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Civilização Suméria

 

A civilização suméria é a primeira grande civilização da qual temos provas.

Foi fundada entre o Eufrates eo Tigre, que 6000 anos atrás. No século 6 aC. J. C-escribas como "Enuma Anu Enlil" um grupo de homens eram especialistas em astronomia e astrologia na corte babilônica.

Os textos se referem a esse grupo de escribas, mas não sabemos exatamente quem eles eram, o que eles fizeram e como eles foram treinados. Antiguidade começa em datas diferentes de acordo com as civilizações consideradas.

A mais antiga civilização conhecida antiga é a da Suméria, que inventou a escrita cuneiforme, com base em pictogramas afiadas, devido à forma de cunha da caneta palheta.

Civilização Suméria

Os primeiros textos matemáticos são escritos na Mesopotâmia, escrever os números no sistema sexagesimal. Astronomia está crescendo, eles inventam a astrologia, os 12 signos do zodíaco em EGÍPCIOS copiado, e temos mantido uma vez que (com nomes diferentes), o círculo de 360 ??graus e cronograma de 12 meses e 30 dias. Produção dos primeiros veículos de rodas (completo), cuja primeira tanques.

O desenvolvimento das armas, a presença no campo de batalha do clube suméria mostra o capacete (de cobre), para contrariar esta evolução é o machado usado pela primeira vez equipado.

As características de risco de arqueiros nasceu o manto blindado (blindagem), uma espécie de capa feita de lona ou couro discos de cobre reforçados, que provoca uma reação no desenvolvimento do arco que se torna composto de 2350-2250 aC técnicas de combate também será usado pela primeira vez: carrinhos equipados combate de infantaria e mesmo o capacete, escudo e lança revestimento da criação de uma organização militar.

ASTRONOMIA

Após o seu rápido desenvolvimento (a maioria das descobertas foram feitas em meados do segundo milênio), a matemática será usado para a astronomia. No entanto, foi o primeiro milênio para o campo de decolar. Foi então uma grande área onde os caldeus, que estão entre os melhores astrônomos do mundo, então, e trará sua experiência considerável para os seus homólogos gregos.

Os astrônomos foram nomeados para o primeiro milênio "Enuma Anu Enlil Tupshar". Eles eram na verdade sacerdotes que receberam treinamento especial, e alfabetizados. Portanto, sua função é essencialmente religiosa. É por isso que eles são ambos os astrônomos e astrólogos (é a diferença para nós, mas não para os mesopotâmios. Eles oficiou nos templos, que, assim, entregue arquivos numerosos textos astronômicos e astrológicos os quais foram mantidos em salas especiais.

Astronomia é baseada principalmente na observação do céu, e, especialmente, as estrelas. O texto mais antigo astronômico descoberto é uma lista de observações dos movimentos de Vênus, muito importantes na Mesopotâmia, como é identificada com a deusa "Inanna" (Ishtar), abrangendo o reinado do rei Ammi-saduqa Babilônia entre 1646 e 1626. Astrologia saberá o seu desenvolvimento real no primeiro milênio.

Foram exumados a partir de vários relatos de observações de fenômenos climáticos do final do século oitavo. Governantes assírios e babilônicos encorajou-o acima de tudo, para a astrologia. Ela, portanto, teve um período de progresso, e atingiu o auge sob o período selêucida, antes de passar o relé para os gregos.

Os textos têm encontrado particularmente útil para os historiadores, porque a partir dos relatos de eclipses, pode-se saber a data exata de certos eventos.

Esta é a partir do relato de um eclipse solar, que teve lugar 15 de junho 763, durante o reinado do rei assírio Assur-dan III (773-755), sabemos exatamente a data dos eventos subseqüentes da história da Mesopotâmia. Os reis assírios realizar uma combinação de observações astronômicas, e manter um grande grupo de astrônomos / astrólogos ao redor do palácio real. Assim, eles ajudam muito o desenvolvimento desta disciplina.

Civilização Suméria
Tábua Akkadiene (-2000)

Algumas estrelas foram considerados pelos mesopotâmios como divindades. O Sol (Utu - Shamash) e Lua (??Nanna - Sin) são os melhores exemplos.

Em um texto do século XII, o céu é dividido em três caminhos principais, atribuídas a três principais deuses da tríade: "an", "Enlil" e "Enki" (Ea). O "caminho de uma" parte ocupada central, ao longo do eixo norte-sul. Acima foi o "caminho de Enlil", e abaixo, o "caminho da Ea."

Para explicar a posição das estrelas, os astrônomos estavam usando a eclíptica (o plano em que a Terra orbita o Sol, portanto, em que se tem a impressão de que o Sol se move como vista da Terra), para avaliar latitude, e eles dividiram o céu em 12 zonas constituídas por arcos de 30 °, o que levou o nome da principal constelação que estava lá. Estes são os signos do zodíaco, uma vez mantidas sob nomes diferentes. Geralmente, as constelações da Mesopotâmia são os mesmos como o nosso, com pequenas variações, conhecidas como a constelação da Ursa Maior, que consiste em duas estrelas de nossa constelação do Triângulo e um dos nossos Andromeda.

Para -1000 aC. Astrólogos da Mesopotâmia BC já sabe todos os planetas visíveis a olho nu, e eles acham que tudo tem que se levantar e se deitar de leste a oeste, seguindo o céu a mesma faixa como o Sol: Banda onde o movimento estrelas é chamado de "Zodiac". Um comprimido babilônico registra todos os eclipses lunares ocorridos entre o reinado de Nabucodonosor e do ano 317 aC (ou 400 anos).

A duração do ano foi calculado em 0,001% e sobre os movimentos do Sol e da Lua, eram conhecidas com uma margem de erro igual a três vezes o seu valor, assim como nosso conhecimento do século XVII.

Por centenas de anos os escribas tomaram o relato preciso dos eventos naturais na terra e no céu a prever o futuro. Os sumérios estavam familiarizados com as "estrelas" do nosso sistema solar, e outros também. Dois mil anos depois, os gregos falam de "planetas", que significa "andarilho".

Tratados como divindades, os planetas levará o nome de um deus grego e romano. Os mesopotâmios sabia, pelo menos, cinco planetas, Sihtu / Mercúrio (deus: Nelo), Delebat / Vênus (deusa Ishtar), Salbanatu / Marte (divindade: Nergal), Neberu / Júpiter (deus: Marduck) Kayamanu / Saturno (deus: Ninib). Mas eles certamente tinha conhecimento sobre outros planetas, certamente, pelo menos, 7, ou mesmo muito mais!

Na Babilônia, o número sete era considerado nocivo e era habitual na classe superior para não tomar nenhuma ação, de 7, 14, 21 e 28 meses. Pode-se ver nestes fatos para tanto a existência de uma semana de sete dias (que foi interrompida porque o mês teve 30 dias) e da premissa de descanso semanal. Se somarmos o fato de que os babilônios (e antes deles os sumérios) sabia sete "planetas" que atribuem cada um a um deus, talvez haja uma explicação para a origem da semana de sete dias. Mas esta é apenas uma hipótese.

Francês Suméria Babilônico Grego Romano
Lua Nanna Pecado Selene Luna
Mercúrio Nelo Nabu Hermes Mercurius
Vênus Inana Ishtar Aphrodite Vênus
Sol Utu Babba Shamash Helios Sol
Marte Ereshkigal Nergal Ares Marte
Jupiter

/

Mardouk Zeus Jupiter
Saturno

Ki

Ninurta Kronos Saturno

Os babilônios descobriram que, contra um fundo de estrelas fixas, as estrelas estavam se movendo. Eles contaram pelo menos 7 e, a partir do século XX aC, deu-lhes o nome de uma divindade sem a estrela é identificado com a divindade. Para dar um exemplo, uma dizia "a estrela de Marte," não "Março".

Subsequentemente, a expressão desapareceu em favor de nome simples.

O APIN MUL

De -1000 anos (aproximadamente), Mesopotâmia astronomia, enquanto ainda permanecem bastante descritivo, emergindo lentamente de sua fora de contexto astrológico: os astrônomos ou observadores notarão noite após noite, todos os fenômenos celestes observados, especialmente aqueles são visíveis no início e no fim da noite dividido em três "relógios" (massartou). Observando os observadores, é claro tudo sobre eclipses, mas também identificar e registrar as posições dos planetas em relação a estrelas brilhantes, o tempo entre o pôr eo deitar a lua crescente em primeiro lugar no início de mês, etc. Estes textos foram fundidos em uma única prateleira em todos os eventos do mês (de almanaques), e, em seguida, serão arquivados na biblioteca do templo.

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Tábua Mul.Apin

Além de almanaques, um grande texto sobre astronomia "MUL. APIN" lista (1000 aC) 66 constelações (ou astros). Gráfico primeira estrela conhecida (encontrado em Nínive). Esta é uma argila planisfério, dividido em oito seções, e mostrando uma ou duas constelações com grandes estrelas (Sirius, Spica, Pegasus, Libra, etc.).

"APIN Mul" significa estrela de Andrômeda; [= mul = estrela + APIN campo: primeiras palavras do texto], este texto inclui 3 em prateleiras perto de escrever todo o conhecimento da época em astronomia. Indicações são dadas em horário de "trabalho" que contém 360 dias por ano.

Há indicações sobre a duração dos dias e noites a cada mês do ano, um catálogo de estrelas que vão uns contra os outros, uma lista de estrelas chamado "ziqpu" que permitem para identificar o meridiano por data, lista de constelações que foram sobre o "INS caminho" (deus da lua), ou seja, a eclíptica, o comprimento da sombra da um estilo vertical para um determinado momento desde sunrise (relógio solar), períodos de visibilidade e invisibilidade dos planetas, etc

Este inventário também forneceu algumas regras de cálculo, e isso mostra que a modelagem numérica já é utilizado em casos simples. A maioria dos avistamentos de evento astronômico terá lugar de estrelas brilhantes conhecidas. Distâncias são dadas em so-Shu "dedos" (1/12 de grau) e Kush (2,5 grau), especificando o sentido Norte Sul Leste ou Oeste da estrela de referência, são número de 30, e são conhecidos por referências listas.

Textos posteriores referem-se aos mais recentes eclipses; declarações que são encenadas ao longo de vários séculos conter comentários que crescem em precisão: os momentos de início e fim do eclipse acabou ao amanhecer ou ao pôr do sol , a unidade utilizada é o Oush (= 4 minutos de tempo) pode hoje verificar os dados e achar que a unidade é estável, que pressupõe o uso de um relógio (água?) calibrado !

