Considerado o povo mais civilizado e poderoso da América pré-colombiana, os astecas controlavam um enorme império que se estendia por grande parte da região meso-americana (área cultural que compreendia parte do México e da América Central).
Os astecas, também eram chamados de mexinas ou tenochcas, chegaram ao vale do México no início do século XII da era cristã. Eram procedentes de uma região, situada em algum ponto desconhecido do noroeste do México; onde se estabeleceram depois de dominar vários povos e absorver a cultura. A data de 1168 é tida como aquela em que os Astecas, uma pequena tribo de caçadores, deixam a sua região de origem, Astlán no noroeste do México. Depois da queda dos Toltecas no Vale do México, os Astecas foram uma das últimas tribos a chegar às margens do lago Texcoco. Os astecas chegaram às margens do lago Texcoco, no Vale do México, em 1325 d. C. Eles formavam inicialmente uma tribo de caçadores e coletores que se deslocou dos platôs áridos do norte do México em direção à zona central fértil e mais civilizada, ocupada por povos que praticavam agricultura desenvolvida. Neste deslocamento, que se estendeu do início do século XII ao início do século XIII, os Astecas lutaram, mas também conviveram com outros povos com os quais enriqueceram sua cultura e aperfeiçoaram o seu conhecimento tecnológico, especialmente sobre a agricultura. Aprenderam a irrigar a terra com o cultivo e a construir "jardins flutuantes", chamados de chinampas. As chinampas são porções de terreno que os indígenas recuperavam do fundo do lago para formar e estender a terra firme tanto para construir como para o cultivo agrícola intensivo. A construção das chinampas se dá nos lugares mais rasos do lago onde se podia colocar as diversas camadas vegetais para a formação deste tipo de terreno exclusivo do Vale do México. Os Astecas demarcavam o local das futuras chinampas com estacas e juncos, enchiam com lodo extraído do fundo do lago e misturavam com um tipo de vegetação aquática que flutuava no lago. Esta vegetação formava uma massa espessa sobre a qual se podia caminhar. Estas tecnologias foram essenciais para a fundação e sobrevivência de Tenochtitlán. Aos poucos, com sua arte guerreira e sua habilidade de aprender com os povos entre os quais viviam, tornaram-se ricos e poderosos, se tornando um grande império. Sua capital Tenochtitlán, era maior que qualquer cidade da Europa na época. A partir de Tenochtitlán os astecas conquistaram através de guerras um território tão vasto que corresponde hoje ao México e ao norte da América Central (Guatemala e Nicarágua). Este império foi construído em um século (do início do século XIV ao início do século XV). A partir de 1517, expedições espanholas lideradas por Hernández de Córdoba, Grijalva e Hernán Cortés, conquistaram e destruíram a civilização Asteca, erguendo sobre as ruínas do templo de seu deus mais importante, uma catedral cristã.
O sistema de ensino era severo e disciplinado e se baseava no estudo da história e da religião nacionais, na formação moral, na aprendizagem de ofícios e no treinamento militar.
"Durante os primeiros anos, a educação da criança ficava a cargo da família. O menino aprendia a carregar água e lenha, ajudava nos trabalhos agrícolas ou no comércio, na pesca e começava a remar sob a direção do pai. A menina varria, iniciava-se na cozinha, fiação e tecelagem. Assim que a criança atingia a idade de seis a nove anos, porém, seus pais a confiavam a um dos dois sistemas de educação pública então existentes: o colégio do bairro, onde "mestres de rapazes" e "mestras de moças" preparavam seus alunos para a vida prática; ou então o calmecac, colégio-monastério, onde a educação era ministrada pelos sacerdotes. Em princípio, somente os filhos dos dignitários (pilli) tinham acesso ao calmecac. Os filhos de negociantes, porém, também podiam ser admitidos, bem como crianças das camadas populares, caso se destinassem ao sacerdócio." Soustelle, Jacques. A Civilização Asteca.. Rio de Janeiro, Zahar, 1997, p.62.
A civilização asteca, se baseou do ponto de vista econômico, na agricultura e no comércio. As condições climáticas e topográficas do vale do México, núcleo do império, permitiam o cultivo de produtos de zona temperada, mediante uma adequada organização dos trabalhos agrícolas de forma a amenizar os efeitos das estações secas e das geadas. Grande parte dos 80.000 km² do vale, apresentava colinas, lagoas e zonas pantanosas que foram adaptadas à agricultura mediante aplicação de engenhosas técnicas de preparo de terreno para cultivo, drenagem e aterro. Uma das mais interessantes entre essa técnicas, consistia na construção de canteiros flutuantes - as chinampas - por meio do empilhamento de galhos de árvores, barro e limo; que acabavam por fixar-se no fundo dos lagos. Sem animais de tração, para a agricultura, os astecas contavam com cães e perus para uso doméstico. Além do milho, consumido em forma de massa sobre a qual se aplicava uma pasta e feijão e pimenta amassados, os astecas alimentavam-se essencialmente de milho (era tão importante que existia até um Deus-Milho), feijão, abóbora, pimenta e tomate. Os grãos de amaranto e sálvia eram usados em mingaus. Em torno do lago, consumiam-se peixes, crustáceos, batráquios e até insetos aquáticos. Aliás, os peixes e crustáceos só chegavam ao Planalto para serem consumidos pelas mais altas camadas da sociedade. Faziam uso do tabaco sob a forma de charuto ou cachimbo e, em certas ocasiões, ingeriam o octli, um líquido fermentado à base de suco de agave. Também cultivavam o cacaueiro, de cujos frutos extraíam uma bebida chamada xocoatl, que daria origem ao chocolate como o conhecemos hoje. Assim como ocorria na sociedade maia, entre os astecas o uso de sementes de cacau como moeda era relativamente comum.
