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Côco

Cultura do Coqueiro

Côco

Origem da Cultura

A cultura do coqueiro (Cocos nucífera L.) é cultivada em aproximadamente 90 países , sendo típica de clima tropical. Tem origem no Sudeste Asiático. Os maiores produtores mundiais são: Filipinas, Indonésia e Índia.

No Brasil a cultura do coqueiro, variedade gigante, chegou possivelmente, na colonização portuguesa em 1553, oriunda da ilha de Cabo Verde, que por sua vez, foram originadas de plantações Indianas, introduzidas na África.

O coqueiro, variedade anã, foi introduzido no Brasil pelos Doutores: Artur Neiva e Miguel Calmon, quando retornavam de uma viagem ao Oriente em 1921, estimulados pela precocidade na produção e facilidade de colheita dos frutos.

O CULTIVO NO BRASIL

A cultura se adaptou bem no litoral Brasileiro, sendo encontrada em áreas desde o Maranhão até o Espírito Santo. O coqueiro pertence ao gênero Cocos e Família Palmae, sendo comumente tradada como palmeira .

Atualmente o Brasil possui em torno de 50 mil hectares implantados, com a cualtura do coqueiro anão, praticamanete em quase todos os Estados da Federação.

O maior produtor é o Estado do Espírito Santo, com aproximadamente 14 mil hectares, seguido pela Bahia, com aproximadamente 12 mil hectares e Ceará em terceiro, com 5 mil ha produzindo.

O Estado de São Paulo vem nos últimos anos substituindo as tradicionais culturas de café e laranja por coqueiro anão, devido a grande procura pela água do fruto, mundialmente conhecida como "Água de coco", que além do sabor adocicado apresenta características isotônicas em relação ao sangue humano, não sendo necessário acrescentar nenhum eletrólito. .

A água de coco envasada já pode ser encontrada no comércio na forma congelada, refrigerada, 100% natural e em embalagens “Tetra Pak”, longa vida, com 250 mm. Atualmente pesquisas tem sido realizada para a pasteurização da água de coco verde no próprio fruto, aumentando assim a vida útil do produto.

Com a expansão novas áreas nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, agricultores de regiões tradicionais, como o Ceará, Paraíba e Pernambuco estão perdendo mercado, principalmente pela distância dos centros consumidores.

A alternativa encontrada pelos produtores, além do envasamento da água é a exportação para outros Países. A primeira exportação de frutos verdes, in natura para a Europa (Itália e Inglaterra) foi realizada nos meses de agosto e setembro de 1999, o que deixou os produtores do Vale do São Francisco bastantes otimistas.

O fruto sob temperatura de 12oC, pode ser armazenado por um período de 28 dias, sem deformação da casca nem perda da qualidade da água.

De posse dessa informação produtores do Vale do São Francisco, conseguiram transportar em contêinres refrigerados por via marinha, até a Europa o fruto in natura, o que tornou a operação economicamente viável. Os produtores pretendem o mercado internacional, principalmente, durante o verão do Hemisfério Norte, período em que a demanda interna se retrai em função do inverno. O que facilitou o acesso ao mercado internacional do fruto in natura foi o desenvolvimento de um selo de qualidade, que atesta a procedência e a padronização do produto.

O coqueiro (Cocos nucifera L.) é uma planta arbórea, com caule ereto, sem ramificações e com folhas terminais. Pertencendo a família Palmae (Arecaceae), uma das mais importantes famílias da classe Monocotyledoneae, que possui mais de 200 gêneros com mais de 200 espécies.

O coqueiro é uma das plantas mais úteis do mundo. Conhecida como "a árvore da vida", ela tem um papel importante na vida das pessoas que habitam as regiões tropicais úmidas e, indiscutivelmente, tem tanta importância nos dias de hoje como em tempos passados. Constitui-se na mais importante das culturas perenes possíveis de gerar um sistema auto-sustentavél de exploração como provam vários países do continente asiático.

INFLORESCÊNCIA

O coqueiro é uma planta monóica produzindo flores unissexuadas em uma inflorescência ramificada normalmente, de 12 a 15 inflorescência por ano em intervalos de 24 a 30 dias. Uma inflorescência paniculada, parte sempre da axila da folha e acha-se envolta por por duas espatas, que a protege. A espata inferior tem cerca de 60 cm de comprimento e a forma de cunha. Sobre ele repousa o ramo florífero. A espata superior é cilíndrica e cobre a inflorescência. A espata superior tem o nome de buso antes de abrir e o nome de cangaço após aberta.

O cacho florífero é o ingaço. O crescimento da espata dura de 3 a 4 meses. A abertura da espata faz-se longitudinalmente e em cerca de 24 horas.

A inflorescência propriamente dita, consta de um pedúnculo, subcilíndrico flexível, e raque, que leva ramos em número variável de de 15 a 30 em cada inflorescência. cada ramo, na parte basal, possui corpo arredondado, com cerca de 15 mm de diâmetro, que são os botões, de flores femininas.

O número destes varia de zero a nove, conforme a variedade e o estado nutricional do coqueiro. Nos dois terços terminais do ramo acha-se flores masculinas, em números que variam de dezenas e centenas em cada um; são alongadas, menores que as femininas. Logo que a inflorescência abre-se, desabrocham também as flores masculinas sucessivamente, a começar pela base.

A flor masculina é composta de seis pequenas lâminas amarelas; as três externas são sépalas e as três internas, pétalas. No centro da flor, montadas em pequenos filamentos, estão seis anteras, que abertas deixam escapar o pólen, elemento de fecundação da das flores femininas para formação do fruto.

A flor feminina consta de uma espécie de botão, de coloração amarelo-clara, como a flor masculina, de três brácteas duras, curtas, seis folíolos esbranquiçados e um tanto carnudos, dos quais os três externos são as sépalas e os três internos são as pétalas.

