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Uma Caminhada já colabora com a Educação

Todo início de ano letivo é a mesma história: perto de muitas escolas, os órgãos fiscalizadores do trânsito colocam faixas de aviso aos pais pedindo que não parem o carro em fila dupla no horário de chegada ou de saída dos alunos. Mas eles param. Resultado? Sempre há congestionamento nesses lugares, com pessoas irritadas, buzinando e, frequentemente, falando grosserias umas às outras. E sempre com criança vendo tudo, é claro, e bem de perto. Boas desculpas os pais sempre acham que têm, mas elas não justificam tal atitude.

Não sei se as escolas abordam a questão com os pais nas primeiras reuniões do ano do mesmo modo como fazem com as questões pedagógicas e educacionais. Mas deveriam.

Não, a escola não tem como educar os pais, mas pode sugerir, por exemplo, algum esquema que não provoque tanto transtorno ao seu redor. Afinal, é a escola o local onde as crianças aprendem -na prática- as primeiras noções de cidadania, ou seja, como conviver no espaço público, com regras e limites.

Por que os pais não estacionam o carro nas proximidades da escola para ir buscar a criança a pé? Sabemos que as crianças, hoje, sofrem com a carência de espaço e de tempo livre para correr, pular, exercitar-se. Esse é um dos motivos que contribuem até mesmo para que a obesidade infantil cresça a índices nunca antes vistos. Então, uma caminhada de quatro ou cinco quadras até o carro estacionado, na hora em que sai da escola, pode ser uma boa chance para um pouco de exercício. Até para a mãe ou o pai. Pode parecer pouco, visto de maneira isolada, mas, se isso acontecer com regularidade, já passa a ter outro peso na rotina da criança.

Muitos pais vão dizer que têm pouco tempo e, por isso, esperam a criança dentro do carro na porta da escola. Bobagem. Se somarem o tempo em que ficam no tumulto esperando, talvez não cheguem a um resultado muito diferente daquele que obteriam caso calculassem o tempo que gastariam estacionando o carro nas proximidades para ir buscar o filho a pé. Sempre existe uma solução diferente e viável, desde que não seja apenas o interesse pessoal o único objetivo a ser alcançado.

Mas não é apenas nas proximidades das escolas -principalmente particulares- que trabalham com crianças que acontecem esses transtornos no trânsito no início do ano. Perto das universidades e das faculdades também. É nesta época que os calouros iniciam as aulas e enfrentam os trotes dos veteranos. E já virou rotina que eles parem nas esquinas e peçam dinheiro aos motoristas que param no sinal.

A moçada gosta e tem também bons motivos para isso. É engraçado, é uma farra para a maioria deles, é uma diversão em grupo que até serve de integração entre eles. Mas, de novo, eles atrapalham o trânsito e a vida de quem depende dele.

Isso sem falar na grande bobagem que é dar dinheiro, centavos que sejam -o valor não tem importância- a jovens de classe média para que torrem em bebida depois.
Sabemos que as faculdades, em geral, não apóiam nem aprovam essas atitudes. Diferentemente disso, muitas incentivam apenas o chamado trote solidário, que visa a algum trabalho voluntário para quem, de fato, precisa dele. Sabemos também que isso passa logo. Mas, como passamos por uma temporada de reflexão sobre a convivência pacífica ou a falta dela no espaço público, creio que é importante não colaborar com essa aparentemente inofensiva prática.

Vivemos um momento social bastante delicado. Soluções a médio e curto prazo são necessárias para que as pessoas consigam sair às ruas com um pouco mais de tranquilidade. Mas é a educação o elemento fundamental para tanto. É por isso que, mesmo nas mais simples atitudes, precisamos dar a nossa contribuição para a construção de uma nova maneira de conviver no espaço que é compartilhado por todos. Tomar conta desse espaço considerando apenas interesses pessoais ou de pequenos grupos é ignorar os outros. E isso -já sabemos- não dá certo.

Fonte: www.cnsf.com.br

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