Coléra

Cólera



A cólera é uma infecção intestinal aguda causada pelo Vibrio cholerae, que é uma bactéria capaz de produzir uma enterotoxina que causa diarréia. Apenas dois sorogrupos (existem cerca de 190) dessa bactéria são produtores da enterotoxina, o V. cholerae O1 (biotipos "clássico" e "El Tor") e o V. cholerae O139.

O Vibrio cholerae é transmitido principalmente através da ingestão de água ou de alimentos contaminados.

Na maioria das vezes, a infecção é assintomática (mais de 90% das pessoas) ou produz diarréia de pequena intensidade. Em algumas pessoas (menos de 10% dos infectados) pode ocorrer diarréia aquosa profusa de instalação súbita, potencialmente fatal, com evolução rápida (horas) para desidratação grave e diminuição acentuada da pressão sangüínea.

Transmissão

O V. cholerae penetra no organismo humano por ingestão de água ou de alimentos contaminados (transmissão fecal-oral). Se conseguir vencer a acidez do estômago, alcança o intestino delgado onde o meio é alcalino, multiplica-se intensamente, principalmente em duodeno e jejuno, e produz a enterotoxina que pode causar diarréia.

Uma pessoa infectada elimina o V. cholerae nas fezes por, em média, 7 a 14 dias. A água e os alimentos podem ser contaminados, principalmente, por fezes de pessoas infectadas, com ou sem sintomas. A propagação direta de uma pessoa para outra é pouco importante, uma vez que é necessária uma grande quantidade de bactérias para produzir infecção (acima de 1000/ml em alimentos e de 100000/ml na água).

Em alimentos, a bactéria pode sobreviver por até cinco dias na temperatura ambiente (15 a 40 °C), ou por até dez dias entre 5 e 10 °C. É resistente ao congelamento, embora a sua multiplicação fique mais lenta.

Riscos

A cólera é uma doença de transmissão fecal-oral. São fatores essenciais para a disseminação da doença condições deficientes de saneamento, particularmente a falta de água tratada. A taxa de ataque da cólera, mesmo em grandes epidemias, raramente excede a 2% da população.

A cólera ocasionou seis pandemias entre 1817 e 1923. A atual, a sétima, começou na Indonésia em 1961, causada pelo biótipo El Tor. Disseminou-se por outros países na Ásia, Oriente Médio, África (70% dos casos notificados no mundo) e Europa, chegando à América do Sul em 1991, através de cidades litorâneas do Peru. Em 1992, surgiu na Índia um novo sorogrupo produtor de enterotoxina, o V. cholerae O139, que rapidamente atingiu o Paquistão, Bangladesh e China. No Brasil, a introdução da cólera (causada pelo El Tor) ocorreu através da Região Amazônica, no Alto Solimões e, atualmente, são registrados casos em todas as Regiões do país.

O risco para viajantes depende do roteiro e das condições de estadia. A cólera é endêmica em vários países e episodicamente ocorrem surtos onde a infra-estrutura de saneamento básico é inadequada ou inexistente. O risco de transmissão da cólera é variável entre países e, dentro de um país pode haver diferenças de risco entre regiões e, até mesmo, entre diferentes bairros de uma cidade.

A cólera pode ocorrer em uma cidade que tenha água tratada e esgotos, porém em geral afeta principalmente os habitantes de comunidades carentes, onde o saneamento básico é inadequado. O risco de aquisição da cólera para quem fica em bairros com saneamento básico adequado é relativamente menor e, basicamente, está mais relacionado aos alimentos, uma vez que podem estar contaminados na origem e o seu preparo exige higiene adequada. Quando a localidade inteira não possui infra-estrutura adequada, além dos alimentos, existe a possibilidade de contaminação da água para consumo, que deve ser tratada pelo próprio viajante. A permanência a longo prazo (residência) em uma área sem saneamento básico, com água não tratada, proveniente diretamente de poços ou fontes como rios ou lagos é uma situação de risco permanente. Nessa circunstância, deve ser desenvolvida uma infra-estrutura domiciliar mínima utilizável a longo prazo, envolvendo o tratamento da água com a cloração de fontes ou reservatórios.