O embrião da fruta encontra-se no meio sendo de coloração branco, esférico e tenso. Este é o futuro mesocarpo. No centro e na base do mesocarpo, encontra-se o óvulo sob a forma de um corpúsculo pequenino. Os estigmas acham-se na parte apical do embrião, e constam de três pequenas saliências.

A abertura das flores femininas não coincide, em geral, com a das masculinas. As flores masculinas abrem progressivamente, começando pela base,desde que a espata se abra.

Em três a cinco semanas todas as flores masculinas tem aberto e caídos. Enquanto isto, os botões das flores femininas continuam o seu desenvolvimento e mantêm-se fechadas. A fecundação nesse período é impossível. Começa então a abertura a abertura das flores femininas. Primeiro abrem as da base.

A abertura é também progressiva e dura cerca de uma semana. A fecundação deve se processar nas primeiras 24 horas que seguem a abertura da flor. depois desse período o estigma enegrece. caem as flores não fecundadas, persistindo as fecundadas, que evoluem e forma a fruta.

No coqueiro gigante, em uma mesma inflorescência, as flores masculinas abrem-se e disseminam o pólen antes que as flores femininas se tornem receptivas, sendo normal a polinização cruzada.

No anão, as flores masculinas e femininas amadurecem aproximadamente ao mesmo tempo, ocorrendo normalmente a auto-fecundação. No entanto, entre as cultivares do coqueiro anão, o nível de auto-fecundação é variável e ocorre de acordo com a variedade considerada.

O FRUTO

O coqueiro fornece não somente alimento, água e óleo de cozinha, mas também folhas para telhados de palha, fibras para cordas, tapetes e redes, casca que pode ser usada como utensílios e ornamentos, açúcar e álcool podem ser feitos da seiva de sua inflorescência e inúmeros outros produtos elaborados de partes da planta. O coqueiro também é, muito utilizada como planta ornamental em casas, parques e jardins. O desenvolvimento do fruto necessita de 12 meses, desde a diferenciação floral até a maturação completa.

PARTE AÉREA

A folha do coqueiro é do tipo penada, sendo constituída pelo pecíolo, que se continua pela raque, onde se prendem numerosos folíolos, podendo a folha atingir até 6 metros de comprimento.

A inflorescência é paniculada, axilar, protegida por bráctea grande, chamada espata; com flores masculinas e femininas na mesma inflorescência.

O fruto é uma drupa formado por uma epiderme lisa ou epicarpo, que envolve o mesocarpo espesso e fibroso, ficando mais para o interior uma camada muito dura, o endocarpo.

A semente é constituída de uma camada fina de cor marrom, o tegumento, que fica entre o endocarpo e o albúmem sólido (carne) onde fica o embrião; a cavidade interna é preenchida pelo albúmem líquido ( água do coco ).

SISTEMA RADICULAR

O coqueiro possui sistema radicular fasciculado, com maior concentração nos primeiros 60 centímetros e raio de 150 centímetros. Seu caule é do tipo estipe, não ramificado, muito desenvolvido e bastante resistente, não apresentando crescimento secundário.

VARIEDADES

O coqueiro é constituído de uma única espécie (Cocos nucifera), e pode ser dividido em três grupos:

Gigantes

Intermediários (híbridos) &

Anões

Cada grupo contém um número de variedades. As variedades são geralmente nomeadas de acordo com a sua suposta localidade de origem. As variedades gigantes apresentam de modo geral, fecundação cruzada; seu crescimento é rápido e fase vegetativa longa (cerca de sete anos).

ESPAÇAMENTO, COVEAMENTO & SOLOS

Os espaçamento mais recomendados são 7,5 m x 7,5 m para as variedades anãs, 8,5 m x 8,5 m para os híbridos e 9,0 m x 9,0 m para as variedades gigantes em triangulo equilátero, totalizando 205, 160 e 142 plantas por hectare.

As covas devem ser abertas com dimensões de 0,80 m x 0,80 m x 0,80 m.

Os solos mais indicados para a cultura são os areno-argiloso, profundos, com boa drenagem.

PLANTIO

O plantio deve ser realizado no início da estação chuvosa, caso a cultura não seja irrigada, ou qualquer época com irrigação. As mudas são colocadas no centro das covas tendo-se o cuidado de deixar sobre a parte superior da semente uma camada de terra suficiente para cobrí-la, mas sem permitir que o colo da planta fique coberto.

IRRIGAÇÃO

O coqueiro se adapta a diversos sistemas de irrigação.

Os mais recomendados são:

A irrigação localizada

No método de irrigação localizada, a quantidade de água necessária é fornecida individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através de redes de tubulações.

A água é aplicada no solo através de emissores, em pequena intensidade e alta freqüência, para manter a umidade próximo da ideal, que é a de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento superficial sejam minimizados. Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972) e, o segundo, o mais recente (1982).

Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação. Um sistema completo de irrigação localizada consta de conjunto motobomba, cabeçal de controle, linhas de tubulações (de recalque, principal, secundária e lateral), válvulas e emissores (gotejadores ou microaspersores). O conjunto motobomba é normalmente de menor potência, em virtude das pequenas alturas manométricas e das pequenas vazões do sistema.

O cabeçal de controle é o cérebro do sistema. Nele ocorrem vários processos fundamentais, tais como a filtragem da água, a mistura dos produtos para quimigação e a distribuição da água para os vários setores.

