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Reforma Religiosa

O que foi a Reforma Religiosa?

No século XVI a Europa foi abalada por uma série de movimentos religiosos que contestavam abertamente os dogmas da igreja católica e a autoridade do papa. Estes movimentos, conhecidos genericamente como Reforma, foram sem dúvida de cunho religioso. No entanto, estavam ocorrendo ao mesmo tempo que as mudanças na economia européia, juntamente com a ascensão da burguesia. Por isso, algumas correntes do movimento reformista se adequavam às necessidades religiosas da burguesia, ao valorizar o homem “empreendedor” e ao justificar a busca do “lucro”, sempre condenado pela igreja católica.

Os fatores que desenvadearam a Reforma

Uma das causas importantes da Reforma foi o humanismo evangelista, crítico da Igreja da época. A Igreja havia se afastado muito de suas origens e de seus ensinamentos, como pobreza, simplicidade, sofrimento. No século XVI, o catolicismo era uma religião de pompa, luxo e ociosidade. Surgiram críticas em livros como o Elogio da Loucura (1509), de Erasmo de Rotterdam, que se transformaram na base para que Martinho Lutero efetivasse o rompimento com a igreja católica.

O papa Leão X, no centro, em pintura de Rafael Sanzio, de 1518.
O papa Leão X, no centro, em pintura de Rafael Sanzio, de 1518.
Durante o seu papado (1483 - 1520)
surgiu o movimento reformista,
que levaria à divisão do Cristianismo na Europa

Moralmente, a Igreja estava em decadência: preocupava-se mais com as questões políticas e econômicas do que com as questões religiosas. Para aumentar ainda mais suas riquezas, a Igreja recorria a qualquer subterfúgio, como, por exemplo, a venda de cargos eclesiásticos, venda de relíquias e, principalmente, a venda das famosas indulgências, que foram a causa imediata da crítica de Lutero. O papado garantia que cada cristão pecador poderia comprar o perdão da Igreja.

A formação das monarquias nacionais trouxe consigo um sentimento de nacionalidade às pessoas que habitavam uma mesma região, sentimento este desconhecido na Europa feudal, Esse fato motivou o declínio da autoridade papal, pois o rei e a nação passaram a ser mais importantes.

Outro fator muito importante, ligado ao anterior, foi a ascensão da burguesia, que, além do papel decisivo que representou na formação das monarquias nacionais e no pensamento humanista, foi fundamental na Reforma Religiosa. Ora, na ideologia católica, a única forma de riqueza era a terra; o dinheiro, o comércio e as atividades bancárias eram práticas pecaminosas; trabalhar pela obtenção do lucro, que é a essência do capital, era pecado. A burguesia precisava, portanto, de uma nova religião, que justificasse seu amor pelo dinheiro e incentivasse as atividades ligadas ao comércio.

A doutrina protestante, criada pela Reforma, satisfazia plenamente os anseios desta nova classe, pois pregava o acúmulo de capital como forma de obtenção do paraíso celestial. Assim, grande parte da burguesia, ligada às atividades lucrativas, aderiu ao movimento reformista.

Por que a Reforma começou na Alemanha?

No século XVI, a Alemanha não era um Estado politicamente centralizado. A nobreza era tão independente que cunhava moedas, fazia a justiça e recolhia impostos em suas propriedades. Para complementar sua riqueza, saqueava nas rotas comerciais, expropriando os mercadores e camponeses.
A burguesia alemã, comparada à dos países da Europa, era débil: os comerciantes e banqueiros mais poderosos estabeleciam-se no sul, às margens do Reno e do Danúbio, por onde passavam as principais rotas comerciais; as atividades econômicas da região eram a exportação de vidro, de metais e a “indústria” do papel; mas o setor mais forte da burguesia era o usurário.

