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Admirável Mundo Novo

Leve seus alunos a descobrir a diversidade de culturas que está à nossa volta

Priscila Ramalho

Ricardo Beliel

Admirável Mundo Novo
Conhecendo outras realidades: a professora Ana Paula vai com a garotada do Quintalzinho visitar os trailers (à esq.) e os camarins (acima) e estimula todos a trocar experiências com as crianças que vivem e trabalham no circo

No início, é apenas ela. Depois, vêm a mãe, o pai, um lugar que aprende a chamar de casa. Algum tempo mais tarde, surge a escola, com os professores e coleguinhas. Assim, aos poucos, a criança vai descobrindo que o mundo é muito maior do que ela imaginava: tem parques, cidades, shoppings e circos. Tem gente que fala diferente, usa roupas exóticas, come coisas que parecem esquisitas. Na verdade, o mundo são muitos.

Mostrar desde cedo essa multiplicidade é uma forma de estimular o convívio, o respeito e a valorização das diferenças. E a escola é o lugar ideal para fazer isso. "É lá que se estabelecem os primeiros contatos com novos costumes, hábitos, expressões e histórias", justifica o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, elaborado pelo Ministério da Educação. Segundo o documento, o papel do educador é mostrar que as pessoas pertencem a vários grupos sociais, cada um com modos de vida singulares.

Educação Infantil

Tema

Modos de vida

Objetivo

Conhecer novas culturas — distantes no tempo ou no espaço — e refletir sobre os modos de ser, viver, trabalhar e pensar, respeitando e valorizando a diversidade

Como chegar lá

Cheque as informações que as crianças já possuem sobre o grupo que será estudado. Conte histórias para potencializar o interesse e a imaginação. Selecione filmes sobre o assunto, estimulando uma leitura coletiva das imagens. Estabeleça paralelos com a realidade dos alunos, observando semelhanças e diferenças. Crie oportunidades para que eles vivenciem cada nova experiência

Dica: A escolha dos temas deve se basear nas conversas com a turma e na observação das brincadeiras. É assim que você identifica os focos de curiosidade

"Nessa fase em que os pequenos estão saindo de dentro de si é importante perceberem que existem outros e mais outros", analisa Maria de Fátima Guerra de Sousa, PhD em Educação Infantil pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, e professora da Universidade de Brasília. É claro que ainda é cedo para meninos e meninas assimilarem toda a complexidade do mundo. Mas, ao deparar com novas formas possíveis de ser e viver, eles começam a reconstruir a visão que têm da realidade e tornam-se mais receptivos à diversidade. Um conceito de grande valia hoje em dia.

Estimular essa postura é prioridade na Quintalzinho — Colégio Equilibrium, em São Paulo. Para exercitá-la, as professoras do Grupamento 4 (que reúne alunos de 4 anos) desenvolveram no semestre passado o projeto Descobrindo o Circo. "O objetivo era ampliar o conhecimento sobre esse lugar mágico e fascinante, enfocando o modo como essas pessoas trabalham e vivem", explica a coordenadora Elaine Naldi Martins. Segundo ela, o tema foi escolhido pelo alto grau de interesse que desperta nessa idade.

Os estudantes visitaram o Circo Stankowich, que estava na cidade, e, depois de assistir ao espetáculo, puderam conhecer os camarins e os trailers onde moram os artistas. "Eles ficaram impressionados com as ‘casas sobre rodas’", conta a professora Ana Paula Rota. Sentados em círculo, conheceram a rotina das crianças do circo. Descobriram que elas ficam no máximo três meses numa cidade e que, em cada lugar, estudam numa nova escola.

Outra parte do trabalho foi realizada na sala de aula, com a projeção de um filme, a leitura de histórias e a montagem de um painel sobre o assunto. Para sentir a emoção de subir num picadeiro, os pequenos transformaram-se em mágicos, palhaços e domadores e apresentaram "números" para os colegas.

Maria de Fátima explica que essa vivência é um momento riquíssimo, pois permite à criança estruturar o conhecimento que está adquirindo: "Nessa idade, o aprendizado se dá pela brincadeira, pela imitação e, sobretudo, pela emoção". Trocando em miúdos, é tentando se equilibrar numa ripa de madeira que ela compreende e valoriza a arte do malabarista, é dançando uma música medieval que sente o clima dos bailes da Idade Média (leia o quadro). "Viver a experiência", ensina a especialista, "é bem mais eficiente que vê-la passar". E assim, vivendo novas experiências, a garotada vai entendendo com muita espontaneidade que o mundo é enorme, heterogêneo e, exatamente por isso, admirável.

Na mesa com reis e rainhas

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O "banquete" com pão, frango e suco de uva: viver facilita o aprender

Para compreender a diversidade que nos cerca é preciso educar o olhar, voltando-o para novas direções e aprofundando a observação. Mas como estudar culturas que não existem mais? A equipe da escola Quintalzinho criou o projeto Conhecendo Castelos para fazer a garotada voltar aos tempos medievais. "Queremos que as crianças percebam a existência de culturas passadas, respeitem-nas e observem mudanças e permanências", diz a professora Andreia Bardez Silva. Para isso, elas simularam um banquete medieval, comeram coxa de frango com a mão, brindaram (com suco de uva...) e até dançaram ao som de músicas da Idade Média. A porta da sala foi decorada com torres e ponte levadiça. A todo momento, Andreia fazia paralelos com a atualidade. "É uma forma de fazer os pequenos compreenderem melhor o próprio dia-a-dia", diz a coordenadora Elaine Naldi Martins.

Fonte: novaescola.abril.com.br

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