É composto de filtros, válvulas, manômetros e injetor de fertilizantes. Os filtros são de três tipos mais comuns: de areia, de tela e de disco. O de areia é usado para reter o material orgânico e partículas maiores e, por isso, é o primeiro filtro do sistema. Sua limpeza é feita facilmente com a retrolavagem, recomendada a cada aumento de 10 a 20% da perda de carga normal do filtro, quando limpo (aproximadamente 20 kPa). Em algumas condições especiais de qualidade da água ou mesmo em alguns sistemas de microaspersão, pode-se dispensar seu uso.

O filtro de tela tem grande eficiência na retenção de pequenas partículas sólidas, como a areia fina, porém entopem facilmente com algas. A tela usada apresenta orifícios que podem variar de 0,074 mm (200 mesh ou malhas por polegada) até 0,2 mm (80 mesh). Constitui, juntamente com o filtro de areia, o sistema de filtragem mais usado. Os filtros de discos têm forma cilíndrica e são colocados na linha, em posição horizontal.

O elemento filtrante é composto por um conjunto de pequenos anéis, com ranhuras, presos sobre um suporte central cilíndrico e perfurado. A água é filtrada ao passar pelos pequenos condutos formados entre anéis consecutivos. A qualidade da filtragem vai depender da espessura das ranhuras.

Na maioria dos coqueirais irrigados no Brasil até a década de 80, com irrigação localizada, dava-se preferência a irrigação por gotejamento, e ainda hoje vem sendo utilizada, principalmente nos Estados da Paraíba e Ceará.

Atualmente a irrigação localizada por microaspersão, vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que o próprio sistema apresenta como aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, além de melhor adequar o perfil do bulbo úmido ao sistema radicular da cultura.

A microaspersão na cultura do coqueiro, se expande em todo o Pais, principalmente nos municípios de Petrolina-PE, Juazeiro, Anagê, Bom Jesus da Lapa-BA, Varjota, Paraibaba-CE, Norte de Minas, Platô de Neópolis–SE e São Mateus, Vila Valério e São Gabriel da Palha–ES.

A irrigação localizada: Gotejamento e Microaspersão

A cultura do coqueiro exige grande quantidade de água durante seu desenvolvimento vegetativo e fase produtiva.. A irrigação, além de favorecer o desenvolvimento da planta, contribui para a precocidade de floração, que ocorre a um (01) e oito (08) meses que a partir daí produz continuamente. O suprimento adequado de água a cultura promove aumento da produtividade e a produção de frutos durante ano inteiro. A cultura do coqueiro adapta-se bem a diversos métodos de irrigação, dentre eles a irrigação por sulcos, a aspersão convencional e a irrigação localizada.

No método de irrigação localizada, a quantidade de água necessária a cultura é fornecida individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através de redes de tubulações. A água é aplicada em pequena intensidade, e alta freqüência para manter a umidade do solo na região explorada pelas raízes próxima à umidade de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento superficial sejam minimizadas.

Atualmente, a irrigação localizada vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que o próprio método apresenta, como aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, além de maior economia de mão-de-obra, água e energia, pois, molha somente parte da superfície do solo. Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972), e o segundo, o mais recente (1982). Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação.

No sistema por gotejamento, os gotejadores normalmente trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, cujas vazões variam de e 2 a 16 l.h-1, sendo mais comum na cultura do coqueiro, gotejadores com 4 l.h-1, dependendo do espaçamento entre gotejadores Os gotejadores são mais sensíveis ao entupimento, e proporcionam uma maior concentração do sistema radicular do coqueiro.

No caso da microaspersão no cultivo do coqueiro, os microaspersores normalmente também trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, atingindo vazões entre 20 a 100 l.h-1, sendo mais comum microaspersores com 30 a 50 l.h-1. Eles são menos sensíveis ao entupimento quando comparados aos gotejadores.

Na irrigação por gotejamento, deve-se usar no mínimo dois (02) gotejadores por planta, enquanto na irrigação por microaspersão usa-se apenas um (01) microaspersor por cova.

Na opção por microaspersão ou gotejamento, deve-se levar em consideração o tipo de solo, a quantidade e qualidade da água a ser utilizada. Se a água for escassa, e de baixa qualidade principalmente quanto à salinidade, com possibilidade de promover salinização, e se o solo for de textura média a argilosa deve-se dar preferência ao gotejamento, por proporcionar melhor volume de solo umedecido e menor incidência danoso dos efeitos da salinidade no solo e na cultura.

Nos solos arenosos, a microaspersão seria a mais recomendada, pois propiciará maior volume de solo molhado, neste tipo de solo, pois a água penetra e se move com maior velocidade, sendo necessário uma área de umedecimento maior, beneficiando o sistema radicular do coqueiro. Nas regiões com pouca possibilidade de salinização e independente do tipo de solo, como é o caso das zonas litorâneas, cerrados, etc, o mais recomendado seria a microaspersão.

Deve-se levar em consideração na momento de optar por um ou outro sistema localizado, a qualidade da água de irrigação. Água com alto teor de sais e matéria orgânica, pode ao longo do tempo promover obstruções nos gotejadores ou microaspersores.

Aspersão convencional

Neste método a água é aplicada na forma de chuva artificial com fracionamento do jato d’água, originando gotas que espalham pelo ar e atingem o solo. É um sistema pressurizado e sua distribuição envolve tubulações com derivações que conduzem a água até os aspersores que direcionam o jato e auxiliam seu fracionamento. os sistemas de irrigação por aspersão convencional é bastante utilizado, sendo que no extremo sul da Bahia estão usando, canhões e autopropopelidos em pomares novos em formação e início de produção.

A irrigação por superfície através de sulcos, respectivamente na ordem de maior adequação à cultura e economia d'água

Este sistema consiste na distribuição de água às áreas irrigadas utilizando a própria superfície do solo para escoamento gravitacional, durante o tempo necessário para que a água, infiltrada ao longo do sulco, seja suficiente para umedecer o solo da zona radicular efetiva da cultura.

