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O Velho Chico dá Assunto Para Muita Escrita e Leitura

A polêmica transposição do rio São Francisco motivou os alunos de 8ª série a tomar contato com diversos tipos de texto e elaborar suas opiniões de forma oral, escrita e gráfica

O Velho Chico dá Assunto Para Muita Escrita e Leitura

A professora de Língua Portuguesa Maria do Rosário Porto, da Escola Municipal Geraldo Pereira de Souza, em Montes Claros (MG), gosta de usar assuntos da atualidade para motivar seus alunos a ler e a escrever. No primeiro semestre do ano passado, ela levou para a classe um jornal local. As manchetes informavam sobre as audiências públicas que estavam acontecendo na cidade e em Pirapora, município vizinho, sobre a transposição das águas do rio São Francisco. Ela supreendeu-se ao perceber que nenhum dos alunos sabia do que se tratava. Aliás, muitos nem sabiam que o Velho Chico passava ali perto... Diante das dúvidas que surgiram, Rosário constatou que o tema poderia motivar a turma a desenvolver o discurso crítico. A proposta era começar a análise com base em vários pontos de vista: o político, o geográfico, o técnico e o social. Um aluno propôs fazer uma viagem até o rio para que todos, afinal, conhecessem o objeto do projeto. A proposta parecia inviável pelo custo. Usando os próprios recursos, a professora pagou a viagem de ônibus até Pirapora, última etapa do projeto Geraldo visita Benjamin. Geraldo é a escola; Benjamin, o Velho barco a vapor que navega o São Francisco.

Passo-a-passo e metodologia

Contato com diversos tipos de texto

O primeiro passo foi ler um artigo com as informações básicas. Os alunos aprenderam sobre intertextualidade, pois o relato citava Padre Cícero e versos de músicas sobre o rio. Ao buscar dados nos jornais locais, analisaram como esse meio de comunicação organiza as informações (manchete, chamada, título e legenda) e os tipos de texto presentes (notícia, crônica, editorial). Muitos perceberam o posicionamento dos periódicos em relação ao tema. Depois de orientar a turma a fazer um resumo, a professora propôs a realização de debates regrados - tipo de texto argumentativo produzido oralmente. Ela atuou como mediadora. Já familiarizados com o tema, os jovens criaram charges e cartuns, tendo como exemplo os que haviam analisado nos jornais.

Literatura, poesia, música e filme

Depois da análise dos textos jornalísticos chegou a hora de tomar contato com o tema de forma subjetiva, por meio da literatura. A turma leu o livro ABC do São Francisco, estudou letras de músicas de diversos artistas, famosos ou não. O cantor Ronaldo Tobias foi à escola mostrar suas composições, uma delas vencedora do festival regional da canção de 2003, cujo tema era o Velho Chico. Na oficina de poemas, estudo de Castro Alves e produção própria: "Lavadeiras, remeiros e pescadores/Muitas histórias têm pra contar/Sobre essa obra de Deus/Que o homem quer levar", diz uma das estrofes do poema de Jaderson Peter, 14 anos. O documentário O Velho do Rio colocou a turma em contato com o texto de televisão e foi tema de dissertação.

A viagem até o rio

Parcerias com a Universidade Estadual de Montes Claros e com a Escola Argelce Mota, em Pirapora, a 190 quilômetros de Montes Claros, concretizaram o projeto. Os alunos prepararam questões para fazer a Gilvan Silva Pacheco, graduando de geografia, monitor no dia do passeio. Ele deu informações sobre a história e as características físicas da região e sobre o perfil socioeconômico das populações ribeirinhas. A escola parceira ofereceu almoço para a garotada. O guia local, Ítalo Caldeira, 12 anos, mostrou ruínas que os jesuítas deixaram quando ali estiveram durante o ciclo do ouro e levou os pesquisadores até a confluência do São Francisco com o rio das Velhas. A parada na cooperativa dos carranqueiros - profissionais que entalham em madeira esculturas que eram colocadas nos barcos e que hoje viraram peças de decoração - e na Casa do Artesão, em Buritizeiros, garantiu aos alunos o contato com as histórias de quem vive em função do rio.

Finalmente, o Benjamin

O vapor Benjamin Guimarães foi construído em 1913 e navegou pelo rio Mississippi, nos Estados Unidos, antes de aportar no São Francisco. Nos áureos tempos, quando ia de Pirapora, em Minas Gerais, até Juazeiro, na Bahia, a viagem demorava dez dias. Hoje, um passeio de três horas leva os turistas até Barra do Guaicuí - quando o barco não está em manutenção. No dia da visita dos alunos, o barco não navegou. Mas a turma conversou com remeiros e ex-capitães que passeiam por ali todo final de tarde. No texto final, agora cheio de histórias, de experiências pessoais e de informações, a concretização do projeto. "Os alunos se tornaram mais conscientes e participantes. Construímos juntos um conhecimento que sabíamos existir fora dos muros da escola, mas que nem sempre é fácil transpor", afirma a professora

Língua Portuguesa

Tema do trabalho

A atualidade como mote para redação

8ª série

Objetivos e conteúdos

A intenção de Maria do Rosário era que os alunos desenvolvessem a escrita, a oralidade e o poder de argumentação com base em tema controverso. Para isso usou o projeto do governo federal que prevê a transposição das águas do São Francisco. A meta era levar a turma a produzir textos para diversos tipos de interlocutor, levantando dados para sustentar um discurso crítico.

Avaliação

Os estudantes fizeram um portfólio, registrando inicialmente o que esperavam aprender e acrescentando no decorrer do projeto relatórios, registros de discussões em grupo, textos coletivos e individuais, poemas, charges e letras de músicas relacionadas ao assunto. No final de cada atividade, os alunos reorganizavam as informações, redigiam suas impressões e opiniões, sempre revendo seus posicionamentos.

Paola Gentile

Fonte: revistaescola.abril.com.br

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