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Civilização Inca

 

OS INCAS

Civilização Inca
Civilização Inca

Os incas estabelecem-se ao longo da cordilheira dos Andes, em territórios do Peru, do Equador, do Chile e da Bolívia.

No século XIII é fundada Cuzco, capital do império.

Expandem-se entre 1438 e 1531 e, enfraquecidos por guerras internas, são dominados pelos espanhóis em 1532.

O rei (intitulado Inca) é adorado como deus e tem poder absoluto.

Abaixo dele estão os nobres e os escolhidos para postos de comando: governantes, chefes militares, sábios, juízes e sacerdotes.

A camada seguinte é formada por funcionários públicos e trabalhadores especializados.

Na classe mais baixa estão os artesãos e os agricultores, que são obrigados a pagar tributos ao rei na forma de serviço militar e de trabalho nas obras públicas ou na agricultura.

Suas obras arquitetônicas – entre elas Machu Picchu, a cidade descoberta em 1911 – causam admiração pelo requinte.

Ainda hoje não existe consenso sobre como os incas encaixavam com tamanha precisão os enormes blocos de pedra que formam suas construções. Viabilizam a agricultura (milho, batata, feijão e abóbora) nas regiões montanhosas dos Andes, talhando o relevo em degraus.

Nas regiões desérticas do litoral, irrigam a terra por meio de tanques e canais.

Produzem um artesanato sofisticado: dominam a ourivesaria, a cerâmica e conhecem a tecnologia do bronze.

São o único povo pré-colombiano a domesticar animais. Entre eles estão a lhama – utilizada para o transporte, além de fornecer couro e carne.

A religião é centrada no culto ao deus Sol. Não criaram nenhum sistema de escrita, mas usam os quipos (cordões e nós coloridos) para registrar acontecimentos e fazer cálculos.

Civilização Inca
Cuzco, Peru

Capital do Império Inca, Cuzco entrou em declínio no início do século XVI, após ser conquistada pelos espanhóis. Hoje, com 348.935 habitantes (2007), é um grande pólo turístico, cujos destaques são a catedral na Plaza de Armas e as ruínas da civilização incaica.

O Peru também tem como atrativos a floresta Amazônica, montanhas nevadas, região desérticas costeiras e uma grande diversidade de plantas e animais.

Civilização Inca
Peru, Macchu Picchu

As ruínas da lendária cidade de Macchu Picchu, que pertenceu à civilização inca, foram descobertas em 1911 pelo pesquisador Hiram Bingham. Macchu Picchu ("pico velho", em quíchua) fica nos Andes peruanos, sobre o rio Urubamba e a nordeste de Cusco, construída e habitada provavelmente entre os séculos XV e XVI d.C. Os estudiosos desconhecem se o local constituiu um palácio, uma fortaleza ou uma cidade.

Tombada pela Unesco como patrimônio histórico, Macchu Picchu recebe milhares de visitantes por ano.

OS FILHOS DO SOL

O idioma falado neste império era o Quíchua. No ano de 1200 e 800 a.C., já se dedicavam ao plantio do milho e à cerâmica. Dominou o Peru, a Bolívia e o Chile.

Sua capital era Cuzco, a 3000 metros de altitude nos Andes.

O governo era teocrático: o inca, primeiro, Manco Capac, era filho do Sol.

Viviam basicamente da agricultura, sendo a terra que pertencia ao governo, que entregava ao povo. Em cada distrito os campos eram divididos em três partes:

A produção da primeira parte era dividida entre a comunidade.
A da segunda parte destinava-se ao Culto do Sol.
E a da terceira parte, ao imperador, o qual mantinha os funcionários, o exército, artifices, os doentes, e a garantia de alimentação do povo em épocas de calamidades.

Cultivavam o milho, feijão, batata, algodão, tabaco, e domesticavam a lhama para o transporte desenvolvendo também a tecelagem, cerâmica e ourivesaria. Já nas artes eram inferiores aos Maias e Astecas, mas as suas construções impressionaram pelo tamanho. Contruíram estradas ligando todo império a capital.

Deixaram uma escrita ainda não decifrada.

Chimus

Chimus Povo antigo do Peru, que ocupou a costa do norte em 1200, sobre o território dos mochicas , cuja cultura se desenvolveu no vale de Moche.

Dois séculos mais tarde, o estado Chimu, fortemente centralizado, dominou uma grande parte da costa Peruana. Em meados do Séc.XV, o reino foi conquistado pelos incas. Os chimus construíram, geralmente em adobe, grandes cidades, como Chanchán, sua capital. A decoração de sua cerâmica e de suas fazendas é muitas vezes inspirada na cerâmica mochica; a ourivesaria utiliza o ouro, a prata, o cobre e bronze.

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A Grandeza Eterna de Machu Pichu

Machu Pichu não precisa de grandes apresentações. Foi e continua sendo uma fonte inesgotável de comentários, idéias, teorias e poesias, tudo que possa fazer trabalhar a imaginação-e nada melhor que esta para encontrar adjetivos e exaltações em homenagem a esse impressionante conjunto de pedras talhadas.

De fato Machu Pichu que significa em Quéchua montanha ou pico velho, é apenas um nome geográfico, referindo-se ao monte que abriga essas ruínas. Quanto à cidade em si sua identidade, envolta de enigmas e mistérios, é procurada até hoje.

Tudo começou no início do século XX, quando o professor de história das Américas da Universidade de Yale, Estados Unidos, Dr, Hiram Bingham, decidiu estudar mais profundamente a Confederação Incaica. Fortemente intrigado quanto ao desaparecimento desse povo, Bingham procurava uma cidade perdida, a dos Incas de Vilcabamba, último reduto daquela grande confederação, então assolada pela invasão espanhola.

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Machu Picchu

Após repetidas viagens anteriores, nas quais Bingham realiza expedições que aproximam cada vez mais de sua meta, no dia 24 de Julho de 1911 o jovem arqueólogo encontra-se frente a uma surpreendente descoberta: uma cidade magnificamente construída e localizada como um ninho de condor entre as altas escarpas dos Andes.

É o próprio Hiram Bingham quem dá esta descrição:

" Não existe lugar nos altiplanos peruanos que seja melhor defendido por baluartes naturais: um canhão estupendo cuja rocha é de granito e cujos precipícios são frequentemente escarpados de mil pés, com dificuldades que atemorizam o mais ambicioso dos andinistas modernos". "Para impedir que os inimigos ou visitantes não desejados alcançassem seus santuários e templos, confiaram primeiro nas correntezas do rio Urubamba, que são perigosas mesmo na época de seca e absolutamente intransponíveis durante pelo menos seis meses do ano. Pelos três lados, essa era a sua linha de defesa. Pelo quarto lado, o maciço de Machu Pichu é acessível apenas desde a chapada das alturas e somente por uma trilha estreita como um fio de navalha, flanqueada por precipícios".

Os anos seguintes foram consagrados à limpeza da vegetação que escondia o alvo granito dos muros da cidade, dando-lhe a partir de então a aparência luminosa de uma cidade de mármore. É o momento também das descobertas arqueológicas que nem sempre trariam respostas.