Este sistema prevalece em quase todas as áreas de agricultura irrigada do mundo e também no Brasil, tendo sido o primeiro sistema de irrigação usado na cultura do coqueiro.
Para a cultura do coqueiro, geralmente utiliza-se um (01) a dois (02) sulcos por fileira de planta, o que resulta no molhamento de 30 a 80% da superfície total da área irrigada, diminuindo assim as perdas por evaporação, permitindo ainda realizar os tratos culturais e colheita durante e após a irrigação. Quanto a forma geométrica, a mais comum é “V”, com 15 a 20 cm de profundidade e 25 a 30 cm de largura, na parte superior, que normalmente conduz uma vazão inferior a 2 l/s.

Este sistema de irrigação é comum na região de Souza-PB, Juazeiro-BA, Petrolina-PE, Pentecoste e Lima Campos-CE, em áreas de pequenos produtores localizadas em perímetros irrigados.

PRODUÇÃO

Os frutos são grandes, em número de 50 a 80 por planta/ano geralmente, variedades gigantes, e 150 a 240 frutos/planta/ano nas variedades anãs . Os frutos se prestam tanto para o consumo “in natura” como para a produção de copra para a indústria, pois, possuem endocarpo espesso e firme.

FRUTO DO COQUEIRO “COCO”

O coco se desenvolve a partir de sua semene chamada drupa, sendo formado por três carpelos, onde apenas um deles se desenvolve. O fruto é mais ou menos de formato ovóide, dependendo da variedade, que também condiciona seu tamanho.

O coco consta, conforme FIGURA abaixo, de um exocarpo ou epicarpo, camada fina, que cobre o mesocarpo fibroso, formando a casca do coco (com aproximadamente 5 cm de espessura) dependendo da variedade. Por baixo desta, encontra-se o endocarpo, lenhoso, muito duro, denominado de casquilho ou quenga.

O casquilho apresenta três bordas aproximadamente longitudinais e três depressões bem definidas na base, que representam as divisões dos três carpelos originados da flor, que são conhecidos como poros germinativos e estão situados no final do fruto, onde se prende ao pedúnculo.

Côco
Corte longitudinal do coco (Cocos nucifera, L.)

Antes de amadurecer, os frutos estão quase que completamente cheios com uma substância denominada água de coco, cuja quantidade e composição combinam a medida que avança o desenvolvimento.

Quando os frutos estão completamente maduros, esta água desaparece quase que complemente, e forma o endosperma sólido, de cor branca. Para a germinação do fruto é necessário pequena quantidade de água de coco: um coco seco não germina.

O endosperma sólido do coco é uma camada fina, e quando jovem, parece geleia, no entanto, fica mais grossa a medida que a amêndoa vai amadurecendo, chega a 1 cm ou mais.

Na primeira fase de (4 a 5 meses), ocorre o desenvolvimento da amêndoa, da casca, casquilho e a água de coco que enche totalmente seu interior. Na segunda fase (que dura de 6 a 8 meses), a casca e o casquilho se endurecem e engrossam. Na terceira fase, o endosperma se desenvolve e amadurece.

Em geral, quando o fruto tem uns 160 dias, alcança seu tamanho máximo e começa a formar a amêndoa. Quando tem 220 dias, começa a madurecer o casquilho.

O endosperma sólido, está completamente formado em torno de 300 dias e em 12 meses, o casquilho, está completamente maduro, juntamente com o fruto. A casca, que se forma ao mesmo tempo que o embrião, que, em seu período inicial é tenro, e, logo se enrijece e escurece. O fruto chega a alcançar o peso médio de 3 a 4 Kg.

A TABELA abaixo apresenta a composição média em valores percentuais dos componentes do fruto.

Componentes  %
Casca  35
Casquilho  12
Amêndoa  28
Água  25

Esses valores são bastantes uniformes para coco maduro de vários tamanhos e mesma variedade e, portanto, podem utiliza como medida para determinar o rendimento de copra, procedendo simplesmente pesando os frutos. A amostragem de 100 frutos deve dar um peso médio compreendido entre uns 5 a 6% de erro, e em 500 frutos, em torno de 2,5%, quando os diferentes pesos variam dentro de limites de 3 a 1%.

Os diferentes métodos permitem avaliar, mais ou menos, o rendimento da copra na cultura, sem que seja necessário partir os frutos e nem sequer descascá-las.

CAUSAS DA QUEDA PREMATURA DE FRUTOS DO COQUEIRO ANÃO

As espécies vegetais cultivadas exigem condições específicas de clima, suprimento de água e nutrientes, em quantidade e distribuição adequada, para desenvolverem-se e atingirem máxima produção. Na cultura do coqueiro, a exigência é intensificada, já que a planta produz continuamente, durante todo o ano.

Caso essas condições seja adequadas, o coqueiro emite uma nova folha a cada 21 dias e junto a ela uma inflorescência. A diferenciação das flores femininas ocorre no palmito e a sua emissão dura em torno de doze meses, quando esta abre-se e é polinizada, ocorrendo o pegamento, o fruto desenvolve-se e é colhido seis meses após a abertura da espata.

A conseqüência do padrão de desenvolvimento da inflorescência em uma planta de coqueiro anão será a reação imediata ao não atendimento das exigências de clima, água e nutrientes é uma redução na produtividade, uma vez que haverá uma queda prematura de frutos, os quais a planta não será capaz de manter até o ponto de colheita.

Outro fator importante relacionado também à queda de frutos prematuros são os ataques de insetos e pragas, devido a um inadequado manejo de controle fitossanitário. Na cultura do coqueiro, um dos baixos índices de produtividade é devido a elevada queda prematura de frutos. É comum ocorrer na cultura a queda, de até 75 % dos frutos jovens da emergência da espádice e até algumas semanas após a polinização. A queda de frutos na cultura do coqueiro se deve à associação de uma série de fatores.