A população relativamente grande do vale do México, que somava entre 1 milhão e 1,5 milhão de habitantes em 1519, foi um dos fatores que levaram os astecas a conquistarem outras regiões e comerciar com povos vizinhos. Os pochtecas, poderosa classe de mercadores, organizavam as caravanas comerciais e controlavam os mercados das cidades. A cidade de Tenochtitlan, que chegou a ter 13 km², incluídos os bairros periféricos e as chinampas, era o centro político e artesanal do império. A maior parte de sua população, que chegava a 100 mil pessoas em 1519, era composta de administradores, guerreiros, comerciantes e artesãos.
"Hoje quando bebemos uma xícara de chocolate quente e espumante ou comemos uma de chocolate, nem imaginamos que foram necessários séculos de estudos e cuidados com o fruto do cacaueiro para que pudéssemos apreciar esse alimento nutritivo. Também não imaginamos que foram os povos mesoamericanos, excelentes botânicos, os responsáveis pelo desenvolvimento das técnicas necessárias para secar e tostar as sementes de cacau que, depois moídas e de receber calor, se transformam na pasta de xocoatl.
Só que a pasta original obtida pelos botânicos, não tinha gosto. Para resolver esse problema, eles a dissolveram em água misturada com grande número de especiarias e flores. Adicionaram também diversos tipos de pó de origem vegetal para dar-lhe cor. Posteriormente, querendo melhorar o sabor do chocolate, resolveram adoçá-lo com mel de abelhas, e, para conseguir fazer espuma, inventaram o molinillo, um pequeno moedor próprio para triturar e bater as sementes.
Durante a conquista da América, os espanhóis transformaram mais ainda a pasta de chocolate. Acrescentaram a ela açúcar, avelã e nozes, assim como sementes de melão e gemas de ovo, conforme o gosto. Nessa época, os médicos também prescreviam o chocolate como medicamentos a seus pacientes. Aos enfermos calmos, receitavam o chocolate misturado com anis, almíscar e pimenta; já os doentes nervosos, bebiam o líquido sem substâncias aromáticas, ao contrário dos deprimidos, que consumiam o chocolate sem pimenta, com pouco anis e com todos os elementos aromáticos.
Se à chegada dos espanhóis o chocolate era uma bebida exótica e pouco conhecida, depois das contribuições dos povos da Mesoamérica acabou se popularizando e, com o tempo, ganhou as mesas das famílias do mundo inteiro." (El chocolate, herencia de México. Revista Arqueologia Mexicana, n.29, jan./fev. 1998).
A base da sociedade asteca era a família de caráter patriarcal e geralmente monogâmica. Um grupo de várias famílias, compunham o calpulli, unidade social complexa que se encarregava de funções muito diversas, como a organização do trabalho agrícola, a arrecadação de impostos, o culto religioso, a educação e o recrutamento de guerreiros. Um conselho, formado pelos chefes de família, elegiam o líder do calpulli. Cada família pertencente a um calpulli, recebia um usufruto parte das terras comunais, que revertia ao calpulli se não fosse cultivada.
Acima do calpulli, estava a estrutura estatal, centrada no monarca. Logo após a morte de um tlatoani, um conselho de nobres se encarregava de eleger seu sucessor, geralmente entre os membros da casa real. O tlatoani, cuja figura inspirava enorme respeito entre seus subordinados, nomeava os ocupantes dos cargos estatais e militares, dirigia as campanhas de guerra, supervisionava o fisco e a atividade comercial, administrava justiça em última instância e presidia os ritos religiosos.
O funcionamento do estado, se baseava numa ampla rede burocrática formada por funcionários profissionais, tais como: os sacerdotes, inspetores do comércio e coletores de impostos.
Uma das características que mais marcavam a sociedade asteca, era a divisão em castas:
Era formada pelos membros da família real, os chefes dos calpulli, os chefes militares e os plebeus que haviam realizado algum serviço de mérito ao estado.
Eram os lavradores, comerciantes e artesãos enquadrados nos calpulli, que consistiam o grosso da população.
Trabalhavam nas terras do estado e da nobreza.
Também haviam ESCRAVOS, empregados como força de trabalho ou reservados para os sacrifícios religiosos.
A confederação asteca, assim como os impérios meso-americanos anteriores, organizavam-se em torno do pagamento de tributos e da contribuição militar por partes dos estados submetidos. Apesar disso, esses estados eram praticamente independentes. No entanto, o império asteca tentou conseguir uma maior integração política entre suas 38 províncias, sobretudo no vale do México.
A organização religiosa asteca era complexa, já que em apenas dois séculos, esse povo passara de dominado para dominador, controlando outros povos da região.
Da mesma forma que outros povos, como os maias, os astecas supunham viver a era do quinto sol. As quatro anteriores, haviam acabado em catástrofes. Isso constituía uma justificativa ideológica para as contínuas guerras astecas, pois era necessário capturar inimigos e sacrificá-los aos deuses, a fim de proporcionar sangue para que o Sol não apagasse.
Conciliação das diferentes religiões dos povos vizinhos - encheu de deuses o panteão asteca. Pata uma mesma missão, haviam divindades provenientes de diversas culturas, e a tradição dualista opunha deuses benfazejos aos destruidores. A classe dirigente louvava suas divindades guerreiras, enquanto os camponeses atribuíam a fertilidade ou as calamidades aos deuses agrícolas. Cada lugar, cada profissão, agregava ao panteão asteca suas próprias divindades.
Os membros do clero, pertenciam às classes superiores; estudavam em suas próprias escolas a escrita e a astrologia, além de praticarem a mortificação e os cantos rituais; sua vida era de austeridade e permaneciam celibatários. Os dois sumos sacerdotes, dependiam do rei; que era inacessível, e segundo os espanhóis, ele era transportado em liteira porque seus pés não podiam pesar na terra.
Os templos mantinham asilos e hospitais.