O V. cholerae não resiste a temperaturas acima de 80 °C. Portanto, os alimentos mais seguros são os preparados na hora, por fervura, e servidos ainda quentes. Os de maior risco são os mal cozidos ou crus, como as saladas, os frutos do mar, os preparados com ovos (como maionese caseira), os molhos, as sobremesas tipo mousse, bebidas não engarrafadas industrialmente, leite não pasteurizado, sucos, sorvetes e gelo. Os legumes são facilmente contaminados e difíceis de serem lavados adequadamente.

Em crianças de até seis meses, que se alimentam exclusivamente de leite materno, o risco é pequeno, observados os cuidados de higiene durante a amamentação.

Medidas de proteção individual

O Cives recomenda ao viajante que se dirige para uma área onde exista transmissão de cólera, que observe as medidas de proteção para evitar doenças transmitidas através da ingestão de água e alimentos. O consumo de água tratada e o preparo adequado dos alimentos são medidas altamente eficazes.

A seleção de alimentos seguros é crucial. Em geral, a aparência, o cheiro e o sabor dos alimentos não ficam alterados pela contaminação com o Vibrio cholerae (e outros agentes infecciosos). O viajante deve alimentar-se em locais que tenham condições adequadas ao preparo higiênico de alimentos. A alimentação na rua com vendedores ambulantes constitui um risco elevado.

Os alimentos devem ser bem cozidos e servidos logo após a preparação, para evitar nova contaminação com a bactéria. Os alimentos preparados com antecedência devem ser novamente aquecidos, imediatamente antes do consumo e servidos ainda quentes ("saindo fumaça"). Os filtros portáteis disponíveis não são capazes de reter o Vibrio cholerae. Água mineral gaseificada e outras bebidas engarrafadas industrialmente, como refrigerantes, cervejas e vinhos são geralmente seguras. Café e chá bebidos ainda quentes não constituem risco. Não deve ser utilizado gelo em bebidas, a não ser que tenha sido preparado com água tratada (clorada ou fervida).

O tratamento da água a ser utilizada como bebida ou no preparo de alimentos pode ser feita com hipoclorito de sódio a 2 - 2,5% (água sanitária) ou cloro em comprimidos. Deve-se ter cuidado na aquisição de preparações contendo cloro. Existem algumas que, além do hipoclorito de sódio, contém outras substâncias que as tornam impróprias para o tratamento da água. Os comprimidos podem conter diversas concentrações de cloro, e alguns são indicados para o tratamento de volumes de até 100 litros de água. As instruções dos fabricantes devem sempre ser cuidadosamente lidas, e o prazo de validade observado (o da água sanitária é de seis meses). Em geral, nos conta-gotas de 1 ml, esse volume corresponde a 20 gotas. É prudente, no entanto que a proporção 1 ml = 20 gotas seja sempre verificada em cada novo conta-gotas utilizado.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o tratamento com 6 mg de cloro para cada litro de água. Quando se utiliza um conta-gotas de 1 ml = 20 gotas, 5 gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% contém 6 mg de cloro. O tratamento com comprimidos deve ser feito de acordo com as instruções dos fabricantes, observando-se cuidadosamente as recomendações em relação à concentração adequada para diferentes volumes e finalidades de utilização da água. O cloro (hipoclorito de sódio ou comprimidos) deve ser adicionado à água no mínimo 30 minutos antes da sua utilização como bebida ou para o preparo de alimentos. Em recipientes fechados, a água tratada com cloro pode ser utilizada até por 24 horas. A fervura da água antes do consumo, durante pelo menos um minuto, é uma alternativa segura ao tratamento com cloro e deve ser a preferida quando a água estiver turva.

Para desinfecção de frutas e verduras deve ser utilizado 2 ml (40 gotas) de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, ou comprimidos de cloro na concentração indicada pelo fabricante. As frutas e verduras devem ser mantidas imersas por 30 minutos na água clorada. Em seguida devem ser lavados com água tratada com a concentração de cloro adequada à sua utilização como bebida.

