Doença Inflamatória Intestinal ou Doença Inflamatória Intestinal Crônica é um termo geral para um grupo de doenças inflamatórias crônicas de causa desconhecida envolvendo o trato gastrintestinal. As Doenças Inflamatórias Intestinais podem ser divididas em dois grupos principais, a Colite Ulcerativa e a Doença de Crohn.
A Doença de Crohn é uma inflamação crônica do trato gastrintestinal, de origem desconhecida que envolve o intestino fino (íleo) em 30% dos pacientes, a região ileocecal em 40% dos casos ou uma região maior, a ileo-cólon direita.
A Colite Ulcerativa é igualmente uma doença inflamatória crônica do intestino, porém, restringindo-se ao cólon. Quando a doença está ativa (em crise), a mucosa intestinal torna-se maciçamente infiltrada por células inflamatórias e é afetada por micro-úlceras.
Essas doenças são mais comuns em brancos que em negros e orientais, com uma incidência maior (três a seis vezes) em judeus em comparação a não judeus. Os dois sexos são igualmente afetados. Muitos acham que a incidência da Doença de Crohn vêm aumentando cinco vezes mais rapidamente que as de Colite Ulcerativa.
Embora o pico de maior ocorrência das duas doenças esteja entre os 15 e os 35 anos de idade, elas têm sido relatadas em todas as décadas de vida. Não se sabe com certeza a causa para essas doenças mas, de qualquer forma, parece haver uma provável base hereditária e um componente ambiental. Fatores familiares ou genéticos, infecciosos, imunológicos e psicológicos podem estar ligados ao surgimento dos sintomas.
A Retocolite Ulcerativa (Colite Ulcerativa) é uma doença que afeta o intestino grosso. É descrita como um processo inflamatório que compromete o intestino grosso, fazendo com que a mucosa intestinal se apresente inflamada, vermelha, coberta de muco e com ulcerações. No início do século 20, a Retocolite Ulcerativa era considerada crônica, irreversível, comprometendo, na maioria das vezes, o reto e o colón sigmóide podendo haver o aparecimento dos pseudopólipos, tidos como seqüelas da moléstia de evolução mais longa. Nessa mesma década, foi descrito a forma fulminante da Retocolite Ulcerativa, com o megacólon tóxico.
A Retocolite Ulcerativa é uma doença relativamente comum nos países desenvolvidos. Estima-se que a incidência populacional da Retocolite Ulcerativa esteja entre 3 a 7 casos por ano para cada 100.000 habitantes. Isso dá uma prevalência global na população de 30-90 casos por 100.000 pessoas. Nos EUA e nos países do norte europeu, a incidência da Retocolite Ulcerativa fica ao redor de 5 a 10 por ano por 100.000 com prevalência de 50 a 100 casos por 100.000 pessoas da população geral. A incidência familiar da doença varia de 1 a 5%, havendo dados de até entre 15 e 20%.
Na grande maioria dos estudos epidemiológicos percebe-se ligeira preponderância da Retocolite Ulcerativa em pacientes do sexo feminino, sem, no entanto, atingir níveis de significância. Na Inglaterra e no Pais de Gales a freqüência é de 1,5 mulheres para 1 homem.
A etiologia da Retocolite Ulcerativa permanece desconhecida. É possível, no entanto, discutir algumas hipóteses sobre a própria doença e facilitar reflexões futuras sobre ela.
a. Seria a Retocolite Ulcerativa uma doença ou uma síndrome?
b. Seria a Retocolite uma doença intestinal inflamatória mesmo ou seria um aspecto intestinal inflamatório
e outra doença?
c. Seria a etiologia da Retocolite Ulcerativa multifatorial ou única?
d. Seria a Retocolite Ulcerativa uma manifestação secundária de vários fatores superpostos?
A causa infecciosa da Retocolite Ulcerativa, pode ser invalidada devido a menor incidência da Retocolite Ulcerativa nos países subdesenvolvidos, onde seria de se esperar uma maior incidência das doenças de natureza infecciosa. A favor dessa não infecção tem também o fato de se saber que a Retocolite Ulcerativa não se transmite por contágio.
A interferência de aspectos ambientais na eclosão da doença não parece ser provável, já que a incidência da Retocolite Ulcerativa tem sido constante ao longo do tempo e não oscila ao sabor das nuances ambientais. Dentro dessa linha (ambiental), parece também que a relação de hábitos dietéticos com o desenvolvimento e evolução da Retocolite Ulcerativa não pode ainda está estabelecido.
O fator genético, por outro lado, deve ser valorizado. Há uma incidência familiar da Retocolite Ulcerativa maior que na população geral. Essa incidência aumenta de 5 para 10% entre parentes dos pacientes e é significativamente acentuada entre gêmeos homozigóticos. Outra pista genética é a evidente associação entre a Espondilite Anquilosante, uma doença estabelecida por gene autossômico dominante ligado ao HLA-b27, e a Retocolite Ulcerativa.
