à cirrose – muitas pessoas que desenvolvem a cirrose não têm qualquer sintoma ou têm somente a fadiga, que é muito comum. Entretanto, com a progressão da cirrose, os sintomas invariavelmente aparecem, já que o fígado pode não mais executar suas funções normais. O grau em que isto ocorre depende da doença hepática subjacente, dos tratamentos disponíveis, e de fatores individuais. Em alguns pacientes, os sintomas podem não aparecer por anos, mesmo depois que o fígado já se tornou cirrótico. Em outros, os sintomas podem jamais surgir se a causa da doença do fígado puder ser eliminada.

A cicatrização formando nódulos dificulta a passagem do sangue através do fígado. Em conseqüência, as veias em outras partes do corpo fora do fígado, que não são acostumadas a carregar volumes grandes do sangue, tornam-se engurgitadas (estas formações de sangue anormalmente expandidas são chamadas varizes). Um local onde as varizes são geralmente encontrados é o esôfago, o tubo que conecta a boca com o estômago. Quando a pressão nas varizes alcança um determinado nível, seu rompimento pode causar sangramento maciço.

O fígado cirrótico e sua capacidade diminuída em produzir proteínas do sangue determina um acúmulo de líquidos no corpo, tipicamente nas pernas e pés (edema) e no abdome. (ascite). A ascite faz com que a barriga aumente. A ascite é também um meio rico para que bactérias cresçam, e a infecção da ascite (que é uma complicação grave) é chamada "peritonite bacteriana espontânea".

Os pacientes com cirrose têm tendência a sangramento. Isto é um resultado de dois fatores: Primeiramente, os níveis das células de sangue (plaquetas) que são essenciais para a formação do coágulo podem estar severamente diminuídos. Em segundo, determinadas proteínas do sangue feitas pelo fígado (chamados fatores de coagulação) estão diminuídas.

A inabilidade em filtrar toxinas corretamente pode conduzir a uma circunstância chamada "encefalopatia hepática." Nos estágios iniciais de encefalopatia, os sintomas podem ser discretos ou difíceis de perceber, como dormir perturbado ou inversão do ritmo do sono (ter sono e/ou dormir durante o dia e insônia à noite). A encefalopatia hepática avançada está associada a confusão e, mesmo, o coma. Encefalopatia pode ser precipitada por sangramento ou infecção.

Os pacientes com cirrose têm comprometimento da função de seu sistema imune e são, conseqüentemente, propensos a infecções bacterianas.

A má-nutrição é muito comum nos pacientes com cirrose. Pode ser facilmente visível a perda de massa muscular nas têmporas e nos braços.

Muitos pacientes com cirrose têm algum grau de icterícia. O exato grau da icterícia é determinado por um exame de laboratório chamado de bilirrubina total. Uma bilirrubina total normal é menor do que 1 mg/dL. Uma vez que a bilirrubina alcança entre 2,5 a 3 mg/dL, os brancos dos olhos tornam-se amarelos. Níveis mais elevados são associados com amarelamento de toda a pele.

Pessoas com cirrose têm risco elevado de desenvolver câncer de fígado (carcinoma hepatocelular). O risco depende, em parte, da causa subjacente da cirrose.

COMO A CIRROSE É DIAGNOSTICADA?

Uma variedade de diferentes testes é usada confirmar a presença da cirrose e estabelecer a causa subjacente. Outros testes são úteis para determinar a severidade da cirrose e para selecionar as complicações possíveis desta circunstância.

Biópsia do fígado

A melhor maneira de confirmar se você está ou não com cirrose é uma biópsia do fígado. É executada geralmente através de uma agulha especial, e detalhes a respeito estão descritos em outra parte

Exames de imagem

Uma variedade de exames de imagem, tais como tomografia computadorizada, ultra-som, ou ressonância nuclear magnética, pode sugerir a presença da cirrose por causa da aparência do fígado ou por causa do achado de complicações, tais como varizes ou ascite. Entretanto, é importante salientar que estes testes não podem substituir uma biópsia do fígado, que fornece a informação mais completa sobre o que está acontecendo a seu fígado em nível celular.