Neste texto, há 18 constelações em que nos encontramos já os signos do zodíaco: 1.Journalier (Aries), 2. As estrelas (as Plêiades), 3. O Touro do Céu (Touro), 4. O pastor fiel de Anu (Orion), 5. O velho (Perseus), 6. A vara quebrada (o Cocheiro), 7. Gêmeos grandes (Gemini), 8. Caranguejo (Câncer), 9. O Leão, 10. A espiga de cevada (Virgin) 11. Saldo de 12. Escorpião, 13. PABILSAG (Sagitário), 14. Cabra Fish (Capricórnio), 15. O Gigante (Aquário), 16. Tails (Peixe), 17. Swallow (S-O Peixe) e 18. Announitou (E N-Fish)

Heródoto, historiador grego do sc quinto. av. Relatórios AD que gnomon e polos (relógios) são legado babilônico. Mas os astrônomos gregos para os babilônios pedir mais do que essas ferramentas. Contração toca tudo sobre a medição do tempo, se o método digital de calcular o comprimento de dias e noites durante todo o ano ou o feedback do período sinódico (tempo para retornar ao mesmo fase) dos planetas. Pode-se também mencionar uma lista de eclipses datados e arquivados desde o sc oitavo. Então, que remonta ao tempo de Nabonassar, lista que Hiparco estava ciente e que era usada para especificar a sua teoria da lua.

Alguns pesquisadores, como G. J. Toomer (em "Antes de Astronomia do telescópio" British Museum London Press 1996) chegam a dizer muito claramente que Hiparco poderia ter feito todo o trabalho que ele fez se não tivesse tido conhecimento de ambos os dados observacionais e técnicas computacionais dos babilônios, acrescentando que os babilônios tinham aberto o caminho para a Hiparco de prática de previsões. Os Hiparco mesmos optar por fazer os seus cálculos na base 60, que também irá usar o corte Sky babilônico ao longo da eclíptica em 12 * 30 Oush (cue por longitude do número de graus, nas 12 constelações do Zodíaco), daí nós apenas usada para cortar um círculo em 360 graus.

Fonte: secretebase.free.fr

Civilização Suméria

3250 a.C. e 2800 a.C.

Os sumérios instalam-se ao sul da Mesopotâmia entre 3250 a.C. e 2800 a.C.

Colonizam o vale do rio Eufrates e dão origem às primeiras cidades organizadas como Estados independentes: Ur, Uruk, Eridu, Nippur, Kish e Lagash.

Dominam os semitas (conjunto de povos nômades habitantes da região, ligados por um mesmo parentesco lingüístico) até 2300 a.C., quando, enfraquecidos por guerras internas, são dominados pelos acadianos.

Recuperam o poder em 2050 a.C., mas não resistem aos amoritas, povo semita do norte, nem aos elamitas, da Pérsia, em 1950 a.C.

Desenvolvem a agricultura com técnicas de irrigação e drenagem de solo, construção de canais, diques e reservatórios, utilizando instrumentos de tração animal.

Constroem templos de elaborada arquitetura, que servem como centro político, religioso e econômico.

São politeístas e veneram divindades da natureza e deuses ligados aos sentimentos.

O rei é o chefe supremo.

Criam a escrita cuneiforme (gravação de figuras com estilete sobre tábua de argila) e fazem cerâmica e escultura de pedra e metal.

Na matemática instituem o método de dividir o círculo em seis partes iguais.

Cosmologia dos Sumérios

Na Suméria, os princípios componentes do universo eram o Céu e a Terra, designados pelo termo an-ki, um composto que significava "Céu-Terra".

Pensavam a Terra como um disco chato e o céu, um espaço vazio, fechado na parte superior e na inferior por uma superfície sólida com a forma de uma abóbada.

O que concretamente eles imaginavam ser esta sólida superfície celeste, ainda não se sabe bem.

Se levarmos em conta que o nome sumério para estanho era "metal-do-céu", pode-se pensar que supunham que a abóbada celeste era feita deste metal.

Entre o Céu e a Terra afirmavam existir uma substância, de nome lil, palavra com um significado aproximado de "vento" (ar, sopro, espírito), com características especiais de movimento e expansão (o que se compara com a nossa noção de atmosfera).

Da mesma matéria que o lil, eram constituídos o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas, acrescentando-lhes contudo, a luminosidade.

Rodeando o complexo "Céu-Terra", por todos os lados, tanto por cima quanto por baixo, existia o oceano infinito, no meio do qual o universo se mantinha fixo e imóvel. Esse mar primordial foi o primeiro elemento do universo responsável pela criação de um céu abobadado sobreposto a uma Terra plana e com ela unido.

Numa fase posterior à da separação do céu e da Terra, teve início a existência das plantas, dos animais e da vida humana.

É provável que os sumérios considerassem os corpos luminosos - Lua, Sol, planetas e estrelas - criados, de algum modo, a partir da atmosfera.

O deus Sol e a deusa Vênus são referidos nos textos sumérios como filhos do deus da Lua (depois dela ter sido também criada pela atmosfera). O mesmo se pode afirmar dos restantes dos planetas e estrelas, os quais são descritos como "os grandes seres que caminham ao redor [da Lua] como bois selvagens" e "os pequenos seres que estão espalhados ao redor [da Lua] como grãos".

As informações que permitem a reconstrução da cosmologia sumeriana foram retiradas de mitos e narrativas que refletem uma condição primordial. Assim, influenciados e fundamentados pelos mitos, os sumérios desenvolveram e descobriram uma série de possibilidades junto às observações do céu.

O dia foi dividido pelos sumérios em 24 horas iguais: doze danna, isto é, horas duplas. É dessa divisão do dia que provém a divisão do círculo, em relação com o sistema astronômico de origem aparentemente sumeriana. Estes círculos foram encontrados em tabuinhas sumérias de argila na Baixa Mesopotâmia, nas quais estão traçados três outros círculos concêntricos, divididos em doze seções por doze raios.

Em cada um dos 36 campos assim obtidos, se encontra o nome de uma constelação e números simples, cujo significado não se explica. Parece que a representação constitui um mapa celeste indicando três regiões do céu, cada uma dividida em doze partes, atribuindo-se a cada constelação números característicos.

Esses números estão relacionados a uma espécie de calendário de doze meses, bastante simples e muito semelhante ao dos egípcios.

O calendário era regulado por aqueles dias em que a Lua, depois de ter desaparecido na luz solar, reaparecia no ocidente depois do pôr do sol. Deste modo, se chegou a um calendário lunar e solar, usado na Suméria e na Acádia, que consistia em anos de doze meses lunares.

Às vezes era necessário agregar mais um mês, formando ciclos anuais de treze meses, para que o calendário estivesse de acordo com as estações.

Em princípio, esse décimo terceiro mês se intercalava segundo o ano que tivesse doze ou treze luas.

Sabe-se também que os sumérios reconheciam três paralelos principais: equatorial ou caminho das estrelas de Anu, tropicais ou caminhos de Enlil (Câncer) e Ea (Capricórnio).

Esses três caminhos se dividiam também em 12 danna e 360 graus.

Mesopotâmia

Os Sumérios foram entre cerca de 3.000 e meados do 2000 a.C os criadores da matriz das cosmologias e cosmogonias dos povos que habitaram a região da mesopotâmia,sendo também notória a sua influencia nas cosmogonias judaicas e cristãs.

Cosmologia: A Terra é um disco chato. O céu, um espaço vazio, fechado na parte superior e na parte inferior por uma superficie sólida com a forma de uma ábobada. O material desta abobada seria provavelmente estanho, metal designado por "metal-do-céu".Entre o céu e a terra existia uma substância chamada lil, o "vento"(ar, sopro, espírito).Da mesma matéria "vento" eram constituídos o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas, possuindo a propriedade da luminosidade. Rodeando o cosmos(céu-terra) por todos os lados, existia o oceano, no seu seio do qual este se encontrava. A manutenção, o controlo e o funcionamento do cosmos era assegurado por uma multiplicidade de seres sobrenaturais. Os deuses viviam numa montanha onde o sol nascia.

Cosmogonia: Ao princípio havia apenas o mar primordial. A matéria era concebida como eterna. Este mar primordial produziu a montanha cósmica, composta do céu e da Terra ainda unidos. Personificados e concebidos como deuses de forma humana, o céu, ou seja o Deus An, desempenhou o papel de macho e a Terra, isto é, Ki, o de fêmea. Da sua união nasceu o deus do ar, Enlil, o qual acabou por separar o céu da Terra. Enquanto seu pai, An, levava o céu, Enlil levava a Terra, sua mãe. Da união entre Enlil e sua mãe, a Terra, foi gerado o cosmos, os homens, os animais, plantas, etc.

Fonte: EncBrasil/www.geocities.com

Civilização Suméria

Origens

Existe uma grande falta de conhecimento sobre a origem dos sumérios, porém há notícia que, por volta de 3000 a.C., eles se estabeleceram ao sul da Mesopotâmia, próximo ao golfo Pérsico.

Cidades e organização administrativa

No começo de sua história, os sumérios fundaram várias comunidades que, pouco a pouco, foram-se transformando em cidades-estados. Dessa forma surgiram as cidades de Ur, Uruk, Lagash, Nippur. As mais importante delas foi Ur.

A região disputada pelos sumérios não possuía um poder central que lhe desse unidade administrativa. Cada cidade era como que um Estado independente, com governo próprio. Cada cidade-estado era governada por um civil (patesi) e por um sacerdote. Essas cidades viviam em constantes lutas e foi o rei Sargão I quem conseguiu dar unidade ao povo sumério, fundando o reino da Suméria, que se estendia da Mespotâmia até o mar Mediterrâneo.

Com a morte de Sargão I, o reino entrou em decadência e caiu em mãos de povos dominadores.

Babilônios

Chefiados por Hamurabi, tomaram conta da Suméria e fundaram o grande Império Babilônico, por volta 1700 a.C.

Foi Hamurabi quem elaborou o mais antigo código de leis de que se tem conhecimento na história. As leis contidas nesses código determinavam direitos e deveres do povo e das autoridades. Mas, dependendo da classe social, as pessoas não eram iguais perante a lei no Império Babilônico. Os escravos, por exemplo, não eram considerados como gente, mas sim, como objeto de compra e venda, uma simples propriedade qualquer. Aliás, as civilizações antigas autorizavam a escravatura e os prisioneiros de guerra, ao invés de serem mortos, eram aproveitados como escravos para trabalhos forçados.

Vem de Hamurabi a lei do talião: "Olho por olho, dente por dente". Outra lei estabelecia que, se um homem entrasse num pomar e fosse pego roubando, era obrigado a pagar ao dono do pomar uma certa quantia em prata. Esse código teve grande importância nas leis de outros povos.

O Império Babilônico entrou em decadência e foi conquistado pelos assírios, povo guerreiro de grande organização militar e o primeiro a usar os carros de guerra puxados por cavalos. Eram cruéis, violentos, conquistaram vários povos e dominaram a região por 500 anos.

