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Aluno Agressivo?

Ele precisa de afeto e de limites

Aluno Agressivo?

Ao conversar com a criança de pré-escola e mostrar a ela comportamentos positivos, você contribui para resolver problemas de agressividade. Mas é importante envolver os pais nesse processo

Em meio a brincadeiras e risos na hora do recreio, você escuta o choro de um aluno. Ele acaba de ser agredido por um colega. A cena é comum - e até normal - em turmas com crianças de até 6 anos. Mas, quando uma delas machuca os outros com freqüência e reage violentamente às dificuldades, é sinal de que a agressividade ultrapassou os limites.

Até os 3 anos de idade, dar tapas, empurrar o amigo ou qualquer outro tipo de contato físico pode significar desejo de aproximação e não necessariamente vontade de incomodar. Entre 4 e 6 anos, os pequenos já sabem comunicar situações que não lhes são agradáveis. "Nessa idade, a criança é capaz de brincar 'com' e não apenas 'ao lado de' amigos. Ela começa a perceber as regras de convivência", afirma a psicóloga Maria Betânia Norgren, professora de arteterapia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Esses estágios de desenvolvimento não acontecem exatamente ao mesmo tempo: alguns podem apresentar por um período maior comportamentos mais ou menos avançados em relação à idade. Nem todas as crianças se adaptam facilmente a essas mudanças emocionais, o que pode também ser uma causa das reações hostis.

Entre as causas estão a falta de cuidado e a violência

"A agressividade exagerada geralmente é sintoma de problemas mais graves", alerta Ivânia Pimentel, terapeuta e supervisora da Associação Criança Brasil, que atende 600 jovens em São Paulo. Entre os fatores desencadeadores de procedimentos agressivos estão: temperamento difícil e impulsivo; falta de carinho; violência física ou emocional; ausência de limites ou tolerância excessiva dos pais; excesso de energia mal canalizada; necessidade de experimentar limites até reconher os próprios controles; não tolerar frustrações; e deficiências físicas ou mentais ainda não descobertas.

A criança com comportamento agressivo pode estar passando por situações especiais sem o devido apoio, como separação dos pais, nascimento de um irmão ou morte de alguém querido. Para Ana Coelho Vieira Selva, professora do Departamento de Psicologia e Orientação Educacional da Universidade Federal de Pernambuco, "é fundamental que o aluno não seja estigmatizado nem acusado por atos agressivos".

Você pode dar exemplos de atitudes equilibradas

Pais e familiares são os principais exemplos de conduta para os pequenos, mas você também tem papel importante na formação emocional deles. Se o professor grita e resolve os conflitos em classe de maneira agressiva, o aluno pode reproduzir essas atitudes. "Uma das funções da escola é civilizar o indivíduo, não sendo condescendente com a agressividade exagerada", analisa Rinaldo Voltolini, professor de Filosofia da Educação da Universidade de São Paulo.

Uma atitude positiva é se aproximar do estudante. Dessa forma, ele vai se sentir à vontade para expressar seus sentimentos e pode até tentar explicar seus gestos impetuosos. Ofereça chances de a criança se retratar e crie situações de estímulo: substitua o "Isso não se faz!" por "Você é um garoto legal. Não vai mais querer bater no amigo". Converse com o aluno no pátio ou no parquinho. Salas fechadas, como a temida diretoria, podem causar constrangimento.

Há algumas práticas que você pode adotar para reduzir o comportamento agressivo (veja quadro ao lado). Atividades que apresentem modelos de comportamento bem-aceitos também funcionam. Monte, por exemplo, um teatrinho de bonecos e represente conflitos comuns entre as crianças, intercalando situações em que as agressões trouxeram conseqüências desagradáveis com as que foram resolvidas com cooperação, amizade e diálogo.

Conversa com os pais é delicada, mas essencial

A comunicação entre a família e a escola é imprescindível. Não desista se as primeiras reuniões com os pais forem difíceis. "Normalmente eles acham que a professora 'marca' o filho. Alguns acabam aceitando; outros, porém, chegam a tirar a criança da escola", alerta Salvane Andrade Silva, diretora da Espaço Criança Centro de Educação Infantil, no Distrito Federal.