A exigência da vacinação contra a cólera como condição obrigatória para a concessão de vistos de entrada foi retirada do Regulamento Sanitário Internacional em 1973. Os últimos países, segundo a Organização Mundial da Saúde, deixaram de exigir o certificado de vacinação contra a cólera em 1993.

O Cives não recomenda a vacinação rotineira contra a cólera. As vacinas injetáveis apresentam eficácia inferior a 50%, curta duração de imunidade (cerca de 3 meses) e não reduzem a incidência de infecções assintomáticas. As vacinas orais contra a cólera (existem duas) têm eficácia em torno de 85% e produzem imunidade por cerca de 3 anos. Embora os resultados iniciais sejam promissores para aplicação individual, nenhuma dessas vacinas é recomendada para viajantes de forma indiscriminada. Quando o risco de infecção é muito elevado, a utilização da vacinas orais, como medida complementar, deve ser considerada para pessoas com diminuição da secreção ácida do estômago (hipocloridria ou acloridria), em gastrectomizados ou indivíduos com atividade de alto risco (como trabalho em campos de refugiados, em áreas endêmicas). No Brasil, as vacinas (injetável ou oral) contra a cólera não estão disponíveis na Rede Pública.

Recomendações para áreas com risco de transmissão

O Vibrio cholerae é comumente encontrado como parte da microbiota em ambientes aquáticos, em água salobra e estuários, razão pela qual os frutos do mar podem ser fonte importante de infecção. Em locais onde existe saneamento básico adequado, a ocorrência de casos é apenas episódica. A cólera dissemina-se por água e alimentos contaminados. Um aumento súbito do número de casos é, em geral, causado por contaminação da água com fezes.

A forma mais efetiva de impedir a instalação da cólera em uma localidade é a existência de infra-estrutura de saneamento básico adequada. Devem ser implementadas melhorias do sistema de armazenamento e distribuição de água tratada e a construção de redes de esgoto. A população deve, continuamente. receber informações sobre a forma de transmissão da doença e como preveni-la e ter acesso fácil a serviços de diagnóstico e tratamento.

Medidas como fechamento de fronteiras, restrição da circulação de pessoas e mercadorias, quarentena, vacinação e o uso em massa de antibióticos profiláticos são ineficazes para evitar a disseminação da cólera. Além de serem tecnicamente inadequadas, desviam inutilmente recursos humanos e financeiros.

O Cives recomenda às pessoas que vão estabelecer residência em uma área onde ocorre transmissão de cólera, na qual não exista saneamento básico adequado que:

em caso de utilização de água de poços ou coletada diretamente de rios ou lagoas,
estabelecer (com supervisão técnica especializada) uma infra-estrutura domiciliar mínima que
permita o tratamento (cloração) da água utilizada para consumo e preparo de alimentos.

observem rigorosamente os cuidados de preparação higiênica de alimentos, incluindo o tratamento com água clorada, em concentração adequada à desinfecção.

Manifestações

Após um período de incubação de algumas horas a 5 dias, a maioria dos casos de cólera, apresenta-se como uma diarréia leve ou moderada, indistinguível das diarréias comuns. Podem ocorrer vômitos, porém dor abdominal e febre são incomuns.

Em algumas pessoas (menos de 10%), a cólera pode evoluir de forma mais grave, com início súbito de uma diarréia aquosa profusa, geralmente sem muco, pus ou sangue e, com freqüência, acompanhada de vômitos. Poder ocorre perda rápida de líquidos (até 1 a 2 litros por hora) e eletrólitos, levando a desidratação acentuada. Em razão disso, há sede intensa, perda de peso, prostração, diminuição do turgor da pele e os olhos ficam encovados. Há desequilíbrio hidroeletrolítico, o que pode ocasionar cãibras musculares e, em crianças, a hipoglicemia pode levar a convulsões e redução do nível de consciência. Sem tratamento adequado ocorre diminuição da pressão sangüínea, funcionamento inadequado dos rins, diminuição do volume urinário até a anúria total, coma e evolução para a morte em três a quatro horas. Raramente, pode haver concomitância de febre alta (cólera "tifóide") e a perda de líquidos pode não ser evidente (cólera "seca"), uma vez que a desidratação pode se dar por retenção de líquidos no intestino. O óbito pode acontecer em até 50% das formas graves não tratadas, número que cai para menos de 2% com hidratação adequada.