Ainda, na busca da causa para a Retocolite Ulcerativa, várias hipóteses têm sido aventadas para explicar o envolvimento do sistema imunológico. As alterações imunológicas têm sido demonstradas paralelamente à associação entre a Retocolite Ulcerativa e outras doenças imunológicas, como é o caso, ainda, da Espondilite Anquilosante.
Pesquisas recentes tentam explicar a participação do sistema imunológico na ocorrência da Retocolite Ulcerativa. Não há dúvida de que, muitas vezes, pode se observar algum distúrbio da imunidade no paciente com Retocolite Ulcerativa, demonstráveis em exames de laboratório, como por exemplo, a síntese e secreção de imunoglobulinas, especialmente a IgA. Esse tipo de anormalidade tem sido, também, estabelecido em outras moléstias, como o próprio câncer e a doença celíaca, dando às vezes, a impressão de que os distúrbios imunológicos seriam mais secundários ao prejuízo orgânico global causado pela Retocolite Ulcerativa do que, definitivamente, a causa dela.
Outras investigações interessantes sobre as causas da Retocolite Ulcerativa são aquelas relativas ao papel dos distúrbios psiquiátricos como possível causa primária ou fator secundário agravante.
Os elementos causais de origem psicológica foram destacados no final da década de 40. Alguns argumentos podem ser apresentados a favor de elementos psicossomáticos na gênese da RCU: em 75% dos casos de Retocolite Ulcerativa pode-se identificar alguma sorte de estresse; a morte devido a Retocolite Ulcerativa foi documentada em macacos em cativeiro, normalmente devido à separação do companheiro.
O estresse é, de fato, desencadeador dos ataques de Retocolite Ulcerativa mas, atrapalhando as investigações, observa-se que tais ataques ocorrem, também, em situações onde não se detecta o estresse. Inversamente, em outras ocasiões, há fortes componentes emocionais sem que desencadeie um ataque da doença.
Portanto, tem sido um consenso, e isso deve ser aceito, que os fatores emocionais devem ser vistos como fortes elementos contribuidores e precipitadores da melhor ou da pior fase da doença, mesmo que não possam ser considerados agentes diretamente causadores.
Entretanto não parece haver uma estrutura psíquica particular, em termos de personalidade, diferenciando os pacientes que são portadores de doença intestinal inflamatória e a população geral. Os pacientes com Retocolite Ulcerativa não têm freqüência maior de diagnostico de doenças psiquiátricas que o restante da população e, quando existe algum diagnóstico, eles estão em nível semelhante ao observado nos demais pacientes portadores do outras doenças crônicas.
No que diz respeito aos progressos efetuados no campo do diagnóstico e da evolução clínica da Retocolite Ulcerativa, os mais importantes sintomas para o diagnóstico são:
Diarréia (mais de 6 evacuações por dia),
Sangue e muco nas fezes,
Presença de úlceras,
Alterações inflamatórias contínuas e sangramento de contato ao exame endoscópico.
Cólicas abdominais,
Perda de peso,
Febres.
A Retocolite Ulcerativa compromete quase que exclusivamente o intestino grosso, sendo que as lesões se confinam predominantemente ao reto e cólons. Com rara exceção pode comprometer o íleo terminal. Assim sendo, num período de observação prolongado, tem sido possível concluir que a Retocolite Ulcerativa que for confinada apenas ao reto e sigmóide é a de melhor prognóstico do que os casos onde o comprometimento é mais amplo e abrangente.
Depois de instalado o processo inflamatório da Retocolite Ulcerativa, se instala no intestino também uma infecção como agente secundário. Isso parece contribuir, em grande parte, para a sintomatologia febril da doença.
Os sintomas da Retocolite Ulcerativa incluem hemorragia retal, diarréia, câimbras abdominais, perda de peso, e febres. Além disso, pacientes que tiveram Colite Ulcerativa extensa por muitos anos, apresentam um risco maior de desenvolver câncer de intestino grosso.
O risco de câncer nesses pacientes está aumentado em relação a população geral principalmente quando a doença se prolonga para mais de 10 anos, particularmente se os pacientes forem mais jovens. O risco estimado aumenta aproximadamente de 5%, da primeira década, para 20%, na segunda década, e 6% para cada ano subseqüente.
Num estudo populacional envolvendo 3.117 pacientes com Retocolite Ulcerativa observou-se aumento de 15 vezes no risco de desenvolver câncer entre aqueles que apresentavam pancolite (inflamação em todo intestino) e apenas 2,8 vezes nos que tinham comprometimento apenas do cólon esquerdo. A morte por causa do câncer colo-retal é três vezes maior na população com Retocolite Ulcerativa do que na população geral.
A Doença de Crohn é uma doença crônica que causa inflamação do intestino delgado, geralmente da parte inferior do intestino delgado, no chamado íleo. Não obstante a Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao orifício final do intestino grosso. A Doença de Crohn também pode ser chamada ileíte ou enterite. A inflamação pode causar dor e levar a evacuações freqüentes, resultando em diarréia. Seu diagnóstico pode ser difícil porque os sintomas são semelhantes aos de outros distúrbios intestinais, como por exemplo, a Síndrome do Cólon Irritável e a Retocolite Ulcerativa.
