Herdeira das tradições revolucionárias francesas, a Comuna de Paris foi um governo popular organizado pelas massas parisienses em 18 de março de 1871, sendo fortemente marcado por diversas tendências ideológicas, populares e operárias. Tornou-se posteriormente, uma referência na história dos movimentos populares e revolucionários.

De acordo com o escritor Prosper-Olivier Lissagaray, um communard que se tornou historiador da Comuna, esta teria sido "uma revolução feita por homens comuns e que deu aos trabalhadores a consciência de sua força, sem que esses pudessem desenvolver suas idéias". que, em suma, visavam melhorar as condições de vida dos indivíduos que compunham aquela sociedade, tão marcada por conflitos políticos, econômicos e sociais.
Embora a Comuna não deva ser pensada como uma revolução socialista, é importante frisarmos que suas propostas traziam em si preocupações de caráter social. Priorizando, pois, tais preocupações, procuraremos em um segundo momento desta abordagem compreender o exemplo das propostas dos communards para educação, considerando-as como parte importante de um programa que visava, entre outras coisas, garantir a gratuidade de todos os serviços públicos para a população e sem nenhuma distinção.
A experiência da Comuna, todavia, duraria pouco tempo (72 dias). Sob as ordens de Adolphe Thiers as tropas militares entraram em Paris e sufocariam a Comuna com feroz violência. Cerca de 20 mil pessoas foram mortas em uma única semana – a Semana Sangrenta. Era, portanto, o fim da Comuna.
Sua lembrança, no entanto, ficará na memória. Um comovente texto escrito por Marx em 30 de maio de 1871, expressava o significado da Comuna: "Os trabalhadores de Paris, com sua comuna serão sempre considerados como gloriosos precursores de uma nova sociedade. A memória de seus mártires será cuidadosamente conservada no grande coração da classe trabalhadora. Ahistóriajá prendeu seus exterminadores nesse eterno pelourinho, de onde não conseguirão arrancá-los todas as orações de seus sacerdotes".
A proposta de superação do Antigo Regime manifesta pela Revolução Francesa assentaria as bases para o desenvolvimento de uma educação pública e nacional. Com ela se estabeleceriam princípios que dariam a educação um caráter popular, convertendo-a em um direito a todos os homens e garantido pelo Estado.
Segundo a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão redigida em maio de 1793, "a instrução é necessidade de todos os homens e a sociedade a deve igualmente a todos os seus membros". Ao longo de sua história, porém, a França revolucionária tornar-se-ia cada vez mais moderada em relação a esses princípios que, na prática, não se estenderiam igualmente a todos os membros da sua sociedade.
Seria na expectativa de construir uma sociedade que atendesse as necessidades dos setores populares que a compunham, que a Comuna de Paris assentaria as bases de suas propostas. O resgate da antiga proposta revolucionária de um ensino público, gratuito, laico e obrigatório seria, portanto, devidamente retomado como uma das dimensões que atendessem as necessidades desses indivíduos.
A proposta dos communards para educação visava assim, modificar uma realidade que lhes era limitada, quando não excludente, a exemplo da educação feminina. Nesse sentido, a Comuna tomou um conjunto decisões e medidas que procuraram redefinir os objetivos educacionais e da escola, a saber: abertura de todas as instituições de ensino gratuitamente ao povo e emancipado da interferência da Igreja e do Estado; organização do ensino primário e profissional; busca pela integração entre educação e trabalho; administração gratuita pelos profissionais dos instrumentos de trabalho escolar; instrução para as mulheres.
Seria assim criada pelo delegado do Ensino, o communard Edward Vaillant, em 23 de abril de 1871, uma comissão com a finalidade de ajudar a Delegação de Ensino a organizar o ensino primário e profissional de um modo uniforme, além de transformar o ensino religioso em leigo. Não tardou muito para que em 6 de maio a primeira escola profissional fosse aberta no local anteriormente ocupado pelos jesuítas. A 24 de maio, uma comissão feminina foi instituída com a responsabilidade de organizar e cuidar do ensino destinado às mulheres.
A Delegação de Ensino ainda solicitaria em 17 de maio, informações às municipalidades distritais acerca dos locais e estabelecimentos adequados à pronta instituição de escolas profissionais. Estas deveriam instruir os alunos não só profissionalmente, mas também lhes oferecer uma instrução científica e literária.
