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Coqueiro

Cultivo do Coqueiro

Apresentação

O coqueiro (Cocos nucifera L.) é uma palmeira perene originária do Sudeste Asiático e foi introduzida no Brasil em 1553 pelos portugueses. A planta é considerada uma das árvores mais importantes do mundo, devido ser uma atividade que gera emprego e renda em vários países do globo, onde seus frutos podem ser consumidos in natura ou industrializado na forma de mais de 100 produtos e subprodutos. Além disso, raiz, estipe, inflorescência, folhas e palmito geram diversos subprodutos ou derivados de interesse econômico. Além disso, o coqueiro é utilizado como planta paisagística para embelezar praças, canteiros públicos, chácaras e fazendas.

Aspectos climáticos

Os principais municípios produtores de coco se caracterizam por apresentar clima tropical, úmido e quente, com classificação de Köppen tipo Aw. Apresenta um período seco bem definido durante a estação de inverno, quando ocorrem precipitações inferiores a 50 mm/mês, nestes meses, junho, julho e agosto a média de precipitação é inferior a 20mm /mês. A média anual de precipitação varia de 1.400 a 2.500 mm/ano, e a média anual da temperatura do ar fica entre 24° e 26° , com temperaturas máximas entre 24° C e 26° C e mínimas entre 17° e 23° C. A média anual de umidade relativa do ar varia de 80% a 90% no verão, e em torno de 75%, no outono inverno.

Aspectos edáficos

Os solos se distribuem em: 58% Latossolos (sendo vermelho-amarelo 26%, Amarelos 16% e Vermelho, também 16%); 12% Argissolo (Podzólico, Terra Roxa, Alissolo, Nitossolo e Luvissolo), 11% Neossolos (Solos litólicos, Areias Quartzosas, Regossolos e Solos Aluviais), 10% Cambissolo, 9% Gleissolo.

As áreas cultivadas com coco são predominantemente de solos do tipo Latossolo, que apresentam como características serem: profundos, bem drenados e geralmente ácidos. Apresentam fertilidade natural baixa, havendo necessidade de correção e adubação.

Clima

O coqueiro é uma palmeira nativa de regiões quentes, úmidas e com bastante luz. Para o seu bom desenvolvimento, necessita de temperaturas médias anuais em torno de 27°C, sendo que, temperaturas menores que 15°C e superiores a 36° são prejudiciais.

A umidade relativa ideal é de 80%. Níveis de umidade relativa inferiores a 60% prejudicam a planta devido ao aumento na taxa de transpiração. Umidade relativa superior a 90%, causa queda de frutos e aumento na incidência de doenças.

A precipitação ideal para o desenvolvimento e produção da cultura, está entre 1.500 a 1.600mm bem distribuídos durante o ano todo, com uma média de 130 mm/mês. Para precipitações inferiores a 50mm/mês, durante 3 meses, recomenda-se o uso de irrigação, pois, o déficit hídrico é extremamente prejudicial à cultura, causando queda de frutos. Por outro lado, chuvas excessivas podem causar redução na incidência de luz, na polinização e na aeração do solo, podendo ainda provocar lixiviação de nutrientes. Locais com lençol freático raso (um a quatro metros) são recomendados para o coqueiro e não há necessidade de irrigação pois, as raízes da planta conseguem absorver água a esta profundidade.

Luz, o coqueiro precisa de, pelo menos, 2.000 horas anuais, com um mínimo de 120 horas/mês, os dias nublados causam redução da fotossíntese e consequentemente redução na produtividade. Com base nestes exigências de clima verifica-se que o Estado de Rondônia apresenta boas condições para o desenvolvimento da cultura.

Solo

Deve se escolher áreas com textura areno-argilosa, ou levemente argilosa, com boa disponibilidade de água, boa aeração, profundidade mínima de um metro, e com ausência de impedimentos físicos ou químicos. Evitar solos rasos, pedregosos, extremamente argilosos e sujeitos a encharcamento.

Cultivares

O coqueiro pode ser anão, gigante ou híbrido. As variedades de coqueiro anão verde, vermelha e amarela são as mais recomendadas para a produção de frutos visando ao mercado de água de coco, sendo o anão verde o preferido pelo consumidores. As variedades vermelha e amarela estão associadas à idéia incorreta de que o fruto amarelo ou vermelho está maduro.

As variedades anãs são de porte baixo, podendo atingir 12 m. São bastante precoces, iniciando a produção entre 30 e 36 meses de idade. Apresentam produção variando de 80 a 200 frutos/planta/ano, distribuída durante o ano todo. Estas variedades apresentam vida útil de 30 a 40 anos, e têm os frutos pequenos, com pouca polpa, apresentando água muito saborosa. Em Rondônia praticamente toda a produção esta voltada para a comercialização da água de coco, com predominância da variedade anã verde.