Foram recolhidas mais de 500 vasilhas de barro e centenas de peças de bronze que incluíam: facas, cinzéis, estiletes, espelhos, pinças, anéis, pulseiras, sinetes, todos confeccionados por uma liga que comprovada científicamente não-acidental, obedecia a certas regras metalúrgicas segundo o tipo de objeto fabricado.

Os notáveis discos de pedra encontrados, de diâmetros crescentes, poderiam formar parte de um sistema de contabilidade ou escrita: sabemos que os Quipos-conjuntos de cordas de diversos nós- como uma de suas linguagens escritas.

Fonte: www.geocities.yahoo.com.br

Civilização Inca

A história dos incas é pouco conhecida, pois por motivos religiosos os incas não tinham escrita. Os Incas habitavam os planaltos andinos, desde a Colômbia até as regiões do Chile e da Argentina atuais, tendo o atual Peru como o centro político, econômico e demográfico.

Conta a história que os primeiros incas surgiram em forma de duas lendas bem conhecidas. A primeira dizia que Tayta Inti ou o Pai Sol, observando o caos e a perdição que prevaleciam na Terra, decidiu enviar ao planeta duas crianças, com o objetivo de estabelecer a ordem. Elas surgiram as águas do Titicaca, o lago mais alto do mundo, e carregavam uma espécie de estátua dourada, presente de seus pais. O nome do primeiro inca era Manko Qhapaq; sua irmã era Mama Oqllo.

O legado das antigas culturas andinas, como a de Chavín, Paracas, Huari, Tiahuanaco e outras, foi o alicerce sobre o qual o império inca desenvolveu uma civilização agrária e teocrática que, apesar de seu poderio e extensão, não conseguiu resistir ao avanço dos conquistadores espanhóis.

O império inca, também denominado Tahuantinsuyo (as quatro direções), remonta ao século XII. Teve seu período mais próspero no século XV, quando se expandiu geográfica e culturalmente. Em meados do século XVI, reunia mais de 12 milhões de pessoas, que falavam pelo menos vinte línguas. Havia conquistado um vasto território, que se estendia ao longo do oceano Pacífico e da cordilheira dos Andes, desde o rio Putumayo (que marca atualmente a fronteira norte do Equador) até o rio Maule, no Chile central, cobrindo cerca de 4.800km de extensão.

História

A palavra inca significa "chefe", "príncipe". O Inka era o chefe religioso e político de todo o Tawantinsuyo. Ele praticava a soberania suprema. Pesava o fato de que o Inka era venerado como um deus vivo, pois era considerado o Filho do Sol. Seus súditos seguiam suas ordens com total submissão. Aqueles que conviviam com ele se humilhavam em sua presença, em ato de extrema reverência. Apenas o mais nobre homem da linhagem Inka podia dirigir a palavra ao Inka e repassar as informações aos outros súditos.

Algumas das mulheres do Império Inca coletavam cabelo e saliva do Rei, como forma de se protegerem de maldições. Ele era carregado em uma maca dourada e suas roupas eram feitas de pele de vicunha da mais alta qualidade. Somente ele usava o simbólico Maskaypacha ou uma insígnia real, espécie de cordão multicolorido. Grandes adornos dourados pendiam de suas orelhas, o que acabava por deformá-las. O imperador inca usava ainda uma túnica que ia até os joelhos, um manto banhado a esmeralda e turquesa, braceletes e joelheiras douradas e uma medalha peitoral que trazia impresso o símbolo do Império Inca.

Os conquistadores espanhóis chamaram os nativos de "povo dos incas" e ignora-se o nome que davam a si mesmos. Os incas não possuíam sistema de escrita, nem deixaram registros históricos. Seu passado foi reconstruído por meio das lendas transmitidas por tradição oral. Os fatos mais antigos referem-se ao vulto lendário do primeiro soberano, Manco Cápac I, que se estabeleceu com a família no vale de Cuzco e dominou os povos que ali habitavam, no fim do século XII. Manco Cápac foi sucedido por Sinchi Roca, Lhoque Yupanqui e Mayta Cápac. Com o último, no século IV, na época da grande seca que assolou os Andes centrais, iniciou-se a anexação dos vales vizinhos às terras incas.

As conquistas consolidaram-se com os feitos militares dos soberanos Cápac Yupanqui, Inca Roca, Yahuar Huacac e, principalmente, Viracocha. Os territórios ocupados passaram a ser controlados por guarnições militares e funcionários incas. O império organizou-se politicamente com a unificação dos antigos povos autônomos, que continuaram desfrutando de relativa liberdade. Mantiveram-se usos e costumes locais, mas foram impostos elementos de coesão, como a língua, a religião (culto ao Sol) e tributos.

O império inca histórico teve início com Pachacútec Inca Yupanqui, que ocupou o trono a partir de 1438. A ele atribuem-se os projetos de Cuzco, a construção do templo do Sol e a adoção do sistema de cultivo em terraços. Em seu governo, o império expandiu-se para o sul, até o lago Titicaca, e para o norte, até a região de Huánuco. O exército era formado, em sua maioria, por guerreiros recrutados entre os povos dominados. Pachacútec iniciou a prática do mitmac, sistema pelo qual vários grupos de habitantes das regiões conquistadas eram deportados para outras regiões e substituídos por colonos já pacificados, para prevenir possíveis rebeliões.

No governo de Túpac Inca Yupanqui, filho e sucessor de Pachacútec, o império atingiu o apogeu. Entre 1471 e 1493, os incas conquistaram todo o planalto andino e os territórios setentrionais do Chile e Argentina atuais. Uma série de rebeliões, sufocadas com dificuldade, irrompeu no governo seguinte, de Huayna Cápac. Com ele, o império alcançou sua maior extensão geográfica, mas, depois de sua morte, foi dividido entre seus filhos, Huáscar e Atahualpa. A luta pelo poder levou-os a uma guerra civil no momento da chegada dos espanhóis, que tiveram a conquista do território favorecida pelo progressivo enfraquecimento do império.

Organização política e social

O núcleo da estrutura social e política dos incas era o ayllu ou clã, grupo tribal cuja chefia era confiada ao membro mais velho. Cada ayllu destinava dez homens ao serviço militar, ao cultivo das terras e ao trabalho nas minas e na construção de obras públicas. Reunidos, os ayllus formavam distritos, que integravam as quatro regiões em que se dividia o império, os suyus, governados por apos, pertencentes à nobreza.

A organização social obedecia a uma rígida hierarquia. O inca (imperador), venerado pelo povo como filho do Sol, exercia o poder supremo e era o chefe temporal e religioso do povo. Para preservar a pureza da dinastia, casava-se com a irmã mais velha, embora lhe fosse facultado manter várias concubinas, e o império transmitia-se a um filho legítimo, não necessariamente o primogênito. A aristocracia, composta de membros da família do imperador, ocupava os altos cargos do império e possuía as melhores terras. O segmento social imediatamente inferior era o dos curacas, ou chefes locais. A escala hierárquica prosseguia com os hatum runa (agricultores e artesãos), que cultivavam as próprias terras. O trabalho obrigatório constituía seu tributo à religião e ao estado. Os yanaconas, ou servos, e os mitimaes, prisioneiros de guerra, formavam a camada social mais baixa.