Destacam-se entre esses, os relacionados a seguir:

FATORES FISIOLÓGICOS

No coqueiro anão, as flores masculinas e femininas amadurecem aproximadamente ao mesmo tempo, ocorrendo normalmente autofecundação. No entanto, entre as cultivares do coqueiro anão, o nível de autofecundação é variável e ocorre de acordo com a variedade considerada.

Sendo assim alguns frutos caem por falhas de polinização, sendo atribuídas a causas fisiológicas, que determinam uma queda normal, comparável àquela das árvores frutíferas em geral. Muito pouca queda ocorre em seguida a esse período inicial, a não ser que as condições sejam extremamente desfavoráveis.

Há também variação sazonal no número de flores femininas formadas em cada inflorescência consecutiva e, portanto no número de frutos que amadurecem.

FATORES NUTRICIONAIS

A condição nutricional da cultura do coqueiro e extremamente importante à produção. A quantidade de nutrientes extraídos pela cultura poderá atingir valores elevados, considerando-se que a produtividade pode situar-se entre 150 a 200 frutos/planta/ano a partir do 3o ano de produção ( 5o ano de cultivo).

Esta estando em deficiência ocasiona considerável queda dos frutos e baixa produtividade, já que o pegamento dos frutos determinam o tamanho da safra.

Verifica-se também que o índice de pegamento de frutos diminui após uma safra abundante, como conseqüência de condição nutricional exaurida.

Para manter uma produção constate, evitando a queda prematura deve-se realizar além da análise química uma análise foliar, uma vez que existe relação entre a quantidade de nutrientes nas folhas e a produção da cultura. A adubação deve ser realizada anualmente, baseada nos resultados das análises de solo associados aos da análise foliar, para repor os nutrientes retirados pela colheita.

FATORES AMBIENTAIS

O coqueiro é uma palmeira tropical, e seu desenvolvimento é favorável em climas quentes e úmidos, os quais são encontrados entre as latitudes 20o N e 20o S.

A temperatura de 27o C é considerada ótima para o coqueiro, o qual tem seu desenvolvimento prejudicado se as temperaturas mínimas diárias forem inferiores a 15o C. Temperaturas maiores que a ótima são toleráveis pela cultura se não houver baixa umidade relativa do ar.

A umidade relativa do ar em torno de 80% é adequada ao desenvolvimento do coqueiro. Se a umidade atmosférica for menor que 60% e estiver associada a ventos quentes e secos, poderá haver prejuízo no desenvolvimento da cultura, devido a uma alta taxa de transpiração foliar, a qual não poderá ser compensada pela absorção de água através das raízes. Uma umidade relativa maior que 90% também pode prejudicar a planta, porque reduz a absorção de nutrientes devido à menor transpiração, provocando queda prematura de frutos, além de favorecer a propagação de doenças.

A luz é outro fator importante para o bom desenvolvimento da cultura. Considerando-se como ideal uma insolação anual de 2.000 horas com, no mínimo, 120 horas/mês. Entretanto, a intensidade dessa luz também é importante. Em dias nublados, as nuvens reduzem a radiação solar, o que pode interferir negativamente na fotossíntese do coqueiro.

A cultura do coqueiro anão produz continuamente durante o ano todo. E a partir da polinização os frutos são colhido em torno de 6 meses, conclui-se que qualquer estresse, nesse período pode afetar a produção. Um déficit hídrico prolongado (mais de 03 meses com precipitações abaixo de 50 mm) pode provocar queda prematura de frutos, daí a importância da irrigação sobre o rendimento da cultura. Por outro lado, chuvas excessivas também prejudicam a cultura devido às menores insolação, eficiência de polinização e aeração do solo e da maior lixiviação de nutrientes.

FATORES FITOSSANITÁRIOS

O coqueiro pode ser atacado, na fase de produção, por diversas pragas e doenças, e este é um dos fatores importantes para a redução da produtividade da cultura. Os mais importantes estão relacionados abaixo.

INSETOS

Homalinotus coriaceus (Gylenhal, 1836)l (Coleóptero : Curculionidade) ou broca do pedúnculo floral. A fêmea deposita os ovos no pedúnculo floral, as larvas quando eclodem abrem galerias no pedúnculo, ocasionando a queda de frutos e às vezes do cacho completo, causa a queda em torno de 50% dos frutos novos.

Hyalospila ptychis (Dyar., 1919) ( Lepidoptera : Phycitidae) ou traça dos cocos novos. A largadas atacam a inflorescência recém-abertas, roendo os carpelos das flores femininas, quando tenras, perfuram as brácteas provocando o aborto e queda da flor atacada. Atacam também os cocos novos, introduzindo-se por baixo das brácteas na base destes, abrindo galerias no mesocarpo e causando a exsudação da seiva que se solidifica em forma de goma. Os frutos atacados ou caem logo ou crescem deformado assimétricos.

Parisoschoenos obessulus (Casey, 1922) (Coleóptero : Curculionidade) ou gorgulho dos frutos e flores. O inseto ataca as flores femininas na base e corrói o mesocarpo, causando o aborto delas.

Eriophyes guerreronis Keiher (Acari : Eriophyidae) ou ácaro da necreose do coqueiro. Nos frutos jovens atacam os tecidos meristemáticos quando as brácteas se abrem, causando necrose e sua queda prematura. Nos frutos, que não caem as lesões necrosadas e suberizadas apresentam escoriações longitudinais características. O ferimento deixado pelo ácaro permite a penetração do fungo da antracnose.

DOENÇAS

Antracnose ou podridão do fruto, Colletotrichum gloeosporioides Penz. O ataque é facilitado pelo ferimento deixado pelo ácaro Eriophyes guerreronis.