Se os pais não colaboram, há no mínimo três possibilidades: faltam parâmetros de comparação, por terem somente um filho; a agressividade é normal em casa; ou existe problemas na relação familiar e os pais sentem vergonha de assumi-los. No Instituto Madre Mazzarello, em São Paulo, um aluno de 4 anos batia nos colegas. Quando a mãe foi chamada, ela chegou a dizer que a professora é que não tinha jeito com ele. "Sete meses e muita conversa depois, a mãe revelou que o marido a agredia fisicamente. "Indicamos um psicólogo e com o tratamento a criança se acalmou", conta a orientadora educacional Ana Paula Cussiano.

Uma boa maneira de começar a conversa com os pais é ressaltar as qualidades do aluno - se iniciar falando dos defeitos e do comportamento, eles podem achar que você não gosta dele e não vão querer escutá-lo. Explique que a criança necessita de ajuda e exponha tudo o que a escola já fez para tentar resolver o problema. Indique psicólogos de confiança ou sugira alternativas gratuitas em faculdades ou postos de saúde de sua região.

DICAS IMPORTANTES
Para promover a boa convivência do grupo Como ajudar o estudante agressivo

Oriente os alunos a avisar você quando acontecer uma agressão.

Jamais incentive crianças a responder a atos agressivos com violência.

Converse com a turma sobre o que é certo e o que é errado e combine regras de boa convivência.

Conte histórias sobre amizade, amor e relações tranqüilas.

Recompense as boas condutas.

Programe atividades físicas em que os alunos gastem bastante energia.

Realize brincadeiras em que haja contato físico entre as crianças, como as rodas.

Leve a garotada para brincar ao ar livre.

Aplique técnicas de relaxamento.

Monte uma brinquedoteca.

Crie uma relação de amizade e confiança com ele.

Estabeleça claramente os limites.

Incentive manifestações de afeto, segurança, senso de responsabilidade e de cooperação.

Nunca grite, brigue ou discrimine esse aluno.

Fonte: revistaescola.abril.com.br

Aluno Agressivo?

Escola X alunos agressivos: a função do orientador educacional e da psicopedagogia num enfoque humanista.

Educa-se hoje a razão sem educar o coração, originando pessoas intelectualmente adultas e sentimentalmente infantis, falsas e até agressivas” (Frei Betto)

O mundo atual está em constantes e rápidas mudanças, o mercado de trabalho se mostra cada vez mais exigente, mais restrito e excludente.

Como a escola é um reflexo da realidade social ela também vive um momento delicado, pois suas responsabilidades aumentaram e, no entanto, se depara com propostas de governo permeadas por demagogias que enfatizam um investimento na educação, mas coisas não caminham como deveriam.

Além da problemática educacional dos sistemas públicos brasileiros, a família também vivencia um momento complexo, pois se desestruturou, não tem mais tempo para dar atenção aos filhos, produzindo jovens com baixa auto-estima, depressivos, intolerantes e agressivos.

A escola é fundamental no processo de organização social e não se trata de defini-la dentro de uma perspectiva redentora, como exclusiva promotora de mudança, mas vê-la como “ajudadora” de seus alunos, entretanto, o que se percebe é que também exclui, resultado de vários fatores, dentre eles, profissionais que sentem na obrigação de repassar conhecimentos (não que seja importante) e esquecem muitas vezes que a relação afetiva, também é primordial para que o jovem enxergue na escola uma possibilidade de mudança; outro fator são as políticas públicas que não valorizam os profissionais de educação, não priorizam a capacitação e a formação contínua destes profissionais, as dificuldades com a infra-estrutura das escolas, a falta de recursos didáticos, dentre outros.

Dentro das instituições de ensino, há cargos de apoio ao docente e discente como os orientadores educacionais, que podem amenizar as situações de conflitos entre docente/discente/família, estes profissionais encaminham muitas vezes alunos que precisam de ajuda de um profissional especializado, abrem e propõem diálogo entre família e escola. No entanto, a maioria destes profissionais estão perdidos, porque assumem uma função que não é de sua responsabilidade, outros não se atualizam e nem percebem a importância de criar projetos de trabalho que previnam situações de conflito.