Casamento

A idade para o casamento era aos 20 anos para o menino e 16 para a menina. Quando chegavam a essa idade, eram dispostos em duas colunas e um funcionário os casava. A escolha entre eles já havia sido feita anteriormente cabendo ao funcionário apenas resolver conflitos em caso de uma mesma mulher ser escolhida por dois homens. Realizada a cerimônia, o casal recebia terras da comunidade a qual estavam ligados.

Se o procedimento desses casamentos não nos causa surpresa o mesmo não podemos dizer do processo pelo qual algumas mulheres eram escolhidas em uma comunidade para serem enviadas a Cuzco.

De tempos em tempos reuniam-se em um distrito todas as meninas de 10 anos sendo escolhidas as mais inteligentes e bonitas. Em seguida eram mandadas para Cuzco onde iam aprender cozinhar, tecer e outras prendas mais que consideravam necessárias. Depois de alguns anos, outra escolha definiria aquelas que seriam distribuídas como esposas secundárias (do Inca ou de nobres), e aquelas que deveriam permanecer em celibato.

O que é importante observar nesta política de casamentos é a criação de laços inter-étnicos, aproximando mulheres originárias de grupos étnicos diferentes do universo cuzquenho.

Educação

Entre os Incas existia uma elite formada por funcionários, chefes valorosos e mesmo por chefes vencidos que haviam sido integrados ao império. O filhos desta elite eram educados nas escolas de Cuzco onde aprendiam história, astronomia, agrimensura, respeito a um deus supremo. Também lutavam, corriam, fabricavam armas e sandálias. A educação era severa, compreendendo jejuns e exercícios violentos que poderiam até resultar em morte.

Terminado este período, o menino era apresentado ao Inca que lhe furava a orelha passando a ser este um símbolo de sua distinção social.

Economia

Dirigida pelo estado, a economia inca era acima de tudo agrária e baseada no plantio de batata e milho. As técnicas eram muito rudimentares, pois não se conhecia o arado. Os incas, no entanto, desenvolveram um sistema de irrigação com canais e aquedutos. As terras pertenciam ao estado e eram repartidas, a cada ano, entre os vários estamentos sociais. Não existia, portanto, a propriedade privada. A aristocracia recebia as melhores terras, cultivadas pelas classes mais baixas. Na pecuária, também importante, destacavam-se os rebanhos de lhamas, alpacas e vicunhas, que forneciam carne, leite e lã, além de serem usadas no transporte. O comércio não era importante e não existia moeda. Os incas desconheciam a roda, mas construíram uma excelente rede de estradas que ligava Cuzco a todo o resto do império.

Comércio

O comércio entre os indígenas era feito através de permutas. Nas feiras podiam encontrar alimentos (milho, mandioca, feijão, mel etc) cerâmica, tecidos e instrumentos agrícolas. Os indígenas muitas vezes utilizavam-se de uma espécie de "serviço de crédito", ou seja, já tendo trabalhado, podiam receber alimentos.Contudo, o comércio não era grande porque parte considerável da população produzia o que necessitava.

Não se conhecia o uso de moedas, embora os incas possuíssem um sistema numérico decimal pelo qual elaboravam sua contabilidade. Para favorecer a memorização, utilizavam-se dos quipus que consistia em uma série de cordinhas que indicavam as dezenas, centenas e os milhares, permitindo que fossem feitos levantamentos que serviam para controle do Estado. Funcionários especializados manipulavam os "quipus".

A agricultura incaica, vale a pena lembrar, foi muito aperfeiçoada, especialmente com a introdução de canais de irrigação. Os excedentes produzidos eram armazenados em celeiros públicos, abastecendo a população em períodos de fome ou durante festejos públicos.

Cultura

Os incas desconheciam a escrita, mas sua tradição oral foi registrada pelos conquistadores espanhóis. Possuíam um sistema peculiar de registro, provavelmente utilizado apenas para números, chamado quipus (cordéis de cores variadas, com nós em determinadas posições), utilizados para avivar a memória. Seu idioma, o quíchua, foi elemento importante de unidade nacional.

São notáveis os trabalhos de arquitetura e engenharia inca. As monumentais construções de pedra eram de grande simplicidade e beleza, embora não se utilizassem o arco, a coluna e a abóbada. Os principais monumentos são o templo de Coricancha, em Cuzco, as fortalezas de Sacsahuamán, Pukara e Paramonga e as ruínas de Machu Picchu. Os artesãos incas eram peritos na lavra de ornamentos de ouro e prata e deixaram peças admiráveis feitas nesses metais, em cobre e cerâmica. Excelentes tecelões, decoravam tecidos de vicunha e algodão com penas coloridas.

Danças

Qamili: Uma dança praticada em grande escala, com vestimenta especial e originária das cidades de Maca e Cabanaconde.
Wit'iti:
Dança para um grupo com vestes especiais, originária de Colca e Caylloma.
Saratarpuy:
Sara=milho, Tarpuy=colheita.É uma variação da Qamili e é praticado quando é tempo de colheita do milho, eles dançam nesse evento especial o saratarpuy, desejando que a colheita seja boa.
Qhashwatinky:
Competição de dança entre grandes grupos, com pessoas jovens que tocam grandes flautas chamadas pinkullos.
Sarawayllu:
Praticado em quase todas as cidades Kechwas cada vez que se termina de construir uma nova casa. Não é uma dança, é somente cantado pelos convidados.
Kiyu-Kiyu:
É uma dança sobre a chuva. As pessoas, dirigindo-se para a cidade santa(varayuq) saem pelas ruas da cidade(ayllu) cantando e dançando na chuva.
Llamera:
Llamera é uma jovem que cuida de lhamas e vive nos Andes.

Essas danças são muito bonitas e foram compostas pelas lhameras, que dançam e cantam enquanto suas lhamas pastam, ou enquanto viajam com as lhamas pelos solitários lugares dos Andes. Atualmente não são somente elas que cantam e dançam "As llameras", também grupos de meninas de cada cidade dos Andes em qualquer evento ou celebração.

Tinkaches: Uma dança e canto praticados enquanto suas terras e animais são dedicados à Deus. Ao som do tambor e da flauta eles dançam e cantam felizes, desejando que Deus cuide das suas terras e animais.
Hailis: Canções cantadas depois de terminar o trabalho no campo, ali não tem instrumento musical. Um começa a cantar e o outro responde:
Haili!
Yarqha Haspiy:
Canções cantadas por mulheres que trabalhavam nos canais de água, trabalho muito importante, pois de lá depende o abastecimento de água para a cidade; este trabalho pode ser de duas vezes ao ano de acordo com a vazão.

Arquitetura

Os Incas possuíam uma organização econômico social bastante complexa. A ela se vinculava uma arte monumental, que merece ser conhecida especialmente pela capacidade que tiveram de superar as dificuldades impostas pelo relevo.