A confirmação do diagnóstico de cólera é feita através de isolamento do V. cholerae em cultivo, feito geralmente a partir das fezes. A confirmação não tem importância para o tratamento da pessoa doente, mas é fundamental para a adoção de medidas que reduzam o risco de ocorrência de uma epidemia. É também importante, por motivos semelhantes, se a pessoa doente é proveniente de uma área onde não era antes registrada a ocorrência da doença. Além disso, o isolamento de amostras da bactéria torna possível o conhecimento da sua susceptibilidade aos antimicrobianos. O envio do material para confirmação do diagnóstico deverá ser feito através das Unidades de Atendimento.

Tratamento

O tratamento da cólera consiste basicamente em reidratação. A desidratação pode ser danosa em qualquer idade, mas é particularmente perigosa em crianças pequenas e idosos. Nos casos leves e moderados, o médico pode recomendar que o tratamento seja feito em casa, com a solução de reidratação oral. Os viajantes devem evitar a desidratação decorrente da diarréia (de qualquer causa) ingerindo bastante líquidos, preferentemente uma solução reidratatante contendo eletrólitos (sais) e glicose, em concentrações adequadas.

O Cives recomenda ao viajante que se dirige a uma área de transmissão de cólera, levar envelopes de sais para preparo de solução de reidratação oral, na proporção de oito para cada pessoa. Existem diversas fórmulas contendo esses sais, facilmente encontradas em farmácias, mas as que contém a composição recomendada pela OMS devem ser preferidas:

Sais para Reidratação Oral:

Composição Recomendada - OMS

Em caso de diarréia, a solução de reidratação oral deve ser preparada imediatamente antes do consumo. Para preparo da solução, o conteúdo de um envelope deve ser dissolvido em um litro de água fervida, após o resfriamento. A solução não pode ser fervida depois de preparada, mas pode ser conservada em geladeira por até 24 horas. Pode ser ingerida de acordo com a aceitação, com freqüência e volume proporcionais à intensidade da diarréia. Deve ser alternada com outros líquidos (água, chá, sopa). A alimentação deve ser reiniciada após 3 a 4 horas de aceitação adequada da reidratação oral. Nos lactentes, o aleitamento materno deve ser mantido. Nas diarréias mais acentuadas, um Serviço de Saúde deve ser procurado o mais rápido possível os casos graves devem ser hospitalizados para hidratação venosa até a melhora das condições clínicas da pessoa e, tão logo quanto possível, a reidratação oral deve ser feita simultaneamente.

Os medicamentos antidiarreicos, do mesmo modo que em todas as outras diarréias de causa infecciosa, estão contra-indicados no tratamento da cólera. Esses medicamentos diminuem os movimentos intestinais (peristaltimo), facilitando a multiplicação do V. cholerae. Como resultado, ocorre piora ou aumento na duração da diarréia. Do mesmo modo, não devem ser utilizados adstringentes (caolin-pectina, carvão), uma vez que podem perpetuar a perda de eletrólitos (sódio e potássio) pelas fezes.

Em crianças, devem ser evitados medicamentos contra vômitos, uma vez que podem ocasionar intoxicação, com diminuição do nível de consciência e movimentos involuntários, dificultando a ingestão da solução oral de reidratação. Além disso, essa medicação é geralmente desnecessária, uma vez que os vômitos tendem a cessar com o início da reidratação.

