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Colonização Inglesa na América do Norte

A colonização da América do Norte foi inicialmente fruto da ação individual de vários grupos que estavam fugindo das atribulações de ordem social, política e religiosa que assolava o Norte da Europa especialmente a Inglaterra.

Em fins do século XVI sob o comando da rainha Elisabeth I que governou entre 1558 e 1603 e que desenvolveu uma agressiva política de incentivo a pirataria, os piratas a serviço da coroa inglesa eram chamados de corsários e recebiam proteção do estado Inglês e, contrabando no caribe. (assista ao filme Piratas estrelado por Walter Mathau e dirigido por Roman Polanski).

Estas ações terminaram por desencadear um conflito armado em 1588, tendo a Inglaterra vencendo com a destruição da frota espanhola que era denominada de “a Invencível Armada”.

No início do século XVII foram criadas na Inglaterra bem como na Holanda várias companhias de comércio que visavam ampliar a sua participação no comércio colonial que Portugal e Espanha haviam montado desde fins do século XV.

Estas companhias de comércio terminaram por incentivar a imigração de colonos que passaram a ocupar as terras da Espanha na América do Norte dando início à colonização inglesa na América foram criadas treze colônias que terminaram assumindo características diferentes resultando em dois tipos de colônias. Um tipo era a de povoamento e o outro era a de exploração.

As colônias de exploração fundadas por companhias de comércio ou por ação do governo inglês foram criadas dentro dos moldes das colônias ibéricas e limitadas nas suas ações por um pacto colonial.

Já as colônias de povoamento por terem sido organizadas por comunidades familiares e/ou por grupos religiosos que haviam fugido da Europa terminaram estabelecendo as bases de uma intensa atividade manufatureira que viria predominar na porção Norte destas colônias.

Não podemos esquecer de dizer que o regime de propriedade da terra também era diferente entre as colônias indo da pequena propriedade que era trabalhada pelos membros da família e alguns empregados ou agregados (assista ao filme As Bruxas de Salém) até a grande propriedade com a mão-de-obra sendo relegada aos escravos africanos.

Um conjunto de problemas internos envolvendo a disputa pelo controle do Estado entre a burguesia e a nobreza (revolução puritana de 1641 e revolução gloriosa de 1688) terminou criando uma certa situação de autonomia para que as colônias pudessem desenvolver atividades comerciais.

Especialmente as do norte (povoamento) que, devido as suas características, possuíam meios e produtos para comercializar com o Caribe vendendo manufaturados diversos, peles, escravos - que eram comprados dos portugueses e revendidos aos colonos da Espanha - e comprando açúcar entre outros produtos tropicais.

Este processo vai permitir ao mesmo tempo a participação da Inglaterra nas atividades mercantis da época e para os colonos a possibilidade de criar o seu próprio modo de vida, fato este que teve uma importância fundamental no futuro da região.

O Comércio entre a América e suas Metrópoles

A montagem e o desenvolvimento de um intenso comércio entre as metrópoles e suas colônias foi a princípio estabelecido com base em um “Pacto Colonial” que na realidade era a definição de um conjunto de obrigações que as colônias deveriam ter para com as metrópoles incluindo a proibição de produzir qualquer tipo de produto que fosse fabricado ou comercializado pela metrópole e a obrigação de vender seus produtos apenas a metrópole ou aos seus representantes e deles comprar o que fosse necessário.

Na prática a Espanha teve mais dificuldades e menos interesse em impor o pacto colonial do que Portugal, devido especialmente por três motivos.

O primeiro deles devia-se ao fato de que para a Espanha era necessário manter a estrutura administrativa existente entre os povos vencidos (que explorava o trabalho coletivo) para a extração de ouro e prata e isto significava ter que permitir a produção e o comércio interno entre as várias colônias como a região do Peru e a Colômbia por exemplo.

O segundo está relacionado ao fato de que como a mineração dava muito mais lucro e podia ser mais facilmente desviado, o governo espanhol vai concentrar aí as suas atenções, o que terminou por favorecer a existência de um intenso contrabando de mercadorias entre as suas colônias.

O terceiro diz respeito à distância entre a Espanha e a América aliada às condições climáticas existentes no Caribe (maior umidade do ar e um mar de águas mais quentes do que na Espanha) terminavam estragando as mercadorias trazidas como o trigo que ou apodrecia ou germinava.

Desta forma o comércio colonial foi organizado a partir da CASA DE CONTRATAÇÃO em Sevilha que era a sede administrativa das colônias da Espanha que organizou “A carrera de Índias” que consistia em comboios dos galeões que substituíram as caravelas nas viagens marítimas entre a Espanha e a América.

A necessidade de navios cada vez maiores fez com que a indústria naval espanhola fosse em parte transferida para a costa americana no Pacífico como realejo na Nicarágua e onde a disponibilidade de madeiras nobres era abundante. Nas Antilhas a fabricação de navios passou a ser realizada em Havana, Maracaibo e Campeche.

Entretanto não só de madeiras eram feitos os navios que atravessavam os mares em busca de comércio ou transportando pessoas e sonhos de uma vida nova no “Novo Mundo”, eram necessárias uma infinidade de equipamentos e aparelhagem para que um navio tivesse condições de navegar (faça uma pesquisa na internet sobre quais são os itens que fazem parte de uma caravela ou um galeão). Aqui vamos citar o que envolvia a necessidade de armamento nestes navios como exemplo do envolvimento comercial que se fazia necessário e que terminava envolvendo outros povos no rentável comércio colonial e em parte explica a dependência da Espanha e Portugal em relação aos outros países.

Com o aumento do comércio e a intensificação da fabricação de navios vamos ver aumentar a ação dos piratas e corsários que atacavam a carrera de Índias da Espanha isto vai fazer surgir a necessidade de por canhões nos navios para a realização da defesa em caso de ataque. Como a Espanha termina tendo mais procura por armamentos do que a sua capacidade de produção própria, termina tendo que encomendar cobre da Antuérpia, e canhões das fundições da região de Flandres, na França e do norte da Alemanha, o que termina transferindo parte do lucro obtido com a exploração colonial bem como causando certa dependência dos produtos estrangeiros.

Outro aspecto que está ligado ao desenvolvimento do comércio colonial diz respeito a condição de vida no mar que é descrita como pouco atrativa, suja, perigosa e insalubre o que resultava, freqüentemente, em escassez de marinheiros, o que deve ter causado uma pressão pela realização de melhorias na alimentação e condições físicas nos navios o que terminava acarretando em um aumento dos produtos e, portanto, da atividade manufatureira e comercial.

A escolha do que seria produzido, como e de onde seriam transportados eram de importância vital para o sucesso do comércio entre a Espanha e suas colônias.

Os navios que saiam do México demoravam 75 dias para chegar à Espanha, os que saiam de Havana (Cuba) 65 dias e os de Cartagena (Colômbia) 115 e o que dizer dos que saiam da costa do Peru pelo Pacífico atravessar o istmo do Panamá e depois seguir para a Espanha. Temos ainda o caso dos navios que saiam das Filipinas que para chegar à Espanha teriam que cruzar o Pacífico, passar pelo istmo do Panamá, cruzar o Atlântico para poder chegar à Espanha com suas mercadorias.