Sendo essa região marcada pela presença de terremotos, convém observar que mesmo as construções de grande porte, resistiram muito bem a fortes abalos, ao contrário de diversas edificações feitas pelos europeus e que desabaram com os terremotos.

Neste sentido, podemos dizer que as obras de irrigação em direção aos vales desertos, a construção de pontes pênseis, entre grandes precipícios, e de aterros em pântanos atestam altos níveis de conhecimentos técnicos.

Para construir estradas em terrenos com grandes declives usavam do desenho em zigue-zague facilitando a circulação ou, se necessário, escadas. As estradas eram estreitas já que circulavam nelas apenas homens e lhamas com carregamentos. Erguiam-se muros de arrimo em lugares mais perigosos para evitar desabamentos.

As estradas desempenhavam uma função mais ligada ao controle do império do que aos comércio. Ao todo calcula-se que eram mais de 4 000 Km de estradas cortando todo o império.

Em meio às cordilheiras muitas vezes era necessário construir pontes. Elas eram feitas de cordas e exigam uma cuidadosa manutenção já que os cabos deviam ser substituídos todos os anos.

Ao longo das estradas podiam ser encontradas construções onde pernoitavam viajantes que faziam parte do exército ou que eram funcionários em serviço oficial.

Nestes alojamentos ficavam os corredores que eram encarregados de levar mensagens de um canto a outro do império, tornando possível, por exemplo, que um destacamento do exército fosse informado com extrema rapidez sobre uma rebelião, podendo atuar com rapidez.

Religião

Com inteligente visão política, os incas incorporaram deuses e crenças dos povos conquistados, num sincretismo religioso que explica a coexistência da religião oficial e de vários cultos e rituais derivados do ciclo agrícola. Ao deus Sol, Inti, considerado pai da nobreza inca, eram consagrados os principais templos. A reforma religiosa do imperador Pachacútec substituiu o culto de Inti pelo de Viracocha. Segundo historiadores, Viracocha tinha sido o deus supremo de civilizações pré-incaicas e era visto como herói civilizador, criador da Terra, dos homens e dos animais.

Apu Illapu, senhor dos raios e da chuva, era o protetor dos guerreiros e camponeses. Em tempos de seca, a ele ofereciam-se sacrifícios (às vezes humanos). Entre as divindades femininas, Mamaquilla era a Lua, esposa do Sol, em torno da qual se organizava o calendário das festas agrícolas e religiosas. Pacha Mama, designação da mãe-terra, protegia os rebanhos de lhamas. Seu equivalente masculino, Pachacámac, era cultuado sobretudo na região litorânea. O mar e as estrelas também representavam manifestações divinas.

As cerimônias se realizavam ao ar livre. Os templos tinham em geral um só recinto e habitações anexas para os sacerdotes. Construíram-se grandes templos em localidades importantes, como Cuzco e Vilcas-Huamán, considerado o centro geográfico do império. Junto ao templo de Cuzco, dedicado a Inti, ficavam as "casas do saber" -- onde se formavam contadores, cronistas e outros sábios -- e a "casa das virgens do Sol", que deviam permanecer castas e dedicadas ao culto de Inti, salvo se escolhidas como concubinas pelo imperador ou por ele oferecidas a favoritos. A casta sacerdotal, vinculada à nobreza, detinha grande poder e possuía terras. Os sacerdotes eram considerados funcionários imperiais e deviam obediência ao sumo-sacerdote -- o huillac humu, de linhagem nobre --, radicado no templo de Cuzco.

Os sacrifícios constituíam parte essencial da religião dos incas. Nas ocasiões importantes, exigiam-se sacrifícios de animais ou pessoas, mas o comum eram as oferendas de flores, bebidas, folhas de coca e vestes, lançadas ao fogo sagrado. As diversas festividades, em que se realizavam procissões e danças rituais, eram estabelecidas de acordo com os ciclos agrícolas. Atribuíam-se as calamidades públicas à inobservância de algum preceito ou ritual, que devia ser confessada e expiada para acalmar a cólera divina.

Os sacerdotes desempenhavam a função de curandeiros, praticavam exorcismo e faziam previsões antes de qualquer acontecimento público ou privado importante. Nos pontos mais altos dos Andes erguiam-se montes de pedras, aos quais o viajante acrescentava a sua para pedir uma boa travessia.

Construíam-se grandes túmulos e monumentos funerários, pois os incas acreditavam na sobrevivência da alma depois da morte: os que tinham obedecido às ordens do imperador sobreviviam confortados pelo Sol, enquanto os insubordinados permaneciam eternamente sob a terra.

Deuses dos Incas

VIRACOCHA: (Ilha Viracocha Pachayachachi), (Esplendor originário, Senhor, mestre do mundo), foi a primeira divindade dos antigos Tiahuanacos, proveniente do Lago Titicaca. Como o seu homônimo Quetzalcoatl, surgiu da água, criou o céu e a Terra e a primeira geração de gigantes que viviam na obscuridade. O culto do Deus criador supunha um conceito intelectual e abstrato, que estava limitado à nobreza. Semelhante ao Deus Nórdico Odín, Viracocha foi um deus nômade, e como aquele, tinha um companheiro alado, o condor Inti, grande profeta.
INTI:
(o Sol), chamado "Servo de Viracocha", exercia a soberania no plano superior ou divino, do mesmo modo que um intermediário, o Imperador, chamado "Filho de Inti", reinava sobre os homens. Inti era a divindade popular mais importante: era adorado em muitos santuários pelo povo inca, que lhe rendiam oferendas de ouro, prata e as chamadas virgens do Sol.
MAMA QUILLA:
(Mãe Lua), Esposa do Sol e mãe do firmamento, dela se tinha uma estátua no templo do Sol. Essa imagem era adorada por uma ordem de sacerdotisas, que se espalhava por toda a costa peruana.
PACHA MAMA:
"A Mãe Terra", tinha um culto muito idolatrado por todo o império, pois era a encarregada de propiciar a fertilidade nos campos.
MAMA SARA:
(Mãe do Milho).
MAMA COCHA:
(Mãe do Mar)

Lendas Incas

A Primeira Criação

"Caminhava pelas imensas e desertas pampas da planície, Viracocha Pachayachachi, 'o criador das cosas', depois de haver criado o mundo em um primeiro ensaio (sem luz, sem sol e sem estrelas). Mas quando viu que os gigantes eram muito maiores que ele, disse: - Não é conveniente criar seres de tais dimensões; parece-me melhor que tenham minha própria estatura! Assim Viracocha criou os homens, seguindo suas próprias medidas, tal como são hoje em dia, mas aqueles viviam na obscuridade".

A Maldição

Viracocha ordenou aos hombres que vivessem em paz, ordem e respeito. Entretanto, os homens se renderam à vida ruim, aos excessos, e foi assim que Deus criador os maldisse. E Viracocha os transformou em pedras ou animais, alguns caíram enterrados na Terra, outros foram absorvidos pelas águas. Finalmente, despejou sobre os homens um dilúvio, no qual todos pereceram.