Um outro profissional de suma relevância para as escolas na atualidade é o especialista em psicopedagogia, que tem em sua postura o olhar de auxiliador, de ajudador de alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e que pode juntamente com o orientador educacional,traçar metas para o desenvolvimento de ações que auxiliem “alunos-problema”.

Contribuições da Psicopedagogia

A função do profissional de psicopedagogia pode ser definida como a de ser “suporte”, ou seja, de ser um mediador de informações, de ser aquele que indica caminhos para serem trilhados pelo sujeito, sem imposições de qualquer natureza.

A área da psicopedagogia tem como proposta buscar a reintegração dos aspectos afetivos e cognitivos da aprendizagem. Para isso são trabalhadas questões cujo resgate se faz necessário em cada indivíduo. Isso é feito através de sessões com a criança, o adolescente, os familiares e a escola, nas quais são levantadas hipóteses diagnósticas sobre as dificuldades apresentadas, buscando desenvolver e reduzir o bloqueio em relação à área de aprendizagem.

Podemos caracterizar o campo profissional da psicopedagogia como aquele para o qual conflui um conjunto de profissionais-basicamente psicólogos, pedagogos e psicopedagogo, cuja atividade fundamental tem a ver com a maneira como as pessoas aprendem e se desenvolvem, com as dificuldades e os problemas que encontram quando levam a cabo novas aprendizagens, com as intervenções dirigidas a ajudá-las a superar estas dificuldades e, em geral, com as atividades especialmente pensadas, planejadas e executadas para que elas aprendam mais e melhor. De um ponto de vista genérico, podemos dizer que o trabalho psicopedagógico está intimamente vinculado à análise, ao planejamento, ao desenvolvimento e à modificação de processos educacionais “(COLL apud SOLE, 2001, p.27).

Pode-se dizer que os psicopedagogos têm diante de si um compromisso complexo, já que se espera deles uma contribuição com o conhecimento necessário para que as pessoas possam superar as dificuldades que encontram durante a aprendizagem e consigam aprender mais e melhor (SOLE, 2001, p.121).

Neste sentido, a violência no contexto escolar leva também o aluno à dificuldade de relacionamento interpessoal e, conseqüentemente a uma dificuldade aprendizagem. A psicopedagogia pode ajudar a lidar com isso, seja indiretamente, orientando os profissionais da educação envolvidos, ou diretamente, quando o aluno apresenta atos agressivos constantes o psicopedagogo trabalha especificamente com ele e, dependendo do caso com o auxílio de um Psicólogo.

Orientação Educacional

A orientação educacional, embora não seja explicitada na lei em termos de conceito, está caracterizada por seu aspecto preventivo e psicológico e pode ser entendida em dois sentidos constitutivos e complementares. Por um lado, como a ajuda que se proporciona a uma pessoa para que possa escolher, entre diversos itinerários e opções, aquele que lhe é mais adequado. Por outro orientar consiste proporcionar informação, orientação e assessoria a alguém para que possa tomar as decisões mais adequadas, levando em consideração tanto suas características pessoais quanto suas limitações.

... a orientação é uma função estruturadora da intervenção psicopedagógica, um recurso disponível às instituições educacionais em seu conjunto e a seus diversos subsistemas. Sua finalidade é a de contribuir para prevenir possíveis disfunções ou dificuldades, para compensar ou corrigir aquelas que tenham surgido e visa a potencializar e a enriquecer o desenvolvimento dos indivíduos e dos sistemas que integram a instituição educacional, sua organização e seu funcionamento” (SOLE, 2001, p.20)

A orientação educacional pode representar dentro da escola uma força de resgate da humanização e também de inserção das práticas psicopedagógicas.

Mas esta área vive uma problemática pois é muito comum entre os orientadores educacionais a queixa de que no cotidiano escolar, eles se tornam meramente “quebradores de galho”, o que exige reflexão e novas atitudes institucionais. Uma delas seria a prática de planejamento de orientação, não é raro também se constatar que os mesmos orientadores que lamentam o desvio de função não possuem um projeto de trabalho de cunho preventivo, tornando assim, cada mais complexo o reconhecimento de sua função real que é a de atender alunos que apresentam algum tipo de problema que comprometa o rendimento escolar, dentre tantos, salienta-se a agressividade.

