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Classe Chondrichthyes

Um cachorro ameaçado ataca mais, nem por isso deixamos de sair à rua com medo de um encontro com um. Assim, não se deve deixar de mergulhar pelo fato de um dia poder se encontrar um tubarão. A probabilidade de uma pessoa ser “atacada” é de 1 em 300 milhões e de vir a falecer devido a este “ataque” 1 em 1,5 bilhão, bem menor que ser abatido por um raio que é 1 em 1 milhão. De 50 a 100 ataques” anuais no mundo apenas 15 a 25 pessoas morrem. Um dado comparativo é que animais como abelhas, cobras e porcos matam mais humanos que tubarões.

“Ataques” de tubarões a mergulhadores são raríssimos e não há um só caso comprovado no Brasil de “ataque” a um mergulhador autônomo.

O tubarão não costuma atacar o ser humano e sim morde-o quando é incomodado, estimulado ou por engano. Mesmo após uma mordida normalmente a pessoa consegue se salvar, se o esqualo fosse assim tão abominável ficaria até “palitar os dentes com os ossos”. Os casos de morte que ocorrem costumam ser por hemorragia, perda de sangue.

Além disso, é importante frisar que os “ataques” costumam ser a surfistas e nadadores, além de haver regiões delimitadas em que ocorrem. Sabe-se que os ataques” a surflstas se dão pelo animal confundi-los com uma tartaruga ou foca, pratos de seu cardápio. Por debaixo da água é esta a visão que se tem. O mesmo ocorre com nadadores ou pessoas na água se agitando. Os maiores responsáveis pelas mortes são o Branco, o Tigre e o Cabeça Chata.

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Figura 8: Tubarão lixa - praticamente inofensivo.

No Brasil, onde há aproximadamente 70 espécies, já ocorreram cerca de 80 “ataques” com mais ou menos 28 vítimas fatais. O primeiro “ataque” a surfista se deu na Praia do ltararé — São Vicente.

A maioria dos “ataques” se deu em Recife a partir de 1992, após a construção do Porto de Suape, com certeza uma resposta do meio a interferência do homem.

Os casos estudados mostraram que os tubarões responsáveis foram o Tigre e o Cabeça Chata. Há diversos estudiosos no mundo que trabalham levantando dados a cerca dos “ataques”. Em nosso país temos o grande pesquisador Otto Bismarck Gadig.

O risco de um “ataque” é maior para mergulhos no oceano Pacífico; mais da metade ocorreram na Austrália além de haverem vários casos na Califórnia — EUA.

A África também é outro ponto de grande número de “ataques”. A temperatura da água também influi, o ponto crítico é em torno de 21 graus. Existem estímulos que atraem os esqualos, dentro eles variações elétricas, variações mecânicas da água como explosões e, sem dúvida, o sangue.

Além de seus dentes, podem provocar graves escoriações sua pele, revestida de escamas cortantes, e sua barbatana. O tubarão não precisa, como muitos pensam, virar de lado para morder, ele pode fazê-lo em qualquer posição. Na hora da mordida, sua mandíbula se desloca para frente e seus dentes para fora.

E uma mudança grande, rápida e eficiente. Segundos antes da mordida, o tubarão fecha a membrana protetora dos olhos (a maioria possui esta membrana).

Certamente, quem já viu uma cena de uma tubarão mordendo, o que a maioria já deve ter visto por interesse de mídia, ficou com uma imagem marcante e assustadora.

PROCEDIMENTOS

Se ele for visto antes do mergulho, aborte-o, pois a presença de um na água não é nada convidativo e, se for visto durante o mergulho procure ficar perto do costão ou do fundo e imóvel, o que é até fácil devido ao medo.

O ideal édeixarmos os braços junto ao corpo e as pernas fechadas. Normalmente o esqualo vai embora, pois não fazemos parte de seu cardápio, mas, se ele não se afastar, começar a fazer círculos ou se aproximar demonstrando um “ataque” iminente, lembre-se sempre que a única coisa que voce não pode fazer é tentar fugir batendo as nadadeiras desesperadamente, pois, para ele, suas pernas vão, parecer um animal ferido em fuga e isto o atrai, desperta o seu instinto de caça.

Se ele chegar demasiadamente perto, a parte que podemos tentar atingir é o focinho.

Se o mergulhador já for para a imersão sabendo da existência de esqualos na região, é conveniente levar um bastão comprido com uma ponta metálica para, no caso de aproximação, cutucá-lo. O ideal, sem dúvida, é não freqüentar lugares que tenham tubarões, a não ser em mergulhos específicos para isto, com guia qualificado.

Se ocorrer uma mordida, a primeira providência é estancar o sangue, compressa para o tronco e torniquete para membros. Tomar analgésicos e líquidos. Se tiver soro é melhor. Tudo vai depender da mordida e conseqüentemente da perda de sangue.

Mergulho a 15 anos em mar aberto e nunca vi nenhum durante o mergulho. Não nego que já vi barbatanas durante a viagem, mas isso sempre ocorreu no meio do mar, longe de costão. Um que muitos mergulhadores se gabam de terem visto e chegado perto é o tubarão Lixa (Lambarú — gênero Ginglymostoma) que é inofensivo, ficando parado no fundo até alguém o incomodar e o espantar. Inclusive este é o tubarão preferido dos grandes aquários pois, além de ficar parado, possibilitando um volume menor de água, não oferece risco aos tratadores.

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Figura 9: Tubarão dos recifes caribenhos - "Shark-dive".

