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Comunismo

 

Comunismo
Comunismo - Foice e martelo

Definição do comunismo

Etimologia: do latim "communis", a comunidade, se um resultado de "cum" com, e toda a carga "munus", os encargos da dívida compartilhados, obrigações mútuas.

O comunismo é uma forma de organização social baseada na abolição da propriedade privada dos meios de produção e de troca em favor da propriedade coletiva. A transição entre o sistema capitalista ea sociedade comunista, sem classes e sem estado requer um período de transição da ditadura do proletariado.

Derivada do socialismo, o comunismo é amplamente baseado em declaração política, econômica e social, Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1893), no Manifesto Comunista (1848). Esta alternativa ao capitalismo é descrito como "uma associação onde o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos".

O ideal da vida social na comunidade é muito antiga.

Organização das primeiras comunidades humanas às vezes é chamado de "comunismo primitivo"
Platão menciona como utopia social em "A República"
Os primeiros cristãos.

A idéia do comunismo apareceu na França em 1840 como um meio para os trabalhadores para superar a sua exploração. Apesar de seu fim trágico, a Comuna de Paris de 1871 foi uma tentativa de algumas semanas de aplicação dos princípios desenvolvidos por Marx e Engels.

Lenin, que é o verdadeiro fundador do comunismo moderno, apresentou o conteúdo revolucionário do marxismo e da ditadura do proletariado.

No entanto, o comunismo foi rapidamente se transformou em uma ditadura do Partido Comunista e foi acompanhado pela perda de liberdades individuais.

Portanto, o comunismo tornou-se uma ideologia muito controverso.

A questão é, em particular, se as "páginas negras do comunismo" são o resultado de seus princípios fundamentais (o comunismo intrinsecamente totalitário e negador do indivíduo) ou se resultar de sistemas políticos que tiveram os comunistas que o nome. Sem nunca ter sido efetivamente implementada, a sociedade comunista, tal como Marx havia imaginado, em seguida, continua a ser um conceito teórico.

Fonte: www.toupie.org

Comunismo

História do Comunismo

1820

28 de novembro - Nascimento de Friedrich Engels, filósofo comunista

Friedrich Engels vem de uma família de industriais. Ele estudou filosofia e se tornou amigo de Karl Marx que ele conheceu em Paris em 1844. Eles se estabeleceram na Bélgica e fundou o Comitê de Correspondência Comunista. Graças às idéias de Engels, Marx escreveu o "Manifesto Comunista", que é publicado anonimamente em 1848. Expulso da Bélgica, mas também em Colônia, para onde se mudaram depois, eles acabam por se estabelecer em Londres.

Para se sustentar, Engels trabalhou durante um tempo com seu pai. É dentro da associação internacional dos trabalhadores. Quando Marx decide, Engels dedicada à publicação dos escritos de seu amigo.

1893

26 dezembro - Nascimento de Mao Zedong

Mao Tsé-tung nasceu 26 de dezembro de 1893. Ele fundou a República Popular da China depois de lutar contra o Kuomintang nacionalista de Chiang Kai-shek e as invasões japonesas. Famosa por sua longa marcha, Libertação do Povo do Exército venceu a guerra civil em 1949. Mao impôs coletivismo e ditadura do partido comunista, e distancia-se da URSS. Durante a Revolução Cultural, ele eliminou seus rivais para estabelecer um regime totalitário até sua morte em 1976.

1895

05 de agosto - Morte de Friedrich Engels

Friedrich Engels nasceu em 1820 em uma família de industriais. Filósofo, ele se mudou para Manchester, em 1842, onde ele fala sobre a classe operária trabalhava. Intelectualmente perto de Karl Marx, os dois homens que procuram unificar os partidos comunistas da Europa e preparar as bases da ideologia revolucionária. Engels era ativo na Primeira e Segunda Internacional e garante a transmissão das idéias de Karl Marx morreu em 1883. Ele desapareceu 5 de agosto de 1895.

1895

14 de dezembro - Nascimento de Paul Eluard

Paul Eluard, também conhecido como Eugene Emile Paul Grindel, nasceu 14 de dezembro, 1895. Adere ao lado do Dadaísmo seu amigo André Breton, antes de os dois não são as bases do surrealismo. Matriculou-se como um cidadão, dentro do Partido Comunista Francês. A Guerra Civil Espanhola até o fim do Picasso que ele dedica uma admiração real. Após a Segunda Guerra Mundial, alistou-se para a paz e morreu em 1952.

1904

22 agosto - Nascimento de Deng Xiaoping

Deng Xiaoping nasceu 22 de agosto de 1904 na província de Sichuan, em Guang'an, em uma família de agricultores. Ele ingressou no Partido Comunista Chinês em 1923, onde se tornou o Secretário-Geral 1956-1967. Em seguida, dirige o fato de República da China 1978-1992. O que se acredita ser a causa do desenvolvimento econômico da China morreu 19 de fevereiro de 1997, com a idade de 92 anos, enfraquecido pela doença de Parkinson e uma infecção pulmonar.

1906

19 de dezembro - Nascimento de Leonid Brezhnev

Leonid Brezhnev nasceu 19 de dezembro de 1906 em Kamenskoïe. Este político era o secretário Soviética geral do Partido Comunista da União Soviética de 1964-1982, ano em que morreu. Se ele teve o seu apogeu nos anos 70, o seu poder desceu gradualmente e foi recuperado por membros da nomenklatura. Ele marcou o início do relaxamento com o Ocidente, simbolizada pela visita de Richard Nixon na URSS em 1972.

1915

05 de setembro - Zimmerwald Conferência

A maioria dos partidos socialistas europeus têm renegou seus compromissos e programas, votando a favor da Primeira Guerra Mundial, em nome da união sagrada de suas nações. De 5 a 08 de setembro de 1915, os socialistas decepcionados ações de seus partidos reuniram-se em Zimmerwald a refletir sobre a luta contra a guerra e chauvinismo. Esta conferência produziu um manifesto escrito por Leon Trotsky, acusando o capitalismo trouxe guerra e barbárie.

1915

28 de setembro - Nascimento de Ethel Rosenberg

Nascido em Nova York 28 de setembro de 1915, Ethel Rosenberg foi preso por espionagem com o marido Júlio durante a guerra fria. Em 1949, enquanto a URSS se recuperou bastante informação dos Estados Unidos para construir por sua vez, da bomba atômica, o senador Joseph McCarthy lança "caça às bruxas".

No ano seguinte, os Rosenberg e casal judeu comunista, em Nova York, foram presos. Tentou em 1951, eles são executados em 1953 na prisão Cante Cante quando eles têm consistentemente mantido a sua inocência.

1915

20 de novembro - Nascimento de Hu Yaobang

Nascido 20 de novembro de 1915 em Linyang, China, Hu Yaobang juntou-se à Liga da Juventude Comunista a 14 anos antes de ingressar no Partido Comunista Chinês aos 18 anos. Depois de servir no Exército Vermelho, ele se tornou secretário regional do Partido em 1949, após a fundação da República Popular da China. Repetidamente removido e depois voltou para a graça, ele se tornou secretário-geral do Partido Comunista Chinês em 1980, o então presidente do Partido em 1981. Ele partiu em 1987, após manifestações estudantis pela democracia. Ele morreu em 1989 de um ataque cardíaco.

1919

15 janeiro - Assassinato de Rosa Luxemburgo

Sob o comando de Gustav Noske, os agentes de execução sumária de Espartaquista revolucionária à frente da insurreição em Berlim Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo. Este último, preso por quase toda a Primeira Guerra Mundial Primeira seu compromisso com a paz extrema esquerda, foi liberado após a revolução de novembro de 1918. Ela foi a principal teórico do comunismo alemão.

1919

31 de agosto - Criação do Partido Comunista americano do Trabalho

Em 1919 um novo movimento político rompeu com o Partido Socialista da América. Composto por membros envolvidos na Revolução Russa, ele surgiu em resposta ao fracasso da junção do Partido Socialista com o Comintern, o Partido Comunista da União Soviética. Ele se tornou o americano do Trabalho do Partido Comunista, 31 agosto de 1919 em Chicago. Primeiro forçado a se esconder por causa de temores sobre a Revolução Russa, foi legalizado apenas alguns meses após sua criação.

1921

13 mar - Fundação do Partido Revolucionário Popular da Mongólia

O Partido Popular da Mongólia foi criado 13 de março de 1921 e continuará a ser o único partido no país até 1990. Foi fundada por Damdin Sükhbaatar, também chamado de "mongol Lenin" por causa de sua participação na doutrina comunista. Ele recebe apoio da URSS para perseguir os chineses no país e estabeleceu um governo provisório. Mongólia se tornou membro da "União das Repúblicas Socialistas Soviéticas." Em 1924, o país tornou-se República Popular da Mongólia, seu capital foi rebatizada Ulaanbaatar (herói vermelho) em honra de Sükhbaatar.

1922

06 de fevereiro - A partir do pontificado de Pio XI

Ambrogio Damiano Achille Ratti nasceu 31 de maio de 1857 na Itália. 06 de fevereiro de 1922 ele foi eleito Papa e adotou o nome de Pio XI. Seu pontificado será marcado por vários eventos, incluindo o Tratado de Latrão, assinado em 1929, que regulamenta a questão de Roma e ver o nascimento do Estado Vaticano. Além disso, Pio XI testemunhando a ascensão do comunismo na Europa Oriental, a Alemanha nazista, o fascismo em seu próprio país ea ascensão do estado anti-semitismo, contra a qual está posicionado. Ele morreu 10 de fevereiro de 1939 de parada cardíaca. Alguns têm acusado Mussolini de estar por trás de sua morte.

1937

09 de março - Divini Redemptoris, Pio XI encíclica

Pio XI escreveu uma encíclica chamada "Divini Redemptoris", 09 março de 1937. Esta carta aos bispos condenaram o comunismo ateu. Alemanha nazista e todos os outros governos do Eixo queria tomar essa posição da igreja para invadir a URSS, mas Pio XI foi contra. Dias antes, ele publicou uma encíclica chamada "Mit Brennender Sorge" nazismo reprimir.

1948

25 de fevereiro - Controle comunista em Praga

Após duas semanas de pressão soviética, os comunistas Checa operar "golpe de Praga". Acumulando uma onda de demissões e os movimentos comunistas do lançamento de Street e greves, os comunistas liderados por Klement Gottwald conseguem tomar o controle do país. Presidente Eduard Benes, enfraquecida e isolada, aposentou-se e renunciou, deixando uma democracia popular para resolver a evitar a guerra civil. Assim, no coração da Guerra Fria, o caso especial da Checoslováquia termina.

Os países com uma tradição democrática, parecia de fato na encruzilhada dos modelos comunistas e liberais, tanto politicamente e geograficamente: o governo propôs uma coligação democrática constituída por comunistas e nacional-socialistas em um país, na fronteira da Cortina de Ferro.

Depois do golpe, em Praga, Checoslováquia passou definitivamente para o leste deste último.

1948

30 de abril - Criação da OEA em Bogotá

30 de abril de 1948, vinte e um países das Américas assinaram a Carta da OEA (Organização dos Estados Americanos). O objetivo deste tratado é proteger a democracia e direitos humanos. Ele também ajuda na luta contra o crime, contra o tráfico de drogas e contra o tráfico de influência. Finalmente, ajuda ao comércio entre países do continente. A Carta de Bogotá é dirigida contra o comunismo, que está em Cuba para ser excluido.

1949

20 de janeiro - Anúncio do Fair Deal

A Fair Deal foi uma medidas econômicas e sociais que se seguiram os programas do New Deal de Franklin D. Roosevelt. Esta reforma foi anunciada em janeiro de 1949 pelo presidente dos EUA, Harry S. Truman. Nessa conferência, ele usa o conceito de primeiro país "subdesenvolvido" e propõe a oferecer-lhes assistência. Esta manobra foi destinado em especial, para evitar esses países pobres, deriva para o comunismo, o flagelo do tempo.

1949

20 de agosto - A República Popular da Hungria é proclamada

Montada poder, o Partido Comunista proclamou a República Popular da Hungria. Após o armistício assinado com a URSS, a reforma agrária foi introduzida em 1945 por um governo provisório, dando pequenos territórios feudais. Em novembro de 1945, as eleições foram realizadas e levou apenas o Partido Agrário no topo do país. Uma vez proclamada a República, Zoltan Tildy foi eleito presidente. Hungria, no entanto, permaneceram sob influência soviética, que apoiou os comunistas, reunidos sob Matyas Rakosi. Em 1947, o partido foi vítima de conspiração, o que levou à vitória nas eleições de agosto, uma coalizão de esquerda, na cabeça de que era o Partido Comunista. Rákosi, então, levar uma política de cooperação com a URSS, a nacionalização ea repressão vis-à-vis a oposição, será representado pela prisão do cardeal Mindszenty e do Ministro László Rajk.

1949

01 de outubro - Fundação da República Popular da China

Da varanda da Cidade Proibida, em Pequim, Mao Zedong proclamou a República Popular da China. Mao, o Partido Comunista Chinês, encerrou anos de guerra civil entre nacionalistas e comunistas. O "Grande Timoneiro" tornou-se presidente do Governo Central. Este evento se estende também a Guerra Fria na Ásia. China de Mao conduzir com mão de ferro até sua morte, 09 de setembro de 1976.

2005

02 de abril - Morte de João Paulo II

Papa João Paulo II (cujo verdadeiro nome é Karol Wojtyla) morreu em 9:37 a 84 anos, após 26 anos de pontificado. Ele foi atormentado por doença por vários anos e havia passado por várias operações. Mais de 60.000 pessoas lotaram a Praça de São Pedro, em Roma, para o anúncio de sua morte. Será lembrado por seu pontificado (o mais longo o terceiro na história) suas peregrinações muitos países visitados (104), a luta contra o comunismo eo nazismo, a reconciliação entre as religiões, e seu apego aos valores tradicionais.

Fonte: www.linternaute.com

Comunismo

Doutrina e sistema econômico e social baseados na propriedade comum de todos os bens e na igual distribuição da riqueza.

Doutrina dos Partidos Comunistas, forma de organização desses partidos ou dos países em que os mesmos se encontram no poder. O termo passou a ser mais utilizado a partir de 1840 quando a filosofia marxista surgiu na Europa.

Sua origem se encontra nas obras de Karl Heinrich Marx (1818-1883) e Friederich Engels (1820-1895), filósofos alemã

Para os comunistas, o objetivo a longo prazo, era uma sociedade onde existisse igualdade e segurança econômica para todos. De imediato, reivindicavam a propriedade estatal - em vez da propriedade privada - das fábricas, das máquinas e dos demais meios de produção básicos.

Reivindicavam também o planejamento governamental da atividade econômica. Os comunistas referem-se ao socialismo como um estágio inicial do desenvolvimento dos países comunistas. Consideram-no uma versão incipiente do desenvolvimento da sociedade comunista que pretendem construir.

As idéias de Marx e Lenin foram a base comum para o surgimento do ideal comunista. O regime comunista varia muito de um país para outro. Mas o comunismo possui certas características básicas que estão mais ou menos presentes em todos esses países. O Partido Comunista é o principal instrumento dos comunistas para alcançar o poder e governar.

Num país comunista, o partido comunista é o único existente. Em muitos países, o partido comunista segue o modelo do Partido Comunista da União Soviética.

Os requisitos para filiação são rigorosos e o partido é extremamente exigente com seus membros para manter o controle da ética e responsabilidade. O partido é altamente centralizado, ou seja, os principais líderes escolhidos democraticamente tomam as decisões importantes. Eles exercem um papel fundamental em todas as principais decisões do governo e na execução dessas decisões.

O partido é um elo entre as estruturas que suportam o sistema de poder, como o governo, a polícia, as forças armadas, a agricultura e a indústria. Nos regimes comunistas, o controle da economia é de responsabilidade do governo.

O comunismo proíbe o trabalho assalariado para fins privados. Em muitos países comunistas, o Estado é proprietário da maior parte das terras, dos bancos, dos recursos naturais, da indústria, do comércio em grande escala e dos transportes. O governo tem também todos os meios de comunicação de massa, como a radiodifusão, a televisão, a publicidade e a produção cinematográfica.

O Estado comunista luta para manter a economia do país alinhada sem diferenças raciais e economicas na população, havendo assim um acordo e progresso em conjunto da sociedade.

Fonte: www.grandecomunismo.hpg.ig.com.br

Comunismo

SÉCULOS XVI E XVII

Doutrina e sistema econômico e social baseados na propriedade coletiva dos meios de produção. Tem como ideal a primazia do interesse comum da sociedade sobre o do indivíduo isolado.

A noção de comunismo surge na Antiguidade com Platão. Em A República, defende a propriedade comum dos bens para anular o conflito entre o interesse privado e o do Estado. Mas é no pensamento cristão que aparecem os primeiros ideais comunistas para toda a população. Esses ideais acompanham a civilização cristã na Idade Média e no Renascimento. Nos séculos XVI e XVII despontam as grandes utopias sobre o comunismo. Na obra Utopia (1515), do pensador e estadista inglês Thomas More, não há menção à propriedade comum; no entanto, a estrutura social proposta é um comunismo embrionário.

Comunismo marxista

O Manifesto do Partido Comunista (1848), dos pensadores alemães Karl Marx e Friedrich Engels (1820-1895), afirma que o comunismo seria a etapa final da organização político-econômica humana. A sociedade viveria em um coletivismo, sem divisão de classes nem a presença de um Estado coercitivo. Para chegar ao comunismo, os marxistas prevêem um estágio intermediário de organização, o socialismo, que instaura uma ditadura do proletariado para garantir a transição.

Governos comunistas

Em 1917, durante a Revolução Russa, os bolcheviques, liderados por Lênin, introduzem a supressão da propriedade privada, a planificação econômica e a nacionalização de bancos e fábricas. Com a morte de Lênin, assume o político Josef Stálin, que extingue a oposição e fortalece o Estado, transformando-o em regime totalitário. Em 1921, a Mongólia transforma-se no segundo país comunista do mundo. Após a II Guerra Mundial, os países do Leste Europeu tornam-se comunistas depois de ser liberados do nazismo pelo Exército soviético. Em 1949, os comunistas liderados por Mao Tsé-tung tomam o poder na China. O sistema espalha-se por vários países do Sudeste Asiático (Coréia do Norte, em 1948; Vietnã do Norte, em 1954; Laos e Camboja, em 1975; e Vietnã do Sul, em 1976), da África (Congo, em 1970; Benin, em 1972; Guiné-Bissau, em 1974; Angola e Moçambique, em 1975; e Etiópia, em 1976) e Cuba, em 1959.

Na década de 70, já há indícios da crise do sistema político soviético, impulsionada principalmente pelo crescimento dos movimentos nacionalistas e pela dificuldade econômica. Em 1985, o presidente soviético Mikhail Gorbatchov dá início a um programa de reforma política, econômica e social (perestroika).

A queda do Muro de Berlim marca o começo da extinção do regime comunista no Leste Europeu e provoca um conflito generalizado nos partidos comunistas, que, em sua maioria, abdicam de nome, programa e ideologia. Em 1991, a URSS desintegra-se e as ex-repúblicas soviéticas formam a Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Sobrevivem, contudo, os governos comunistas da Coréia do Norte, do Vietnã, de Cuba e da China. Com exceção do primeiro, que ainda é um regime bastante fechado, os demais países já adotam algumas medidas econômicas de mercado aberto.

Fonte: www.geocities.com

Comunismo

Como doutrina, é obra de Karl Marx (1818/1883), tendo cabido a Lenine (pseudônimo adotado na clandestinidade, por nascimento: Vladmir Ilitch Ulianov; 1870/1924) dar-lhe uma configuração prática.

Originariamente, na Alemanha, Marx está vinculado a um grupo filosófico, a denominada “esquerda hegeliana”, que acreditava na possibilidade de uma sociedade racional, isto é, da qual fossem banidas a guerra, a exploração econômica, a pobreza e os demais defeitos que eram atribuídos à sociedade existente, ao invés de reconhecerem que a obra humana --embora passível de sucessivo aprimoramento--, jamais será perfeita. A nova ordem social foi denominada de comunismo. A esquerda hegeliana achava-se dividida no que respeita à definição de quem poderia implantá-la.

Posteriormente, em decorrência de sua permanência na França e do contato com os socialistas franceses, Marx adquiriu a convicção de que o movimento operário em formação poderia tornar-se o instrumento daquela experiência redentora. Expressa essa idéia no Manifesto Comunista (1848).Considerando o sucesso que veio a alcançar e a importância que lhe tem sido atribuída na história mundial subseqüente, é um documento relativamente pequeno porquanto tem trinta páginas, o que de todos os modos seria excessivo para um “manifesto”. Acredita-se que somente a Bíblia teria alcançado maior difusão no Ocidente.

