A retocolite ulcerativa é uma doença idiopática caracterizada por episódios recorrentes de inflamação que acomete predominantemente a camada mucosa do cólon. A doença sempre afeta o reto e também variáveis porções proximais do cólon, em geral de forma contínua, ou seja, sem áreas de mucosa normais entre as porções afetadas.
Dessa maneira, os pacientes podem ser classificados como tendo a doença limitada ao reto (proctite), proctossigmoidite (quando afeta até a porção média do sigmóide), com envolvimento do cólon descendente até o reto (colite esquerda) e envolvimento de porções proximais à flexura esplênica (pancolite).
Muitos pacientes permanecem em remissão por longos períodos, mas a probabilidade de ausência de recidiva por 2 anos é de apenas 20%. As recidivas geralmente ocorrem na mesma região do cólon das outras agudizações.
A doença pode iniciar em qualquer idade, sendo homens e mulheres igualmente afetados. O pico de incidência parece ocorrer dos 20 aos 40 anos e muitos estudos mostram um segundo pico de incidência nos idosos.
A América Latina como um todo é considerada uma região de baixa prevalência da doença quando comparada com países como os EUA, Reino Unido e Austrália.
As manifestações clínicas mais comuns são diarréia, sangramento retal, eliminação de muco nas fezes e dor abdominal. Deve-se sempre excluir causas infecciosas. O diagnóstico é estabelecido pela avaliação da história clínica, exame das fezes, exame endoscópico e achados histopatológicos. Como o tratamento é realizado de acordo com a extensão da doença, a retossigmoidoscopia flexível é útil para definir as porções acometidas, devendo ser realizada de preferência sem preparo do intestino e evitando-se a insuflação excessiva de ar se inflamação acentuada estiver presente. A colonoscopia não é normalmente necessária na fase aguda e deve ser evitada, se possível, pois pode desencadear um quadro de megacólon tóxico.
A gravidade da doença é melhor avaliada pela intensidade dos sintomas e pode ser classificada pelos critérios estabelecidos por Truelove e Witts, úteis na definição terapêutica.
As agudizações são classificadas em três categorias:
a) leve : menos de 3 evacuações por dia, com ou sem sangue,
sem comprometimento sistêmico e com velocidade de sedimentação globular normal;
b) moderada: mais de 4 evacuações por dia com mínimo comprometimento
sistêmico;
c) grave: mais de 6 evacuações por dia com sangue e com evidência
de comprometimentos sistêmicos, tais como febre, taquicardia, anemia e velocidade
de sedimentação globular acima de 30. Casos com suspeita de megacólon tóxico
também devem ser considerados graves.
O tratamento compreende aminossalicilatos orais e por via retal, corticóides e imunossupressores, e é feito de maneira a tratar a fase aguda e, após, manter a remissão, sendo o maior objetivo reduzir a sintomatologia.
O tratamento das agudizações leves a moderadas é feito basicamente com aminossalicilatos, orais e tópicos, e com corticóides. A sulfasalazina mostrou-se eficaz no tratamento da retocolite ulcerativa leve a moderada em ensaio clínico randomizado da década de 604. Metanálises dos ensaios clínicos que usaram mesalazina na retocolite ulcerativa ativa mostraram igual eficácia da sulfasalazina e da mesalazina e superioridade em relação ao placebo. A terapia tópica, com supositórios de mesalazina na proctite e enema de mesalazina para a proctossigmoidite, foi reavaliada em duas metanálises que mostraram que a terapia tópica é superior à oral na doença distal. Enemas de corticóide também são superiores ao placebo na doença leve a moderada, embora sejam menos eficazes que a terapia tópica com mesalazina. Os pacientes refratários aos aminossalicilatos ou aqueles com doença moderada podem alternativamente usar prednisona na dose de 40 mg/dia, por via oral. Sugere-se o tratamento empírico de estrongilóides antes do início do tratamento com prednisona. Os pacientes que não respondem completamente ou que não conseguem reduzir a dose da prednisona sem recorrência podem beneficiar-se do uso de azatioprina.