A Segunda Criação

Somente três homens restaram com vida, e com o objetivo de ajudar Viracocha em sua nova criação. Assim que o dilúvio passara, "o mestre do mundo" decidiu dotar a Terra com luz e foi assim que ordenou que o sol e a lua brilhassem. A lua e as estrelas ocuparam seu ligar no vasto firmamento.

Fonte: www.feranet21.com.br

Civilização Inca

Arte e Ciência da Civilização Inca

A cultura inca

Resultado da mistura das culturas preexistentes na região andina — era muito rica, principalmente no que se refere à arte, intimamente ligada à ciência, à religião e ao cotidiano.

Civilização Inca
Pendente em Forma de Ave

A ourivesaria inca possuía caráter funcional e ornamental; o desenho das peças, aspecto de desenhos geométricos. O figurativismo das estatuetas de metal era bem estilizado, tendo a cabeça mais trabalhada que o restante do corpo. A prata era um dos metais mais apreciados para as peças suntuosas, embora se tivesse conhecimento de metais como o ouro. Nessa arte, destacam-se também as facas de sacrifício.

A cerâmica e estamparia caracterizavam-se pela falta de exagero e opulência, assim como pela presença do irregular ou assimétrico. A diversidade de cores propiciou às obras mais vida, com preferência aos tons de terra e ocre.

As construções arquitetônicas incas, apesar da austeridade em relação às dos maias e astecas, não possuem hoje ornamentos esculpidos, o que se deve principalmente ao fato de os espanhóis terem extraído os trabalhos de escultura em ouro que revestiam as paredes dos aposentos internos.

Mas o que marcou, sem dúvida, a arquitetura inca foi o trabalho com a rocha; obras civis de pouca importância, fortalezas, torres, templos, palácios e edifícios do governo tinham em suas estruturas pedras arduamente trabalhadas e esculpidas pelos trabalhadores incas. Tais pedras eram constituídas do mais puro granito branco e seus vértices esculpidos em diversos ângulos (de até 40 graus) de tal maneira que os blocos se encaixassem perfeitamente uns nos outros sem a utilização de argamassa ou cimento e que o espaço entre um bloco e outro fosse impenetrável mesmo pela mais fina lâmina. As pedras, para que pudessem resistir aos freqüentes tremores de terra, tinham forma trapezoidal e eram tão pesadas que chegavam a atingir três toneladas.

Não se sabe, entretanto, o tipo de instrumento utilizado na construção das cidades incas, já que não há vestígios de ferramentas ou rodas. Hipóteses criadas pelos próprios nativos da região dizem que tais ferramentas seriam constituídas de hematita oriunda de meteoritos. Todavia, segundo os cientistas, essa hipótese é um tanto improvável,.

É incontestável a engenhosidade de certas construções incas, como por exemplo os canais que transportavam água a poderosas cisternas, para que fosse enfim armazenada sem desperdícios, ou mesmo os diversos níveis de terraços, nos terrenos íngremes da região, que permitiram um melhor aproveitamento da terra para a agricultura.

Sabe-se que as maiores e mais famosas cidades-fortalezas da civilização inca são Sacsahuamán e Macchu-Picchu. Essa última é conhecida como “cidade perdida dos incas”; é um complexo de templos, palácios, observatórios e residências das classes governantes.

A posição privilegiada de Macchu-Picchu permitiu aos incas a execução de profundos estudos científicos e muitos cultos religiosos, principalmente no que se refere ao sol. Por isso, a cidade era considerada um verdadeiro santuário.

Dentro de seu conjunto arquitetônico, formado por mais de 200 edifícios, destacam-se o Observatório Solar e dois grandes templos: o Principal e o das Três Janelas.

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Intihuantana - Observatório Solar

No Observatório, encontra-se a Intihuantana (“lugar de pouso do sol”), uma pedra sagrada que tinha como objetivo o culto ao deus Sol (“Inti”), e que servia como instrumento científico para as observações astronômicas e cálculos meteorológicos sobre a forma redonda do céu que ajudavam a prever a época propícia para a colheita.

No Templo Principal, destaca-se um edifício semicircular com três metros de diâmetro por dois e meio de altura, constituído por enormes blocos de granito. Essa construção demonstra o alto nível arquitetônico atingido pelos incas, já que a técnica do trabalho com círculos veio a se desenvolver tardiamente.

O Templo das Três Janelas é bem parecido com o Templo Principal quanto à estrutura, com seus blocos perfeitamente talhados. Sua planta baixa é quadrada e apresenta apenas três janelas (por isso o nome dado a ele).

Supõe-se que as mais importantes cidades incas possuíam um Templo do Sol — abrigo para as Virgens do Sol (“acllas”), mulheres escolhidas para executarem serviços reais nos Templos e durante os rituais — além de um Palácio Real.

A cidade de Macchu-Picchu foi conservada em segredo pelos imperadores incas afim de evitar contato com os conquistadores espanhóis. Transferiu-se, então, a civilização para as cidades de Victos e Vilcabamba. Até a sua revelação ao mundo pelo historiador Hiram Bigham, Macchu-Picchu permaneceu intocada. As geleiras, selvas equatoriais e fortes correntezas dos rios colaboraram para tal conservação.

Há uma hipótese sobre a maneira com a qual foram construídas as cidades incas que supõe terem os engenheiros e arquitetos dessa época se baseado em observações astronômicas para definir os locais e posições exatos para erguer os prédios.

Os conhecimentos de Geometria e Geografia adquiridos pelos cientistas incas foram provavelmente utilizados nas construções de cidades famosas como Macchu-Picchu, Cuzco e Ollantaytambo, assim como devem ter servido para determinar as melhores épocas de plantio e de colheita, uma vez que os incas possuíam uma agricultura de subsistência tão avançada que superava a européia do mesmo período.

Acontece que, para o posicionamento de determinadas construções, como os prédios da cidadela de Macchu-Picchu, os incas deveriam saber a exata localização dos pontos cardeais e, para isso, saber o local exato do nascer e do pôr do Sol no horizonte nos dias de equinócios. Como eles poderiam sabê-lo, já que a cidade é rodeada pela Cordilheira dos Andes e não se pode ver o sol tocar o horizonte? Talvez o tenham feito através de observações sistemáticas do movimento do sol no céu.

Aspectos Políticos e Econômicos da Civilização Inca

O ayllu consistia na unidade social básica do império. Era uma espécie de clã, um grupo de famílias que viviam juntas dentro de uma área definida, compartilhando da mesma terra, animais e outras coisas. Essa unidade social podia ser grande ou pequena, estendiam-se até formar uma aldeia ou grande centro ou até mesmo uma cidade inteira. Cuzco, a capital, era nada mais que um Ayllu ampliado.

Individualmente, ninguém possuía terras; O ayllu constava de um território definido, e os que viviam nele dividiam a terra. É importante lembrar que os incas não criaram o Ayllu, já que essa organização faz parte da evolução da sociedade andina, mas o sistematizaram e ampliaram.