No âmbito escolar o orientador que trabalha com o aluno agressivo, deve compreendê-lo em seu contexto social, familiar etc.; pois a sociedade atual vivencia uma crise de valores e é primordial que se trabalhe com este aluno, partindo de sua auto-estima, conduzindo-o a uma reflexão sobre si e sobre seu papel dentro da comunidade e da escola, levando-o a reconhecer seus sentimentos e emoções incentivando o na busca de um mundo mais tolerante e menos agressivo.

Para proporcionar uma boa relação com o jovem é importante que o orientador educacional entenda e compreenda o processo de desenvolvimento da adolescência, lendo,estudando, dialogando com os adolescentes , ouvindo-os que é crucial para se abrir portas e nortear ações preventivas.

Adolescência

Vieira (2004, p.72) diz que a adolescência não é algo genérico, único e homogêneo. Até mesmo o crescente número de teoria e estudos sobre o assunto nos aponta para o fato de estarmos lidando com múltiplas adolescências que, por sua vez, produzem e reproduzem jovens inseridos num emaranhado de relações e contextos socioculturais e históricos específicos. Em outras palavras, é preciso, antes de tudo, situar o adolescente dentro de sua realidade social.

Essa etapa da vida também têm sido descrita como um período de moratória. Nessa época, um jovem adulto está decidindo se deve realizar um rompimento completo com seu passado para se tornar alguém bem diferente ou se deve lutar integrar seu eu passado com o seu futuro. Se decidir pelo último rumo, ele conseguirá obter uma resolução positiva: vai se sentir à vontade com o próprio corpo terá um sentido de direção de vida, bem como fortes ligações com pessoas significativas.Se se romper com o passado, obterá uma identidade negativa. Não se sentirá bem consigo mesmo, não saberá qual o seu rumo na vida e não terá pontos de estabilidade servindo como ancoras em relação ao passado.

As características psicossociais não são como as biológicas, que ineroxalmente evoluem. Elas têm épocas para surgir, mas vão desaparecendo à medida que os conflitos vão sendo resolvidos. Os não resolvidos vão se acumulando às etapas seguintes. Assim um onipotente juvenil pode apresentar ainda comportamentos de etapas anteriores.
A falta de um ambiente familiar adequado, de um espaço e de um limite, que criem as condições propícias para o desenvolvimento e para a estruturação da personalidade, poderá determinar uma atividade impulsiva, pouca tolerância à frustração. Atualmente além das famílias ficarem menores, elas se isolaram. Convivem mais com os amigos que com os familiares. Não visitam tios, primos, às vezes nem os avós. Essa convivência familiar menor, pode estar fazendo falta na formação de vínculos familiares e na construção de valores para os jovens. Dentre eles a gratidão, religiosidade, disciplina, cidadania e ética (TIBA, 2005, p.36).

Entre os jovens há sempre a necessidade de buscar, nos grupos, o reconhecimento de uma identidade que faça com que ele se sinta pertencente a eles. No entanto, essa busca é ambígua, pois, ao mesmo tempo, o jovem quer ser reconhecido como um sujeito singular, diferente dos demais, e busca esta auto-afirmação eles simultaneamente procuram referenciais para minimizar os sentimentos de desamparo que sentem, mas, no entanto nem sempre os encontram.

Umas das maneiras como se manifesta este conflito interno é o comportamento que eles têm apresentado na escola: agressivos, sem diálogo, e intolerantes. As dúvidas com as quais eles se defrontam, diariamente, são manifestadas por atos impulsivos, atitudes grupais irracionais ou negações.

São tantas as variáveis que acontecem para a geração de adolescentes de hoje que podemos comentar mais a simultaneidade que a causalidade dos seus comportamentos.

Conseqüentemente, a escola sofre com estas mudanças, pois as dificuldades desta etapa costumam trazer sérios problemas à vida escolar dos jovens, não só em relação ao comportamento que tende a confrontar com a figura da autoridade, como também em relação à aprendizagem escolar, visto que os conteúdos ensinados nas séries cursadas nesta idade requerem um esquema de pensamento mais elaborado.

