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Arquitetura Bizantina

 

Conhece-se como bizantina a arte e a arquitetura que floresceram na cidade de Bizâncio, quando o imperador Constantino transferiu para ali sua corte, às margens do Bósforo, entre a Ásia e a Europa.

Nesta época, Bizâncio passou a chamar-se Constantinopla.

A arquitetura bizantina tem sua origem no séc. IV e concilia influências do oriente com elementos gregos e romanos.

Nessa arquitetura destacam-se a cúpula e a planta de eixo central ou de cruz grega (com braços de igual comprimento). A cúpula veio da Ásia Menor e os bizantinos aperfeiçoaram-na.

Em cada braço da cruz grega, ergueu-se um arco, e sobre os arcos colocaram um tambor, e sobre este, levantaram a cúpula. Em lugar do concreto ou da argamassa que os romanos usavam para cobertura, os arquitetos bizantinos utilizaram telhas leves.

Entre os exemplares de maior importância da arquitetura bizantina, temos Santa Sofia em Constantinopla, cujos arquitetos foram Antemio de Trales (c.474 – c. 534) e Isidoro de Mileto e a Igreja de São Marcos em Veneza, do ano de 1093.

Arquitetura Bizantina
Basílica de Santa Sofia - Constantinopla

Santa Sofia é a obra prima da arquitetura bizantina, construída por ordem de Justiniano na direção de Jerusalém.

Representa o ramo grego do cristianismo, expandiu-se na Rússia e na Europa Oriental.

Santa Sofia é uma Igreja de planta centrada. Tem uma cúpula imensa no espaço central, com trinta e um metros de diâmetro e cinqüenta e quatro metros de altura. A cúpula descansa sobre pilares de mármore, parecendo levitar no espaço. Em volta do tambor (parte mais baixa da cúpula), abrem-se quarenta janelas que simbolizam os quarenta dias que Cristo esteve no deserto.

O telhado é feito de telhas fabricadas com calcário poroso da ilha de Rodes. Cada telha trazia cânticos do Livro dos Salmos. As quatro colunas internas de mármore foram trazidas por ordem de Justiniano do templo de Diana em Éfeso; medem doze metros de altura.

Também em Constantinopla os arquitetos de Santa Sofia construíram a Igreja dos Santos Apóstolos com a planta em forma de cruz grega com uma cúpula ao centro e quatro cúpulas menores cobrindo os braços da cruz. Serviu de modelo a muitas igrejas, incluindo a de São Marcos em Veneza.

Ainda no séc. VI, Justiniano realizou obras públicas e fortificações. Constantinopla contava com palácios imperiais, hipódromos, circos, teatros, aquedutos e arcos. O reservatório subterrâneo de Bir-Direk contendo mil colunas foi construído por Justiniano para abastecer de água a cidade de Constantinopla.

Fora de Istambul ou Constantinopla, neste período destacam-se: Ravena, com as igrejas de Santo Apolinário, o Novo, na Cidade e Santo Apolinário in classe, no subúrbio e São Vital. As primeiras adotam a planta basilical e São Vital, planta central.

Na história da arquitetura religiosa desta época dois progressos se assinalam: o Campanário e o Batistério.

O Campanário deu origem às torres das igrejas medievais. O batistério foi de começo uma construção à parte, ligada a igreja principal da cidade e era apenas usado para o Batismo. Circular ou octogonal, era construído como os templos menores ou os túmulos romanos.

Numerosos edifícios pagãos foram utilizados pelos cristãos, o que explica a fusão das arquiteturas. Poucos batistérios foram construídos depois do séc. XI, quando tornou-se hábito colocar a pia batismal no vestíbulo do templo.

Os capitéis clássicos suportavam arquitraves, já os bizantinos suportavam arcos, o que requer uma superfície maior de apoio. Daí surgiram as “impostas”, faixa intermediária entre os arcos e as colunas, com encargo de concentrar nos capitéis o peso dos arcos.

Fonte: www.diretoriodearte.com

Arquitetura Bizantina

A arquitetura bizantina possui inspiração helenística e orientalista. Suas basílicas são célebres pelas linhas curvas, a exemplo da Igreja de Santa Sofia, em Constantinopla (atual Istambul).

A célebre igreja de Santa Sofia (532/37) dominada por seu grande domo, foi um modelo para as obras cristãs posteriores e para os arquitetos turcos.

