
Originário da Europa e Ásia, o confrei, Symphytum officinale L. (BORAGINACEAE) é uma das espécies integrantes do projeto "Produção, processamento e comercialização de ervas medicinais, condimentares e aromáticas", coordenado pela Embrapa Transferência de Tecnologia - Escritório de Negócios de Campinas (SP), a qual está sendo cultivada e multiplicada nas unidades demonstrativas da Embrapa Pantanal (Corumbá, MS), Embrapa Semi-Árido (Petrolina, PE) e nos Escritórios de Negócios de Dourados (MS), Canoinhas (SC) e Petrolina (PE). Esse projeto contempla também o treinamento de técnicos e a qualificação de pequenos agricultores e seus familiares na produção e manipulação de ervas, fundamentadas em boas práticas agrícolas.
Planta herbácea e perene que se concentra em uma pequena touceira; pode atingir até 90 cm de altura; rizoma carnoso e sem caule aparente; folhas alanceoladas ou ovais, que saem praticamente ao nível do solo, na base da planta são grandes e um pouco menores na parte superior, espessas e guarnecidas de pêlos ásperos; flores reunidas em escapo floral, em ramalhetes mais ou menos folhosos e torcidos, com coloração amarelada, esbranquiçada ou violácea.
Alantoínas, mucilagens, taninos, saponinas, colina, açúcares, triterpenos, vitaminas, aminoácidos, esteróides, ácidos orgânicos e ácido fólico.
Mudas produzidas a partir de rizomas com cerca de 5 cm.
Espaçamento de 20 x 30 cm entre plantas. Adaptase bem em regiões com altitudes de até 1.500 metros, úmidas, frescas e ensolaradas. Tem bom desenvolvimento em solos argilosos, soltos, profundos, levemente úmidos e com bastante matéria orgânica. Recomenda-se uma adubação com esterco de curral bem curtido, esterco de aves ou composto orgânico, quando necessário.
As folhas devem ser colhidas a partir do 4° mês do plantio, e depois, a cada dois meses. Os rizomas devem ser colhidos quando a planta perde a parte aérea, cerca de 1,5 ano após o plantio. Depois de bem lavados, devem ser picados e secos ao sol.
Utilizar sementes e material propagativo de boa qualidade e de origem conhecida: com identidade botânica (nome científico) e bom estado fitossanitário
O plantio deve ser realizado em solos livres de contaminações (metais pesados, resíduos químicos e coliformes)
Focar a produção em plantas adaptadas ao clima e solo da região
É importante dimensionar a área de produção segundo a mão-de-obra disponível, uma vez que a atividade requer um trabalho intenso
O cultivo deve ser preferencialmente orgânico: sem aplicação de agrotóxicos, com rotação de culturas, diversificação de espécies, adubação orgânica e verde, controle natural de pragas e doenças
A água de irrigação deve ser limpa e de boa qualidade
A qualidade do produto é dependente dos teores das substâncias de interesse, sendo fundamentais os cuidados no manejo e colheita das plantas, assim como no beneficiamento e armazenamento da matéria prima
Além dos equipamentos de cultivo usuais, é necessária uma unidade de secagem e armazenamento adequada para o tipo de produção
O mercado é bastante específico, sendo importante a integração entre produtor e comprador, evitando um número excessivo de intermediários, além da comercialização conjunta de vários agricultores, por meio de cooperativas ou grupos
CORRÊA JÚNIOR, C.; MING, L. C.; SCHEFFER, M. C. Cultivo de plantas medicinais, condimentares e aromáticas. 2 ed. Jaboticabal, SP: FUNEP,1994, 162p: il.
FERRI, M. G.; MENEZES, N. L. de; MONTEIRO-SCANAVACCA, W. R. Glossário Ilustrado de Botânica. 1 ed. São Paulo, SP: NOBEL, 1981, 197p, il.
JACOBS, B. E. M. Ervas: como cultivar e utilizar com sucesso. São Paulo, SP: NOBEL, 1995, 215p. il.
LOW, T.; RODD, T.; BERESFORD, R. Segredos e virtudes das plantas medicinais: um guia com centenas de plantas nativas e exóticas e seus poderes curativos. Reader´s Digest Livros. Rio de janeiro, RJ. 1994, 416p. il.
PANIZZA, S. Plantas que curam. 28 ed. São Paulo, SP: IBRASA,1997, 279p. il.
SARTÓRIO, M. L.; TRINDADE, C.; RESENDE, P.; MACHADO, J. R. Cultivo de plantas medicinais. Viçosa, MG: Aprenda Fácil, 2000, 260p: il.