A afirmativa inicial é a de que o espectro do comunismo rondava a Europa, provocando a reação de todas as potências, desde o Papa ao Czar, passando pelos liberais e conservadores, sendo necessário que “os próprios comunistas expliquem suas idéias, seus fins, suas tendências, opondo à lenda do comunismo um manifesto do próprio partido”.

Avança a tese de que a história de toda a sociedade “tem sido a história das lutas de classes”. Atribui a maior importância ao surgimento da burguesia, sobretudo por haver socializado o processo produtivo. Essa tese será associada à hipótese de que seria incompatível com a posse privada dos meios de produção.

A par disto, a burguesia deu nascimento ao proletariado, destinado historicamente a completar o processo, isto é, tornar racional a sociedade.

A expansão da indústria facilita a organização de sindicatos mas estes produzem sucessos imediatos e fugazes. A tarefa de libertar os proletários caberá aos comunistas, que estão de posse de uma doutrina científica. Estes serão capazes de eliminar a propriedade privada, de que resultará a abolição de todas as mazelas existentes na sociedade burguesa.

Formula um projeto de estatização da economia, entendida como a centralização de tudo em mãos do Estado (crédito, meios de comunicação, transportes, etc.).

E mais “trabalho obrigatório para todos: estabelecimento de exércitos industriais, especialmente para a agricultura”.

Deste modo, o programa comunista contém modelo de sociedade baseada no poder total do Estado, de onde acabaria provindo a denominação atribuída à experiência soviética.

Apóia-se nesta hipótese: “o poder político propriamente dito é o poder organizado de uma classe para oprimir a outra. O proletariado, contudo, ao destruir as classes, extingue a própria dominação de classes”.

Nos anos subseqüentes ao lançamento do Manifesto Comunista, Marx ocupou-se de criar uma organização internacional que pudesse difundir a idéia comunista, propósito de que acabaria desistindo. As organizações políticas que se formaram estavam optando pelo socialismo. Deste modo, desenvolve sobretudo atividade teórica. Esta consistiu, de um lado, em tentar demonstrar a tese de que estaria de posse de uma doutrina científica, isto é, de validade universal, em especial no livro O capital, que não chegaria a concluir. De outro, em desenvolver uma crítica sistemática à propensão das organizações socialistas, em formação, de aprender a coexistir com a ordem capitalista. Sobressai, nessa obra crítica, a elaboração da doutrina marxista do Estado, que se encontra, de modo acabado, no texto que intitulou de Crítica ao Programa de Gotha.

O Programa de Gotha é o documento aprovado no Congresso que teve lugar na cidade assim denominada, em 1875, no qual os dois principais partidos operários alemães resolvem fundir-se para dar lugar ao Partido Social Democrata, que sobrevive até hoje. Ao se dispor a criticar tal documento, Marx leva em conta que não se inspirou nos princípios da Internacional Comunista, de cuja organização vinha se ocupando, em vias de dissolução. A inspiração do programa provinha da obra de Ferdinand Lassalle (1825/1864), ao qual se atribui a circunstância de que o socialismo haja reconhecido o significado do chamado processo de democratização do governo representativo. Embora o próprio Lassalle não haja presenciado o desfecho, que de certa forma intuíra, os grandes beneficiários da extensão do sufrágio seriam justamente os partidos ligados ao movimento operário.

Esquematicamente, a posição plenamente amadurecida de Marx, que se considera esteja contida no documento em causa, poderia ser apresentada como segue:

1°) O Estado corresponde à violência organizada ao serviço de uma classe para exercer o poder político. Essa característica não desaparecerá com a tomada do poder pela agremiação dirigente do proletariado. O eventual auto-aniquilamento do Estado somente poderá ocorrer após a completa destruição das relações de produção capitalistas.
2°) Há duas formas claras de encarar a democracia burguesa, definida sobretudo pelo sufrágio universal segundo o modo pelo qual era caracterizado na época. A primeira consiste em encará-la como a forma definitiva (Marx usa a expressão reino milenar) de convivência social. Esse entendimento é denominado pejorativamente de "litania democrática" ou "democracia vulgar". Conformar-se a esse nível reivindicatório seria colocar-se no mesmo plano dos socialistas franceses.
3°) Marx considera que será justamente sob essa última forma de Estado da sociedade burguesa onde a luta de classes, conforme o diz textualmente no documento ora considerado, "irá se manifestar definitivamente pela força das armas". Em tal circunstância, como afirmara reiteradamente, as oportunidades facultadas pela democracia burguesa deverão ser utilizadas para elevar o nível de consciência de classe e de organização do proletariado.
4°) Ali onde ocorra a presença de Estado despótico – sendo a Prússia tomada como exemplo –, não se pode acalentar a ilusão de sequer as prerrogativas democráticas burguesas possam ser alcançadas por meios legais. Marx não viveu o suficiente para presenciar o desmentido de tal prognóstico, porquanto ocorreria em 1890, sete anos após a sua morte., quando o Partido criticado obtém expressivo resultado eleitoral.

Do que precede, vê-se claramente que a dúvida, suscitada por alguns estudiosos, sobre se proviria do próprio Marx o caráter totalitário assumido pelo comunismo soviético é completamente desprovida de sentido. Desde o Manifesto, o seu projeto de organização da sociedade é francamente totalitário.

Fonte: www.flc.org.br

Comunismo

Definição do comunismo

O comunismo é uma doutrina que defende a combinação de insumos.
O comunismo defende a abolição das classes sociais.
O comunismo tem sua origem nos escritos de Karl Marx.
O primeiro estado que optou pelo comunismo é a União Soviética.
O comunismo é um pouco oposta ao socialismo e ao capitalismo.

Definição

Teoria para partilhar os bens materiais.

Formação econômica e social caracterizado pela partilha de meios de produção e troca, através da distribuição de bens produzidos de acordo com as necessidades individuais, através da remoção de classes sociais ea extinção da administração do Estado torna-se coisas.

Doutrina política, dos partidos comunistas; forma de organização dos países onde estes partidos estão no poder.

LENIN

A doutrina econômica de Marx

"O objetivo principal deste trabalho, diz Marx no seu prefácio à Capital, para colocar a lei nua econômica do movimento da sociedade moderna", isto é, a sociedade capitalista burguesa. O estudo das relações de produção de uma dada sociedade, historicamente determinada, em seu nascimento, seu desenvolvimento e declínio, este é o conteúdo da doutrina econômica de Marx. O que domina na sociedade capitalista, é a produção de bens, para a análise de Marx começa faz a análise da mercadoria.

VALOR

As mercadorias são, em primeiro lugar, algo que satisfaz uma humana, e em segundo lugar, é algo que pode ser trocada por outra. A utilidade de uma coisa torna um valor de uso. Valor de troca (ou o valor de todo) é, em primeiro lugar, o relatório, a proporção, em troca de um número de valores de uso de uma espécie contra um número de valores a utilização de outras espécies. A experiência quotidiana mostra-nos que milhões e bilhões de estas trocas são constantemente relações de equivalência entre os valores de uso e plusdiverses os mais diferentes. O que há em comum entre estas coisas diferentes constantemente equiparado com um outro em um determinado sistema de relações sociais? O que eles têm em comum é a de serem produtos do trabalho. A troca de produtos, os homens estabelecem relações de equivalência entre os tipos de trabalho mais diferente. A produção de bens é um sistema de relações sociais em que os produtores individuais criam diversos produtos (divisão social do trabalho) e são equiparados ao tempo de redenção. Portanto, o que é comum a todos os bens, e não o trabalho concreto de uma indústria em particular, não é uma obra de um determinado tipo, mas o trabalho humano abstrato, o trabalho humano em geral.

Na empresa estudada, a força de trabalho inteiro representado pela soma dos valores de todos os produtos é uma única força de trabalho humano: milhares de milhões de troca provar. Consideradas separadamente cada mercadoria é, portanto, representado por apenas uma parcela de tempo de trabalho socialmente necessário. A magnitude do valor é determinado pela quantidade de trabalho socialmente necessário ou o tempo de trabalho socialmente necessário para produzir um producto, um dado valor de uso. "... Em troca considerando iguais em seus diferentes produtos, eles [os produtores] estabeleceram o fato de que suas obras diversas são iguais. Eles não sabem disso."

O valor é uma relação entre duas pessoas, disse um economista de idade, ele deveria ter acrescentado: uma relação escondida sob a envoltura material. Somente considerando o sistema de relações sociais de produção de uma formação histórica determinada da sociedade, os relatos que aparecem no fenômeno de massa de troca repetida bilhões de vezes, podemos entender o que valor. "Como valores, todas as mercadorias são apenas massas de trabalho congelado". Após uma análise aprofundada do duplo caráter do trabalho incorporado nas mercadorias, Marx passa a analisar a forma de valor e dinheiro.

Ao fazer isso, a principal tarefa que ele é designado para investigar a origem da forma dinheiro do valor, estudar o processo histórico de desenvolvimento do comércio, a começar pelos atos de troca particulares e fortuitos ("valor de forma simples, ou acidental": uma quantidade específica de uma commodity é negociado contra uma quantidade fixa de outra mercadoria) para avançar para a forma geral de valor, quando várias mercadorias diferentes são trocadas por um única mercadoria, e terminando com a forma dinheiro do valor, quando o ouro se torna esta mercadoria determinada, o equivalente universal. Maior produto do desenvolvimento do comércio e da produção mercantil, máscaras de dinheiro, esconde o caráter social do trabalho individual, o laço social entre os vários produtores ligados uns aos outros pelo mercado. Marx submetidos à análise mais detalhada das diversas funções do dinheiro, e é importante notar que também aqui (como nos primeiros capítulos de O Capital) a forma abstrata da apresentação, que às vezes parece puramente dedutiva modo realmente uma literatura muito rica sobre a história do desenvolvimento do comércio e produção de mercadorias.

"Se considerarmos o dinheiro, nós achamos que ela requer algum desenvolvimento da troca de mercadorias formas especiais de dinheiro: O mero equivalente de mercadorias, meios de circulação, meios de pagamento, ou tesouro moeda universal, indicam, de acordo com a extensão variável e relativa preponderância de um ou outro desses funções, diferentes graus de produção social "(capital, Volume I).

O VALOR ADICIONADO

Em um certo estágio de desenvolvimento da produção de mercadorias, o dinheiro se torna capital. A fórmula da circulação de mercadorias era CMC (commodity) ó (dinheiro) ó M (Commodity), isto é, vender uma mercadoria para a compra de outro. A fórmula geral do capital é contra a AMA, isto é, a compra para venda (com lucro). É esse aumento sobre o valor original do dinheiro em circulação que Marx chamou de mais-valia. Este "aumento" de dinheiro em circulação capitalista é um fato conhecido. É precisamente este "crescimento" que transforma dinheiro em capital, como uma relação social de produção, historicamente determinado. O ganho de capital podem surgir a partir da circulação de mercadorias, porque conhece apenas a troca de equivalentes, mas só pode vir de qualquer aumento de preços, uma vez que as perdas e lucros de recíproca compradores e vendedores se equilibrar, mas não é um fenômeno social, médio, generalizado, e não um fenômeno individual. Para valor acrescentado ", seria exigir que o proprietário do dinheiro poderia encontrar ... mesmo no mercado, uma mercadoria cujo valor de uso possua a propriedade peculiar de ser uma fonte de valor", uma mercadoria cujo processo de consumo é também um processo de criação de valor.

Tal mercadoria existe: é o trabalho humano. Seu consumo é o trabalho, eo trabalho cria valor. O proprietário de dinheiro compra a força de trabalho pelo seu valor, que, como qualquer outra mercadoria, pelo tempo de trabalho socialmente necessário para sua produção (isto é, o custo de manutenção de trabalhador e sua família). Tendo comprado a força de trabalho, o possuidor de dinheiro tem o direito de usá-lo, isto é, para forçá-lo a trabalhar o dia todo, digamos 12 horas.

No entanto, em 6 horas (tempo de trabalho "necessário"), o trabalhador cria um produto que cobre o custo de sua manutenção, e, para as outras 6 horas (tempo de trabalho "extra"), cria um produto adicional " "não pago pelo capitalista, e é o ganho de capital.

Portanto, em termos do processo de produção, devemos distinguir duas partes na capital: o capital constante, passou a meios de produção (máquinas, instrumentos de trabalho, matérias-primas, etc.), Cujo valor vai como é (de uma só vez ou em parcelas) no produto acabado, e capital variável, usado para pagar a força de trabalho. O valor deste capital não permanece estático, que aumenta no processo do trabalho, criando mais-valia. Além disso, para expressar o grau de exploração da força de trabalho pelo capital, se compararmos o ganho não a capital total, mas apenas ao capital variável. A taxa de mais-valia, nome dado por Marx neste relatório% será, em nosso exemplo, 6/6 ou 100.

O capital a surgir condições precedentes históricos:

1) a acumulação de uma certa quantia de dinheiro nas mãos dos indivíduos, numa fase de produção de mercadorias já relativamente alto,
2)
a existência de trabalhadores livre "de duas formas: livres de coação e qualquer restrição à venda de seu trabalho, e livre, porque sem terrenos ou meios de produção em geral, trabalhadores sem professores, os trabalhadores-"proletários" que não podem subsistir com a venda de sua força de trabalho.

O aumento no ganho é possível por dois processos principais que se estendem a jornada de trabalho ("mais-valia absoluta") ea redução do tempo de trabalho necessário ("mais-valia relativa"). Ao analisar o primeiro, Marx dá um retrato impressionante da luta da classe trabalhadora para a redução da jornada de trabalho ea intervenção do poder estatal para estendê-lo (XIV-XVII séculos) e reduzi-lo (a legislação fábrica no século XIX). Desde a publicação do Capital, o movimento operário em todos os países civilizados tem fornecido milhares e milhares de novos fatos ampliando esse quadro.

Em sua análise da produção de mais-valia relativa, Marx investiga as três principais fases históricas da produtividade do trabalho crescente pelo capitalismo:

1) simples cooperação,
2)
a divisão do trabalho e da produção e
3 )
máquinas e indústria pesada.

A análise profunda de Marx e revela características fundamentais típicos do desenvolvimento capitalista, isto é confirmado, entre outros, o estudo da indústria chamado "ofício" na Rússia, que fornece uma literatura abundante ilustrando os dois primeira destas três fases. Quanto à ação revolucionária da máquina principal descrita por Marx em 1867, se manifestou durante o último meio século desde então, vários países "novos" (Rússia, Japão, etc.).

Em seguida, o que é novo e extremamente importante para Marx, é a análise de acumulação de capital, isto é, a transformação de uma parte do capital ganho de capital e sua utilização, não para as necessidades pessoais ou caprichos do capitalista, mas para a produção de novo. Marx mostrou o erro de todos os economistas políticos clássicos anteriores (de Adam Smith), dos quais o ganho de capital total é convertido em capital em capital variável. Na realidade, ele é dividido em meios de produção e capital variável. O crescimento mais rápido do capital social constante (dentro do capital total) em comparação com a do capital variável é de grande importância no processo de desenvolvimento capitalista e sua transformação em socialismo.

Ao acelerar o deslocamento de trabalhadores por máquinas e criação de riqueza num pólo ea miséria de outro, a acumulação de capital também dá origem aos chamados "exército de reserva dos trabalhadores", os "relativos" excesso de trabalhadores ou "superpopulação capitalista", o que é métodos muito diferentes e permite que o capital para expandir a produção rapidamente. Esta possibilidade, combinada com o crédito ea acumulação de capital em meios de produção, dá-nos, entre outras coisas, a explicação das crises de superprodução que ocorrem periodicamente nos países capitalistas, a cada dez anos primeiro, depois em intervalos menos freqüentes e menos fixo.

Devemos distinguir entre a acumulação do capital na base do capitalismo ea chamada acumulação primitiva: trabalhador violência separação dos meios de produção, expulsando os camponeses de suas terras, roubo de terras comunais, o sistema colonial, dívidas públicas, tarifas protecionistas, etc. A "acumulação primitiva" cria, num pólo, o proletário "livre" para outro, o detentor do dinheiro, o capitalista.

A "tendência histórica da acumulação capitalista" é caracterizada por Marx nessa passagem famosa: "A expropriação dos produtores diretos é executado com o vandalismo mais impiedoso e sob a influência das paixões mais infames, o mais sórdido, o pior e mais odioso propriedade. privada, adquirida pelo trabalho pessoal [do camponês e do artesão], e com base, por assim dizer, na fusão do trabalhador, isolado autônoma com suas condições de trabalho, é substituído pela propriedade privada capitalista baseado na exploração do trabalho dos outros, que é apenas formalmente livre ...

O que está agora a ser expropriado já não é o self-employed, mas o capitalista que explora um grande número trabalhadores. Esta expropriação é realizada pela ação das leis imanentes da produção capitalista, pela concentração do capital. Cada capitalista elimina muitos outros capitalistas. lado com essa centralização, ou essa expropriação do grande número de capitalistas por um punhado deles estão desenvolvendo a cooperativa, em uma escala cada vez maior, o processo de trabalho, a aplicação consciente da ciência à exploração técnica, metódica da terra, a transformação da instrumentos específicos de trabalho em instrumentos de trabalho só utilizáveis em comum, a economia de todos os meios de produção utilizados como insumos de um trabalho conjunto social, entrada de todos os povos no sistema de mercado mundial, de onde o caráter internacional do sistema capitalista. o número constantemente decrescente dos magnatas do capital, que usurpam e monopolizam todas as vantagens deste processo de transformação, cresce a massa de miséria, opressão, escravidão, degradação, o operação, mas também a resistência da classe trabalhadora ... mais e mais disciplinada, unida e organizada pelo próprio mecanismo do processo de produção capitalista. O monopólio do capital torna-se o entrave do modo de produção que cresceu e prosperou com ele e sob seus auspícios. A centralização dos meios de produção ea socialização do trabalho chegam a um ponto onde eles não podem mais manter seu invólucro capitalista. Este tegumento é despedaçadas. Hora da propriedade privada capitalista tocou.

Os expropriadores são expropriados "(O Capital, Volume I).

Então, o que é extremamente importante e novo, é a análise de Marx, no Livro II de O Capital, a reprodução da totalidade do capital. Novamente, ele está planejando não é um fenômeno individual, mas um fenômeno geral, não uma fração da economia social, mas tudo isso.

Ao corrigir o erro dos economistas clássicos mencionados acima, Marx divide toda a produção social em duas seções principais:

i) a produção de meios de produção, e
II)
a produção de bens de consumo, após o que, operando em números, examina cuidadosamente todo o fluxo de capital, tanto na reprodução que existia no seu tamanho anterior como no caso de acumulação.

No Volume III de O Capital é resolvido, de acordo com a lei do valor, o problema da taxa média de lucro. Obra de Marx é um avanço significativo na ciência econômica que a sua análise dos fenômenos econômicos em massa de toda a economia social e casos isolados ou não a aparência superficial da concorrência , que são muitas vezes limitadas a economia política vulgar ou a moderna "teoria da utilidade marginal." Marx primeiro discute a origem da mais-valia, e então considerar a sua decomposição em juros, lucros e renda da terra. O lucro é a relação de valor para a totalidade do capital investido em uma empresa. Capital de "elevada composição orgânica" (isto é, onde o capital constante sobre o capital variável em um valor maior do que a média social) dá uma taxa de lucro abaixo da média. O capital "baixa composição orgânica" dá uma taxa de lucro acima da média. A concorrência entre o capital eo livre passagem de um ramo para trazer de volta o outro, em ambos os casos, a taxa de lucro à taxa média. A soma dos valores de todas as mercadorias numa dada sociedade coincide com a soma dos preços das commodities, mas em cada empresa e cada setor isoladamente considerados, não a competição que os bens sejam vendidos de seu valor, mas com o custo de produção, o que equivale a capital dispendido mais o lucro média.

Assim, o diferencial entre os preços e valor e equalização de lucro, e fatos indiscutíveis conhecidos de cada um, são perfeitamente explicado por Marx com a lei de valor, porque a soma dos valores de todos os produtos é igual para a soma de seus preços. No entanto, a redução do valor (social) Preços (individual) não ocorre de forma simples e direta, mas de uma forma muito complexa e é natural que numa sociedade de produtores de mercadorias dispersos, que estão interligados pelo mercado, as leis não pode ser expressa como uma forma relativamente leve, social, em geral, por meio de compensação mútua das diferenças individuais em ambos os lados desta média.

O aumento da produtividade do trabalho implica um crescimento mais rápido do capital constante em relação ao capital variável. No entanto, o ganho é uma função de um capital variável, é concebível que a taxa de lucro (a razão entre o valor excedente para capital total, e não apenas a sua parte variável) tende a diminuir. Marx analisa essa tendência com cuidado, e as circunstâncias que a máscara ou contrariar.