Não foi à toa que em Cuba e nas ilhas das Antilhas vão ser estabelecidas as plantações de açúcar (produto bastante perecível), no México especializa-se a extração de ouro e no Peru a exploração da Prata (pouco volume e muito peso, porém não perecível) e nas Filipinas a comercialização de seda (pouco peso volume e não perecível). Esta combinação vai garantir a Espanha controle das suas colônias, a lucratividade dos investimentos e a criação de uma elite colonial que neste momento explorando o trabalho nativo ou o escravo africano vai estar de plena concordância com a coroa espanhola.

Desta forma com estes exemplos podemos vislumbrar alguns dos motivos que fizeram com que a Espanha terminasse por tolerar a existência de atividades manufatureiras, comércio interno e até certo ponto o contrabando como mecanismos de manutenção do poder.

A Igreja Católica na América espanhola

Nem só de comércio e conquista consistiu a colonização da América. Como já foi dito anteriormente, através da intervenção do Papa, Portugal e Espanha dividiram as terras coloniais. Mas a atuação da Igreja não se limitou a este tratado, Veja a lista das resoluções papais que beneficiaram Portugal e Espanha.

Romanus Pontifex de 1455, do Papa Nicolau V

Cum dudum affligebant de 1456, do Papa Calisto III

Inter caetera de 1493 e Eximiae devotionis de 1493 e 1501,do Papa Alexandre VI

Universalis eclesiae de 1508 do Papa Júlio II

Exponi nobis de 1523 do Papa Adriano VI

Estas bulas papais, ao mesmo tempo que legitimavam os direitos internacionais de Portugal e Espanha sobre as terras descobertas, definiam o arcabouço fundamental do processo de evangelização cristã na América. (faça uma pesquisa sobre o teor destes documentos na internet e aprofunde seus conhecimentos).

Muito bem, definidas as regras de evangelização como deveriam atuar os religiosos? Qual o tipo de organização deveria ser adotada para que a conversão dos povos pudesse ser realizada?

Para responder a estas questões é necessário entender antes que, a Igreja estava na América espanhola estava submetida aos mandos e desmandos do poder real e portanto limitada nas suas ações. O que justifica esta afirmação? A submissão era fruto da política Espanhola em aprisionar a autoridade papal na América através do patronato real (instituição que obrigava o clero a reportar-se à coroa antes de faze-lo ao Papa) para isto o Estado espanhol subsidiava a ação evangelizadora com recursos para estabelecer dioceses, conventos, missões e reduções (cujo objetivo era apressar a submissão e a europeização dos povos nativos e da lealdade à coroa espanhola) dando também autoridade aos religiosos de participar dos negócios do estado participando dos conselhos como o conselho real (uma espécie de ministério).

Esta situação vai ser mais atuante nos primeiros anos da colonização e especialmente durante os primeiros quarenta anos que foi a fase principal da conquista e submissão dos povos nativos da América como podem ser vislumbrados nos dados a seguir que mostram o número de dioceses fundadas na América espanhola ao longo dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX.

DE 1504 a 1550: 22

DE 1551 a 1600: 9

NO SÉCULO XVII: 5

NO SÉCULO XVIII: 6

NO SÉCULO XIX: 3

Ao longo dos séculos vários elementos da Igreja romana vão entrar em atrito com o colonizador como as denúncias do Frei Bartolomé de Las Casas que entre 1514 e 1566 realizou intensa ação de defesa dos nativos contra os colonos conseguindo inclusive influenciar a coroa espanhola a determinar a proibição da escravização indígena.

Dada a imensidão da tarefa de evangelizar a América (bem como de colonizar) devido à vastidão territorial e humana que se descortinava diante dos religiosos pode-se dizer que antes da evangelização a conquista militar e política chegaram primeiro.

Temos como um exemplo desta afirmação a companhia de Jesus, ordem religiosa fundada por Inácio de Loyola que possuía forte caráter militar e trouxeram para a América um novo tipo de cristianismo diferente daqueles dos primeiros anos da colonização. Por ter no seu conjunto grandes diferenças quando comparadas com outras ordens religiosas que foram implantadas na América, os jesuítas terminaram por ser expulsos da América, tanto espanhola quanto portuguesa.

Vamos analisar as características da ordem jesuíta para melhor compreender a sua ação e posterior expulsão. Autonomia política em relação ao Estado (espanhol ou português), estrutura fortemente hierárquica, obediência quase militar a Roma e ao Papa, ativos defensores das comunidades nativas contra a escravidão, principais difusores do cristianismo nas línguas nativas e especialmente fundadores de colégios que resultavam em aglomerados populacionais que de uma forma não autorizada terminavam se transformando em cidades.

Tomemos dois casos como exemplo do alcance da ação dos padres jesuítas na América:

1º) Na região do Paraguai os jesuítas conseguiram desde o início das suas atividades em 1607 fundar quarenta centros de atividade missionária (missões) que juntos reuniam 130.000 mil nativos que terminaram por compor a base da população Guarani que iria povoar o futuro país.

2º) Na região da Califórnia os jesuítas atuando a partir de 1695 fundaram 19 centros (reduções) que abrigavam um total de 22.000 nativos que ficaram livres da ação dos colonizadores.

Este conjunto de aspectos aliado ao poder que os jesuítas exerciam nas decisões do poder do Papa na Europa terminaram por resultar na proibição da sua atuação na América, permitindo que o pouco de defesa em favor dos povos nativos que a ação evangelizadora do cristianismo conseguiu criar terminasse por não mais existir.

A ação evangelizadora do cristianismo romano durante a colonização vai contar com uma ampla estrutura administrativa eclesiástica que vai ter como sede a diocese como já falamos anteriormente. O Bispo torna-se na América a figura mais importante dentro da hierarquia religiosa mas, ao lado das dioceses vamos ter mais dois tipos de organização religiosa que podem ser divididas em REGULARES e SECULARES.

As ordens regulares, assim denominadas por causa do fato de que os religiosos destas organizações viviam reclusos nas suas instalações saindo ocasionalmente para a prestação de serviços religiosos e estavam circunscritas aos conventos, mosteiros ou abadias e deviam obediência direta ao religioso designado para tal como no caso dos:

FRANCISCANOS

DOMINICIANOS

AGOSTINIANOS

MERCEDÁRIOS

JESUÍTAS

Por outro lado, dentro das ordens seculares existia maior liberdade por parte dos religiosos que deviam seguir a tradicional hierarquia devendo obediência ao bispo local, podendo entretanto atuar junto à população como no caso das ações individuais de:

BARTOLOMÉ DE LAS CASAS

VASCO DE QUIROGA

DOMINGO DE SANTO TOMÁS

SÃO TURÍBIO DE MOGROVEJO

Ao longo do período colonial a Igreja vai oscilar entre apoiar a ação colonizadora, fechando os olhos para as atrocidades que os povos nativos estavam sofrendo e, se voltar contra ela denunciando, protegendo, mesmo que esta proteção custasse a destruição da cultura dos povos protegidos das dores da escravidão.