Outras igrejas bizantinas podem ser vistas em Ravena, Itália e em Dafne, perto de Atenas.

A Catedral de São Marcos, em Veneza, é inspirada na arte bizantina.

O interior de tais igrejas era coberto de mosaicos de vidro brilhante, típicos desta arte. Os esmaltes, o entalhe em marfim, a ourivesaria e a prata eram usados para embelezar relicários, muitos dos quais foram levados para igrejas ocidentais depois do saque de Constantinopla pelos cruzados, em 1204.

Um importante papel na difusão do estilo bizantino na Europa foi desempenhado por manuscritos ricamente ilustrados.

Um estemunho claro de sua influência, pode ser encontrado nas obras dos artistas italianos da escola sienense, na Idade Média.

As imagens religiosas bizantinas sobreviveram por muitos séculos, depois da queda de Constantinopla, nos ícones russos, gregos e balcânicos. Na arte profana, merecem destaque os luxuosos tecidos bizantinos.

A arte bizantina era uma arte cristã, de caráter eminentemente cerimonial e decorativo, em que a harmonia das formas - fundamental na arte grega - foi substituída pela imponência e riqueza dos materiais e dos detalhes.

Ela desconhecia perspectiva, volume ou profundidade do espaço, e empregava em profusão as superfícies planas, onde sobressaíam melhor os ornamentos luxuosos e complicados que acompanhavam as figuras. A religião ortodoxa, além de inspiradora, funcionava também como censora.

Arquitetura Bizantina
Basílica de Santa Sofia - Constantinopla

Arquitetura Bizantina

O clero estabelecia as verdades sagradas e os padrões para representação de Cristo, da Virgem, dos Apóstolos, ou para exaltação da pessoa do imperador que, além de absoluto e com poderes ilimitados sobre todos os setores da vida social, era ainda o representante de Deus na Terra, com autoridade equiparada à dos Apóstolos.

Assim, ao artista cabia apenas a representação, segundo os padrões religiosos, pouco importando a riqueza de sua imaginação ou a expressão de seus sentimentos em relação à determinada personagem ou doutrina sacra, ou mesmo ao soberano onipotente. Essa rigidez explica o caráter convencional e certa uniformidade de estilo constante no desenvolvimento da arte bizantina.

No momento de sua máxima expansão, o Império Bizantino englobava, na Europa, os territórios balcânicos limitados pelos rios Danúbio, Drina e Sava, e parte da península Itálica (Exarcado de Ravena); a Ásia Menor, Síria e Palestina, na Ásia; o Egito e as regiões que hoje formam a Líbia e a Tunísia, na África. Por outro lado, Constantinopla se erguia no entroncamento das rotas comerciais entre a Ásia e a Europa mediterrânea. A população do império compreendia, pois, nacionalidades diversas, sobretudo gregos.

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Igreja da Hodigitria - Mistra - Grécia

Inspirada e guiada pela religião, a arquitetura alcançou sua expressão mais perfeita na construção de igrejas. E foi precisamente nas edificações religiosas que se manifestaram as diversas influências absorvidas pela arte bizantina. Houve um afastamento da tradição greco-romana, sendo criadas, sob influência da arquitetura persa, novas formas de templos, diferentes dos ocidentais. Foi nessa época que se iniciou a construção das igrejas de planta de cruz grega, coberta por cúpulas em forma de pendentes, conseguindo-se assim fechar espaços quadrados com teto de base circular.

As características predominantes seriam a cúpula (parte superior e côncava dos edifícios) e a planta de eixo central, também chamada de planta de cruz grega (quatro braços iguais). A cúpula procurava reproduzir a abóbada celeste. Esse sistema, que parece já ter sido utilizado na Jordânia em séculos anteriores e inclusive na Roma Antiga, se transformou no símbolo do poderio bizantino.

Simbolismo Arquitetônico

Segundo René Guénon, toda construção religiosa possui uma significação cósmica. Este princípio se aplica sem dúvida alguma à arquitetura cristã em geral, e à bizantina em particular.

Aqui chama a atenção na arquitetura bizantina, em especial, o significado místico que se encontra presente em um elemento específico: a cúpula.

Esta, como podemos constatar, não é apenas um elemento arquitetônico decorativo, pois corresponde à concepções estéticas fundamentadas em um simbolismo preciso.

