No dia 21 de junho à meia-noite bem próximo do zênite (um pouco a oeste) há um grupo de estrelas que lembram um enorme sinal de interrogação ou gancho no céu. Esta é a constelação de Escorpião. Antares (Alfa Scorpi) é a estrela mais brilhante da constelação. Seguindo a cauda enrodilhada para o sudeste até o fim encontramos duas estrelas formando o ferrão do aracnídeo, a mais brilhante chama-se Shaula (Lambda Scorpi).

Todas as referências são dadas para a latitude do Rio de Janeiro porém são válidas para uma vasta região do Brasil em torno do Trópico de Capricórnio.
A leste do Cruzeiro existem duas estrelas de grande brilho são elas Rigil Kentaurus (Alfa Centauri) e Hadar (Beta Centauri). São chamadas Guardiães do Cruzeiro. Rigil é a estrela mais próxima do Sistema Solar (mesmo assim a luz demora cerca de quatro anos para percorrer o caminho até aqui). Na verdade Alfa Centauri é uma estrela tripla , isto é, um sistema composto de 3 estrelas das quais duas podem ser vistas da Terra com instrumentos modestos.
A sudeste das Guardiães estará constelação do Triângulo Astral cuja alfa chama-se Atria. A oeste do Cruzeiro temos uma região repleta de estrelas e objetos interessantes: a Carina. Desta rica constelação podemos destacar o Falso Cruzeiro e Alfa Carinæ, Canopus.
Próximo ao zênite quatro estrelas formam um pequeno quadrilátero: é o Corvo ladeado ao nordeste pela Alfa da Virgem, Spica, e a noroeste pela constelação do Leão, cuja alfa chama-se Régulos.

Esta é uma estação um tanto ingrata para o principiante. Se você colocar sua carta no dia 23 de setembro à meia-noite perceberá que a Via Láctea estará praticamente no horizonte o que nos dá um céu sem muitas estrelas brilhantes. Como o nosso método trabalha com constelação contidas nas proximidades da Via Láctea este céu constitui-se de um desafio para aqueles que já dominam as estações anteriores. Como a primavera é a transição do Inverno para o Verão ainda é possível ver alguns trechos dos céus destas estações.
No nascente podemos ver Orion e Touro. No horizonte sul, um pouco para o leste, ainda brilha Canopus. No poente, um pouco ao sul, vemos Sagitário e a cauda do Escorpião. Nesta época, a esta hora, o Cruzeiro está abaixo do horizonte.
Antes e depois meridiano temos duas estrelas muito brilhantes: Achernar, Alfa Eridani e Fomalhaut ,Alfa Piscis Austrinus. Ainda ao longo do meridiano, ao norte quatro estrelas formam o Grande Quadrado de Pégaso. São elas: Sheats, Beta do Pégaso, Alpheratz, Alfa da Andromeda, Algenib, Gama do Pégaso e Markab, Alfa do Pégaso.

Ao noroeste de Orion encontramos Aldebaran, Alfa Tauri, com uma cor dourada. Esta brilhante estrela faz parte de um notável asterismo: as Híades que lembra uma letra A com seu vértice voltado para o sudoeste. Este é um dos aglomerado estelares mais próximos de nós.
A sudeste vemos Sírius, Alfa Canis Majoris, a estrela mais brilhante de todo o céu. Ao nordeste vemos a constelação de Gêmeos com suas duas estrelas mais brilhantes Castor (Alfa Geminorum) e Pollux (Beta Geminorum) e um pouco mais ao sul destas brilha Procyon (Alfa Canis Majoris). Ao sul do Cão Maior(ao longo do meridiano) vemos Canopus.
O Cruzeiro ainda pode ser visto a sudeste próximo ao horizonte.