Quem se opunha à igreja na Alemanha

A igreja católica alemã era muito rica. Seus maiores domínios se localizavam às margens do Reno, chamadas de “caminho do clero”, e eram estes territórios alemães que mais impostos rendiam à Igreja.
A Igreja era sempre associada a tudo que estivesse ligado ao feudalismo. Por isso, a burguesia via a Igreja como inimiga. Seus anseios eram por uma Igreja que gastasse menos, que absorvesse menos impostos e, principalmente, que não condenasse a prática de ganhar dinheiro.

Os senhores feudais alemães estavam interessados nas imensas propriedades da Igreja e do clero alemão.

Os pobres identificavam a Igreja com o sistema que os oprimia: o feudalismo. Isto porque ela representava mais um senhor feudal, a quem deviam muitos impostos.

Às vésperas da Reforma, a luta de classes e política acabou assumindo uma forma religiosa.

Fonte: www.saberhistoria.hpg.ig.com.br

Reforma Religiosa

Desde o renascimento do Sacro Império Romano por Otão I em 962, os Papas e os Imperadores envolveram-se numa contínua luta pela supremacia ( A Querela das Investiduras). Este conflito resultou geralmente em vitórias para o partido papal, mas criou um amargo antagonismo entre Roma e o Império Germânico, o qual aumentou com o desenvolvimento de um sentimento nacionalista na Alemanha durante os séculos XIV e XV. O ressentimento contra os impostos do Papa e a submissão do clero à autoridade distante e estrangeira do Papado manifestou-se também noutros países da Europa.

No século XIV, o reformador inglês John Wycliff distinguiu-se por traduzir a Bíblia, contestar a autoridade pontifícia e censurar o culto dos santos das relíquias. Jan Hus difundiu aquelas doutrinas na Boémia e pugnou pela criação de uma Igreja nacional. A execução, em 1415, de Hus na fogueira acusado de heresia levou diretamente às guerras hussitas, uma violenta expressão do nacionalismo boémio, suprimido com dificuldade pelas forças aliadas do Sacro Império Romano e do Papa. Estas guerras foram precursoras da guerra civil religiosa na Alemanha na época de Lutero. Em 1516, a concordata entre o rei e o Papa colocou a Igreja francesa substancialmente sob a autoridade régia. Antigas concordatas com outras monarquias nacionais prepararam também a autonomização das Igrejas nacionais

Martinho Lutero
Martinho Lutero

REFORMA PROTESTANTE

O Cisma do Ocidente (1378-1417) fragilizou gravemente a autoridade pontifícia e tornou premente a necessidade de reformar a Igreja. O Renascimento e a invenção da imprensa reacenderam as críticas à Igreja: a corrupção e hipocrisia do clero em geral e, em particular, a ignorância e superstição das ordens mendicantes; a ambição dos Papas, cujo poder temporal originava divisões entre os crentes; e a teologia das escolas responsável pela deturpação e desumanização da mensagem cristã. Estas críticas foram feitas por Lourenço Valla, na Itália do século XV, e Erasmo de Roterdão, na Holanda, John Colet e Thomas More, na Inglaterra, Johann Reuchlin, na Alemanha, e Jacques Lefèvre d’Étaples, em França, no século XVI, foram alguns dos humanistas que procuraram conciliar o movimento humanista com a mensagem das Escrituras, criticando algumas práticas da Igreja. Estas críticas serviram de base a Martinho Lutero e João Calvino para clamarem pela Bíblia, mais do que a Igreja como fonte de toda a autoridade religiosa.

Os Movimentos Nacionais

A Reforma Protestante começou na Alemanha quando Lutero publicou as "95 Teses", transformando a teoria e a prática das indulgências.


Calvino
Calvino

A Alemanha e a Reforma Luterana

Lutero partilhava a necessidade de uma religião interior, baseada na comunhão da alma, humilde e receptiva, com Deus. Com uma interpretação muito pessoal, Lutero defendeu que o homem, apenas pelas suas obras, é incapaz de se santificar e que é pelo ato de crer, ou seja pela Fé, que se chega à santificação. Só a Fé torna o homem justo, não sendo as boas obras suficientes para apagar os pecados e garantir a salvação.