A cúpula não possui seu sentido em si mesma, mas sim naquilo que representa: a abóbada celeste.

Entretanto seria errôneo estudá-la em separado, pois devemos considerá-la enquanto relacionada ao resto do edifício, com o fim de compreender o simbolismo cosmológico dessa arquitetura em toda a sua extensão. A cúpula representa o céu e sua base a terra, assim, o edifício completo representa uma imagem do cosmos.

Arquitetura Bizantina
Cúpula Persa

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Abóbada Bizantina

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Abóbada semiesférica

Algumas considerações devem ser feitas, antes da análise simbólica propriamente dita. A arquitetura bizantina tem sua origem durante o reinado do imperador Justiniano. Muitos autores referem-se a esse período como "A Idade de Ouro Justiniana". Surge uma série de possibilidades técnicas visando às necessidades litúrgicas e formais que concorre para a criação de grandes obras de arte do cristianismo. No ano 532 devido à violenta insurreição de Nika, todo o esplendor clássico de Constantinopla da época de Constantino havia se tornado em ruínas. Nessa época, deixa de existir a cidade clássica, e graças aos esforços de Justiniano, começa a surgir a cidade bizantina.

Uma das novidades da arquitetura religiosa bizantina do século VI é a combinação das plantas basilical e central, cujo máximo expoente é, sem dúvida, Santa Sofia de Constantinopla.

O elemento principal e dominante é sua cúpula. Esta não é, entretanto, uma invenção bizantina. Sua origem remonta um longo passado, tanto no mediterrâneo oriental quanto no ocidental. Apesar de existirem construções cupuladas no oriente, desde vários milênios antes de Cristo, a exemplo das cúpulas da Mesopotâmia, ou mesmo as cúpulas ovulares de Khirokitia em Chipre, assim como também na arte helenística, é contudo em Roma, onde esta forma arquitetônica alcançará sua maior expressão.

Arquitetura Bizantina

Em efeito, os estudiosos coincidem em afirmar que os antecedentes diretos da arquitetura bizantina encontram-se em Roma, que havia incorporado conceitos arquitetônicos do oriente, mas desenvolvendo-os e adaptando-os a uma maneira ocidental, produzindo assim uma linguagem própria, iniciando a arquitetura bizantina.

Arquitetura Bizantina

Segundo Sas-Zaloziecky, os principais elementos técnicos para essa arquitetura já existiam em Roma, e a Igreja de Santa Sofia, por exemplo, não apresenta nenhum aspecto arquitetônico que não possa ser encontrado em algum edifício romano. Sem dúvida, a construção mais característica e monumental por suas dimensões, é o Panteon de Agripa, primeira construção com cúpula autosuportante, que descansa sobre um tambor cilíndrico. Este templo se identifica com uma linha arquitetônica que prefere as abóbadas cilíndricas, ou com naves circulares, e grandes cúpulas, que, havendo herdado muitos elementos do Oriente, passou por transformações, tornando-se modelo para os edifícios paleocristãos e bizantinos.

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Cúpula com pendentes

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Pendente

Os arquitetos bizantinos mantiveram o formato arredondado não colocando o tambor (grande arco circular sobre o qual se assenta a cúpula) diretamente sobre a base quadrada. Em cada um de seus lados ergueram um arco, sobre os quatro arcos colocaram um tambor e, sobre este, com simplicidade e segurança, a cúpula. Os arquitetos bizantinos conseguiram opor a uma construção quadrada uma cúpula arredondada, com o uso do sistema de pendentes, "triângulos" curvilíneos formados dos intervalos entre os arcos e que constituíam a base sobre a qual era colocado o tambor.

A planta de eixo central, ou de cruz grega (quatro braços iguais), se impôs como conseqüência natural da utilização da cúpula. Os pesos e forças que se distribuíam por igual na cúpula, exigiam elementos de sustentação também distribuídos por igual, e essa disposição ocorria menos facilmente na planta retangular ou de cruz latina, com braços desiguais.

Os arquitetos orientais, da escola ocidental, herdaram os princípios da arquitetura romana dando-lhe um matiz inteiramente próprio, de acordo com suas próprias necessidades litúrgicas ou estéticas.

