A colecistite é uma inflamação da vesícula biliar, um pequeno órgão em forma de saco, localizado no quadrante superior direito do abdómen, sob o lobo direito do fígado.
Em condições normais, a vesícula funciona como um reservatório de bílis, um líquido produzido pelo fígado, que contem enzimas que digerem as gorduras. Durante uma refeição, a bílis passa da vesícula para um canal de excreção, sendo então conduzida até ao intestino, mais concretamente ao duodeno, onde vai então participar na digestão.
A colecistite desenvolve-se, geralmente, quando uma pessoa tem litíase vesicular, isto é, cálculos biliares (pedras na vesícula), que são depósitos que se formam no interior da vesícula a partir do colesterol ou dos pigmentos biliares existentes na bílis. Se um dos cálculos sai da vesícula e provoca a obstrução do seu canal excretor, a bílis fica aprisionada no interior da vesícula, o que vai levar à inflamação da parede, seja por ação direta dos químicos existentes na bílis, seja porque a estase favorece a infecção bacteriana, constituindo-se assim a colecistite.
Um bloqueio súbito da excreção da bílis com infecção dá origem a uma colecistite aguda, contudo, se ocorrerem ataques ligeiros, repetidos, de colecistite aguda, pode-se desenvolver uma colecistite crónica, que se caracteriza por uma vesícula com parede espessada e retraída em virtude dos múltiplos episódios de inflamação e irritação da parede. Eventualmente, numa fase mais avançada, a vesícula pode estar tão retraída que perde a capacidade de armazenar e libertar a bílis.
Os cálculos biliares podem, por si só, sem que haja inflamação, causar dor recorrente devido a uma obstrução intermitente, o que é denominado cólica biliar.
Estima-se que pelo menos 20% das mulheres e 8% dos homens com idade superior a 40 anos têm litíase e, logo, o risco de desenvolver uma colecistite.
O risco para a formação de cálculos biliares é maior em:
Homens e mulheres com idade superior a 60 anos;
Mulheres grávidas ou que tiveram várias gravidezes;
Mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais ou que fazem terapêutica hormonal de substituição;
Pessoas obesas;
Pessoas que sofrem súbitas perdas de peso;
Pessoas que têm dietas ricas em gordura.
A colecistite aguda pode apresentar:
Cólica biliar: trata-se de uma dor ou uma sensação de pressão no abdómen superior, que pode ocorrer no centro ou do lado direito, na região da vesícula e do fígado. Nalguns pacientes, a dor irradia para trás e para cima, para a zona interescapular ou para o ombro direito.Tipicamente, surge logo após as refeições, principalmente quando estas são copiosas;
Febre e arrepios
Náuseas e vómitos
Perda de apetite
Icterícia: coloração amarelada da pele e mucosas, muito visível a nível do olho
Urina escura
Diminuição dos movimentos intestinais.
Os sintomas da colecistite crónica podem incluir qualquer um dos anteriores, mas, geralmente, esta condição traduz-se por desconforto abdominal ligeiro que vai e vem, dificuldades de digestão com sensação de enfartamento após as refeições e flatulência. Frequentemente, a clínica é tão fruste que é necessário um episódio agudo para se detectar esta condição.
Na colecistite aguda a cólica biliar pode ceder, após 1 a 5 horas, caso o cálculo que estava a provocar a obstrução se desloque por si só, mas, geralmente, o doente continua a referir um desconforto abdominal ligeiro, por cerca 24 horas. Se o cálculo continuar alojado, a inflamação e a infecção persistem, os sintomas agravam-se e podem-se desenvolver complicações, que incluem a perfuração da vesícula e peritonite.
Por esta razão, os pacientes com colecistite aguda são tratados e mantidos num hospital até que haja uma melhoria significativa.
No que respeita à colecistite crónica, os sintomas podem persistir por vários anos até que seja feito o diagnóstico da condição.
O procedimento perante um caso de colecistite aguda passa pelo internamento do paciente num hospital, sendo-lhe então administrados antibióticos por via endovenosa e medicações para controlar os sintomas, tais como as náuseas e a dor abdominal. Assim que a dor ceda, não hajam sinais de infecção e o doente seja capaz de comer e beber, poderá ir para casa, onde continuará a sua recuperação.
Mas, cerca de 25% dos pacientes com colecistite aguda desenvolve um novo episódio no primeiro ano, número este que aumenta para 60% se alargarmos o período para 6 anos.
Por esta razão, muitos médicos recomendam que uma pessoa que tenha uma colecistite deve ser submetida a uma colecistectomia (remoção da vesícula). No entanto, para diminuir o risco de complicações adicionais durante a cirurgia, é preferível não operar o doente na fase aguda, adiando-se a operação até que o doente tenha recuperado totalmente.
O tratamento da colecistite crónica passa também pela colecistectomia, o que prevenirá o regresso dos sintomas.
A maioria das pessoas recupera totalmente dos episódios de colecistite aguda em poucos dias ou semanas.
Mas, se ocorrer uma complicação, como a perfuração e a propagação da infecção, a pessoa pode ficar gravemente doente, sendo que, nalguns casos, felizmente raros, a infecção pode ser fatal.
A colecistectomia é curativa na maior parte dos casos, prevenindo a recorrência dos sintomas. No entanto, pequenos cálculos podem permanecer escondidos nos canais biliares e originarem um novo episódio, mesmo após a remoção da vesícula.
Uma vez que a colecistite é uma consequência da litíase biliar (cálculos biliares), ela pode ser prevenida atuando sobre os fatores de risco para a formação de cálculos.
Apesar de alguns desses fatores não serem passíveis de atuação, uma vez que fatos normais da vida (gravidez, envelhecimento, etc.), outros, como a obesidade e a dieta rica em gorduras, podem ser modificados, bastando para tal uma alimentação saudável e a prática de exercício físico.