Pacientes com doença ativa grave ou refratários à terapia oral devem ser tratados em ambiente hospitalar por equipe clínico-cirúrgica treinada e devem utilizar corticóide intravenoso. Os que tiverem piora e não melhorarem em poucos dias devem ser considerados para colectomia de urgência ou uso de ciclosporina intravenosa em centro com experiência no seu emprego.
Pacientes com um episódio único de proctite não necessitam de terapia de manutenção. Nos demais casos, após a melhora da fase aguda, deve ser iniciada a terapia para prevenção de recorrências. Em metanálise dos ensaios clínicos que utilizaram mesalazina para manutenção da remissão em retocolite ulcerativa, concluiu-se que a mesalazina por via oral é superior ao placebo, mas inferior à sulfasalazina por via oral. Os pacientes com proctite ou proctossigmoidite podem alternativamente ser mantidos em remissão com supositórios de mesalazina.
Apesar de ser uma doença mais prevalente nos não fumantes, não se deve encorajar os pacientes a iniciarem a fumar. Também não existem evidências conclusivas de que o uso de adesivos de nicotina possa ser útil no manejo desta doença.
Fonte: www.igcfoz.com.br

Imagem endoscópica de um cólon sigmóide afetado por colite ulcerativa.
Note o padrão vascular da granularidade do cólon e a friabilidade focal da mucosa
Colite ulcerativa (Colite ulcerosa, UC) é uma forma de doença inflamatória intestinal (DII). A colite ulcerativa é uma forma de colite, uma doença do intestino, especificamente do intestino grosso ou cólon, que inclui úlceras no cólon.
O principal sintoma da doença ativa é geralmente diarréia constante misturada com sangue, de surgimento gradual. Acredita-se, entretanto, que a colite ulcerativa tenha uma etiologia sistêmica que leva a muitos sintomas fora do intestino. Devido ao nome, a doença inflamatória intestinal é geralmente confundida com a síndrome do intestino irritável, uma condição complicada, mas menos séria.
A colite ulcerativa possui similaridades com a doença de Crohn, outra forma de DII. A colite ulcerativa é uma doença intermitente, com períodos de sintomas exacerbados e períodos relativamente livres de sintomas. Embora os sintomas da colite ulcerativa possam às vezes diminuir por conta própria, a doença geralmente necessita de tratamento para entrar em remissão.
A colite ulcerativa ocorre em 35-100 pessoas a cada 100.000 nos Estados Unidos,[1] ou menos de 0,1% da população. Embora a colite ulcerativa não possua uma causa conhecida, há presumivelmente um componente genético de susceptibilidade. A doença pode ser desencadeada por fatores ambientais. Embora a modificação da dieta possa reduzir o desconforto da pessoa com a doença, não se acredita que a doença seja causada por fatores alimentares.
Embora a colite ulcerativa seja tratada como se fosse uma doença auto-imune, não há consenso sobre isso. O tratamento é realizado com drogas antiinflamatórias, imunossupressão e terapia biológica direcionada a componentes específicos para a resposta imune. A colectomia (remoção parcial ou total do intestino grosso através de cirurgia) às vezes é necessária, sendo possível a cura da doença.
Afeta principalmente individuos com 15-30 anos e depois com 60-80 anos, mais as mulheres que os homens. A incidência é de 100 casos por 100.000 pessoas, sendo mais frequente nos Ocidentais que nos Orientais, onde a incidência tem crescido nos últimos anos. A incidência em algumas etnias judáicas mostra-se muito superior às outras.
Não tem uma causa conhecida (idiopática), mas existem estudos que apontam para uma componente genética quanto à susceptibilidade para o desenvolvimento da doença.
A teoria mais provavel será a de infecção por um microbio pouco patogénico que estimula uma resposta imunitária que fica descontrolada em alguns individuos com determinados genes do sistema MHC de reconhecimento de antigénios estranhos. Mesmo após eliminação do invasor, a resposta imunitária permanece e se exacerba particularmente em períodos de stress.