Nevermind os capítulos extremamente interessantes do Livro III dedicado ao capital usurário, a capital comercial e capital-dinheiro, e abordar o essencial: a teoria da renda da terra. A superfície do solo é limitado, e, em países capitalistas, inteiramente ocupada por proprietários, o preço de produção de produtos agrícolas é determinado pelo custo de produção em terra não de qualidade média, mas a qualidade mais ruim, e depois as condições de transporte no mercado, e não médias, mas o pior. A diferença entre este preço eo preço de produção na qualidade da terra (ou melhores condições) dá a renda diferencial.

Para uma análise detalhada da anuidade, demonstrando que se trata da diferença de fertilidade da terra e da diferença entre os recursos investidos na agricultura, Marx pôs a nu (ver também Teorias da mais-valia, que crítica de Rodbertus merece uma atenção especial) o erro de afirmar que Ricardo renda diferencial só pode ser alcançado pela conversão gradual dos melhores golf em solos de qualidade inferior. Em contraste, as mudanças opostas também ocorrer, a terra de uma determinada categoria de volta a terra em outra categoria (devido ao progresso técnico do crescimento agrícola de cidades, etc.), E a lei "famoso da diminuição do solo "é um erro profundo que tende a trazer para explicar a natureza dos defeitos, limitações e contradições do capitalismo. Então, a equalização do lucro em todos os ramos da indústria e da economia nacional em geral pressupõe total liberdade de concorrência, a livre transferência de capitais de um ramo para outro.

Mas a propriedade privada da terra cria um monopólio e um obstáculo para a livre transferência. Sob este monopólio, os produtos da agricultura, que é caracterizada por uma menor composição orgânica do capital e, por conseguinte indivíduo, uma taxa de lucro mais elevada, não estão incluídos no livre jogo de equalização taxa de lucro, o proprietário pode usar seu monopólio sobre a terra para manter o preço acima da média, e este preço de monopólio engendra renda absoluta. Renda diferencial não pode ser abolido sob o capitalismo, por contras, renda absoluta pode ser, por exemplo, com a nacionalização da terra, quando se torna propriedade do Estado. Esta passagem do estado fundamental para minar o monopólio dos proprietários privados e pavimentar o caminho para a livre concorrência mais consistente e completa na agricultura.

É por isso que, diz Marx, os burgueses radicais, mais de uma vez na história, fizeram esta reivindicação burguesa progressiva da nacionalização da terra, que ainda assusta a maioria da burguesia, porque "toca" muito perto outro monopólio, que, atualmente, é particularmente importante e "sensível": o monopólio dos meios de produção em geral. (A teoria do lucro médio relatado pelo principal ea renda da terra absoluta foi exposta por Marx numa linguagem extraordinariamente popular, concisa e clara na sua carta a Engels datada de 02 de agosto de 1862. Ver Correspondência, Volume III, p. 77-81. Veja também sua carta de 09 de agosto de 1862, ibid. 86-87.) É importante notar também, sobre a história da renda da terra, análise de Marx mostrando a transformação da pensão trabalho (quando o camponês cria produto excedente, trabalhando a terra do senhor) em uma pensão ou renda-produto-tipo (quando o agricultor em sua própria terra cria um excedente para os proprietários sob uma "coerção extra-econômica" ), as rendas de dinheiro (o giro do tipo anuidade mesmo em ó dinheiro na Rússia antiga, "obrok" ó acompanhando o desenvolvimento da produção de mercadorias) e, finalmente, em renda capitalista, quando, lugar do camponês, está envolvida na agricultura empresário, que fez a sua terra usando trabalho assalariado.

Por ocasião da análise da "gênese da renda da terra capitalista", apontar alguns pensamentos profundos de Marx (particularmente importantes para países atrasados como a Rússia) sobre a evolução do capitalismo na agricultura. Com a transformação da renda em espécie em renda em dinheiro, é, necessariamente, ao mesmo tempo, e mesmo antes, uma classe não-proprietária diária e trabalhar contra lucros. Enquanto esta classe é e acontece ainda nos esporádicos, camponeses ricos, obrigados a uma taxa, são naturalmente usado para operar sobre os trabalhadores por conta própria agrícolas, como , no sistema feudal, os servos que tinham boa auto-outros servos. Assim, para esses camponeses abastados, a possibilidade de aumentar gradualmente alguma fortuna e transformaram em capitalistas futuras. Entre os ex-proprietários, operadores de terra, ele cria um terreno fértil para os agricultores capitalistas, cujo desenvolvimento é condicionado pelo desenvolvimento geral da produção capitalista fora da agricultura "(O Capital, Volume III, p. 332). expropriação .. (e expulsão de parte da população rural não só torná-lo disponível para o capital industrial, os trabalhadores e seus meios de vida e trabalho, mas também criar o mercado interno "(O Capital, Livro I, p. 778). O empobrecimento e ruína da população rural desempenha um papel, por sua vez, na criação de uma trabalhadores "exército de reserva disponível para a capital. Em qualquer país capitalista, que faz parte" da população rural está sempre prestes a se transformar em urbana ou de fabricação (ou seja, não-agrícola) ... Esta fonte de superpopulação relativa está cheio ... por isso nunca o trabalhador salário agrícola é minimizado e sempre tem um pé na lama da pobreza "(O Capital, Volume I, p. 668). propriedade privada do camponês na terra cultivada é a base da pequena produção, a condição da sua prosperidade e sua adesão a uma forma clássica. Mas esta pequena produção só é compatível com a estrutura original estreito da produção e da sociedade.

Sob o capitalismo, "a exploração dos camponeses é indistinguível . apenas na forma de exploração do proletariado industrial O explorador é o mesmo: o capital dos capitalistas individuais exploram os camponeses individuais através de hipotecas e da usura a classe capitalista explora a classe camponesa por, no.. fiscal do Estado "(As Lutas de Classes na França)." O enredo do camponês é agora apenas o pretexto que permite ao capitalista tirar proveito da terra, juros e renda e para que o próprio agricultor, a tarefa para ver como ele conseguiu o seu salário "(18 Brumário). Normalmente, o agricultor se engaja na sociedade capitalista, isto é, a classe capitalista, mesmo uma parte de seus salários e, portanto, cai "grau do rendeiro irlandês, e tudo sob o pretexto de ser proprietário privado" (As Lutas de Classes na França). O que é uma "uma das razões pelas quais o preço dos cereais nos países onde a predominância parcelas de propriedade, é menor do que em países com produção capitalista? "(O Capital, Volume III, p. 340). Este é o livro para a sociedade camponesa livre (isto é, à classe de capitalistas) uma parte do excedente. "Este preço mais baixo [de grãos e outros produtos agrícolas], portanto, resulta em pobreza e não produtores da produtividade de seu trabalho" (Ibid). Sob o capitalismo, a pequena propriedade agrária forma normal da pequena produção, degrada, cernelha e perece. "A parcela de propriedade exclui por sua própria natureza, o desenvolvimento das forças produtivas sociais do trabalho, o estabelecimento de formas sociais de trabalho, a concentração social dos capitais , a agricultura em grande escala, a aplicação progressiva da ciência à cultura. Usura e impostos durante a inevitável ruína. O dispêndio de capital para a compra do terreno que não pode ser investido em cultura. Os meios de produção estão espalhados ao infinito, o próprio produtor é isolado. [Co-operativas, isto é, as associações de pequenos agricultores, que desempenham um papel progressista de maior burguesa, só pode enfraquecer esta tendência, mas não eliminá-lo; não deve esquecer que estas cooperativas dão aos agricultores mais ricos, e muito pouco ou nada para a massa de camponeses pobres e, eventualmente, estas associações explorar o seu próprio trabalho assalariado.] O desperdício de energia humana é imensa. deterioração progressiva das condições de produção e preços maiores para os meios de produção são uma lei inelutável da propriedade fragmentada. "Na agricultura como na indústria , a transformação capitalista da produção parece ser que o "mártires" dos produtores. "A disseminação dos trabalhadores agrícolas em áreas maiores divide o seu poder de resistência, enquanto que o aumento da concentração de trabalhadores urbanos. Na Agricultura moderna, capitalista, como na indústria moderna, maior produtividade e desempenho superior do trabalho pode ser comprado à custa da destruição e do esgotamento da força de trabalho. Além disso, cada avanço da agricultura capitalista é progredir não só na arte de roubar o trabalhador, mas também na arte de roubar o solo ...

A produção capitalista, portanto, desenvolve tecnologia e da combinação de processo de produção social que, simultaneamente, esgotar as duas fontes de onde brota toda a riqueza: a terra eo trabalhador "(O Capital, Volume I, final do capítulo 13).

Fonte: storage.com

Comunismo

O Comunismo é um sistema econômico, bem como uma doutrina política e social, cujo objetivo é a criação de uma sociedade sem classes, baseada na propriedade comum dos meios de produção, com a conseqüente abolição da propriedade privada. Sob tal sistema, o Estado passa a ser desnecessário e seria extinto.

O Comunismo tenta oferecer uma alternativa aos problemas que são entendidos como inerentes à economia capitalista e ao legado do imperialismo e do nacionalismo. De acordo com a ideologia comunista, a forma para superar esses problemas seria a derrocada da rica burguesia, tida como classe dominante, em prol da classe trabalhadora - ou proletariado – para estabelecer uma sociedade pacífica, livre, sem classes, ou governo.

O pensamento comunista é normalmente considerado parte de um mais amplo movimento socialista, originário nos trabalhos de teóricos da Revolução Industrial e Revolução Francesa, que remontam às obras de Karl Marx. As formas dominantes do comunismo, como o Leninismo, o Trotskismo e o Luxemburguismo, são baseadas no Marxismo; mas versões não-Marxistas do comunismo (como o Comunismo Cristão, e o Anarco-comunismo) também existem e estão crescendo em importância, desde a Queda da União Soviética.

Introdução

No seu uso mais comum, o termo "comunismo" refere-se à obra e às idéias de Karl Marx e, posteriormente, a diversos outros teóricos, notavelmente Friedrich Engels, Rosa Luxemburgo, Leon Trotsky, Vladimir Lenin, Antonio Gramsci, entre outros. Uma das principais obras fundadoras desta corrente política é O Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels e a principal obra teórica é O Capital de Marx.

As principais características do modelo de sociedade comunal proposto nas obras de Marx e Engels são:

A inexistência das classes sociais.
As necessidades de todas as pessoas supridas.
A ausência do Estado.

Para chegar a tal estado, Marx propõe uma fase de transição, com a tomada do poder dos meios de produção pelos proletários para abolir a propriedade privada destes e a conseqüente orientação da economia de forma planejada e controlada pelos próprios produtores, com o objetivo de suprir todas as necessidades da sociedade e seus indivíduos. Marx entende que, com as necessidades supridas pela abundância promovida pelo desenvolvimento atingido pela produtividade do trabalho (isto é, das forças produtivas), as classes sociais deixam de existir e, portanto, não existe mais a necessidade do Estado, visto que este existe somente em decorrência da existência de classes.

Algumas vertentes do socialismo e do comunismo, identificadas como anarquistas, defendem a abolição imediata do Estado. Tornam-se mais visíveis as diferenças entre estes grupos quando se sabe que a primeira Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) terminou como resultado da cisão entre marxistas (que acreditavam na necessidade de tomar o poder do Estado para realizar a revolução) e bakuninistas (que acreditavam que não haveria revolução a menos que o Estado fosse abolido em simultâneo com o capitalismo, além da defesa do terrorismo como prática de luta).

A teoria que dá base à construção do comunismo tem como ponto de partida a análise feita por Marx da sociedade capitalista. Segundo ele, a propriedade privada dos meios de produção, característica fundamental do capitalismo, só existe com a apropriação da mais-valia pela classe dominante, ou seja, a exploração do homem pelo homem, que é fundamental ao capitalismo.

Marx demonstra que somente em uma sociedade sem classes sociais essa exploração não ocorreria. Considerava, ainda, que somente o proletariado[1] poderia, por uma luta política consciente e conseqüente de seu papel histórico, derrubar o capitalismo, não para constituir um Estado para si, mas para acabar com as classes sociais e derrubar o Estado como instrumento político de existência e dominação das classes.

A palavra comunismo apareceu pela primeira vez na imprensa em 1827, quando Robert Owen se referiu a socialistas e comunistas. Segundo ele, estes consideravam o capital comum mais benéfico do que o capital privado. As palavras socialismo e comunismo foram usadas como sinônimos durante todo o século XIX. A definição do termo comunismo é dada após a Revolução russa, no início do século XX, pois Vladimir Lenin entendia que o termo socialismo já estava desgastado e deturpado. Por sua teoria, o comunismo só seria atingido depois de uma fase de transição pelo socialismo, onde haveria ainda uma hierarquia de governo.

Terminologia

O comunismo é o modo de produção em que a sociedade se libertaria da alienação do trabalho, que é a forma de alienação que funda as demais, onde a humanidade se tornaria emancipada, tendo o controle e consciência sob todo o processo social de produção. Em outras palavras, o comunismo é o "trabalho livremente associado", nas palavras do próprio Karl Marx. Enquanto no capitalismo o trabalho é livremente comercializado, enquanto mercadoria, na sociedade comunista, com a socialização dos meios de produção, o trabalho deixaria de ser um aspecto negativo e passaria a ser positivo, isto é, o trabalho seria a afirmação do prazer, dado a abundância de produtos e o desenvolvimento da produtividade do trabalho, que faria com que pudéssemos trabalhar cada vez menos, com processos de mecanização e controle racional, levando em consideração a questão da natureza.

Em uma sociedade comunista não haveria governos estatais ou países e não haveria divisão de classes, pelo contrário, a sociedade seria auto-gerida democraticamente, entretanto não na forma política e sim através da atividade humana consciente. No Marxismo-Leninismo, o Socialismo é um modo de produção intermediário entre capitalismo e comunismo, quando o governo está num processo de transformar os meios de produção de privados para sociais.

Então seria possível para as pessoas acreditarem numa sociedade comunista sem necessariamente utilizar da via proposta por Karl Marx, por exemplo utilizando o comunismo-religioso ou anarco-comunismo. Mas obviamente, para alcançar a emancipação humana há os obstáculos promovidos pela classe dominante, no caso, a burguesia, que detém todos os meios contra a revolução socialista.

MODELO DE SOCIEDADE

Comunismo é um modelo de sociedade inspirado a partir dos pensamentos inicialmente elaborados por Karl Marx e, posteriormente, continuados por diversos outros teóricos, notavelmente Friedrich Engels, Vladimir Lenin, Leon Trotsky, dentre inúmeros outros. Uma das principais obras fundadoras desta corrente política é "O Manifesto do Partido Comunista" de Marx e Engels.

A principal característica do modelo de sociedade comunal proposto nas obras de Marx e Engels é a da abolição da propriedade privada, e a consequente orientação da economia de forma planejada, embora algumas vertentes do socialismo e do comunismo, identificadas como anarquistas, defendam um socialismo baseado na abolição do estado. Fica mais visível as diferenças entre estes grupos quando se sabe que, no Congresso da Internacional Comunista, Marx condenou veementemente os anarquistas e apontou suas falhas baseado em uma análise bastante detalhada do fracasso da Comuna de Paris. Assim, é necessário diferenciar as diversas experiências e concepções de comunismo.

A teoria que dá base à construção do comunismo tem como ponto de partida a sociedade capitalista, onde, de acordo com a ideologia comunista, impera a propriedade privada dos meios de produção, e imprime a todas as esferas da vida a marca do individualismo e da extração da mais-valia, esta sendo a fonte maior da exploração dos trabalhadores pela classe dominante e a conseqüente desigualdade de classes, na concepção marxista. Marx considerava que somente o proletariado, denominação para os trabalhadores que produzem mais-valia, principalmente os da grande indústria, poderia, por uma luta política consciente e conseqüente de seu papel, derrubar o capitalismo, não para constituir um Estado para si, mas para acabar com as classes sociais e derrubar o Estado como instrumento político de existência das classes.

A definição do termo comunismo é dada após a Revolução russa, no início do século XX, pois Vladimir Lenin entendia que o termo socialismo já estava desgastado e deturpado. Pela teoria, o comunismo só seria atingido depois de uma fase de transição pelo socialismo, onde haveria ainda uma hierarquia de governo.

Correntes comunistas

O movimento comunista, a partir do início do século XX, passou a se dividir em diversas correntes. Inicialmente, o surgimento do chamado revisionismo, também chamado reformismo, criaria uma divisão entre os partidários destas teses, que depois receberia o nome de social-democracia, promovendo o retorno da expressão "comunismo", adotada por Marx para se distinguir das demais correntes socialistas do seu tempo.

As tendências críticas da social-democracia retomaram o nome "comunista", mas logo se viram diante de uma nova divisão: por um lado, os comunistas de partido - os adeptos das teses de Lênin de que o partido de vanguarda seria um instrumento necessário para a revolução comunista - e, por, outro, os comunistas de conselhos, que consideravam os conselhos operários ou "sovietes" como a forma de organização revolucionária dos trabalhadores. Esta divisão seria seguida por várias outras divisões, principalmente dentro da corrente hegemônica, o comunismo de partido - também chamado bolchevismo, leninismo ou marxismo-leninismo, criando diversas tendências, como o maoísmo, o stalinismo, o trotskismo, entre outras. Esta divisão dentro da própria teoria acabaria por minar muitas das iniciativas do Comunismo e causar várias lutas ideológicas internas.

Teorias do Comunismo

Existem diversas concepções de comunismo. Marx considerava, ao contrário de muitos dos seus contemporâneos e de muitos críticos atuais, o comunismo um "movimento real" e não um "ideal" ou "modelo de sociedade" produzido por intelectuais. Este movimento real, para Marx, se manifestava no movimento operário.

Inicialmente ele propôs que a classe operária fizesse um processo de estatização dos meios de produção ao derrubar o poder da burguesia, para depois haver a supressão total do Estado. Após a experiência da Comuna de Paris, ele revê esta posição e passa a defender a abolição do Estado e o "autogoverno dos produtores associados".

Utópicos

As idéias comunistas desenvolveram-se a partir dos escritos dos chamados socialistas utópicos, como Robert Owen, Charles Fourier e Saint-Simon.

Robert Owen foi o primeiro autor a considerar que o valor de uma mercadoria deve ser medido pelo trabalho a ela incorporado, e não pelo valor em dinheiro que lhe é atribuído. Charles Fourier foi o primeiro a defender a abolição do capitalismo e sua substituição por uma sociedade baseada no comunismo. E o Conde de Saint-Simon defendeu que a nova sociedade deveria ser planejada para atender o bem-estar dos pobres. Todos estes autores, entretanto, propunham a mudança social através da criação de comunidades rurais auto-suficientes por voluntários. Estes autores não consideraram que a sociedade estaria dividida em classes sociais com interesses antagônicos.

O socialismo científico

Karl Marx foi o responsável pela análise econômica e histórica mais detalhada da evolução das relações econômicas entre as classes sociais. Marx procurou demonstrar a dinâmica econômica que levou a sociedade, partindo do comunismo primitivo, até a concentração cada vez mais acentuada do capital e o aparecimento da classe operária. Esta, ao mesmo tempo seria filha do capitalismo, e a fonte de sua futura ruína. Marx se diferenciou dos seus precursores por explicar a evolução da sociedade em termos puramente econômicos, e se referir à acumulação do capital através da mais-valia de forma mais clara que seus antecessores.

Marx considerava, ao contrário de muitos dos seus contemporâneos e de muitos críticos atuais, o comunismo um "movimento real" e não um "ideal" ou "modelo de sociedade" produzido por intelectuais. Este movimento real, para Marx, se manifestava no movimento operário. Inicialmente ele propôs que a classe operária fizesse um processo de estatização dos meios de produção ao derrubar o poder da burguesia, para depois haver a supressão total do Estado. Após a experiência da Comuna de Paris, ele revê esta posição e passa a defender a abolição do Estado e o "autogoverno dos produtores associados". No entanto, também diferentemente dos outros autores, Marx acreditava que a sociedade era regida por leis econômicas que eram alheias à vontade humana. Para ele, tanto as mudanças passadas, quanto a Revolução socialista que poria fim ao capitalismo, eram necessidades históricas que fatalmente aconteceriam.

Libertários

Em 1840, Pierre-Joseph Proudhon publica seu livro Que é a Propriedade?, em que, baseando-se em informações históricas, jurídicas e econômicas, procura demonstrar que toda a propriedade tem em sua raiz um ato de "roubo". Proudhon ataca o conceito de renda, o qual compreende como sendo o direito de exigir algo a troco de nada. E pela primeira vez, identifica uma parcela da população como produtores de riqueza (os trabalhadores) e uma outra como os usurpadores dessa riqueza (os proprietários). Conclui que a propriedade é impossível, e só pode existir como uma ficção jurídica imposta pela força, através do Estado.