Uma espécie de mergulho que está se difundindo muito é a do mergulho com tubarões. Mergulhadores ficam em um círculo enquanto o guia, no centro, alimenta tubarões. Apesar da atividade já ter sido apreciada por milhares de pessoas, nunca se registrou nenhum “ataque”.

ESPÉCIES PERIGOSAS

Somente poucas espécies são consideradas potencialmente perigosas.

Algumas das mais agressivas são:

Destas o Branco é o mais temido, considerado o maior predador. Estas espécies costumam ter de 2 a 4 metros. Assim como temos espécies potencialmente perigosas também temos as inofensivas como o Marracho, Peregrino (até 10 metros de comprimento), Baleia (até 18 metros), Anjo e Lixa (Lambarú).

O tubarão Baleia, assim como o Peregrino, é comedor de plâncton e pequenos organismos. Para quem não conhece sua passividade, é um verdadeiro monstro. Imagine encontrar um gigantesco tubarão com mais de 15 metros. No Brasil, um exemplar de 10,60 metros e 10 toneladas encalhou no litoral do Rio de Janeiro.

Ele vive em grandes profundidades, subindo raramente à superficie, normalmente na primavera para se alimentar de plâncton. Assim como nos mamíferos, os maiores são mansos e inofensivos.

INIMIGOS

Os inimigos naturais do tubarão que podem ferí-lo ou até matá-lo são a Orca, Cachalote, grupo de Golfinhos, Crocodilo marinho e Lula gigante. O homem se tornou um grande se não o maior inimigo do tubarão, inclusive gerando preocupação com relação à pesca predatória deles. Há possibilidade de serem extintas diversas espécies, devido àpesca indiscriminada e descontrolada.

IDENTIFICAÇÃO

Ordem — Squaliformes/Pleurotremata (TUBARÃO) Principais Famílas

Orectolobidae (Lambarú)

Alopiidae (Raposa)

Carchariidae (Mangona)

Lamnidae (Branco/Mako)

Sphyrnidae (Martelo)

Carcharminidae (AzulIGalha Branca/Tigre)

Rhincodontidae (Baleia)

Cetorhinidae (Peregrino)

Triakidae (Canejo)

Squalidae (Prego)

Squatinidae (Anjo)

RAIA

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Figura 10: Raia Jamanta - Laje de Santos, 2001.

Como o Tubarão, existem desde a era Primária há mais de 300 milhões de anos. Possuem o corpo achatado, nadadeiras peitoraís muito desenvolvidas no mesmo plano do corpo formando um disco e cauda normalmente fina onde se alojam os ferrões. Estes, quando presentes, são o maior risco, pois possuem a forma de ponta de flecha, todo farpado. Povos da Oceania usavam estes ferrões, que alcançam até 40 cm, na ponta de lanças. Alimentam-se ao entardecer e reproduzem-se de março a abril.

O maior risco de ferimento é com relação às raias que vivem em fundos arenosos. Quando ela sente-se ameaçada, levanta o ferrão que fica perpendicular ao fundo. Uma pessoa, entrando ou saindo do mar por uma praia, pode ter o pé espetado por este eficiente dardo de defesa, que causa muita dor e, às vezes, séria inflamação. E lógico que a raia não vai ficar parada à espera de ser pisada, isso só acontece quando ela é acuada. A raia não pode, como muitos já me perguntaram, disparar o ferrão contra o mergulhador.

Existe raia em água doce e no mar. Das marinhas, destaco as 4 espécies mais comentadas e temidas.

RAIA MANTEIGA

De pequeno porte, comum de 50 cm a um metro, possui 2 ferrões na cauda. Fica semi enterrada na areia à espera da presa. O risco é pisarmos em cima de uma, machucando o pé no ferrão. A carne desta raia é uma das poucas apreciadas, entre as raias, para se comer.

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Figura 11: Raia Manteiga - comestível.

RAIA ELÉTRICA

Também é conhecida como Treme-Treme, pois dá descargas elétricas. São aproximadamente 38 espécies em 10 gêneros. De 40 a 50 cm, possui o corpo quase circular, cauda grossa com nadadeiras e a parte ventral com manchas. Vivendo em fundos arenosos ou de cascalho, fica semi-enterrada à espera da presa.

Não possui ferrão mas possui dois orgãos entre a cabeça e a nadadeira peitoral, com células geradoras de corrente elétrica, que descarregam 150 choques por segundo de 45 a 220 Volts e com 2.000 W. Após a descarga, a raia precisa de um grande tempo para se recarregar. Esses choques podem levar, além da tontura, ao desmaio.

Ela se utiliza da descarga elétrica para defesa e algumas vezes para captura de presas. É de difícil aproximação. Em 1985, em Ilha Bela, fiquei bem uns 15 minutos atrás de uma para conseguir fotografá-la. É lógico que devemos manter uma distância respeitável, pois uma descarga elétrica sob a água pode causar afogamento.

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Figura 12: Raia Elétrica.

RAIA CHITA

Tem este nome pois seu dorso possui manchas redondasclaras. E de grande porte e formato losangular, alcançando 2,50 metros com 250 Kg. De natação livre, possui de 1 a 5 ferrões na cauda, tendo a cabeça saliente com um focinho parecido com um bico de pato. Também é de dificil aproximação. Fica perto da superffcie, como as Jamantas, e se alimenta de pequenos moluscos. Por vezes pula fora da água. Já encontrei algumas grandes, mas nunca consegui chegar muito perto, o que é ideal, devemos manter boa distância.

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Figura 13: Raia Chita

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