Os ofícios religiosos, freqüentemente celebrados ao ar livre, nos arredores os templos, reproduziam fenômenos cósmicos e, dada sua estreita relação com os ciclos vegetativos, regiam-se por um complicado ritual, centrado nos sacrifícios. Já que acreditavam que som o sangue humano (a "água preciosa") oferecido ao Sol, a engrenagem do mundo deixaria de funcionar. Em relatos feitos pelos espanhóis, eles afirmam que sem dúvida o número de vítimas foi bastante grande. Em geral, sacrificavam-se prisioneiros, então a idéia de se manter a prática de guerras, para que houvesse um "estoque" de prisioneiros, de maneira a serem sacrificados; como também usavam voluntários a serem sacrificados. As vítimas eram sacrificadas pelos sacerdotes, de formas diversas, segundo o deus a quem se oferecia o sacrifício; quando era dedicado a Tezcatlipoca (protetora dos guerreiros e dos escravos, acreditava-se que ela inspirava os eleitores do grande conselho na escolha do soberano e castigava ou perdoava as faltas), o sacerdote extraía o coração do guerreiro para alimentar a deusa.
Os astecas conheciam uma escrita hieroglífica, mas a transmissão de sua cultura se realizou principalmente de forma oral.
A educação se dividia em duas instituições:
No Calendário se encontram representadas a cosmogonia e a cronologia dos antigos mexicanos. Ao centro destaca-se o Sol (Deus Tonatiuh) sedento de sangue com o signo nauiollin, símbolo do nosso universo.
Os quatro braços da Cruz de Santo André, correspondentes ao signo Ollin, contêm os símbolos dos quatro antigos Sóis. Em torno destes hieróglifos, círculos concêntricos mostram os signos dos dias, os anos, representados pelo glifo xiuitl composto de 5 pontos, sendo 4 em cruz e mais outro no meio e, enfim, duas "serpentes de turquesa", isto é, os dois períodos de 52 anos que correspondem aos 65 anos do planeta Vênus, os dois constituindo o ciclo de 104 anos denominado ueuetiliztli ("velhice"). Os astecas tinham conhecimento precisos sobre a duração do ano, a determinação dos solstícios, as fases e eclipses da Lua, a revolução do planeta Vênus e diversas constelações, como as Plêiades e a Grande Ursa. Eles atribuíam uma atenção especial à mensuração do tempo, numa aritmética que tinha como base o número 20. Ao fim de cada período de 52 anos, acendia-se o "Fogo Novo" no cimo da montanha de Uixachtecatl. Isto era denominado "liga dos anos".
Era comemorado como um verdadeiro "Reveillon" místico com sacrifícios, danças, renovação de utensílio domésticos, etc.
O Calendário Asteca possuía 18 meses com 20 dias, estes últimos a saber:
Coatl - Cobra
Cuetzpallin - Leopardo
Calli - Casa
Ehecatl - Vento
Cipactli - Crocodilo
Xochitl - Flor
Quiahuitl - Chuva
Tecpatl - Pedra
Ollin - Tempo
Cozcacuauhtli - Abutre
Cuauhtle - Águia
Ocelotl - Jaguar
Acatl - Bastão
Malinalli - Erva
Ozomatli - Macaco
Itzquintli - Cão Careca
Atl - Água
Tochtli - Coelho
Mazatl - Cervo
Miquiztli - Caveira
Uma das mais notáveis invenções do povo asteca, foi um sistema de medição do tempo baseado na combinação de vários calendários.
Era de 260 dias e tinha uso divinatório.
Tinha 18 meses e 20 dias, aos quais se somavam 5 dias nefastos para completar os 365. A cada 52 anos, o início dos calendários coincidia com o que começava um novo "século". Além disso, havia um calendário baseado no ciclo do planeta Vênus, que coincidia com os demais a cada 104 anos. Os astecas desenvolveram também a astronomia e a matemática, na qual empregavam o sistema vigesimal.
Da arquitetura asteca, só se conhecem alguns poucos exemplos que sobreviveriam às destruições ocorridas durante a conquista espanhola. As edificações mais características são os templos, da estrutura piramidal, como o da cholula. Os templos Astecas foram edificados com enormes blocos de pedras das montanhas que rodeavam o Vale do México. Os templos eram erguidos o mais alto possível para que os Astecas pudessem ficar perto dos seus deuses do céu. No topo havia uma plataforma onde eram sacrificadas as pessoas, geralmente prisioneiros, escolhidas como oferendas aos deuses. Os Astecas acreditavam que deviam construir um novo templo a cada 52 anos para agradecer aos deuses o fato de o mundo não ter ainda acabado. Em vez de demolir o velho templo, eles construíam outro em cima daquele. Assim, cada templo era maior e mais importante do que o anterior. Em Tenochtitlán o grande templo foi aumentado cinco vezes.
Os Astecas aprenderam a fazer seus artesanatos com os descendentes dos Toltecas, cuja civilização desaparecera muito antes de os Astecas chegarem ao Vale do México. Os artesãos moravam em bairros separados na cidade, adorando seus próprios deuses e ensinando sua arte apenas aos seus filhos. Grande parte de seus trabalhos era para o rei. Com os tributos enviados pelas cidades conquistadas, faziam tiaras, mantas e jóias. O rei então recompensava os grandes guerreiros com esses presentes. Um escultor levava muito tempo pata esculpir uma peça em jade, cristal ou obsidiana, devido à precariedade dos seus instrumentos. Dava a primeira forma à matéria bruta esfregando na pedra uma tira de couro cru com areia e água. Trabalhava apenas com uma faca de cobre macio e pó de sílex. Para finalizar e dar os últimos retoques, polia a peça com areia, depois usava o junco para dar brilho.
Como a arquitetura, a escultura asteca é maciça e imponente. Muitas obras mostram a influência artística dos Toltecas, Mixtecas e dos povos da Costa do Golfo, porém a estatuária religiosa possui traços típicos que expressam o caráter primitivo e violento dos Astecas. Algumas vezes os artistas revelam uma concepção mais naturalista, criando figuras serenas, desprovidas de elementos grotescos. É o que se verifica em certas estátuas de Quetzalcoatl, divindade protetora das artes e das ciências, e nas de Xochipili, o senhor das flores, divindade da alegria, da música e da dança.