Mais tarde, por volta de 612 a.C., o Império Babilônico se reorganizou (Segundo Império Babilônico e chegou com Nabucodonosor, que embelezou a cidade, construiu os famosos Jardins Supensos da Babilônia, que eram uma das sete maravilhas do mundo antigo, e mandou construir um grande zigurate, que a Bíblia Sagrada chamou de Torre de Babel. De fato, no ano de 1899, durante escavações, foi descoberto um gigante zigurate que se pensou ser a Torre de Babel. Tinha 90 metros de base e outro tanto de altura, com o topo recoberto de ouro e azulejos esmaltados de azul.

Civilização Suméria
Mapa de Suméria

Paulo Henrique Schenatto

Fonte: www.geocities.com

Civilização Suméria

Antes da chegada dos sumérios, a baixa Mesopotâmia fora ocupada por um povo não pertencente ao grupo semita, modernamente conhecido como ubaida, termo derivado da cidade de al-Ubaid, onde foram encontrados seus primeiros vestígios. Primeira força civilizatória presente na área, os ubaidas estabeleceram-se no território entre 4500 e 4000 a.C. Drenaram os pântanos para a agricultura, desenvolveram o comércio e estabeleceram indústrias, entre as quais manufaturas de couro, metal, cerâmica, alvenaria e tecelagem. Mais tarde, vários povos semitas infiltraram-se no território dos ubaidas e formaram uma grande civilização pré-suméria. O povo conhecido como sumério, cuja língua predominou no território, veio provavelmente da Anatólia e chegou à Mesopotâmia por volta de 3300 a.C.

No terceiro milênio, haviam criado pelo menos 12 cidades-estados: Ur, Eridu, Lagash, Uma, Adab, Kish, Sipar, Larak, Akshak, Nipur, Larsa e Bad-tibira.

Cada uma compreendia uma cidade murada, além das terras e povoados que a circundavam, e tinha divindade própria, cujo templo era a estrutura central da urbe. Com a crescente rivalidade entre as cidades, cada uma instituiu também um rei.

O primeiro rei a unir as diferentes cidades, por volta de 2800 a.C., foi o rei de Kish, Etana. Por muitos séculos, a liderança foi disputada por Lagash, Ur, Eridu e a própria Kish, o que enfraqueceu os sumérios e os tornou extremamente vulneráveis a invasores. Entre 2530 e 2450 a.C., a região foi dominada pelos elamitas procedentes do leste. Teve maiores conseqüências a invasão, pelo norte, dos acadianos, cujo rei Sargão de Acad integrou a Suméria a seu império.

Sargão conseguiu ainda submeter os elamitas, antes de lançar-se à conquista das terras ocidentais, até a costa síria do Mediterrâneo. Criou assim um modelo unificado de governo que influenciou todas as civilizações posteriores do Oriente Médio. Sua dinastia governou aproximadamente entre 2350 e 2250 a.C. Após o declínio da dinastia acadiana, por volta do ano 2150 a.C. o território foi invadido e devastado pelos gútios, povo semibárbaro originário dos montes Zagros, a leste da Mesopotâmia. Graças à reação do rei de Uruk, que expulsou os invasores, as cidades ficaram novamente independentes.

O ponto alto dessa era final da civilização suméria foi o reinado da terceira dinastia de Ur, cujo primeiro rei, Ur-Nammu, publicou o mais antigo código legal encontrado na Mesopotâmia. Depois de 1900 a.C., quando os amorritas conquistaram todo o território mesopotâmico, os sumérios perderam sua identidade como povo, mas a cultura suméria foi assimilada pelos sucessores semitas. A escrita cuneiforme surgiu na Mesopotâmia, no terceiro milênio anterior à era cristã.

Escrevia-se sobre tábulas de argila, com estiletes de bambu. Depois, a tábula era endurecida ao sol ou em fornos.

Graças a essa escrita, decifrada por lingüistas e arqueólogos, foi possível conhecer inúmeros aspectos da vida, religião e instituições da Suméria. Os sumérios possuíam uma rica literatura, que incluía poemas, epopéias, hinos, lamentações, provérbios etc. A criação poética mais notável foi o Gilgamesh, ao qual se somam os mitos de Tamuz e da deusa Nanai Ishtar de Uruk, do pastor Etana, do herói Adapa etc.

Os templos e edifícios, em geral feitos de tijolos crus e cozidos, não se conservaram, pois os materiais empregados não resistiram ao passar dos séculos. Em compensação, além das tábulas, conservaram-se estelas e cilindros gravados, que eram utilizados como selos, além de esculturas em pedra.

Os sumérios trabalhavam o bronze, o cobre, o ouro e a prata.

Fonte: gpua.v10.com.br

Civilização Suméria

Os sumérios - as origens da civilização (5000 aC - 1750 aC)

I) INTRODUÇÃO

Gilgamesh matou o leão. O rei sumério Gilgamesh está intimamente relacionado com o pós-cheias.

Então, quem são os sumérios? Quais são suas origens? Aqui estão duas questões que poderíamos começar esta discussão sobre os sumérios. Na verdade, devemos reconhecer que muitas pessoas sobre este mistério permanece. No entanto, é importante ter uma idéia relativamente preciso da história desta civilização, se levarmos em conta o fato de que Abraão é precisamente do país de Sumer (Ur). Ele, portanto, sabia que a civilização. Lembre-se que a datação mais comum de Abraham 1900av JC. Esta data é certamente o declínio deste povo, mas, a verdade é que sua história e cultura, provavelmente marcou a Abraão mais jovem.

Além disso, os mitos dos sumérios está sendo enviado a Babilônia 'descendentes', o peso do legado da Suméria foi sentido sobre os israelitas, pelo menos até sexta aC, quando o elites do Reino de Judá - a parte sul de Israel - foi exilado para a Babilônia pelo rei Nabucodonosor da Babilônia. Os estudiosos também concorda em dizer que os primeiros onze capítulos do Gênesis transmitir as lendas e histórias desta civilização suméria, babilônica, além de o conceito de monoteísmo, é claro.

Finalmente, note que a influência suméria sobre o povo hebreu não impediu Abraão também pelo seguinte motivo: os avanços tecnológicos muitas que os habitantes da Suméria são os autores, toda a Mesopotâmia, e apesar de além, que está em dívida com a civilização. O legado sumério também será uma parte deste trabalho dedicado a este povo.

II) UM POUCO DE GEOGRAFIA

A história dos sumérios é inseparável da entidade geográfica que é conhecido sob o nome "Mesopotâmia".

Esta região, que se estende do Golfo Pérsico, no sul para o Mar Mediterrâneo ao norte (= atual Iraque, aproximadamente), é geralmente dividido em três partes:

Norte da Mesopotâmia e Alta Mesopotâmia (= norte)
Central Mesopotâmia (centro =)
Inferior ou sul da Mesopotâmia Mesopotâmia (= sul)

Esta divisão geográfica é importante, na medida em que facilita a identificação de várias civilizações que estavam na Mesopotâmia.

No nosso caso norte da Mesopotâmia é de pouco interesse. Ela terá um papel a desempenhar, especialmente com a entrada em cena dos assírios, muito mais tarde.

As outras duas partes da Mesopotâmia teve um papel no início da história da região. Assim, a Mesopotâmia central é o lugar onde a civilização se desenvolveu o chamado "acadiano". Este povo, cuja capital foi, provavelmente, Akkad viveu na fronteira entre a Mesopotâmia central e sul da Mesopotâmia. Os acádios foram submetidos a um desenvolvimento mais tarde que os sumérios.

Quanto aos sumérios, eles foram os primeiros a ocupar a Mesopotâmia. Eles colonizaram a parte sul.

Esta parte também deu seu nome aos sumérios.

De fato, na história antiga, também chamada de Mesopotâmia Inferior: "a terra da Suméria".

III) ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ECONÔMICO DOS SUMÉRIOS

O que caracteriza a política suméria, sua organização é "o grego". Na verdade, a Grécia como muito mais tarde antiga, a terra da Suméria foi dividida em zonas de influência sendo estruturadas em torno de algumas cidades de luzes, como Ur, Eridu, Lagash, etc ... Assim, suméria sociedade refletida uma organização onde aldeias foram concentradas em torno das cidades maiores. Estes grupos eram zonas de influência ou cidades-estados.

Cada cidade tinha seu próprio zigurate. Continha escritórios do governo, e um templo. Este último estava no andar de cima, ou seja, a maior plataforma do zigurate.

Geralmente, essas cidades eram dirigidas por um conselho de senadores e soldados. Este conselho era dirigido por um chefe. Ele também atuou como principal sacerdote. Mais tarde na história da Suméria, esses líderes se tornar reis que serão considerados como vice-regentes do deus principal da cidade.

Na verdade, não foi até a ascensão política dos acádios para BC 2300av que o controle centralizado da região é generalizada. É quando a noção de império emergirão.

Quanto à economia suméria, se baseou em um sistema de tributação das aldeias, segundo seu excedente agrícola. Este imposto foi criado para ajudar as classes dominantes das cidades em seu programa de obras públicas, particularmente os dedicados à irrigação.

IV) PATRIÔNIOO DOS SUMÉRIOS

1- É talvez por seus mitos de criação do mundo eo nascimento da civilização suméria, que são mais conhecidos. Eles devem, por exemplo, a idéia de uma época heróica, quando a perfeição humana deixaria espaço para a fragilidade humana, a fragilidade que poderia até mesmo levar ao fracasso.
A maior contribuição outro cultural deste povo em termos de mitos é, sem dúvida, o conceito de dilúvio universal.
Todas estas histórias, como foi dito acima, foram incluídos na Bíblia ao ser adaptado ao monoteísmo.
2 -
Os sumérios também legou à humanidade os conceitos de vida governo, a lei e urbana.
3 -
Devem também astronômico e sistema matemático que permitiu dividir o tempo eo espaço em graus que viria a levar a nossas horas, nossos minutos e as nossas unidades de medida linear.
4 -
Não esqueça o desenvolvimento da cerâmica e da roda para o transporte. Esses dois saltos para a frente nas áreas da vida diária são de fato de origem suméria.
5 - E, finalmente, como podemos ignorar a excelência da grande invenção sumeriana:
"Escrever".

V) E finalmente,como o PATRIMÔNIO SUMÉRIOS POR EXCELÊNCIA: "Escrita"

A) Introdução:

A língua suméria pode ser comparado com qualquer outro idioma conhecido. Eles não podiam entendê-la e traduzi-lo recorrendo a este traduções de idiomas em outras línguas que foram conhecidos por nós, um pouco como o egípcio. Assim, é por traduções acadiano que foram feitas na antiga Babilônia por alguns estudiosos que se tornou possível para os alunos a traduzir suméria moderna. Na verdade, era muito mais fácil entender o acadiano, uma vez que esta língua era semítica, e, portanto, foi semelhante ao hebraico e árabe.