Na maioria dos casos, mesmo nas formas graves, a recuperação é completa e rápida, apenas com a reidratação. Nas formas graves, os antibióticos quando iniciados nas primeiras 24 horas de doença, podem diminuir a duração da diarréia e, com isto, as perdas de líquido e eletrólitos, o que facilita a terapêutica. Nos casos sem gravidade, o uso de antibióticos não é justificável, uma vez que não trazem qualquer benefício comprovado na evolução da doença ou interferência na sua disseminação. Além disso, o uso indiscriminado de antibióticos aumenta o risco do surgimento de resistência no V. cholerae (e em outras bactérias intestinais), o que pode dificultar o tratamento das formas graves.

Fonte: www.cives.ufrj.br

cólera



A cólera é uma doença causada por uma bactéria, o Vibrio Colerae. Os principais sintomas são a diarréia, que na maioria dos casos em tudo se assemelha a qualquer outra diarréia, podendo no entanto se apresentar de forma grave (menos de 10% dos casos são graves) com desidratação grave. Em geral não há febre e quando existe, é baixa. Também podem ocorrer vômitos e cólicas intestinais.

Transmissão

A transmissão se dá, principalmente, pela ingestão de água contaminada por fezes e/ou vômitos do doente ou então, de portadores assintomáticos, que são pessoas que se infectaram com o vibrião, porém não desenvolveram a doença. Os alimentos e utensílios podem ser contaminados pela água, pelo manuseio e por moscas. A doença costuma aparecer entre 2 a 3 dias depois que a pessoa se infectou, e esta pode transmitir a cólera em geral, até 20 dias após a sua contaminação. É importante lembrar que é muito grande o número de portadores assintomáticos (para cada caso de doença podem existir de 30 a 100 portadores). Isto significa que os cuidados devem ser tomados por todas as pessoas e não só por aquelas que tem diarréia.

Como a Cólera se propaga no meio ambiente?

Nos países onde as condições de saneamento não são boas, a água de fontes, rios e mares podem ser contaminadas ao receberem esgotos sem tratamento e as fezes lançadas no chão também podem contaminar as fontes de água. As pessoas podem adoecer ao usarem esta água contaminada, ou ao ingerir verduras e hortaliças que foram irrigadas com elas. Os peixes e mariscos também poderão estar contaminados.

A falta de cuidado com a higiene pessoal favorece o aparecimento das diarréias.

O que se deve fazer para prevenir a Cólera?

É importante lembrar que a cólera, se apresenta como a maioria das diarréias. Então, os cuidados para prevenir a cólera são os mesmos que para todas as demais diarréias.

Onde não há sistema público de tratamento de água, toda água de consumo deve ser tratada com hipoclorito de sódio a 2,5% (água sanitária): 2 gotas para cada litro d'água, e deixar em repouso por 30 minutos antes de usar.

A fervura também é eficiente, embora de custo maior. É importante lembrar que os filtros de vela, de carvão ativado, de ozônio, sais de prata e outros não tem eficácia comprovada na prevenção das doenças veiculadas pela água.

Guardar a água em vasilhas limpas, de boca estreita e tapadas, para evitar a recontaminação.

Não usar água de riachos, rios cacimbas ou poços contaminados.

Cozinhar bem os alimentos (deve atingir 60 oC no interior do produto e se possível comê-los enquanto estão quentes.

Guarde bem os alimentos cozidos, que mais tarde serão consumidos, evitando que eles entrem em contato com alimentos crus. Mantenha limpas todas as superfícies da cozinha.

Os alimentos crus, como as verduras e hortaliças, devem ser mergulhados, durante 30 minutos em uma solução preparada com 1 colher de sopa de hipoclorito de sódio a 2,5% ou de água sanitária, para cada litro de água.

Ensacar o lixo, e manter a tampa do recipiente sempre fechada.

Quando não houver coleta de lixo, este deve ser enterrado.

Use sempre a privada, mas se isso não for possível, enterre as fezes sempre longe dos cursos d'água.

Cuidado para não contaminar as fontes de água com lixo ou fezes.

Um outro ponto muito importante, é o aleitamento materno, principalmente durante os primeiros seis meses da vida; pois irá aumentar a resistência das crianças contra doenças, inclusive as diarréicas.