Proudhon então conclui que os cidadãos só estarão livres da imposição da propriedade numa sociedade onde o Estado não exista.

Diferente de seus precursores[2], Proudhon desprezou a religião e procurou basear sua análise econômica apenas em fatos e lógica. Acredita que a mudança através da violência representaria apenas uma mudança de governo, nada modificando nas relações sociais. Estas, portanto teriam que ser reformadas gradativamente, pelos próprios cidadãos. Além disso, identificou parte do mecanismo pelo qual as contradições do capitalismo se intensificavam. Em Sistema de Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria (1846), Proudhon afirma que depois de ter provocado o consumo de mercadorias pela abundância de produtos, a sociedade estimula a escassez pelo baixo nível dos salários, uma idéia que se popularizaria com o nome de "crise de superprodução-subconsumo".

Após ter travado contato com Proudhon e descrito sua obra de forma lisonjeira em A Sagrada Família (1845), Marx passa a criticá-lo em Miséria da Filosofia (1847). O embate se intensifica na AIT contra Bakunin, outro anarquista, e leva a associação ao seu fim. O principal ponto de discordância era que, para Proudhon e Bakunin, a Revolução só seria possível com a abolição imediata do Estado. Já Marx acreditava que o Estado poderia ser instrumental no processo revolucionário. Os anarquistas também rejeitavam a autoridade, e Marx não. Após o fim da AIT, os adeptos de Proudhon e Bakunin passam a se chamar "comunistas libertários" para se diferenciar dos marxistas, que permanecem usando a denominação de comunistas. A partir daí, essas duas correntes do comunismo se separaram e seguiram trajetórias independentes.

Pós-marxismo

Revisionismo

O movimento comunista, a partir do início do século XX, passou a se dividir em diversas correntes. Inicialmente, o surgimento do chamado "revisionismo", também chamado reformismo, proposto por Bernstein, que considerava que o aburguesamento da classe operária tornava a possibilidade de uma revolução socialista quase nula e que o socialismo deveria adaptar-se a esta realidade lutando não pelo socialismo, mas pela reforma do capitalismo em bases puramente éticas. Inicialmente rejeitada pelo movimento socialista, que então recebia o nome geral de socialdemocracia, o reformismo acabou consolidando-se como prática política geral dos partidos socialistas de massa após a Primeira Guerra Mundial, quando o assentimento dos partidos socialistas da Alemanha, França e Itália em votar a favor dos créditos de guerra nos seus parlamentos revelou sua aceitação geral da legalidade burguesa e sua recusa do "derrotismo revolucionário" (isto é, a busca da revolução socialista mesmo em detrimento dos interesses do Estado Nacional) praticada pelos bolcheviques de Lenin.

Comunismo de Partido

Na esteira da Revolução Russa, criar-se-ia uma divisão entre a Extrema Esquerda do movimento socialista, liderada por Lenin, que promoveria o retorno da expressão "comunismo", adotada por Marx para definir-se a si mesma, distinguindo-se das correntes socialistas reformistas, que retiveram o nome de social-democracia. A concepção "bolchevista" ou "leninista" (nas suas diversas corrrentes) que compreendia que o comunismo fosse precedido por um período de transição chamado socialismo, no qual haveria a estatização dos meios de produção, permaneceria existindo a lei do valor e o uso do dinheiro, entre outras características do capitalismo. Este período de transição desembocaria, pelos menos teoricamente, na extinção gradual do Estado e das demais característica do capitalismo, constituindo assim o comunismo. As obras que desenvolvem esta tese são os escritos de Lênin após a revolução bolchevique, o livro de Joseph Stálin "Problemas Econômicos na União Soviética" e em vários escritos posteriores dos seguidores desta corrente, tanto na Rússia quanto no resto do mundo.

Conselhismo

Os comunistas, no entanto, logo se viram diante de uma nova divisão: por um lado, os comunistas de partido - os adeptos das teses de Lênin de que o partido de vanguarda seria um instrumento necessário para a revolução comunista - e, por, outro, os "comunistas de conselhos", que consideravam os conselhos operários ou "sovietes" como a forma de organização revolucionária dos trabalhadores. A concepção conselhista, retomava Marx e concebia o comunismo como um modo de produção que substituia o capitalismo, abolindo o Estado, a lei do valor etc., imediatamente, através da autogestão dos conselhos operários. Assim, esta corrente questionava a idéia de um período de transição, colocando-a como sendo contra-revolucionária e produto de um projeto semi-burguês no interior do movimento operário.

As principais obras que expressam este ponto de vista são: "Princípios Fundamentais do Modo de Produção e Distribuição Comunista", do Grupo Comunista Internacionalista da Holanda e "Os Conselhos Operários" de Anton Pannekoek, e vários outras obras posteriores que desenvolveram estas teses até os dias de hoje, assumindo o nome contemporâneo de autogestão.

Cisões posteriores

Esta divisão seria seguida por várias outras divisões, principalmente dentro da corrente hegemônica, o "comunismo de partido" - também chamado bolchevismo, leninismo ou marxismo-leninismo, criando diversas tendências, como o maoísmo, o stalinismo, o trotskismo, entre outras. Esta divisão dentro da própria teoria acabaria por minar muitas das iniciativas do Comunismo e causar várias lutas ideológicas internas.

Revolução Russa de 1917

A Revolução Russa foi uma série de eventos políticos na Rússia, durante os quais os operários e camponeses sucessivamente derrubaram a autocracia russa, o governo provisório e expropriaram campos, fábricas e demais locais de trabalho. Estes eventos aconteceram durante o ano de 1917 e início de 1918, e resultaram numa guerra civil que durou de 1918 a 1921. Durante este processo, o Partido Bolchevique, liderado por Vladimir Lenin e Leon Trotski, se transformou na única força política capaz de restabelecer a ordem. Ele criou um poderoso exército, que submeteu igualmente a classe operária e os demais partidos, ao mesmo tempo que adotou o discurso comunista, o qual utilizou como justificativa para a imposição de uma ditadura.

A burocratização

Ainda durante os seus últimos anos de vida, Lenin empreendeu uma vigorosa luta contra a burocratização do Partido e a concentração de poder nas mãos de Stálin, sugerindo que Trótski, "o mais capaz do Comitê Central", assumisse o comando do partido. Além de ter exercido papel decisivo como reorganizador do Exército Vermelho, Trotsky havia proposto a teoria chamada de "Revolução Permanente", e que fora adotada por Lenin em suas Teses de Abril - quando este admitiu que a Revolução Russa colocaria em curso o transcrescimento ininterrupto entre revolução burguesa (fevereiro) e proletária (outubro).

Stalinismo

As perseguições se agravaram pouco tempo depois da morte de Lênin, em janeiro de 1924, quando uma luta interna pelo poder estabeleceu-se entre Trótski e Stálin. Ela terminou com a vitória de Stalin, que implantou um regime de terror e intrigas, exterminando dois terços dos quadros do Partido Comunista, de forma a prevalecer inconteste. Durante seu regime a União Soviética saltou de um país arruinado pela guerra civil, para uma superpotência, mas ao custo de pelo menos 7,5 milhões de mortes devidas à grande fome de 1923-1933, somando-se ao seu regime de total e absoluto terror ditatorial, com a expansão dos antigos Gulags, campos de concentração construídos em torno do modelo Nazista e perseguição política sem precedentes, culminando com o fim da liberdade de expressão e repressão ferrenha contra homossexuais, jornalistas e cientistas da academia no geral, durante e após o Grande Expurgo[3].

Apesar das críticas, alguns poucos do ocidente viam com admiração o regime socialista da URSS, sendo notório o apoio de um pequeno grupo de intelectuais de extrema-esquerda do ocidente ao governo de Stálin.

A oposição de esquerda

Após a morte de Lênin, seguiu-se um período de conflitos, tendo como pano de fundo interno as disputas sobre a coletivização da agricultura e a burocratização do aparato partidário, Stálin deu um golpe contra Trótski e a velha guarda bolchevique, mandando para a cadeia, para o exílio ou para a morte centenas de milhares de comunistas e anarquistas russos.

Leon Trótski, expulso, permaneceu lutando pelo comunismo e construiu um novo reagrupamento internacionalista, a IV Internacional, que foi o bastião do marxismo-revolucionário nos negros anos do stalinismo. Trótski foi assassinado, na Cidade do México por Ramón Mercader, agente da polícia secreta de Stálin (GPU, depois KGB).

Autocrítica

Quando Nikita Khrushchev assumiu o poder da URSS denunciou os crimes de Stálin e campos de concentração (gulags), porém isso pouco mudou a ação do estado socialista repressor.

Nem mesmo a publicação do livro Arquipélago de Gulag do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1970, Aleksandr Solzhenitsyn, mudou alguma coisa, pois ninguém dentro da União Soviética sabia da existência do livro. Este livro foi escrito entre 1962 e 1973, somente foi publicado no ocidente em 1973. O livro foi publicado oficialmente na Rússia apenas em 1989.

Segundo a descrição do livro, os "gulags" eram campos de trabalho penoso, bastante próximo de uma situação de escravatura, para intelectuais opositores ou eventuais traidores do regime, cujas condições de chegada foram descritas e comparadas, por muitos dos seus sobreviventes, às de deportação para campos de extermínio. Segundo algumas descrições, os campos mais desumanos encontravam-se na região da Sibéria.

Glasnost

Após a Segunda Guerra Mundial, em que a Alemanha nazista foi derrotada pelas forças aliadas (Reino Unido, Estados Unidos e União Soviética), iniciou-se uma fase de revisão dos fundamentos do estalinismo, o que resultou, nos anos 90, na revisão do Estado Soviético que foram então conhecidos como "glasnost" e "perestroika". Para alguns, isto significou uma volta ao capitalismo e uma reaproximação à política dos Estados Unidos, enquanto que, para outros que qualificavam a sociedade russa como um capitalismo de estado, tratava-se de uma volta ao capitalismo privado.

A queda do muro de Berlim

Após a queda do muro de Berlim, o comunismo foi considerado morto por vários pensadores, intelectuais e pela mídia. O marxismo manteve-se sob outras formas, como na China, com o maoísmo, em Cuba, com Fidel Castro e, mais duramente, na Coreia do Norte, com Kim Il-sung e o seu filho Kim Jong-il.

Segundo alguns pensadores, mais como uma referência filosófica e política geradora de alguma polêmica do que propriamente um ente político de largo espectro, pois ter-se-ia limitado ao nível de Governo, deixando o povo com relativa liberdade de acordo com cada norma vigente no respectivo país. O marxismo mantém-se, contudo, como uma referência filosófica e política, (polémica, é certo), que não deve ser desprezada no contexto da globalização.

Os seguidores desta doutrina política defrontam-se, entretanto, com as novas realidades históricas que têm originado movimentos reformadores que pretendem repensá-la. O projeto de instauração de uma sociedade comunista ainda é defendido por diversas correntes e pensadores, alguns mantendo a concepção que inspirou a Revolução Bolchevique, o leninismo (para quem as "renovações" são apenas sinal de subjugação ao capitalismo), e outros, fazendo revisão ou aderindo às correntes comunistas antileninistas. O socialismo continuou de outra maneira em diversos países do mundo.

Comunismo versus Anarquismo

Os movimentos anarquista e marxista surgiram e ganharam forte atuação no século XIX, em meio aos efeitos sociais da Revolução Industrial.

Foram ambos contestadores da ordem liberal burguesa e do Estado garantidor das condições trabalhistas da época, coincidindo, também, quanto ao ideal comunista: o fim das divisões de classes, da exploração e até mesmo do Estado.

A despeito dessas semelhanças (de origem, alguns alvos de atuação e objetivos finais), divergiam quanto ao caminho a ser seguido para alcançar o comunismo.

Para os marxistas, deveria haver uma fase intermediária socialista — a ditadura do proletariado —, um Estado revolucionário que construiria as condições viabilizadoras do comunismo, tais como lidar com os movimentos contra-revolucionários que viessem a surgir na transição. Os anarquistas, ao contrário, pensavam construir o comunismo imediatamente, erradicando não apenas as classes, as instituições e as tradições, mas sobretudo o Estado.

Na segunda metade do século XIX, durante o século XX, e ainda no século XXI as diferenças prevaleceram sobre as semelhanças, promovendo entre os dois movimentos socialistas uma convivência de choques e divergências, nas suas lutas contra a ordem estabelecida.

Críticas ao comunismo

Desde a sua difusão, o comunismo marxista-leninista recebeu oposição, tanto da esquerda quanto da direita política[4][5]. Vários críticos atribuem ao comunismo episódios de violação de direitos humanos observados durante o século XX, como o genocídio ucraniano na União Soviética ou o massacre de um quarto da população do Camboja [6] sob o regime de Pol Pot[7]. Há críticas ainda ao funcionamento da economia comunista, considerada por Mises ineficiente e por Hayek inevitavelmente ligada à tirania.

As principais críticas ao comunismo se assentam essencialmente na idéia de que quanto maior é a intervenção do Estado, mais negativa é.

Porque:

Interfere com a liberdade individual e livre iniciativa das pessoas e empresas, que são quem sustentam involuntariamente o Estado através dos impostos e taxas

Ao deslocar recursos dos mais produtivos para os menos produtivos, retirando produção aos primeiros para alocar aos segundos, o Estado contribui para uma diminuição da eficiência global do sistema económico e social. Isto porque é intuitivo que a pessoa que não vê uma recompensa maior pelo seu esforço, tem tendência a produzir menos, dessa forma todos ficam mais pobres.

Bernard-Henri Lévy, Karl Popper, Ludwig von Mises, Max Weber, Michael Voslensky, Milovan Djilas, Milton Friedman, Václav Havel são alguns eminentes críticos do comunismo. A ideologia comunista também é fortemente criticada pela Doutrina Social da Igreja Católica.

Depois de Marx, surgiram duas concepções diferenciadas de comunismo

A concepção bolchevista ou leninista (nas suas diversas corrrentes) que compreendia que o comunismo fosse precedido por um período de transição chamado socialismo, no qual haveria a estatização dos meios de produção, permaneceria existindo a lei do valor e o uso do dinheiro, entre outras características do capitalismo. Este período de transição desembocaria, pelos menos teoricamente, na extinção gradual do Estado e das demais característica do capitalismo, constituindo assim o comunismo. As obras que desenvolvem esta tese são os escritos de Lênin após a revolução bolchevique, o livro de Joseph Stálin "Problemas Econômicos na União Soviética" e em vários escritos posteriores dos seguidores desta corrente, tanto na Rússia quanto no resto do mundo.

A concepção conselhista, por sua vez, retomava Marx e concebia o comunismo como um modo de produção que substituia o capitalismo, abolindo o Estado, a lei do valor, etc., imediatamente, através da autogestão dos conselhos operários. Assim, esta corrente questionava a idéia de um período de transição, colocando-a como sendo contra-revolucionária e produto de um projeto semi-burguês no interior do movimento operário.

As principais obras que expressam este ponto de vista são: "Princípios Fundamentais do Modo de Produção e Distribuição Comunista", do Grupo Comunista Internacionalista da Holanda e "Os Conselhos Operários" de Anton Pannekoek, e vários outras obras posteriores que desenvolveram estas teses até os dias de hoje, assumindo o nome contemporâneo de autogestão.

Comunismo na URSS e no mundo

Liderados por Vladimir Lenin e Leon Trotsky, os revolucionários russos valeram-se da ciência marxista para por o controle do Estado nas mãos do proletariado (ditadura do proletariado), visando desenvolver as forças produtivas da Rússia, um país agrário, para a posterior destruição do Estado, a fim de estabelecer a visão stricta de Marx.

Com a morte de Lenin, estabeleceu-se uma disputa pelo poder entre os seguidores de Stalin, com "o socialismo em um só país" e Trotsky, que defendia a "revolução permanente". Após um período de conflitos, tendo como pano de fundo a sabotagem do latifúndio, Trotsky foi expulso da Rússia e, posteriormente, assassinado, na Cidade do México. Após a Segunda Guerra Mundial, em que a Alemanha nazista foi derrotada pela União Soviética, iniciou-se uma fase de revisão dos fundamentos do socialismo soviético, o que resultou, nos anos 90, na reforma da sociedade russa, nos processos que foram então conhecidos como "glasnost" e "perestroika". Para alguns, isto significou uma volta ao capitalismo e uma reaproximação à política dos Estados Unidos, enquanto que, para outros que qualificavam a sociedade russa como um capitalismo de estado, tratava-se de uma volta ao capitalismo privado.

Críticas ao comunismo aplicado na URSS

Muitas são também as críticas tecidas a este regime, mais do que à filosofia que precedeu a sua implantação.

Uma das críticas mais violentas é a que se encontra patente em "O livro negro do comunismo", onde se alude aos abusos praticados nos goulags. Os goulags eram promovidos, perante a opinião pública nacional e internacional, como campos de trabalho comunitário em prol da sociedade, destinados a retratar criminosos. Na realidade, os goulags eram campos de trabalho próximos da escravatura, para muitos intelectuais opositores e traidores do regime, cujas condições de chegada foram descritas e comparadas, por muitos dos seus sobreviventes, às de deportação para campos de extermínio. Os goulags descritos como mais desumanos encontravam-se na região da Sibéria.

Para além dos goulags, muitos dos regimes comunistas são acusados de ditatoriais, promotores da figura do seu líder, centrados na promoção de uma auto-imagem deturpada e parcial dos acontecimentos, nomeadamente através do estabelecimento da censura e na repressão das liberdades individuais. Na verdade, o assassinato de Trotski, após a sua expulsão do país, é apenas um pequeno exemplo.

A queda do muro de Berlim

Após a queda do muro de Berlim, o comunismo foi considerado morto por vários pensadores, intelectuais e pela mídia. O marxismo manteve-se sob outras formas, como na China, com Mao Tsé-Tung, em Cuba, com Fidel Castro e, mais violentamente, na Coreia do Norte, com Kim II Sung e o seu filho Kim Jong II.

Segundo alguns pensadores, mais como uma referência filosófica e política geradora de alguma polémica do que propriamente um ente político de largo espectro, pois ter-se-ia limitado ao nível de Governo, deixando o povo com relativa liberdade de acordo com cada norma vigente no respectivo país. O marxismo mantém-se, contudo, como uma referência filosófica e política, (polémica, é certo), que não deve ser desprezada no contexto da globalização. Os seguidores desta doutrina política defrontam-se, entretanto, com as novas realidades históricas que têm originado movimentos renovadores que pretendem repensá-la. O projeto de instauração de uma sociedade comunista ainda é defendido por diversas correntes e pensadores, alguns mantendo a concepção que inspirou a Revolução Bolchevique, o leninismo (para quem as "renovações" são apenas sinal de subjugação ao capitalismo), e outros, fazendo revisão ou aderindo às correntes comunistas anti-leninistas.

Referências

1 Proletariado: os trabalhadores que produzem mais-valia, principalmente os da grande indústria.
2 Precursores de Proudhon: Max Stirner, William Godwin, entre outros.
3 Predefinição:Citebook
4 Bernard-Henri Lévy - La barbarie à visage humain
5 MILL, J. S. Princípios de Economia Política, Livro IV, Capítulo 7
6 International Judicial Monitor - International Tribunal Spotlight: Extraordinary Chambers in the Courts of Cambodia
7 Vincent Cook - Pol Pot and the Marxist Ideal
8 BOETTKE, P. J. Public Choice and Socialism. George Mason University

Fonte: por.anarchopedia.org

Comunismo

A Moral Comunista

V. Kolbanoski

1947

AS QUESTÕES de moral, assim como todas as questões da vida social, pela primeira vez foram colocadas em sólidas bases cientificas quando surgiu o materiallsmo histórico, que é a verdadeira ciência das leis do desenvolvimento social.

À luz do materialismo histórico, revela-se claramente a inconsistência das concepções idealistas da moral. Ficam assim expostos os defeitos das teorias sobre moral, correntes até antes do aparecimento da filosofia materialista de Marx.

Os manuais idealistas ou ligam a moral à religião, afirmando que as concepções morais dos homens se originam da "razão divina", ou a atribuem a um sentimento moral particular, a uma consciência do dever moral instintiva da alma humana.

Ordinariamente as concepções idealistas da moral apresentam a questão como se em todos os tempos e entre todos os homens existissem, concepções idênticas, e reconhecidas de modo geral, sobre o que é bom e o que é mau.

A afirmação de que a moral é eterna e não se altera não é privilégio apenas das teorias idealistas. Os materialistas anteriores a Marx e Engels tinham ponto de vista idêntico, embora rejeitassem a origem divina da moral e tentassem ligar as concepções éticas aos pontos de vista materialistas sobre a natureza.