A Doença de Crohn afeta os sexos masculino e feminino em iguais proporções, e parece correr com certa predominância em algumas famílias pois, cerca de 20% das pessoas com a Doença de Crohn têm algum parente com alguma forma de Doença Intestinal Inflamatória, mais freqüentemente um irmão ou irmã e, algumas vezes, um dos pais ou um filho.
Na Doença de Crohn também são muito freqüentes os sintomas fora do trato digestivo. Estes sintomas incluem a artrite, febre, úlceras na boca e crescimento mais lento.
Se manifesta por edema, dor e rigidez das articulações, podendo ocorrer durante as crises intestinais ou mesmo fora delas. Aproximadamente 30% dos pacientes com Doença de Crohn e 5% dos pacientes com Retocolite Ulcerativa têm artrite. Os joelhos e tornozelos são as articulações mais envolvidas. O edema dura geralmente algumas semanas e desaparece sem deixar lesão permanente.
A febre é um sinal de inflamação e comum durante uma exacerbação dos sintomas intestinais, aparecendo tanto na Doença de Crohn como na Retocolite Ulcerativa. A febre geralmente desaparece com o tratamento da inflamação intestinal, normalmente com antibióticos do tipo sulfa.
Pequenas ulcerações no interior da boca são outro sintoma de Doença de Crohn. Estas ulceras são semelhantes a aftas e aparecem durante a fase de crise aguda da inflamação no intestino. Desaparecem quando a inflamação no intestino é tratada.
A Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa podem interferir com o desenvolvimento. Como estas doenças costumam aparecer na adolescência, os prejuízos no crescimento podem ser bastante marcantes. Ocasionalmente, um atraso no crescimento é um dos únicos sinais da Doença de Crohn e pode surgir meses antes que se faça o diagnóstico concreto da doença. Controlando-se a inflamação e a alimentação voltar ao normal, o crescimento deverá recomeçar.
Para o diagnóstico da Doença de Crohn são necessários um exame físico minucioso e uma série de testes. Podem ser feitos exames no sangue para pesquisa de anemia, e exames de fezes para detectar sangramento intestinal.
Os exames do sangue também poderiam descobrir uma contagem de leucócitos alta como um sinal de inflamação. Podem ser pedidas radiografias gastrintestinais. Também deve ser feita uma colonoscopia para ver qualquer inflamação ou sangramento e, durante o exame, faz-se biópsia da mucosa intestinal.
A causa da Doença de Crohn ainda não é conhecida. Fatores ambientais, alimentares, genéticos, imunológicos, infecciosos e raciais têm sido exaustivamente investigados como possíveis causadores da patologia. Portanto, não se conhece a causa da Doença de Crohn e são muitas as teorias sobre o que poderia causá-la. Uma das teorias mais populares é a imunológica. De acordo com essa idéia, o sistema imunológico do organismo reagiria a algum vírus ou bactéria, causando inflamação contínua do intestino.
Embora as pessoas com a Doença de Crohn tendam a ter anormalidades do sistema imunológico, tal como na Retocolite Ulcerativa, não se sabe se estas anormalidades são causa ou conseqüência da doença.
A influência da genética na Doença de Crohn é complexa. Uma das dificuldades é a constatação de que a vasta maioria dos filhos de pacientes com Doença de Crohn não desenvolve a doença. Em segundo lugar, 90% das pessoas com Doença de Crohn ou não têm parentes com a doença.Apesar disso, há fortes evidências da participação de elementos genéticos na Doença de Crohn, como por exemplo, as diferenças na freqüência da doença entre vários grupos étnicos, incluindo aí os judeus, e os estudos de famílias onde a Doença de Crohn seja prevalente. O risco para a Doença de Crohn diminui progressivamente em caucasianos não-judeus, em afro-americanos, hispânicos e asiáticos.
Na Retocolite Ulcerativa o risco para um parente em primeiro grau judeu é de 4,5%, contra 1,6% para um parente em primeiro grau não-judeu. O risco para a Doença de Crohn é de 7,8% contra 5,2%. Mas, provavelmente, será necessária a presença de muitos genes predisponentes num indivíduo para o desenvolvimento de Doença de Crohn.
Ansiedade, Estresse e Doença de Crohn A tensão emocional pode influir no curso e evolução da Doença de Crohn. A ansiedade devida aos problemas causados pelas pressões da vida moderna talvez seja a emoção que mais pesa nos indícios científicos que a ligam ao começo da doença e ao curso da recuperação.
Quando a ansiedade serve para que nos adaptarmos a alguma situação nova, para nos prepararmos para lidar com algum perigo, ela está nos ajudando. Mas na vida moderna a ansiedade é, na maioria das vezes, fora de propósito e dirigida para o alvo abstrato. Repetidos momentos de ansiedade indicam altos níveis de estresse.