Instalação do coqueiral

O preparo do solo deve ser feito de forma convencional com uma aração e duas gradagens. Deve-se fazer a análise química do solo para avaliação da necessidade de calagem e adubação.

Marcação da área

Feito o preparo do solo, deve-se fazer a marcação e o piqueteamento da área observando-se o espaçamento de 7,5 m x 7,5 m, em quadrado (177 plantas/ha) ou em triângulo equilátero (205 plantas/ha). É comum encontrarmos espaçamentos de 8 x 7 metros os pomares do Estado que também é recomendado.

Época de plantio

A melhor época para plantio é o inicio da estação chuvosa. Em cultivo irrigado o plantio pode ser realizado em qualquer época do ano. A maioria dos pomares de Rondônia são plantados sem utilização de irrigação, o que causa redução de produtividade e atraso no início da colheita, uma vez que a Região apresenta cerca de 3 meses com precipitações inferiores a 50 mm.

Aquisição de mudas

As mudas devem ser adquiridas de viveiristas idôneos que apresentem o certificado de origem destas. As mudas devem ser eretas, ter entre quatro e seis folhas, altura de 50 cm a 70 cm, com idade entre cinco e seis meses. Além disso, devem apresentar bom aspecto, com ausência de sintomas de deficiência nutricional, e de ataque de pragas e doenças.

No Estado existem pouquíssimos viveiros registrados o que dificulta a implantação de pomares com mudas de boa qualidade, uma alternativa é a aquisição de sementes certificadas de outras Regiões (o Nordeste por exemplo) ou o produtor selecionar plantas de alto padrão genético de sua área para produzir suas próprias mudas. É bastante comum encontrar em Rondônia pomares formados com misturas de variedades, com cultivares híbridas, gigantes e anãs num mesmo local.

Produção das mudas

Escolha da planta matriz

O coqueiro anão apresenta uma alta taxa de auto-fecundação, com isso, existe uma grande probabilidade da semente selecionada dar origem a uma planta bastante semelhante à planta matriz. Portanto, recomenda-se selecionar plantas com bom aspecto nutricional; em plena produção; precoces; com tronco reto; livres de sintomas de pragas e doenças; grande número de folhas (30 a 35); grande número de cachos, bem apoiados sobre as folhas e com pedúnculo curto; grande número de flores femininas; grande número de frutos (acima de 10) e frutos de formato redondo.

Colheita dos frutos-sementes

Os frutos-sementes devem ser colhidos quando estiverem totalmente maduros, o que ocorre após 11 a 12 meses após a abertura do cacho floral da planta. Não deve-se colher frutos caídos por apresentarem baixo poder germinativo. O ponto de colheita é reconhecido pelo secamento e coloração marron do fruto, depois da ocorrência de perda acentuada de peso do fruto, que passou de 2kg, quando verde, para 1,0 a 1,5 kg quando no ponto ideal.

Preparo das sementes

Os frutos-sementes após a colheita devem ser estocados ao ar livre e na sombra, durante 10 dias, para terminar o processo de maturação. Embora tenha alguns autores que recomendam o entalhe do fruto, ou seja o corte de uma parte da casca fibrosa do fruto, visado aumentar a hidratação e germinação da semente, existem dados de pesquisa mostrando que esta prática não trouxe ganhos significativos na germinação das sementes, sendo portanto uma prática não recomendada, uma vez que aumenta o custo de produção das mudas.

Implantação do viveiro

O viveiro deve ser instalado em área de topografia plana, próximo da fonte de água, em local ventilado, de fácil acesso, longe de coqueirais velhos e doentes, além disso deve-se preferir locais com solos de textura média a arenosa e bem drenados.

Dimensões do canteiro

O canteiro deve ter entre 1,0 e 1,5 m de largura, 15 cm de profundidade e comprimento variável, em função do número de sementes e tamanho da área. Recomenda-se deixar um espaço entre os canteiros de 0,5m para facilitar o trânsito de pessoas no viveiro. Além disso, o viveiro deve ser instalado a pleno sol, sem necessidade de cobertura.

Posição das sementes

As sementes são colocadas no viveiro, na posição vertical, com a região de inserção no cacho, voltada para cima. Alguns autores recomendam a colocação das sementes na posição horizontal, entretanto, pesquisadores observaram que a utilização de sementes na posição vertical, apresentaram vantagens, como: maior facilidade de transporte, redução do problema de quebra de coleto, dispensa o entalhe, permite maior número de sementes/m², possibilita melhor centralização da muda na cova, favorece um maior enraizamento da planta no campo e permite o plantio da muda em maior profundidade. Um problema seria um maior gasto com mão de obra para "equilibrar" a semente na posição vertical.