A principal lição que temos é que de uma forma ou outra a ação evangelizadora terminou por sepultar qualquer possibilidade concreta de revolta que pudesse por fim ao domínio espanhol e sedimentou o predomínio do cristianismo na América latina.

Sugestão de atividade 01

Assista ao filme a Missão com Robert de Niro, Liam Neeson e Jeremy Irons e faça uma comparando os dados do filme com os fatos históricos para depois desenvolver uma resenha sobre a atuação da Igreja no processo de colonização da América

Sugestão de atividade 02

Leia o texto que segue e depois construa uma explicação para o fato apresentado.

“Três anos depois do descobrimento, Cristóvão Colombo dirigiu pessoalmente a campanha militar contra os indígenas da Ilha Dominicana. Um punhado de cavaleiros, duzentos infantes e alguns cães especialmente treinados para o ataque dizimaram os índios. Mais de quinhentos, enviados à Espanha, foram vendidos como escravos em Sevilha e morreram miseravelmente.

Entretanto alguns teólogos protestaram e a escravização dos índios foi formalmente proibida ao nascer do século XVI.

Na realidade, não foi proibida, mas abençoada: antes de cada entrada militar, os capitães de conquista deviam ler para os índios, sem intérprete mas diante de um escrivão público, um extenso e retórico requerimiento que os exortavam a se converterem à santa fé católica: “Se não o fizerdes, ou nisto puserdes maliciosamente dilatação, certifico-vos que com a ajuda de Deus eu entrarei poderosamente contra vós e vos farei guerra por todas as partes e maneira que puder, e vos sujeitarei ao jugo e obediência da Igreja e de Sua Majestade e tomarei vossas mulheres e filhos e vos fareis escravos, e como tais vendereis, e disporei de vós como Sua Majestade mandar, e tomarei vossos bens e vos farei todos os males e danos que puder...”

A América era o vasto império do diabo, de redenção impossível ou duvidosa, mas a fanática missão contra a heresia dos nativos confundia-se com a febre que provocava, nas hostes das conquistas, o brilho dos tesouros do Novo Mundo” (GALEANO, 2002, P.24)

Fonte: proead.unit.br

Colonização Inglesa na América do Norte

A Inglaterra teve, como colônia, a região onde é hoje os Estados Unidos.

A Inglaterra só entrou na atividade colonizadora quando foram criadas campanhas de comércio, através de uma união entre estado e burguesia, na busca por mercado consumidor. Um fator que viabilizou a colonização inglesa na América do Norte foram os conflitos entre protestantes e católicos vivenciados na Inglaterra, além do processo de cercamentos (privatização das terras comunais).

Todo o excedente populacional decorrente dos cercamentos e os refugiados dos conflitos religiosos foram para a América do Norte. Essa população foi somente para morar e não para explorar, caracterizndo assim, a colonização de povoamento.

As várias guerras civis em que a Inglaterra se submetia gerou um pacto colonial ameno, resultando numa colônia quase autônoma em relação à metrópole e num forte mercado interno.

O trabalho nas colônias se baseava na agricultura realizada em pequenas e médias propriedades, onde, na maioria das vezes, o colono era o próprio trabalhador, não tendo, portanto, a utilização intensa do trabalho escravo. Todo esse processo resultou em uma diversificação na produção e um mercado destinado ao consumo interno.

Fonte: portaldoestudante.wordpress.com

Colonização Inglesa na América do Norte

O início da colonização inglesa na América do Norte ocorreu no princípio do século XVII, com a fundação da colônia de Virgínia. De modo contrário ao que ocorreu na América espanhola e portuguesa, não foi a Coroa a articuladora da colonização, uma vez que este trabalho ficou mais a cargo de particulares e de Companhias de Comércio.

O grande motivo que atraiu as atenções dos ingleses que se dispuseram a vir para o continente americano foi, na realidade, um problema interno da Inglaterra: perseguições religiosas e políticas, além dos efeitos da expropriação dos camponeses (cercamentos).

As perseguições religiosas do século XVI e as perseguições políticas do século XVII (quando a Inglaterra foi abalada pelos conflitos entre o Parlamento e os reis Stuarts) produziram uma grande emigração em direção ao continente americano, reforçada pela situação de miséria que se seguiu à política dos cercamentos dos campos ingleses. Os camponeses, expropriados e expulsos das terras, encontraram na emigração uma alternativa à miséria em eu passaram a viver em solo inglês.

No litoral atlântico da América do Norte foram fundadas treze colônias, que apresentavam uma enorme diversidade entre si, mas que poderiam ser agrupadas em três conjuntos, conforme as condições econômicas e de povoamento.

As colônias do Norte (Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island, Connecticut, New York), que também foram chamadas de Nova Inglaterra foram povoadas por aqueles refugiados a que se fez referência anteriormente.

Economicamente, elas apresentaram uma situação peculiar: não se encontrou ouro e produtos agrícolas para oferecer ao mercado europeu, devido à semelhança climática com a Europa.

Ali se desenvolveu, portanto, uma agricultura de subsistência, com propriedades minifundiárias que utilizaram mão de obra assalariada ou baseada na servidão por contrato (o colono queria vir para a América, mas como não tinha dinheiro para a viagem, obrigava-se a trabalhar durante um certo número de anos para os fazendeiros. Esses colonos, eram, em sua maioria, os antigos camponeses expropriados devido aos cercamentos).

Politicamente, essas colônias mostravam um grau bastante razoável de autonomia, tendo organizado seus governos baseados em ampla representação da população. Cada colônia tinha sai vida própria, não havendo maiores laços entre elas.

Apesar das proibições do governo inglês, surgiram pequenas manufaturas. Também, apesar das proibições, o comércio foi realizado com regiões outras que não a metrópole, gerando os chamados “triângulos de comércio”.

As colônias do Centro (Pensilvânia, New Jersey, Delawere) surgiram posteriormente, pois seu território era propriedade da Coroa, que o utilizava unicamente para separar as colônias do Norte e do Sul.

Devido a este abandono, outros povos se interessaram e ocuparam algumas áreas, como os holandeses que, posteriormente, foram expulsos.

A organização econômica era bastante semelhante às colônias do Norte, se bem que houvessem surgido, paralelamente às pequenas propriedades, os latifúndios, baseados no trabalho escravo.

Dentre as colônias do Centro, merece destaque a da Pensilvânia, fundada pelos “quacres” (ou “quakers”)*, nome dado a uma das muitas seitas surgidas após a Reforma. Acreditavam eles na igualdade dos homens e eram contrários a toda e qualquer forma de violência, particularmente as guerras, o que lhes valeu enormes perseguições na Inglaterra.

As colônias do Sul (Maryland, Virgínia, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Geórgia) já apresentavam uma configuração mais parecida com as colônias ibéricas.