O fim prematuro da comuna impediu que essas propostas fossem levadas a cabo. No entanto, o resgate de uma proposta preocupada em garantir a instrução como um direito de todos naquela sociedade é só um exemplo que a história nos mostra acerca da importância de repensarmos as falhas produzidas por uma sociedade ao longo de sua construção. A eficácia da proposta de uma educação igualitária a todos os homens é, até nossos dias, um problema a ser resolvido e um desafio a ser conquistado por muitas sociedades.
Fonte: www.historia.uff.br
Nome por que se tornou conhecida a revolta popular que instalou na capital francesa, de março a maio de 1871, um governo revolucionário de tipo socialista.
A humilhante derrota infligida à França pela Prússia foi a causa imediata da instalação do governo popular da Comuna de Paris, que para Karl Marx constituiu o primeiro modelo de estado socialista.
Passou à história com o nome de Comuna a revolta popular que, de 18 de março a 27 de maio de 1871, instaurou em Paris um governo revolucionário. A Assembléia Nacional, eleita em fevereiro de 1871 para concluir um tratado de paz depois da queda do segundo império francês (1852-1870), tinha uma maioria de monarquistas, reflexo do conservadorismo das províncias. Os parisienses, republicanos, temeram que a assembléia restaurasse a monarquia.
Adolphe Thiers, chefe do governo, transferiu as sessões da Assembléia Nacional para Versalhes, onde adotou medidas impopulares, como a supressão do soldo dos guardas nacionais - corporação civil integrada em grande parte por desempregados - e a anulação da moratória dos aluguéis, o que trazia o risco de desalojamento para milhares de pessoas. Apesar das ondas de protesto que essas medidas suscitaram, a revolução só explodiu em 18 de março, quando a assembléia decidiu apoderar-se dos canhões da guarda nacional. As tropas enviadas para confiscar essas armas passaram para o lado dos rebeldes e fuzilaram vários generais.
Ante a ordem governamental de evacuar Paris, a guarda respondeu escolhendo um comitê central, constituído por delegados dos distritos parisienses. As eleições municipais de 26 de março, organizadas por esse comitê, deram a vitória aos revolucionários, que formaram o governo da Comuna de Paris, integrado por noventa membros e dominado por diferentes ideologias.
Os blanquistas, seguidores do socialista Auguste Blanqui, se pronunciavam pela luta aberta contra Versalhes. Os jacobinos pretendiam que a comuna fosse a condutora de uma nova França revolucionária, como em 1792, enquanto os socialistas proudhonianos propunham uma federação de comunas de todo o país. Esta última foi a orientação predominante no manifesto de 18 de abril, que ratificava o espírito republicano do regime revolucionário, abolia os subsídios à igreja e a separava do estado, e proclamava uma jornada de trabalho de dez horas. A revolução estendeu-se a outras cidades, como Lyon, Saint-Étienne, Toulouse e Marselha, mas nelas foi imediatamente reprimida.
Restava somente Paris, com muitos de seus habitantes dispostos a defender encarniçadamente o que consideravam o governo do povo. As forças leais a Thiers se concentraram em meados de maio no acampamento de Satory e foram reforçadas por soldados franceses oportunamente libertados pelos alemães. A Comuna, embora tivesse canhões e meio milhão de fuzis, ressentia-se de grande indisciplina em suas forças e seus chefes careciam de experiência militar. Além disso, nem todos os habitantes de Paris estavam do lado dos revolucionários.
O general Mac-Mahon sitiou a cidade e, a partir de 11 de abril, iniciou um intenso bombardeio das posições dos rebeldes. A defesa se manteve entre o dia 24 desse mês e 20 de maio. As tropas governamentais entraram na capital em 21 de maio e, durante uma semana, travaram uma terrível batalha nas ruas de Paris, desesperadamente defendidas pelos insurretos, que incendiaram o palácio das Tulherias e a prefeitura. Depois da vitória, em 27 de maio de 1871, e durante anos, até a proclamação de uma lei de anistia em 11 de julho de 1880, o governo executou uma feroz repressão, procedendo a deportações e prisões em massa, que praticamente aniquilaram o partido revolucionário.
Fonte: geocities.yahoo.com.br