Exame físico

Os pacientes com cirrose podem ter vários achados sugestivos num exame físico.

Estes incluem:

Icterícia (coloração amarelada)

Abdomen globoso pela presença de líquido (ascite)

Circulação colateral (veias tortuosas e dilatadas, visíveis por transparência no abdome)

Hepatomegalia (fígado aumentado) e/ou Esplenomegalia (baço aumentado)

Edema

Ginecomastia ou “mamas aumentadas” (nos homens)

Eritema palmar

“Spiders” (ou telangiectasias ou aranhas vasculares), geralmente no tórax e nas costas

Redução da massa muscular

Atrofia testicular

“Flapping”, o agitar espontâneo das mãos em “bater de asas” quando as palmas são hiper-estendidas para trás – fenômeno também conhecido como “asterixis”, é característico da presença de encefalopatia hepática.

Exames de laboratório

Os testes de laboratório revelam, freqüentemente, a presença de características típicas da cirrose, tais como provas bioquímicas anormais do sangue, taxas baixas de proteína, de contagens de plaquetas baixas, e eventualmente bilirrubina aumentada. Entretanto, estes testes podem ser normais em pessoas com cirrose avançada. Exames podem freqüentemente revelar a causa ou etiologia da cirrose.

QUÃO GRAVE É A CIRROSE?

Nem todas as pessoas com cirrose são semelhantes. A severidade da cirrose pode variar. Classificamos a severidade das cirroses de acordo com um sistema conhecido como classificação de Child-Pugh, que é usado há muitos anos. Esse sistema reconhece três graus de severidade (A, B, e C) baseados no grau de anormalidade em testes de sangue e na presença dos sintomas tais como ascite ou encefalopatia. As pessoas com formas menos graves de cirrose geralmente têm poucos sintomas e são menos propensas a desenvolver as principais complicações da cirrose.

TRATAMENTO

Os principais avanços no tratamento da cirrose foram conseguidos nas últimas poucas décadas. Em detalhes, o reconhecimento das complicações da cirrose conduziu aos tratamentos específicos visando impedir que os mesmos ocorram. A isso dá o nome de profilaxia. Além disso, melhores alternativas de tratamento estão disponíveis para aqueles que desenvolveram complicações. Um dos maiores avanços é o transplante fígado, um procedimento em que o fígado doente é substituído com um fígado saudável novo.

Alguns dos outros avanços incluem:

O uso de determinados medicações (tais como beta bloqueadores) que podem ajudar reduzir a pressão dentro dos varizes e diminuir, desse modo, a possibilidade de sangramento.

Reconhecimento precoce da peritonite bacteriana espontâneo, que permite não somente o tratamento mas a prevenção em alguns casos.

O desenvolvimento de um procedimento chamado "TIPS" (abreviação em inglês de transjugular internal porto-systemic shunt)em que a pressão dentro das varizes é diminuída pelo implante de um dispositivo dentro do fígado que desvia o sangue da veia porta. TIPS são geralmente reservados para pacientes com sangramento de varizes em que outras medidas não controlam o sangramento. TIPS podem também trazer benefício aos pacientes com ascite que não podem ser controlados com medicações.

O desenvolvimento dos tratamentos para a encefalopatia hepática.

O desenvolvimento de tratamentos específicos para várias doenças do fígado.

Medidas gerais para pacientes com cirrose

Os pacientes com cirrose devem ser vistos regularmente por seu médico, que o monitorará para o desenvolvimento ou a presença das complicações.

Na maioria de casos, devem receber as seguintes medidas de saúde gerais:

Vacinação

Os pacientes com cirrose devem tipicamente ser imunizados para: hepatites A e B, Pneumococo (a cada 5 anos) e gripe anualmente.

Fonte: www.figado.com.br

Cirrose Hepática


Doença crônica do fígado decorrente da destruição e regeneração das células hepáticas, acarretando, do ponto de vista histológico, a presença de fibrose e formação nodular difusa, com conseqüente desorganização da arquitetura lobular e vascular do órgão.