Só beba água tratada

Se na casa não tiver rede de abastecimento público de água, faça assim: ferva a água ou coloque 2 gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária em 1 litro de água, meia hora antes de usar ou beber. Deixe a água em vasilha coberta.

Lave os alimentos crus

Lave bem as frutas, verduras e legumes. Depois deixe de molho por meia hora em 1 litro de água com uma colher de sopa de hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária.

Prefira alimentos cozidos

Lave as mãos com água e sabão

Fonte: www.saude.rj.gov.br

cólera



Doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina do Vibrio cholerae. Manifesta-se de formas variadas, desde infecções inaparentes até casos graves, com diarréia profusa (menos freqüente). Além da diarréia, podem surgir vômitos, dor abdominal e, nas formas graves, cãimbras, desidratação e choque. A febre não é uma manifestação comum. Nos casos graves mais típicos, embora menos freqüentes (menos de 10% do total), o início é súbito, com diarréia aquosa, abundante e incoercível, com inúmeras dejeções diárias. A diarréia e os vômitos, nesses casos , determinam uma extraordinária perda de líquidos, que pode ser da ordem de 1 a 2 litros por hora.

Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico diferencial é feito com todas as diarréias agudas. Ver o capítulo de Doenças Diarréicas Agudas deste Guia.

Complicações

As complicações na cólera decorrem fundamentalmente da depleção hidro-salina imposta pela diarréia e pelos vômitos e ocorrem mais freqüentemente nos indivíduos idosos, diabéticos ou com patologia cardíaca prévia. A desidratação não corrigida levará a uma deterioração progressiva da circulação, da função renal e do balanço hidro-eletrolítico, produzindo dano a todos os sistemas do organismo e, conseqüentemente, acarretando choque hipovolêmico, necrose tubular renal, íleo paralítico, hipocalemia (levando a arritmias), hipoglicemia (com convulsão e coma em crianças). O aborto é comum no 3o trimestre de gestação, em casos de choque hipovolêmico. As complicações podem ser evitadas com adequada hidratação precoce.

Tratamento

Formas leves e moderadas: hidratação oral com soro de reidratação oral-SRO.

Formas graves - hidratação venosa + antibioticoterapia.

Drogas de escolha e posologia no quadro abaixo:

Antibioticoterapia

Drogas de Escolha e Posologia

Menores de 8 anos Sulfametoxasol (50 mg/kg/dia) + Trimetoprima (10 mg/kg/dia) 12/12h 3 dias
Maiores de 8 anos Tetraciclina 500 mg 6/6h 3 dias
Gestantes e Nutrizes Ampicilina 500mg 6/6h 3 dias

Fonte: dtr2001.saude.gov.br

cólera



A cólera é uma doença infecciosa aguda, transmissível e perigosa, pois caracteriza-se por uma infecção intestinal grave, podendo levar à morte em decorrência da desidratação. A bactéria causadora é o vibrião colérico ou Víbrio cholerae, em forma de vírgula, móvel, que se desenvolve no intestino humano e produz a toxina responsável pela doença.

O agente etiológico da cólera é encontrado nas fezes das pessoas infectadas, doentes ou não. O homem, único reservatório do vibrião, chega a eliminar 10 milhões de bactérias por grama de fezes. O contágio é direto, pela água e pelos alimentos contaminados. As moscas e outros insetos podem funcionar como vetores mecânicos, transportando o vibrião para a água e para os alimentos.

Sintomatologia

O período de incubação é de 6 a 10 horas até 2 a 3 dias. Após a incubação, aparece subitamente a diarréia, acompanhada de dor de cabeça, cãibras musculares (na panturrilha), dores abdominais, vômitos e desidratação. A evolução da doença é provocada, também, pelo estado de desnutrição do indivíduo. A duração dos sintomas é de 3 a 4 dias, em média. Caso o doente não seja tratado com urgência, a morte acontece num prazo de 14 a 48 horas.

Profilaxia

A prevenção da cólera é feitas por medidas básicas de higiene:

Tais recomendações são muito úteis para não correr o risco de contrair a doença.