A pessoa cuja tensão continuada acaba por causar-lhe problemas digestivos é um exemplo típico de como a ansiedade e o estresse exacerbam problemas clínicos. O estresse, entre tantos órgãos e sistemas que atua, também pode levar à ulceração do trato gastrintestinal, provocando sintomas como as Doenças Inflamatórias Intestinais. Ainda que a tônica das pesquisas apontem para um envolvimento imunológico nessas doenças, há fortes indícios do impacto das emoções sobre doenças infecciosas, tais como tuberculose, resfriados, gripes, herpes e, particularmente, nas Doenças Inflamatórias Intestinais.
O tratamento para a Doença de Crohn depende da localização e severidade da doença e das complicações. Os objetivos do tratamento são controlar inflamação, deficiências nutricionais corretas e aliviam sintomas como dor abdominal, diarréia e sangramento retal. O tratamento pode incluir drogas, suplementos nutricionais, cirurgia ou uma combinação destas opções. No momento, o tratamento pode ajudar a controlar a doença, mas não há cura.
Alguns autores dizem não existir dietas específicas para prevenir ou tratar a doença, entretanto, algumas pessoas têm seus sintomas diminuídos evitando tomar álcool, leite e seus derivados, comidas apimentadas, frituras, ou fibras. Como cada pessoa reage diferente, é aconselhável que se procure um nutricionista que conheça bem a doença, e evitar as comidas que percebe fazerem mal.
A maioria dos pacientes com Doença de Crohn (54 a 80%) experimenta recaída em 18 a 24 meses. A causa mais comum de recaídas de Doença de Crohn é o uso de antiinflamatórios não-corticóides, como por exemplo, a aspirina. Estas drogas podem instigar diversas ações no intestino, entre elas, aumentar a permeabilidade intestinal.
Um outro fator que perturba a permeabilidade intestinal é o ciclo menstrual. As infecções também podem desencadear recaídas por comprometer a imunidade intestinal. Também o fumo tem sido associado à recaídas da Doença de Crohn.
Fonte: virtualpsy.locaweb.com.br
A doença de Crohn (enterite regional, ileíte granulomatosa, ileocolite) é uma inflamação crônica da parede intestinal. Tipicamente, a doença afeta toda a espessura da parede intestinal. Mais comumente, ela ocorre na porção mais baixa do intestino delgado (íleo) e no intestino grosso, mas pode ocorrer em qualquer parte do trato digestivo, da boca ao orifício final do intestino grosso, e mesmo na pele perianal. Nas últimas décadas, a doença de Crohn tornou-se mais comum tanto nos países ocidentais quanto nos países em desenvolvimento.
A sua incidência é a mesma para ambos os sexos. Ela é mais comum entre judeus e tende a ocorrer em famílias que também apresentam uma história de colite ulcerativa. A maioria dos casos começa antes dos 30 anos de idade, sobre-tudo entre os 14 e os 24 anos. Em cada indivíduo, a doença afeta áreas específicas do intestino, algumas vezes com áreas normais (intercaladas) entre as áreas afetadas. Em aproximadamente 35% dos casos, somente o íleo é afetado. Em aproximadamente 20%, somente o intestino grosso é afetado e, em cerca de 45%, tanto o íleo quanto o intestino grosso são afetados. A causa da doença de Crohn é desconhecida. As pesquisas têm centrado a atenção sobre três possibilidades principais: uma disfunção do sistema imune, uma infecção e a dieta.
Os sintomas iniciais mais comuns da doença de Crohn são a diarréia crônica, a dor abdominal tipo cólica, a febre, a perda do apetite e a perda de peso. O médico pode sentir à palpação uma massa ou uma sensação de plenitude na região abdominal inferior, mais freqüentemente no lado direito. As complicações comuns da inflamação incluem o desenvolvimento de uma obstrução intestinal, canais comunicantes anormais (fístulas) e abcessos. Pode ocorrer a formação de fístulas que conectam duas porções diferentes do intestino.
Elas também podem conectar o intestino à bexiga ou o intestino à superfície cutânea, especialmente em torno do orifício final do intestino grosso. A perfuração do intestino delgado é uma complicação rara. Quando o intestino grosso é afetado pela doença de Crohn, o sangramento retal é comum. Após muitos anos, o risco de câncer do intestino grosso aumenta. Aproximadamente um terço dos indivíduos com essa patologia apresenta problemas em torno do orifício retal, especialmente fístulas e fissuras no revestimento da membrana mucosa do orifício retal. A doença de Crohn está associada a determinados distúrbios que afetam outras partes do corpo como, por exemplo, litíase biliar (cálculos biliares), absorção inadequada de nutrientes e depósitos de amilóide (amiloidose).
Quando a doença de Crohn causa uma exacerbação de sintomas gastrointestinais, o indivíduo também pode apresentar inflamação articular (artrite), inflamação da esclera (episclerite), lesões na boca (estomatite aftosa), nódulos cutâneos inflamados nos membros superiores e inferiores (eritema nodoso) e lesões cutâneas azul-avermelhadas contendo pus (piodermatite gangrenosa). Mesmo quando a doença de Crohn não é a responsável pela exacerbação dos sintomas gastrointestinais, o indivíduo pode apresentar inflamações da coluna vertebral (espondilite ancilosante), das articulações pélvicas (sacroileíte), do interior do olho (uveíte) e dos ductos biliares (colangite esclerosante primária).