Os edifícios cupulados bizantinos podem ser divididos em três tipos:

1. Cúpula sobre plano circular, forma similar ao Panteon de Agripa
2. Cúpula sobre plano octogonal, como San Vitale en Ravenna, que é um desenvolvimento do terceiro tipo.
3. Cúpula sobre plano quadrado, solução que se pode encontrar já no século VI e que permanece até os nossos dias. A este último gênero pertence, por exemplo, a Catedral de Edessa.

Para passar desde a forma quadrada a circular, se utilizam quatro triângulos semi-esféricos que se situam em cada ângulo do cubo: são as conchas.

Esta solução já era conhecida no Império Romano. Bizâncio, entretanto, não o copia servilmente, o assume criativamente como uma referência que irá moldar ao seu estilo particular.

A difusão desta solução que combina as plantas centrais cupulada e basilical no tempo e no espaço, demonstra o enorme êxito destas novas formas arquitetônicas. Em torno do mar Egeu, Grécia, Ásia Menor, Trácia e Armênia, se focalizará o primeiro grande núcleo desta difusão.

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Cúpula Bizantina

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Trichora

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Santa Sofia de Kiev

Durante a dinastia dos Comnenos (1057-1204) se introduzirá inovações que enriquecerão o estilo bizantino. Entre elas, podemos destacar, a redução do diâmetro das cúpulas, que ganham em altura e afinam sua silhueta. Enquanto isso, se multiplicam a quantidade de cúpulas em cada edifício. Mistra, no Peloponeso, construída entre os séculos XIII e XV, representa um particular desenvolvimento das formas arquitetônicas bizantinas, combinando a planta basilical com a central, a cúpula e a trichora. A Rússia se constituirá em outro ponto, que será fortemente influenciado por Bizâncio, desde sua conversão ao cristianismo em 988. A arte bizantina ganhou assim uma província a mais, cujos limites irão estender-se de forma inesperada. A primeira igreja russa, Santa Sofía de Kiev, levantada por arquitetos bizantinos, é, fundamentalmente, um cruzeiro com cúpula central e múltiplas naves, cada uma arrematada em uma abside.

Em todas as construções derivadas da arquitetura bizantina, além das inovações - ampliação das cúpulas, multiplicação destas e das naves, entre outras - é possível descobrir sua origem na combinação das plantas basilical e central. Assim a cúpula é sempre o elemento característico.

A igreja bizantina, está construída em função de seu interior. A chave para se compreender a arquitetura bizantina está no que se chama "a estética do sublime" em contraposição à "estética do belo", predominante no mundo clássico. Enquanto a primeira têm como objetivo comover a alma, a segunda aos sentidos; uma é interior, e a outra exterior. Ambas estão presentes na arquitetura bizantina, entretanto é a primeira concepção estética a que predomina.

Existe uma expressão exterior, material, do sublime, onde predomina a dimensão e com ela a evidência da força, e outra expressão mais interior, mais espiritual, onde dominam a profundidade e a qualidade da força. O Deus dos cristãos não é apenas força, é também amor infinito, e a morte de Cristo, sacrifício sublime, exige uma representação sublime. O contraste entre um exterior simples e austero, que não produz emoção estética alguma, e o interior surpreendentemente rico em ornamentação, ilustra essa concepção arquitetônica.

Não se trata, como no mundo clássico, de fazer a casa de Deus sobre o modelo da casa do homem, deve ser, ao contrário, um universo em miniatura, já que ali habita o Deus único. Segundo o patriarca Germá, "a igreja é o céu terrestre no qual o Deus superior habita e passeia. Isso significa que o templo é um lugar santo, independentemente da presença ou ausência dos fiéis, a presença de Deus habita ali". A "Domus Dei" é pois, uma imagem do cosmos, verdadeira morada do Deus onipresente e onipotente.

A contemplação desta arquitetura, entretanto, não deve se traduzir meramente em gozo estético, pois se trata de um gozo místico, da arte dirigida ao espírito, da alma do espectador que, iluminada, extasiada e leve, se eleva às alturas.

Esta noção é muito preciosa à arte bizantina, onde a beleza não é um fim como na arte clássica, senão um meio. Através da beleza externa das imagens, se ocultam imagens e símbolos que o observador deve saber decifrar para ingressar totalmente em um universo superior. A arte se constitui em outras palavras, em via anagógica. Conforme afirmava o Pseudo Dionisio Areopagita, "a imagem sensível é uma via para elevar-se à contemplação do Insensível."

