Nos primeiros mapas da Baía de Guanabara feitos pelos portugueses e nas cartas francesas, a região de São Cristóvão sempre aparece designada como um grande aldeamento dos índios, inicialmente a região parece ter sido ocupada pelos índios Tamoios que ali construíram sua "araroue" e, por serem aliados dos conquistadores franceses, acabaram expulsos pelos portugueses, e para garantir a segurança e o domínio de tal região, considerada como entrada para o sertão, ali se estabeleceu estrategicamente a aldeia de Araribóia, que tinha grande prestígio junto ao Governador-Geral devido ao fato de ser o índio grande aliado dos portugueses, tendo participado ativamente na luta para expulsar da Guanabara os Tamoios e os franceses a aldeia de Araribóia era chamada pelos portugueses "Aldeia de Martinho" em decorrência do nome cristão - Martim - dado à Araribóia por Mem de Sá por ocasião do batismo, cuja corruptela ou diminutivo era "Martinho".
Durante as lutas de reconquista do território da ocupação francesa no séc. XVI, Estácio de Sá fundou a Cidade do Rio de Janeiro em 1565 ( 1º de março), limitada ao longo de 2 (dois) anos à várzea do Cara de Cão e do Pão de Açúcar e em julho de 1565, Estácio de Sá doou à Companhia de Jesus a sesmaria, legitimada em 1568 por Mem de Sá, e durante o último quarto do séc. XVI, sem a ameaça territorial, tem início o processo de colonização no sentido do recôncavo e através do Alvará Régio de 3 de setembro e da Carta Régia de 4 de outubro de 1759, incentivado pelo Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Rei Dom José I, determinou a expulsão dos jesuítas de todos os domínios portugueses, tendo seus bens sido inventariados e seqüestrados para serem incorporados ao erário real, e no Rio de Janeiro, o Governador da Capitania Real, Gomes Freire de Andrade, determinou o seqüestro da Fazenda de São Cristóvão tendo sido o auto despachado em 9 de novembro de 1759.
As terras da Fazenda de São Cristóvão, do Engenho Velho e do Engenho Novo foram divididas em diversas propriedades com características de quintas e chácaras com uma ocupação mais efetiva, limite e propriedades definidos, e da antiga Fazenda de São Cristóvão uma das propriedades, a Quinta da Boa Vista, foi adquirida pelo rico negociante da Rua Direita, Antônio Elias Lopes, negociante atacadista de muita iniciativa, enriquecido no tempo em que o comércio exterior do Brasil era monopólio da Metrópole, pôde Elias Antônio Lopes dar-se ao luxo de construir para o seu descanso uma casa-quinta, o terreno escolhido ficava numa elevação que se estendia das margens do rio Maracanã ao mar, entre a enseada de São Cristóvão e de Inhaúma, chamado Quinta da Boa Vista, e o casarão no qual funcionava a sede da Fazenda de São Cristóvão foi desapropriado e transformado no Hospital dos Lázaros, inaugurado em 1º de fevereiro de 1765, os jesuítas, donos da grande sesmaria que ia do Rio Comprido até Inhaúma, construíram no litoral além da Gamboa uma igrejinha dedicada à São Cristóvão, a pequena igreja ficava nas terras da fazenda do mesmo nome, a certa distância da casa grande, que ocupava uma pequena elevação próxima à entrada do chamado Saco de São Diogo, a pequena ermida ficava junto à praia até então somente habitada por uns poucos pescadores, logo passando a ser chamada de praia de São Cristóvão, e próximo à igrejinha passava o Caminho de São Cristóvão o qual, além de servir aos jesuítas, era muito utilizado como via de comunicação da cidade com o interior.
A multiplicação dos engenhos e fazendas no interior, bem como a precariedade de acessos por via terrestre para o centro da cidade, incrementaram a circulação na região, e por essa estrada logo começaram a passar os tropeiros e viajantes, aparecendo no seu entorno uma pequena povoação que passou a ser chamada de Campo de São Cristóvão, e durante muitos anos o acesso à igreja era feito pelo mar, sendo a igreja, elevada à matriz em 1865 foi reconstruída e ampliada.
Fonte: www.geocities.com