A excomunhão pelo papa de Martinho Lutero quebrou a unidade da Igreja ocidental e iniciou um período de guerras que opuseram o Imperador Carlos V e alguns príncipes da Alemanha. A condenação de Lutero na Dieta de Worms e o seu desterro dividiu a Alemanha numa fronteira econômica e religiosa. De um lado, aqueles que desejavam preservar a ordem tradicional, incluindo o imperador e o alto clero, suportados pela Igreja Católica Romana. Do outro, os apoiantes do Luteranismo – os príncipes do Norte da Alemanha, o baixo clero, os grupos burgueses e largas camadas de camponeses – que acolheram a mudança como uma oportunidade para aumentarem a sua autoridade nas esferas religiosa e econômica, apropriando-se dos bens da Igreja.

Os intermitentes períodos de guerra civil religiosa terminaram com a Paz de Augsburgo. Este tratado decidiu que cada um governadores dos Estados alemães, que formavam cerca de 300 estados, optaria entre o Catolicismo Romano e o Luteranismo e subordinou a opção religiosa à autoridade do príncipe. O Luteranismo, perfilhado por metade da população alemã, receberia finalmente o reconhecimento oficial, mas a antiga unidade religiosa da comunidade cristã da Europa ocidental sob a suprema autoridade pontifícia foi destruída.

A Suíça

O movimento reformista na Suíça, contemporâneo da Reforma na Alemanha, foi conduzido pelo pastor suíço Ulrico Zwínglio, que, em 1518, ficou conhecido pela sua vigorosa denúncia à venda das indulgências. Zwínglio considerava a Bíblia a única fonte da autoridade moral e procurou eliminar tudo o que existia no sistema do Catolicismo Romano que não derivasse especificamente das Escrituras. De Zurique, este movimento alastrou por todo o território suíço, originando um conflito entre 1529-1531. A paz permitiu a escolha religiosa de cada cantão. O Catolicismo Romano prevaleceu nas províncias montanhosas do país e o Protestantismo implantou-se nas grandes cidades e nos férteis vales.

Após a geração de Lutero e de Zwínglio, a figura dominante da Reforma foi Calvino, um teólogo protestante francês, que fugiu da perseguição de França e que se instalou na nova república independente de Genebra, em 1536. Apesar da Igreja e do Estado estarem oficialmente separados, cooperavam tão estreitamente que Genebra era virtualmente uma teocracia. Para reforçar a disciplina moral, Calvino instituiu uma rígida inspeção à conduta familiar e organizou um consistório, composto por pastores e leigos, com um grande poder compulsivo sobre as comunidades. O vestuário e o comportamento pessoal dos cidadãos era prescrito ao mínimo pormenor: dançar, jogar às cartas e aos dados e outros divertimentos eram proibidos e a blasfêmia e a linguagem imprópria severamente punidas. Debaixo deste regime severo, os inconformistas eram perseguidos e, por vezes, condenados à morte. Para encorajar a leitura e o entendimento da Bíblia, todos os cidadãos tinham pelo menos uma educação elementar. Em 1559, Calvino fundou a Universidade de Genebra, famosa pela formação de pastores e professores. Mais do que qualquer outro reformista, Calvino organizou o pensamento Protestante num claro e lógico sistema.

A difusão das suas obras, a sua influência como educador e a sua grande habilidade de organizador da Igreja e do Estado reformistas criaram um movimento de adeptos internacionais e deram às Igrejas Reformistas, de acordo com o termo como as Igrejas Protestantes eram conhecidas na Suíça, França e Escócia, um cunho inteiramente calvinista, quer na religião quer na organização.

