
Guiomar Namo de Mello é diretora executiva da Fundação
Victor Civita
O termo competência está na ordem do dia do debate educacional no Brasil, mas o conceito não é novo. Sempre que dizemos o que um aluno deve aprender e o que ele deve fazer com o que aprendeu, estamos nos referindo a uma competência. Há muito tempo, professores perseguem a constituição de competências nos alunos porque é um objetivo do ensino propiciar mudanças que caracterizem desenvolvimento, seja ele cognitivo, afetivo ou social. Para mais bem compreender o que é competência, podemos destacar algumas de suas características.
1. Competência é a capacidade de mobilizar conhecimentos, valores e decisões para agir de modo pertinente numa determinada situação. Portanto, para constatá-la, há que considerar também os conhecimentos e valores que estão na pessoa e nem sempre podem ser observados.
"Se
quisermos alunos competentes, teremos de ir além do ensino para memorização
de conceitos abstratos"
2. Competências e habilidades pertencem à mesma família.
A diferença entre elas é determinada pelo contexto. Uma habilidade,
num determinado contexto, pode ser uma competência, por envolver outras
subabilidades mais específicas. Por exemplo: a competência de
resolução de problemas envolve diferentes habilidades —
entre elas a de buscar e processar informação. Mas a habilidade
de processar informações, em si, envolve habilidades mais específicas,
como leitura de gráficos, cálculos etc. Logo, dependendo do
contexto em que está sendo considerada, a competência pode ser
uma habilidade. Ou vice-versa.
3. Para ser competentes, precisamos dominar conhecimentos. Mas também devemos saber mobilizá-los e aplicá-los de modo pertinente à situação. Tal decisão significa vontade, escolha e, portanto, valores. E essa é a dimensão ética da competência. Que também se aprende, que também é aprendida.
4. A capacidade de tomar decisões e a experiência estão estreitamente relacionadas na operação de uma competência. Tomar uma decisão, muitas vezes, implica certo grau de improvisação, mas uma improvisação orientada pela experiência. Não é por outro motivo que um piloto treina centenas de horas de vôo antes de ser considerado apto a comandar um Boeing. É essa experiência que dá ao piloto condições de tomar uma decisão pertinente.
Em resumo: a competência só pode ser constituída na prática. Não é só o saber, mas o saber fazer. Aprende-se fazendo, numa situação que requeira esse fazer determinado. Esse princípio é crucial para a educação. Se quisermos desenvolver competências em nossos alunos, teremos de ir além do ensino para memorização de conceitos abstratos e fora de contexto. É preciso que eles aprendam para que serve o conhecimento, quando e como aplicá-lo. Isso é competência
Fonte: novaescola.abril.com.br