A pintura dos Astecas é uma arte intermediária entre a escrita e a iluminura, manifestada através da execução minuciosa de caracteres pictográficos e da figuração de cenas históricas ou mitológicas. Os objetos são representados de frente ou de perfil e, às vezes, as duas posições são sobrepostas, resultando numa imagem irreal, mas sempre compreensível. Não conhecem a perspectiva e o colorido não tem nuances, porém há sempre contornos negros delimitando cada forma e realçando a vivacidade das cores. Em certos aspectos, essas obras lembram um dos estágios mais antigos da pintura egípcia.
A arte plumária, trabalho com penas, era uma produção familiar. Enquanto as crianças preparavam cola de excremento de morcego, a mulher escolhia e tingia as penas. Para fazer um escudo, o artesão primeiro fazia o desenho e um molde. Com ele, transferia o desenho para um pedaço de pano colado a fibras de cacto. Cortava as penas tingidas de acordo com o desenho e enfiava-as no tecido. Depois colava o pano num pedaço de madeira. Quando a cola secava, ele aplicava a camada final de penas, delineando o desenho com finas faixas de ouro. As penas, mais caras eram as do sagrado pássaro verde quetzal e as do colibri de cor turquesa.
O ourives usava o método da cera derretida para fazer objetos. Fazia um molde em argila, enchia-o com cera e recobria com mais argila. Depois, aquecia o molde para que a cera derretesse e escorresse por uma abertura. Derramava o ouro derretido dentro do molde, deixava esfriar, quebrava a proteção de argila e estava moldada a peça.
Os astecas, registravam os acontecimentos importantes em livros de papel preparados com folha de sisal, dobrados com mapas ou enrolados como pergaminhos. A literatura dos astecas, predominantemente oral, desenvolveu temas históricos, religiosos e líricos.
Tenochtitlán se localiza numa ilha no interior do lago de Texcoco. Era a capital do Império, e racionalmente tão organizada, que deixou os espanhóis boquiabertos com avenidas largas e calçadas de pedras, praças enormes, pirâmides e edifícios que eram freqüentados por artesãos, comerciantes, funcionários do Estado, músicos, trabalhadores braçais, poetas e nobres. Este lugar desabitado tinha uma enorme riqueza ecológica que foi se transformando até alcançar o florescimento que os conquistadores observaram 200 anos depois. O controle político e econômico da cidade Asteca (Tenochtitlán) abarcava uma extensa zona da Mesoamérica com um grande número de povos subjugados que abasteciam a cidade de numerosos produtos naturais e manufaturados.
O traçado das principais avenidas e a organização do centro cerimonial se realizou com relação à localização dos pontos periféricos da paisagem, principalmente os topos dos morros e o percurso do sol a cidade e seus arredores contavam com obras hidráulicas e estradas. Estudos indicam que o complexo de obras foi realizado para evitar as enchentes na cidade, melhorar a qualidade das águas permitindo a entrada de água doce proveniente dos lagos Xochimilco e Chalco, e comunicar a ilha com a terra firme.
O centro cívico-religioso se localiza mais ou menos no centro da ilha de Tenochtitlán. O conjunto urbano se estrutura a partir de três caminhos principais que atravessam a ilha e continuam além dela para uni-la à terra firme: ao norte, o caminho de Tepeyacac; a oeste, o caminho de Tlacopan, e ao sul, o caminho de Iztapalapa.
Quanto à distribuição e ao tipo de edifícios que se encontravam no centro, sabe-se que ali se localizavam as residências dos principais senhores, os templos pirâmides dedicados a Huitzilopochtli, Tláloc e Tezcatlipoca, edifícios para a educação e outros ofícios rituais. Nas zonas não cerimoniais dentro da ilha se utilizava um traçado quadriculado regular, quando assim permitiam as condições ecológicas do terreno; e se utilizavam outras disposições de acordo com a adaptação das áreas residenciais às obras hidráulicas para o controle lacustre do sítio. É interessante observar que os caminhos eram estreitos e relativamente frágeis; os Astecas construíram sua cidade para o tráfego de pedestres, já que na época não havia cavalos na Mesoamérica.
O trânsito era preferentemente aquático e com canoas, que permitiam o deslocamento a qualquer lugar dentro ou fora da cidade, pela complexa e eficiente rede de canais de que dispunha a cidade de Tenochtitlán. Os caminhos amplos e com pontes uniam a ilha com a terra firme.
A maioria dos prédios é regular e o loteamento segue um esquema em que cada prédio ou unidade habitacional se integra diretamente aos caminhos para circulação de pessoas e aos canais para circulação de canoas. Cada unidade habitacional corresponde a um prédio e se compõe dos seguintes elementos: um conjunto de chinampas, canais para irrigar as chinampas, um terreno onde se localiza a casa, e um terreno entre a casa e as chinampas.
Os limites das habitações são caminhos e canais em seus quatro lados e facilitam sua integração ao contexto urbano tanto por terra firme como em canoas pela água. Todas as moradias na Planta Maguey aparecem com seus acessos principais voltados para o sul. As moradias indígenas eram projetadas para responder a necessidades culturais próprias: havia compartimentos com grande variedade de formas destinados a dormitórios, pátios internos e externos, terrenos e chinampas para cultivo, corredores e currais. A integração espacial da casa era independente do exterior, de costas para os caminhos e espaços públicos. Mas se ligava de várias maneiras com o entorno imediato e com o resto da cidade através de circulação por terra e por água. As habitações indígenas tinham, em geral, paredes de adobe e telhado de materiais vegetais, constituindo-se em cargas leves sobre terreno frágil, sujeito a afundamentos, quase flutuando sobre as águas do lago. Apesar dos materiais de construção serem perecíveis esta habitação adequava-se muito bem às condições climáticas e de integração ecológica. As casas eram baixas e com pouca iluminação.