Apesar da incidência (ocorrência e da severidade (grau de ataque) de cada inseto/doença varia de região para região, alguns cuidados devem ser tomados pelos produtores, a fim de minimizar o efeito desses agentes.

Esses cuidados envolvem a utilização de mudas sadias, a realização de tratos culturais e adubações adequadas e a correta identificação das causas dos problemas da cultura, que podem ser, além de fisiológicos, nutricionais, ambientais e fitossanitário. Outro cuidado, a fim de identificar os precocemente as possíveis pragas/doenças, é a fiscalização mensal da cultura, observando rigorosamente eventual ocorrência.

Colheita

O método de colheita depende de vários fatores, dentre os quais, a tradição local, o clima, a variedade, e a finalidade a que se destina o fruto. Por exemplo, no Sri Lanka a variedade gigante, não desprende seus frutos quando estão maduros e por tanto, devem ser cortados. Por outro lado, na Nova Guiné, os frutos caem por si só, e geralmente se deseja que isso ocorra.

As variedades anãs tem vantagens evidentes para a colheita mesma assim algumas variedades anãs crescem a uma altura considerável, e nunca alcançam as das variedades gigantes, que as vezes chegam a 30 metros de altura. Em ambas, quanto mais velhas as árvores estão, mais difícil resultam suas colheitas.

Uma das característica mais importante do coco é ter uma produção escalonada durante todo o ano, em virtude a sua floração ser ininterrupta.

O tamanho dos frutos a serem colhidos, depende de seu uso final. Quando se quer utilizar a água do coco para consumo in natura, os frutos são colhidos quando estão tenros (verdes) a partir de 6 a 8 meses após abertura da espata. Nesta fase de desenvolvimento os componentes da água do copo chegam ao máximo, em torno de 5%, quando se considera seu sabor ótimo, e o máximo de volume de água (em torno de 500 a 600 ml) para um coco de bom tamanho.

Para alimentação local o coco pode ser colhido em várias fases de desenvolvimento, desde que estejam totalmente maduros, ou antes, caso seja para consumo in natura, ou para a indústria de envasamento.

A parte gelatinosa do endosperma, tem sido empregado para alimentação infantil. Em uma fase mais avançada, se utiliza para rápida refeição e preparo de produtos fermentados ou quando se encontra totalmente madura, se consome natural, geralmente ralada, ou é usado para extração do leite de coco.

O coco para industria é colhido completamente maduro, em torno de 12 a 14 meses após a abertura da espata.

Para a produção de copra e coco ralado, a coleta deve ser realizada quando os frutos estiverem completamente maduros.

A copra obtida de coco verde, tem mais água e menos leite de coco, sendo mais difícil de completar sua secagem.

De acordo com o ciclo de crescimento biológico, um cacho maduro é colhido a cada 25 a 30 dias, segundo a variedade.

A colheita de cocos maduros pode ser através de dois sistemas: colheita dos frutos caídos ou colheita retirando-se o fruto da árvore.

A colheita de frutos caídos é mais econômica e prática. Contudo, devido as perdas que ocorrem no chão, particularmente, quando há muita vegetação cobrindo o terreno, oculta os frutos caídos, que ficam perdidos.

Outras perdas são devido a possíveis ruptura de alguns frutos ocasionada na queda. Devido essas perdas, nem todos os cocos produzidos atingem a fase de processamento.

Uma desvantagem da colheita quando o fruto cai é a impossibilidade de inspecionar a copa da árvore, e de localizar, um possível ataque de praga ou doenças. A colheita de frutos, subindo na árvore, apresenta uma série de inconvenientes. Há perigo, principalmente, quando o tronco está molhado, como também este método apresenta pouca eficiência.

Na colheita diretamente na árvore, os cachos, ou são cortados com uma pequena foice na extremidade mais longa, deixando os frutos caírem no chão, ou são descidos amarrados em uma corda ou em cestos, para evitar as perdas. Este método não é muito eficiente, pois cocos maduros podem ser derrubados juntamente com os do mesmo cacho não maduros.

O colhedor de coco, sobe na estipe com ajuda de dois laços de cordas ou peias, para cada pé, constituindo uma espécie de degrau de corda, que se desloca com o colhedor.

Este ao atingir o cacho a ser colhido, com um podão, corta os cachos de cocos maduros ao mesmo tempo que procede à poda das folhas secas e à limpeza, e outro trato cultural caso seja necessário, como controle de pragas e doenças. Um método mais geral para colheita dos frutos em coqueiros mais baixos, pode ser com uso de escadas ou com um suporte (vara), com uma pequena foice, curvada, na extremidade mais longa.

Irrigação no Coqueiro

A cultura do coqueiro anão é cultivada em quase todos os estados brasileiro, principalmente na região nordeste. A expansão desordenada, exige que pesquisas sejam desenvolvidas para definir os parâmetros regionais, utilizado no manejo da cultura.

A IRRIGAÇÃO DO COQUEIRO NO BRASIL

INTRODUÇÃO

A cultura do coqueiro anão (Cocos nucifera L.) exige grande quantidade de água durante seu crescimento vegetativo e na fase de produção de frutos com boa qualidade, sendo assim, dificilmente encontrará água disponível em quantidades adequadas para atender a demanda evapotranspirativa em condições de cultivo em sequeiro.

O coqueiro é uma planta essencialmente tropical e encontrou no Brasil excelentes condições climáticas, para seu pleno desenvolvimento e potencial produtivo. A cultura encontra condições climáticas favoráveis entre 24°N e 23°S de latitude, temperatura média anual em torno de 27ºC, com oscilações de 5° a 7°C, umidade relativa entre 65 a 85%, pluviosidade entre 1.200 a 2.200 mm anuais, bem distribuídos.