O jovem também pede socorro atualmente, pois não sabe lidar com o excesso de informações que o cerca, não se conhece o suficiente para aceitar suas limitações, nega qualquer autoridade, se amedronta com o mercado de trabalho cada vez mais exigente e não possui uma educação familiar estruturada, vive numa sociedade individualista e excludente. Por isso, o jovem precisa de ajuda.

Adolescência, agressividade e vida familiar

Antes de tudo faz-se necessário enfatizar a diferença entre agressividade e agressão. A agressividade é um instinto natural do ser humano. É a força impulsionadora da vida, é a capacidade de preservação e sobrevivência da espécie. Já a agressão trata-se da utilização do instinto de agressividade de forma desarmônica, levando à violência. Isto se deve pela falta de contato do ser humano consigo mesmo.

No início da vida, a agressividade se mostra de forma bruta, porque a criança vive em função dos desejos e pela busca destes, além de buscar prazer e fantasia. Por isso, é muito comum que diante das frustrações ela reaja de maneira agressiva. No entanto, quando se chega à adolescência se estes impulsos não forem educados ocasionará muitos problemas, pois o jovem se encontra num período de renascimento para um mundo novo e se ele não estiver preparado para lidar com as mudanças, tanto físicas, como psicológicas a agressividade representará um problema.

A agressão no adolescente pode ser definida de várias formas; agressão como instinto que representa na adolescência uma conduta agressiva instintiva que se faz bem evidente na atividade corporal, equivalente à atividade lúdica da infância e que pode até ser exercida sem limites claramente definidos, sendo possível que se manifeste com excessos aparentemente sadomasoquistas.

Há ainda a violência como padrão de conduta, na qual a agressão e a violência são usadas como defesas. Aqui se teria que repetir os já assinalados problemas psicossociais na adolescência. Em uma família violenta, em uma sociedade, se foge ou se luta. Os adolescentes, pelas características deste período evolutivo, geralmente optam pela luta, e considera-se que por isso, as reivindicações estudantis ou operárias chegam a ser naturalmente violenta.

Existe também a violência como um traço de caráter que, em termos mais gerais, constitui-se pelo aspecto estrutural da personalidade, que provoca agressão e/ou violência.

Outra definição seria a violência como parte de defesas diversas especialmente na adolescência, constata-se que a violência faz parte dos diversos mecanismos de defesa e é por isso que temos insistido muito nos aspectos ou traços “psicopáticos” presentes e necessários na elaboração dos lutos que devem ser elaborados durante esta fase da vida.

Por fim, existe a violência como manifestação da parte “psicótica” da personalidade nos conceitos de Bion e de Bleger. Na adolescência as oscilações desta parte constitutiva do psiquismo parecem ser parte importantíssima da “síndrome da adolescência normal (KNOBEL apud BOSSA, 2002, pp.236, 237,238)”.

É necessário salientar que quando uma criança agressiva chega à adolescência, sua agressividade parece se intensificar. Muitas vezes, as pessoas se sentem ameaçadas pela presença delas, pois ela cresceu e atingiu um tamanho que não é mais possível manejar fisicamente. Em parte, no entanto, sua apreensão pode ter sido causada pela concepção popular de que os anos da adolescência se caracterizam pela instabilidade, quando os jovens passam pelo processo traumático de desenvolvimento denominada puberdade. Espera-se que o jovem apresente problemas, a ponto de se preocupar quando isso não acontece.

Na atualidade a agressividade é sempre um tema bastante discutido, especialmente a agressividade do jovem, hoje relacionada às ações de gangues, aos franco-atiradores de escolas, aos queimadores de mendigos, aos homicidas dos grupos étnicos, ou simplesmente aos agressivos intrafamiliares.

Os adolescentes e jovens que se destacam pela hostilidade exagerada, podem ter um histórico de condutas agressivas que remonta a idades muito mais precoces, como no período pré-escolar, por exemplo, quando os avós, pais amigos achavam que era apenas um excesso de energia ou uma travessura da infância.