Irrigação

As sementes no viveiro necessitam de cerca de 6 a 7mm de água por dia, isto corresponde a 6 a 7 litros de água/m²/dia. Recomenda-se que a irrigação seja diária e em dois turnos, de manhã e a tarde.

Descarte de sementes e mudas

Pesquisadores mostraram que existem uma correlação entre início de germinação e precocidade de produção. Neste sentido, recomenda-se eliminar as sementes que não germinarem até 120 dias após o plantio. Nesta oportunidade elimina-se também as mudas raquíticas, deformadas, estioladas, albinas e de aspecto ruim. Todo o material descartado deve ser queimado.

Tipos de produção de mudas

Basicamente existe duas maneiras de se produzir as mudas do coqueiro, 1- coloca-se a semente no germinador, deste para o viveiro e depois para o campo, ou 2- a semente fica no germinador e depois vai para o campo. O mais utilizado em Rondônia e de uso mais frequente atualmente juntos aos cocoiculturores do Brasil é o segundo método que permite um menor gasto com mão de obra, leva-se uma muda mais jovem para o campo, facilitando o seu pegamento. A seguir detalharemos os dois métodos.

Produção de mudas: Germinador – Viveiro - Campo.

Este método consiste na produção de mudas que passam por duas fases antes de ir para o local definitivo. Na primeira, as sementes são colocadas para germinar e depois repicadas no viveiro.

Germinador: nesta fase as sementes são distribuídas no canteiro na densidade de 25 a 30 sementes/m² e cobertas com 2/3 de sua altura com terra. Em seguida, na medida do possível, cobre-se o 1/3 restante com palha de arroz ou serragem. As sementes iniciam a germinação entre 40 e 60 dias após o plantio no germinador. Quando a brotação apresentar cerca de 15 cm deve ser repicada para o viveiro.

Viveiro: no viveiro, o solo deve ser preparado com antecedência, utilizando-se o método tradicional, 1 aração e 2 gradagens. Além disso, recomenda-se fazer a análise de solo e se necessário fazer a calagem do solo. A área deverá ser piqueteada, num espaçamento de 60 x 60cm, em triângulo equilátero, para se realizar a repicagem das mudas. Estas deverão ser plantadas, se possível, em dias nublados, tendo as raízes cortadas a 2 cm da semente. A repicagem deve ser feita tomando-se o cuidado de não enterrar o coleto da planta. As mudas permanecerão no viveiro por 4 a 5 meses. Por ocasião do transplantio eliminam-se as mudas raquíticas, com poucas folhas e que apresentarem baixo desenvolvimento. Neste método produz-se 3 mudas/m² de canteiro.

Produção de mudas: Germinador – Campo.

Este método consiste na produção de mudas do germinador direto para o campo. As sementes são distribuídas nos canteiros na densidade de 15 sementes/m² e também cobertas com 2/3 da sua altura com terra, e o restante com palha de arroz ou serragem. As mudas permanecerão no germinador por 5 a 7 meses quando, também, deve-se fazer um descarte das mudas mais fracas. Neste método produz-se de 10 a 15 mudas/ m² de canteiro.

Padrão da muda

A muda de boa qualidade é ereta, com 4 a 6 folhas, altura de 50 a 70 cm, mais de 11 cm de diâmetro do coleto, cor uniforme, sem deformações e ausência de sintomas de ataques de pragas e doenças.

Adubação

Sementeira

Quando se opta pelo método germinador-campo, o solo deste germinador deve ser adubado, para isso geralmente, aplica-se em solos pobres, por m², antes de se colocar as sementes, 5 litros de esterco de curral curtido, 200 g de superfosfato simples, 100g de cloreto de potássio, 5 gramas de FTE BR 12 (micronutrientes) e calcário, na quantidade a ser calculada, conforme resultado da análise de solo. Após esta adubação deve-se fazer uma incorporação deste material, a 5 cm de profundidade.

Viveiro

Caso se opte pelo sistema germinador-viveiro-campo, o solo do germinador não precisa ser adubado, mas, sim o solo do viveiro. Neste sentido, deve-se aplicar por planta a quantidade de 30 gramas de uréia, 60 gramas de superfosfato simples e 30 gramas de cloreto de potássio, esta adubação deverá ser aplicada 30 dias após a repicagem das mudas. Após 60 dias aplica-se 50 gramas de uréia mais 30 gramas de cloreto de potássio.