O coqueiro não desenvolve-se bem sob qualquer sombreamento ou condições de intensa nebulosidade, para tanto, exige em torno de 2.000 horas de luz de sol/luminosidade/ano e 120 horas/mês como limite quantitativos.

Os ventos fracos e moderados com velocidade de até 4 mps beneficia o desenvolvimento da cultura, estimulando a absorção de água e nutrientes pela planta. Ventos frios são indesejáveis, já que prejudicam o desenvolvimento da mesma.

A cultura desenvolve-se melhor em solos com textura média, permeáveis e férteis, sendo que de 70 a 90% de seu sistema radicular fasciculado estão distribuídos entre 0,2 a 1,0 m de profundidade e até 1,50 m de raio da estipe da planta.

É uma cultura que exige cuidados em relação aos tratos culturais, principalmente a irrigação. A ocorrência de déficit hídrico na fase de produção afeta o desenvolvimento e formação dos frutos. A baixa pluviosidade em algumas regiões pode ser compensada pela situação favorável do lençol freático, pois a cultura desenvolve seu sistema radicular profundo, conseguindo resistir a déficit hídrico nos períodos com escassez de chuvas.

A irrigação possibilita elevar a produção além de suplementar a quantidade total de água que a planta necessita durante o período de seca, e mantém um nível normal de água disponível no solo durante o ciclo da cultura para produzir frutos com qualidade, destinados ao comércio interno e exportação.

NECESSIDADE HÍDRICA

O fruto do coqueiro anão é extremamente rico em água (em torno de 450 ml). A diferenciação das flores femininas, ocorre no palmito e a emissão da espata dura em torno de doze meses, quando esta abre-se e é polinizada. O fruto desenvolve-se e é colhido seis meses após a abertura da espata.

A ocorrência de déficit durante a fase de produção irá comprometer a diferenciação e conseqüentemente a produção no ano seguinte.

Devido ser a cultura extremamente sensível ao déficit hídrico, em regiões com precipitações irregulares ou inferiores a 1.200 mm/ano é necessário a suplementação com água através da irrigação. Em regiões semi-áridas, onde a precipitação pluviométrica na sua maioria varia de 400 a 700 mm/ano e distribuída em 3 a 4 meses do ano, com escassez de chuvas nos meses restantes a irrigação é indispensável.

IRRIGAÇÃO NECESSÁRIA

Á água necessária para atender a demanda evapotranspirativa de uma cultura é um importante parâmetro a ser considerado no planejamento, dimensionamento e manejo da irrigação.

A irrigação pode ser suplementar, para corrigir a escassez de chuvas ou total sem considerar a precipitação efetiva, de modo que não limite o crescimento e produção da cultura.

MÉTODOS DE IRRIGAÇÃO

A cultura do coqueiro adapta-se bem aos diversos métodos de irrigação, dentre eles; irrigação por superfície com sulco, irrigação por aspersão e irrigação localizada.

A escolha do método de irrigação adequado depende de vários fatores a ser considerados, tais como, clima, tipo e topografia do solo, quantidade e qualidade da água disponível, práticas culturais e custos de implantação e operação do sistema.

Normalmente os sistemas de irrigação por sulcos são os de menor custo de implantação por unidade de área, os de aspersão convencional de custo médio e os localizados de maior custo. Quanto aos custos com operação do sistema, há uma inversão na ordem,

Os sistemas de menor custo são os localizados e os de maior custos os sistemas de irrigação por sulco. Com relação a operação dos sistemas de irrigação no campo, os sistemas de irrigação localizado e por aspersão são os que apresentam mais facilidade na condução do que o sistema de irrigação por sulco.

A irrigação localizada

No método de irrigação localizada, a quantidade de água necessária é fornecida individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através de redes de tubulações.

A água é aplicada no solo através de emissores, em pequena intensidade e alta freqüência, para manter a umidade próximo da ideal, que é a de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento superficial sejam minimizados.

Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972) e, o segundo, o mais recente (1982).

Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação. Um sistema completo de irrigação localizada consta de conjunto motobomba, cabeçal de controle, linhas de tubulações (de recalque, principal, secundária e lateral), válvulas e emissores (gotejadores ou microaspersores).

O conjunto motobomba é normalmente de menor potência, em virtude das pequenas alturas manométricas e das pequenas vazões do sistema. O cabeçal de controle é o cérebro do sistema. Nele ocorrem vários processos fundamentais, tais como a filtragem da água, a mistura dos produtos para quimigação e a distribuição da água para os vários setores. É composto de filtros, válvulas, manômetros e injetor de fertilizantes. Os filtros são de três tipos mais comuns: de areia, de tela e de disco.

O de areia é usado para reter o material orgânico e partículas maiores e, por isso, é o primeiro filtro do sistema. Sua limpeza é feita facilmente com a retrolavagem, recomendada a cada aumento de 10 a 20% da perda de carga normal do filtro, quando limpo (aproximadamente 20 kPa).

Em algumas condições especiais de qualidade da água ou mesmo em alguns sistemas de microaspersão, pode-se dispensar seu uso. O filtro de tela tem grande eficiência na retenção de pequenas partículas sólidas, como a areia fina, porém entopem facilmente com algas. A tela usada apresenta orifícios que podem variar de 0,074 mm (200 mesh ou malhas por polegada) até 0,2 mm (80 mesh).

Constitui, juntamente com o filtro de areia, o sistema de filtragem mais usado. Os filtros de discos têm forma cilíndrica e são colocados na linha, em posição horizontal. O elemento filtrante é composto por um conjunto de pequenos anéis, com ranhuras, presos sobre um suporte central cilíndrico e perfurado. A água é filtrada ao passar pelos pequenos condutos formados entre anéis consecutivos. A qualidade da filtragem vai depender da espessura das ranhuras.