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Santa Sofia de Constantinopla - Cúpula

Quando Procópio, referindo-se à Santa Sofia de Constantinopla, disse que "a igreja se converteu em um espetáculo de grande beleza, magnífico para os que podem gozar dela, e incrível para os que dela ouvem falar", se refere a um gozo interior, porque as formas não constituem um fim em si mesmas, senão que proclamam a presença de Deus.

Procópio ainda afirma: "sempre que se vai a essa igreja rezar, se compreende imediatamente que este trabalho se realizou não por poder e habilidades humanas, mas pela influência de Deus. Assim a mente do visitante se eleva até Deus e flutua nas alturas, pensando que Ele não pode estar longe, senão que deve amar o habitar neste lugar, que Ele mesmo escolheu."

As novas concepções artísticas que regem e controlam a construção do edifício, respondem a um fim sublime que é elevar, através do sensível e o belo, a alma até o insensível e o belo, até Deus.

A beleza material que excita os sentidos é só um meio para alcançar o dito fim.

Choricius, no século VI, sustenta a mesma idéia: "quando te encontras diante do vestíbulo de uma igreja, às vezes é difícil decidir se ficarás contemplando o pórtico ou adentrarás buscando as delícias que julgando pela beleza exterior lhe aguardam o interior". Entretanto a beleza e as formas do exterior não devem distrair o fiel de sua contemplação, devem antes convidá-lo a explorar o interior. É assim uma arte utilitária.

O templo é um microcosmo, pois se o universo se assemelha a um edifício perfeitamente construído, certos edifícios e nesse caso um templo, devem assemelhar-se ao cosmos.

A análise do edifício nos permite distinguir dois níveis: o inferior que corresponde ao mundo terreno, e o superior, ao mundo celestial. É a união harmônica entre ambos que permite falar de um verdadeiro microcosmo.

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Catedral de Edessa

No hino à Catedral de Edessa o autor afirma que o templo representa uma imagem da terra e, assim como esta, as águas o rodeiam. Isso nos leva a recordar que na cosmografia antiga a Terra é representada rodeada pelo mar oceano. É difícil imaginar como as águas rodeavam tal edifício; talvez se refira a alguma lagoa, rio ou meandro. O certo é que o primeiro edifício da referida igreja, construído no século IV, foi destruído por uma inundação.

Outra explicação está no fato de que a cidade grega de Edessa é conhecida como a "Cidade das águas" devido às diversas fontes de água mineral curativas que lá existem. Por outro lado, essa alusão nos indica que os quatro arcos que se fazem presente nessa construção representam "os quatro extremos da Terra". Além disso, quatro é um número sagrado, e sua associação com os confins da Terra, e da Terra inteira é típico na linguagem simbólica do período. O número quatro sugere ainda uma forma geométrica, o quadrado, símbolo da Terra por oposição ao céu. Na arquitetura dessa igreja o cubo suporta a cúpula e representa assim o mundo material.

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Sokollo Mehmet - Istambul

Choricius, ao falar do teto da Igreja de São Sérgio diz que este imita o céu visível e assim existiria um céu visível e o mais alto céu, o céu dos céus. Dessa maneira também se expressa Cosmas Indicopleustes, que afirma existir entre a Terra - mundo presente e o Céu - mundo futuro, um véu que os separa, que é o céu visível, o firmamento.

Este conceito corresponde a uma concepção cosmológica conhecida a época.

Assim, a cúpula da Igreja de Edessa que não se acha sustentada por nenhuma coluna, nem suporte algum, se encontra antes descansando diretamente sobre a sua base cúbica, e graças aos quatro arcos e os pendentes (sistema que permite passar de um espaço retangular a um espaço circular) parece estar suspensa no ar, desprovida de toda gravidade, representando magnificamente o céu.

Esta impressão se torna mais forte quando se vê o interior da cúpula ornamentado com mosaicos de ouro, o que pelo brilho e efeito produzidos traduz um caráter de infinitude, assemelhando-se a um céu estrelado.

A cúpula portanto, representa a abóbada celeste, e o conjunto do edifício, a imagem do universo todo. O quaternário, símbolo do terrestre, e o ternário, representando o celestial, se conjugam harmonicamente. O número cinco aparece como o centro, compartilhado pelo círculo e o quadrado, e é simbolicamente, o ómphalos que permite transitar do mundo terrestre ao celestial.