Tratos culturais

Controle de plantas daninhas

O viveiro deve ser mantido livre de plantas daninhas, pois, algumas são hospedeiras de insetos vetores ou de fonte de inóculo de doenças do coqueiro. O controle deve ser realizado dentro do viveiro e numa faixa de no mínimo 10 metros de largura ao redor das plantas. Os herbicidas recomendados para a cultura são: Paraquat dicloreto (extremamente tóxico) e Gliphosato (altamente tóxico).

Controle de pragas e doenças

Para obtenção de mudas de bom padrão, necessário se faz o monitoramento periódico das mudas visando identificar o ataque de pragas e doenças e realizar o seu controle.

COVA

A cova de plantio deve ter as dimensões de 0,80 x 0,80 x 0,80 m, para solos arenosos e 0,60 m x 0,60 m x 0,80 m para solos argilo-arenosos, Estas covas podem ser abertas manualmente ou com broca acoplada ao trator com bitola de 50 cm, terminando-se a abertura, com o auxílio de uma pá reta, por exemplo, para chegar às dimensões desejadas evitando-se o espelhamento (compactação das paredes da cova).

Deve-se separar a terra retirada dos primeiros 40cm da cova e misturar com 800 g de superfosfato simples + 30 a 50 litros de esterco bovino + 30 g de FTE BR 12 (ou 20 gramas de bórax + 20 gramas de sulfato de cobre). Esta recomendação de adubação refere-se a solos de baixa fertilidade; em solos mais férteis deve-se fazer uma redução proporcional à fertilidade.

Plantio

Realizar o plantio 30 dias após o enchimento das covas. O plantio deve ser feito de preferência em dias nublados e no início do período chuvoso. As mudas devem ter suas raízes podadas, ficando com dois cm de comprimento, e ser colocadas no centro da cova, cobertas por uma camada de terra suficiente para cobrir as sementes, mas não o coleto. Deve-se fazer uma leve compactação da terra ao redor da muda para melhor fixação da planta.

Adubação de cobertura

Durante o primeiro ano da cultura deve ser feita a adubação de cobertura com 500g de sulfato de amônio mais 200 g de cloreto de potássio (adubação recomendada para solos de baixa fertilidade). Esta mistura de adubos deve ser espalhada em volta das plantas, a uma distância de 30 cm a partir do coleto e, em seguida, incorporada ao solo com auxílio de enxada. Esta adubação deve ser parcelada, sendo que, para plantios de sequeiro, aplica-se 20 %, 30 dias após o plantio, 60 %, após 90 dias e 20 %, 150 dias após o plantio. Para os plantios irrigados, esta adubação pode ser dividida em quantidades iguais, aplicadas 6 vezes por ano, começando 30 dias após o plantio definitivo.

Adubações subsequentes

Os fertilizantes devem ser espalhados em volta da planta e incorporados ao solo dentro de uma faixa circular, cuja área é crescente em função da idade e da projeção da copa da planta. Nos primeiros três anos de idade da planta deve-se adubar numa faixa entre 30 cm e 100 cm da estipe da planta. Em coqueiros entre quatro e dez anos em diante, a faixa fica entre 50 e 100cm e, finalmente, em coqueiros adultos a faixa deve ficar entre 150cm e 200cm. A adubação dos anos subsequentes deve ser realizada de acordo com as Tabelas 3 e 4. Em plantios de sequeiros, esta deve ser parcelada em 3 vezes, no início, meio e próximo do final da estação das chuvas. Para os plantios irrigados, divide-se a adubação em 6 parcelas iguais por ano.

A adubação com fósforo deve ser feita uma vez por ano, no início da estação chuvosa. Nesta oportunidade, aplica-se também 50 litros por cova de esterco bovino. Em Rondônia existe pouca tradição em se realizar adubações de cobertura no coqueiro, entretanto as salutares exceções tem trazido resultados satisfatórios.

Deficiência nutricional

Os principais sintomas de deficiência relatados pelos produtores é com relação ao boro e o cobre.

Deficiência de boro

A deficiência de boro se caracteriza pela redução do tamanho dos folíolos, presença de folíolos unidos, folhas novas retorcidas, ausência de folíolos na base da ráquis, deformações e escurecimento do ponto de crescimento, paralisando o desenvolvimento da planta.

A correção é realizada aplicando-se três vezes, espaçadas em 30 dias cada uma, 20 g de bórax em coqueiros jovens e 30 g em coqueiros adultos. Esta adubação deve ser realizada na projeção da copa da planta e quando ocorrer umidade no solo.