De fato, lá desenvolveu-se a grande propriedade rural, utilizando trabalho escravo e com produção monocultora voltada para a exportação (a plantation).

Politicamente, o sul não era tão democrático quanto o norte, pois a casta dos grandes fazendeiros assenhorou-se do poder político local, mantendo os escravos e os índios completamente à margem da sociedade.

Muito já se discutiu a respeito do self-government, isto é, da autonomia política que as colônias inglesas praticaram. E, o que mais chama a atenção é a “negligência salutar” dos ingleses em relação às suas colônias americanas.

Na realidade, não é difícil entender os dois aspectos. O primeiro se explica pelo espírito autônomo que os colonos traziam consigo. O segundo, pela pouca importância econômica que estas colônias possuíam. A Inglaterra estava mais interessada em outras regiões, como as colônias do Caribe, dispensando pouca atenção às treze colônias.

Em outras palavras: dentro da preocupação de acumular capitais a partir da exploração colonial, as possibilidades da Inglaterra o conseguir com essas colônias da América do Norte era virtualmente nula. Por isso é que muitos autores consideram essa área como não incluída no conceito de Antigo Sistema Colonial.

(*) QUAKERS

Sociedade dos Amigos, nome de uma comunidade de cristãos protestantes, mais conhecidos como quakers. No início, eram seguidores de um pregador leigo, o inglês George Fox, que em 1647 começou a pregar a doutrina de “Cristo dentro” (todas as pessoas podem sentir a palavra de Deus em suas almas, caso se esforcem para ouvi-la). Interpretavam literalmente as palavras de Jesus Cristo nas escrituras, eram contra prestar juramentos e contra a guerra. Destacavam-se sempre pela solidariedade.

Valorizam a bondade, a verdade e a sinceridade, porém reconhecem a existência da maldade. Desprezam o luxo e buscam a simplicidade no vestir e no falar. Tanto no plano administrativo como na organização não existe discriminação entre sexos. A qualificação dos membros se baseia em seus princípios morais e religiosos. Organizam reuniões para celebração do culto e com elas procuram ajudar seus membros a sentir a presença de Deus.

Dentro desse conceito caberiam, talvez, apenas as colônias do Sul.

COLÔNIAS DE POVOAMENTO

O que é uma colônia de povoamento? Em que ela se diferencia de uma colônia de exploração? Essas são as dúvidas que normalmente se colocam aos que desejam estudar a ocupação européia na América do Norte. O texto de Celso Furtado explica o que é e porque foram criadas as colônias de povoamento, fazendo-se algumas distinções entre elas e as colônias de exploração.

A colonização de povoamento que se inicia na América no século XVII constitui, portanto, seja uma operação com objetivos políticos, seja uma forma de exploração de mão-de-obra européia que um conjunto de circunstâncias tornara relativamente barata nas Ilhas Britânicas. Ao contrário do que ocorrera com Espanha e Portugal, afligidos por uma permanente escassez de mão-de-obra quando iniciaram a ocupação da América, a Inglaterra do século XVII apresentava um considerável excedente de população, graças às profundas modificações de sua agricultura iniciadas no século anterior. Essa população, que abandonava os campos na medida em que o velho sistema de agricultura coletiva ia sendo eliminado, e em que as terras agrícolas eram desviadas para a criação de gado lanígero, vivia em condições suficientemente precárias para submeter-se a um regime de servidão por tempo limitado, com o fim de acumular um pequeno patrimônio. A pessoa interessada assinava um contrato na Inglaterra, pelo qual se comprometia a trabalhar para outra por um prazo de cinco a sete anos, recebendo em compensação o pagamento da passagem, manutenção e, ao final do contrato, um pedaço de terra ou uma indenização em dinheiro. Tudo indica que essa gente recebia um tratamento igual ou pior ao dado aos escravos africanos.

O início dessa colonização de povoamento no século XVII abre uma etapa nova na história da América. Em seus primeiros tempos essas colônias acarretam vultosos prejuízos para as companhias que se organizam. Particularmente grandes são os prejuízos das colônias que se instalam na América do Norte. O êxito da colonização agrícola portuguesa tivera como base a produção de um artigo cujo mercado se expandira extraordinariamente. A busca de artigos capazes de criar mercados em expansão constitui a preocupação dos novos núcleos coloniais. Demais, era necessário encontrar artigos que pudessem ser produzidos em pequenas propriedades, condição sem a qual não perduraria o recrutamento de mão de obra europeia. Em tais condições, os núcleos situados na região norte da América setentrional encontram sérias dificuldades para criar uma base estável. Do ponto de vista das companhias que financiaram os gastos iniciais de traslado e instalação, a colonização dessa parte da América constitui um efetivo fracasso. Não foi possível encontrar nenhum produto, adaptável à região, que alimentasse uma corrente de exportação para a Europa capaz de remunerar os capitais investidos. Com efeito, o que se podia produzir na Nova Inglaterra era exatamente aquilo que se produzia na Europa, onde os salários estavam determinados por um nível de subsistência extremamente baixo, na época. Demais, o custo do transporte era de tal forma elevado, relativamente ao custo de produção dos artigos primários, que uma diferença mesmo substancial nos salários teria sido de escassa significação.

SERVOS DE CONTRATO

Dos vários milhões de pessoas que chegaram às colônias fundadas pelos ingleses na América do Norte antes de 1776, calcula-se que perto de 80 por cento figuravam numa categoria qualquer de servidão. As condições de servidão, é claro, variavam consideravelmente. Iam desde o imigrante europeu que pagava o preço da passagem com um período de servidão nas colônias, até o homem que era capturado e vendido com escravo a um senhor, que o tinha em seu poder por toda a vida.

Entretanto, na maioria dos casos, o fato da servidão exercida por um homem durante um determinado período de tempo, não o impedia, uma vez livre dela, de melhorar sua condição social e econômica. Acredita-se que, em certa época, mais da metade dos responsáveis pela administração da colônia de Virgínia era formada por indivíduos que tinham vindo para a América na condição de servos por contrato. No caso da Virgínia, que estamos analisando, estes e outros ex-servos tinham-se tornado proprietários rurais ricos e cidadãos respeitados nas plantações ultramarinas do rei. Mesmo quando a rápida ascensão social e econômica não era possível nos limites de uma única geração, os filhos dos ex-servos muitas vezes a alcançavam. Assim, a América mereceu a reputação de terra da oportunidade.

Houve, porém, uma notável exceção a essa regra geral. Ao negro africano não se possibilitou melhorar a sua condição geral, mas coube-lhe a obrigação cruel de trabalho perpétuo e árduo, além do status social que jamais se modificava. Para ele o sonho americano veio a ser uma ilusão amarga.

Sem dúvida, nada na História da Inglaterra fazia crer que suas colônias iriam adotar a instituição da escravatura. Na própria Inglaterra, antes da expansão colonial, nem a lei nem o costume justificava a escravidão.