Fonte: campinas.snt.embrapa.br

Planta herbácea perene que se apresenta como uma pequena touceira, originária do Centro e Norte da Europa e da Ásia, da família Boraginaceae, de clima temperado e frio, perfeitamente aclimatada na região Centro-Sul do Brasil (PANIZZA, 1997).
É conhecido popularmente por consolda, consolida, confrei-russo, leite-vegetal, capim-roxo-da-rússia, orelhas-de-asno, erva-do-cardeal, língua-de-vaca e erva-encanadeira-de-osso (PANIZZA, 1997; MARTINS, et al. 1994).
Suas folhas são de formato entre lanceolado e oval, ásperas, com nervuras bem visíveis, sendo grandes na base da planta e menores um pouco na parte superior, chegando a quase meio metro de altura (PANIZZA, 1997; MATOS, 1998). Pelo seu alto teor de proteínas (28 a 30%), o confrei também é utilizado como planta forrageira (SARTÓRIO et al., 2000).
Contém mucilagens, alantoína, alcalóides pirrolizidínicos, taninos, mucilagens, colina, sais minerais, vitaminas e ácido fólico (SARTÓRIO et al., 2000). A alantoína, é a substância responsável por propriedades cicatrizante, hidratante e de regeneração celular (SARTÓRIO et al., 2000).
É uma planta rústica e de fácil cultivo, resiste à seca e às geadas. Precisa de bom teor de umidade e local ensolarado para ter boa produção, mas não resiste ao encharcamento.
A planta é indicada como antiinflamatório, cicatrizante, rejuvenescimento e revitalização de células, cicatrizante em queimaduras, entre outros (SARTÓRIO et al., 2000).
A própria espécie botânica.
Por mudas pela divisão de touceiras ou pedaços de rizomas com 5 cm.
De agosto a novembro. Se tiver condições satisfatórias de calor e umidade, o plantio pode ser realizado o ano todo (SARTÓRIO et al., 2000).
0,60 a 0,80 m x 0,60 m (RAIJ et al., 1996).
20.800 a 27.800 mudas ha-1 (RAIJ et al., 1996).
Plantio em nível, práticas conservacionistas adequadas ao tipo de solo e declividade.
Elevar o índice de saturação por bases a 60%. Quando disponível, aplicar 50 t ha-1 de esterco de curral curtido. No plantio, aplicar 60 kg ha-1 de N e, dependendo da análise de solo, 50 a 150 kg ha-1 de P2O5 e 40 a 150 kg ha-1 de K2O, no sulco. Em cobertura, 30 dias após o plantio, aplicar 60 kg ha-1 de N. Após cada cone, repetir a adubação de N e K2O (RAIJ et al., 1996).
Capinas.
Eventualmente, efetuar controle de formigas, gafanhotos e vaquinha; além de doenças fúngicas no colo da planta (SARTÓRIO et al., 2000).
A cada dois ou três meses, a partir do quarto mês de plantio, colhem-se as folhas, cortando-se toda a parte aérea da planta e prosseguindo durante todo o ano. A colheita do rizoma pode ser feita após o quarto ano de cultivo, após o plantio de inverno, ou após a renovação da lavoura (MARTINS, et al. 1994).
1,5 a 2,3 t ha-1 de folhas secas; 3 a 8 t ha-1 de raízes secas (SARTÓRIO et al., 2000). A cultura pode permanecer produtiva por 5 a 6 anos, necessitando replantio após esse período.
Leguminosas.
MATOS, F.J. A. Farmácias Vivas. Sistema de utilização de plantas para pequenas comunidades. 3ª ed., UFC, Fortaleza, CE , 219p, 1998.
MARTINS, E.R.; CASTRO, D.M.; CASTELLANI, D.C.; DIAS, J.E. Plantas Medicinais. Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, 220p, 1994.
PANIZZA, S. Plantas que curam: cheiro de mato. IBRASA, Instituição Brasileira de Difusão Cultural LTDA, São Paulo, SP, 25ª ed, 280p, 1997.
RAIJ, B.; CANATRELLA, H.; QUAGGIO, J.A.; FURLANI, A.M.C. Recomendações de adubação e calagem para o estado de São Paulo. Campinas, Instituto Agronômico - Fundação IAC, Boletim Técnico 100, 285p, 1996.
SARTÓRIO, M.L.; TRINDADE, C.; RESENDE, P.; MACHADO, J.R. Cultivo orgânico de plantas medicinais. Ed.Aprenda Fácil, 258p, 2000.
Fonte: www.infobibos.com