A única abertura era a da porta. Isto era assim porque os indígenas realizavam a maioria das suas atividades cotidianas nos espaços externos. As habitações serviam para dormir e para o descanso total através do isolamento da luz e de outros agentes externos (ruído, chuva, ... ).
O México atual não corresponde exatamente ao que foi o Império Asteca (mesmo se tratando de uma República, o termo Império não é errado) em suas dimensões máximas, mas diferentemente do que ocorreu em relação ao Tawantinsuyu (Império Inca) e o atual Peru, o México atual é maior do que o Império Asteca jamais foi. Para começar, os Astecas jamais dominaram a península de Yucatán, nem tão pouco a península da Califórnia. Além disso, no próprio núcleo do México, na época Asteca, existiam certos "clarões" no Império, ou seja, áreas livres incrustadas em seu coração, como era o caso de Tlaxcala. A região sofria freqüentes abalos sísmicos e erupções vulcânicas, tendo vulcões de mais de cinco mil metros de altura.
Ao norte, à medida que se aproxima do deserto do Arizona, o clima se torna quente e seco, ao sul, já na zona tropical, surgem florestas densas e com fauna e flora ricas. Além de tudo isso, a região ainda é cortada pelas Sierras Madres oriental e ocidental o que faz com que a altitude média do país esteja entre 3000 e 4000 metros acima do nível do mar. Tamanhas altitudes provocam períodos de frio intenso e estiagem no inverno e final do outono, sendo assim, nada mais natural que as principais cidades pré-colombianas tenham se desenvolvido nas margens de lagos ou arroios. No que se refere a minérios, o México é muito rico em prata, sendo atualmente um dos maiores produtores mundiais do minério, e chumbo, além de ter (especialmente na época referida) boas reservas de ouro, estanho, cobre e pedras preciosas. A região sofria freqüentes abalos sísmicos e erupções vulcânicas, tendo vulcões de mais de cinco mil metros de altura.
Ao norte, à medida que se aproxima do deserto do Arizona, o clima se torna quente e seco, ao sul, já na zona tropical, surgem florestas densas e com fauna e flora ricas. Além de tudo isso, a região ainda é cortada pelas Sierras Madres oriental e ocidental o que faz com que a altitude média do país esteja entre 3000 e 4000 metros acima do nível do mar. Tamanhas altitudes provocam períodos de frio intenso e estiagem no inverno e final do outono, sendo assim, nada mais natural que as principais cidades pré-colombianas tenham se desenvolvido nas margens de lagos ou arroios.
No que se refere a minérios, o México é muito rico em prata, sendo atualmente um dos maiores produtores mundiais do minério, e chumbo, além de ter (especialmente na época referida) boas reservas de ouro, estanho, cobre e pedras preciosas. Nas florestas Mexicanas, as espécies que mais chamaram a atenção dos conquistadores espanhóis foram os papagaios e os jaguares, porém também existiam na região outros animais como águias, coiotes, beija-flores, uma espécie de cachorro sem pêlos, entre outros animais exóticos. Alguns achados arqueológicos têm ajudado muito os pesquisadores a aprenderem mais sobre a história da Mesoamérica, é o caso dos crânios de cristal, de estelas encontradas com inscrições hieroglíficas, calendários e tudo o que resistiu a ação do tempo, dos saques Espanhóis e às fogueiras dos missionários Europeus.
Acredita-se que na própria Cidade do México, que foi edificada sobre as ruínas de Tenochtitlán, existam diversos "tesouros" soterrados. Uma simples escavação para a realização de uma obra no centro velho da cidade provou que os achados podem ser abundantes, foram encontradas várias peças totalmente desconhecidas, como o calendário religioso Asteca.
1) A expressão Mesoamérica é empregada com freqüência não com conotação geográfica, mas sim histórica e antropológica, sendo que designa uma região das atuais América Central e do Norte, onde se desenvolveram culturas indígenas avançadíssimas, só igualadas pelas culturas indígenas Andinas, na América do Sul. A Mesoamérica engloba o México, a Guatemala, Honduras e El Salvador, além de talvez algumas partes de outros países da América Central.
2) Historiadores afirmam que: o verdadeiro sistema de governo dos Astecas era uma espécie de República muito semelhante, inclusive, à República Romana.
3) É comum se falar em presença humana na América desde 35000 a.C., no entanto, na Mesoamérica, os primeiros testemunhos de ocupação datam de cerca de 20000 a.C.. Já os fósseis humanos mais antigos encontrados, não são de antes do que 9000 a.C..
É provável que por essa época o homem mesoamericano estivesse começando a se sedentarizar, processo que só se efetivaria por volta de 5000 a.C., com a descoberta da agricultura (plantio do milho, feijão, abóbora e pimenta malagueta). Porém, para um povo se desenvolver e se tornar uma civilização é preciso um pouco mais do que apenas a agricultura.
É preciso pelo menos a existência de uma cerâmica, o que só foi aparecer por volta de 2300 a.C. Mais ou menos em 1300 a.C., numa região conhecida como Olman (Terra da Borracha), próxima ao golfo do México, ao sul de Veracruz, uma civilização que se tornaria um marco na História pré-colombiana: os Olmecas. Este povo se disseminou por várias "cidades" (o termo não é muito correto, uma vez que elas eram apenas centros cerimoniais construídos para serem residências de sacerdotes e nobres, além de acolherem os cultos ao deus-jaguar) construindo grandes edifícios em pedras, tais como templos e túmulos, além de trabalhar o barro com maestria.
Os Olmecas se tornaram gênios da escultura, criando máscaras, sarcófagos, estelas, as famosas cabeças de basalto da Mesoamérica, além de estatuetas de jade, argila, quartzo, obsidiana, serpentina e cristal de rocha. Os Olmecas desenvolveram intensa atividade religiosa e mercantil, sendo assim, suas caravanas de comércio serviram para disseminar por várias regiões não só seus produtos e conhecimentos, tais como o cultivo do algodão para a confecção de roupas, mas também sua religião, que lançou bases para o culto futuro do deus da água. Por volta de 600 a.C., a influência Olmeca já era sentida nas proximidades do que viria a ser Tenochtitlán.