O eixo vertical do templo representa o "axis mundi", um Pilar cósmico, uma verdadeira Escada de Jacó, isto é, um centro. A cúpula é o espírito universal envolvendo o mundo.

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Interior da Igreja de Monreale

A disposição da ornamentação interior segue uma hierarquia ascendente, o que contribui para acentuar a imagem cósmica.

A iconografia distingue três zonas para a distribuição das distintas imagens: uma representa o céu, outra é reservada para os Mistérios da vida de Cristo, e a última, a inferior, para o conjunto dos santos, mártires e confessores.

As concepções teológicas se encontram em perfeito acordo com o sentimento estético para estabelecer as hierarquias das posições dos personagens.

Os serafins se situam a certa altura dos pendentes, de tal maneira que a cúpula pareça mais leve, sustentada por suas asas.

Mais tarde, em seu lugar, se colocarão representações dos quatro evangelistas ou dos quatro Mistérios centrais do cristianismo: Anunciação, Nascimento, Batismo e Transfiguração, como no caso da Igreja de Dafne, próxima de Atenas.

O ponto mais elevado, a cúpula é um lugar reservado ao Cristo Pantocrátor, ou algum símbolo que o represente como a cruz.

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Pantocrátor - teto da Igraja de Santa Sofia de Kiev - Ucrânia

Respectivamente, na abside se colocará um ícone da Virgem Maria. Entretanto, se o templo carece de cúpula, este lugar será ocupado pelo Pantocrátor.

Nas absides laterais - quando se trata de uma trichora, contêm cenas evangélicas. Finalmente, nos planos inferiores se representam os mártires e santos, que mostram a via que conduz ao Pai, mediante seus exemplos de vida.

Estas ornamentações entram na composição com o resto do edifício para representar o todo celestial e o conjunto cósmico.

Todas estas formas, imagens, paredes revestidas de mármores e mosaicos, necessitam de um elemento que lhes outorgue uma dimensão real: a luz.

Na catedral de Edessa existem três janelas situadas na abside que simbolizam a Trindade, por essas janelas entram três fachos de luz que se projetam formando um só facho que se projeta diretamente iluminando o santuário. Há ainda várias janelas situadas nas três fachadas.

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Santa Sofia de Constantinopla - Interior

A luz representa um papel fundamental, como aponta André Grabar a respeito de Santa Sofia de Constantinopla: "cada hora têm sua própria luz, seu próprio feixe de raios luminosos, os quais, ao penetrar por diferentes janelas, convergem em um determinado ponto, ou ao entrecruzar-se em diferentes alturas, resvalam ao longo das paredes e se derramam sobre as lajes do pavimento. Este encaixe radiante encontra em movimento e sua mobilidade aumenta o efeito irreal da visão".

O fiel que entra na igreja se sentirá surpreendido pela iluminação, e ao levantar os olhos para o alto se encontrará diante de um céu estrelado, e ao final verá o Pantocrátor. Assim, permanecerá imóvel, perdido no centro desta imensidade, submergido pelo infinito no coração deste espaço ilimitado, deslumbrado pela luz material e mística que erradia a cúpula.

A arte, aqui, tem como missão transmitir esse ideal através da matéria. A esse ideal corresponde a Luz. Esta mística da luz tem como base o fato de que a matéria humana impede a passagem da luminosa imaterialidade de Deus. Assim, todos os recursos técnicos e estilísticos se combinam, no intuito de elevar a alma do espectador até Deus, extasiando-o com o jogo de figuras e feixes luminosos, utilizando assim, a "estética do sublime".

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Domo da Rocha - Jerusalém

A força original de que está dotada esta concepção estética e simbólica será tão forte e viva, que ultrapassará não somente os limites geográficos, mas até mesmo as fronteiras religiosas.

A arte islâmica receberá também sua influência, o que se pode perceber por exemplo, em um dos mais importantes monumentos da fé islâmica em Jerusalém, o Domo da Rocha, cuja arquitetura segue a linha dos templos cristãos: um corpo octogonal coberto por uma cúpula. Segundo Oleg Grabar, a arte islâmica se inspirou em grande medida na arte bizantina. Artistas imperiais de Bizâncio foram inclusive chamados pelos muçulmanos para decorar seus edifícios. Os homens do Islã se impressionaram com os monumentos cristãos, copiando algumas de suas formas.