Recentemente[1], uma equipe de médicos do Canadá e E.U.A. descreveu que mutações no gene IL23R, do cromossomo 1p31 (que codifica uma subunidade do receptor para a interleucina 23) estariam associadas a risco aumentado ou reduzido de desenvolver uma doença inflamatória intestinal. O achado suporta a hipótese de que a DII teria uma base genética para a sua etiologia e indica novas linhas de pesquisa em busca de tratamentos mais eficazes.
A doença cursa com inflamação destrutiva de toda a parede do colon e reto, de forma continua (diferentemente da doença de Crohn). Inicialmente limita-se à mucosa, mas depois surgem multiplas pequenas úlceras na parede intestinal, devido à inflamação profunda.
A destruição da parede e das vilosidades gera uma diarreia de má-absorção, por vezes com sangue ou muco, e acompanhada de febre e dores abdominais, e por vezes vómitos e náuseas. É comum o tenesmo, ou sensação de que o reto ainda tem fezes mesmo após a evacuação estar completa. Os periodos sintomáticos alternam com períodos alargados sem qualquer sintoma. Muitos individuos apresentam progressão lenta e lesões mínimas, outros rápida ou mesmo fulminante com problemas agudos possiveis adicionais como desidratação e anemia. Num terço dos casos todo o colon está afetado, nos restantes algumas áreas são poupadas.
São ainda frequentes as fissuras anais (15% dos casos) ou abcessos retais.
A doença assume cronicidade, e a longo prazo podem surgir problemas como desnutrição, perda de peso, Megacolon tóxico (devido à destruição dos nervos subjacentes à mucosa) com ileus; perfuração do colon com peritonite.
O risco de cancro do cólon é muito aumentado: 30% desenvolvem carcinomas após várias décadas, mas se detectados precocemente podem ser removidos sem sequelas.
Raramente podem surgir complicações extra-intestinais tais como: eritemas cutâneos, artralgias, artrites, lesões hepáticas ou pancreáticas, e outras.
O diagnóstico definitivo é feito por estudos imagiológicos como colonoscopia ou estudos com contraste radiográficos (particularmente com sulfato de bário), que auxilia na diferenciação da doença de Crohn. A biópsia do colon pode ser útil.
É importante eliminar a possibilidade de parasita intestinal ou gastroenterite, além da distinção importante com a semelhante doença de Crohn.
Não há cura, mas o tratamento minimiza os problemas e evita complicações graves. São dados fármacos antidiarreicos e outros para alivio sintomático. O uso de aminosalicilatos (antiinflamatórios semelhantes aos AINEs) diminui as lesões inflamatórias, assim como corticosteróides. Em casos graves é removido cirurgicamente o colon. Mesmo em casos moderados é necessária a vigilância anual por colonoscopia de possiveis tumores, devido ao risco de cancro muito aumentado.
A manutenção de dieta rigorosa, pobre em lipídeos, fibras longas e substâncias irritantes do colon pode auxiliar na remissão.
Um outro tipo de tratamento é a aferese. Este tratamento consiste na auto-transfusão de sangue que passa por uma coluna filtrante, como a Adacolumn ou Cellsorba, que utilizam GCAP ou LCAP.
A mortalidade é baixa (5% após 10 anos de doença) se o doente é acompanhado e tratado. Cerca de 25% sofrem ataques severos com necessidade de colectomia nos primeiros anos.
1. Ulcerative colitis at eMedicine
2. Duerr RH, Taylor KD, Brant SR, Rioux JD, Silverberg MS, Daly MJ, Steinhart
AH, Abraham C, Regueiro M, Griffiths A, Dassopoulos T, Bitton A, Yang H, Targan
S, Datta LW, Kistner EO, * Schumm LP, Lee AT, Gregersen PK, Barmada MM, Rotter
JI, Nicolae DL, Cho JH. A Genome-Wide Association Study Identifies IL23R as
an Inflammatory Bowel Disease Gene Science. 2006 Dec 1;314(5804):1461-3. Epub
2006 Oct 26 [1]
Fonte: pt.wikipedia.org