Mesmo os primeiros negros estabelecidos nas colônias, e que por acaso desembarcaram na Virgínia, não foram tratados como escravos, embora tivessem sido comprados de um navio de guerra holandês que os tinha tomado a um navio negreiro português capturado. Talvez porque a lei inglesa não permitia a escravidão, talvez porque fossem cristãos, esses vinte negros parecem ter sito tratados como servos por contrato.

Colonização Inglesa na América do Norte
Mapa das 13 colônias inglesas da América do Norte, antes da independência

A região Norte da América ficou esquecida pelos europeus durante todo o século XVI.

Foram feitas algumas viagens exploratórias, mas somente no século XVII se iniciou o povoamento e a colonização pelos ingleses, que decidiram ocupar efetivamente o território. Para isso, criaram duas companhias de comércio: a Companhia de Londres, que ocuparia a região Sul, e a Companhia de Plymouth, que ficaria com o Norte.

No início da colonização o controle inglês sobre suas Treze Colônias na América do Norte foi brando, ou seja, quase inexistente. As Revoluções Inglesas no século XVII e o envolvimento em guerras europeias contribuíram para essa quase inexistência de fiscalização e domínio da metrópole. Livres da exploração, aos poucos as colônias conquistaram importante desenvolvimento econômico, não apenas as do Sul agroexportador, mas também as do Norte, onde havia intensa atividade comercial, artesanal e manufatureira.

A expansão econômica do Norte chegou a fazer concorrência com a Inglaterra, no comércio de longa distância com o Caribe, a África e a própria Europa (conhecido como Comércio Triangular). Além disso, com os progressos da Revolução Industrial durante o século XVIII, o reino inglês se lançou em busca de novos mercados consumidores, o que incluiu as próprias Treze Colônias.

Aos poucos, o Parlamento inglês foi aprovando uma série de leis voltadas para a cobrança de impostos na América. A Guerra dos Sete Anos (1756-1763) contra a França acelerou o processo, ao desequilibrar as finanças do Estado inglês.

Além disso, o fato de o conflito ter se desenrolado parcialmente em território norte-americano serviu como pretexto para a cobrança de impostos. Os ingleses argumentaram que, por ter sido uma guerra em defesa da América inglesa contra as agressões francesas, os colonos deveriam ajudar a cobrir os gastos da Guerra dos Sete Anos.

As tentativas de estreitamento do domínio da Inglaterra sobre suas colônias, entretanto, contrariava os princípios iluministas de liberdade e autodeterminação (direito de lutar contra a opressão e a favor da independência dos povos), além de comprometer a autonomia de que sempre gozaram as colônias. Os conflitos tornar-se-iam constantes.

AS 13 COLÔNIAS: ocupação inglesa na América do Norte

Enquanto buscavam um novo caminho para o Oriente ou Índias, ingleses e franceses exploraram o leste da América do Norte durante o século XVI. Apesar de várias tentativas para estabelecer assentamentos permanentes na região durante esse período, apenas entrepostos comerciais se mantiveram.

Foi como consequência dos acontecimentos abaixo, na primeira metade do século XVII, que teve início de modo efetivo a colonização inglesa na América do Norte:

Conflitos entre protestantes e católicos na Europa e a violência decorrente dessa intolerância, o que assustava muitos grupos religiosos.

Perseguições políticas e religiosas na Inglaterra, Holanda, Irlanda e Escócia

Na Inglaterra, devido aos cercamentos das áreas comunais ou enclosures – transformações de caráter capitalista que ocorriam no campo – surgia o problema de uma grande massa de camponeses sem terra e sem trabalho que migrava para as cidades.

O crescimento da população urbana marginalizada, pois não havia empregos suficientes para todos os que se dirigiam para as cidades e, mesmo para os que conseguiam trabalho, os salários eram miseráveis.

Ameaça aos interesses comerciais ingleses em virtude do avanço de franceses e espanhóis em terras norte-americanas.

Cercamento: denominação pela qual ficou conhecido o processo de substituição da atividade agrícola tradicional pela criação de ovelhas em campos cercados (enclosure), com a consequente expulsão de muitos camponeses das propriedades rurais inglesas.

Primeiros povoadores

Com a fundação do povoado de Jamestown, em 1607, formou-se a primeira colônia inglesa na América do Norte: a Virgínia. Sua criação foi financiada por uma empresa privada – a Companhia de Plymouth –, a que o governo inglês havia concedido exclusividade sobre a exploração da região.

Pouco tempo depois, a partir de 1620, comunidades inteiras de protestantes, em diferentes levas (além de alguns grupos de católicos), começaram a migrar da Europa para o Novo Mundo, fugindo de perseguições religiosas e de dificuldades econômicas. Estabelecendo-se em diferentes áreas da costa leste, esses grupos foram constituindo novas colônias.

Os primeiros ingleses que migraram ficaram conhecidos como “pilgrims fathers” ou “pais peregrinos” e estabeleceram-se ao norte dos domínios ingleses, fundando a colônia de Massachusetts. A ilustração à direita representa o embarque das primeiras famílias inglesas no navio Mayflower, rumo ao Novo Mundo.

Até o século XVIII, foram fundadas 13 colônias independentes entre si, mas subordinadas politicamente – pois, economicamente, como veremos, nem tanto – à metrópole inglesa.

O sonho de autonomia

Uma das intenções de boa parte desses primeiros colonos da América do Norte era construir sociedades autônomas, em que pudessem erguer um “novo lar”, não só para eles, mas também para seus descendentes. Uma nova terra, uma nova vida de liberdade e oportunidades.

Com o decorrer da colonização, esse projeto foi crescendo, principalmente nas colônias da região Centro-Norte, onde foram criados sistemas de autogoverno – self-government – representativo dos colonos, formado por assembleias locais com poderes para elaborar leis e fixar tributos.

Tipos de colonização

Com relação ao modelo de colonização implementado, alguns historiadores costumam dividir as colônias inglesas da América do Norte em dois grupos principais:

Colônias do Centro-Norte – de modo geral, elas constituíram as chamadas colônias de povoamento, uma vez que não se enquadravam plenamente no sistema colonial mercantilista, ou seja, no esquema: latifúndio – monocultura para exportação – mão de obra escrava

Colônias do Sul – formadas pelas colônias da Virgínia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia, mais enquadradas no sistema colonial mercantilista.

Vejamos então, como tais diferenças se expressaram nas principais atividades econômicas desenvolvidas nesses dois grupos de colônias.

Colônias do Centro-Norte

As colônias do Norte eram conhecidas como Nova Inglaterra, e entre elas destacavam-se Massachusetts, Connecticut, New Hampshire e Rhode Island. As colônias do Centro eram Nova York, Nova Jersey, Delaware e Pensilvânia.

Nas colônias inglesas do Centro-Norte implementou-se uma produção agrícola diversificada (policultura) para consumo interno, baseada na pequena e média propriedade rural. Nelas, predominavam o trabalho livre e assalariado e a servidão temporária ou “servidão por contrato” (no caso do imigrante, até que ele pagasse, por exemplo, suas despesas da viagem da Europa para a América).

