O acadiano é uma das grandes línguas culturais da humanidade. Os primeiros textos em acadiano datam do III milênio a.C., com a chegada dos semitas na Mesopotâmia. A literatura acadiana é uma das mais ricas da Antigüidade.
A língua acadiana pertence ao grupo Oriental das línguas semíticas, fazendo parte da grande família lingüística hamito-semítica. O termo "acadiano", na verdade, se refere a um grupo de dialetos usados pelos assírios e babilônios na Mesopotâmia. O dialeto usado durante o primeiro Império Babilônico (1800 - 1600 a.C.) é conhecido como Antigo Babilônico. É nessa língua que está escrito o famoso Código de Hamurábi. Nestas páginas, no entanto, trataremos principalmente do dialeto Assírio, predominante durante o Novo Império Assírio (883 - 612 a.C.).
Vale lembrar também que, durante muito tempo, o acadiano foi usado como língua internacional por todo o Oriente Médio (incluindo o Egito).

tablete cuneiforme assírio (séc. VIII a.C.)
A escrita cuneiforme recebe esse nome do latim cuneus "cunha", ou seja, "em forma de cunha". Isso porque era feita pressionando-se um estilete contra uma tábua de argila, dando aos caracteres o aspecto de cunha .
Essa escrita foi criada pelos sumérios e aperfeiçoou-se por volta de 3000 a.C. Durante o período assírio, os caracteres foram reformados e ganharam uma aparência mais retilínia e regular.
Os sinais mais freqüentes são aqueles que representam sílabas:





Existem muitos sinais representando palavras inteiras (ideogramas), dos quais mostraremos apenas os mais freqüentes.

Os sinais conhecidos como "determinativos" eram escritos antes ou depois da palavra para esclarecer seu sentido (como na escrita hieroglífica). Exemplos:

O substantivo acadiano possui, como em português, 2 gêneros (masculino / feminino), porém 3 números (singular / plural / dual). O dual é usado para substantivos que aparecem normalmente em par (como "os dois olhos" ou "as duas mãos").
Cada substantivo é também declinado em 3 casos: nominativo
(sujeito da oração), acusativo (objeto direto) e genitivo (possessivo
ou depois de preposições).
Masculino |
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| sg. | pl. | dual | |
| Nom. | -u(m) | -û | -ân |
| Acus. | -a(m) | -î | -în |
| Gen. | -i(m) | -î | -în |
Feminino |
|||
| sg. | pl. | dual | |
| Nom. | -atu(m) | -âtu(m) | -ân |
| Acus. | -ata(m) | -âti(m) | -în |
| Gen. | -ati(m) | -âti(m) | -în |
Os casos, no entanto, perdem a regularidade no período Assírio e se tornam confusos, às vezes sendo usados sem qualquer lógica. Assim é que, no dialeto Assírio, o plural era geralmente formado pelo sufixo -ânû ou -ânî, e o dual já caía em desuso.
Os verbos podem parecer simples no começo, pois possuem apenas dois tempos e são todos regulares. No entanto, cada verbo é formado por uma raiz consonantal (geralmente de três consoantes), que pode ser ajustada para derivar novos verbos.
Se isso parece confuso, damos um exemplo com o verbo kaSâdu "conquistar", cuja raiz é k-S-d. Se duplicarmos a consoante média, teremos kuSSudu (k-SS-d) "conquistar violentamente". Se acrescentarmos um S- à raiz, teremos SukSudu (S-k-S-d) "fazer conquistar". Se acrescentarmos n-, teremos nakSudu (n-k-S-d) "ser conquistado".
Antes de tudo, veremos a conjugação da 1ª raiz, usando o mesmo verbo k-S-d como exemplo.
Verbo k-S-d "conquistar" |
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Raiz I 1 |
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Perfeito (pretérito) |
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sg. |
pl. |
|
| 1 | akSud |
nikSud |
| 2 m | takSud |
takSudû |
| 2 f | takSudî |
takSudâ |
| 3 m | ikSud |
ikSudû |
| 3 f | takSud |
ikSudâ |
Imperfeito (presente) |
||
sg. |
pl. |
|
| 1 | akaSad |
nikaSad |
| 2 m | takaSad |
takaSadû |
| 2 f | takaSadî |
takaSadâ |
| 3 m | ikaSad |
ikaSadû |
| 3 f | takaSad |
ikaSadâ |
Infinitivo: kaSâdu |
||
Particípio: kaSidu |
||
| Forma estativa* | ||
sg. |
pl. |
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| 1 | kaSdâku |
kaSdâni |
| 2 m | kaSdâta |
kaSdâtunu |
| 2 f | kaSdâti |
kaSdâtina |
| 3 m | kaSid |
kaSdû |
| 3 f | kaSdat |
kaSdâ |
* A forma estativa corresponde a um estado ou ao resultado de uma ação: "estando conquistado", "tendo sido conquistado".
ina "em"
ana "para"
eli "com, para"
u "e"
-ma "e" (sufixado)
inuma "quando"
Pode-se distinguir, nos pronomes, os casos reto e oblíquo, cuja função é a mesma do português.
Pronomes no caso reto (nominativo) |
|
anâku "eu" |
anîni "nós" |
atta "tu" (m.) |
attunu "vós" (m.) |
atti "tu" (f.) |
attina "vós" (f.) |
Sû "ele" |
Sûnu "eles" |
Sî "ela" |
Sîna "elas" |
Pronomes no caso oblíquo (acusativo, genitivo) |
|
iâti "me, mim" |
niâti "nos" |
kâtu "te, ti" (m.) |
kâtunu "vos" (m.) |
kâti "te, ti" (f.) |
kâtina "vos" (f.) |
SâSu "lhe" (m.) |
SâSunu "lhes" (m.) |
SâSa "lhe" (f.) |
SâSina "lhes" (f.) |
Quando o pronome cumpre a função de possessivo, é sufixado ao substantivo:
| -î, -ia "meu" | -ni "nosso" |
| -ka "teu" (m.) | -kunû "vosso" (m.) |
| -ki "teu" (f.) | -kinâ "vosso" (f.) |
| -Su "dele" | -Sunu "deles" |
| -Sa "dela" | -Sina "delas" |
Por fim, há os pronomes usados como objeto direto após os verbos, os quais também são sufixados:
| -(an)ni "me" | -(an)nâSi "nos" |
| -(ak)ka "te" (m.) | -(ak)kunûSi "vos" (m.) |
| -(ak)ki "te" (f.) | -(ak)kinâSi "vos" (f.) |
| -(aS)Su "lhe" (m.) | -(aS)Sunu "lhes" (m.) |
| -(aS)Si "lhe" (f.) | -(aS)Sina "lhes" (f.) |
Fonte: www.geocities.com