Tratamento

O tratamento é simples e deve ser realizado o mais próximo do local onde o sintoma se iniciou. A cólera requer pronto-atendimento médico. Os antibióticos, sempre sob orientação médica, podem ser usados por via oral ou venosa. É importante que a hidratação se inicie o mais rápido possível. O soro por via oral deve ser dado enquanto se providencia o atendimento médico.

São muito importantes as campanhas educativas de higiene pessoal entre as populações mais carentes.

Importante: as temperaturas baixas (geladeira) NÃO matam o vibrião; ele se conserva bem no gelo.

Todo medicamento deve ser apenas consumido sob orientação médica.

Fonte: www.brasilescola.com

Cólera



Alimentos bem tratados, água limpa e boa higiene pessoal evitam a contaminação por uma doença que pode matar

O que é

Uma doença trasmissível, que atinge o intestino e é causada por um bacilo chamado vibrião colérico (vibro cholerae). O microrganismo depende do homem para se reproduzir.

A mortalidade da doença

50% Em casos graves quando a doença não é tratada
2% Com tratamento indicado depois dos primeiros sintomas

Onde se esconde o bacilo

O vibrião colérico se esconde em água doce, do rio, por duas

O vibrião colérico se esconde em água doce, do rio, por duas
semanas , no mínimo.

Na água do mar, o bacilo permanece vivo durante um ano.

Na água do mar, o bacilo permanece vivo durante um ano.

Em superfície de frutas, legumes e verduras cruas e em alimentos congelados, vive por duas semanas.

Em superfície de frutas, legumes e verduras cruas e em alimentos congelados, vive por duas semanas.

A doença

Cólera - Figura Ilustrativa

A

O vibrião colérico entra no organismo pela boca

B

No estômago, os bacilos podem ser destruídos pelo ácido gástrico.No entanto, se estiverem em grande número pedem passar por esse obstáculo

C

Os vibriões que conseguem sobreviver se instalam no intestino delgado. O meio alcalino (não ácido) do órgão favorece a proliferação do bacilo.

Desde a entrada do bacilo no organismo até o surgimento dos primeiros sintomas, passam-se de poucas horas à cinco dias.

D

O vibrião colérico libera uma toxina que rompe o equilíbrio de sódio nas células da mucosa do intestino e provoca a perda de água. O doente passa a perder uma grande quantidade de líquidos corporais com diarréias severas.(quadro 1)

Quadro 1

Célula do Intestino

Os sintomas

Tratamento

Deve ser feito no posto de saúde ou hospital mais próximo da casa do doente .O tratamento requer hidratação. O soro pode ser ministrado via oral ou endovenosa dependendo da gravidade do avanço da doença. Se tratada a tempo a doença desaparece em curto prazo.

No entanto, se o tratamento demorar a ser iniciado podem surgir complicações como :insuficiência renal aguda, hipotensão e colapso cardíaco

Prevenção

Cozinhe bem os alimentos – eles devem ser comidos imediatamente
Cuidado com a higiene ao guardar alimentos cozidos

Lave as mãos com água e sabão antes de preparar alimentos, antes de se alimentar, depois de usar sanitário e de trocar fraldas de criança.

Mantenha limpa toda a superfície da cozinha e as vasilhas e pratos nos quais você come ou guarda a comida

Em caso de epidemia, evite consumir pescados, mariscos, verduras, hortaliças cruas e frutas com casca

Para tratar a água em casa coloque duas gotas de água sanitária a 2,5% em um litro de água . Espere meia hora até usar o líquido

Alimentos crus (frutas e verduras) devem ser lavados e colocados de molho por meia hora em água tratada
Se a água bebida não for tratada ferva-a por cinco minutos antes de ingeri-la.

O leite deve ser sempre fervido

Lave a caixa d'água de sua casa pelo menos de seis em seis meses

Vacina

Tem efeito limitado , protegendo por um período de três a seis meses cerca de 50% dos vacinados .

Não é recomendada como medida de prevenção à saúde.

Fonte: www.santalucia.com.br

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