Um Ayllu é governado por um chefe eleito e assessorado por um concelho de anciãos. Existe ainda um chefe de distrito, que é responsável por um determinado grupo de Ayllus, que por sua vez formam um território e que se unem para construir "uma das partes do mundo", governada por uma espécie de prefeito, ao qual só cabia responder ao soberano Inca.

O modo político e econômico define a estrutura piramidal e decimal desse império, que na base encontra o puric, o obreiro robusto. Cada dez obreiros eram mandados por um capataz; cada dez capatazes, por um sobrestante, que tinha por sua vez um supervisor, o chefe da aldeia. Essa hierarquia, composta por dez mil trabalhadores, assim continuava até chegar no chefe da tribo.

Uma vez ao ano, a cada outono, as terras do ayllu eram repartidas entre seus membros. Para cada novo casal, era entregue o jefe, que equivalia a aproximadamente uma área de noventa por quinze metros. A distribuição de terras se baseava no número de filhos que tinham que manter.

A terra comum do ayllu se repartia do seguinte modo: primeiro para o povo; em segundo lugar para o Inca, ou seja, para o Estado; e em terceiro para a religião do Sol — era uma espécie de dízimo. As porções de terra pertencentes ao Estado ou à religião eram cultivadas comunalmente, como parte de um imposto, em forma de prestação pessoal.

Todo o reino Inca, inclusive os andes, o deserto e o alto amazonas, converteu-se num grande centro de domesticação de plantas silvestres. Mais da metade dos alimentos que o mundo consume hoje foi desenvolvida por esses camponeses andinos. Calcula-se que ali, mais que em qualquer outra zona do mundo, se cultivou grande número de alimentos e plantas medicinais de forma sistemática.

Mencionemos só as mais importantes: duzentas e quarenta variedades de batata, além de milho, abóbora, feijão, abacaxi, caju, cacau, mamão, tomate, pimentão e abacate, entre outros.

A batata é a principal planta comestível do alto dos andes. Em nenhum outro lugar como o Peru existem tantas variedades de batatas. São mais de duzentas e trinta espécies.

O milho compartilha com a batata as honras de constituir alimento básico e de qualidade. Esses vegetais são extremamente resistentes às condições climáticas dos andes.

O ano do trabalhador andino se divide em duas estações: A úmida e a seca. A úmida vai de outubro a maio; a estação seca ia de maio a novembro.

Agosto era o mês das tarefas do campo. A nobreza levava isso muito a sério e sempre participava de tais festejos. Os homens trabalhavam cantando e seguindo o ritmo. Depois de preparar os campos do Inca, do Sol e deles próprios, iam ajudar os parentes, os doentes ou lesados.

De Cuzco se enviavam arquitetos para planejar as obras e os projetos de maior importância, como por exemplo Pisac, onde o sistema de irrigação estava nas alturas do curso do rio Urubamba, onde os trabalhadores cavavam na rocha viva. Também eram construídos sistemas para desviar as geleiras das plantações.

Grande parte das atividades dos incas estava relacionada à irrigação. Havia imensos depósitos de água na fortaleza de Sacsahuamán, abaixo de Cuzco. Levavam a água subterrânea até a região das pedras. Magnificamente, o local era umedecido se tornando propício para o plantio. A técnica usada pelos engenheiros permitia levar a água até o alto dos vales; dali descia, e toda a região era regada por uma única corrente. A condução da água requeria um plano muito cuidadosamente traçado e determinado pelo conhecimento das condições hidrográficas, a natureza do solo e a conformação geral do terreno. Em todas as partes do mundo onde se tem praticado a condução da água, as técnicas são exatamente essas.

Setembro era o mês crítico, quando geralmente aconteciam as secas. Em toda a região, lhamas eram sacrificadas e oferecidas aos deuses da chuva. Se nenhum sinal de nuvem de chuva se formasse, se oferecia como sacrifício um homem, uma mulher ou uma criança. Os seres oferecidos ao sacrifício eram amarrados a portes, e nada era lhes dado para comer ou beber. O povo acreditava que dessa forma os deuses poderiam ficar tocados pelos gemidos desses seres e lhes enviar a chuva para matar sua sede.

Nascimento da Civilização Inca

Antes dos incas se instalarem na região do Peru central, aonde veio a ser construída a cidade de Cuzco, capital do Império Inca, o lugar era ocupado pelos povos quíchuas.

Conta a história que certo dia um homem chamado Manco Capac chegou ao
Muralhas de Cuzco

Peru, com sua irmã Mama Ocllo, vindo do lago Titicaca. Ele era filho do Sol e sua missão era transmitir aos homens as leis e a civilização. De fato, manco Capac civilizou o povo quíchua a ponto de construir um grande império, como foi o Império Inca.

Inicialmente, o nome Inca era dado a todos quantos se juntassem ao clã liderado por Manco Capac. Mais tarde, o nome passou a designar os soberanos do império.

Sociedade e Cotidiano da Civilização Inca

Os quíchuas eram índios americanos dos andes sobre os quais os incas exerciam seu domínio. A pesar da notória diferença entre as tribos, há algo de comum entre elas. Os quíchuas eram — ou melhor, são, posto que ainda existem uns cinco milhões destes aborígenes — de mediana estatura, robustos e de mão grande, pulso pequeno e peito de altura desproporcional ­— desenvolvido para respirarem a grandes altitudes — pernas compridas e longos pés. Têm os pulmões salientes, narinas largas e olhos pequenos.

As mulheres são mais baixas e de constituição mais delicada, porém sua fragilidade é só aparente, posto que são capazes de realizar os trabalhos mais pesados; dão à luz e voltam a trabalhar no campo ao cabo de vinte e quatro horas. Muitas dessas mulheres possuem traços delicados; Algumas são consideradas belas; pelo menos assim o pareceram aos primeiros espanhóis que casaram com elas.

Os primeiros retratos feitos delas pelos espanhóis mostram fisionomias muito delicadas, e um cronista, ao falar dessas mulheres escreveu: "As mais belas e bem apessoadas de todas que já vimos nas índias (...) Sumamente charmosas e bem conformadas"

Os peruanos têm uma grande resistência física, ao cabo de séculos vivendo na escassez e oxigênio dos andes, seu corpo se desenvolveu de tal sorte que podem realizar todas as atividades normalmente. Seu peito e seu pulmão são super desenvolvidos, de modo que a elevada altitude não lhes afeta a respiração.

Assim, este homem, resistente, incansável, robusto e adaptado pela natureza, constitui a ampla base da pirâmide social que foi o Império Incaico.

Era classificado como hatun-runa ou puric, como trabalhador fisicamente bem dotado; pertencia a uma comunidade territorial e se considerava um elemento indispensável na estrutura piramidal e decimal que foi o Império Inca.

Usavam um vestido que era como uma versão abreviada do traje de noite da época vitoriana inglesa: Um pano de lã com um buraco para sacar a cabeça, as bordas eram costuradas, deixando-se amplos cortes para sacar os braços. Era uma roupa simples e sem pretensões. Recebia o nome de onka e era feita de lã de alpaca. Também usavam um pedaço de lã nos ombros, yacolla, quando fazia frio.