Antes da sua noite de observação é útil uma preparação prévia. Com isto você aproveitará muito mais seu tempo de observação sabendo de antemão o que haverá de interessante no céu.
Primeiramente procure saber se a noite é de Lua, isto é, se a Lua estará no céu. A Lua pode atrapalhar bastante a observação de objetos pouco luminosos como aglomerados e nebulosas. Num calendário você encontra esta informação. Em periódicos especializados em Astronomia você poderá encontrar uma listagem dos astros próximos a Lua em um dado período.
O próximo passo é localizar os planetas no zodíaco. Para isso é preciso utilizar os periódicos acima citados. Esta localização será importantíssima pois serão os planetas os astros mais brilhantes do céu e facilmente poderiam ser confundidos com estrelas de 1a grandeza. A seguir localize as estrelas de 1a. magnitude que estarão no céu. Juntamente com os planetas estas estrelas serão os primeiros objetos a serem localizados. Dê uma atenção especial a região zenital. Tente memorizar as posições dos planetas, estrelas brilhantes e constelações mais importantes.
A escolha do lugar de observação é muito importante. Procure um lugar pouco iluminado e sem obstáculos que bloqueiem o horizonte.
Sua observação pode começar com o pôr do Sol mas o céu só atingirá bom nível de escuridão após aproximadamente 1 hora. Este período é chamado de Crepúsculo Astronômico e quando termina é possível ver as estrelas de magnitude 6 (num céu ideal).
Seus instrumentos principais serão seus olhos logo torna-se necessário que você conheça seu funcionamento e suas limitações. O olho humano funciona como uma câmara fotográfica. A luz penetra pela pupila que funciona como um diagrama controlando a entrada de luz. Esta luz atravessa uma lente natural chamada cristalino que focaliza as imagens sobre a retina. é aí que os impulsos luminosos se tornam em impulsos nervosos capazes de serem interpretados pelo nosso cérebro.
Na retina existem dois tipos de células fotossensíveis: os cones e os bastonetes. Os cones são sensíveis as cores e demoram cerca de 10 minutos para se acostumarem a baixa iluminação contudo sua eficiência é pequena durante a noite. Já os bastonetes demoram mais tempo (algo em torno de 1 hora) para atingirem sua eficiência máxima. Esta célula funciona como um filme preto e branco percebendo diferentes tons de cinza. Os bastonetes necessitam de bem menos luz do que os cones por isso percebemos pouco as cores das estrelas e dos objetos que nos cercam a noite.
Conclusão: só após aproximadamente 1 hora em escuridão seus olhos estarão adaptados o suficiente para vislumbrar os astros de maior magnitude(menos brilhantes). Se precisar consultar o planisfério ou fazer alguma anotação utilize uma pequena lanterna recoberta com várias folhas de papel celofane vermelho. Nossos olhos são menos afetados pelo vermelho o que evita um novo período de readaptação.
No início da observação você tem que ter em mente o local do pôr do Sol para usá-lo como referência para identificar os pontos cardeais. Procure orientar a carta em relação a eles.
Agora comece sua busca com os astros mais brilhantes. Parta da região ao redor do zênite para o horizonte. Tente achar de início o astro mais brilhante (planeta ou estrela) mais próximo ao zênite. A seguir visualize as constelações chaves que contém estrelas brilhantes. Através de alinhamentos você irá localizando os astros menos brilhantes e constelações menos notáveis. Nos locais de céu muito bom a quantidade de estrelas é muito grande e dificulta um pouco o reconhecimento. Por isso é bom começar com um céu de menor qualidade. A poluição luminosa (névoa, luz artificial etc.) agirá como um filtro diminuindo o número de estrelas, isto é, só às mais brilhantes serão vistas. Guarde na memória suas posições relativas e quando tiver diante de si um céu limpo procure-as.
Em geral, as cartas celestes trazem impressa uma faixa clara que circunda o disco de forma mais ou menos irregular. Esta faixa representa a Via-Láctea, a nossa Galáxia. Num céu bom ela aparece como uma faixa nebulosa que geralmente cruza o céu de um lado a outro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, Gulherme de. "Roteiro do Céu", de Guilherme de Almeida (4.ª Edição) Ed.Platano
Slides do Curso ministrado no Mast em Maio de 2004
FARIA, R. P. "Astronomia À Olho Nu". Editora Brasiliense. 1986.
JACI Monteiro, Mário, "Constelações". Publicação do Clube de Astronomia do Rio de Janeiro (CARJ).
MENZEL, D. H. & PASACHOFF, J. M. "Guia De Campo De Las Estrellas Y Los Planetas De Los Hemisférios Norte Y Sur" Editora Omega. 1986. Barcelona. Espanha.
MOURÃO, Ronaldo R. de F. "Carta Celeste do Brasil". Editora Bertrand Brasil, 1985.
_____. "Atlas Celeste". Editora Vozes. 1982.
NICOLINI, Jean. "Manual do Astrônomo Amador". Editora Papirus. 1985.
VIEIRA, Fernando. Identificação do Céu. Publicação da Fundação Planetário - Rio de Janeiro. 1986.
Periódicos onde se pode encontrar posições dos planetas:
ANUÁRIO DE ASTRONOMIA. Ronaldo R. de F. Mourão. Editora Bertrand Brasil. Publicação Anual.
EFEMÉRIDES ASTRONÔMICAS. Publicação Anual do Observatório Nacional.
ASTRONOMY. Revista americana publicada mensalmente.
SKY AND TELESCOPE. Revista americana publicada mensalmente.
Mapas Celestes:
A maior parte dos mapas aqui apresentados foram baseados no software SkyMap Pro Version 5.
Para um Planisfério que você mesmo imprime e monta visite o link abaixo:
http://planeta.terra.com.br/lazer/zeca/pratica/planisferio.htm
Os "mirrors" autorizados desta pagina se encontram em
http://sites.uol.com.br/ffernandez/apostila/apostila.htm
http://www.geocities.com/cadu-mg/basastronomy/thesky.htm
http://greenfield.fortunecity.com/hawks/235/ ciencias/astronomia/ceu/apostila.htm
Naelton Mendes de Araujo
Fonte: www.geocities.com