Em crianças, os sintomas gastrointestinais (p. Ex., dor abdominal e diarréia) freqüentemente não são os sintomas principais e, inclusive, podem não ocorrer. O sintoma principal pode ser a inflamação articular, a febre, a anemia ou o crescimento lento. Alguns indivíduos recuperam-se completamente após apresentar uma crise única afetando o intestino delgado. No entanto, a doença de Crohn normalmente manifestase em intervalos irregulares ao longo da vida do indivíduo. As exacerbações podem ser leves ou graves, breves ou prolongadas. Desconhecese a razão do surgimento e do desaparecimento dos sintomas e o que desencadeia novos episódios ou determina a sua gravidade. A inflamação tende a recorrer na mesma área do intestino, mas ela pode disseminarse a outras áreas após a remoção cirúrgica da área doente.
O médico pode suspeitar da doença de Crohn em qualquer indivíduo que apresente dor abdominal tipo cólica recorrente e diarréia, sobretudo quando ele também apresentar inflamação articular, oftálmica e cutânea. Não existe um exame laboratorial que estabeleça o diagnóstico da doença de Crohn, mas os exames de sangue podem revelar a existência de uma anemia, um aumento anormal de leucócitos, uma concentração baixa de albumina e outras alterações sugestivas de inflamação.
O enema baritado pode revelar o aspecto característico da doença de Crohn no intestino grosso. Se o diagnóstico ainda permanecer duvidoso, a colonoscopia (exame do intestino grosso com o auxílio de um tubo de visualização flexível) e a biópsia (remoção de amostras de tecido para exame microscópico) podem ajudar na confirmação do diagnóstico. Embora a tomografia computadorizada (TC) possa revelar as alterações da parede intestinal e identificar abcessos, ela não é realizada de rotina como um exame de diagnóstico precoce.
Não existe um tratamento curativo para a doença de Crohn. No entanto, muitos tratamentos ajudam a reduzir a inflamação e a aliviar os sintomas. As cólicas e diarréia são aliviadas com a administração de medicamentos anticolinérgicos, difenoxilato, loperamida, tintura desodorizada de ópio ou codeína. Esses medicamentos são administrados pela via oral, preferencialmente antes das refeições. Algumas vezes, o uso de preparações de metilcelulose ou de psílio pela via oral ajuda a evitar a irritaçãoparte terminal do tubo digestivo, pois elas tornam as fezes mais consistentes. Os antibióticos de amplo espectro (antibióticos que são eficazes contra muitos tipos de bactérias) são freqüentemente prescritos.
O metronidazol pode ajudar a aliviar os sintomas da doença de Crohn, principalmente quando ela afeta o intestino grosso ou causa a formação de abcessos e fístulas em torno do orifício retal. Entretanto, quando ele é utilizado de forma prolongada, pode lesar nervos e acarretar sensação de formigamento nos membros superiores e inferiores. Com a suspensão do medicamento, esse efeito colateral desaparece, mas a recorrência da doença de Crohn após a interrupção do metronidazol é comum.
A sulfasalazina e os medicamentos relacionados quimicamente a ela podem suprimir a inflamação discreta, especialmente a do intestino grosso. Contudo, essas drogas são menos eficazes nas exacerbações repentinas e graves. Os corticosteróides (p. Ex., prednisona) podem reduzir de forma dramática a febre e a diarréia, aliviam a dor e a sensibilidade abdominal e melhoram o apetite e a sensação de bemestar. No entanto, a terapia prolongada com esses medicamentos invariavelmente acarreta efeitos colaterais graves. Geralmente, são administradas doses elevadas para aliviar a inflamação e os sintomas importantes.
Em seguida, a dose é reduzida gradativamente e o uso do corticosteróide é interrompido assim que for possível. Os medicamentos que alteram as ações do sistema imune (p. Ex., azatioprina e mercaptopurina) são eficazes no tratamento da doença de Crohn não responsiva a outros medicamentos e sobretudo na manutenção de longos períodos de remissão. Esses medicamentos melhoram bastante o estado geral do paciente, reduzem a necessidade de corticosteróides e, freqüentemente, curam as fístulas.
No entanto, essas drogas comumente tornamse ineficazes após 3 a 6 meses e podem produzir efeitos secundários potencialmente graves. Por essa razão, o médico deve controlar rigorosamente o paciente que fizer uso, verificando a ocorrência de alergias, inflamação do pâncreas (pancreatite) e redução da contagem leucocitária. As fórmulas dietéticas específicas, nas quais cada componente nutricional é medido com precisão, podem melhorar os quadros de obstrução ou as fístulas intestinais, pelo menos por um curto período de tempo. Além disso, elas também ajudam as crianças a ter um crescimento adequado.