De qualquer forma, o gênio da Suméria foi expressa vividamente na invenção da escrita. E lá, a influência suméria durou vários milênios. Apenas com o desaparecimento final do sistema de escrita cuneiforme em BC 1ersiècle que pode ser considerado influência direta na Suméria escrever finalmente acabou. Na frase anterior, a palavra "direta" é destaque por causa da influência da escrita suméria ainda é sentida hoje, se você acha que algumas das nossas cartas estão apenas mudando mais ou menos distante do original sumério, para ser convencido basta dar uma olhada na figura contra.

B) A história da Suméria e sua escrita:

Os exemplos mais antigos de escrita suméria data de cerca de AD 3000av (proto-late-literários). Na escrita suméria primeiro era uma espécie de símbolo, um pouco como hieróglifos egípcios. Gradualmente, o projeto deu lugar à abstração para dar a escrita cuneiforme, que desde que se tornou em as mentes de muitas pessoas, sinônimo de sumério.

Os primeiros exemplos da escrita suméria eram apenas contábil, servindo apenas um lembrete escrito para lembrar as suas contas (o número de rebanhos, a quantidade de trigo, etc ...). Os sinais foram seccionadas ou "impressos" em tabletes de argila que tinha sido previamente molhadas antes de serem secos. Em relação a estes comprimidos, normalmente encontrada perto das incisões simplificados desenho do objeto ou animal contados.

Escribas posteriores abreviadas e stylisèrent simplifièrent sinais de desenhos, que, ao longo de várias gerações, resultando em impressões associação abstrata cuneiformes: o cuneiforme suméria nasceu! Com esta simplificação da escrita e sua evolução para a velocidade, flexibilidade e racionalização, o conteúdo do sumério escritos complexifia e, naturalmente, levou ao surgimento de escritos históricos. Obviamente, esses documentos não estavam tão preocupados em manter a precisão histórica, em vez disseram as façanhas de heróis e deuses na forma de épicos sumérios.

Já em torno de 2300 aC, suméria tinha deixado de ser a língua predominante na Mesopotâmia. Acadiano tinham retomado. Até o final do período chamado de "proto-literária", havia emprestado a escrita suméria e acadiana foi adaptado à sua língua semítica muito diferente da Suméria.

Em 2000 aC, Suméria já não era falado. Acádio, assírio e babilônico, tinha substituído permanentemente. Suméria foi, no entanto, continuar a ser a língua da religião, ciência, negócios e direito por muitos séculos mais. Abraão, JC 1900av, provavelmente já esteve em contato, de uma forma ou de outra com o sumério.

Pensa-se que o sumério como uma linguagem literária, estava em uso, até ao desaparecimento final de escrita cuneiforme.

Fonte: home.nordnet.fr

Civilização Suméria

Ninlil

Ninlil é uma deusa suméria, e seu nome significa Deusa do Ar/Ventos, é um título honorífico para complementar o de Enlil, seu consorte e o mais poderoso dos deuses mesopotâmicos, o deus dos Ares/Ventos. O nome original de Ninlil é Sud, de acordo com Gwendolyn Leick (A Dictionary of Ancient Near Eastern Mythology Routledge, 1991), e o mito Enlil e Sud descreve como tal título lhe foi conferido quando no dia de seu casamento com Enlil. Ninlil é a parceira e companheira de alma de Enlil, o primogênito de Anu (Firmamento) e Ninhursag-Ki (Terra), os pais de todos os deuses da Mesopotâmia. Como a esposa de Enlil, ela é adorada desde o Antigo Período Sumério, sendo que muitas oferendas a ela também são datadas do período de Terceira Dinastia de Ur.

A mãe de Ninlil é Ninshebargunu, deusa de Eresh, uma antiga deusa da agricultura, e seu pai, Haia, o deus dos armazéns de estocagem. Ninlil também pode ser explicitamente identificada com a deusa dos cereais Ashnan, bem como Nintur ou Ninhursag-Ki, a Grande Deusa Mãe e Terra Fértil dos sumérios.

Segundo Frymer-Kensky, a identificação de Ninlil com a Grande Deusa Mãe Ninhursag-Ki desempenha diversos fins teológicos que devem ser considerados na evolução da imagem do Divino Feminino rumo ao patriarcado. Ninursag, originalmente separada de Ninlil, faz parte da tríade dos grandes deuses, ou seja, Anu, o Firmamento, Enlil (Ares/Ventos) e Ninhursag (Terra Fértil em todos os sentidos, a Criadora do Mundo Físico e dos Homens e Mulheres também).

A identificação de Ninlil com Ninhursag eleva Ninlil à companhia dos grandes deuses, ao mesmo tempo que faz diminuir a importância de Ninhursag per se. É desta forma que Ninhursag é trazida de forma completa ao círculo familiar de Enlil, o deus de Nippur e o chefe do poder divino executivo do conselho dos deuses do panteão nacional, desta forma aumentando o poder de Enlil. Além do mais, este fato faz com que a poderosa deusa-mãe seja situada dentro da casa de Enlil, ou seja, um espaço dominado pelo deus, diminuindo a autoridade de Ninhursag.

Esta realidade é traduzida na declaração que encontramos nos mitos onde Ninlil aparece, que dizem que o poder da jovem consorte e rainha deve-se ao seu esposo Enlil e a seu filho Ninurta. Como no caso de outros mitos mesopotâmicos, o que podemos ler da realidade embutida nele é que a mãe para os sumérios detinha considerável poder na vida de seus filhos, mas que também ela era a esposa, cuja identidade principal era fornecida pelo esposo, uma vez que o casamento é que conferia status e poder. Isto quer dizer que o poder imenso de Ninhursag-Ki começa a diminuir, e que estamos lentamente avançando na direção do nascimento do patriarcado que irá marcar até hoje as crenças religiosas de nossos tempos.

Os filhos queridos de Ninlil são Ninurta, o deus fazendeiro tornado guerreiro e metalurgista, Nana-Sin, o deus da Lua e Nergal, o deus da Guerra, das Doenças e Juiz na Mansão dos Mortos. Nos textos onde aparece principalmente como mãe, ela é venerada por seus filhos. A maior parte dos textos que lidam com Ninlil, entretanto, concentram-se em sua relação com Enlil, enfatizando o grau de poder e influência da deusa como consorte e rainha. O casal administra em conjunto os ME, ou Poderes do Céu e da Terra, que foram concebidos pelos dois, sendo que tais privilégios passam depois primeiro para Enki, deus das águas doces, mágica e das artes, e a seguir para Inana, deusa do amor e da guerra. Durante o período Babilônico Anterior, vários hinos e preces foram escritos, onde o suplicante busca através de Ninlil obter as graças de Enlil. Na Assíria, ela é esposa de Assur, o deus nacional, e seu animal sagrado é o leão.

O mais importante mito que envolve Enlil and Ninlil diz respeito à Concepção de Nana, o deus da Lua. Este também é um mito sobre dois deuses adolescentes, que devem amadurecer para poderem se amar e se respeitar mutuamente.

O mito começa quando Enlil se apaixona à primeira vista por Ninlil, e, impetuoso, força que ela seja dele. Ambos são inexperientes e imaturos. Ninli, agora grávida com o primeiro filho do poderoso jovem deus, leva Enlil a julgamento frente à assembléia dos deuses, para que Enlil pague pelo crime que cometeu contra ela e a organização social como um todo.

Este fato é de tremenda importância: uma jovem deusa, que foi violentada, exige justiça para si e para o bebê que carrega dentro de si. Duvido que exista exemplo semelhante de autoconfiança feminina em mitos e religiões conhecidas.

Enlil é condenado à Mansão dos Mortos e o mito cresce em profundidade e intensidade. Ninlil permite que Enlil seja castigado, mas logo em seguida parte também para a Mansão dos Mortos, buscando resgatar seu amado teimoso e violento.

Note bem: Ninlil quer que Enlil seja punido, Enlil não escapa ao julgamento. Mas daí começa a mais apaixonada de todas as grandes histórias de descida à Mansão dos Mortos que tenho notícia. Pois Ninlil e Enlil se encontram novamente na Mansão dos Mortos, Enlil disfarçado, tendo que suplicar amor à Ninlil. E ela, tendo de aceitá-lo em disfarce, tendo de ver o deus no homem e assim crescer na estima do jovem deus.

Três vezes eles se encontram na Mansão dos Mortos, três vezes Enlil e Ninlil fazem amor. Isto quer dizer que Ninlil recebe mais três óvulos fecundados por Enlil em seu útero. Isto significa que ela será a mãe de outros três importantes deuses da Mesopotâmia, Nergal, Ninghizida e Ninazu. Ao final deste mito, jovem deus e deusa retornam para as Alturas, formando um dos mais apaixonados casais na mitologia e religião mesopotâmica.

As interpretações deste mito encontradas na literatura infelizmente concentram-se em estereótipos patriarcais. Cito dois exemplos dentre muitos aqui, ou seja, de que Ninlil se autoafirma ao se referir à sua gravidez (Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamina Literature), ou Jacobsen (The Treasures of Darkness), cuja análise se concentra na figura de Enlil como o perpetrador do crime de abuso sexual. Creio que há mais neste mito do que o implícito nestas duas análises.

O que Ninlil quer realmente em primeiro lugar, e este é um fato difícil de ser engolido por agendas patriarcais, é justiça para ela mesma, para o bebê que ela carrega agora no ventre e para Enlil. Em segundo lugar, ele quer um futuro e o resgate de sua dignidade. Ninlil é, de fato, a Noiva Vingadora, a garota que teve de enfrentar a bancarrota de seus sonhos de romance para entender a humanidade do maior dos jovens deuses, e desta forma crescer para se transformar na Amada e Consorte de Enlil em todos os níveis e esferas. Enlil, por outro lado, Beloved and Soul Counterpart of Enlil in all levels and spheres. Enlil, on the other hand, had to swallow his pride and beg for Ninlil´s affection, a test of great humility for the proudest of all Mesopotamian gods.

Tentar apreender o significado completo deste poderoso mito é mergulhar nos valores de uma civilização que respeitava as leis do equilíbrio e da justiça, que protegia a chegada das novas gerações e que de forma alguma compactuava com os atos errados da parte dos mais altos representantes da sociedade. Além do mais, esta era uma civilização que ouvia seus jovens membros, principalmente donzelas, além de ser uma civilização onde era possível para uma jovem inexperiente vencer por si mesma e conquistar lugar de igual importância ao lado de seu consorte, no caso, como esposa de Enlil, o maior dos jovens deuses da Mesopotâmia.