É de fundamental importância conscientizar-se de que atos violentos plenos de responsabilidade podem levar à violência patológica, na qual a responsabilidade deve ser questionada. Nesta fase de perdas e lutos, crescimentos, inseguranças, os adolescentes com seu egocentrismo, vivem a violência e a hostilidade como a antecipação consciente da vitória e a expectativa inconsciente da derrota e a escola deve estar atenta às reações e atitudes dos alunos, precisa estar munida de profissionais que busquem “olhar” para os jovens como ajudadores.

Não se pode deixar de salientar a importância do universo familiar do jovem na atualidade. Sabe-se que família contemporânea passou por várias modificações, no passado pecava pelas agressões autoritárias, praticadas contra os filhos por coisas banais. Hoje ela erra pela falta de regras com que são criados os filhos.

A família moderna terceirizou a educação dos filhos deixando-os a cargo de empregadas sem tempo, nem preparo para substituir os pais ou simplesmente deixaram como reféns de grupos que cultivam o desrespeito, a irresponsabilidade e a intolerância.

As famílias além de ficarem menores, se isolaram. Convivem mais com os amigos que com os familiares. Não visitam tios, primos, às vezes nem os avós. Essa convivência familiar menor que a social pode estar fazendo falta para a formação de vínculos familiares e valores na formação dos jovens. São valores como gratidão, religiosidade, disciplina, cidadania e ética.

Quando os pais deixam o filho fazer tudo que deseja, sem impor-lhe regras e limites, ele acredita que suas vontades são leis que todos devem acatar. Não aprende a lidar com as perdas, nem com as regras que a sociedade impõe e nem mesmo com as frustrações.

Há aqueles casos em que os pais são violentos e, na verdade não educam seus filhos, mas os ensinam a serem violentos. Os filhos não conhecem os níveis normais de agressividade. Para eles a violência é o recurso para vencer qualquer contrariedade. Seus corpos acostumam-se a reagir automaticamente de modo violento.

Os pais devem estar bem equilibrados e orientados para lidarem com filhos adolescentes que apresentam quadro de agressividade e devem se apoiar num tripé básico, o primeiro passo seria a empatia, que é a capacidade de compreender e viver os sentimentos do outro (no caso do filho). Para isso, é preciso saber ouvir, sem preconceitos, deixar o coração livre, desimpedido para “sentir como” e, principalmente dar evidências de compreensão em relação ao sentimento do outro.

O passo seguinte seria a capacidade de dialogar, depois de ouvir propor a ele que coloque suas dúvidas e problemas, e assim, partirem para uma análise conjunta, orientando, sugerindo, mas deixando a decisão a cargo do jovem.

Estabelecer limites, também é fundamental, ter empatia e dialogar não impede nem impossibilita que, quando necessário, os pais estabeleçam limites, com base na autoridade e no dever de zelar pela segurança dos filhos. Isso quer dizer que se torna necessário estabelecer alguma regra ou proibir alguma coisa (ZAGURY, 2003, p.135).

A família deve estar atenta na maneira como o filho está agindo, falando, se comportando e ter em mente que é bem mais fácil estabelecer limites na infância, se isto não ocorrer o primeiro passo é perceber a realidade e ser aberto ao adolescente, mas ao mesmo tempo ser perseverante e persistente no que pode e não pode.

A família é importantíssima para o jovem, pois influencia através do vínculo, do contexto interacional. Embora se saiba que três fatores (individuais, familiares e ambientais) sejam inegavelmente influentes, eles não atingem todas as pessoas por igual e nem submetem todos à mesma situação de risco, mas não é possível atribuir culpa somente na família.

Por fim, a família continua sendo a mola mestra da sociedade, é nela que se formam homens humanos ou homens animais, não que ela seja a solução para todos os problemas que atingem os jovens atualmente, mas é certo afirmar que se a família estiver decadente a sociedade conseqüentemente decai.

A escola X alunos agressivos

Adentrando-se no campo educacional, pode-se afirmar que o professor brasileiro não encontra assim uma rede de sustentação social para o exercício de seu mandato: todos os milhões de professores deste país estão sozinhos. Por mais que se reúnam em associações de classe, por mais que se façam programas de melhoria de ensino e de qualidade total, por mais que busquem cursos e cursos de aprimoramento profissional, os professores continuam irremediavelmente sozinhos.