Ao contrário das diversas teorias não cientificas sobre a moral, o marxismo apresenta a tese de que o homem, em todas as suas manifestações psíquicas, em toda a sua vida intelectual e moral, é o produto de um meio social e, sobretudo, de um meio social concretamente específico, determinado ele próprio, em última análise, pelos meios de produção.

Por essa razão não pode haver um sistema de moral definitivo e em geral aceito como bom para todos os tempos e para todos os homens. Não só a concepção e o julgamento do bem e do mal diferem em cada época, como até, nos limites da mesma e única época, diferem as teorias morais e são contrárias entre si as concepções das classes sociais antagônicas.

Salienta Engels que na sociedade burguesa distinguem-se nitidamente três formas de moral: a moral que nos ficou como herança do feudalismo, a moral da burguesia e a moral do proletariado.

Mas se nas condições de uma sociedade caracterizada por seus antagonismos internos, a moral se apresentava inevitavelmente como moral de classe e não pode, portanto, ser reconhecida por todos, na sociedade que não conhece antagonismos de classes, criam-se condições para o triunfo de uma moral comum a todos os homens.

A propósito, escrevia Engels:

"A moral verdadeiramente humana, que se elevará acima das contradições e das reminiscências de classes, só será possível na etapa do desenvolvimento social em que o antagonismo das classes tenha sido não apenas eliminado, mas em que até os seus vestígios tenham desaparecido da vida prática"(1).

Os fundadores do marxismo descobriram a natureza de ciasse da morai e mostraram suas origens e evolução na história da sociedade humana. Nas condições de nossa época, entretanto, os grandes mestres do proletariado apencs puderam esboçar, em traços largos, os contornos da futura moral comunista.

Deve-se a Lênin e a Stálin a descoberta posterior das manifestações e da essência da moral comunista. Em seu notável discurso perante o III Congresso das Juventudes Comunistas da Rússia, Lênin deu a característica do conteúdo da moral comunista, traçando suas linhas essenciais. E o camarada Stálin, generalizando a grande experiência da luta do Partido e do povo soviético para a edificação do socialismo em nosso pois, desenvolveu as idéias de Lênin sobre a moral comunista.

Em suas intervenções, o camarada Stálin indicou como devia proceder um membro do Partido Bolchevique, para ser digno desse título; mostrou o que devia ser um homem político do tipo Leninista; explicou o que se exige de cada cidadão soviético para que esteja ao nível da moral comunista e da conduta comunista.

Nessas intervenções, o camarada Stálin deu a característica do papel da edificação soviética e da atividade dirigente do Partido Bolchevique e no ensino da moral comunista. As intervenções do camarada Stálin mobilizam as massas na luta pela vitória do comunismo, educam o povo num espírito de patriotismo a toda prova, no espírito da moral comunista.

A moral comunista é a fase superior do desenvolvimento da moral proletária, que começa a elaborar-se dentro do quadro do capitalismo, na luta contra a moral burguesa, que ocupa a posição dominante no regime capitalista. A moral que domina na sociedade burguesa é determinada pelas relações capitalistas de produção, caracterizada pela exploração do homem pelo homem. Em que se baseia, afinal, a sociedade burguesa, do ponto de vista moral?

A essa questão, responde Lênin:

"Baseia-se no princípio de que — ou tu roubas aos outros ou os outros te roubam; ou trabalhas para os outros ou os outros trabalham para ti; ou és o senhor dos escravos ou tu serás o escravo. E é compreensível que os homens formados numa tal sociedade tenham, por assim dizer, bebido no leite materno a psicologia, os hábitos, as concepções ou de um senhor de escravos ou de um escravo, de um pequeno proprietário, de um pequeno funcionário ou de um intelectual — numa palavra, de um homem que apenas se ocupa de uma coisa: ter algo para si, e que se desinteressa do resto.

Se eu sou o dono deste pedaço de terra, que me importa o semelhante; se o próximo tem fome, melhor, pois venderei meu trigo mais caro. Se tenho meu lugarzinho como médico, como engenheiro, professor, empregado, estou-me rindo do próximo. Se eu fôr indulgente, adulador do poderio dos ricos, talvez — raciocina ele — possa conservar meu lugarzinho e quem sabe mesmo se não poderei tornar-me burguês".(2)

Essa ordem de coisas capitalistas engendra homens que são, do ponto de vista moral, uma pepineira de egoísmo empedernido e de insensibilidade em relação ao destino humano. A realidade capitalista engendra o mal e o crime, pelo próprio caráter das relações que estabelece entre os homens. Isto foi demonstrado pelo escritor inglês D. Priestley em sua peça "Ele Chegou". Nessa obra, o autor representou uma honrada família burguesa da Inglaterra, da qual todos os membros, o pai, a mãe, o filho, a filha e o noivo da filha foram culpados pela morte de uma jovem operária, embora nenhum deles tivesse desejado a morte dessa jovem. Mas objetivamente, pela lógica das relações existentes na sociedade burguesa, cada um dos membros dessa família burguesa teve sua parte de responsabilidade no crime.

O capitalismo engendra tipos humanos que, mesmo ao reconhecerem o caráter desumano da ordem de coisas capitalista, evitam de todas as formas lutar contra o mal e a injustiça e são inteiramente absorvidos por seu pequeno e mesquinho mundo, por seus interesses estreitos e prosaicos.

Tal é, por exemplo, o "jogo de dama" da novela de Wells:

"Vejo bem, diz ele, que nos achamos ainda sob o domínio do homem das cavernas e que este prepara um reaparecimento em grande estilo. . . Que volte a idade da pedra, que seja, como dizeis, o declínio da civilização, é realmente uma pena; mas, esta manhã, nada posso fazer. Tenho minhas obrigações. Aconteça o que acontecer, vou jogar damas com minha tia".

Quanto mais avança o capitalismo, tanto mais se aprofunda o precipício entre os preceitos morais, de um lado, e a conduta real, a verdadeira atividade dos homens, de outro lado. Os próprios ideólogos do capitalismo têm que concordar com isso. Um dos conselheiros de Roosevelt, James Arburg, que foi, em certo período, diretor de propaganda do Bureau de Informação de Guerra, escreveu em seu livro intitulado: "A política externa começa no próprio país":

"O modo de vida atual na civilização européia, é um conflito insolúvel, pois, do ponto de vista ético e religioso, a civilização baseia-se na fé, na justiça e na igualdade, mas na vida prática o que reina é a doutrina da seleção natural e da eliminação dos mais fracos".

É claro que não se pode falar da pretensa "seleção natural", que dizem reinar na sociedade. A verdade é que a civilização burguesa atual é cada vez menos compatível com as exigências elementares da moral humana, embora palavras como "o bem", "a equidade", ressoem freqüentemente nos discursos dos homens que servem ao capitalismo.

Como harmonizar as palavras — liberdade, progresso, humanidade — usadas pelos representantes oficiais da sociedade burguesa, na América do Norte, por exemplo, com a hierarquia de raça que de fato reina ali e que está em contradição com as mais elementares exigências da moral humana? Como harmonizar essas exigências elementares com o desprezo e os atos desumanos contra a população, que se tornaram hábito nos Estados Unidos?

Desde as primeiras etapas do desenvolvimento da sociedade burguesa, surgiu com toda a nitidez a diferença entre a propaganda oficial dos princípios elevados de igualdade humana, de fraternidade e de liberdade, e as relações existentes na sociedade burguesa, onde reina a exploração, a opressão e uma competição desenfreada. Esta circunstância marcou com o selo do tartufismo e da hipocrisia a moral burguesa. A propagação dessa moral reveste-se de um caráter servil, arranjado para disfarçar a hediondez da realidade, justificar a ordem capitalista, defendê-la contra o inconformismo crescente das massas trabalhadoras.

Com o desenvolvimento da sociedade burguesa, à medida que a ordem estabelecida se torna um obstáculo ao desenvolvimento das forças produtivas e que a luta de classe entre o proletariado e a burguesia se exacerba — essas formas da ideologia burguesa, sob as quais os interesses de classe da burguesia, inclusive a moral burguesa, aparecem como sendo os interesses gerais, perdem seu conteúdo real e se tornam frases vazias, engodo consciente, premeditada hipocrisia. E quanto mais a vida demonstra a mentira e a falsidade interna dessa moral, tanto mais a linguagem da sociedade burguesa oficial se torna hipócrita.

O grande dramaturgo inglês Bernard Shaw ridicularizou, com seu estilo mordaz, a tática do burguês britânico que comete as coisas mais infames sob a máscara da caridade cristã. Diz ele, em "O Homem do Destino":

"E sempre, e para todos os casos, têm à mão uma atitude de homem de boa moral. Como grande combatente pela liberdade e a independência nacional, conquista e anexa ao seu país a metade do mundo e chama a isso colonizar, é necessário, por exemplo, um novo mercado para suas mercadorias acumuladas em Manchester? Então ele envia rapidamente um missionário a tal parte e, em seguida, tomando das armas, vai no rastro do missionário defender a cristandade. Ele se bate pela cristandade, faz suas conquistas em nome do cristianismo e apodera-se do mercado como de uma recompensa celeste".

Por outro lado o capitalismo moderno engendrou e engendra verdadeiros apologistas do canibalismo, os quais tentam cada vez mais soltar a besta que existe no homem. Através dos imperialistas alemães reacionários, cultivou-se e alimentou-se o fascismo, que conduziu aos limites extremos a ideología do ódio entre os homens, a prática do extermínio bárbaro e em massa dos homens, a prática da destruição da cultura material e espiritual da humanidade.

O diabólico "fuehrer" dos fascistas alemães declarou:

"Eu liberto o homem da quimera aviltante que tem por nome consciência. A consciência, assim como a instrução, deforma o homem. Tenho a vantagem de que nenhuma consideração de caráter teórico e moral me detém".

O condutor dos modernos canibais, que se declarou o símbolo do princípio do amoralismo, conseguiu arrastar milhões de alemães na senda dos crimes mais monstruosos contra a humanidade.

Devido à vitória militar contra o imperialismo alemão e japonês, o fascismo sofreu uma derrota moral e política. Entretanto, os círculos reacionários do mundo imperialista atual tentam, cada vez com maior insistência e obstinação, impedir a derrota política e moral definitiva do fascismo, cultivando a ideologia do ódio humano, representada pelo racismo, chamando em seu socorro as revivescências do canibalismo, a fim de ter o terreno preparado para realizar seu plano de agressão, sua política de conquista territorial e de escravização dos povos.

Só uma luta enérgica das forças progressitas da humanidade contra as forças da reação poderá assegurar a derrota moral e política definitiva do fascismo. Nesta luta das forças progressistas, visando liquidar completamente a ideologia bestial do fascismo e extirpar o canibalismo fascista, cabe o primeiro papel à URSS como baluarte da democracia e do progresso. Nos países estrangeiros são os representantes de vanguarda da classe operária, lutando sob a bandeira das idéias sociais e políticas mais avançadas e sob a bandeira de uma moral de vanguarda, que estão combatendo o fascismo de maneira conseqüente.

A história confiou ao proletariado a grande missão de liquidar a estrutura de classe da sociedade, de liquidar a exploração e as causas que lhe dão origem e de criar um novo regime social — o comunismo.

Do ponto de vista proletário, só é moral a conduta dos homens baseada na grande luta pela libertação da humanidade de todos os jugos e de quaisquer formas de exploração.

Qualidades de caráter tais como a honestidade, a sinceridade, a dedicação, a coragem, a energia e a solidariedade entre camaiadas, a dedicação à causa da libertação dos trabalhadores e muitas outras qualidades morais, desenvolveram-se e fortaleceram-se entre os massas trabalhadoras; embora a burguesia tenha brutalmente espezinhado esses princípios morais e empestado a atmosfera social com o egoismo, a extorsão, a hipocrisia e outros sentimentos amorais.

Ainda no início de sua atividade revolucionário, observando os operários que entravam no movimento socialista, afirmou Marx:

"A fraternidade humana em seus lábios não é apenas uma frase, mas uma verdade, e de seu rosto endurecido pelo sofrimento toda o beleza da humanidade nos contempla"(3).

O desenvolvimento da moral proletária manifestou-se com particular nitidez em nosso país, porque, devido a condições históricas, foi ele o primeiro a começar a reconstrução da sociedade em base socialista.

O movimento oparário em nosto país, nascido mais tarde de que nos outros países europeus, chocou-se com a recção feroz da polícia do tzarismo.

Os bolcheviques, que a autocracia transformava nos revolucionários mais conseqüentes e irredutíveis, sofreram particularmente suas cruéis sevícias.

Achando-se no próprio âmago do movimento operário, os bolcheviques elevaram o nível da consciência política dos operários, cultivaram em si os sentimentos necessários à vitória da classe operária, da solidariedade de classe, da união entre camaradas, o sentimento da dedicação.

A luta pela honestidade moral, pela firmeza e o espírito de princípio entre os revolucionários profissionais e entre todos os operários que participavam no movimento revolucionário, forma uma das páginas mais brilhantes da história do bolchevismo na Rússia.

II

A MORAL comunista é a moral de tipo novo, e sua base difere da base das outras morais que a precederam. Por isso tem outro conteúdo e outra é sua missão.

Na sociedade que assenta sobre a propriedade privada, a moral que domina, ao lado do direito, destina-se a manter a instituição da propriedade privada.

A burguesia apenas colocou a lei do Estado a serviço desta instituição: declarou que a propriedade privada era sagrada e inalienável, emprestou-lhe um aspecto moral e religioso. A moral que domina na sociedade burguesa consagra o regime de exploração e desigualdade, o regime de opressão e escravidão criado pela propriedade privada.

Bem ao contrário da moral burguesa, a moral comunista, da mesma forma que o direito comunista, destina-se a servir ao fortalecimento da propriedade socialista coletiva. Na sociedade em que a terra, as fábricas e as usinas deixaram de ser a propriedade dos exploradores e se tornaram apanágio do povo inteiro, a propriedade socialista coletiva é sagrada e inalienável; tem seu defensor fiel não só no direito socialista, como também na moral comunista. A moral comunista defende o novo regime social criado na base da propriedade socialista coletiva, regime de que foram banidas a exploração e todas as formas de opressão e escravização.

Lênin acentuou:

"A moral comunista baseia-se na luta pelo fortalecimento e pelo aperfeiçoamento do comunismo"(4).

Desta finalidade da moral comunista deriva seu conteúdo de princípios diferentes. Se, na sociedade baseada nos princípios da propriedade privada dos meios de produção, é alimentada entre os homens a psicologia da propriedade privada em todas suas manifestações amorais, na sociedade socialista, onde existe a propriedade socialista coletiva dos meios de produção, estabelecem-se relações de solidariedade entre todos os seus membros, que possuem interesses comuns, fins comuns e aspirações comuns.

Durante a transformação socialista da sociedade, realiza-se entre os homens uma renovação do sistema moral; a antiga psicologia, ligada à propriedade privada, é substituída pela psicologia do apoio mútuo a serviço da causa comum. Os homens perdem pouco a pouco os antigos hábitos e tradições, os sentimentos de cupidez e desse egoísmo calculado e frio que a sociedade burguesa cultiva.

Em sua obra "Anarquismo ou socialismo?", escreveu o camarada Stálin:

"No que se refere às opiniões e aos sentimentos bárbaros dos homens, não são tão antigos como alguns pensam: houve tempo, na época do comunismo primitivo, em que o homem não conhecia a propriedade privada; veio o tempo da produção individual em que a propriedade privada se apoderou dos sentimentos e da razão dos homens; aproxima-se um tempo novo, o tempo da produção socialista — que há, pois, de extraordinário em que os sentimentos e pensamentos dos homens se embebam nas aspirações socialistas? Pois não é certo que o tipo da vida determina "os sentimentos" e as "opiniões dos homens"?"(5).

A experiência, de importância histórica mundial, da edificação do socialismo em nosso país, demonstrou em seus contornos práticos o processo da transformação socialista da consciência dos homens, o processo da formação da moral comunista.

Os homens que se ligaram à edificação do socialismo, saíram da sociedade capitalista. É natural que, em sua maioria estivessem sob a influência de tradições, hábitos, preconceitos, vestígios do passado, que se fizeram sentir fortemente na consciência dos milhões de homens chamados a edificar uma vida nova.

Este o caso principalmente das massas camponesas, mas também foi o caso de amplas camadas de trabalhadores que não tiveram imediatamente a consciência dos interesses comuns do Estado. No entanto, na base da edificação socialista, que principiou a se desenvolver, e graças ao trabalho de organização e educação do Partido Bolchevique, as fileiras dos operários de vanguarda, pelo seu exemplo de dedicação e heroísmo, cresceram rapidamente.

Desde os primeiros anos de existência do Estado Soviético, a atitude comunista dos operários em face do trabalho, evidenciando a existência de novas relações entre os homens — as relações de ajuda e apoio recíprocos — manifestaram-se com bastante clareza. Os "domingos comunistas" o comprovam.

O valor particular da iniciativa dos operários na organização de "domingos comunistas" estava, conforme indicou Lênin, na preocupação desinteressada

"dos operários de base, em aumentar a produtividade do trabalho, zelar cada "pud" (medida equivalente a 16 kg.) de trigo, de carvão, de ferro e de produtos destinados, não especialmente ao operário, nem a seus parentes, ou amigos mais próximos ou afastados, mas à sociedade em seu conjunto às dezenas e centenas de milhões de homens reunidos, primeiro num só Estado socialista e depois na União das Repúblicas Socialistas"(6).

Mas enquanto na economia do país subsistiam numerosas camadas sociais e enquanto a agricultura produzia pouco para o mercado, a massa dos milhões de camponeses continuava com a herança do passado, ainda sob a influência da psicologia da propriedade privada.

O desenvolvimento da moral comunista entre as massas camponesas só encontrou terreno propício quando, segundo o projeto genial do camarada Stálin, e sob sua direção, os camponeses de nosso país foram reunidos nos kolkozes. Só nos kolkozes a consciência dos milhões de camponeses começou a tornar-se socialista.

No regime kolkozeano o campesinato encontrou a forma de sua união, a forma da colaboração e da ajuda mútua entre camaradas, forma que constituía base da consciência e da moral comunista. A vitória do regime kolkozeano levou igualmente ao fortalecimento considerável dessas relações amistosas entre os camponeses e operários de nosso país e a um fortalecimento da união entre essas duas classes.

Durante a edificação socialista e graças a seus resultados, surgiram novos intelectuais, animados de sentimentos fraternais em relação aos operários e camponeses e agindo de acordo com eles. Desta forma, devido à vitória do socialismo, à liquidação das classes exploradoras na sociedade soviética, formou-se e consolidou-se a unidade moral e política de nosso povo.

A ajuda mútua fraternal também triunfou nas relações entre todas as nações e povos de nosso país. A formação da unidade moral e política da sociedade soviética marcou a consolidação das nações, a verdadeira unidade nacional. Os laços que unem os homens, na base de suas tradições nacionais, foram pela primeira vez libertados do caráter de antagonismo inerente à nação na sociedade burguesa, sociedade em cujo seio a noção é dividida por contradições internas de classes. A verdadeira simpatia mútua triunfou entre todos os homens pertencentes a uma determinada nação e unidos pela comunidade de sua história e de sua cultura. Ao mesmo tempo, esses sentimentos de simpatia entre homens unidos pela origem nacional, harmonizam-se com os sentimentos de amizade em relação aos homens das outras nacionalidades. A amizade cresceu e se fortificou entre os povos, paralelamente com os resultados da edificação do socialismo.

Assim, no domínio das relações entre classes e grupos sociais, da mesma maneira como no domínio das relações entre nações, triunfou um verdadeiro sentimento de humanidade.

Tudo isto significa que na sociedade socialista, o sentimento de humanidade, nas relações mútuas entre os homens, adquire realmente essa universalidade tão decantada em todos os estatutos morais de todos os tempos, mas que se conserva como uma palavra vazia de sentido, nas sociedades internamente antagônicas.

É por isso que a moral comunista é reconhecida por todos os povos e recebe assim a consagração que nenhuma outra sociedade poderia receber, ao contrário da sociedade burguesa, onde coexistem sistemas opostos de moral e onde a moral das classes exploradoras dominantes é imposta aos trabalhadores com toda a espécie de falsidades. Na sociedade socialista, a moral comunista existente goza do apoio geral. Explica-se desta forma o fato de que, ao contrário da moral dominante nas sociedades internamente antagônicas, que sempre caminha de par, com a religião, tendo necessidade dela como tutor, a moral comunista está liberta de tal união.

Para que a moral das classes exploradoras dominantes possa ser inculcada no povo, necessita do beneplácito e do apoio da religião. Quanto à moral comunista, esta não tem necessidade de ser consagrada pela religião, visto que é sincera, correspondendo inteiramente aos interesses do povo, e sendo a expressão de sua consciência e de sua vontade, apoia-se em sua unanimidade e goza do reconhecimento geral.

