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Akhenaton

O Sol de Amarna

Segundo filho de Amenhotep III com Tiya, o faraó Akhenaton é considerado, por uns, como visionário, revolucionário e idealista; por outros, apenas como herético. Poeta e reformador das artes, a verdade é que ele foi responsável por um dos mais importantes momentos da História do antigo Egito.

É por seu intermédio que pela primeira vez a história da humanidade registra a adoção de um deus único, ou seja, é o primeiro momento conhecido em que o homem adota a figura do monoteísmo. Seu deus Aton era representado fisicamente pelo disco solar.

Fundou uma nova capital, à qual deu o nome de Akhetaton (Horizonte de Aton). Abandona a então capital Tebas, e vai com sua corte habitar a nova cidade-capital, que teve a duração de somente 12 anos aproximadamente.

Akhenaton reinou por cerca de 17 anos, vindo a falecer de forma até agora desconhecida. Embora alguns estudiosos afirmem que sim, até agora não há qualquer dado concreto referente a uma possível descoberta de sua múmia.

Com sua morte, acaba a reforma religiosa, que obteve repercussão no campo artístico e político.

Como conseqüência dessa nova concepção religiosa, o antigo Egito foi palco de uma profunda revolução dos tradicionais cânones artísticos de então, adotando características do realismo e do naturalismo. A partir desse momento, a imagem atlética do faraó é negada, passando então este a ser representado com suas características naturais, às vezes até de forma exagerada, beirando a caricatura. As cenas comuns retratadas referem-se àquelas do seu convívio cotidiano com a família, no palácio ou em adoração ao novo deus Aton.

Casado com Nefertiti, teve seis filhas, sendo que também lhe é atribuída a paternidade de Tutankhaton/Tutankhamon, que seria seu filho com a segunda esposa de nome Kiya.

Reinado


Considerando esse período de reformas, o que mais se destaca com relação às ações de Akhenaton, foi o fato de ele ter tentado popularizar, cerca de 1400 anos antes das idéias de Cristo serem conhecidas, o culto de um deus fundamentado no amor, fonte de vida, criador de toda a natureza. Era Aton, representado pelo disco solar.

Pouco se conhece a respeito da infância de Akhenaton, o "Filho verdadeiro do Rei". Isso se justifica pelo fato de ele ter tido um irmão mais velho, Tuthmoses, "Filho maior do Rei", que seria naturalmente escolhido como príncipe sucessor do seu pai no trono do Egito, não fosse a sua morte prematura, cuja razão desconhecemos. Seu irmão mais novo Amenhotep foi então imediatamente elevado à categoria de sucessor. Isto deve ter acontecido aproximadamente por volta do ano 30 do reinado de Amenhotep III, quando foi nomeado co-regente, no jubileu do festival Heb-Sed. Mudou, posteriormente, por volta do ano 5, seu nome para Akhenaton (O espírito útilizado por Aton). Passa a se apresentar então como o único representante do deus Aton aqui na terra.

Os primeiros anos foram passados em Tebas, mas por volta do ano 6, Akhenaton quebra a tradição político-religiosa, mudando a capital do Egito para um local nunca antes pertencido a outro deus, e constrói Akhetaton (O horizonte de Aton).

Aproximadamente no ano 15 do seu reinado nomeia Smenkhkare(Ankhkheperure) como co-regente, que se estabelece em Tebas.

São precárias as informações existentes sobre o desfecho desse período. Sabe-se que Nefertiti, por volta do ano 12, retira-se do cenário, indo residir no palácio chamado "Morada de Aton", situado ao norte da cidade de Akhetaton. Alguns afirmam que teria sido exilada, não participando mais das atividades comuns do casal solar, tendo sido substituída por sua filha Merytaton. Não se conhece o ano de sua morte.

Também não temos informações seguras quanto ao fim de Akhenaton. Embora tenha sido encontrada sua tumba, em Akhetaton, atual El Amarna, desconhecemos qualquer informação sobre o paradeiro de sua múmia, não havendo nenhuma evidência que possa nos levar a pensar que tenha sido enterrado lá.

Alguns afirmam ser sua múmia uma das achadas na tumba 55 do Vale dos Reis, local que continha vários objetos datados do período amarniano. Ainda não existe uma opinião definitiva quanto a isso, embora evidências arqueológicas podem nos levar também a supor que Akhenaton tenha sido enterrado na sua tumba, pelo menos por certo período de tempo. Fragmentos de seu sarcófago de granito e um vaso canopo podem ser elementos importantes para atestar isso.

Existe um fato muito interessante relacionado a essa tumba: o ângulo de descida do corredor de acesso permite que a luz do sol penetre no seu interior, iluminando a câmara mortuária, onde o corpo do faraó estaria sepultado, dentro do sarcófago.


