São milhares de espécies de formatos bizarros e cores brilhantes que fazem a alegria dos colecionadores. Conheça a imensa variedade desses "esqueletos" de moluscos
Quando criança, Marcus Coltro fazia como todo mundo: juntava conchinhas encontradas na areia da praia e guardava as mais bonitas. Aos 12 anos, inscreveu-se, a conselho da mãe, em um curso de Conquiliologia (palavra esquisita que se refere ao estudo das conchas) no Museu do Mar, em Santos, no litoral paulista. Começou aí uma paixão que o levou a comprar livros e a levar a sério uma coleção que foi crescendo também pela troca com outros colecionadores do mundo. “Vários se tornaram meus amigos até hoje”, conta o empresário de 43 anos, um dos mais ativos associados da Conquiliologistas do Brasil, entidade fundada em 1989 com o objetivo de pesquisar conchas e reunir estudiosos e colecionadores do País.

Tridacna squamosa, as conchas desta família são grandes
e costuma ser protegidas por leis ambientais.
Em alguns lugares, como as ilhas Cook, existem criações para
reintrodução na natureza
“Cada concha vem de um lugar, de uma viagem, de situações diferentes”, conta o colecionador, que guarda minuciosamente dados como nome das espécies, local de coleta, hábitat dos moluscos protegidos nessas armações de carbonato de cálcio. “As conchas são como esqueletos externos desses animais e os dados são uma fonte vital para a ciência”, acrescenta. “Graças aos colecionadores, milhares de novas espécies foram descobertas, estudadas e descritas nos últimos anos – só no Brasil, foram centenas.”
No mundo, existem aproximadamente 15 mil espécies diferentes de conchas; no Brasil, foram identificadas 1.500 espécies. Elas existem em todos os ambientes – rios, lagos, mares e até em terra, como as lesmas e caracóis de jardim e os escargots, tão apreciados pela culinária francesa. Alguns são uma praga, como o caramujo do gênero Biomphalaria, hospedeiro do verme Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose.
Em meio a tanta variedade, há conchas em espiral, bivalves e nas mais diferentes formas; e de todos os tamanhos – com menos de 1 milímetro a mais de 1 metro, como as Tridacnas, do Oceano Pacífico, que podem pesar 250 quilos. “No Brasil, temos a Strombus goliath, de mais de 30 centímetros e pesando cerca de 2 quilos”, conta Marcus. “Elas são encontradas em águas rasas, mas geralmente nossas conchas são de profundidade.”
Nesta e nas próximas páginas, você verá algumas das espécies mais bonitas do Brasil e do mundo. Depois de apreciá-las, poderá entender o entusiasmo dos colecionadores. Em tempo: catar conchinhas na praia não afeta o ambiente, isto é, quando elas não abrigam mais o animal em seu interior.
Até hoje, as centenas de pequenas elevações ao longo da costa, formadas por milhares de carapaças abertas de moluscos, fragmentos de ossos de animais, restos de artefatos de pedra e vestígios de fogueira, intrigam os pesquisadores. São os sambaquis, palavra de origem indígena que significa depósito de conchas, confundidas no passado com lixeiras pré-históricas. Hoje, sabe-se que são vestígios dos povos primitivos que habitaram o litoral entre 2 mil e 10 mil anos atrás. Seus membros enterravam os mortos e os cobriam com uma grossa camada de conchas, talvez um sinal de sua principal fonte de alimentação. Mas, como não se sabe muita coisa sobre esses povos, pode ser que os caramujos tenham sido coletados apenas para a construção desses montes funerários.