Os princípios da moral comunista são princípios sinceros e têm base científica. A moral comunista, criada pelas necessidades da classe social mais avançada, sendo o reflexo fiel, completamente científico, de suas necessidades, é a moral que educa, ao contrário da moral burguesa, que degrada e degenera. Engels demonstrou que a única

"moral que contém em si os elementos mais numerosos, prenunciadores de uma longa existência e que exprime o futuro é a moral proletária"(7).

Na medida em que a moral comunista, proletária, exprime o ponto de vista do futuro, interfere, como ideal moral, na base científica. Kautsky afirmou que cada ideal moral, via de regra, não tinha base no conhecimento científico, mas isso não corresponde à verdade.

Na realidade, o ideal moral do comunismo baseia-se no conhecimento científico. O Partido Comunista, apoiando-se no conhecimento das leis da edificação do comunismo, define claramente as tarefas que deve cumprir para ensinar a moral comunista e formar o homem novo. Estas tarefas de ensino de moral comunista, propostas por nosso Partido, não são um ideal moral sedutor qualquer — têm suas raízes na própria realidade.

Em que se manifesta a moralidade comunista e que exige ela do homem?

Na sociedade socialista, o bem pessoal de cada um dos membros da sociedade é inseparável do bem geral de todos, o bem geral das classes trabalhadoras e de todo o povo soviético. Este caráter inseparável do interesse pessoal e do interesse social, além de estender-se a todas as esferas da vida e da atividade do homem, distingue-se pela sua continuidade.

Numa sociedade de classes antagonistas, há momentos em que os interesses individuais concordam com os interesses gerais, por exemplo quando a nação, o Estado, está ameaçado por um inimigo externo e que é do interesse de todos os patriotas se unirem para lutar contra o inimigo comum. Mas uma tal concordância de interesses privados e gerais é apenas transitória e termina logo que desaparece o perigo de uma invasão estrangeira.

Na sociedade socialista, a concordância entre os interesses de todos os seus membros, existe permanentemente pelo fato de que, em seu trabalho diário, o homem soviético tem nos outros trabalhadores — não concorrentes ou inimigos, mas camaradas e amigos.

Pela primeira vez na história da humanidade, o domínio do trabalho se tornou a arena em que se podem desenvolver e desenvolvem, as forças morais do indivíduo, sua dedicação à causa comum, seus esforços pessoais visando o progresso geral, sua ajuda aos que estão sendo superados, e sua própria aspiração em alcançar os melhores. Isto se aplica na emulação socialista que vê manifestar-se o alto valor moral dos homens, de forma diametralmente oposta à crueldade da concorrência, com seu princípio desumano; líquida aquele que ficou para trás, caminha sobre aquele que tombou.

Lênin nos ensinou que:

"O comunismo é a produtividade de operários voluntários, conscientes, unidos, dispondo de uma técnica de vanguarda; produtividade elevada em relação à produtividade do trabalho capitalista"(8).

As qualidades morais dos trabalhadores socialistas, baseadas na consciência profissional, na boa vontade e solidariedade dos operários, são os fatores decisivos de uma alta produtividade do trabalho. A moralidade comunista adquire assim o papel de fator extremamente poderoso de nossos progressos.

Hoje, nosso país começou uma nova era de desenvolvimento pacífico e realiza o programa grandioso da edificação econômica e cultural, fixado no novo plano qüinqüenal. A realização desse plano representa um passo a frente, e grande importância, no caminho da completa edificação da sociedade socialista e no caminho da passagem progressiva ao comunismo.

Na realização dessa obra, cabe importante tarefa ao Partido Comunista, que deve educar os trabalhadores de maneira comunista, que deve desenvolver o princípio da moral comunista e incorporá-la à vida.

Ensinar a moral comunista é, antes de tudo, educar os homens soviéticos, a juventude soviética em particular, no espírito de uma dedicação sem limites à causa do comunismo e de abnegação ao serviço da pátria socialista. Educar os trabalhadores de forma comunista, é inculcar no povo a dedicação à política do Estado Soviético, política que constitui a base vital do regime soviético. A educação é incompatível com a falta de espírito político.

Na resolução do Comitê Central do P. C. (b), relativa às revistas "Estrela" e "Lêningrado", observa-se:

"O regime soviético não pode aceitar que a juventude seja educada num espírito de indiferença diante da política soviética, num espírito de conformismo, falho de convicções".

Não se serve à causa do desenvolvimento e do fortalecimento da moralidade comunista senão dando convicções elevadas e a consciência do dever comum a todos os cidadãos.

A moral comunista, as idéias morais comunistas, que são idéias de vanguarda, possuem como todas as outras idéias de vanguarda, a virtude de fazer marchar para a frente a sociedade humana.

Sobre isso, ensina o camarada Stálin:

"As novas idéias e teorias sociais não surgem senão quando o desenvolvimento da vida material da sociedade colocou novas tarefas diante da sociedade. Mas, uma vez nascidas, elas tornam-se uma força muito importante que facilita a solução das novas tarefas colocadas na ordem do dia pelo desenvolvimento da vida material da sociedade e facilita os progressos da sociedade"(9).

O ensino da nova moral destina-se, em primeiro lugar, a reforçar a atitude socialista, em relação ao trabalho, a favorec«r o desenvolvimento da emulação socialista, aumentar a preocupação dos homens soviéticos pelo crescimento e consolidação do poderio econômico e militar da União Soviética. O novo e poderoso impulso da emulação socialista, dado em toda a União Soviética, sob a iniciativa dos trabalhadores das empresas de vanguarda, é uma brilhante demonstração do crescimento da consciência comunista dos homens de nosso país. Se não ensinarmos a moral comunista aos homens, é inútil falarmos da criação das condições necessárias para passar ao comunismo.

A questão do ensino da moral, do ensino da atitude socialista diante do trabalho e diante da propriedade sociaJ, tem ainda maior importância visto que os vestígios do capitalismo ainda não desapareceram da consciência dos homens e que o perigo da influência da psicologia da propriedade privada, hostil ao comunismo, não foi ainda liquidado em certas camadas da população. Deve-se igualmente ter em vista que nos anos de guerra, nas regiões ocupadas pelos alemães, a população foi submetida a uma propaganda fascista que tentou implantar o espírito adequado ao regime da propriedade privada, espírito hostil aos kolkozes e ao Estado.

Os delapidadores da propriedade social, que causam prejuízo ao Estado socialista com objetivos de lucros pessoais, ainda não desapareceram.

A luta contra esses violadores da lei do Estado deve ser severa e impiedosa. Nesta luta, a vigilância sempre desperta dos homens soviéticos perante os violadores das regras da comunidade socialista, que recorrem, com fins pessoais de lucros, a roubos, pilhagem, e cuja conduta criminosa causa prejuízo aos trabalhadores conscienciosos de nosso país, tem importância considerável.

A luta contra o relachamento pequeno burguês na produção e na administração uma atitude honesta em relação ao trabalho, uma atitude cuidadosa perante a propriedade socialista coletiva, o cuidado de fortalecer o poderio econômico e militar do país, são as principais exigências da moral comunista.

Não há nada mais progressista, mais digno dos esforços humanos do que servir ao comunismo, que é o regime social mais avançado e o mais justo. Servir com desinteresse à pátria socialista é a mais alta manifestação do dever moral. Por isso o patriotismo do homem soviético é a expressão mais completa e mais conseqüente de sua alta moralidade. Foi o que demonstrou, bem claramente, de forma desconhecida até ao presente, a guerra patriótica do povo soviético contra os conquistadores fascistas alemães, durante a qual se desenvolveram, em toda a sua magnificência, relações de alta moralidade entre os homens soviéticos. O patriotismo soviético é uma grande força moral e por essa razão é incompatível com o nacional-chovinismo; por isso também as tradições nacionais dos povos da URSS se misturam de modo harmonioso aos seus interesses vitais comuns. A moral soviética considera que toda demonstração de hostilidade ou de ódio para com os homens de outra nação é uma violação das mais grosseiras dessa moral.

Eis por que o fortalecimento ulterior da amizade entre os povos e a eliminação definitiva de todos os vestígios nacionalistas ocupam um lugar de destaque no ensino da moral comunista.

O camarada Stálin, mais de uma vez advertiu contra os vestígios vivos da psicologia nacionalista.

Escreveu ele:

"É necessário notar que os restos do capitalismo na consciência dos homens estão mais vivos no domínio da questão nacional do que em qualquer outra. São mais vivos nessa questão, porque têm a possibilidade de se fantasiar sob vestes nacionais"(10).

Os vestígios nacionalistas acabam sempre por se manifestar.

Isso se nota especialmente nas regiões que desde há pouco tempo fazem parte da União Soviética: nas Repúblicas do Báltico, na Moldávia, na Ucrânia e na Bielo-rússia Ocidental, onde é necessário realizar um grande trabalho de educação para eliminar os vestígios do nacionalismo burguês, assim como os vestígios do velho ódio nacional. O anti-semitismo também faz parte dos vestígios do chovinismo de raça.

O camarada Stálin ensina que:

"O chovinismo nacional e de raça é o vestígio dos caracteres misantrópicos próprios do perigo do canibalismo. O anti-semitismo, como forma extrema do chovinismo de raça, é o mais perigoso vestígio do canibalismo".

Uma das tarefas no ensino da moral comunista consiste em extirpar complementamente os restos dos preconceitos nacionalistas e de raça, em reforçar por todos os meios a amizade e o respeito mútuos entre os homens de diferentes nacionalidades, tendo em mente o que diz Stálin:

"a amizade entre os povos da URSS é uma grande e séria conquista, pois, enquanto esta amizade existir, os povos do nosso país serão livres e invencíveis".

O ensino da moral comunista é orientado para a criação de relações entre os homens, baseadas nos princípios do humanismo socialista. Estas relações devem estar impregnadas de um verdadeiro sentimento, humano, excluindo o interesse pessoal e o cálculo egoísta. A ajuda mútua, a amizade sincera, a camaradagem e o profundo respeito pela dignidade da personalidade humana devem ser o apanágio de todos os trabalhadores. A moral comunista exige que todas as manifestações de insensibilidade e de burocratismo sejam energicamente combatidas.

A conduta digna de um membro da sociedade comunista, no seio da família, é uma das partes integrantes da ética comunista. A moral comunista, que educa o homem como cidadão, como construtor ativo da nova sociedade, não é absolutamente indiferente à sua vida familiar. O governo soviético procura fortalecer a família soviética. Elevou a um nível extraordinário o título de mulher-mãe, criando as condições materiais necessárias para ajudar as mães de família numerosa.

Ensinar é também ajudar o fortalecimento da família soviética.

A destruição da propriedade privada dos meios ds produção e a libertação do trabalho de toda espécie de exploraçio são uma base firme para o desenvolvimento progressivo da moral comunista, para que os homens se libertem de todos os vestígios bestiais, incentivados e cultivados durante séculos e na sociedade de classes.

Dentro dos limites do capitalismo, é impossível dominar no homem os vestígios do animal. Aos homens que se preocupam com esta maldade, de que o mundo está cheio, mas que não compreendem ou não querem compreender que só a liquidação da exploração do homem pelo homem pode criar as condições necessárias para uma verdadeira existência humana, a esses homens nada mais resta a fazer do que se entregarem ao desespero e ao pessimismo sem saída.

Em nome deles, fala um dos personagens que Wells, o doutor Norbert, que em seu desespero, escreve:

"O homem ficará sempre como foi: eternamente bestial, invejoso, traiçoeiro, ávido! O homem, nu e sem polimento, é sempre o mesmo animal medroso, rosnento e feroz tal como era há centenas de milhares de anos. . . O que vos estou dizendo é uma verdade monstruosa".

Somente numa sociedade em que as classes exploradoras foram liquidadas e onde foram criadas condições de relações verdadeiramente humanas é que se abre de fato a possibilidade de destruir entre o homem os vestígios da besta. E, até certo ponto, isto é, facilitado pelo fato de que a cultura é accessível a todo o povo.

A sociedade soviética, sã, cheia de heroísmo no trabalho, sem cessar, criando o novo, é o mais favorável para o desenvolvimento de todas as qualidades morais do homem.

O desenvolvimento das novas qualidades morais efetua-se na luta contra as influências e as revivescências do passado.

As ervas daninhas da moral burguesa serão arrancadas, pois, como disse Gorki:

"Na União Soviética, a vontade do indivíduo acha-se limitada, sempre que é hostil à vontade da massa, consciente de seu direito de edificar as formas novas da vida, sempre que essa vontade do indivíduo é hostil à vontade da massa, que fixou para si um objetivo inaccessível ao indivíduo isolado, mesmo que seja dotado do gênio mais excepcional" (11).

O ensino da moral comunista, a educação dos homens no espírito da comunidade socialista, a despeito dos resultados importantes já obtidos neste caminho, não podem sem por um momento ser esquecidos enquanto, como observa Lênin:

"os homens não se tiverem habituado progressivamente a respeitar as regras elementares da vida em comum, já há séculos conhecidas, repetidas há milênios em todos os tratados sobre moral; enquanto não se acostumarem a respeitar sem imposição, sem submissão, sem o uso de aparelho especial de coerção, chamado Estado»"(12).

O ensino da moral comunista interessa à opinião pública soviética de modo geral, a todas as suas organizações e instituições (do Partido, das Juventudes Comunistas, dos Pioneiros, dos Sindicatos), assim como aos órgãos do Estado Soviético e ao Tribunal Soviético, que se baseia na opinião geral do povo, na defesa do direito soviético e que colabora no fortalecimento da moral comunista.

O portador das qualidades e virtudes morais mais elevadas e o educador do povo no espírito da moral comunista é o grande Partido de Lênin e Stálin.

A fisionomia moral do Partido Bolchevique revelou-se durante os longos anos de uma história heróica, durante os combates cruéis contra os inimigos, combates que exigiram dos bolcheviques uma força de caráter extraordinária.

Na luta e na edificação socialista, o Partido de Lênin e Stálin ensinou aos comunistas uma grande firmeza e um grande sangue-frio, a audácia e a coragem, a dedicação ilimitada à causa dos trabalhadores e ensinou-lhes também a se sacrificarem em nome da vitória do socialismo. O Partido de Lênin e Stálin educa os comunistas no amor à pátria, no ódio aos inimigos e na valentia no combate, na solidariedade entre camaradas e na vontade de vencer todas as dificuldades, na modéstia e no desprezo ao lucro e ao egoísmo, no desdém por tudo aquilo que opõe o individual ao geral. O Partido cultiva entre os comunistas uma alta ideologia, o espírito de princípio, a intolerância pelos erros, a atitude bolchevique diante da crítica e da autocrítica.

Estes traços da fisionomia moral do Partido Bolchevique servem igualmente de modelo à moral comunista; são a expressão dos princípios do código moral dos comunistas.

Só um tal partido, dotado das melhores qualidades dos heróis, combatendo pela verdade e a justiça, pode educar os milhões de trabalhadores no espírito da dedicação à causa do socialismo e aos interesses da pátria. O papel do Partido Bolchevique, inspirador das massas populares em seu trabalho e em seus atos, é verdadeiramente inestimável. As organizações do Partido têm como missão educar, sem descuido, suas próprias fileiras, no espírito da moralidade comunista e arrastar toda a massa de trabalhadores por seu próprio exemplo.

O papel da propaganda do Partido, notadamente da propaganda impressa, destinada a educar os homens no espírito do leninismo e elevar sempre mais, por conseqüência, sua consciência comunista e a implantar sempre mais amplamente e mais profundamente as bases da moral comunista, e particularmente grande na educação da juventude comunista.

A família e a escola têm um grande papel a desempenhar no ensino da moral comunista. A família lança as bases na formação da fisionomia moral do homem. A família sempre desempenhou um papel educativo imenso; colocou seu timbre na psique da criança, em sua conduta, em sua formação, seus hábitos e aspirações. A família soviética deve ser o auxiliar ativo do Partido e do governo soviético na educação comunista da consciência dos homens.

Não é necessário trazer esclarecimento especial para compreender o papel que a escola e os pedagogos soviéticos têm que desempenhar para forjar o modelo do pensamento e da conduta comunistas dos homens. A influência pessoal do mestre, do pedagogo é, por vezes, tão grande que deixa um traço profundo, e para toda a vida, na alma do homem. O pedagogo soviético tem a felicidade de cultivar no homem algo de verdadeiramente humano, que corresponde justamente à expectativa do professor destinado a desenvolver as forças morais e intelectuais do homem. Por isso a responsabilidade do pedagogo soviético é tão grande, por isso seu papel é tão relevante na edificação da sociedade comunista.

A literatura e a arte soviéticas desempenham grande papel no ensino da moral comunista.

A literatura russa do século XIX e do início do século XX adquiriu fama mundial pelo fato de ser a expressão clara da consciência social. A literatura russa mereceu esta alta classificação pela profundeza ideológica com que se manifestou contra as vilanias, da antiga sociedade, denunciando inflexivelmente a mentira e a hipocrisia da moral feudal e burguesa, partindo a máscara de todos os que sufocavam a liberdade de nosso país, e revelando toda a sordidez que reinava então na sociedade.

A literatura soviética, herdeira ideológica das melhores tradições da literatura clássica russa, tem uma tarefa criadora a cumprir: a de educar o homem novo. A literatura soviética reflete na arte, o processo grandioso da edificação da sociedade comunista, o processo de transformação da consciência dos homens e coopera para cultivar neles novas e altas qualidades morais.

Durante a grande guerra patriótica, que exigiu a mobilização de todas as forças morais do povo soviético, nossos escritores produziram inúmeras obras de valor, que refletem a superioridade moral e a grandeza dos homens soviéticos, as quais contribuíram seriamente para a educação de milhões de leitores soviéticos.

A literatura soviética e a arte soviética destinam-se, hoje, na nova conjuntura, a levantar bem alto a bandeira da educação comunista dos homens.

A literatura e arte soviéticas devem refletir, sob formas artísticas, tudo o que há de heróico e de criador na vida dos povos soviéticos, formá-los nos exemplos de heroísmo, no combate, no trabalho e nas manifestações de um verdadeiro humanismo.

A literatura e a arte soviéticas devem desempenhar um grande papel na luta contra os remanescentes do capitalismo na consciência dos homens, revelar as manifestações da instabilidade moral, da psicologia ligada à propriedade privada, da dissolução pequeno-burguesa dos costumes e da indisciplina anarquista dos "defensores das tradições do capitalismo".

A literatura soviética deve possuir uma alta ideologia e tomar por guia a política do Estado soviético.

A resolução do Comitê Central do P. C. (b), de 14 de agosto de 1946, acentua:

"A força da literatura soviética, a literatura mais avançada do mundo, está no fato de que não tem, nem pode ter outros interesses do que os interesses do povo e do Estado. A tarefa da literatura soviética consiste em ajudar o Estado, a educar bem a juventude, responder às necessidades, formar uma nova geração de homens ardentes, confiantes em sua obra, não temendo as dificuldades e dispostos a vencê-las todas, quaisquer que sejam. Por essa razão a falta de ideologia, o caráter apolítico, "a arte pela arte", são estranhos à literatura soviética, são prejudiciais aos interesses do povo e do Estado soviéticos e não devem ter lugar em nossas revistas".

A arte dramática soviética, o teatro, devem desempenhar grande papel educativo. Todo mundo sabe o quanto as representações cênicas têm o poder de impressionar. É claro que a questão do repertório tem uma importância primordial. Se começarmos a fazer prevalecer no teatro as peças dos autores burgueses, no gênero das peças de Moguem, se não dermos uma atenção limitada às peças que têm um tema do passado longínquo, portanto relativas à vida das camadas superiores da antiga sociedade e representando os hábitos, os costumes e as opiniões dos parasitas, é claro que nesse caso, o teatro, o propagador da cultura socialista e da moral comunista, se transforma numa instituição que arrastará o espetáculo soviético para a moral e a ideologia do inimigo.

Os homens soviéticos têm necessidade de peças saturadas de um conteúdo ideológico elevado e que reflitam a verdade magnífica de nossa vida. Temos necessidade de peças que cultivem entre os homens soviéticos os pensamentos, os sentimentos, os traços de caráter novos e que lhes mostrem as novas normas de conduta dos homens.

O cinema tem excepcional importância como instrumento de combate ideológico de nosso Partido e do Estado soviético na formação cultural e política do povo. O que distingue o cinema soviético, o que o coloca bem acima da cinematografia estrangeira, é seu valor ideológico. É inadmissível encontrar no cinema soviético, a arte de massa por excelência, a ausência de conteúdo político, o abandono da atualidade e a fuga para o passado distante, assim como uma atração desmedida pelas produções literárias e dramáticas antigas.