França

A Reforma na França começou no início do século XVI através de um grupos de místicos e humanistas que se juntaram em Meaux, perto de Paris, sob a liderança de Lefèvre d’Étaples. Tal como Lutero, d’Étaples estudou as Epístolas de S. Paulo e fez derivar delas a crença na justificação da fé individual, negando a doutrina da transubstanciação. Em 1523, traduziu para francês o Novo Testamento. No princípio, os seus textos foram bem recebidos pela Igreja e pelo Estado, mas, a partir do momento em que as doutrinas radicais de Lutero começaram a espalhar-se em França, o trabalho de Lefèvre foi visto como similar e os seus seguidores foram perseguidos. Apesar de todos os esforços para evitar a expansão do Protestantismo em França, os Huguenotes cresceram imenso e a guerra civil entre 1562-1598 foi generalizada. As mútuas perseguições entre católicos e Huguenotes originaram episódios como o massacre de S. Bartolomeu, na noite de 23 para 24 de Agosto de 1572, durante o qual foram assassinados os protestantes que estavam em Paris, para assistir ao casamento de Henrique IV. A guerra terminou com o Edito de Nantes, em 1598, que concedeu a liberdade de culto aos Huguenotes. Em 1685, Luís XIV revogaria este edito, expulsando do país os protestantes.

Inglaterra

A revolta inglesa contra Roma difere das revoltas da Alemanha, da Suíça e da França em dois aspectos. Primeiro, a Inglaterra era uma nação unida com um governo central forte, por isso, em vez de dividir o país em facções ou partidos regionais e terminar numa guerra civil, a revolta foi nacional – o rei e o Parlamento agiram juntos transferindo para a coroa a jurisdição eclesiástica previamente exercida pelo papa. Segundo, nos países continentais, a agitação popular visando a Reforma Religiosa precedeu e causou a ruptura política com o papado. Em Inglaterra, pelo contrário, a ruptura política deu-se primeiro, como resultado da decisão de Henrique VIII para se divorciar da sua primeira esposa, e a mudança na doutrina religiosa veio depois, nos reinados de Eduardo VI e de Isabel I. Após o divórcio com Catarina de Aragão, Henrique VIII casou com Ana Bolena, mas, em 1533,o papa excomungou-o. Em 1534, através do Acto de Supremacia, o Parlamento reconhecia a coroa como chefe da Igreja da Inglaterra e entre 1536-1539 os mosteiros eram suprimidos e as suas propriedades anexadas pelo rei e distribuídas pela nobreza adepta da reforma.

No reinado de Isabel I (1558-1603), estabelece-se a Igreja Anglicana, que representa um compromisso entre a doutrina calvinista e a liturgia católica. Pelo Acto de Supremacia, votado novamente em 1559, Isabel I detinha a autoridade em matéria eclesiástica, enquanto o Acto de Uniformidade, de 1564, impunha a Lei dos 39 Artigos, que estabelecia o essencial da religião calvinista.

Inquisição católica
Inquisição católica

Consequências da Reforma Religiosa

Apesar da diversidade das forças revolucionárias do século XVI, a Reforma teve grandes e consistentes resultados na Europa ocidental. Em geral, o poder e a riqueza perdidos pela nobreza feudal e pela hierarquia da Igreja Católica Romana foram transferidos para os novos grupos sociais em ascensão e para a coroa. Várias regiões da Europa conseguiram a sua independência política, religiosa e cultural. Mesmo em países como a França e na região da atual Bélgica, onde o Catolicismo Romano prevaleceu, um novo individualismo e nacionalismo foram desenvolvidos na cultura e na política. A destruição da autoridade medieval libertou o comércio e as atividades financeiras das restrições religiosas e promoveu o capitalismo. Durante a Reforma, as línguas nacionais e a literatura foram estimuladas através da difusão dos textos religiosos escritos na língua materna, e não em latim. A educação dos povos foi, também, estimulada pelas novas escolas fundadas por Colet na Inglaterra, Calvino em Genebra e pelos príncipes protestantes na Alemanha. A religião deixou de ser monopólio de uma minoria clerical privilegiada e passou a ser uma expressão mais direta das crenças populares. Todavia, a intolerância religiosa manteve-se inabalável e as diferentes Igrejas continuaram a perseguir-se mutuamente, pelo menos, durante mais de um século.

Papa Leão X
Papa Leão X

Fonte: paginas.terra.com.br

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