Pelo menos um crânio, estimado em 9 mil anos, foi encontrado em um desses sítios arqueológicos, denominado Capelinha I, na bacia do rio Jacupiranga, em São Paulo. No Vale do Ribeira existe uma grande quantidade de sambaquis fluviais (foto ao lado), de dimensões mais modestas que os da beira-mar, e localizados numa área de transição com o planalto. Acredita-se que eles sejam mais antigos que os da costa, um sinal de que há cerca de 10 mil anos a planície litorânea era maior e o mar estava alguns quilômetros mais longe do que se encontra hoje. Daquela época para cá, a maré vem subindo e é possível que os sambaquis costeiros mais antigos tenham sido submersos pelo oceano. Atualmente, os maiores sambaquis encontram-se em Santa Catarina e alguns chegam a ter mais de 30 metros de altura.
Moluscos podem ser encontrados em qualquer ambiente – dos vulcões submarinos às regiões polares. Alguns vivem presos em diversos locais, como as pedras, outros caminham ou nadam livremente e há ainda os que vivem enterrados. Mas dão preferência ao clima tropical. Por isso, eles são encontrados em quantidades maiores no Caribe ou nos corais dos oceanos Pacífico e Índico. E, como tudo que se refere à biodiversidade, também na quantidade de espécies de moluscos o Brasil se destaca – e, conseqüentemente, na variedade de conchas. Mas não é fácil encontrá-las nas praias porque algumas vivem em grande profundidade. As mais bonitas são obtidas nas redes de pesca ou mergulhando
Fonte: www.horizontegeografico.com.br
As conchas, que servem de proteção para vários animais,
principalmente os moluscos, são estruturas complexas formadas basicamente
de carbonato de cálcio (CaCO3). Nos moluscos existem três substâncias
que compoem a concha: a camada externa é formada por uma substância
chamada de conchiolina, uma camada intermediária de calcita e uma camada
de carbonato de cálcio.
O sangue dos moluscos é rico em uma forma líquida de cálcio.
O cálcio é retirado não só da sua alimentação
mas também absorvido diretamente da água do mar pela pele do
animal. O órgão que forma a concha é chamado de manto,
um tecido delgado que fica em contato direto com a parte interna da concha.
O manto concentra o cálcio em áreas onde pode ser separado do
sangue, formando cristais de carbonato de cálcio que secretados junto
a uma matriz orgânica vão formando lentamente a concha.
A concha é um órgão rígido, muitas vezes externo, característico dos moluscos. A morfologia da concha é uma das características usadas para classificar estes animais:
* Os bivalves, como o nome indica, têm uma concha formada por duas
peças;
* Os gastrópodes, como os caracóis, têm geralmente uma
concha assimétrica, muitas vezes enrolada em espiral; mas as lesmas
podem ter um rudimento de concha interior;
* Os cefalópodes, como o choco, têm uma concha interna, mas o
náutilo possui uma concha exterior.
As conchas são formadas por nácar, uma mistura orgânica de camadas de conchiolina (uma escleroproteína), seguida de uma capa intermédia de calcite ou aragonite, e por último uma camada de carbonato de cálcio (CaCO3) cristalizado.
O nácar é secretado por células ectodérmicas do manto de certas espécies de moluscos. O sangue dos moluscos é rico em uma forma líquida de cálcio, que se concentra fora do fluxo sanguíneo e se cristaliza como carbonato de cálcio. Os cristais individuais de cada camada diferem na sua forma e orientação. O nácar deposita-se de forma contínua na superfície interna da concha do animal (a capa nacarada iridescente, também conhecida como madrepérola). Estes processos proporcionam ao molusco um meio para alisar a própria concha e mecanismos de defesa contra organismos parasitas e dejectos prejudiciais.
Quando um molusco é invadido por um parasita ou é incomodado por um objecto estranho que o animal não pode expulsar, entra em acção um processo conhecido como enquistação, pelo meio do qual a entidade ofensiva é envolta, de forma progressiva, por camadas concêntricas de nácar. Com o tempo formam-se pérolas. A enquistação mantém-se até que o molusco morra.
As conchas são muito duradouras: duram mais tempo que os animais de corpo mole que as produzem. Em lugares onde se acumulam grandes quantidades de conchas formam-se sedimentos que podem converter-se, por compressão, em calcário.
Fonte: www.vocesabia.net