Essas dietas podem ser tentadas antes ou juntamente com a cirurgia. Ocasionalmente, os pacientes necessitam de nutrição parenteral total ou de hiperalimentação, na qual nutrientes concentrados são administrados através da via intravenosa para compensar a má absorção dos nutrientes típica da doença de Crohn.Quando ocorre obstrução intestinal ou quando os abcessos ou as fístulas não curam, a cirurgia pode ser necessária. A remoção cirúrgica de áreas doentes do intestino pode aliviar os sintomas indefinidamente, mas ela não cura a doença.
A inflamação tende a recorrer na área da junção (anastomose) do intestino remanescente. Uma segunda cirurgia é necessária em quase 50% dos casos. Conseqüentemente, a cirurgia é reservada somente para os casos que apresentam complicações específicas ou de fracasso da terapia medicamentosa. Em geral, a maioria dos indivíduos submetidos à cirurgia considera a sua qualidade de vida melhor do que era antes da sua realização. Normalmente, a doença de Crohn não encurta a vida do doente. Entretanto, alguns indivíduos morrem de câncer do trato digestivo, que pode ocorrer na doença de Crohn de longa duração.
Os sintomas diferem entre os indivíduos com doença de Crohn, mas existem quatro padrões comuns:
• Inflamação com dor e sensibilidade na região abdominal inferior direita
• Obstruções intestinais agudas recorrentes que causam espasmos dolorosos intensos da parede intestinal, aumento de volume abdominal, constipação e vômito
• Inflamação e obstrução intestinal parcial crônica que causa desnutrição e fraqueza crônica
• Canais anormais (fístulas) e bolsas de pus (abcessos) que freqüentemente causam febre, massas dolorosas no abdômen e perda de peso importante
A colite ulcerativa é uma doença crônica na qual o intestino grosso tornase inflamado e ulcerado, acarretando episódios de diarréia sanguinolenta, cólica abdominal e febre. A colite ulcerativa pode surgir em qualquer idade, mas, em geral, ela começa entre os 15 e os 30 anos. Um pequeno grupo de pessoas apresenta o primeiro episódio entre os 50 e os 70 anos de idade. Ao contrário da doença de Crohn, a colite ulcerativa normalmente não afeta toda a espessura da parede intestinal e nunca afeta o intestino delgado.
A doença comumente inicia no reto ou no cólon sigmóide (a extremidade inferior do intestino grosso) e, finalmente, disseminase parcial ou completamente ao longo do intestino grosso. Em alguns indivíduos, a maior parte do intestino grosso é afetada precocemente. Aproximadamente 10% dos indivíduos que parecem apresentar colite ulcerativa apresentam apenas um único episódio. No entanto, alguns desses casos podem ser na realidade uma infecção não detectada e não uma colite ulcerativa verdadeira.Desconhecese a causa de colite ulcerativa, mas a hereditariedade e as respostas imunes hiperativas do intestino podem ser fatores contribuintes.
O episódio pode ser súbito e grave, produzindo diarréia intensa, febre alta, dor abdominal e peritonite (inflamação do revestimento da cavidade abdominal). Durante esses episódios, o paciente encontrase profundamente doente. Mais freqüentemente, um episódio começa gradualmente e o indivíduo apresenta urgência para evacuar, cólicas leves na região abdominal inferior e a presença visível de sangue e muco nas fezes.Quando a doença é limitada ao reto e ao cólon sigmóide, as fezes podem ser normais ou duras e secas;.
No entanto, ocorre a descarga de muco contendo uma grande quantidade de eritrócitos e de leucócitos através do reto durante ou entre as evacuações. Os sintomas gerais da doença (p. Ex., febre) são leves ou estão ausentes.Quando a doença estendese mais para cima ao longo do intestino grosso, as fezes são frouxas e o indivíduo pode evacuar 10 a 20 vezes por dia. Freqüentemente, o indivíduo apresenta cólicas abdominais intensas e espasmos retais dolorosos que acompanham a urgência para evacuar.
O quadro não alivia durante a noite. As fezes podem ser aquosas e conter pus, sangue e muco. Freqüentemente, elas são constituídas quase que exclusivamente por sangue e pus. O indivíduo também pode apresentar febre, redução do apetite e perda de peso.
O sangramento, a complicação mais comum, freqüentemente causa anemia ferropriva (por deficiência de ferro). Em aproximadamente 10% dos casos de colite ulcerativa, um primeiro episódio de evolução rápida tornase muito grave, com sangramento maciço, perfuração ou infecção disseminada. Na colite tóxica, uma complicação particularmente grave, toda a espessura da parede intestinal é lesada. A lesão causa o íleo paralítico, uma condição na qual o movimento da parede intestinal cessa, de modo que o conteúdo intestinal não é impelido ao longo de seu trajeto. O indivíduo apresenta distensão abdominal.