Bibliografia

GUENON, René. Os Símbolos da Ciência Sagrada. São Paulo: Pensamento, 1989.
ANGOLD, Michael. Bizâncio: A Ponte da Antigüidade para a Idade Média. São Paulo: Imago, 2002.
LUCCHESI, Marco. Bizâncio. São Paulo: Record, 1996.

Fonte: www.beatrix.pro.br

Arquitetura Bizantina

Havia Bizâncio, antiga colônia grega à margem do estreito de Bósforo, e havia um romano que decidiu fazer dela capital do seu imperio, com um nome derivado do seu nome. O imperador romano era Constantino, sucessor de Diocleciano no trono.

E Bizâncio virou Constantinopla no ano de 330.

Durante o governo de Teodósio ocorreu a divisão do império (395) em duas partes: Império do Ocidente, com sede em Roma, e Império do Oriente, com Constantinopla como capital. A parte ocidental, invadida e dominada pelos germanos, foi se desagregando pouco a pouco, à medida que os grandes proprietários e chefes locais se substituíam no Poder. No Império Romano do Oriente floresceu a partir do século V a civilização bizantina, de elementos gregos e romanos.

O cristianismo, perseguido por Diocleciano (284 a 305), elevado à igualdade com os cultos pagãos no reino de Constantino (306 e 337) e proclamado religião oficial com Teodósio (394 a 395), dominaria em quase todas as suas realizações. Depois da cisão do cristianismo, que durou do século V ao século XI, a antiga Bizâncio tornou-se o centro principal da Igreja Ortodoxa.

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Igreja de Alexandre Névski (Sofia) - estrutura bizantina típica

A arte bizantina teve seu centro de difusão em Bizâncio, mais exatamente na cidade de Constantinopla, e se desenvolveu a partir do século IV como produto da confluência das culturas da Ásia Menor e da Síria, com elementos alenxandrinos.

As bases do império eram três: a política, a economia e a religião e, para manter a unidade entre os diversos povos que conviviam em Bizâncio, Constantino oficializou o cristianismo, tendo o cuidade de enfatizar nele aspectos como rituais e imagens dos demais grupos religiosos.

Uma vez estabelecido na Nova Roma (Constantinopla), Constantino começou a renovação arquitetônica da cidade, erigindo teatros, termas, palácios e sobretudo igrejas, já que se fazia necessário, uma vez oficializado o cristianismo, imprimir seu caráter público definitivo em edifícios abertos ao culto.

As primeiras igrejas seguiram o modelo das salas da basílica (casa real) grega: uma galeria ou nártex, às vezes ladeada por torres, dava acesso à nave principal, separada por fileiras de colunas de uma ou duas naves laterais.

A arte bizantina era uma arte cristã, de caráter eminentemente cerimonial e decorativo, em que a harmonia das formas - fundamental na arte grega - foi substituída pela imponência e riqueza dos materiais e dos detalhes. Desconhecia perspectiva, volume ou profundidade do espaço e empregava em profusão as superfícies planas, onde sobressaíam melhor os ornamentos luxuosos e complicados que acompanhavam as figuras.

A religião ortodoxa, além de inspiradora, funcionava como censora - o clero estabelecia as verdades sagradas e os padrões para representação de Cristo, da Virgem, dos Apóstolos, ou para exaltação da pessoa do imperador que, além de absoluto, com poderes ilimitados sobre todos os setores da vida social, era o representante de Deus na terra, com autoridade equiparada à dos Apóstolos.

Assim, ao artista cabia apenas a representação segundo os padrões religiosos, pouco importando a riqueza de sua imaginação ou a expressão de seus sentimentos em relação a determinada personagem ou doutrina sacra, ou mesmo ao soberano onipotente. Essa rigidez exlica o caráter convencional e certa uniformidade de estilo constantes no desenvolvimento da arte bizantina.

No momento de sua máxima expansão, o Império Bizantino englobava, na Europa, os territórios balcânicos limitados pelos rios Danúbio, Drina e Sava, e parte da península Itálica (Exarcado de Ravena); a Ásia Menor, Síria e Palestina, na Ásia; o Egito e as regiões que hoje formam a Líbia e a Tunísia, na África. Por outro lado, Constantinopla se erguia no entroncamento das rotas comerciais entre a Ásia e a Europa mediterrânea. A população do império compreendia, pois, nacionalidades diversas, sobretudo gregos.