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Após a sua morte, seu sucessor foi seu genro Smenkhkare (Ankhkheperure), cujo reinado foi muito curto. Sucedeu-lhe Tutankhaton (Nebkheperure), que também teve uma regência muito curta, chegando inclusive a residir em Akhetaton, permanecendo fiel ao culto atoniano. Entretanto, por algum motivo que desconhecemos, transfere-se para Tebas, mudando seu nome para Tutankhamon. Seu sucessor foi Ay (Kheperkheperure), antigo funcionário da corte de Amarna. Seu reinado de quatro anos foi irrelevante, tendo sido sucedido por Horemheb , antigo "Grande Comandante de Armas" de Akhenaton.

a cidade do sol


Akhetaton, atual Tel El Amarna, foi a cidade construída para ser a nova capital do Antigo Egito, no quarto ano do reinado do faraó Amenhotep IV. Resolvendo abandonar a capital Tebas, construiu a nova capital Akhet-Aton, que significa "Horizonte de Aton".

Akhenaton escolhe para a construção de sua nova capital um local nunca antes ocupado, localizado na margem direita do Nilo, no médio Egito, em frente à cidade de Hermópolis (Khmounou) cidade do deus Thot. Aproveitou um vasto anfiteatro natural existente numa planície, entre o rio e as montanhas. Delimitou a área da nova cidade com quatorze estelas demarcatórias, atuais fontes para o estudo dos principais acontecimentos ocorridos durante seu reinado. Ampliada durante os 12 anos que seguiram à sua fundação, foi abandonada depois da morte do rei.Estima-se que cerca de 20 000 pessoas chegaram a morar lá.

Os primeiros estudos: Em 1714 o sacerdote jesuíta francês Claude Sicard descreve a primeira estela demarcatória conhecida; entre 1798/99 os membros da expedição de Napoleão elaboram o primeiro mapa de Amarna.

Embora em 1824 esse local já tivesse sido visitado por James Burton, que explorou algumas tumbas já violadas, foi em 1826 que, em companhia de John Gardner Wilkinson realizou trabalhos de reprodução dos painéis e de esboços das tumbas.

Como nesse período os estudos de Champollion relacionados à decifração dos hieróglifos ainda estavam num estágio muito inicial, eles não tiveram condições de identificar o nome da cidade que estavam explorando. Nestor L’Hôte, acompanhou Champollion em 1828, retornando dez anos depois para continuar seus trabalhos.

Entre 1830 e 1833, Robert Hay com sua equipe, realiza o levantamento das tumbas já abertas, complementado com o estudo de outras ainda desconhecidas. Em 1840, o arqueólogo Prisse d’Avennes reproduziu as tumbas localizadas no lado norte. 1842 foi o ano de uma grande expedição originária da Prússia, coordenada por Richard Lepsius, discípulo de Campollion. E assim, nos anos de 1843 e 1845, visitaram Amarna, quando realizaram um extenso levantamento da cidade. Depois é a vez da França encaminhar uma, em 1883, tendo trabalhado seguidamente até 1902.Escavada por Sir. Flinders Petrie a partir de 1891 tem seus estudos continuados até o presente, realizados por arqueólogos de várias nacionalidades.


Durante a década de oitenta do século passado, vários saques ocorreram em Amarna, com venda para estrangeiros de peças e jóias procedentes desses atos. Entretanto, foi no ano de 1887 que um achado fortuito chamou atenção para a cidade. Foram descobertas cerca de 300 tabuinhas de argila contendo textos escritos em cuneiforme, trazendo à luz a correspondência diplomática do rei Akhenaton, conhecidas como "As cartas de Amarna".

Data de 1901 os trabalhos dos copistas nas tumbas do norte de Amarna, destacando-se a presença de Norman de Garis Davies, da Grã-Bretanha. Entre 1907 e 1911 o Instituto Alemão do Oriente, sob a direção de Ludwig Borchardt escavou em Amarna, desenvolvendo um trabalho mais sistematizado. Desses trabalhos resultou no achado do famoso busto da rainha Nefertiti. Esses trabalhos tiveram prosseguimento a partir de 1920, sob a orientação de pesquisadores ingleses.

Em 1931 e 1935 a Sociedade de Exploração do Egito pesquisou o vale e a tumba real, a partir de quando grandes nomes da arqueologia passaram pela sua direção, dentre os quais Sir Leonard Wooley e John Pendlebury. A partir de 1977, essa sociedade, sob a orientação de Barry J. Kemp, realiza pesquisas regulares.

Várias missões foram a Amarna na intenção de recuperar dados que subsidiem o entendimento desse período ímpar na história do Egito. Nomes como o de Donald Redford, da Universidade de Toronto, por exemplo, servem de referência para os estudiosos do período amarniano.

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