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O Fim do Professor?

O Fim do Professor?

No vendaval de mudanças trazidas pela revolução tecnológica, nada tem sido mais inquietante que o debate em torno do papel do professor diante das novas mídias interativas de acesso ao conhecimento e à informação.

Destinatário

Diretores, coordenadores, orientadores, supervisores e professores de todas as áreas, séries e segmentos.

Uso

O texto poderá ser utilizado em reuniões pedagógicas por meio de leituras, debates e reflexões.

Poucas profissões têm sido objeto de tantas exigências e depositária de enormes responsabilidades como o magistério. Redefinem-se os papéis da escola e dos mestres num processo rápido e, às vezes, cruel, que torna o mundo novo, pensado por Orwell, incapaz de traduzir tantas incertezas e medos. Paira sobre as salas de professores um permanente mal-estar, produto das condições materiais e psicológicas inadequadas para o exercício profissional. Estaríamos nós, mestres e professores, com prazo de validade vencido?

Diante de tantos avanços tecnológicos, várias ficções povoam nosso imaginário: escolas sem mestres, computadores-professores, disciplinas sem programas estabelecidos, fim das turmas e séries. Tudo isso e muito mais ameaçam e confirmam aquilo que seria meio e aparece como fim. O desafio enfrentado pelos professores começa, primeiramente, em perceber a diferença entre educação e ensino. O avanço dos métodos quantitativos levam a escola e seus mestres a serem tragados pela prevalência do ensino sobre a educação. Nesse caminho sem pedras ambos estão naufragando. Alunos inquietos e dispersos, problemas disciplinares constantes, pressão das famílias por respostas rápidas na educação de seus filhos e equívocos tremendos como a legislação sobre os direitos dos alunos que, no interesse legítimo de garantir o acesso à educação, cometeu exageros lamentáveis, que penalizam, ainda mais, o professor. Como sair desse marasmo? Perguntam, perplexos, os professores.

Ou os professores retomam o caminho da educação, no qual o ensino é apenas uma de suas partes integrantes, ou a escola será esvaziada de sentido e tragada pelo pulular dos saberes que circulam fora dos limites e muros escolares.A educação meramente informativa perdeu seu lugar no mundo das informações on-line. A presença do professor não é mais fundamental para se ter acesso a elas. Educar, hoje, exige um novo olhar sobre o papel da escola e de seus mestres. A ênfase na construção das habilidades torna fundamental a presença do professor. Educar exige o diálogo, a mediação e a ponderação que só em ambiente de trocas humanas dos saberes é possível serem verificado.

Qual será o papel da tecnologia na educação? Sem querer responder a questão e, procurando apenas indicar possíveis caminhos, diz-se que apenas tecnologia não basta. Muitos acreditam que sim. Encontra-se aí um grande equívoco. Sintonia com chips e bytes, nem de longe, conseguirá substituir a interação entre os construtores do saber. Tecnologia sem educação é o ensino "cosmético", que está mais para a parafernália do que para o suporte tecnológico necessário como meio na transmissão do conhecimento. Como diz a música de Toquinho: "Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo, e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo".

Aí está a magia da linguagem que só o ser humano constrói. São as ilações que só o processo de educação pode promover. Há três grandes desafios na educação contemporânea: primeiro, o desenvolvimento de múltiplas inteligências, do seu enfoque moderno da inteligência emocional ao exigente processo da inteligência coletiva, montada nas redes de conhecimento. Educar pessoas capazes de compartilhar o saber e, ao mesmo tempo, construí-lo coletivamente. Esse desafio exige do professor abrir mão do saber cumulativo e revelado que tem tornado a escola obsoleta. É preciso construir uma nova relação professor-aluno A escola como transmissora de conteúdos avaliados por testes já cumpriu o seu papel. Dela resulta o saber autoritário em que os professores sabem e ensinam, enquanto os alunos têm o aprendizado como único destino.

O segundo desafio será o de colocar a educação a serviço do projeto de sociedade que não aceite tiranias ideológicas ou econômicas. Para ser coerente com tal finalidade devem, escola e professor, repensar os mecanismos de poder no processo educacional. A escola deve ser um espaço em que se ganhe gosto pela democracia, em que se aprende a tolerância com relação às diferenças e, acima de tudo, se construa o discurso de interação e inserção no mundo, para torná-lo melhor.

Finalmente, urge repensar o exercício da profissão de professor. Acreditamos ser esse o maior desafio, pois vários fatores atuarão contrariamente a esse processo. Libertar o professor do simples domínio dos conteúdos e colocá-lo na condição de enfrentar e gerir a enxurrada de informações desta "idade mídia" que vivemos.

O mestre será um orientador que problematiza as questões do cotidiano, na perspectiva da construção do raciocínio no campo da probabilidade e nunca da certeza. Como observamos, os desafios são intrigantes, mas temos certeza, apenas, de uma coisa: os professores serão imprescindíveis na construção da escola como espaço de múltiplos saberes e transformação de alunos em pessoas capazes de estabelecer rupturas e ousadias e que se disponham a correr riscos, pois não há caminhos prontos e definidos, os passos definem os caminhos.

Fonte: Rede Pitágoras

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