Quais são os ensinamentos incluídos neste mito? O amor e a responsabilidade caminham de mãos dadas, que Enlil e Ninlil tinham de ir além das idéias e sonhos que tinham de como deveriam se comportar com relação um ao outro e desta forma

Qual é o ensinamento contido neste mito? Que o amor e a responsabilidade devem andar de mãos dadas, que tanto Enlil quanto Ninlil têm de ir além de seus sonhos e idéias de como devem-se relacionar um com o outro, e desta forma tentar encontrar dentro de si mesmos tenacidade e autoconfiança a fim de conquistarem o coração e a alma um do outro. Ninlil queria, inicialmente, ser cortejada pelo mais orgulhoso de todos os jovens deuses, mas não sabia como se valorizar, enquanto que Enlil foi impetuoso e violento, ambas características juvenis. Tanto Enlil quanto Ninlil tinham de crescer para ficarem juntos como iguais.

Mas um não desistiu do outro, e ambos enfrentaram os maiores desafios para ficarem enfim juntos.

A composição Enlil e Sud também lida com Enlil e a futura Ninlil, mas este mio é um poema de amor cortês, onde Enlil encontra Sud e a corteja de forma adequada, seguindo todos os protocolos tradicionais ditados pela sociedade.

Três pontos devem ser levantados aqui com relação aos valores mesopotâmicos com relação à família:

A) textos legais mostram que a defloração, especialmente de uma garota livre, era uma séria ofensa, e em tempos sumérios, o criminoso deveria casar com a moça;
B)
a virgindade não parece ser a preocupação central, mas sim o bem-estar da garota e a proteção da geração futura. Não há sugestão qualquer de que Ninlil seja depreciada ou condenada pelos seus atos, ou que ela tenha trazido vergonha para sua família. Muito antes pelo contrário: é Enlil, o mais poderoso e orgulhoso dos jovens deuses que sofre todas as críticas e que deve assumir todas as culpas.
C)
parece claro também que os Sumérios consideravam que jovens adolescentes podiam ser vulneráveis à sedução masculina, mas que era também a obrigação do sedutor e da sociedade intervirem com vigor com seus protocolos a favor do casamento e da prole, contra o adultério e a impetuosidade juvenil.

É com grande prazer que viramos a mesa, neste momento, para aqueles que pensam a Babilônia ser um antro de depravações e vícios. Os fatos, como demonstrados neste grande mito, mostram-nos uma sociedade onde os valores familiares eram uma constante, o respeito a leis sempre estando em primeiro lugar.

Deve-se ressaltar o fato de que não havia adultério na Mesopotâmia e que os deuses e deusas principais do panteão tinham seu/sua consorte, um contraste enorme com outras tradições clássicas, como a Greco-Romana. De fato, à luz da evidência direta do cuneiforme, podemos afirmar que os Mesopotâmicos cultivavam valores profundamente conservadores em termos de família e crianças.

É importante salientar, conforme Frymer-Kensky em In the Wake of the Goddesses (1992, Fawcett-Columbine, New York) que como a esposa de Enlil e mãe de três dos grandes deuses da Mesopotâmia, Nergal, Ninurta e Ninazu, Ninlil não pode ser considerada como o modelo da esposa padrão da Mesopotâmia. Como seu nome indica, Ninlil é a esposa do mais poderoso dos jovens deuses, que compartilha com ela seu poder, sendo muitas vezes chamada de "Senhora e Rainha". O hino ao templo de Ninlil relate como ela e Enlil, durante o festival de Ano Novo, decretam os destinos no Ekur, o templo máximo de Enlil em Nippur. Como tal, Ninlil também é conselheira e juíza em questões legais de importância. Ela é quem "pondera, aconselha, e juntamente convosco (Enlil) toma grandes decisões". Portanto, longe de ser uma consorte insignificante, Ninlil é uma rainha augusta que exerce o poder juntamente com seu esposo, Enlil.

Ninlil é proeminente porque é a esposa do rei. Em tempos sumérios, as mulheres da realiza detinham poder considerável, tanto na corte como na esfera política, bem como na economia. Rainhas, esposas de governadores e princesas reais participavam ativamente na vida pública da Suméria. Estas mulheres viviam vidas bem diferentes das mulheres comuns. Desta forma, podemos afirmar com certeza que Ninlil é o paradigma ou arquétipo para mulheres de nobre estirpe.

Ninlil é uma imagem de força e sabedoria feminina válida para os nossos tempos. Nela, Enlil achou sua companheira, a Noiva Vingadora que aceitou o Deus Violento e Impetuoso de volta em sua vida para ficar, como esposo em perfeita igualdade. Deve-se salientar que como Rainha-Mãe de muitos deuses, Ninlil é adorada pelos seus poderosos filhos, sendo também Aquela para quem a humanidade pode se voltar para conselhos, ajuda e a concessão de pedidos e promessas. Frymer-Kensky chama Ninlil the "Esposa-Rainha", sem dúvida um título que Lhe cabe muito bem.

Namu

Namu é a primeira das Grandes Deusas-Mães e Criadora dos Sumérios. Seu nome é em geral escrito com o símbolo engur, que também é usado para escrever Apsu. Namu, portanto, personifica o poder das águas do mar e das férteis águas subterrâneas (Apsu), portanto sendo a fonte da vida e de toda fertilidade. Listas de deuses e textos descrevem-Na como a "Mãe que deu origem ao Céu e à Terra", "Mãe, a primeira, que deu à luz aos deuses e deusas e ao universe", "Mãe de tudo o que Existe". Ela é uma deusa sem consorte, matéria-prima de tudo o que existe, personificando o sexo feminino como aquele capaz de criar a vida espontaneamente, tal qual expresso num hino ao Seu templo situado em Eridu,"E-engurra, o útero da Abundância".

Samuel Noah Kramer (History begins at Sumer, 1981, the University of Pennsylvannia Press, Philadelphia) faz-nos as seguintes observações a respeito de Namu:

" primeiro havia o mar primordial. Nada se sabe de sua origem ou nascimento, e parece ser provável que os Sumérios achavam que este mar havia existido eternamente" pg. 82

Thorkild Jacobsen (Treasures of Darkness. 1976, Yale University Press, New Haven, London) descreve Namu como a "deificação das margens dos rios" e das "terras férteis dos pantanais do Sul da Mesopotâmia".

Todas estas descrições podem ser resumidas da seguinte forma para o Sul de Mesopotâmia: a criação teve origem e foi executada pelo Divino Feminino, pela Deusa Namu, a partir das águas que simbolizavam fertilidade e abundância, sendo a existência da Deusa Namu algo eterno, desde todos os princípios.

Namu é portanto tão antiga quanto o começo da consciência na Mesopotâmia e tão eterna quanto a própria vida, que Nela teve origem.

Esta pode ser a razão por quê Ela quase não aparece nos textos que chegaram até nós: como a Mãe e Origem de toda Criação, Sua presença está em tudo o que existe, não precisando, desta forma, ser mencionada. Um(a) grande criador(a) é em geral reconhecido(a) por seus sucessores e obra, sendo de domínio público a sua contribuição.

Em mito e religião, Namu é a mãe de Enki, o deus da Mágica, das Águas Doces, das Artes e da Sabedoria, e de Ereshkigal, a deusa da Mansão dos Mortos.

Namu é também a deusa que tem a idéia de criar a humanidade, para que homens e mulheres auxiliem aos deuses nos árduos trabalhos da existência. Pensando assim, é Ela que vai acordar Enki, para que Ele, Ela e Ninhursag-Ki comecem juntos a conceber a série de operações que irá culminar na criação dos homens e mulheres, segundo os sumérios. .

Em termos históricos, Namu pode provavelmente Ter sido adorada em Eridu antes de Enki, que tomou a maior parte de Suas prerrogativas e funções. Apesar de seu declínio com a ascenção de Enki no panteão dos deuses, durante o período Neo-Sumério, pelo menos em Ur, o culto a Namu era importante, estátuas sendo comissionadas em Sua honra. O nome de Namu faz parte de muitas listas de famílias importantes, como no caso de Urnamu, que é o nome do rei fundador do período da Terceira Dinastia de Ur, uma das mais importantes e progressistas fases da história da Mesopotâmia.

Ningal e Nana

O culto de Ningal e Nana era comum durante a Terceira Dinastia de Ur.

Mito que contém uma lição de moral para jovens enamorados: a sexualidade deve ser praticada em termos ideais dentro do contexto do matrimonio. Um dos aspectos mais interessantes da Mesopotâmia é que apesar de ser permitida alguma liberdade para os jovens se encontrarem antes do casamento, ‘ não existe promiscuidade ou adultério entre os casais de deuses e deusas formadores do panteon mesopotâmico, ao contrario do que ocorre na literatura grega’ (Leick, 1994:35). Ningal aqui é chamada de Deusa da Interpretação dos Sonhos, conforme Leick (1991).

Quando Nana, o deus da Lua, o primogênito de Enlil e Ninlil, deus e deusa do Ar, apareceu nos céus, o jovem deus que era a Tocha brilhante de seu avô Anu, o deus do Firmamento, ao se renovar e iluminar a luz difusa dos primeiros tempos da criação, trouxe consigo o Tempo, a medida cósmica que permite a contemplação da Eternidade através dos pequenos e grandes acontecimentos que dão significado às nossas vidas. Pois à medida em que Nana se movia pelos céus da noite, mudando de brilho crescente a decrescente, para crescer e decrescer de novo, as portas do céu se abriam para deixar passar dias e noites, meses e anos.

E maravilha das maravilhas, a passagem de Nana fazia com que a vida entrasse em perfeita sincronia com o seu brilho de prata: as marés, a ida e vinda das enchentes da primavera para renovar a fertilidade da terra, o crescimento dos juncos, o respirar das plantas, a abundância de leite, queijo e creme dos rebanhos, e mais do que tudo, no sangue sagrado de todas as mulheres.

Portanto, Nana, a Lua era ao mesmo tempo jovem e velho, trazendo descanso para a terra e os seres vivos, sonhos e todas as fantasias. Amado por muitos, igualmente temido por outros tantos, o brilho da lua fazia tudo igualmente próximo e longínquo, tão perto e ao mesmo misteriosamente remoto. Sua era uma estranheza tanto intima quanto assustadora, pois a chegada de Nana trazia doces sonhos ou fantasias esquisitas durante o sono. Mas se se quisesse ficar acordado e fazer companhia ao Senhor da Lua ao longo das horas pequenas da noite, Nana também concedia vigilância e iluminação para o estudante diligente dos mistérios da alma. Uma destas estudantes era uma jovem deusa Anunaki chamada Ningal.