Porém, à medida que outros povos se desenvolviam, os Olmecas começaram a entrar em decadência e no século II ou III já não mais eram conhecidos, talvez tenham sido destruídos em batalha, talvez tenham migrado para outras regiões, o fato é que desapareceram do contexto da Mesoamérica, mas deixaram seu legado para as civilizações clássicas da região.
Montezuma acolheu amistosamente os estrangeiros brancos, acreditando que Hernán Cortés fosse a encarnação do deus Quetzalcóatl, cuja chegada havia sido anunciada por profecias. Algumas centenas de espanhóis, apoiados por tribos indígenas inimigas dos astecas, chegaram a Tenochtitlan, onde foram recebidos como hóspedes. Um ataque asteca ao conclave espanhol de Vera Cruz, na costa do Golfo do México, serviu de pretexto a Cortés para aprisionar Montezuma em sua própria corte. Finalmente, com 30 de Junho de 1520, os guerreiros de Tenochtitlan, dirigidos por Cuitláhuac, irmão de Montezuma, obrigaram os espanhóis e seus aliados a abandonar a cidade. Uma epidemia de varíola, trazida do Velho Mundo pelos espanhóis dizimou, durante os meses seguintes, a população de Tenochtitlan. Enquanto isso, Cortés se dedicou a reorganizar e reforçar seu exército e a preparar a invasão à capital asteca. Em abril de 1521, os espanhóis iniciaram o sítio de Tenochtitlan. Os astecas, sem água e alimentos, resistiram durante quatro meses.
Em 13 de Agosto, houve o assalto final, durante o qual os astecas defenderam valorosamente sua cidade até os últimos momentos. Cauahtémoc, o último tlatoani, foi preso pelos conquistadores quando tentava escapar numa canoa com a intenção de se refugiar nas províncias e reorganizar as forças astecas. A queda da capital, a prisão do rei e a dispersão do exército asteca, favoreceram a conquista do resto do império dos espanhóis. Da capital reconstituída, Cortés organizou diversas expedições pelo território mexicano e centro-americano, que em 1534 foi convertido no Vice-Reino da Nova Espanha ou no México.
Fonte: www.estudantes.com.br
Considerado o povo mais civilizado e poderoso da América pré-colombiana, os astecas controlaram um enorme império que se estendia por grande parte da região meso-americana (área cultural que compreendia parte do México e da América Central). Os astecas, também chamados mexicas ou tenochcas, chegaram ao vale do México no início do século XII da era cristã, procedentes de Chicomoztoc ("sete grutas"), situada em algum ponto desconhecido do noroeste do México. Outros povos de língua náuatle, como os chichimecas, acolhuas, tepanecas, culhuas, toltecas e pipiles haviam chegado anteriormente à região. As sete tribos astecas, guiadas por vários sacerdotes e caudilhos, e seguindo os desígnios do deus Huitzilopochtli, assentaram-se sucessivamente no lago Pátzcuaro e em Coatepec antes de chegar ao vale.
Depois de passar pela antiga cidade de Tula, por Zumpango, por Cuauhtitlan e por Ecatépec, em 1276 os astecas, governados por Hutzilihuitl o Velho, estabeleceram-se em Chapultepec, onde ficaram famosos pela agressividade e pela prática de cruéis sacrifícios. Em 1319 foram derrotados pelos culhuas e outros povos do lago Texcoco e acabaram confinados em Tizapán. Posteriormente se aliaram aos culhuas, mas depois do sacrifício de Achitometl, filha do senhor de Culhuacan, Coxcoxtli, tiveram que fugir pelo lago de Texcoco. Numa das ilhas do lago, a visão de uma águia que comia uma serpente lhes indicou o lugar onde deveriam construir sua nova capital, Tenochtitlan, fundada em 1325.
Durante os anos seguintes, os astecas e os tlatelolcas, grupo mexícatl estabelecido numa ilha próxima, passaram a pagar tributos aos tepanecas de Azcapotzalco. Em 1376, o príncipe culhua Acamapichtli proclamou-se tlatoani (rei) dos astecas, com o consentimento de Tezozómoc, soberano tepaneca. Huitzilihuitl sucedeu Acamapichtli em 1396 e, depois de casar com uma filha de Tezozómoc, conseguiu reduzir os tributos pagos a Azcapotzalco. Durante o reinado de Chimalpopoca (1417-1427), neto de Tezozómoc, os astecas ajudaram os tepanecas a conquistar a cidade de Texcoco e aboliram o pagamento de tributos. Depois da morte de seu avô, Chimalpopoca foi preso e morto pelo novo rei tepaneca, Maztla.
A atitude agressiva de Azcapotzalco provocou a união entre Tenochtitlan, Texcoco e outro pequeno estado, Tlacopan. Os aliados venceram os tepanecas e iniciaram um período de expansão territorial. A confederação das três cidades tinha um caráter predominantemente militar, tanto ofensivo como defensivo. Durante o reinado de Izcóatl, a Tríplice Aliança estendeu seus domínios pela zona ocidental do vale do México.
Entre 1440 e 1469 reinou em Tenochtitlan Montezuma (ou Moctezuma) I Ilhuicamina, que consolidou as conquistas anteriores e empreendeu outras. Nessa época se iniciou o período áureo de Tenochtitlan, tanto no aspecto econômico como no artístico, e organizaram-se as "guerras floridas", campanhas militares anuais contra as cidades independentes de Tlaxcala e Huejotzingo com a finalidade de fazer prisioneiros para sacrifícios religiosos.
Axayácatl sucedeu Montezuma I em 1469. Durante seu reinado, os astecas conquistaram a cidade de Tlatelolco e as regiões do vale de Toluca, ocupadas pelos matlatzimas, otomis e mazahuas. Entretanto, os tarascos de Michoacán, armados com espadas de cobre (os astecas usavam armas de pedra e madeira), conseguiram conter o ímpeto conquistador da Tríplice Aliança.