O cinema deve ser estreitamente ligado à vida, à atualidade soviética e ser seu fiel reflexo. Isto exige dos diretores uma grande probidade na elaboração do tema.

0 filme feito às pressas, sem um conhecimento bastante profundo da vida soviética, sem um estudo atento dos caracteres, do meio representado, faz surgir a realidade sob uma forma desfigurada e tolhe a educação política justa das massas.

Só os filmes que são profundamente ligados à realidade soviética, que são o fruto do estudo consciencioso desta realidade e que a refletem com veracidade, sob uma forma artística, podem servir com maior êxito à causa da educação comunista.

Na hora presente, quando nosso povo sofreu com heroísmo a prova cruel da guerra e obteve uma vitória sem par na história, devemos estar especialmente vigilantes às manifestações de auto-suficiência, capazes de prejudicar o desenvolvimento ulterior da sociedade soviética.

Novas tarefas exigem de nós um novo impulso ds nossas forças, exigem que vençamos novas dificuldades que se apresentam diante do país.

Para cumprirmos essas tarefas com êxito, é necessário elevar a educação comunista das massas, ensinar-lhes a moral comunista, ensinar-lhes, em suma a servir com desinteresse à pátria e a causa do comunismo.

Fernando A. S. Araújo

Notas:

(1) Karl Marx e F. Engels — "Obras", vol. XIV, pág. 94 — Edição russa Moscou.
(2) Lênin — "Obras", vol. XXV, pás;. 393 — Edição russa — Moscou.
(3) Karl Marx — "Obras", vol. III, pág. 661 — Edição russa — Moscou.
(4) Lênin — "Obras", vol. XXX, pás. 41S — Edição russa. Moscou.
(5) Stálin "Obras", vol. I, pág. 338 — Edição russa — Moscou.
(6)Lênin "Obras", vol. XXIV, pág. 342 — Edição russa — Moscou.
(7) Marx e Engels — "Obras", vol. XIV, pág. 93 — Edição russa — Moscou.
(8) Lênin — "Obras", vol. XXIV, pág. 342 — Edição russa — Moscou.
(9) Stálin — "Questões do Lêninismo", págs. 546 e 547 — 11.ª edição russa — Moscou.
(10) Stálin — "Questões do Leninismo", pág. 474 — Edição russa — Moscou.
(11) Máximo Gorki — "Se o inimigo não se entrega, esmagá-lo-emos", pág. 186 — Edição russa — Moscou.
(12) Lênin — "Obras", vol. XXI, pág. 431 — Edição russa — Moscou.

Fonte: www.marxists.org

Comunismo

História do PCB

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

A trajetória do Partido Comunista do Brasil (PCB), fundado em 25 de março de 1922, é parte constitutiva da história do Brasil moderno. Se, na sua gênese, convergiram os ideais libertários do nascente proletariado, no seu desenvolvimento e consolidação com a força e referencial político foram sintetizados os processos de maturação do conjunto dos trabalhadores e do melhor da cultura brasileira - quando se tornou um verdadeiro partido nacional de massas, no imediato pós-guerra, o PCB revelou-se a instância de universalização de uma vontade política que fundia o mundo do trabalho com o mundo cultural.

Intelectuais do porte de Astrojildo Pereira ( um de seus fundadores), Caio Prado Jr., Graciliano Ramos e Mário Schenberg vinculavam-se aos projetos sociocêntricos que tinham nas camadas proletárias o sujeito real da intervenção social.

Se a história do PCB foi marcada por uma sistemática repressão, que compeliu à clandestinidade por mais de um quinto de sua existência e que entregou ao povo brasileiro boa parte de seus maiores heróis do século XX, nem por isto o PCB foi um partido marginal ao contrário: da década de vinte aos dias atuais, os comunistas - com seus acertos e erros, mas especialmente com sua profunda ligação aos interesses históricos das massas trabalhadoras brasileiras - participaram ativamente da dinâmica sócio-política e cultural do país. Por isto mesmo, resgatar a história do PCB é recuperar a memória de um Brasil insurgente e comprovar que só pode fazer futuro quem tem lastro no passado. Esta história, através de seus momentos mais significativos, pode ser visualizada em sete momentos que, distintos, compõem uma unidade essencial - a unidade tecida pelo fio vermelho do compromisso socialista.

Os Primeiros Anos

Os primeiros anos, que vão da fundação do Partido a 1930, assinalam o esforço de criar ao país uma cultura socialista e um modo proletário de fazer política - recorde-se que, ao contrário de outros países, o brasil não teve, antes de 1922, qualquer experiência partidária anti-capitalista de alguma significância (excetuada a pioneira ação dos anarquistas, cujo protagonismo esgotou-se coma greve geral de 1917).

Nestes anos, realizando três congressos ( o de fundação, em 1922 e os de 1925 e 1928/29) e já operando na clandestinidade, o PCB dá conta da sua dupla tarefa: de um lado, traduz e divulga o Manifesto do Partido Comunista e lança o jornal A Classe Operária; de outro, dinamiza o movimento sindical com uma perspectiva classista e insere-se no cenário da política institucional, através do Bloco Operário Camponês. Em 1930, reconhecido pela Internacional Comunista e tendo criado a sua Juventude Comunista, o PCB já multiplicou por quinze os 73 militantes de 1922.

1930-1942 - Anos de crescimento e derrota

A década de trinta marca dois movimentos na trajetória do PCB: o primeiro, até 1935, de fluxo; o segundo, até 1942, de refluxo - ambos compreensíveis na moldura das transformações que a sociedade brasileira vive com a chamada Revolução de 1930, que pôs fim à Primeira República e abriu o ciclo varguista.

Mesmo sem um programa visível no processo que derrubou a republica oligárquica, o PCB logo se coloca como uma força política importante nesta nova quadra da história brasileira: é a organização que mais coerentemente enfrenta a maré-montante do integralismo, simulacro nacional do fascismo que crescia no mundo.

Já contando em suas fileiras com o concurso de Luís Carlos Prestes - que haveria de se tronar o seu dirigente mais conhecido - o PCB articula uma grande frente nacional antifascista, propondo à sociedade um projeto de desenvolvimento democrático, antiimperialista e anti-latinfundiário: o Partido é o núcleo dinâmico da aliança Libertadora Nacional que, posta na ilegalidade, promove a insurreição de novembro de 1935.

Derrotada a insurreição, abate-se sobre o país uma vaga repressiva, que atinge o campo democrático, mas especialmente o PCB que, até inícios dos anos quarenta, viverá os seus piores dias, inclusive com prisões sucessivas de seu núcleo dirigente.

Mas nem essa duríssima clandestinidade impediu que os comunistas cumprissem com seus compromissos, até mesmo os internacionalistas: o PCB não só organizou a solidariedade à República Espanhola como, ainda, enviou combatente para as Brigadas Internacionais.

Reorganização e Legalidade

Um Partido de Massas (1943-1947)

As conjunturas nacional e internacional (recorde-se a derrota fascista de Stalingrado) favoreceram a ação dos democratas brasileiros na abertura dos anos quarenta e, como força inserida no campo da democracia, os comunistas têm então possibilidade de intervenção.

Recuperando-se das perdas orgânicas dos anos imediatamente anteriores, o PCB - que exigira a participação do Brasil na guerra contra o nazi-facismo e orientara seus militantes a se incorporarem na força Expedicionária Brasileira ( e muitos deles voltarão do campo de batalha reconhecidos oficialmente como heróis) - se reestrutura, com a célebre Conferência da Mantiqueira ( agosto de 1943). a Partir dela, o Partido conquista espaços na vida política e, quando da redemocratização, cujo marco é 1945, torna-se um partido nacional de massas (200.000 filiados em 1947) - conquistando então sua plena legalidade, constitui significativa bancada parlamentar e é a vanguarda democrática na Assembléia Nacional Constituinte. Protagonista essencial dos processos da sociedade civil democratizada, o PCB centraliza o movimento sindical classista, cria uma notável estrutura editorial e jornalística e empolga a intelectualidade democrática.

Mas este movimento de afirmação política é brutalmente interrompido pela Guerra Fria: entre 1947 e 1948, o Partido é posto na ilegalidade e perseguido.

Clandestinidade e Crise

1948-1956/57

Compelido à clandestinidade, o PCB responde à truculência do governo do Marechal Dutra com um política estreita e sectária (expressa nos Manifestos de 1948 e 1950), o que conduz os comunistas a um profundo isolamento - implicando em enorme perda orgânica em fins de 1950, o efetivo partidário era dez vezes menor que o de 1947. O sectarismo então dominante no interior do PCB impediu o Partido de compreender os dados novos da conjuntura nacional, especialmente o caráter do governo que Vargas chefia, a partir de 1951. A crise que leva Vargas ao suicídio ( agosto de 1954) sequer repercute no IV Congresso do PCB (novembro de 1954), que reafirma a linha política que vinha de 1950.

As tensões explodem em 1956, com o impacto do XX congresso do PCUS Stalin cataliza: a denúncia do chamado "culto a personalidade de Stalin" cataliza, no interior do PCB, a emersão de divergências e conflitos reprimidos por uma década. Abre-se uma profunda crise no Partido, sem dúvidas a maior de sua história, mas que será positivamente superada.

Racha do PCB

Início 1958-1964

A crise que se seguiu ao impacto causado pelo XX Congresso do PCUS ( na qual, além de um número expressivo de militantes, o PCB perdeu importantes dirigentes e quadros intelectuais) começou a ser superada em março de 1958, quando se divulga a Declaração Política que, ultrapassando o sectarismo anterior, propõe uma nova perspectiva política para a ação dos comunistas, A Declaração, rompendo com viesses golpistas, vincula a conquista do socialismo à ampliação dos espaços democráticos e formula uma estratégia revolucionária de longo prazo. o V Congresso do PCB ( setembro de 1960) consolida esta orientação e põe como tarefa imediata a conquista da legalidade, para que o Partido se adequa juridicamente ( inclusive com a mudança de sua designação - de Partido Comunista do Brasil para Partido Comunista Brasileiro. Posteriormente, a sigla do PCdoB seria restaurada por dirigentes e militantes comunistas que, pretendendo manter as concepções do período do "culto à personalidade", saíram do Partido e criaram em fevereiro de 1962, uma outra organização, que haveria de se vincular sucessivamente, ao maoísmo e ao hoxismo).

Com esta orientação, o PCB(já Partido Comunista Brasileiro) experimenta grande crescimento e, renovando amplamente o seu contingente de militante, passa a exercer papel hegemônico na intelectualidade de esquerda, mas, principalmente, aumenta sua influência no movimento sindical, articulando alianças amplas e flexíveis, que se mostraram eficazes em conjunturas políticas difíceis( como, por exemplo, a posse de João Goulart, em setembro de 1961). entretanto, o golpe de abril de 1964 - que não encontrou nem as forças democráticas, nem o Partido com condições de resistência imediata - impôs ao PCB mais um período de clandestinidade.

A Repressão e Exílio

A brutal repressão que se seguiu ao golpe, afetando o conjunto das forças democráticas, atingiu fortemente o PCB. O Partido, porém, logo se recompôs e definiu uma linha de ação anti-ditatorial centrada na recusa de quaisquer propostas que não envolvessem ações políticas de massas ( esta recusa ao foquismo e às várias formas de intervenção armada e de esquerdismo custou ao PCB a perda de importantes dirigentes revolucionários - entre outros, Carlos Marighela, Mário Alves, Jacob Gorender e Apolônio de Carvalho). Mas esta orientação foi ratificada no VI Congresso que o PCB numa vitória contra a ditadura realizou em dezembro de 1967.

Os anos seguintes, balizados pela fascistização do regime ditatorial (mormente a partir do Ato Institucional no. 5 , de dezembro de 1968), marcaram, paradoxalmente, a comprovação do acerto da estratégia política do PCB e sua vulnerabilidade orgânica à repressão. ao mesmo tempo em que a combinação da ação política clandestina com a utilização dos espaços legais ( especialmente através da animação do movimento oposicionista que se abrigava no Movimento Democrático Brasileiro) revelava-se a forma correta de isolar o regime ditatorial, o PCB era violentamente golpeado- entre 1973 a 1975, um terço de seu comitê Central foi assassinado pela repressão e milhares de militantes submetidos à tortura e, nalguns casos, à morte ( entre os quais o jornalista Vladimir Herzog e o operário Manuel Fiel Filho). Isto obrigou a que, pela primeira vez em sua história, o Partido tivesse parte de sua direção obrigada a rumar para o exílio. Nem por isto, contudo, os comunistas deixaram de intervir ativamente na vida brasileira, desenvolvendo uma política que privilegiava a unidade das forças democráticas.

Assim, com a conquista da anistia (que, desde 1967, juntamente com a convocação de uma Assembléia Nacional constituinte, fazia parte do programa que o PCB apresentava ao conjunto das forças de oposição), em setembro de 1979, o retorno de dirigentes e militantes que estavam no exterior e a volta à vida social de quadros que estavam na clandestinidade foram um elemento central na dinamização da luta contra a ditadura em sua crise evidente.

A Reconquista da Legalidade e a Crise: 1979-1992

Reestruturando-se em todo o país, entre 1979 e 1982, o PCB realizou em dezembro deste ano o seu VII Congresso, que formulou uma linha política para as novas condições da sociedade brasileira - sob o título "Uma alternativa democrática para a crise brasileira", o PCB reatualizava o seu projeto de tronar-se um partido nacional de massas vinculando organicamente o objetivo socialista a um democracia de massas a ser construída no respeito ao pluralismo e nos valores fundamentais da liberdade. Entretanto, o Partido, no encaminhamento deste Congresso, vira-se mais uma vez engolfado por lutas internas de graves conseqüências. Por uma parte, seu líder histórico, Luis Carlos Prestes, divergindo da orientação coletiva, excluíra-se do conjunto partidário; de outra, significativos representantes da intelectualidade comunista, isolados no processo congressual, afastaram-se do PCB.

Mesmo assim, tendo em sua direção o velho revolucionário Giocondo Dias, o Partido registrou ganhos na cena política, apesar de muito enfraquecido no interior dos movimentos sociais ( especialmente no interior do movimento operário, no qual sua palavra-de-ordem de unidade sindical viu-se amplamente problematizada).

Esta débil inserção nos movimentos sociais acabaria por fragilizar a intervenção política do PCB, apesar da sua relevância nas articulações institucionais da esquerda e do campo democrático: assim, no decurso da derrota da ditadura e da transição democrática, o Partido não se afirmou como organização de massas.

O VIII Congresso ( Extraordinário), já realizado sob condições de legalidade, em julho de 1987, não fez avançar o PCB: importantes questões táticas ( por exemplo, a intervenção sindical e os sistemas de aliança) e estratégicas ( o próprio formato da organização partidária, a concepção de um caminho brasileiro para o socialismo) não foram efetivamente equacionadas. Uma crise molecular erodia o conjunto partidário, expressa na estagnação do contingente de militantes, na ineficiência dos instrumentos partidários ( o semanário Voz da Unidade, que substituíra o clandestino Voz Operária, assim como todas as publicações da Editora Novos Rumos, não eram legitimados pela militância), na perda de gravitação no movimento sindical e na pobreza dos resultados eleitorais.

O IX Congresso, levado a cabo (1990) na seqüência da queda do Muro, não encaminhou nenhuma solução concreta para esta problemática, que apontava para a transformação do PCB num partido residual.

A crise explode, enfim, no X Congresso ( janeiro de 1992); entre uma maioria numérica que opta por capitular frente à ofensiva neoliberal e trata de adaptar-se a um novo ciclo da hegemonia burguesa e uma minoria ideológica que pretende ser a herdeira das tradições revolucionárias de 1922 - isto é, entre os que criam o Partido Popular Socialista - PPS e aqueles que reclamam a continuidade do PCB - abre-se uma fratura intransponível. E o Legado político da mais antiga e respeitável sigla da esquerda brasileira passa a ser objeto de disputa. Ao longo de mais de sete décadas, o PCB não é somente um referencial e um acervo da esquerda brasileira. Antes, configura a instauração de uma tradição socialista teórico-prática que, com suas conquistas e suas fragilidades, honra e dignifica os empenhos dos patriotas e dos democratas deste país.

Na sua história de êxitos e fracassos, de heroísmo e de sangue, mas também de antecipações e promessas, o PCB, construído pelas mãos anônimas de seus militantes, é a prova viva de que é somente no mundo do trabalho, como Karl Marx descobriu, que a humanidade pode encontrar as energias e as esperanças para, na perspectiva do comunismo, derrotar a barbárie.

João Amazonas

Comunismo
João Amazonas - na tribuna do 10º Congresso do PC do B, 2001

Durante o 10º Congresso do Partido Comunista do Brasil, realizado em dezembro de 2001, João Amazonas pediu para não ser reeleito para o cargo de presidente do Partido. Foi atendido, mas o plenário do Congresso também encontrou uma forma para, compreendendo as limitações físicas decorrentes da idade avançada e da saúde frágil, indicar que João Amazonas continuava sendo o principal dirigente comunista brasileiro, cuja autoridade moral era reconhecida e acatada nos meios políticos avançados, progressistas e revolucionários de nosso país.

Aquele acontecimento teve também outro significado: o da tarefa cumprida.

A eleição unânime de Renato Rabelo como presidente do PCdoB e de João Amazonas como seu presidente de honra sinalizaram a maturidade política e ideológica alcançada sob sua direção. Este feito histórico foi resultado, também, do trabalho e da liderança de João Amazonas.

De uma atividade cujo ponto final ocorreu no dia 27 de maio, às 14h55, quando faleceu o presidente de honra do Partido Comunista do Brasil, PCdoB, João Amazonas de Souza Pedroso. Ele tinha 90 anos de idade, e estava internado desde o dia 21, no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, com um quadro de insuficiência respiratória. Seu último pedido manifestou a vontade de que seu corpo, velado no Hall Monumental da Assembléia Legislativa de São Paulo, fosse cremado e as cinzas lançadas na região do Araguaia, onde foi um dos organizadores da guerrilha que enfrentou o governo militar nos anos 1970.

Maior dirigente comunista brasileiro

Para Renato Rabelo, presidente do PCdoB, João Amazonas é insubstituível: "É o nosso grande ideólogo", afirmou na plenária final do 10º Congresso do PCdoB, em dezembro último.

Amazonas "jogou um papel chave durante o apogeu e o declínio nas experiências socialistas do século 20 e no processo de redemocratização do nosso país". Sintetizando a sua avaliação, afirmou: João Amazonas "é o maior dirigente comunista brasileiro, por sua trajetória e pelo papel que desempenhou em nossa história."

Amazonas ingressou no Partido Comunista do Brasil em 1935 e integrou sua direção nacional a partir de 1943. Foi eleito deputado constituinte em 1945, exerceu o mandato até 1948, quando foi cassado após a cassação do registro do Partido, em 1947. Em 1962, em conjunto com outras lideranças, reorganizou o Partido Comunista do Brasil em resposta às ações de uma corrente reformista que pretendia liquidar o Partido enquanto uma organização revolucionária.

João Amazonas de Souza Pedroso nasceu no dia 1º de janeiro de 1912, em Belém do Pará. Filho de família modesta, desde muito cedo se rebelou contra as péssimas condições de vida e de trabalho da classe operária de sua cidade.

O ingresso no Partido

Em 1935, aos 23 anos, assistiu a um comício da Aliança Nacional Libertadora (ANL) no Largo da Pólvora, em Belém, e aderiu ao movimento. Foi imediatamente convidado a participar da Juventude Comunista e, poucos dias depois, ingressava no Partido Comunista do Brasil.

Sua primeira tarefa militante foi organizar uma célula na fábrica onde trabalhava. A partir desse núcleo, partiu para a organização de um sindicato da categoria. Em seguida foi eleito delegado na União dos Proletários de Belém. Este envolvimento lhe acarretou a sua primeira prisão, que durou 15 dias. No início de 1936 a polícia realizou várias prisões de integrantes da ANL, colocada na ilegalidade após o levante de 1935. João Amazonas e seu camarada Pedro Pomar foram encarcerados. Na cadeia, realizaram uma greve de fome contra os maus tratos e ministraram aulas de marxismo-leninismo aos demais companheiros. Em junho de 1937, foram julgados e absolvidos por falta de provas. Em novembro ocorreu o golpe de Estado que implantou a ditadura do Estado Novo. Amazonas e Pomar entraram na clandestinidade.