Representa conseqüências de uma resposta permanente de ferida-cicatrização à agressão hepática crônica induzida por toxinas, infecção viral crônica, colestase e distúrbios metabólicos.

É uma degeneração difusa, progressiva e crônica do tecido hepático com destruição dos hepatócitos e com regeneração e formação de um tecido cicatricial fibroso, extenso e denso.

Etiologia

1. METABÓLICOS

Erros congênitos do metabolismo: galactosemia, tirosinemia, doença de Wilson, hemocromatose. Esteato-hepatite não alcoólica.

2. VIRAIS

Hepatite por vírus B e vírus C.

3. ALCOÓLICO

Principal agente etiológico em pacientes adultos. De 5 a 10 anos de ingestão superior a 80g de etanol / dia.

4. INDUZIDA POR FÁRMACO

Metotrexato, isoniazida, oxifenisatina, alfa-metildopa.

5. AUTO IMUNE

Conseqüente à evolução de hepatite, colangite auto-imune.

6. BILIARES

Cirrose biliar primária e cirrose biliar secundária com processo final de doenças crônicas como a colangite, colangite esclerosante e obstrução das vias biliares.

7. CRIPTOGÊNICAS

10 A 20% de etiologia indeterminada

Formas Clínicas:

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é antes de tudo histológico.

A biópsia hepática pode também trazer subsídios para o diagnóstico etiológico e dados evolutivos, além de orientação para o tratamento.

O diagnóstico clínico é feito pela alteração da coagulação sanguínea, sinais inequívocos de hipertensão portal e insuficiência hepatocelular.

O tratamento baseia-se habitualmente nos sintomas de apresentação do paciente.

Vitaminas e suplementos nutricionais promovem a cicatrização das células hepáticas lesadas e aprimoram o estado nutricional do paciente.

Antiácidos reduzem o mal-estar gástrico e minimizam a possibilidade de sangramento gastrintestinal.
Diuréticos poupadores de K+ são indicados para reduzir ascite, se presente, e minimizar as alterações hidroeletrolíticas.

Deve-se evitar a ingestão de álcool.

A Nutrição do Paciente Cirrótico:

Levando-se em consideração que tendem a ser hipercatabólicos e desnutridos, os cirróticos devem receber suprimento calórico-protéico adequado.

Nunca será demais enfatizar que não existem motivos para a restrição de proteínas até que surjam sinais de encefalopatia.

Também é injustificável a restrição de gorduras na dieta. Mesmo pacientes colestáticos estão aptos a ingerir gordura em sua dieta, para que não se agrave ainda mais seu déficit nutricional.

O emprego de complexos vitamínicos pode sr importante, especialmente nos pacientes alcoólatras.

O prurido pode incapacitar o paciente para uma vida normal. Ele pode ser aliviado com a administração de anti-histamínicos.

Reposição das vitaminas A, K, D e E.

Complicações

Hipertensão portal

Hemorragia por varizes esofagogástricas.

Prescrições de Enfermagem

O repouso deve ser prescrito para que o fígado restabeleça sua capacidade funcional. Se o paciente estiver hospitalizado, o peso e a ingestão de líquido, bem como as eliminações, são medidos e registrados diariamente. A posição do paciente na cama é ajustada para a eficiência respiratória máxima, que é especialmente importante se a ascite for acentuada, pois ela interfere na excursão torácica adequada. Pode ser necessária a terapia de oxigênio, na insuficiência hepática, para oxigenar as células danificadas e evitar maior destruição celular. O repouso reduz as demandas do fígado e aumenta o suprimento de sangue para o mesmo. Como o paciente é susceptível aos problemas da imobilidade, devem ser iniciados os procedimentos para evitar as perturbações respiratórias, circulatórias e vasculares. Isto pode evitar como pneumonia, tromboflebite e úlceras de pressão. Quando a nutrição melhora e a força aumenta, o paciente é encorajado a aumentar a atividade gradualmente.