A última peça de seu vestuário era uma espécie de cueca que consistia em uma faixa de lã que passava por entre as pernas e era amarrada na cintura; chamava-se chumpi. Começavam a usar esta peça quando completavam quatorze anos.

Assim pois, uma cueca, uma túnica e uma rústica capa constituíam todo o vestuário que o índio dispunha para cobrir seu corpo no frio clima dos Andes. Quando trabalhavam no campo, limitavam-se a prender suas longas cabeleiras com cordões de lã coloridos. Quando faziam uma viagem ou iam a uma festa, usavam um penteado característico, que o distinguia dos outros companheiros. Nas grandes solenidades, usavam túnicas mais largas, que chegavam aos joelhos, em que ele e sua esposa ostentavam o máximo de seu talento e habilidade; geralmente usavam sandálias.

A vestimenta da mulher também era simples; consistia em uma larga peça retangular de lã de alpaca, chamada de anacu, que passava pela cabeça, era grande o suficiente para cobrir todo o corpo e se amarrava na cintura. Ia até os joelhos, às vezes até os pés. Também usavam yacolla.

Os homens de prestígio, dentre os quais os governantes curacas, se vestiam de modo similar ao índio comum, porém a qualidade do tecido era suntuosa. Se distinguiam facilmente, se não pela túnica, pelos maciços pendentes, em geral de ouro. O próprio imperador se vestia igual a seus súditos, porém sua túnica era feita com a mais fina lã de Vicuña. Bem como o homem do povo, raramente tirava a túnica. Quando isso acontecia, queimava-lhe, como oferenda ao deus Sol; jamais usavam a mesma túnica duas vezes.

Na idade de vinte anos, esperava-se que o homem se casasse. Os ritos nupciais eram simples. Os noivos se davam as mãos e realizavam a cerimônia de troca de sandálias.

O matrimônio do homem de classe baixa era monogâmico. E dado que era a mulher que lhe preparava o que comer e beber, era um grande desastre para ele a morte da companheira. A poligamia existia apenas para os nobres, o próprio imperador possuía centenas de concubinas. Todas as classes governantes eram praticantes da poligamia.

A casa do lavrador era retangular, sem janelas, feita de pedra recozida do campo e com uma capa de barro; tinha apenas uma entrada, uma porta coberta por uma cortina de lã. Os suportes que sustentavam suas moradias eram feitos de arbustos cortados das montanhas. Essas casas rústicas ainda podem ser observadas em ruínas em Macchu-Picchu. O piso era feito de terra pressionada, coberto com pele de lhama ou de alpaca. Não havia móveis, o índio se sentava sobre o solo. Havia apenas prateleiras, para guardar utensílios de cozinha, e alguns paus fincados nas paredes, para pendurar as roupas e uma grande pedra onde as mulheres preparavam os alimentos. Dormiam no chão, sobre a pele de lhama e sobre uma manta.

A aldeia era planejada de acordo com um plano retangular, segundo se crê, por arquitetos profissionais enviados pelo Estado. Três ou quatro paredes retangulares formavam uma espécie de parede comum. Esse tipo de arquitetura pode ser observado nas ruínas de Ollantaytambo, a uns quarenta quilômetros de Cuzco.

O ciclo da vida cotidiana começava ao raiar do sol, O índio satisfazia sua sede com uma bebida fermentada de nome a'ka, ligeiramente embriagante, espessa, com sabor de malte. Logo o lavrador se encaminhava para os campos.

A família se reunia para tomar sua segunda refeição, geralmente manjares de raiz ou sopa com carne de lhama secada ao sol (chuñu). A refeição do entardecer, o cena, se tomava entre as quatro e cinco da tarde. Os homens se sentavam ao redor da vasilha, colocada em cima de um pano e se serviam com as mãos ou tomavam a sopa em taças de barro cozido. As mulheres sentavam fora do círculo.

As crianças eram educadas desde pequenas para o papel que iriam desempenhar durante o resto de suas vidas. Depois do nascimento, o bebê era lavado em água corrente e, ao quarto dia, colocado em um berço chamado quirau. Não se dava a ninguém um nome individual nos primeiros anos de vida. Os novos seres eram chamados de wawa (bebê). A família celebrava depois uma festa chamada ritu-chicoy (corte do pelo) e o nome permanente não se dava até que a criança chegasse à puberdade.

Aos quatorze anos de idade, o menino usava pela primeira vez a "cueca". Nas classes superiores, isso era acompanhado por uma peregrinação ao lugar de origem do estado inca de Huanacauri, no vale de Cuzco, e pelo sacrifício de lhamas realizados pelos sacerdotes. Em seguida, passava-se o sangue no rosto do garoto, que logo assumia o aspecto de um guerreiro e pronunciava em público um juramento de fidelidade ao Inca. Os meninos de classes superiores recebiam uma educação tradicional, que lhe faria apto para desempenhar, mais tarde funções administrativas.

As meninas também entravam na puberdade mais ou menos ao mesmo tempo, em uma encantadora cerimônia de corte de cabelo.

Dava-se a elas o nome permanente. A mulher tinha a oportunidade de abandonar o ayllu e inclusive a classe social em que havia nascido. Se demonstrasse especial talento na arte de tecer, fosse graciosa ou muito bela, poderia ser eleita como "mulher escolhida" (nusta).

Nessas condições, era conduzida a Cuzco ou a qualquer outra capital de província de uma das quatro partes do mundo, para aprender trabalhos especiais, tais como: tecer, cozinhar, ou os ritos do sol (religião). Podia chegar a ser esposa de um alto funcionário, ou, se a fortuna lhe favorecesse, converter-se em concubina do próprio soberano Inca. Porém, na grande maioria das vezes, os homens e mulheres nasciam, eram educados, e morriam no seu próprio ayllu.

A lhama era o único animal doméstico. Antes da chegada do homem branco, a América não conhecia o cavalo, nem o boi. Raramente usavam a lhama para montar. Sua lã extremamente resistente servia para fazer sacos, mantas, fardos e cordas; sua carne era aproveitada na alimentação.

Morte da Civilização Inca

De acordo com a tradição, todo Inca deveria casar-se com uma mulher de sangue real nascida em Cuzco. Huayna Capac o fez e desse casamento, sem alegria, nasceu Huáscar (“o odiado”), herdeiro legítimo do trono. No entanto, Huayna estava apaixonado pela princesa de Quito; e desse amor, presenciado com horror pelo Império, nasceu seu querido filho Atahualpa (“filho da fortuna na terra”).

Os filhos cresciam: Huáscar, amado pelo povo e malquerido pelo pai, e Atahualpa, amado pelo pai e alvo de revoltas dos cortesãos de Cuzco. O coração do reino estava divido entre os dois príncipes, que cresceram em constante rivalidade.