CC, MUT e Constituinte

Em setembro de 1940 Amazonas foi preso outra vez, com vários outros dirigentes do Partido Comunista do Brasil no Pará. Fugiram da prisão em agosto de 1941. Amazonas e Pomar fizeram uma difícil viagem até o Rio de Janeiro, onde chegaram em setembro desse mesmo ano. No então Distrito Federal, entraram em contato com dirigentes do Partido. Nos fins de 1941 Amazonas foi a Minas Gerais, onde ficou por dois anos. Depois seguiu para o sul do país. Esteve no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Sua grande missão era reorganizar os comunistas nesses Estados, criando as condições para a realização da conferência que iria reorganizar o Partido Comunista do Brasil, convocada pela Comissão Nacional de Organização Provisória e conhecida como "Conferência da Mantiqueira", realizada em agosto de 1943 na mais completa clandestinidade. Nela, João Amazonas foi eleito membro do Comitê Central e passou a compor a comissão executiva e o secretariado, ficando responsável pelo trabalho sindical e de massas. Foi um dos organizadores e um dos principais dirigentes do Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT), em 1945. Em dezembro do mesmo ano foi eleito deputado federal constituinte com uma das maiores votações do Distrito Federal.

Na Assembléia Nacional Constituinte atuou em torno de questões como direito de greve, liberdade e unicidade sindical, Justiça do Trabalho e em defesa das lutas dos trabalhadores por melhores condições de vida e de trabalho. Após a cassação dos mandatos, em 1948, João Amazonas e os demais membros da comissão executiva do Partido entram na clandestinidade.

Luta anti-revisionista

A partir da segunda metade de 1950, Amazonas participou ativamente da luta contra o surto reformista que atingiu o Partido após o 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1956. Em 1957, por suas posições contrárias às teses reformistas que vinham ganhando corpo na direção do Partido, João Amazonas, Maurício Grabois, Diógenes Arruda, Sérgio Holmos e Pedro Pomar foram destituídos da comissão executiva e do secretariado do Comitê Central.

Começavam, assim, a se definir nitidamente duas tendências no interior do Partido: uma reformista e outra revolucionária. Elas iriam se enfrentar duramente nos debates preparatórios do 5º Congresso do PCB, que decidiu pelo afastamento de João Amazonas, Maurício Grabois, Diógenes Arruda e Orlando Pioto do Comitê Central do Partido. A divergência chegou ao ponto de ruptura em setembro de 1961 quando, passando por cima das decisões do 5º Congresso e da legalidade partidária, a direção reformista decidiu mudar o programa e os Estatutos do Partido, e adotou novo nome criando, na prática, uma nova organização, o Partido Comunista Brasileiro.

Liderando a reorganização

A liderança revolucionária não aceitou essas decisões. Protestou contra elas mas, sem encontrar eco na direção reformista, convocou a Conferência Extraordinária de 18 de fevereiro de 1962, que decidiu pela reorganização do Partido, mantendo seu nome tradicional (Partido Comunista do Brasil) e adotando a sigla PCdoB.

João Amazonas, Maurício Grabois, Pedro Pomar, Elza Monnerat, e outros, lideraram esse acontecimento de alcance histórico e internacional: o PC do Brasil foi o primeiro partido fora do poder a romper com a linha política reformista imposta pela direção do PCUS.

Em 1964, as teses reformistas do PC Brasileiro foram derrotadas com golpe militar. O PC Brasileiro entrou em processo de desagregação interna, e confirmou muitas das teses defendidas por João Amazonas e seus camaradas do PCdoB. Amazonas então se projetou como um dos principais dirigentes de uma nova corrente do movimento comunista internacional, que se opunha ao revisionismo soviético.

Esteve em Cuba, após a reorganização do Partido em 1962. Esteve depois na Albânia, primeira de várias outras visitas onde estabeleceu laços fraternais com os dirigentes comunistas albaneses, especialmente Enver Hoxha, e na China, onde foi recebido pessoalmente por Mao Tsetung.

A Guerrilha do Araguaia

Entre 1968 e 1972, Amazonas participou ativamente da organização da Guerrilha do Araguaia, o principal movimento de contestação armada ao regime militar.

No final de fevereiro de 1972 ele saiu da região para participar da reunião do Comitê Central onde se debateria o documento "Cinqüenta anos de luta", escrito por ele e Grabois nas selvas do Araguaia, e se comemoraria este importante acontecimento (o 50º aniversário do Partido). Amazonas voltava para a região quando foi surpreendido pela ofensiva do Exército que tornou impossível seu retorno para a área e fechou os caminhos de sua reintegração à guerrilha.

A eclosão da Guerrilha levou a um aumento, sem precedente, das perseguições aos dirigentes do PCdoB. Na manhã do dia 16 de dezembro de 1976 desenrolou-se o último ato da tragédia arquitetada pelos militares de eliminar a direção comunista. A casa, no bairro da Lapa, em São Paulo, onde havia se realizado uma reunião do Comitê Central, foi cercada e metralhada pela repressão. Neste dia foram friamente assassinados três dirigentes comunistas. Cerca de uma dezena de dirigentes comunistas também foram presos e torturados.

Um dos objetivos daquela operação do Exército era a eliminação física de Amazonas que, no entanto, estava no exterior, representando o Partido.

Aquele objetivo foi reconhecido, mais tarde, pelo então comandante do II Exército, sediado em São Paulo, general Dilermando Monteiro, em entrevista à revista IstoÉ: "Nós descobrimos que naquele dia iria haver uma reunião em tal lugar, com a presença de tais e tais elementos, e aí fomos um pouco embromados, porque constava para nós que o João Amazonas estaria presente e o mesmo estava na Albânia, mas para nós ele estaria presente naquela reunião." Exilado, Amazonas só voltou ao país com a anistia, em 1979.

Erguendo a bandeira da democracia

Amazonas foi sempre um opositor radical da ditadura militar e por isso mesmo foi odiado por ela. Nas selvas do Araguaia, procurando organizar a resistência armada, nos palanques da campanha das diretas ou nas articulações que levaram à escolha de um candidato único das oposições, para derrotar o candidato da ditadura no Colégio Eleitoral, lá estava o velho combatente comunista. Quando a emenda das Diretas-já foi derrotada no Congresso dominado por parlamentares ligados à ditadura, Amazonas foi a Minas Gerais conversar com o governador Tancredo Neves, para convencê-lo a enfrentar Paulo Maluf no Colégio Eleitoral.

Amazonas foi um ardoroso defensor da unidade das forças progressistas e um dos artífices da Frente Brasil Popular em 1989. Compreendeu que, com a derrota de Lula e a vitória de Collor, a luta contra o neoliberalismo adquiriu centralidade na tática e na estratégia das forças democráticas, populares e revolucionárias. O PCdoB, com Amazonas à frente, defendeu a palavra-de-ordem Fora Collor!, que empolgou a juventude brasileira e levou ao impedimento do presidente da República.

Mas a derrota de Collor não representou a derrota definitiva do neoliberalismo em nosso país. Com a vitória de FHC, o projeto recobrou o seu fôlego. Amazonas defendeu então a formação de uma ampla frente oposicionista, que tivesse como núcleo as forças de esquerda. Uma frente que se constituísse através de um programa nacional e democrático que apontasse para a superação do neoliberalismo e se sustentasse num amplo movimento de massas.

Ação internacional

No entanto, as suas contribuições políticas e teóricas não se reduzem apenas ao Brasil. Desde o final da década de 80 João Amazonas foi um dos poucos que se colocou contra a política adotada por Gorbachev, denunciando-a como uma via de consolidação do retorno da URSS ao capitalismo. Após o fim da experiência soviética, Amazonas conclamou a esquerda revolucionária a um profundo balanço crítico dessas experiências, a refletir sobre as derrotas, mas sem capitular. Sem fazer concessões de princípios à maré social-democratizante que estava levando ao aniquilamento vários partidos que se proclamavam comunistas.

Amazonas, de maneira ousada, propôs a unidade das diversas organizações que ainda mantinham e reafirmavam sua identidade comunista. Diante da ofensiva mundial do imperialismo era preciso vencer o sectarismo e construir a unidade sobre novas bases. Esta seria mais uma de suas importantes contribuições para reorganização do movimento comunista internacional.

Promessa cumprida

João Amazonas conduziu o Partido Comunista do Brasil em meio ao mar turbulento das lutas ideológicas, contra adversários bem mais fortes, que pareciam invencíveis. O seu pequeno PCdoB venceu essas lutas, expandiu-se e consolidou-se. O Partido, dirigido por ele, enfrentou a ditadura militar, enfrentou a crise das experiências socialistas, e enfrentou com coragem e firmeza os dez anos de ofensiva neoliberal no Brasil. O PCdoB se desenvolveu e se constituiu numa força respeitada no cenário político nacional e dentro do movimento comunista internacional.

O legado de Amazonas é a luta pela democracia, pela soberania nacional e a defesa do proletariado e do socialismo. Ele foi o ideólogo e o construtor do Partido Comunista do Brasil. Sempre defendeu a unidade do povo e das correntes democráticas e populares. Como afirmou no discurso com que se despediu do cargo de presidente do Partido, pronunciado na tribuna do 10º Congresso do PCdoB, nunca se aposentou. "Não peço aposentadoria. Continuarei lutando no nosso glorioso e heróico PCdoB". Ele cumpriu essa promessa.

Pedro Pomar

Comunismo
Pedro Pomar

Nascido a 23 de setembro de 1913, na cidade de Óbidos (Pará), Pedro Pomar foi o primeiro filho de Felipe Cossio Pomar e Rosa de Araújo Pomar. Seu pai, pintor e escritor peruano, foi criador do APRA (Aliança Para a Revolução Americana). A mãe, Rosa, era maranhense, tendo ido para Óbidos quando seu pai, subtenente, foi transferido para o Batalhão de Artilharia.

Em 1918, quando Pedro tinha 5 anos, a família fez uma viagem aos Estados Unidos. Moraram em Nova Iorque. Um ano depois, o casal se separou.

Rosa encarregou-se, então, de sustentar sozinha, como costureira, os três filhos: Pedro, Roman e Eduardo.

Com 13 anos, Pedro saiu de Óbidos, sozinho, para fazer o ginásio em Belém, onde se envolveu na movimentação política dos anos 30.

Em setembro de 1932, participou ativamente da organização de um levante armado em apoio aos constitucionalistas de São Paulo. Esmagada a revolta, passou algum tempo no Rio de Janeiro, depois retornou a Belém, onde concluiu o ginásio.

Não se sabe ao certo quando Pomar passou a integrar as fileiras do PCB, mas é certo que foi recrutado pela escritora Eneida de Moraes.

Aos 19 anos, entrou para a Faculdade de Medicina. Nessa época, também jogava futebol, profissionalmente, no Clube do Remo.

Em 5 de dezembro de 1935, casou-se com Catharina Patrocínia Torres. Tiveram quatro filhos.

Disputou suas primeiras eleições em 30 de novembro de 1935, encabeçando a lista do Partido da Mocidade do Pará, que recebeu apenas 64 votos (o partido mais votado recebeu 4.888 votos).

Aos 22 anos, terceiranista de medicina, Pomar foi preso pela primeira vez, em janeiro de 1936. Enquanto estava na cadeia, nasceu seu primeiro filho.

Solto em 14 de junho de 1937, foi novamente preso em 2 de setembro de 1940. Fugiu da cadeia, em direção ao Rio de Janeiro, junto com João Amazonas e outros integrantes do Partido, no dia 5 de agosto de 1941.

Reuniu-se com a família em julho de 1942. Vivendo com dificuldades, tendo trabalhado inclusive como pintor de paredes, Pomar ajudou a formar a Comissão Nacional de Organização Provisória, que se encarregou de reorganizar o PC em escala nacional, convocando e realizando a Conferência da Mantiqueira, em 1943. Depois, mudou-se para São Paulo.

Em 1945, Pomar concorreu a uma vaga de deputado federal pelo Pará. Não fez campanha, e não conseguiu eleger-se, o que não se repetiu na eleição complementar de 1947, quando concorreu pela coligação PCB-PSP (Partido Social Progressista, de Ademar de Barros). Recebeu mais de 100 mil votos, a maior votação da época.

Durante seu mandato parlamentar, chefiou a delegação brasileira ao Congresso Mundial da Paz, no México, em 1948; integrou também, a delegação ao Congresso Mundial da Paz de 1949, ocorrido em Varsóvia.

Membro do Comitê Central e da Comissão Executiva do PC, foi secretário de Educação e Propaganda, encarregado de supervisionar os cerca de 25 jornais mantidos pelo partido em todo o país. Entre 1945 e 1947, foi diretor da Tribuna Popular, diário de massas do PCB. Mais tarde dirigiu a Imprensa Popular, do Rio, e colaborou ativamente em Notícias de Hoje, de São Paulo. Foi, ainda, secretário político do Comitê Metropolitano do Rio de Janeiro. Em 1950, concluído o mandato, passou à clandestinidade.

Nessa época, já havia entrado em conflito com a maioria da direção do PC. De segundo ou terceiro principal dirigente, começou a ser gradualmente rebaixado.

Afastado do secretariado, depois da Executiva, foi em seguida transformado em suplente do Comitê Central e deslocado do plano nacional: enviado para o Rio Grande do Sul, onde colaborou nas lutas operárias e populares ocorridas no Estado nos anos 1951 e 1952. Por sua experiência, foi indicado para participar de um comitê especial organizado em São Paulo, por cima da estrutura normal do Partido, com a finalidade de dirigir o processo de lutas grevistas e contra a carestia. Esse comitê orientou a atividades do PCB em São Paulo durante os anos 1952 e 1953.

Depois, voltou a morar no Rio de Janeiro. Foi, então, enviado à União Soviética, onde estudou por dois anos. Ao retornar, participou do Comitê Regional Piratininga, responsável pela organização do partido na Grande São Paulo. Em 1956, Pomar integrou a delegação brasileira ao 8° Congresso do Partido Comunista Chinês.

De 1957 a 1962, participou ativamente da luta interna no PC, o que lhe valeu a paulatina destituição das posições de direção que ainda ocupava: de dirigente regional passou a dirigente do Comitê Distrital do Tatuapé, do qual o próprio Prestes, pessoalmente, ainda tentou destituí-lo durante as conferências preparatórias do V Congresso.

Pressionado pela direção, negou-se a voltar ao Pará e, para sobreviver, passou a fazer traduções e a dar aulas. Traduziu alguns livros de economia, uma série de livros de psiquiatria e de outros ramos científicos, tanto do inglês e do francês, como do russo. Traduziu, também, os dois primeiros volumes de "Ascensão e Queda do III Reich", de W. Schirer, e deu aulas de russo. A maioria das traduções saíram com nomes de outros autores.

Em 1959, participou do Congresso do PC Romeno, onde assistiu ao choque direto entre Kruschev, o PC Chinês e o Partido do Trabalho da Albânia.

No V Congresso do PC, em 1960, Pomar ainda foi mantido como membro suplente do Comitê Central. Mas a luta interna caminhava para a sua expulsão e a criação, em fevereiro de 1962, do Partido Comunista do Brasil. Pomar, junto com Maurício Grabois, João Amazonas, Kalil Chade, Lincoln Oest, Carlos Danielli e Ângelo Arroyo foram os principais articuladores da conferência que selou o rompimento com o setor majoritário do PCB.

Eleito membro do Comitê Central do PC do B e redator-chefe de "A Classe Operária", Pomar dedicou-se a organizar o novo partido, tendo realizado várias viagens ao exterior. Sabe-se que teve papel destacado na VI Conferência Nacional do PC do B, em julho de 1966. Nessa época, continuava morando em São Paulo.

Tendo discordâncias com a linha política e com os métodos adotados pela direção, Pomar não integrava o núcleo dirigente mais restrito do PC do B. Só após o assassinato de três membros da Comissão Executiva, em fins de 1972, Pomar incumbiu-se da direção de organização.

Após a derrota da guerrilha do Araguaia, Pomar escreveu um balanço crítico, em torno do qual conseguiu reunir a maioria da direção.

Pomar não deveria estar presente à reunião da Lapa. Mas a doença de sua mulher Catharina, desenganada pelos médicos, levou a desistir de uma viagem à Albânia. Por uma dessas ironias, vários membros da família reuniram-se para despedir-se de Catharina – que viveria até 1986 –, sem saber que na verdade despediam-se de Pedro.

Pomar foi executado pela repressão no dia 16 de dezembro de 1976 na fuzilaria contra a casa 767 da Pio XI. Seu corpo apresentava cerca de 50 perfurações de bala. Morreu ao lado de Ângelo Arroyo.

Foi enterrados no Cemitério Dom Bosco, em Perus, sob nome falso. Em 1980, a família conseguiu localizar e trasladar seus restos mortais para Belém do Pará, onde estão enterrados, e, no mesmo ano, editou o livro ‘Pedro Pomar’ , pela Editora Brasil Debates.

União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)

Foi o maior país do mundo e a nação comunista mais poderosa entre 1922, quando foi criada, até dezembro de 1991, quando foi extinta. A União Soviética era formada por 15 repúblicas socialistas

Federação Russa, Bielo-Rússia, Ucrânia, Letônia, Estônia, Lituânia, Armênia, Azerbaidjão, Geórgia, Casaquistão, Quirguízia, Uzbequistão, Tadjiquistão, Moldávia e Turcomênia. Ocupando mais da metade da Europa e quase 2/5 da Ásia, cobria mais de 1/7 da superfície terrestre. A União Soviética era maior do que quatro continentes

América do Sul, Antártida, Europa e Oceania. Apenas a China e a Índia tinham mais habitantes do que a União Soviética. Moscou era a capital e maior cidade da União Soviética. O nome oficial do país, em russo, era Soyuz Sovetskikh Sotsialisticheskikh Respublik. No alfabeto russo, as iniciais destas palavras são C.C.C.P. O país era comumente chamado, em português, de União Soviética. Todo esse império desmoronou com a crise do socialismo no final dos anos 80 e a abertura política implementada pelo seu último presidente Mikhail Gorbachev.

Com o fim da repressão e o enfraquecimento do poder central, várias repúblicas que haviam sido anexadas à União pela força retomaram os movimentos separatistas que haviam sido sufocadas pela repressão no período do comunismo. Estes movimentos que começaram pelas chamadas repúblicas bálticas (Lituãnia, Letônia e Estônia) se espalhou para outras repúblicas e tornou insustentável a manutenção da União. O tiro de misericórida no socialismo e na União Soviética foi o fracassado golpe militar de agosto de 1991, quando militares e membros conservadores do Partido Comunista prenderam o então presidente Gorbachev. Quem defendeu a abertura política foi o então presidente do Soviete Supremo Bóris Yeltsin.

A população chamada por ele foi para as ruas e os soldados se recusaram a reprimir o povo. Com a popularidade em alta, Yeltsin assumiu a presidência da Federação Russa, a maior das repúblicas da União Soviética, e deixou de reconhecer o poder de Gorbachev. Em 25 de dezembro de 1991, Gorbachev assinou o decreto que pôs fim a União Soviética, 69 anos após a sua criação.

Para organizar a transição do regime federativo para o de total independência, as ex-repúblicas soviéticas criaram, em 1991, a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que congrega quase todos os países da antiga União Soviética com exceção das repúblicas bálticas - Letônia, Estônia e Lituânia e da Geórgia, que só aderiu em 1996.

Diferença entre Comunismo e Socialismo

Em certa época, as palavras socialismo e comunismo tinham o mesmo significado: uma sociedade em que os meios de produção fossem propriedade pública.

Hoje, há uma grande distinção entre os dois termos.

Membros de partidos comunistas encaram o socialismo como um estágio na formação da sociedade comunista, que passa a ser considerado, uma ditadura do proletariado. Durante esse estágio, o Partido Comunista deve estar no poder, e ser eliminada a maior parte da propriedade privada, sendo a economia administrada com base em um plano nacional de produção.

Entretanto, nesse estágio, a nação ainda não é rica o suficiente para ofertar a seus cidadãos todos os bens materiais necessários, e o governo deve coagir as pessoas a trabalharem arduamente por pouca recompensa. Em um estágio posterior, a nação será rica para satisfazer às necessidades econômicas de todos. Esse estágio é o comunismo. Para os comunistas, a coerção estatal desaparecerá em uma sociedade comunista. Muitos socialistas em países que não vivem a ditadura do proletariado não aceitam essa definição.

A maioria acredita que certa coerção estatal é sempre necessária porque algumas pessoas têm que ser forçadas a serem cidadãos úteis para merecerem o que ganham do Estado. Mas rejeitam a maior parte dos métodos utilizados pelos partidos comunistas, a exemplo de revolução e de outras formas de militaria como meio de alcançar o poder, e se opõem a métodos centralizados de administrar o Estado. Os socialistas democratas acreditam no processo democrático e são contrários à extinção dos partidos de oposição. Preocupam-se mais com a distribuição justa de bens e serviços do que com o crescimento econômico rápido, mas se esquecem um pouco da população em si.

Fonte: www.grandecomunismo.hpg.ig.com.br

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