Cuidados de pele são essenciais devido à presença de edema subcutâneo, à imobilidade do paciente, à icterícia e ao aumento de susceptibilidade da pele a lesões e infecção. As freqüentes mudanças de decúbito são necessárias para evitar úlceras de pressão. São evitados os usos de sabão irritante e de fita adesiva para prevenir traumas da pele. As loções podem ser suavizantes para a pele3 irritada. São tomadas medidas para que o paciente não coce a pele.

Redução do risco de injúria. O paciente com cirrose é protegido de quedas e outras injúrias. As grades laterais da cama são levantadas e acolchoadas com cobertores macios para diminuir os riscos se o paciente ficar agitado ou inquieto. O paciente é orientado quanto ao tempo e local, e todos os procedimentos são explicados para minimizar a agitação do paciente. Qualquer injúria pé avaliada cuidadosamente, devido à possibilidade de sangramento interno.

Fonte: www.aguaviva.mus.br

Cirrose Hepática


A cirrose hepática é uma doença que se caracteriza pela alteração da estrutura do fígado, que fica transformado em nódulos, individualizados por septos fibrosos (cicatrizes). É o estado terminal de várias doenças e causa insuficiência hepática.

Qual a frequência?

É uma doença muito frequente em todo o mundo, estando a sua ocorrência relacionada com a das suas diversas causas.

Quais são as causas?

Qualquer doença crónica do fígado que cause inflamação e fibrose, pode evoluir para cirrose,ao fim de mais ou menos tempo de evolução. Em Portugal a causa mais frequente é o consumo excessivo de álcool (a este respeito deve considerar-se excessivo o consumo de mais de 60 g/dia no homem ou 40 g/d na mulher, isto é, 6 e 4 copos padrão, respectivamente). A seguir surgem as hepatites B e C, esta última ocupando certamente o segundo lugar, a seguir ao álcool, com o qual muitas vezes se associa, provocando doença ainda mais grave. Depois há causas mais raras, como a cirrose biliar primária, a colangite esclerosante primária, a hemocromatose, a hepatite autoimune, etc.

Prevenção

A prevenção da cirrose faz-se prevenindo as suas causas. Na prática consiste em não beber excessivamente, prevenir as infecções pelos vírus das hepatites B (vacina) e C (medidas gerais de profilaxia) e diagnosticar atempadamente as outras causas, pois algumas doenças podem ser curadas ou estabilizadas, impedindo a progressão parta cirrose.

Como se manifesta?

Numa primeira fase a cirrose pode não causar qualquer sintoma. Quando a doença evolui, surgem sintomas e sinais clínicos relacionados com o insuficiente funcionamento do fígado e com o obstáculo que ele coloca à passagem do sangue (surgindo hipertensão portal, isto é, aumento da pressão sanguínea nas veias que drenam o sangue dos órgão abdominais).

Assim pode apenas haver fadiga, falta de apetite, mal estar geral, perda de peso, ou surgirem sintoams e sinais mais característicos, como icterícia, aumento do volume abdominal por ascite (derrame peritoneal), edemas, anemia, encefalopatia hepática, hemorragia digestiva (frequentemente por rotura de varizes esofágicas), etc.

Como se diagnostica?

Se os sintomas e sinais clínicos podem sugerir o diagnóstico, este assenta sobretudo em exames laboratoriais, na ecografia abdominal e na biopsia do fígado. Qualquer pessoa que apresente factores de risco (consumo alcoólico excessivo, hepatites crónicas) deve consultar o médico, no sentido de ser feita uma avaliação clínica e laboratorial completa.

Qual é o tratamento?

Para além do tratamento da doença causal, quando possível, há que tratar as complicações (hemorragias digestivas, ascite, encefalopatia, peritonite bacteriana) e proceder ao rastreio do carcinoma hepatocelular. A transplantação hepática é hoje o único tratamento definitivo da cirrose, mas a limitação do número de órgãos obriga a uma selecçlão criteriosa dos candidatos, pelo que a grande maioria dos doentes não chegam a ser transplantados.

Qual é o prognóstico?