A jovem Ningal vivia na região dos pântanos, nas proximidades da antiga povoação de Eridu. Ningal era a filha adorada de Ningikuga, a Deusa dos Juncos e de Enki, o deus das águas doces, da mágica e das artes. Esbelta, de longos cabelos negros e olhos mais escuros do que noite sem luar, Ningal era quieta apenas na aparência. Dentro, ela era dona de uma intensidade profunda e sensual, bem como tinha o dom de revelar a linguagem do desconhecido contida em imagens, lendas antigas, na poesia e, mais do que tudo, em sonhos. Ela era naturalmente espontânea mas reservada. Interpretar sonhos, saber a linguagem de imagens lindas e bizarras, não era um dom fácil de se ter ou compartilhar.

Por quê, pode-se muito bem perguntar? Simplesmente porque sonhos expressam em imagens o tecer interior da vida através de símbolos, assim como também mostram o reverso secreto que o exterior de nossas vidas tenta esconder ou não quer ver. Ningal havia aprendido, muitas vezes da forma mais difícil, que para achar o verdadeiro significado de um sonho, era necessário manter o equilíbrio entre as imagens exteriores que ela recebia, e daí levar em consideração três pontos importantes. Primeiro, era preciso saber se estas imagens eram parte da Memória da Terra desde o inicio dos tempos ou não. Segundo, era necessário ver se as imagens recebidas faziam parte do conhecido ou do desconhecido para ela, e terceiro, tentar entender a linguagem cifrada das imagens do sonho, para poder encontrar dentro delas as pistas para cura e compleitudo contidas nos sonhos grandes e pequenos.

Sonhos eram professores exigentes e caprichosos: o conhecimento obtido através da interpretação deles trazia tanto riso quanto lagrimas, quando o entendimento subia às maiores alturas ou descia às profundezas como estrela cadente. No fundo, porém, Ningal sabia que apesar das lágrimas, ela não suportaria não saber, ou ignorar a essência da vida. E que talvez sabedoria para ela quisesse dizer o sorriso além das lágrimas.

Desde que Ningal podia se lembrar, no mundo mágico dos pântanos, onde ilhas surgem das águas do azul mais profundo margeadas por palmeiras, ela seguia a progressão de Nana pelos céus da noite. Uma sensação de maravilha, assombro e mistério tomava conta de Ningal sempre ela via o brilho da lua refletido nas águas e sentia todo impacto da passagem do Senhor do Brilho de Prata no seu corpo, nas suas mudanças de humor, dentro da alma. Mãe Ningikuga balançava a cabeça, mas nada dizia. Ela, a sábia Deusa dos Juncos, a Soberana dos Pântanos, a grande amiga de Enki e diligente Tecelã que ensinou à humanidade a arte de tecer juncos para a construção dos primeiros templos e casas construídos pelo homem na Mesopotâmia, sabia o que a timidez natural da donzela ainda não podia revelar. Ningal tinha-se apaixonado por Nana. Ningikuga, portanto, apenas cuidava de Ningal, respeitava o silencio da donzela. Logo, tinha certeza, Ningal iria amadurecer como deusa e donzela da Casa Sagrada dos Anunaki. Então ela saberia escolher o desejado de seu coração, cantar para ele uma canção de noiva.

As Canções de Noiva falavam a respeito do desejo da donzela pelo amado, seu desejo de ir ao seu encontro, e da antecipação do prazer sexual compartilhado no Rito do Casamento Sagrado. Ningikuga sabia que logo Ningal iria amadurecer como mulher. Então ela iria saber quem escolher, e anunciaria a escolha de seu coração numa canção de amor para o amado. Este jovem seria Nana, porém?

A Lua teve de completar outro ciclo ao longo das estações até que finalmente Ningal encontrasse a sua voz para se dirigir ao amado pela primeira vez. Então, uma noite, quando Nana apareceu nos céus anunciando o começo da primavera, Ningal sentiu finalmente que podia cantar para Nana a canção do seu coração, o desejo do seu corpo e o anseio da sua alma. Será que ele iria aceitá-la? Ningal não tinha certeza, mas com surpresa e alegria percebeu que ela esperava, mas não sofria, por Nana.

"Conhecendo Sonhos como conheço," ela constatou simplesmente para si mesma," apesar de esperar que Nana seja realmente o profundo desejo da minha lama, será que ele vai ser também a delícia do meu dia-a-dia, o meu Companheiro dos Mistérios da Vida? Mas sem antes encontrá-lo, como poderei saber se ele é realmente o Amado, e não um Potencial Não Realizado?"

No fundo, Ningal sabia, porém, que como o leão queria apenas a sua aveludada e feroz fêmea, como o tigre só se deita com a sua tigresa, ela sonhava fazer dos braços de Nana o seu ninho, se ele se rendesse às suas carícias.

Pois então ela cantou:

Salve, Nana, é Ningal que chama / Salve, Nana, da noite o esplendor! / Bem-vindo seja, ao mundo em que eu vivo / Oh sonho mais querido, desejo abrasador. / Vem para mim, pois quero te encontrar. / Te conhecer, para saber te amar. / Será você o senhor do meu desejo? / Grande abraço pra meu beijo? / O meu grande amor?

Naquela noite, no começo da primavera, Nana olhou para a região dos pântanos, pois havia escutado uma canção, a canção de Ningal. O Deus da Lua ouviu a voz da donzela, viu a face de Ningal voltada para os céus, sorrindo para ele. Nana estremeceu, pois em Ningal ele reconhecia a delícia de um Sonho profundo tornado realidade. Pois tanto quanto ele podia-se lembrar, uma donzela tinha sido a Companheira Silenciosa das suas jornadas noturnas, sempre retornando para cativá-lo a cada noite, no decorrer de todas as estações. Os olhos dela, escuros e enigmáticos, sua beleza a um tempo cultivada, vivaz e silvestre tinha atraído o interesse do filho de Enlil e príncipe dos jovens deuses, desafiando-o com perguntas silenciosas e promessas mil, mesmo sem falar. Nana viu Ningal e amou-a mais do que qualquer outra.

Desejo tão grande pela jovem deusa sentiu o Deus da Lua que imediata e impetuosamente ele desceu dos céus para ir encontrá-la na terra e lhe perguntar:

Ningal, companheira silenciosa da minha alma que vagueia pelo espaço, as horas da noite estão chegando ao fim, e logo terei de desaparecer, para voltar apenas na noite que vêm. Mas antes de te deixar, eu suplico que ouça o mais humilde e cortês pedido daquele que apenas ser teu melhor amigo, dos amantes, o mais querido. Senhora do meu coração, espelho da minha alma, agora que te encontrei, meu sangue canta, meu coração bate, minha cabeça se enche de imagens maravilhosas, todas vindas de ti! Mal posso esperar para ter-te em meus braços e compartilhar contigo todas as delícias de nossos corpos! Portanto, Ningal, se me amares de verdade, tanto quanto eu sinto que te amo, eu te suplico que venha até mim amanhã na lagoa, próxima aos Grandes Pântanos. Oh, senhora do meu coração, não tenha medo da escuridão, pois minha luz irá te guiar. Nada e ninguém irá te causar tristeza ou dor, mas para assegurar a tua salvaguarda, corta alguns juncos e usa-os para abrir teus caminhos até mim. Eu trarei ovos de pássaros para comermos, nós beberemos das águas límpidas da lagoa. Oh, minha doce senhora, por que esperar pelo tempo certo para nos encontrarmos em público num dos próximos eventos, por que esperar tanto pelos ritos do casamento? Amada, vem para mim, mas em segredo, para não causarmos transtornos as nossas famílias, para os mais velhos deuses e deusas desta terra, que querem os costumes sagrados seguidos ã risca, em todos os momentos! Se realmente me amares, Ningal, como eu estou te amando, vem amanhã me encontrar, e faremos nossos melhores sonhos verdade pela primeira de muitas outras vezes!

Tomada de surpresa, mas cheia de alegria, Ningal não pensou duas vezes:

Como tu vieste hoje até mim, adorado, com certeza amanhã irei até ti. Tu és realmente o desejo do meu coração: não posso fugir ou recusar teu convite. Oh, meu doce senhor, tenho sonhado contigo por tanto tempo! Por que então devo eu, ou devemos nós esperar pelo tempo certo para nos encontrarmos, aguardar a demora dos ritos do casamento, ao invés de termos para nos dois, já, estes momentos?

Confiante na forca de ser muito amada, Ningal fez exatamente o que Nana tinha-lhe pedido, nada contando a Ningikuga sobre seu encontro com o Deus da Lua, e o outro, a caminho. Realmente, Nana tinha razão. De outra forma, levaria muito mais tempo para ambos se encontrarem, sem a companhia de amigos, irmãos ou de ambas as famílias. De acordo com os ritos antigos, não somente o jovem casal deveria se amar, mas também ambas as famílias deveriam se dar bem.

Para encontrar Nana, Ningal passou o dia na mais alegre expectativa, fazendo cuidadosos preparativos. Para ele, ela se banhou; para ele, ela passou óleos caros no corpo; para dar-lhe o prazer de vê-la bonita, Ningal vestiu-se com suas melhores roupas e adornos.

Intrigada, os olhos de Ningikuga seguiram os preparativos cuidadosos de Ningal. Ningikuga ergueu uma sobrancelha inquisidora, abriu a boca uma ou duas vezes para fazer algumas perguntas, mas calou-se, resolvendo não dizer palavra alguma, não tecer qualquer comentário ate’ ser mais esclarecida sobre o que estava acontecendo com Ningal.

Mamãe está me observando com tanta atenção, será que ela sabe de alguma coisa, percebeu que algo mudou?’ Perguntou-se Ningal. ‘ Talvez ela tenha percebido, mas não lhe direi nada por ora. Mamãe e’ tão correta, gosta das coisas tão organizadas e duradouras, que se eu lhe falar alguma coisa sobre Nana, ela certamente não me deixará ir até’ ele hoje à noite. Ou amanhã ou depois de amanhã, se não seguirmos ao pé da letra os costumes sagrados. Isto quer dizer simplesmente que eu só poderei encontrar o meu amor no próximo grande festival, que esta’ a semanas de distancia! Mil desculpas, mamãe, mas desta vez eu terei a palavra final sobre esta questão!

Naquela noite, quando deixou a casa de juncos , Nigal brilhava tanto quanto a lua cheia. Igualmente tão lindo quanto ela, o Deus da Lua veio em seu maior fulgor, e com todo respeito, carinho e maior das cortesias, tal qual o príncipe herdeiro dos grandes deuses ao cortejar a alta sacerdotisa antes do casamento sagrado. Eles se encontraram em segredo, mas amaram à luz das estrelas, a céu aberto, muitas e muitas vezes ao longo de toda aquela noite e mais. Pois noite após noite, durante aquela quinzena, até o dia em que Nana deveria partir para iluminar o Mundo Subterrâneo, o Deus da Lua e a Deusa da Interpretação dos Sonhos se encontraram para se amar.