Fonte: www.arsc.online.pt
A colecistite é uma inflamação da parede da vesícula biliar, em geral, resultado de um cálculo no canal cístico, que causa um ataque de dor repentino e muito agudo.
No mínimo 95 % dos indivíduos com inflamação aguda da vesícula tem cálculos biliares. Em casos raros, a inflamação é causada por uma infecção bacteriana.

A inflamação aguda da vesícula biliar sem a presença de cálculos é uma doença grave. Tende a produzir-se depois de feridas, operações, queimaduras, infecções espalhadas por todo o corpo (sepsis) e doenças críticas, particularmente em pacientes que recebem alimentação prolongada por via endovenosa. A pessoa não costuma mostrar sintomas prévios de uma doença da vesícula biliar até que experimenta uma dor repentina e agudíssima na parte superior do abdómen. Em geral, a doença é de prognóstico muito grave e pode evoluir para gangrena ou perfuração da vesícula. É necessária a cirurgia imediata para extrair a vesícula.
A dor, habitualmente localizada na parte superior direita do abdómen, é o primeiro sinal de inflamação da vesícula. Pode intensificar-se quando a pessoa respira profundamente e muitas vezes estende-se à parte inferior da omoplata direita. A dor pode tornar-se agudíssima e as náuseas e os vómitos são habituais.
É sintomático que o paciente sinta uma dor muito aguda quando o médico pressiona a parte superior direita do abdómen. Em poucas horas, os músculos abdominais do lado direito podem pôr-se rígidos. No princípio, pode apresentar uma febre ligeira, que, à medida que passa o tempo, tende a aumentar.
Em geral, um ataque de vesícula biliar acalma-se em 2 ou 3 dias e desaparece completamente numa semana. Se isso não acontecer, o paciente poderá sofrer de complicações graves. A febre alta, os calafrios, um marcado aumento dos glóbulos brancos e uma interrupção do movimento normal propulsivo do intestino (íleo) costumam indicar a formação de um abcesso, uma gangrena ou uma perfuração da vesícula biliar. Nestas condições torna-se necessária a cirurgia de urgência.
Podem aparecer outras complicações. Um ataque de vesícula biliar acompanhado de icterícia ou de um retrocesso de bílis para o fígado indica que o canal biliar comum poderá estar parcialmente obstruído por um cálculo ou por uma inflamação. Se as análises de sangue revelam um aumento da concentração no sangue do enzima amilase, a pessoa poderá ter uma inflamação do pâncreas (pancreatite) provocada por uma obstrução do canal pancreático por cálculos biliares.
Os médicos diagnosticam uma inflamação aguda da vesícula biliar baseando-se nos sintomas do paciente e nos resultados de certos exames clínicos. Muitas vezes a ecografia ajuda a confirmar a presença de cálculos na vesícula biliar e pode mostrar um espessamento da parede da mesma. A gamagrafia hepatobiliar (uma técnica de imagem que se realiza depois da administração de uma substância radioativa por via intravenosa) contribui para um diagnóstico mais preciso. Este exame proporciona imagens do fígado, dos canais biliares, da vesícula biliar e da parte superior do intestino delgado.
Em geral, uma pessoa com inflamação aguda da vesícula biliar é hospitalizada, administram-se-lhe líquidos e eletrólitos por via intravenosa e não se lhe permite comer nem beber. Em algumas ocasiões, pode passar-se uma sonda através do nariz até ao interior do estômago, de modo a que, por meio de aspiração possa manter-se o estômago vazio, reduzindo assim a estimulação da vesícula biliar. Habitualmente, administram-se antibióticos mal se suspeite da existência de uma inflamação aguda da vesícula biliar.
Se o diagnóstico for claro e o risco da cirurgia pequeno, a vesícula biliar extrai-se dentro dos dois primeiros dias da doença. Contudo, se o doente apresenta alguma outra doença que aumente o risco da cirurgia, a operação pode ser adiada enquanto esta última é tratada. Se o ataque agudo se resolver por si, a vesícula biliar pode ser extraída posteriormente, preferencialmente depois de 6 semanas ou mais. Quando se suspeitar da existência de possíveis complicações, tais como a formação de um abcesso, uma gangrena ou a perfuração da vesícula, geralmente é necessária a cirurgia imediata.
Uma reduzida percentagem de pessoas tem novos ou repetidos episódios de dor, que sentem como ataques de vesícula biliar, mesmo quando já não têm vesícula. A causa destes episódios é desconhecida, mas poderiam ser o resultado de um funcionamento anómalo do esfíncter de Oddi, a abertura que controla a libertação de bílis no intestino delgado.
Pensa-se que a dor pode ser o resultado de um aumento da pressão nos canais, causado pela resistência ao fluxo de bílis ou às secreções pancreáticas. Em alguns pacientes, os pequenos cálculos que ficam depois da operação podem causar dor. O médico pode usar um endoscópio (tubo flexível óptico com acessórios cirúrgicos) para dilatar o esfíncter de Oddi. Este procedimento geralmente alivia os sintomas em pacientes com uma anomalia diagnosticada do esfíncter, mas não é eficaz para os que só sentem dor.
Algumas vezes, a obstrução do canal biliar pode ter uma causa diferente dos cálculos ou dos tumores.
Por exemplo, uma lesão durante uma intervenção cirúrgica da vesícula pode causar uma obstrução, ou o canal pode estreitar-se quando passa através de um pâncreas cronicamente doente.
Causas mais raras de obstrução incluem a infecção parasitária por Ascaris lumbricoides ou Clonorchis sinensis.
Fonte: www.manualmerck.net