Sabe-se que todo o exercício profissional exige, para sua boa execução, que se estenda sob ele uma rede imaginária e simbólica que liga, articula, organiza, prestigia e, portanto, atribui significação prática individual de seus participantes. A rede de ensino público está em pedaços. Não é a toa que os alunos não demonstram mais a antiga reverência diante do professor, reverência que em tempos passados os fazia tremer com um simples olhar do professor que dirigia-lhes e os chamava imediatamente à ordem. O professor não representa mais nada, não fala mais em nome de uma ordem trans-histórica, que o supera, e está jogado à sua imediata e trágica particularidade. No entanto, o ato de “lavar as mãos” e se acomodar diante das problemáticas educacionais brasileiras não leva a nenhuma melhora.

A situação dos professores perante a mudança social é comparável à de grupo de atores, vestido com trajes de determinada época, a quem sem prévio aviso se muda o cenário, em metade do palco, desenrolando um novo plano de fundo, no cenário anterior. Uma nova encenação pós-moderna, colorida e fluorescente, oculta a anterior, clássica e severa. A primeira reação dos atores seria a surpresa. Depois a tensão e desconcerto, com forte sentimento de agressividade, desejando acabar o trabalho para procurar os responsáveis, a fim de, pelo menos, obter uma explicação. Que fazer? Continuar a recitar versos, arrastando largas roupagens em metade de um cenário pós-moderno, cheio de luzes intermitentes? Parar o espetáculo e abandonar o trabalho? Pedir ao público que de rir para que se ouçam os versos? O problema reside em que, independentemente de quem provocou a mudança, são os atores que dão a cara. São eles, portanto, que terão que encontrar uma saída honrosa, ainda que não sejam os responsáveis (ESTEVE apud VASCONCELOS, 2003, p. 15).

O professor tem em suas mãos uma função importantíssima, não que não tivesse antes, mas agora, deverá buscar dentro de si, algo mais que atraia o jovem, que o faça ver na escola um referencial para sua vida, um lugar de construção, de segurança, de ajuda.

As propostas educacionais devem oferecer efetivamente referenciais, imagens ideais como um lastro maior do que aquelas oferecidas pela televisão, que ofereçam finalmente uma efetiva rede de sustentação simbólica e assim, terão grande chance de ser adotada pelos jovens.

Não se trata aqui de uma volta nostálgica ao passado. No entanto, mesmo sozinho nada se faz, um professor pode, contudo buscar uma retomada deste simbólico, dessa, tradição e reatar com ela. Pode beber desta fonte e rearticulá-la com o desejo que o levou a ocupar aquela posição.

O processo educacional desempenha papel decisivo na determinação da vivência ou não de quaisquer dificuldades.

A adolescência tem início quase na mesma época em que ocorre uma alteração no padrão de escolaridade. Os jovens mudam para um contexto educacional menos seguro, com freqüentes mudanças de disciplinas e exige-se deles maior independência. Exames competitivos criam muito estresse, justamente na época em que deveria ser suficiente ter de lidar com as alterações fisiológicas. Aqueles que continuam até o terceiro grau poderão se ressentir do fato de serem obrigados a continuar dependente dos pais; aqueles que saem da escola e ficam desempregados sofrem um significativo aumento de angústia e depressão.

Reconhecendo que a escola depois da família é o local onde o jovem agressivo pode ser ajudado, a orientação educacional assume a função de sensibilizar todo o corpo docente além de atender, amenizar e buscar soluções para ajudar o aluno agressivo. Ela lida com o conflito já pronto, assume o papel de orientar um trabalho conjunto com a coordenação pedagógica e com o corpo docente.

Dentro de uma instituição educacional o professor é quem lida diretamente com o aluno, é aquele que observa atitudes, detecta problemas, portanto não deve negar assistência àquele aluno que freqüentemente torna-se vítima de atos agressivos. É preciso interferir, porque quando o professor não toma nenhuma atitude, os estudantes podem interpretar o fato como aprovação e a situação tende a se agravar.