Entre 1481 e 1486 reinou Tizoc, que morreu assassinado por uma conspiração palaciana. Seu sucessor, Ahuízotl, ampliou ao máximo as fronteiras do império asteca, impondo seu poderio sobre Oaxaca, Tehuantepec e parte da Guatemala. Artesãos e comerciantes prosperaram durante seu reinado, e Tenochtitlan viveu um período de grande desenvolvimento artístico e arquitetônico. Em 1502, depois da morte de Ahuízotl, seu sobrinho Montezuma II Xocoyotzin, eleito tlatoani, continuou a política imperialista de seus precursores e fortaleceu o poder monárquico. Durante seu reinado cresceu o descontentamento entre os povos submetidos pela Tríplice Aliança e houve o primeiro contato com os conquistadores espanhóis, em 1519. Naquela época, o império asteca se estendia por uma superfície de mais de 200.000km2 e tinha uma população de cinco a seis milhões de habitantes.
Montezuma acolheu amistosamente os estrangeiros brancos, acreditando que Hernán Cortés era a encarnação do deus Quetzalcóatl, cuja chegada havia sido anunciada por profecias. Algumas centenas de espanhóis, apoiados por tribos indígenas inimigas dos astecas, chegaram a Tenochtitlan, onde foram recebidos como hóspedes. Um ataque asteca ao enclave espanhol de Vera Cruz, na costa do golfo do México, serviu de pretexto a Cortés para aprisionar Montezuma em sua própria corte. Finalmente, em 30 de junho de 1520, os guerreiros de Tenochtitlan, dirigidos por Cuitláhuac, irmão de Montezuma, obrigaram os espanhóis e seus aliados a abandonar a cidade.
Uma epidemia de varíola, trazida do Velho Mundo pelos espanhóis dizimou, durante os meses seguintes, a população de Tenochtitlan. Enquanto isso, Cortés se dedicou a reorganizar e reforçar seu exército e a preparar a invasão à capital asteca. Em abril de 1521, os espanhóis iniciaram o sítio de Tenochtitlan. Os astecas, sem água e alimentos, resistiram durante quatro meses. Em 13 de agosto houve o assalto final, durante o qual os astecas defenderam valorosamente sua cidade até os últimos momentos. Cuauhtémoc, o último tlatoani, foi preso pelos conquistadores quando tentava escapar numa canoa com a intenção de se refugiar nas províncias e reorganizar as forças astecas.
A queda da capital, a prisão do rei e a dispersão do exército asteca favoreceram a conquista do resto do império pelos espanhóis. Da capital reconstruída, Cortés organizou diversas expedições pelo território mexicano e centro-americano, que em 1534 foi convertido no vice-reino da Nova Espanha ou do México.
A civilização asteca se baseou, do ponto de vista econômico, na agricultura e no comércio. As condições climáticas e topográficas do vale do México, núcleo do império, permitiam o cultivo de produtos de zona temperada, mediante uma adequada organização dos trabalhos agrícolas de forma a amenizar os efeitos das estações secas e das geadas. Grande parte dos 80.000km2 do vale apresentava colinas, lagoas e zonas pantanosas que foram adaptadas à agricultura mediante aplicação de engenhosas técnicas de preparo de terreno para cultivo, drenagem e aterro. Uma das mais interessantes entre essas técnicas consistia na construção de canteiros flutuantes - as chinampas - por meio do empilhamento de galhos de árvores, barro e limo, que acabavam por fixar-se no fundo dos lagos. Sem animais de tração para a agricultura, os astecas contavam com cães e perus para uso doméstico. O milho era a cultura mais importante, ao lado da pimenta e do feijão.
A população relativamente grande do vale do México, que somava entre um milhão e um milhão e meio de habitantes em 1519, foi um dos fatores que levaram os astecas a conquistar outras regiões e comerciar com povos vizinhos. Os pochtecas, poderosa classe de mercadores, organizavam as caravanas comerciais e controlavam os mercados das cidades. A cidade de Tenochtitlan, que chegou a ter 13km2, incluídos os bairros periféricos e as chinampas, era o centro político e artesanal do império. A maior parte de sua população, que chegava a cem mil pessoas em 1519, era composta de administradores, guerreiros, comerciantes e artesãos.
A base da sociedade asteca era a família de caráter patriarcal e geralmente monogâmica. Um grupo de várias famílias compunha o calpulli, unidade social complexa que se encarregava de funções muito diversas, como a organização do trabalho agrícola, a arrecadação de impostos, o culto religioso, a educação e o recrutamento de guerreiros. Um conselho formado pelos chefes de família elegia o líder do calpulli. Cada família pertencente a um calpulli recebia em usufruto parte das terras comunais, que revertia ao calpulli se não fosse cultivada.
Acima dos calpulli estava a estrutura estatal, centrada no monarca. Depois da morte de um tlatoani, um conselho de nobres se encarregava de eleger seu sucessor, geralmente entre os membros da casa real. O tlatoani, cuja figura inspirava enorme respeito entre seus subordinados, nomeava os ocupantes dos cargos estatais e militares, dirigia as campanhas de guerra, supervisionava o fisco e a atividade comercial, administrava justiça em última instância e presidia os ritos religiosos.
O funcionamento do estado se baseava numa ampla rede burocrática formada por funcionários profissionais, tais como os sacerdotes, inspetores do comércio e coletores de impostos.
Uma das características que mais marcavam a sociedade asteca era a divisão em castas. A nobreza (os pipiltin) era formada pelos membros da família real, os chefes dos calpulli, os chefes militares e os plebeus que haviam realizado algum serviço de mérito ao estado. Os macehualtin (plebeus) eram os lavradores, comerciantes e artesãos enquadrados nos calpulli, que constituíam o grosso da população. Os mayeque (servos) trabalhavam nas terras do estado ou da nobreza. Também havia escravos, empregados como força de trabalho ou reservados para os sacrifícios religiosos.