A cirrose, uma vez estabelecida, é irreversível, evoluindo, mais ou menos gradualmente, com uma sobrevivência que pode ser superior a 50% aos 10 anos nos casos bem compensados, mas é inferior a 20% aos 5 anos nos doentes com descompensação (ascite, hemorragias digestivas, encefalopatia). Uma complicação grave da cirrose é o carcinoma hepatocelular (hepatoma, tumor maligno primitivo do fígado).

Fonte: www.mni.pt

Cirrose Hepática


Fígado
Fígado

Cirrose é o nome atribuído à patologia que pode afectar um órgão, transformando o tecido formado pelas suas células originais em tecido fibroso, por um processo habitualmente chamado fibrose ou esclerose. Geralmente o termo cirrose é utilizado para designar a cirrose no fígado.

Cirrose hepática e regeneração

O deus grego Prometeu enfureceu Zeus por levar o fogo à humanidade. Como castigo, foi amarrado ao Monte Cáucaso, aonde todos os dias uma águia monstruosa o atacava e devorava parte do seu fígado, que voltava a crescer e era devorado no dia seguinte, todos os dias, por um período de cerca de 12 gerações.
O deus grego Prometeu enfureceu Zeus por levar o fogo à humanidade. Como castigo, foi amarrado ao Monte Cáucaso, aonde todos os dias uma águia monstruosa o atacava e devorava parte do seu fígado, que voltava a crescer e era devorado no dia seguinte, todos os dias, por um período de cerca de 12 gerações.

O tipo mais comum de cirrose, a cirrose hepática, afeta o fígado e surge devido ao processo crônico e progressivo de inflamações (hepatites), fibrose e por fim ocorre a formação de múltiplos nódulos, que caracterizam a cirrose. A cirrose é considerada uma doença terminal do fígado para onde convergem diversas doenças diferentes, levando a complicações decorrentes da destruição de suas células, da alteração da sua estrutura e do processo inflamatório crônico. A capacidade regenerativa do fígado é conhecida e até faz parte da mitologia grega. É possível retirar cirurgicamente mais de dois terços de um fígado normal e a porção restante tende a crescer até praticamente o tamanho normal, com um processo de multiplicação celular que se inicia logo nas primeiras 24 horas, através de mecanismo ainda não bem esclarecido (o mesmo acontece com o transplante hepático intervivos, aonde o receptor recebe uma porção do fígado do doador e depois ambos crescem). No entanto, a cirrose é o resultado de um processo crônico de destruição e regeneração com formação de fibrose. Nessa fase da hepatopatia, a capacidade regenerativa do fígado é mínima.

Causas

Fígado normal
Fígado normal

Apesar da crença popular de que a cirrose hepática é uma doença de alcoólatras, todas as doenças que levam a inflamação crônica do fígado (hepatopatia crônica) podem desenvolver essa patologia:

Distúrbios vasculares

Cirrose biliar

Sintomas

Cirrose
Cirrose

No início não há praticamente nenhum sintoma, o que a torna de difícil o diagnóstico precoce, pois a parte ainda saudável do fígado consegue compensar as funções da parte lesada durante muito tempo.

Numa fase mais avançada da doença, podem surgir desnutrição, hematomas, aranhas vasculares, sangramentos de mucosas (especialmente gengivas), icterícia ("amarelão"), ascite ("barriga-d'água"), hemorragias digestivas (por diversas causas, entre elas devido a rompimento de varizes no esófago,levando o doente a expelir sangue pela boca e nas fezes) e encefalopatia hepática (processo causado pelo acúmulo de subtâncias tóxicas que leva a um quadro neurológico que pode variar entre dificuldade de atenção e coma).

Tratamento

O único tratamento totalmente eficaz para padecentes de cirrose é o transplante de fígado, mas também podem haver melhoras se for suspendido o agente agressor que originou a cirrose, como o álcool ou o vírus da hepatite. Como o transplante está indicado apenas em situações aonde o risco do procedimento é inferior ao risco esperado sem o procedimento, se não houver indicação de transplante deve-se manter acompanhamento médico periódico para a detecção precoce de complicações (desnutrição, ascite, varizes esôfago-gastricas, hepatocarcinoma) e intervenção se necessária.

Fonte: pt.wikipedia.org

voltar 123456789avançar