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Seis Bilhões de Seres Humanos

A humanidade atingiu a inacreditável marca de 6 bilhões de habitantes. É claro que essa constatação da Organização das Nações Unidas (ONU), portanto, de uma instituição de credibilidade, é um número emblemático, fruto de um cálculo matemático. Projetava-se um ser humano número 6 bilhões pobre e nascido no chamado Terceiro Mundo. Para a ONU, havia 21% de chances de ser um indiano, 15% de ser um chinês, 5% de ser um paquistanês e 3% de chances de ser um brasileiro. Posteriormente, foi escolhida uma criança nascida em Sarajevo, na Bosnia. O secretário-geral da entidade, Kofi Annan, já a visitou. A humanidade levou longos séculos para atingir, em 1800, a então incrível marca de 1 bilhão de habitantes.

Roberto Campos apresenta números impressionantes: "Em 1800, a Terra tinha 1 bilhão de habitantes. Provavelmente, mais do dobro do que tinha em 1500, umas quatro vezes mais do que no começo da revolução agrícola, há uns 10 mil anos, quando, com mais comida e lazer, começou essa historia do crescei e multiplicai-vos" . Em 1927, a bola em que moramos dobrou a população para 2 bilhões; dobrou novamente em 1974, para 4 bilhões; e hoje esta pelos 6 bilhões. Atualmente, a população mundial cresce em torno de 80 milhões de pessoas por ano" .("Sobre proliferação e pobreza" , Zero Hora, 22/2/1998, página 16). Isso significa que, no atual século, a população humana praticamente quadruplicou. Projeções indicam que em 2048 esteja em torno de 10 bilhões de habitantes, pois aumenta 1 bilhão a cada 12 anos.

Os números são preocupantes, embora as mesmas estatísticas oficiais indiquem que hoje a Terra produz alimentos suficientes para 8 bilhões de pessoas, em uma media de duas mil calorias diárias indispensáveis para uma alimentação saudável ("O bebê número 6 bilhões" , Veja, 29/9/1999, páginas 84 e 89). Ao mesmo tempo, o FMI divulgou na semana retrasada documento em que prega uma globalização mais "humanizada". Ao concluir que o número de pessoas que trabalham por pagamento em torno de US$ 1 ao dia aumentou de 1,25 bilhão de habitantes para 1,7 bilhão, o FMI manifestou sua preocupação com a situação social desta verdadeira horda de excluídos. Se essa convicção não surge por outros meios, ao menos por necessidade parece que alguns voltam a repensar a situação em que vivemos hoje. E o velho raciocínio: "Vão-se os anéis, ficam os dedos" .

Outra informação foi mais chocante. O homem de Neanderthal, nosso antecessor de 100 mil anos atrás e que se extinguiu há aproximadamente 30 mil anos, era canibal. Cientistas franceses e americanos descobriram que comia até mesmo crianças e adolescentes de sua própria espécie. Talvez o homem da pós-modernidade hoje pratique atrocidades mais condenáveis, num "canibalismo social" de exclusão jamais visto, numa visão darwiniana do mundo que centraliza a riqueza cada vez mais e em que os pobres são cada vez mais pobres. Como se vê, a data é comemorativa, mas deve ser momento de reflexão em todas as áreas e ciências, por uma "nova humanidade" no novo milênio.

GONZAGA ADOLFO

Advogado, professor da Unisinos e da Ulbra

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