No Norte, destacaram-se também a extração de madeira e peles, a atividade pesqueira e um dinâmico comércio marítimo com as Antilhas e regiões da África (mapa à direita). Ao contrário do que ocorria no Brasil colonial, os colonos ingleses não eram proibidos de realizar comércio com estrangeiros.

No Centro, sobressaíram as culturas de trigo, cevada e centeio, além da criação de bois, cabras e porcos. O comércio tornou-se expressivo com a exportação de madeira, peles e peixe seco, e a importação de açúcar e vinho, entre outros produtos.

Nessas duas regiões desenvolveram-se, portanto, colônias relativamente autônomas, que gozavam de uma certa independência e que escaparam da intensa exploração colonial – prática característica, por exemplo, de Portugal e Espanha em relação as suas colônias americanas.

Colônias do Sul

As colônias do Sul – Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia –, por estarem localizadas em uma região de solo fértil e extensas planícies, desenvolveram o cultivo de produtos tropicais, como o índigo (anil), o arroz, o tabaco e, posteriormente, o algodão. Era uma agricultura voltada para o mercado externo, realizada em grandes propriedades rurais (plantations), e que empregava mão de obra escrava negra, assemelhando-se às colônias ibéricas (América Portuguesa e Espanhola). Esse tipo de colônia ficou conhecido como colônia de exploração. A partir do século XVIII, os escravos compunham quase 40% da população das colônias do Sul.

Mais dependentes da metrópole, os colonos do Sul eram, de modo geral, mais conservadores (tradicionais) e até mesmo contrários à sonhada autonomia defendida por diversos líderes das colônias do Centro-Norte (pelo menos, foi assim no início). Havia entre eles receio de que um rompimento com a Inglaterra implicasse no desmoronamento da estrutura de produção econômica inglesa, da qual eles faziam parte e se beneficiavam. Na visão de muitos dos grandes plantadores do Sul, se a Inglaterra entrasse em crise econômica como resultado da independência das suas colônias americanas, ela deixaria de comprar a grande produção agrícola sulista, o que, logicamente, também os afetaria economicamente.

Contudo, quando o processo de independência teve início, muitos desses colonos acabaram mudando de posição e participando do movimento, na perspectiva de continuar exportando seus produtos (principalmente o algodão), com a vantagem de não terem de pagar as taxas impostas pelo governo inglês.

Algumas diferenças entre as colônias

A colonização efetiva da América do Norte começou no século XVII, quando a Europa passava por um período de agitação social, resultado da Reforma Protestante. Nesse período, muitos grupos protestantes buscavam novos lugares para praticar livremente sua religião, além de melhores condições econômicas, e a colônia apresentava essas possibilidades. Os peregrinos, como os primeiros colonos eram chamados, estabeleceram-se, a partir de 1620, na costa leste da América do Norte, formando comunidades que se dedicavam ao artesanato, à manufatura, à pecuária e à pequena lavoura (policultura). O trabalho era executado pelo próprio colono e sua família; não havia latifúndio e escravidão.

Alguns colonos vindos da Inglaterra também estabeleceram-se nas terras dos grandes proprietários do Sul da América do Norte, onde trabalhavam em troca de comida, até que suas passagens e estadia, adiantadas pelo fazendeiro, estivessem pagas: era a servidão temporária ou “servidão por contrato” (indentured servant).

Após saldar suas dívidas, o trabalhador partia em direção ao Oeste, para conseguir sua própria terra. Esse tipo de colônia não interessava à Inglaterra, que buscava colônias ricas em produtos primários, que seriam vendidos a bom preço na Europa. Tais produtos só eram encontrados no Sul da América do Norte, onde havia grandes plantações de algodão (necessário às manufaturas inglesas), onde utilizavam o trabalho escravo, prioritariamente.

Assim, enquanto no Sul as relações entre colônia e metrópole se estreitavam, no Norte, o trabalho livre, feito por pequenos proprietários, tornava as colônias cada vez mais independentes da metrópole, uma vez que ocorria uma dinamização da produção, do comércio e da circulação de moedas.

Essa relativa independência econômica das colônias do Norte também se estendia à política: cada núcleo de povoamento tinha um governador nomeado pelo governo inglês. Havia também uma assembleia, eleita pelos colonos, que fazia as leis e votava os impostos, sendo que o rei podia impor leis sem a aprovação dela. Dessa forma, o pacto colonial quase não vigorava no Norte do território inglês na América.

INDEPENDÊNCIA DAS 13 COLÔNIAS: o fim da dominação inglesa

Apesar do controle relativamente brando exercido pela metrópole inglesa sobre suas diversas colônias norte-americanas no início da colonização, podemos dizer que o conflito de interesses entre colonos americanos e autoridades britânicas sempre existiu.

Esse conflito acirrou-se, porém, após a Guerra dos Sete Anos, entre Inglaterra e França (1756-1763), que – entre outras disputas – lutavam pela posse de áreas da América do Norte.

Identificação do domínio inglês

Embora os ingleses tenham saído vitoriosos nessa guerra, suas finanças públicas ficaram bastante abaladas pelas grandes despesas militares. Para recuperá-las, o governo inglês decidiu adotar uma série de medidas que aumentavam a arrecadação fiscal e restringiam a autonomia das 13 colônias norte-americanas.

Entre as leis decretadas estavam as seguintes:

Lei do Açúcar (Sugar Act, 1764) – proibia a importação de rum pelos colonos e cobrava taxas sobre a importação de açúcar e melaço que não viesse das Antilhas britânicas (possessões inglesas no Caribe).

Lei do Selo (Stamp Act, 1765) – cobrava uma taxa sobre diferentes documentos oficiais ou não, comerciais, jornais, livros, anúncios etc., que circulassem na colônia.

Lei dos Alojamentos (1765) – obrigava os colonos a fornecerem alojamento e alimentação às tropas inglesas que estivessem em território norte-americano.

Atos Townshend (1767) – restringia a importação de diferentes produtos (vidro, tinta, papel, chá, chumbo, pólvora, zarcão, alúmen etc.), estabelecendo que só poderiam ser comprados da Inglaterra.

Lei do Chá (Tea Act, 1773) – concedia o monopólio (exclusividade) de venda de chá nas colônias à Companhia Inglesa das Índias Orientais (empresa controlada por comerciantes de Londres, criada em 1600 para efetuar a comercialização dos produtos coloniais, em consequência da expansão ultramarina). O objetivo do governo inglês era combater o contrabando do produto realizado pelos comerciantes das colônias. Revoltados com essa concessão que prejudicava seus negócios, no dia 16 de dezembro os colonos destruíram diversos carregamentos de chá que estavam nos navios da Companhia, atracados no porto de Boston. Este episódio ficou conhecido como “The Boston Tea Party” ou ”A Festa do Chá de Boston”.