À medida que a colite tóxica piora, o intestino grosso perde o tônus muscular e, em poucos dias ou horas, ele começa a dilatar. As radiografias abdominais revelam a presença de gás no interior das porções paralisadas do intestino. Quando o intestino grosso tornase muito distendido, o problema é chamado megacólon tóxico. O indivíduo tornase gravemente doente e pode apresentar febre alta. Ele também pode apresentar dor e sensibilidade abdominal e uma contagem leucocitária elevada. No entanto, dentre aqueles que recebem um tratamento imediato e eficaz de seus sintomas, menos de 4% morrem.
Se uma úlcera perfurar o intestino, o risco de morte é grande. O risco de câncer de cólon é maior para os indivíduos com colite ulcerativa extensa e prolongada. O maior risco de câncer de cólon é quando todo o intestino grosso encontrase afetado e o indivíduo apresenta colite ulcerativa há mais de 10 anos, independentemente de quão ativa a doença se encontra. Para os indivíduos com alto risco de câncer, aconselhase a realização de uma colonoscopia (exame do intestino grosso com o auxílio de um tubo de visualização flexível) em intervalos regulares, preferencialmente nos períodos em que o indivíduo está assintomático.
Durante a colonoscopia, são obtidas amostras de tecido de todo o intestino grosso para exame microscópico. Cerca de um em cada cem indivíduos com essa doença pode apresentar câncer de cólon a cada ano. A maioria sobrevive quando o diagnóstico do câncer é realizado durante os seus estágios iniciais. Assim como a doença de Crohn, a colite ulcerativa está associada a distúrbios que afetam outras partes do corpo. Quando a colite ulcerativa causa exacerbação de sintomas intestinais, o indivíduo também pode apresentar inflamação articular (artrite), inflamação da esclera (episclerite), nódulos cutâneos inflamados (eritema nodoso) e lesões cutâneas de cor azulavermelhada contendo pus (piodermatite gangrenosa).
Mesmo quando a colite ulcerativa não é a causa dos sintomas intestinais, o indivíduo pode apresentar inflamação da coluna vertebral (espondilite ancilosante), das articulações pélvicas (sacroileíte) e da parte interna do olho (uveíte). Apesar dos indivíduos com colite ulcerativa comumente apresentarem uma pequena disfunção hepática, somente 1% a 3% apresentam sintomas de doença hepática moderada ou grave. A doença grave pode incluir a inflamação do fígado (hepatite crônica ativa), a inflamação dos ductos biliares (colangite esclerosante primária), os quais estenosam e acabam fechando e a substituição do tecido hepático funcional por tecido fibroso (cirrose). A inflamação dos ductos biliares pode ocorrer muitos anos antes de qualquer sintoma intestinal da colite ulcerativa e ela aumenta o risco de câncer dos ductos biliares.
O indivíduo com proctite ulcerativa (inflamação e ulceração
limitadas ao reto) apresenta o melhor prognóstico. As complicações
graves são improváveis. No entanto, em aproximadamente 10% a
30% dos casos, a doença acaba disseminandose para o intestino grosso
(conseqüentemente, evoluindo para uma colite ulcerativa). A cirurgia
raramente é necessária e a expectativa de vida é normal.
Contudo, em alguns casos, os sintomas podem revelarse extremamente difíceis
de serem tratados.
Os sintomas do paciente e o exame de fezes ajudam a estabelecer o diagnóstico. Os exames de sangue revelam anemia, aumento da contagem leucocitária, concentração baixa de albumina e aumento da velocidade de hemossedimentação. A sigmoidoscopia (exame do cólon sigmóide com o auxílio de um tubo de visualização flexível) pode confirmar o diagnóstico e permite ao médico observar diretamente a intensidade da inflamação. Mesmo durante períodos assintomáticos, o aspecto do intestino raramente é normal, e o exame microscópico de uma amostra de tecido coletada revela inflamação crônica.
As radiografias abdominais podem indicar a gravidade e a extensão da doença. O enema baritado e a colonoscopia (exame de todo o intestino grosso com o auxílio de um tubo de visualização flexível) normalmente não são realizados antes do início do tratamento, pois esses procedimentos apresentam o risco de perfuração quando realizados durante os estágios ativos da doença. No entanto, em algum momento, todo o intestino grosso é normalmente avaliado por meio de uma colonoscopia ou de um enema baritado, para determinar a extensão da doença e para que se descarte a existência de um câncer. Além da colite ulcerativa, a inflamação do intestino grosso possui muitas outras causas.
Por essa razão, o médico investiga se a inflamação é causada por uma infecção bacteriana ou parasitária. Amostras de fezes obtidas durante a sigmoidoscopia são examinadas ao microscópio e submetidas à cultura, para se verificar a presença de bactérias. Amostras de sangue são analisadas para se determinar se o indivíduo adquiriu uma infecção parasitária, por exemplo, durante uma viagem. Amostras de tecidos são coletadas do revestimento do reto e examinadas ao microscópio.
O médico também verifica a possibilidade de doenças do reto sexualmente transmitidas (p. Ex., blenorragia, herpesvírus ou infecções por clamídia) , principalmente quando se trata de um indivíduo homossexual do sexo masculino. Em indivíduos idosos com aterosclerose, a inflamação pode ser causada por um suprimento sangüíneo insuficiente ao intestino grosso. O câncer de cólon raramente produz febre ou secreção purulenta através do reto. Por outro lado, no caso do indivíduo apresentar diarréia sanguinolenta, o médico deve considerar o câncer de cólon como uma possível causa.
