Os primórdios de Santa Cruz remontam aos índios que aí habitavam até o início do século XVI. Chamavam-na Piracema que, em língua tupi, significa "abundância de peixes" ou mesmo a sua desova, subindo os rios em direção à nascente.
Santa Cruz começou a ser povoada em meados do século XVI. As terras faziam parte da antiga sesmaria de guaratiba, que foi desmembrada em nome de Martim Afonso de Souza, no dia 16 de janeiro de 1567, e para contemplar Cristóvão Monteiro, que se considerou merecedor das terras por ter ajudado na fundação da cidade do Rio de Janeiro, combatendo contra índios e franceses, e que mais tarde seria ouvido-mor da Câmara do Rio de Janeiro, instala-se na região como o primeiro proprietário português das terras que tornariam a famosa Fazenda de Santa Cruz, quando construiu um engenho e uma capela em Curral Falso, e com a morte de Monteiro as terras são herdadas por Dona Marquesa Ferreira, sua viúva e por Catarina Monteiro sua filha, com o falecimento de Cristóvão Monteiro, sua viúva Dona Marquesa Ferreira, conforme a vontade de seu esposo, doa metade de suas terras( 4 léguas em Guaratiba como era conhecida) aos padres da Companhia de Jesus, que ficaram com a obrigação de encomendarem as almas dos doadores e o termo de doação foi lavrado no dia 7 de dezembro de 1589 e a entrega feita no dia seguinte, dia de Nossa Senhora da Conceição, data memorável para os Jesuítas. Nos anos seguintes os Jesuítas anexaram a parte de Catarina Monteiro, trocando por outras propriedades em Bertioga, no caminho de São Vicente, São Paulo consolidando com a efetiva ocupação do território pelos padres jesuítas, que expandiram a área da sesmaria adquirindo terras vizinhas até alcançar dez léguas quadradas, e para assinalar a posse pacífica e ordeira das novas terras uma grande cruz de madeira foi alçada pelos Jesuítas, era a Cruz de Cristo, símbolo maior da Companhia de Jesus elevada na solidão das novas paragens. E o símbolo lenhoso deu nome à imensa planície: SANTA CRUZ.
Na fazenda os Jesuítas construiram uma ponte sobre o rio Guandu que foi concluída em 1752, e funcionava como uma ponte-represa, dotada de um sistema de comportas que possuia quatro arcos, que podiam ser manejadas para o controle do fluxo das águas, principalmente nos períodos das chuvas mais intensas, logo após a drenagem do excesso de água plantava-se o arroz nos campos para aproveitar a fertilidade do solo deixada pelos húmus. Enquanto o arroz crescia, os pastos eram preparados nos pontos mais altos e secos, onde se distribuía o gado.
A ponte, que fazia parte de um complexo sistema de drenagem, era ornamentada por colunas de granito com capitéis em forma de pinhas portuguesas, tendo na parte central, uma espécie de brasão com o símbolo da Companhia de Jesus (IHS), com a data de 1752 e o seguinte dístico em latim clássico: "Flecte genu tanto sub nomine flecte viator". "Hic etiam reflua flectitur amnis acqua". ( "Dobra o teu joelho diante de tão grande nome , dobra-o viajante.)
Presume-se que a construção da residência (sede) da Fazenda de Santa Cruz tenha começado por volta de 1707, e no ano de 1751 estava concluída, conforme inscrição no alto de sua portada ainda existente e foi a maior do Brasil, foi a mais avançada de sua época. Possuía milhares de escravos, um grande rebanho bovino e uma agricultura avançada para a época, com um convento possuindo 36 celas, onde os Jesuítas e irmãos se recolhiam, a residência da Fazenda de Santa Cruz era constituída de igreja( Capela de Santa Bárbara ) e convento no bloco principal e outros pequenos prédios que possuía dois pavimentos. E no ano de 1759 os Jesuítas foram expulsos do Brasil por uma decisão unilateral do Marquês de Pombal. A administração da Fazenda passa para as mãos inábeis da Coroa e entra numa fase de declínio e abandono, pois os novos administradores não tinham a capacidade e os conhecimentos dos Jesuítas.
Fonte: www.geocities.com