Finalmente, veio a última noite antes do retorno de Nana para iluminar as Grandes Profundezas.

Após festejarem com alegria e reverência sua paixão, nos momentos depois do prazer compartilhado, Nana beijou Ningal e sussurrou nos cabelos dela o reconhecimento de um grande anseio que ele finalmente admitia para si e para ela:

Case comigo, Ningal, Tocha que brilha dentro de mim, luz que sempre iluminou a minha hora mais escura.

Alegria imensa encheu o coração de Ningal, mas o brilho de Nana estava rapidamente desaparecendo do Mundo Físico. Ningal sabia, porém, que ele estava brilhando mais do que nunca nas profundezas do Mundo Subterrâneo, dentro do seu coração, em cada célula de seu corpo e principalmente, dentro da sua alma.

Na tua volta, adorado, ela respondeu, falaremos neste assunto.

Mas em todos os mundos, nas Esferas Superiores, no Mundo Subterrâneo, no Mundo Físico, os grandes deuses, que tudo sabem, viram o pacto de amor secreto de Nana e Ningal. Eles, os Senhores do Equilíbrio de Todos os Mundos, aprovaram com alegria a escolha dos jovens amantes, mas ficaram intrigados pelo interesse deles em deixar em segredo uma felicidade que não deveria ser escondida. Havia também a impetuosidade de Nana por ter seduzido Ningal, convidando-a para encontra-lo nos pântanos, sem pedir licença para os pais dela ou mesmo comunicar tal intenção aos seus. De alguma forma o entusiasmo de Nana teinha de ser contido, pois ele deveria antes de mais nada fazer suas intenções a respeito de Ningal claras e honradas não apenas para ela, mas para todos os Anunaki. Os grandes deuses, os Anunaki, eram os guardiões da terra, os patronos da ordem e do equilíbrio, a sustentação moral e espiritual para todos os seres vivos. E o amor, sendo a Forca e Alegria da Vida, forma a Base da civilização, tendo portanto de ser protegido e atenciosamente preservado em todos os mundos. Juventude não constituía uma desculpa para irresponsabilidade no amor.

Então desta vez as trevas da noite duraram mais tempo, pois nuvens encheram os céus, escondendo o brilho da Lua Nova de Nana. Teria sido esta talvez a forma que os grandes deuses escolheram para fazer o impetuoso Nana revelar a todos o seu amor por Ningal?

Na região dos pântanos, Ningal olhava impacientemente para os céus da noite, mas manteve silencio sobre o desejo do seu coração. Ela sabia que Nana estava lá’ fora, alem das nuvens pesadas e escuras, e exerceu paciência para esperar pelo seu retorno.

Uma primeira, uma segunda e uma terceira noite sem luar se sucederam desde a Lua Nova. Nana, encoberto por nuvens densas e escuras, não podia ser visto em nenhum ponto dos céus.

"Amado, quando outra vez?" começou a se perguntar Ningal, dúvidas entrando no seu coração. Difícil ainda mais era ter de guardar o silencio só para si, não poder dividir suas preocupações com a mãe, que provavelmente teria algo para sugerir, ou dizer-lhe o que fazer para ver Nana mais uma vez.

Foi então que um forasteiro, trajando uma longa capa com um grande capuz, chegou ä casa de juncos de Ningikuga e Ningal.

Quando o estranho cruzou o limiar do portal da casa, saudando a donzela e sua mãe com a cortesia de um príncipe, como se ele mesmo fosse o filho de um dos grandes deuses, Ningal, com a intuição aguçada de amante, reconheceu o forasteiro por quem ele realmente era: Nana em disfarce. Seu coração deu um salto de alegria, cheio de antecipação, mas por causa do pacto de segredo por eles jurado, Ningal nada disse, esperando o desenrolar dos acontecimentos.

Depois ter-se alimentado e bebido, o viajante enumerou a Ningal e Ningikuga todos os produtos deliciosos que ele diligentemente havia reservado para a querida de seu coração, caso ela fosse encontrá-lo mais tarde aquela noite na região dos lagos. Ningal sentiu o calor subir ao rosto, e imediatamente seus olhos voaram para a face de, Ningikuga, que levantou uma sobrancelha interessada e começou a bombardear o viajante com perguntas sobre a sua jovem amada, se os pais de ambos já tinham combinado o enlace, se os presentes corretos já haviam sido trocados entre as famílias, enfim, perguntas sobre todos os detalhes que antecediam ao Casamento Sagrado dos jovens da Casa dos Anunaki.

Será que estou vendo bem, mas mamãe, sempre tão reservada com estranhos, hoje tem olhos risonhos e está toda falante com o estranho? Ningal se perguntou, entre curiosa e alarmada. ‘O jeito que mamãe olha para ele, as perguntas que está fazendo a um forasteiro a quem ela nunca viu.....’

Derepente, Ningal compreendeu tudo e seu rosto ficou ainda mais vermelho. Nada que acontece em todos os mundos não poderia ocorrer sem ser sabido pelos grandes deuses. Eles simplesmente tinham descoberto que ela e Nana haviam se encontrado para se amar.

Oh, Nana, nós somos uns bobos,’ ela se deu conta. ‘ Mas eu não irei mais para os pântanos ao teu encontro e esconder o que não pode e não tem razão de ser escondido. Desta vez, eu darei as cartas na nossa relação!’

Em voz alta, ela disse ao forasteiro, tendo encontrado uma nova força no amor que sentia por Nana, no seu poder de donzela e deusa ciente do seu poder de mulher, na confiança que tinha no ela e Nana poderiam construir juntos:

Mesmo se o senhor fosse Nana, o deus da Lua, o escolhido do meu coração e companheiro da minha alma, eu não iria ter consigo mais tarde, hoje à noite. Não até que Nana houvesse enchido os rios com as enchentes da primavera para assegurar a fertilidade da terra, não antes que ele tenha feito os grãos crescerem nos campos, que faça mais peixes nadarem nas águas das lagoas, ou cuide para que junco novo cresça nas margens dos rios, para que os animais da floresta, as plantas das áreas secas e vinho e mel sejam cultivados nos pomares dos palácios e nas terras deste povo. Então e apenas então, quando o Príncipe da Noite tiver provado que quer ser meu grande amor e protetor da agricultura e pecuária desta terra, no tempo e na estação certos, tendo cumprido os ritos sagrados, somente então eu deixarei os pântanos pelo palácio real de Ur. Só então ele e eu estaremos prontos para partilhar do trono e do leito da realeza, para sermos ambos Soberanos e Protetores daquela grande cidade e de toda esta terra.

Um silencio carregado de eletricidade seguiu as palavras de Ningal. Como a atenção da donzela estava totalmente no Estranho, Ningal não viu o sorriso de aprovação que brilhou como um facho de luz na face de Ningikuga ou a sobrancelha que a Deusa dos Juncos ergueu na direção de Nana. Como será que o impetuoso Senhor da Lua iria reagir as palavras de Ningal?

Nana recuperou-se da surpresa, riu e fez uma graciosa e profunda reverência para as duas deusas, dirigindo-se primeiro a Ningal:

Que o seu amado tenha prestado atenção às suas palavras sábias, gentil donzela, a primeira e única na alma do Deus da Lua. Você e’ realmente a futura Grande Deusa de Ur, consorte e esposa de Nana, a Tocha da Noite.

Ele dirigiu-se então para Ningikuga:

Os meus sinceros agradecimentos, Grande Senhora, pela hospitalidade, e peco-lhe humildemente desculpas por qualquer dano que minha impulsividade tenha causado.

A compostura, humor e alegria de Ningikuga davam gosto de se ver.

Todos os filhos e filhas da casa sagrada dos Anunaki são também meus filhos e filhas, ela respondeu com grande gentileza. Eu lhe desejo muita sorte, Estranho, na corte da sua Amada. Com a experiência e o amor de mãe, eu lhe recomendo, jovem senhor, amá-la profundamente, tratá-la como sua consorte e rainha. E quando chegar o momento adequado, conforme os ritos e costumes sagrados, não se esqueçam os DOIS de me participar do evento, de me enviar um convite para este tão lindo e esperado evento!

Dois rostos jovens mostraram tanta alegria quanto embaraço. Mas Ningikuga não se deu por achada, continuando firme na representação do papel de nada saber (afinal, ela não havia sido informada de nada,..), e em grande estilo, retirou-se para os seus aposentos, deixando toda a privacidade para Nana e Ningal.

Foi assim que a Deusa dos Sonhos prendeu pelo amor a impetuosa Tocha da Noite. Eles se casaram em Ur, ao final da primavera, quando os primeiros frutos e laticínios da terra estavam prontos para serem levados às mesas. Não mais sozinho, o Deus da Lua e sua adorada esposa tomaram um barco rumo a Nipur, para visitar Enlil e Ninlil, os pais de Nana. O Deus da Lua e Ningal carregaram o barco com as primeiras frutas da estação e os primeiros produtos do leite e dos rebanhos do ano. A cada porto ao longo do caminho até Nipur, Nana e Ningal deram e receberam presentes dos guardiões das cidades visitadas.

Mas o maior presente de todos Nana recebeu da Senhora de seus sonhos:

Nana, tocha maravilhosa que ilumina a minha vida, disse-lhe Ningal, dentro de mim carrego agora tuas sementes, nossos filhos da luz. Primeiro, darei à luz a uma menina. Ela terá o nome de Inana, a Primogênita do Deus da Lua, a Estrela Matutina e Vespertina, que será a grande Deusa do Amor e da Guerra, Amante e Amada unidos numa só alma. Sábia, apaixonada, sensual, vibrante, tudo isto e muito mais ela o será, a personificação do Amor, tanto espiritual, como físico e mental, ela será a Luz Interior que trará brilho, paixão, cura e compleitude a tudo e a todos em todos os mundos e esferas. E para dar a nossa filha um irmão, que ele seja uma criança de igual brilho exterior. Chamá-lo-ei de Utu, o Sol, Luz do Dia, que ira iluminar todos os mundos enquanto tu, meu amor, estiveres ausente.

Que todos portanto saibam que o Senhor da Luz de Prata que brilha na noite e a Deusa dos Sonhos, sua grande amada, darão ao mundo as estrelas celestes mais brilhantes para dar alma nova as vidas de todos os grandes deuses e da humanidade! È tendo assim declarado, que seja feito segundo a minha vontade!

Fonte: www.angelfire.com

Civilização Suméria

Algarismos na Civilização Suméria

De origem desconhecida (vinda provavelmente da Anatólia e chegada à Mesopotâmia por volta de 3300 a.C), a civilização Suméria é a mais antiga civilização.