O tratamento visa controlar a inflamação, reduzir os sintomas e repor líquidos e nutrientes perdidos. O indivíduo deve evitar o consumo de frutas e vegetais crus para reduzir a lesão física do revestimento inflamado do intestino grosso. Uma dieta sem laticínios pode reduzir os sintomas e vale a pena ser tentada. A suplementação de ferro pode controlar a anemia causada pela perda contínua de sangue nas fezes. Os medicamentos anticolinérgicos ou pequenas doses de loperamida ou de difenoxilato são administrados nos casos de diarréia relativamente leve.
No caso de uma diarréia mais intensa, é necessária a administração de doses mais altas de difenoxilato ou de tintura desodorizada de ópio, de loperamida ou de codeína. Nos casos graves, o médico controla rigorosamente o paciente que está fazendo uso desses medicamentos antidiarréicos, para evitar o desencadeamento do megacólon tóxico. A sulfasalazina, a olsalazina ou a mesalamina são utilizadas freqüentemente para reduzir a inflamação da colite ulcerativa e para evitar a ocorrência da exacerbação dos sintomas. Esses medicamentos geralmente são administrados por via oral, mas podem ser administrados sob a forma de enema ou de supositório. Os indivíduos com um quadro moderado e não confinados ao leito normalmente utilizam corticosteróides orais (p. Ex., prednisona).
Freqüentemente, a prednisona em doses altas produz uma remissão dramática. Após controlar a inflamação da colite ulcerativa com a prednisona, a sulfasalazina, a olsalazina ou a mesalamina é adicionada ao tratamento. A dose de prednisona é diminuída gradualmente e, finalmente, o seu uso é interrompido. Quase sempre o tratamento prolongado com um corticosteróide produz efeitos colaterais, embora a maioria deles desapareça com a interrupção do medicamento.
Quando uma colite ulcerativa leve ou moderada é limitada ao lado esquerdo do intestino grosso (cólon descendente) e ao reto, enemas com um corticosteróide ou com mesalamina podem ser administrados.Quando a doença tornase grave, o indivíduo é hospitalizado e é realizada a administração intravenosa de corticosteróides. Os indivíduos com sangramento retal intenso podem necessitar de transfusões de sangue e de reposição líquida intravenosa. A azatioprina e a mercaptopurina têm sido utilizadas para manter remissões em indivíduos com colite ulcerativa que, de outra forma, necessitariam de uma terapia prolongada com corticosteróides. A ciclosporina tem sido administrada em alguns indivíduos que apresentam episódios graves e que não são responsivos à terapia com corticosteróide. No entanto, aproximadamente 50% desses indivíduos acabam sendo submetidos a uma cirurgia.
A colite tóxica é uma emergência. Assim que o médico a diagnostica ou suspeita de um megacólon tóxico iminente, ele suspende todos os medicamentos antidiarréicos, mantém o paciente em jejum, passa uma sonda nasogástrica ou nasoenteral e a conecta a um aparelho de aspiração intermitente. Todos os líquidos, nutrientes e medicamentos são administrados por via intravenosa. O paciente é controlado rigorosamente, observandose a ocorrência de sinais de peritonite ou de perfuração. Se essas medidas não conseguirem melhorar o estado geral do paciente em 24 a 48 horas, é necessária a realização de uma cirurgia de emergência. Neste caso, é realizada uma ressecção total ou quase total do intestino grosso.Quando um câncer é diagnosticado ou alterações précancerosas são identificadas no intestino grosso, a cirurgia não é realizada em caráter emergencial. A cirurgia também pode ser realizada por causa de uma estenose do intestino grosso ou do retardo do crescimento em crianças.
A razão mais comum para a realização da cirurgia é a doença crônica e sem remissões que, de outra forma, tornaria o paciente inválido ou dependente crônico de doses elevadas de corticosteróides. Raramente, problemas extraintestinais graves relacionados à colite (p. Ex., poioderma gangrenoso) podem exigir a realização de uma cirurgia. A remoção completa do intestino grosso e do reto cura definitivamente a colite ulcerativa. A conseqüência deste tratamento é que o paciente deve conviver com uma ileostomia permanente (conexão criada entre a parte mais baixa do intestino delgado e uma abertura na parede abdominal), sobre a qual é fixada uma bolsa de ileostomia.
Contudo, existem vários procedimentos alternativos disponíveis, o mais comum sendo a anastomose íleoanal. Neste procedimento, o intestino grosso e a maior parte do reto são removidos e é criado um pequeno reservatório a partir do intestino delgado, que é conectado à porção remanescente do reto logo acima do orifício retal. Este procedimento mantém a continência, embora possam ocorrer algumas complicações como, por exemplo, a inflamação do reservatório.
Fonte: www.msd-brazil.com