A arte bizantina sofreu, assim, influências diversas, vindas do Egito, Síria, Anatólia, Pérsia, Balcãs e da própria antiguidade grega.

Influências que se fundiram em Constantinopla, onde se processou a formação de um novo estilo definindo-se seus traços.

Sua história pode ser dividida em três fases principais: a idade do ouro, a iconoclastia e a segunda idade do ouro.

A primeira fase (idade do ouro), corresponde ao reinado de Justiniano (526 a 565), quando se construiu a igreja de Santa Sofia, o maior e mais representativo dos monumentos da arte bizantina.

A segunda fase se caracterizou pela iconoclastia - movimento que começou mais ou menos em 725, com um decreto do Imperador Leão III que proibia o uso de imagens nos templos -; o terceiro período foi a segunda idade de ouro (séculos X e XIII) e nele se deu um novo apogeu das pinturas e mosaicos tão combatidos pelo movimento iconoclasta.

Inspirada e guiada pela religião, a arquitetura alcançou sua expressão mais perfeita na construção de igrejas. E foi precisamente nas edificações religiosas que se manifestaram as diversas influências absorvidas pela arte bizantina. Houve um afastamento da tradição greco-romana, sendo criadas, sob influência da arquitetura persa, novas formas de templos, diferentes dos ocidentais. Foi nessa época que se iniciou a construção das igrejas de planta de cruz grega, coberta por cúpulas em forma de pendentes, conseguindo-se assim fechar espaços quadrados com teto de base circular.

As características predominantes seriam a cúpula (parte superior e côncava dos edifícios) e a planta de eixo central, também chamada de planta de cruz grega (quatro braços iguais). A cúpula procurava reproduzir a abóbada celeste. Esse sistema, que parece já ter sido utilizado na Jordânia em séculos anteriores e inclusive na Roma Antiga, se transformou no símbolo do poderio bizantino.

A cúpula é originária da Ásia Menor, cujos povos, que sempre se distinguiam como arquitetos, recorreram ao expediente de suspendê-la sobre uma construção quadrada ou pousaram-na diretamente em construções circulares. Os persas imaginaram outra alternativa, colocando sobre a base quadrada uma cúpula octogonal. A solução encontrada pelos persas para a colocação de cúpula sobre uma construção quadrada foi o abandono da forma circular para base e a adoção da forma octogonal, sobre a qual se erguia a cúpula, já não totalmente redonda, mas facetada em oito "triângulos" curvos.

Os arquitetos bizantinos mantiveram o formato arredondado não colocando o tambor (grande arco circular sobre o qual se assenta a cúpula) diretamente sobre a base quadrade: em cada um de seus lados ergueram um arco, sobre os quatro arcos colocaram um tambor e, sobre este, com simplicidade e segunrança, a cúpula. Os arquitetos bizantinos conseguiram apor a uma construção quadrada uma cúpula arredondada, com o uso do sistema de pendentes, "triângulos" curvilíneos formados dos intervalos entre os arcos e que constituíam a base sobre a qual era colocado o tambor.

A planta de eixo central, ou de cruz grega (quatro braços iguais), se impôs como consequência natural da utilização da cúpula. Os pesos e forças que se distibuiam por igual na cúpula exigiam elementos de sustentação também distribuídos por igual, e essa disposição ocorria menos facilmente na planta retangular ou de cruz latina, com braços desiguais.

O apogeu cultural de Bizâncio teve lugar sob o reinado de Justiniano e sua arquitetura se difundiu rapidamente pela Europa ocidental, mas adaptada à econômia e possiblidades de cada cidade.

Pertence a essa época um dos edifícios mais representativos da arquitetura bizantina: a Igreja de Santa Sofia. Não se deve esquecer que Santa Sofia foi construída sem a preocupação com gastos, algo que os demais governates nem sempre podiam se permitir.

São também, entre outras, exemplos do esplendor da arquitetura bizantina, construídas por Antêmio de Trales e Isidoro de Mileto: as igrejas de São Sérgio e São Baco e a dos Santos Apóstolos, bem como a Igreja de Santa Irene

Arquitetura Bizantina
Igreja de São Sérgio e São Baco - Constantinopla

Arquitetura Bizantina
Igreja dos Santos Apóstolos Tessalonica, Grécia

Arquitetura Bizantina
Igreja de Santa Irene, Istambul

Fonte: pegue.com

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