A confederação asteca, tal como os impérios meso- americanos anteriores, organizavam-se em torno do pagamento de tributos e da contribuição militar por parte dos estados submetidos. Apesar disso, esses estados eram praticamente independentes. No entanto, o império asteca tentou conseguir uma maior integração política entre suas 38 províncias, sobretudo no vale do México. A vinculação familiar das casas reais de cada estado com Tenochtitlan e a introdução do culto nacional do deus Huitzilopochtli foram algumas das medidas integradoras empreendidas pelos astecas.
A extrema complexidade da religião asteca só pode ser compreendida sob a perspectiva de um povo guerreiro que, em apenas dois séculos, passou de dominado a dominador, controlando outros povos da região, muitos deles com tradição cultural muito anterior à sua. O regime asteca era teocrático. O rei exercia o poder divino por meio de leis, funcionários e as escolas nobres.
Da mesma forma que outros povos indígenas, como os maias, os astecas supunham viver a era do quinto sol. As quatro anteriores haviam acabado em catástrofes. Isso constituía uma justificativa ideológica para as contínuas guerras astecas, pois era necessário capturar inimigos e sacrificá-los aos deuses, a fim de proporcionar sangue para que o Sol não se apagasse.
Na realidade, as concepções guerreiras - com seu culto ao sacrifício e à coragem -, as necessidades políticas e as crenças religiosas constituíam quase uma unidade no mundo asteca. Os mortos em sacrifícios, como os que morriam em combate, tinham sua entrada garantida no império do Sol. Sorte semelhante estava reservada às mulheres que morriam de parto, provavelmente para diminuir os temores das mulheres e aumentar a reprodução. Os mortos comuns iam para um lugar subterrâneo chamado Mictlan.
Os astecas consideravam o mundo um lugar instável, em que as colheitas, os homens e até os deuses estavam ameaçados por catástrofes naturais. Só uma religião dura e severa podia oferecer segurança.
Conciliação das diferentes religiões dos povos vizinhos - encheu de deuses o panteão asteca. Para uma mesma missão, havia divindades provenientes de diversas culturas, e a tradição dualista opunha deuses benfazejos aos destruidores. A classe dirigente louvava suas divindades guerreiras, enquanto os camponeses atribuíam a fertilidade ou as calamidades aos deuses agrícolas. Cada lugar, cada profissão, agregava ao panteão asteca suas próprias divindades.
Os membros do clero pertenciam às classes superiores; estudavam em suas próprias escolas a escrita e a astrologia, além de praticarem a mortificação e os cantos rituais; sua vida era de austeridade e permaneciam celibatários. Os dois sumos sacerdotes dependiam do rei. Este era inacessível - governava por intermédio de um delegado - e, segundo os espanhóis, era transportado em liteira porque seus pés não podiam pisar a terra.
Os templos mantinham asilos e hospitais. Os ofícios religiosos, freqüentemente celebrados ao ar livre nos arredores dos templos, reproduziam fenômenos cósmicos e, dada sua estreita relação com os ciclos vegetativos, regiam-se por um complicado ritual, centrado nos sacrifícios. Estes podiam ser de flores e de animais, mas com freqüência eram humanos. Segundo relatos feitos por espanhóis, sem dúvida o número de vítimas foi bastante grande. Em geral sacrificavam-se prisioneiros, mas eventualmente usavam-se voluntários. As vítimas eram executadas pelos sacerdotes, de formas diversas, segundo o deus a quem se oferecia o sacrifício; quando era dedicado a Huitzilopochtli ou Tezcatlipoca, o sacerdote extraía o coração do guerreiro para alimentar seu deus.
Quando não havia guerra contra os vizinhos, os astecas declaravam a "guerra florida", uma série de combates individuais que proporcionavam vítimas para os sacrifícios. O aspecto sanguinário desses rituais impressionou fortemente os espanhóis, cuja intervenção impediu a evolução do sistema religioso asteca.
Os astecas conheciam uma escrita hieroglífica, mas a transmissão de sua cultura se realizou principalmente de forma oral. A educação se dividia em duas instituições, o telpochcalli, para os plebeus, e o calmécac, para os nobres. O sistema de ensino era severo e disciplinado e se baseava no estudo da história e da religião nacionais, na formação moral, na aprendizagem de ofícios e no treinamento militar.
Uma das mais notáveis invenções do povo asteca foi um sistema de medição do tempo baseado na combinação de vários calendários. O calendário ritual, o tonalpohualli, era de 260 dias e tinha uso divinatório. O calendário solar tinha 18 meses de vinte dias, aos quais se somavam cinco dias nefastos para completar os 365. A cada 52 anos o início dos calendários coincidia com o que começava um novo "século". Além disso, havia um calendário baseado no ciclo do planeta Vênus, que coincidia com os demais a cada 104 anos. Os astecas desenvolveram também a astronomia e a matemática, na qual empregavam o sistema vigesimal.
Da arquitetura asteca só se conhecem alguns poucos exemplos que sobreviveram às destruições ocorridas durante a conquista espanhola. As edificações mais características são os templos, de estrutura piramidal, como o de Cholula. A escultura era naturalista, como a "Cabeça do cavaleiro águia", ou simbólica, como a "Coatlicue" e a "Pedra do Sol". Os astecas foram também hábeis artesãos. Algumas de suas principais artes decorativas foram a ourivesaria, baseada no estilo dos mixtecas, os tecidos e os mosaicos de plumas, empregados como adorno pessoal ou arquitetônico, a lapidação de pedras semipreciosas e a pintura de códices.
Registravam-se os acontecimentos importantes em livros de papel preparados com folha de sisal, dobrados como mapas ou enrolados como pergaminhos. A literatura dos astecas, predominantemente oral, desenvolveu temas históricos, religiosos e líricos.
Fonte: www.emdiv.com.br
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