Arturo Capdevila, em seu livro intitulado Los Incas, retrata com expressividade a situação do Império:

“Sombrio ocaso foi a vida de Huayna Capac. Seus filhos rivais torturavam-lhe a consciência com quem sabe quais duras previsões. Sinais nefastos manchavam o céu pátrio. De espanto em espanto, em misteriosa onda de lenda, corria no entardecer de seu reinado a fama dos espanhóis recém-chegados, homens brancos desembarcados um dia com temível desígnio pelo confim setentrional do país. O céu e a terra assinalavam presságios. Meteoros cárdeos rasgavam o firmamento na noite. Uma auréola de fogo dividida em três círculos rodeava o disco da lua. Os llaycas agouravam o Inca: “o primeiro círculo anuncia guerra; o segundo, a queda do sol; o terceiro, o fim de tua raça”.

Tudo isso se pressentia no reino do Peru. As próprias cerimônias realizadas pela morte de Huayna dão por sua parte um sinal disso. Uma espécie de loucura trágica estava impregnada na alma popular. Ao celebrar as exéquias de Huayna, bem entenderam que se despediam de seu último Inca. Nunca o templo de Tampu, próximo a Cuzco, presenciou mais solene homenagem. Os palácios reais foram clausurados por todo o Império. Fanatismo, fatalidade e loucura indicavam a iminência da queda. Imagina-se com espanto aquela pira de suplício alçada em honra ao Inca morto. Supõe-se que 4 mil vítimas voluntárias, entre concubinas e servos, dançaram e sucumbiram naquela fogueira em que já fumegava o vento vazio, a antiga glória do Peru.”

Antes de morrer, Huayna resolvera quebrar a tradição Inca e repartir o reino entre seus dois filhos: Atahualpa, que seria o monarca do Norte, e Huáscar, que o seria do Sul. Decidira também, em fidelidade à esposa amada, ser enterrado na cidade de Quito, junto às múmias de seus antepassados.

O cisalhamento do reino preparava obscuramente o império para o triunfo dos homens brancos. Em 1531, os exércitos de Atahualpa e Huáscar se confrontaram numa sangrenta batalha fratricida em Ambato e Quipaypán, da qual Atahualpa se saiu vencedor. Mas isso iria durar pouco tempo, como bem o sabiam os amautas e haravecs, povos de ciência e saber ocultos; para eles, Atahualpa não era na verdade um Inca, um legítimo filho do Sol; era um intruso.

Então, em 1532, Pizarro, conquistador espanhol, foi recebido por Atahualpa em Cajamarca, onde, na primeira oportunidade, aprisionou o imperador, iniciando a destruição do império.

Atahualpa foi morto por ordem de Pizarro. O povo já não tinha seu deus – era inconcebível como um deus poderia ter sido destruído tão facilmente por aqueles homens.

Assim foi a queda da tradição religiosa incaica; assim foi a queda do tão poderoso exército; assim foi a queda da capital, Cuzco. Assim foi a morte do Império Inca.

“Mas certo era que a lua havia se mostrado envolta na tríplice sinistra auréola.

O invasor já começava a apoderar-se do solo americano e se cumpria, a seu tempo, a palavra profética de Nezahualcoyotl: virão tempos em que serão desfeitos e destroçados os vassalos, e tudo cairá nas trevas do esquecimento…” (CAPDEVILA, Los Incas, p.164).

Fonte: imperioinca.vilabol.uol.com.br

Civilização Inca

LENDA

Conta a lenda, que certo dia, numa ilha do lago Titicaca, nos Andes, apareceu um casal de deuses, filhos do Sol.

Tinham uma tarefa a cumprir: ensinar aos homens os princípios da civilização. O Sol dera-lhesuma varinha de ouro e no lugar onde ela afundasse, ao ser fincada, os deuses deviam fixar-se para sempre.Partiram então Manco Capac e Mama Ocllo, o casal divino, e dia após dia percorreram as terras, batendo nochão com a varinha mágica. Finalmente, junto à colina de Huanacauri, a varinha afundou e ali os deuses seestabeleceram. Ensinaram os habitantes do lugar a cultivar a terra, tecer fibras, construir casas; transmitiram-lhes as leis da guerra e o culto ao Sol. E fundaram a cidade de Cuzco.

Essa lenda conta a origem de um dos mais extraordinários impérios pré-colombianos que existiu por500 anos ou mais, até ser destruído pelos conquistadores espanhóis em 1531.

Admite-se hoje que a história dessa antiga civilização sul americana tenha começado por volta doséculo XI, quando alguns grupos de índios quíchuas, vindos do norte da região que é o hoje o Peru,instalaram-se no sul, formando a cidade de Cuzco. Pouco a pouco, estenderam seu domínio sobre outrastribos, até ocuparem todo o território, que compreende hoje o Peru, o Equador, parte da Bolívia e norte doChile. A palavra inca, ao contrário do que se imagina, não desgina um povo ou uma cultura, é o nome pelo qualos quíchuas chamavam seus reis ou imperadores. E, como o poder político, administrativo e econômico ficavaconcentrado nas mãos do imperador e seus familiares, é natural que a palavra inca terminasse por englobartubo o que se referia à essa poderosa civilização.

O imperador

Sapay Inca, ou seja, Único Inca, tido pelos quíchuas como filhos do Sol – era tratado, em vida, como um semideus, e, após sua morte, como um deus.

Raramente sua face era vista por alguém que não fizesse parte do círculo íntimo de sua corte. Aspessoas deviam descalçar-se em sua presença e seus alimentos eram servidos por uma das concubinas de seuvasto harém. E tudo que ele tocasse virava tabu – ninguém mais poderia mexer. Depois de morto, o imperadortinha seu corpo embalsamado e ressecado ao sol. Depois, era vestido com as roupas mais suntuosas eenrolado em peças de fino tecido.

Não o enterravam: feito múmia, era guardado no palácio em que vivera.

Ocerimonial fúnebre tinha aspecto macabro: suas mulheres e seus servos o acompanhavam na morte. Eramestrangulados num ritual solene.

O que costumava criar problemas era a sucessão imperial. O herdeiro ao trono não eranecessariamente o filho mais velho, pois, como todos os filhos tinham o "sangue sagrado", o direito deprogenitura não contava entre os quíchuas. Geralmente, ao sentir o envelhecimento e a aproximação da morte,o imperador escolhia, entre os filhos da coya – principal esposa, sempre sua irmã -, aquele que ocuparia seulugar. Para evitar perturbação política, a notícia do falecimento do imperador só era divulgada ao povo quandoos filhos e parentes já houvessem escolhido o sucessor.

Os incas construíram uma excelente rede de estradas: cerca de 60 mil quilômetros.

Uma delas, nolitoral, com a notável extensão de 4.000 quilômetros e era suficientemente larga para permitir a passagem de 8cavaleiros, lado a lado.

Sobre muitos rios, fizeram pontes suspensas por três cabos, capazes de suportargrandes pesos.

O sistema de comunicações era muito bom e todas as cidades possuíam um quadro demensageiros que levavam as notícias importantes com uma rapidez impressionante: em cinco dias, umainformação atravessava cerca de 2 mil quilômetros – Quito a Cuzco.

Fonte: www.gpua.ubbi.com.br

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