O diálogo é um instrumento importantíssimo nestes casos, mas muitas vezes a escola chama o aluno agressor e numa comunicação unilateral impõe as punições contidas num regimento escolar. Ao contrário disto, não eximindo o aluno de ser punido, é importante fazer uma reflexão acerca do ocorrido e se for freqüente e o jovem se fechar ao diálogo, é preciso reconhecer a possibilidade de um acompanhamento específico. Expulsar o aluno sucessivamente de nada adianta, deixar de reagir de forma assustada e acuada, passando a atuar de modo pensado e refletido, analisar o aluno, a freqüência de atos agressivos e repensar muitas vezes se a escola não está só cumprindo um programa de disciplina que privilegie o proibido e a punição, faz-se necessário construir um conjunto de regras claras e transparentes que ordenem as relações, enxergando o conflito como inerente aos grupos sociais diferentes que habitam o mesmo espaço.
Enfim, na atualidade a escola deve construir fundamentalmente um espaço em que os educadores e educandos construam valores como a tolerância, o respeito à diversidade, ao pluralismo cultural, à democracia e a negação da mercantilização da vida e coisificação do ser humano. É muito importante que se abra para a família, promovendo debates, palestras, discussões acerca de temas que estejam afligindo o universo familiar e escolar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Há uma grande preocupação em relação à maioria das escolas públicas brasileiras, pois existe uma carência de profissionais de apoio, especificamente de orientadores educacionais, e quando são admitidos muitas vezes acumulam funções e são designados para outros serviços em detrimento de sua principal função: atender e auxiliar na formação dos estudantes. Outro fator a ser destacado negativamente é a falta de qualificação suficiente para lidar com os diversos conflitos existentes numa escola.

A psicopedagogia sendo uma área que trabalha especialmente com alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e de relacionamento encontra na orientação educacional uma forte aliada, portanto é preciso haver e se promover uma interligação destas áreas dentro das escolas.
O psicopedagogo pode ser considerado um influenciador um auxiliador que leva à mudança, mas que também enfrenta muitas barreiras, sejam relativas à sua formação, seja à rejeição por parte dos próprios professores, seja por falta de investimentos em sua área e na educação em geral, seja pela cultura da exclusão que é tão forte nas escolas.Por isso, é de suma importância que se crie políticas públicas que olhem mais para os profissionais de apoio das escolas (orientadores, supervisores e coordenadores) e para os psicopedagogos, pois eles têm a função de ser auxiliadores e caminharem juntos com o processo educativo.Dessa forma, os cursos de formação de psicopedagogos deveriam ser estendidos para todo o território nacional, e estes fazerem parte do quadro de funcionários do sistema educativo, para assim vivenciar o processo ensino-aprendizagem dos alunos, que ele mais tarde irá atender.

Pensando nas contribuições que a psicopedagogia pode oferecer a um orientador educacional, acima de tudo, está a relação com a mudança de postura dos profissionais que estão nas escolas, impedir que o cotidiano, o dia-a-dia deixe as ações automáticas e desumanizadas. Passar a enxergar o ser humano (alunos agressivos) com olhos de ajuda, de querer construir uma escola inclusiva em todos os sentidos.

É relevante compreender que o orientador e toda a escola devem buscar primordialmente a humanização das relações, neste sentido não deveria haver espaço para exclusões, expulsões, rótulos e atitudes preconceituosas, pois a escola tem o ser humano como matéria-prima, algo tão sutil, delicado e importante.

A escola deve ter seu planejamento educacional permeado por projetos preventivos, que levem em consideração a situação sócio-econômica-cultural e familiar dos alunos, que não ignore o ambiente em que a escola está inserida, que valorize as artes em geral, que humanize e sensibilize a educação. Desta maneira não solucionará as problemáticas dos alunos agressivos, mas a escola se tornará um lugar aberto para ajudá-lo efetivamente.

A tarefa não é fácil, as escolas assumiram o que antes se atribuía à família: a educação dos filhos, por isso, deverá olhar mais as emoções, as reações, o grito de socorro destes jovens, que querem ser alguém, querem mostrar suas revoltas, seu jeito de reivindicar, de pedir oportunidades, mesmo que não o façam de modo adequado devemos orientá-los a encontrar o caminho certo.

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Andrea Margarete de Almeida Marrafon

Fonte: www.abpp.com.br

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