Colonização Inglesa na América do Norte
Destruição de chá no porto de Boston. Litografia de Nathaniel Currier (1846) representando o episódio de 16 de dezembro de 1773, quando comerciantes norte-americanos, revoltados com a Lei do Chá, vestiram-se de índios e destruíram os carrgamentos de chá dos navios da Companhia Inglesa das Índias Orientais que estavam atracados no porto de Boston

Leis Intoleráveis (1774) – foram decretadas para conter o clima de revolta que se espalhou pelas colônias. Era um conjunto de duras medidas – recebidas, por isso, como “intoleráveis” – que determinavam, por exemplo, o fechamento do porto de Boston e autorizavam o governo colonial a julgar e punir os colonos envolvidos em distúrbios políticos contrários às autoridades inglesas.

O protesto das 13 Colônias

Essas medidas provocaram a imediata reação das elites coloniais americanas, que temiam perder a relativa autonomia local. Acostumados com a falta de controle do governo britânico sobre seus negócios, os comerciantes, proprietários de terras e membros da classe média urbana – principalmente das colônias da Nova Inglaterra – não aceitaram a intensificação da exploração colonial.

Para protestar contra as Leis Intoleráveis, representantes das 13 Colônias realizaram, em setembro de 1774, o Primeiro Congresso de Filadélfia – também conhecido como Primeiro Congresso Continental.

Nesse encontro, elaboraram um documento de protesto enviado ao governo inglês. Este, porém, não estava disposto a fazer concessões, o que tornou inevitável o confronto armado entre colonos e tropas inglesas.

Guerra pela independência

A guerra de independência das 13 Colônias teve início com a Batalha de Lexington, em 19 de abril de 1775. Nessa data, tropas inglesas tentaram destruir um depósito de armas controlado pelos colonos e enfrentaram grande resistência.

Quase um mês depois, em maio de 1775, os colonos que desejavam a independência realizaram o Segundo Congresso de Filadélfia, que conclamou os cidadãos às armas e nomeou George Washington comandante das tropas coloniais.

No dia 04 de julho de 1776, tornou-se pública a Declaração de Independência das 13 Colônias – definidas como “Treze Estados Unidos da América” –, decidida pelo Congresso dois dias depois. A partir de então, a nova nação passou a ser designada Estados Unidos da América.

Etapas da guerra

A Inglaterra não aceitou a declaração de independência de suas colônias e a guerra prolongou-se até 1781, levando à morte cerca de 70 mil combatentes.

Do ponto de vista das alianças, o conflito teve duas etapas:

Primeira etapa (1775-1778) – período em que as tropas estadunidenses lutaram praticamente sozinhas contra as forças inglesas.

Segunda etapa (1778-1781) – fase em que contaram com a ajuda financeira e militar da França, da Espanha e das Províncias Unidas (atual Holanda). A participação das tropas francesas, sobretudo, foi decisiva para garantir a vitória das tropas coloniais.

No dia 19 de outubro de 1781, o último exército inglês foi derrotado em Yorktown. A guerra terminara, mas o governo inglês reconheceria oficialmente a independência de suas 13 Colônias norte-americanas somente em 1783.

Declaração de Independência dos Estados Unidos

“O processo emancipador dos Estados Unidos foi inspirado em diversos ideais iluministas, como liberdade, justiça e combate à opressão política, difundidos nas colônias inglesas por pensadores como o escritor Thomas Paine e o político Samual Adams.

O próprio texto da Declaração de Independência dos Estados Unidos revela essa inspiração, ao defender, entre outras coisas, a liberdade individual do cidadão e criticar a tirania dos governantes. Seu principal redator, o político Thomas Jefferson, era um admirador do pensador inglês John Locke.

Veja este trecho:

Todos os homens são criados iguais e são dotados por Deus de certos direitos fundamentais, como o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade.

Para garantir esses direitos são instituídos governos entre os homens. O justo poder desses governos provém do consentimento dos governados. Todas as vezes que qualquer forma de governo destruir esses objetivos, o povo tem o dirito de alterá-la ou aboli-la e estabelecer um novo governo em nome de sua própria segurança e felicidade.” (Declaração de Independência dos Estados Unidos, 1776, fragmentos.)

Isabel Cristina Simonato

Fonte: belsimonato.files.wordpress.com

Colonização Inglesa na América do Norte

A Inglaterra teve, como colônia, a região onde é hoje os Estados Unidos.

A Inglaterra só entrou na atividade colonizadora quando foram criadas campanhas de comércio, através de uma união entre estado e burguesia, na busca por mercado consumidor. Um fator que viabilizou a colonização inglesa na América do Norte foram os conflitos entre protestantes e católicos vivenciados na Inglaterra, além do processo de cercamentos (privatização das terras comunais). Todo o excedente populacional decorrente dos cercamentos e os refugiados dos conflitos religiosos foram para a América do Norte. Essa população foi somente para morar e não para explorar, caracterizndo assim, a colonização de povoamento.

As várias guerras civis em que a Inglaterra se submetia gerou um pacto colonial ameno, resultando numa colônia quase autônoma em relação à metrópole e num forte mercado interno. O trabalho nas colônias se baseava na agricultura realizada em pequenas e médias propriedades, onde, na maioria das vezes, o colono era o próprio trabalhador, não tendo, portanto, a utilização intensa do trabalho escravo. Todo esse processo resultou em uma diversificação na produção e um mercado destinado ao consumo interno

A colonização inglesa

Depois das tentativas frustradas dos Caboto realizando as primeiras viagens para a América na época dos primeiros reis Tudor, Valter Raleigh fundou, em 1585, a colônia da Virgínia, no litoral atlântico dos Estados Unidos, uma área que os ingleses já defendiam como sua possessão. Essa colônia, cuja denominação é uma homenagem a Elizabeth I, chamada de Rainha Virgem, foi o primeiro estabelecimento colonial inglês na América e resultou em fracasso.

No século XVII, durante o reinado dos Stuart, foram criadas as companhias de comércio, que teriam o monopólio do comércio e colonização do Novo Mundo, além de propriedades concedidas pelos reis. Em 1606, a London Company procurou reocupar a Virgínia. Na mesma época a Plymouth Company, cuja concessão abrangia o Norte dos Estados Unidos, deu início à ocupação da Nova Inglaterra; em 1620, o navio Mayflower desembarcou um pequeno grupo de colonos puritanos, que fugiam das perseguições políticas e religiosas na Inglaterra. Esse núcleo daria origem à colônia de Massachussets.

As Treze Colônias

A partir da colônia de Massachussets, núcleo da Nova Inglaterra, formaram-se as colônias de Rhode Island (1644), Connecticut (1662) e New Hampshire, reconhecida em 1679.

Ao mesmo tempo, tinha início a ocupação do Sul: em 1632, Lord Baltimore fundou a colônia de Maryland — refúgio para os católicos perseguidos na Inglaterra; em 1663, surgia a Carolina, que no século XVIII seria dividida em duas colônias (Carolina do Sul e Carolina do Norte). A Geórgia, no extremo Sul da ocupação inglesa, só foi povoada em 1729 por presos por dívidas que para lá eram enviados. As colônias do centro, Nova York, New Jersey, Delaware e Pensilvânia, surgiriam um pouco depois, uma vez que a coroa inglesa transformou essa faixa do território em terra de ninguém, visando evitar conflitos entre nortistas e sulistas. No processo de estabelecimento das colônias centrais, destacou-se a figura de Wlliam Penn, fundador da Pensilvânia e de Delaware.

