
A escrita egípcia, uma das mais antigas do mundo, não utiliza um alfabeto, mas centenas de pequenos desenhos combinados de diferentes maneiras: os hieróglifos. Aprendia-se nas escolas ou nas casa de aprendizagem dos templos, que eram centos intelectuais completos. O escriba servia-se de uma paleta com duas pastilhas de tinta e canas adaptadas para pincéis, assim como de um godé de água. Em algumas épocas, os numerosos textos relativos aos problemas cotidianos provam que muitas pessoas sabiam ler e escrever. Quanto aos desenhistas, chamam-se "escribas das formas".
Cada desenho é utilizado seja por seu valor de imagem, seja pelo som que representa - e que, junto a outros signos-sons, compõem uma palavra mais complicada - ou então de maneira abstrata para enquadrar uma palavra em uma categoria dos sentidos. Na escrita dita "hieroglífica", os signos (cerca de 700 na época clássica) são perfeitamente desenhados com todos seus detalhes e cores. Os egípcios serviram-se desta escrita muito decorativa durante quase 3.500 anos sobre as paredes dos templos e túmulos, sobre as estrelas e estátuas e às vezes sobre os papiros.

Desde o Antigo Império, para escrever muito rápido ou em um suporte impróprio ao hieróglifo tratado (papiro, óstraco, tábua untada de cera, gesso, couro...), simplifica-se a escrita, é a "hierática". Às vezes, o perfil do conjunto do hieróglifo é reconhecível, outras vezes, só a direção geral do traçado é identificável. Escreve-se, normalmente, da direita para a esquerda e horizontalmente. Mais tarde nasceu a demótica, tão simplificada que parece nossa estenografia. É a escrita da administração e da vida diária a partir de, aproximadamente, 700 a.C.
Um óstraco (do grego "concha") é uma caco de olaria, um fragmento de pedra no qual anota-se o que não merece o suporte nobre e oneroso do papiro ou da parede de um monumento: rascunhos, recibos contábeis, exercícios de alunos, prescrições médico-mágicas. Quando não há mais lugar nos arquivos, são jogados fora: milhares foram encontrados no poço ptolomaico, com 52 m de profundidade, cavado em Deir el-Medineh na esperança (desiludida) de encontrar água. Os stracos são uma fonte incomparável de conhecimento da vida cotidiana dos egípcios.
Com a ajuda de ferramentas simples e manejáveis (bastões, cordéis e fragmentos
de carvão), os desenhistas traçam na parede um quadriculado baseado na medida
linear usual (côvado de aproximadamente 50 cm) e suas subdivisões. Nas representações,
respeitam as proporções convenientes. Os olhos de frente em um rosto de perfil,
os ombros de frente e as pernas de perfil, uma perspectiva traduzida pela
justificação do desenho egípcio, identificáveis pelo público, que já está
habituado. A imagem deve falar a todos os que não sabem ler.

A pintura egípcia teve seu apogeu durante o império novo, uma das etapas históricas mais brilhantes dessa cultura. Entretanto, é preciso esclarecer que, devido à função religiosa dessa arte, os princípios pictóricos evoluíram muito pouco de um período para outro. Contudo, eles se mantiveram sempre dentro do mesmo naturalismo original. Os temas eram normalmente representação da vida cotidiana e de batalhas, quando não de lendas religiosas ou de motivos de natureza escatológica.
As figuras típicas dos muros egípcios, de perfil mas com os braços e o corpo de frente são produtos da utilização da perspectiva da aparência. Os egípcios não representaram as partes no real, mas sim levando em consideração a posição de onde melhor se observasse cada uma das partes: nariz e o toucado aparecem de perfil, que é a posição em que eles mais se destacavam, os olhos , braços e tronco são mostrados de frente. Essa estética manteve-se até meados do império novo, manifestando-se depois a preferencia pela representação frontal.
Um capítulo à parte na arte egípcia é representado pela escrita. Um sistema de mais de 600 símbolos gráficos, denominados hieróglifos, desenvolveu-se a partir do ano 3.300 a.C. e seu estudo e fixação foi tarefa dos escribas. O suporte dos escritos era papel fabricado com base na planta do papiro. A escrita e a pintura estavam estreitamente vinculados por sua função religiosa. As pinturas murais dos hipogeus e as pirâmides eram acompanhadas de textos e fórmulas mágicas dirigidas às divindades e aos mortos.
É curioso observar que a evolução da escrita em hieróglifos mais simples, a chamada escrita hierática, determinou na pintura uma evolução semelhante, traduzida em um processo de abstração. Esse obras menos naturalistas, pela sua correspondência estilística com a escrita, foram chamadas, por sua vez, de Pinturas Hieráticas. Do império antigo conservam-se as famosas pinturas Ocas de Meidun e do império novo merecem menção os murais da tumba da rainha Nefertari no Vale das Rainhas, em Tebas.
Um símbolo hieróglifico popular era a cártula. quando escrito em hieróglifos, o nome do faraó era circunscrito numa corda oval com um nó embaixo. Este círculo representava a eternidade, e colocando seu nome dentro dele, o faraó esperava viver para sempre. Hoje, os muitos turistas que visitam o Egito têm seus nomes escritos em hieróglifos dentro de uma cártula de ouro.
Fonte: www.geocities.com