Na maioria dos coqueirais irrigados no Brasil até a década de 80, com irrigação localizada, dava-se preferência a irrigação por gotejamento, e ainda hoje vem sendo utilizada, principalmente nos Estados da Paraíba e Ceará. Atualmente a irrigação localizada por microaspersão, vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que o próprio sistema apresenta como aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, além de melhor adequar o perfil do bulbo úmido ao sistema radicular da cultura. A microaspersão na cultura do coqueiro, se expande em todo o Pais, principalmente nos municípios de Petrolina-PE, Juazeiro, Anagê, Bom Jesus da Lapa-BA, Varjota, Paraibaba-CE, Norte de Minas, Platô de Neópolis–SE e São Mateus, Vila Valério e São Gabriel da Palha–ES.

A irrigação localizada: Gotejamento e Microaspersão

A cultura do coqueiro exige grande quantidade de água durante seu desenvolvimento vegetativo e fase produtiva.. A irrigação, além de favorecer o desenvolvimento da planta, contribui para a precocidade de floração, que ocorre a um (01) e oito (08) meses que a partir daí produz continuamente. O suprimento adequado de água a cultura promove aumento da produtividade e a produção de frutos durante ano inteiro.

A cultura do coqueiro adapta-se bem a diversos métodos de irrigação, dentre eles a irrigação por sulcos, a aspersão convencional e a irrigação localizada.

No método de irrigação localizada, a quantidade de água necessária a cultura é fornecida individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através de redes de tubulações. A água é aplicada em pequena intensidade, e alta freqüência para manter a umidade do solo na região explorada pelas raízes próxima à umidade de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento superficial sejam minimizadas.

Atualmente, a irrigação localizada vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que o próprio método apresenta, como aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, além de maior economia de mão-de-obra, água e energia, pois, molha somente parte da superfície do solo. Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972), e o segundo, o mais recente (1982). Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação.

No sistema por gotejamento, os gotejadores normalmente trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, cujas vazões variam de e 2 a 16 l.h-1, sendo mais comum na cultura do coqueiro, gotejadores com 4 l.h-1, dependendo do espaçamento entre gotejadores Os gotejadores são mais sensíveis ao entupimento, e proporcionam uma maior concentração do sistema radicular do coqueiro.

No caso da microaspersão no cultivo do coqueiro, os microaspersores normalmente também trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, atingindo vazões entre 20 a 100 l.h-1, sendo mais comum microaspersores com 30 a 50 l.h-1. Eles são menos sensíveis ao entupimento quando comparados aos gotejadores.

Na irrigação por gotejamento, deve-se usar no mínimo dois (02) gotejadores por planta, enquanto na irrigação por microaspersão usa-se apenas um (01)microaspersor por cova.

Na opção por microaspersão ou gotejamento, deve-se levar em consideração o tipo de solo, a quantidade e qualidade da água a ser utilizada.

Se a água for escassa, e de baixa qualidade principalmente quanto à salinidade, com possibilidade de promover salinização, e se o solo for de textura média a argilosa deve-se dar preferência ao gotejamento, por proporcionar melhor volume de solo umedecido e menor incidência danoso dos efeitos da salinidade no solo e na cultura.

Nos solos arenosos, a microaspersão seria a mais recomendada, pois propiciará maior volume de solo molhado, neste tipo de solo, pois a água penetra e se move com maior velocidade, sendo necessário uma área de umedecimento maior, beneficiando o sistema radicular do coqueiro.

Nas regiões com pouca possibilidade de salinização e independente do tipo de solo, como é o caso das zonas litorâneas, cerrados, etc, o mais recomendado seria a microaspersão. Deve-se levar em consideração na momento de optar por um ou outro sistema localizado, a qualidade da água de irrigação. Água com alto teor de sais e matéria orgânica, pode ao longo do tempo promover obstruções nos gotejadores ou microaspersores.

Aspersão convencional

Neste método a água é aplicada na forma de chuva artificial com fracionamento do jato d’água, originando gotas que espalham pelo ar e atingem o solo. É um sistema pressurizado e sua distribuição envolve tubulações com derivações que conduzem a água até os aspersores que direcionam o jato e auxiliam seu fracionamento. os sistemas de irrigação por aspersão convencional é bastante utilizado, sendo que no extremo sul da Bahia estão usando, canhões e autropopelidos em pomares novos em formação e início de produção.

A irrigação por superfície através de sulcos, respectivamente na ordem de maior adequação à cultura e economia d'água

Este sistema consiste na distribuição de água às áreas irrigadas utilizando a própria superfície do solo para escoamento gravitacional, durante o tempo necessário para que a água, infiltrada ao longo do sulco, seja suficiente para umedecer o solo da zona radicular efetiva da cultura.

Este sistema prevalece em quase todas as áreas de agricultura irrigada do mundo e também no Brasil, tendo sido o primeiro sistema de irrigação usado na cultura do coqueiro.

Para a cultura do coqueiro, geralmente utiliza-se um (01) a dois (02) sulcos por fileira de planta, o que resulta no molhamento de 30 a 80% da superfície total da área irrigada, diminuindo assim as perdas por evaporação, permitindo ainda realizar os tratos culturais e colheita durante e após a irrigação. Quanto a forma geométrica, a mais comum é “V”, com 15 a 20 cm de profundidade e 25 a 30 cm de largura, na parte superior, que normalmente conduz uma vazão inferior a 2 l/s.

Este sistema de irrigação é comum na região de Souza-PB, Juazeiro-BA, Petrolina-PE, Pentecoste e Lima Campos-CE, em áreas de pequenos produtores localizadas em perímetros irrigados.

Luís Camboim

Fonte: www.br.geocities.com

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