Desde cedo, a colonização da faixa atlântica dos EUA apresentou diferenças essenciais: no Norte e no Centro desenvolveram-se as colônias de povoamento, enquanto Sul, as colônias de exploração.

A Administração Inglesa

As treze colônias da América do Norte organizaram-se com base no self government — autogoverno — constante na legislação liberal inglesa, que reconhecia os direis fundamentais dos homens livres. Por essa razão, os colonos ingleses desfrutavam de grande autonomia política e administrativa, no âmbito de suas colônias.

Os governadores de cada colônia eram nomeados pela coroa inglesa; mesmo assim, na maioria das vezes, eram homens das próprias elites locais. Seus poderes eram limitados pelas Assembléias (Conselhos) locais e seus salários pagos pelos colonos.

No plano econômico, cabia à Metrópole o monopólio comercial, a criação de moedas e leis que afetassem a indústria e a navegação, o que não impediu o desenvolvimento dos triângulos comerciais pelos colonos da Nova Inglaterra.

Fonte: www.coladaweb.com.br

Colonização Inglesa na América do Norte

A Inglaterra iniciou seu processo de expansão marítima no final do século XV, após a Guerra das Duas Rosas, com a ascensão da Dinastia Tudor, que deu início a formação do absolutismo e desenvolveu uma política mercantilista.

No entanto, as expedições que a princípio pretendiam encontrar uma passagem para o Oriente, não tiveram resultados efetivos, seja pelos conflitos com a Espanha, ou com os povos indígenas na América do Norte.

A Inglaterra

No século XVII a Inglaterra vivia uma conjuntura favorável à colonização. O comércio havia dado origem a uma burguesia enriquecida e dotado o país de uma grande frota, pois no século anterior, principalmente do reinado de Elizabeth I, o mercantilismo havia se imposto, utilizando-se inclusive das atividades dos corsários; a Espanha, em decadência, não tinha condições de manter os territórios que julgava seus pelo Tratado de Tordesilhas.

Do ponto de vista social, havia nas cidades inglesas uma grande massa de homens pobres, resultado do êxodo rural, provocado pelos "cercamentos" e outra camada de origem burguesa, porém que sofria com as perseguições religiosas. Parte desses dois grupos migraram para as colônias da América do Norte.

A Empresa Colonizadora

O início da colonização da América do norte pelos ingleses deu-se a partir da concessão real a duas empresas privadas: A Companhia de Londres, que passou a monopolizar a colonização das regiões mais ao norte, e a Companhia de Plymonth, que recebeu o monopólio dos territórios mais ao sul. Dessa maneira dizemos que a colonização foi realizada a partir da atuação da "iniciativa privada". Porém subordinadas as leis do Estado.

A primeira colônia inglesa foi a Virgínia, que nasceu a partir da fundação da cidade de Jamestown, mas a efetiva ocupação e desenvolvimento da região levaria algumas décadas, ao longo das quais foram estabelecidas outras colônias na região sul: Maryland (colônia católica, em 1632) Carolina Do Norte e Carolina do Sul (1663) e Geórgia (1733). Nessas colônias desenvolveu-se a estrutura tradicional de produção, caracterizada pelo latifúndio monocultor, voltado para a exportação segundo os interesses da metrópole, utilizando o trabalho escravo africano.

As Colônias do Norte têm sua origem na fundação da cidade de New Plymonth ( Massachussets) em 1620, pelos "peregrinos do mayflower", puritanos que fugiam da Inglaterra devido as perseguições religiosas e que estabeleceram um pacto, segundo o qual o governo e as leis seguiriam a vontade da maioria. A partir de NewPlymonth novos núcleos foram surgindo, vinculados a atividade pesqueira, ao cultivo em pequenas propriedades e ao comércio.

No entanto a intoler6ancia religiosa determinou a migração para outras regiões e assim novas colônias foram fundadas: Rhode Island e Connecticut (1636) e New Hampshire (1638). Nessa região, denominada genericamente de "Nova Inglaterra" as colônias prosperaram principalmente devido ao comércio.

Do ponto de vista da produção, a economia caracterizou-se pelo predomínio da pequena propriedade policultora, voltada aos interesses dos próprios colonos, utilizando-se o trabalho livre, assalariado ou a servidão temporária.

As Colônias do Centro foram as últimas a surgirem, após a Restauração da Monarquia inglesa em 1660. A ocupação daregião ocorreu principalmente por refugiados religiosos e foi onde opensamento liberal rapidamente enraizou-se, tanto do ponto de vista político como religioso. Nova Iorque, Pensilvânia, Nova Jérsei e Delaware desenvolveram tanto a agricultura em pequenas propriedades como a criação de animais, com uma produção diversificada e estrutura semelhante à da Nova Inglaterra.

A Organização Política

As 13 colônias eram completamente independentes entre si, estando cada uma delas subordinada diretamente à metrópole. Porém como a colonização ocorreu a partir da iniciativa privada, desenvolveu-se um elevado grau de autonomia político-administrativa, caracterizada principalmente pela idéia do auto-governo.

Cada colônia possuía um governador, nomeado, e que representava os interesses da metrópole, porém existia ainda um Conselho, formado pelos homens mais ricos que assessorava o governador e uma Assembléia Legislativa eleita, variando o critério de participação em cada colônia, responsável pela elaboração das leis locais e pela definição dos impostos.

Apesar dos governadores representarem os interesses da metrópole, a organização colonial tendeu a aumentar constantemente sua influência, reforçando a idéia de "direitos próprios".

O Desenvolvimento Econômico

As características climáticas contribuíram para a definição do modelo econômico de cada região, o clima tropical no sul e temperado no centro-norte. no entanto foi determinante o tipo de sociedade e de interesses existentes. Na região centro norte a colonização foi efetuada por um grupo caracterizado por homens que pretendiam permanecer na colônia (ideal de fixação), sendo alguns burgueses com capitais para investir, outros trabalhadores braçais, livres, caracterizando elementos do modelo capitalista, onde havia a preocupação do sustento da própria colônia, uma vez que havia grande dificuldade em comprar os produtos provenientes da Inglaterra.

A agricultura intensiva, a criação de gado e o comércio de peles, madeira, e peixe salgado, foram as principais atividades econômicas, sendo que desenvolveu-se ainda uma incipiente indústria de utensílios agrícolas e de armas.

Em várias cidades litorâneas o comércio externo se desenvolveu, integrando-se às Antilhas, onde era obtido o rum, trocado posteriormente na África por escravos, que por sua vez eram vendidos nas colônias do sul: Assim nasceu o "Comércio Triangular", responsável pela formação de uma burguesia colonial e pela acumulação capitalista.

Fonte: www.historianet.com.br

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