No extremo sul da Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates (área onde posteriormente se desenvolveu a civilização Babilónica que hoje corresponde ao sul do Iraque, entre Bagdad e o Golfo Pérsico), aí floresceram cidades-estados (Ur, Eridu, Lagash, Uma, Adab, Kish, Sipar, Larak, Akshak, Nipur, Larsa e Bad-tibira)

A crescente rivalidade entre as cidades enfraqueceu esta civilização, tornando-a extremamente vunerável a invasores. Depois de 1900 a.C., após a conquista de todo o território mesopotâmio pelos amorritas, os sumérios perderam a sua identidade como povo, mas a sua cultura foi assimilada pelos sucessores semitas.

De entre os feitos desta civilização destacam-se a invenção da escrita cuneiforme (a mais antiga forma registada para representar sons da língua, em vez dos próprios objetos), os primeiros veículos sobre rodas e os primeiros tornos de cerâmica.

A escrita cuneiforme surgiu na Mesopotâmia por volta de 3000 a.C., sendo utilizadas para seu registo tábulas de argila e estiletes de bambu. Graças a esta escrita, decifrada no século XIX por linguístas e arqueólogos, foi possível conhecer inúmeros aspectos da vida, religião e instituições desta civilização.

O sistema sexagesimal

Na civilização suméria utilizavam-se dois sistemas de contagem diferentes: um na base 5 e outro na base 12.

A base 5 resumia-se à utilização dos dedos das mãos como processo de contagem, servindo-se de uma mão para contar e da outra como auxílio a contagens de maior dimensão, para "armazenar" a quantidade dos "cincos" contados.

A base 12 assentava na utilização das três falanges que compõe cada um dos dedos, usando o polegar como auxiliar de contagem (apoiava-se o polegar em cada uma das falanges, sendo assim possível a contagem até 12).

Na sequência de uma combinação entre os dois sistemas manuais de contagem, surge a base 60.

Esta nova técnica de contagem era praticada da seguinte maneira: na mão direita, contam-se as falanges, tal como na base 12, "guardando" o número de contagens na mão esquerda, assim como na base 5.

Esta é uma das muitas hipóteses que existem acerca da origem do sistema sexagesimal, sistema este que constituiu um dos maiores méritos da cultura suméria.

Civilização Suméria
Sistema de contagem sexagesimal

Mão esquerda: Contagem dos dedos, cada um valendo uma dúzia.
Mão direita:
Contagem das falanges pelo polegar oposto, cada.

É importante frisar que ainda é notório, na nossa cultura, a utilização deste sistema, quer por exemplo na expressão das medidas do tempo, em horas, minutos e segundos, ou a dos arcos e ângulos em graus, minutos e segundos.

A evolução gráfica dos algarismos

Os mais antigos algarismos conhecidos da história são representados através de marcas de baixo relevo que correspondem às diferentes classes de unidades consecutivas da numeração escrita suméria. Assim, a unidade era representada por um entalhe fino, a dezena por uma impressão circular de pequeno diâmetro, a sessentena por um entalhe grosso, o número 600 por um a combinação de dois algarismos precedentes, o número 3600 por uma grande impressão circular e o número 36.000 por essa última munida de uma pequena impressão circular.

Essa sequência era obtida da seguinte forma:

1
10
60=10×6
600=(10×6)×10
3600=(10×6×10)×6
36000=(10×6×10×6)×10

Cerca do século XXVII a. C., estes algarismos foram alterados, passando a estar dirigidos para a direita, em vez de estarem dirigidos para baixo, conforme ilustra a figura:

Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
1 10 60 600 3 600

36 000

Forma dos algarismos sumérios arcaicos após uma rotação de 90º

Com a evolução da escrita cuneiforme, estes algarismos voltaram ser a alterados, passando a ter formas diferentes: a unidade era representada por um pequeno prego vertical, a dezena por uma viga, a sessentena por um prego vertical de maior dimensão, o número 600 por um prego vertical do tipo precedente associada a uma viga, o 3600 por um polígono formado pela reunião de quatro pregos, o número 36000 por um polígono do tipo precedente, munido de uma viga e por fim o número 216000 combinando o polígono de 3600 com o prego da sessentena.

1 10 60 600 3 600 36 000 21 600  
ALGARISMOS ARCAICOS (conhecidos desde 3 200 - 3 100 a. C.) DISPOSIÇÃO VERTICAL
Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria  
DISPOSIÇÃO HORIZONTAL
Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria  
ALGARISMOS CUNEIFORMES (conhecidos ao menos desde o século XVII a. C.) Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
Evolução gráfica dos algarismos de origem suméria

 

O princípio da numeração escrita suméria

Com estes sistemas de representação de algarismos os sumérios conseguiam obter qualquer número, baseando-se no princípio aditivo e, repetindo as vezes necessárias em cada ordem de unidades um algarismo, obtinha-se o número pretendido. É de notar a preocupação que existia em agrupar os algarismos idênticos com o objetivo de facilitar a sua rápida visualização e compreensão.

 

Civilização SumériaCivilização SumériaCivilização Suméria 36 000 reproduzido 3 vezes = 36 000 × 3 = 108 000
Civilização SumériaCivilização SumériaCivilização SumériaCivilização Suméria 3 600 reproduzido 4 vezes = 3 600 × 4 = 14 400
Civilização SumériaCivilização SumériaCivilização Suméria 600 reproduzido 3 vezes = 600 × 3 = 1 800
Civilização Suméria 60 reproduzido 1 vez = 60 × 1 = 60
Civilização SumériaCivilização SumériaCivilização Suméria 10 reproduzido 3 vezes = 10 × 3 = 30
Civilização SumériaCivilização SumériaCivilização SumériaCivilização SumériaCivilização SumériaCivilização Suméria 1 reproduzido 6 vezes = 1 ×6 = 6
          124296
Representação do número 164571, com recurso aos algarismos arcaicos

 

Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
  30 8 60 50 7 180 40 1 240 40 1 120 10 9
4 38 117 221 281 139
Representação do número 800, com recurso aos algarismos cuneiformes

De forma a simplificar e evitar as desmedidas repetições de sinais idênticos, os escribas de Sumer usaram frequentemente o método subtrativo, escrevendo, por exemplo, os números 9, 18, 38, 57, 2360, 3110, da seguinte forma:

Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
10 - 1 20 - 2 40 - 2 60 - 3
9 18 38 57
Civilização Suméria Civilização Suméria
2 400 - 40 3 120 - 10
2360 3 110
O sinal Civilização Suméria ou Civilização Suméria era precisamente o equivalente ao nosso "menos"
Representação de números recorrendo ao método subtrativo

Também no sentido da simplificação da escrita, os múltiplos de 36000 passaram a ser representados da seguinte forma (em vez de se usar a repetição continua dos símbolos):

Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
72 000 108 000 144 000 180 000 216 000
Representação simplificada de alguns múltiplos de 36000

Como calculavam os sumérios

Bilhas, cones e esferas para calcular

Para fazer cálculos os sumérios utilizavam objetos que, consoante a sua forma e tamanho, representavam as diferentes ordens de unidade do sistema sexagesimal:

1

Civilização Suméria

  pequeno cone

10

Civilização Suméria

  bilha

60

Civilização Suméria

  grande cone

600

Civilização Suméria

  grande cone perfurado

3600

Civilização Suméria

  esfera

36000

Civilização Suméria

  esfera perfurada
Objetos utilizados no cálculo

O processo operatório no qual se baseavam para realizar a divisão consistia, no final de cada etapa, em trocar os objetos pelos de ordem imediatamente inferior.

Com efeito, consideremos o seguinte exemplo:

Dividir 324000 por 7

324000=9×36000

Como se pretende a divisão por 7, repartiremos 9 esferas perfuradas por grupos de 7 (note-se que as esferas representam a maior unidade neste sistema):

  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria 1 grupo
Primeiro resto Civilização Suméria Civilização Suméria            

O número de grupos de 7 esferas perfuradas que resulta desta primeira divisão é igual a 1, ou seja, o quociente desta primeira divisão parcial é 1. No final desta primeira divisão restam 2 esferas perfuradas.

Para se poder prosseguir a operação é necessário converter 2×36000 em múltiplos de 3600 (unidade imediatamente inferior a 36000). Deste modo 2×36000=2×10×3600=20×3600.

Obtemos assim 20 esferas simples, que repartimos novamente por grupos de 7:

  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria 2 grupos
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
Segundo resto Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria    

O número de grupos de 7 esferas simples que resulta da segunda divisão é igual a 2, ou seja, o quociente desta segunda divisão parcial é 2 e restam 6 esferas simples.

Para prosseguir a operação vamos converter 6×3600 em múltiplos de 600.

Obtemos assim 36 grandes cones perfurados, que repartimos novamente por grupos de 7:

  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria 5 grupos
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
Terceiro resto Civilização Suméria              

O número de grupos de 7 grandes cones perfurados que resulta da terceira divisão é igual a 5 (quociente) e sobra 1 grande cone perfurado (resto).

De seguida converteremos 1×600 em múltiplos de 60.

Obtemos assim 10 grandes cones simples, que repartimos novamente por grupos de 7:

  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria 1 grupo
Quarto resto Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria          

O número de grupos de 7 grandes cones simples que resulta da quarta divisão é igual a 1 (quociente) e sobram 3 grandes cones simples (resto).

Depois de converter 3×60 em múltiplos de 10 obtemos 18 bilhas, que repartimos novamente por grupos de 7:

  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria 2 grupos
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria  
Quinto resto Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria        

O número de grupos de 7 bilhas que resulta da quinta divisão é igual a 2 (quociente) restando 4 bilhas.

Para terminar a operação resta-nos converter 4×10=40 por grupos de 7:

  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria 5 grupos
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
  Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
Sexto resto Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria      

O número de grupos de 7 pequenos cones que resulta da quinta divisão é igual a 50 (quociente) e restam 5 pequenos cones.

O quociente final obtém-se fazendo a adição dos quocientes obtidos nas várias divisões, com efeito:

1×36000+2×3600+5×600+1×60+2×10+5×1=46285 (quociente da divisão de 324000 por 7)

Das pedras ao ábaco

Posteriormente foi adoptado um outro processo que consistia em organizar por colunas as contagens que se efetuavam, sendo a primeira (a da direita) associada às unidades, a seguinte às dezenas e assim sucessivamente.

Consideremos o seguinte o exemplo: Representação do número 3672

M C D U
Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria
Civilização Suméria Civilização Suméria Civilização Suméria  
  Civilização Suméria Civilização Suméria  
  Civilização Suméria Civilização Suméria  
  Civilização Suméria Civilização Suméria  
    Civilização Suméria  
       
       

Mais tarde este método de cálculo deu origem ao ábaco de pedras.

Fonte: www.educ.fc.ul.pt

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