Deficiência de cobre

A deficiência de cobre se caracteriza pelo arqueamento da folhas mais novas, seguido de um secamento da extremidade dos folíolos.

A correção é realizada aplicando-se 100 g de sulfato de cobre por coqueiro na projeção da copa da planta e quando ocorrer umidade no solo.

Tratos culturais

Consorciação

Pode ser utilizado o consórcio no período do plantio até 3 anos e após 20 anos de implantação da cultura. Recomenda-se, principalmente, olerícolas e o feijão. Deve-se evitar banana, cana de açúcar, mamão e abacaxi por servirem de alimento para a broca do olho do coqueiro. Também deve-se evitar o consórcio com gramíneas (arroz, milho, pastagens) na implantação do coqueiral pois as mudas são muito suscetíveis à doença helmintosporiose e estas gramíneas além de serem altamente agressivas, servem de fonte de inóculo para a referida doença.

Irrigação

Sendo o coqueiro uma planta que apresenta produção contínua durante o ano todo, qualquer estresse pode acarretar queda de produção no coqueiral. Por isso, recomenda-se irrigação em áreas que não apresentem uma boa distribuição de chuvas durante o ano todo.

A escolha do sistema de irrigação a ser utilizado, depende das condições locais de clima, topografia e solo, bem como da disponibilidade de água e da capacidade de investimento do produtor.

Controle de plantas daninhas

As plantas daninhas devem ser controladas. Para isso recomenda-se o coroamento das plantas, que consiste em manter limpo uma área circular em torno da estipe do coqueiro. O raio do coroamento varia com a idade da planta, sendo de 1,0 m nas plantas de até 3 anos; 1,5 m nas plantas de 3 a 10 anos ; e 2,0 m nas plantas com mais de 10 anos de idade. O coroamento pode ser manual ou com o uso de herbicidas. Nas entrelinhas recomenda-se fazer a roçagem.

Controle de pragas e doenças

Tabela 1 - Principais pragas de importância econômica e seu controle.

Nome Vulgar
Nome Científico
Danos
Controle
Ácaro
Eriophyes guerreronis
Atacam folhas novas de plantas no viveiro, causando seca total das folhas e morte do broto da planta. A flecha, após secar, não se destaca da planta. Causam necroses na superfície dos frutos, os quais podem ficar imprestáveis para a comercialização.

Em plantas jovens deve-se eliminar e queimar as plantas atacadas, aplicar acaricida em todo o viveiro/coqueiral.

Usar: Vamidothion (Kilval 300) ou

Barata do coqueiro
Coraliomela brunnea
A larva se aloja na flecha das plantas, alimentando-se dos folíolos ainda fechados, causando redução foliar, prejudicando o desenvolvimento do coqueiro.
Aldicarb (Temik 100 ou Temik 150)
Eliminação de adultos através da catação manual. Pulverização com produtos químicos, dirigida às folhas centrais nos primeiros sintomas.
Broca do estipe do coqueiro, broca do tronco do coqueiro, rhina
Rhinostomus barbirostris
No interior da planta, a larva forma inúmeras galerias, que podem causar quebra de folhas e morte da planta. O dano também pode causar enfraquecimento da planta, que pode tombar pela ação de ventos.

Usar: Carbaryl (Sevin 480 SC ou Agrivin 850 PM) ou Triclorfon (Dipterex 500 ou Triclorfon 500 Defensa).

Catação e eliminação das posturas e das larvas. Eliminação e destruição das plantas muito atacadas. Injeção de produtos nos orifícios recém - abertos pelas larvas. Usar Malation (Malatol 1000 CE) ou Triclorfon (Dipterex 500 ou Triclorfon 500 Defensa).

Broca do olho do coqueiro
Rhynchophorus palmarum
É vetor da doença Anel Vermelho do Coqueiro. O inseto faz a oviposição no broto da planta. As larvas se alimentam da parte interna do estipe e fazem galerias em todas as direções, culminando com a morte da planta. O sintoma externo é a má formação de folhas novas.
Deve-se cortar e queimar as plantas atacadas. Para os insetos adultos confeccionar armadilhas com iscas atrativas. Não cortar as folhas ainda verdes; Evitar o consórcio com mamão, abacaxi e banana, que também atraem o inseto.
Broca do pedúnculo floral
Homalinotus coriaceus
Sulcos superficiais no estipe. O inseto adulto provoca a queda de flores e frutos novos.
Limpeza da copa (folhas e cachos secos). Pulverizações com Malation(Malatol 1000 CE)
Cochonilha transparente do coqueiro
Aspidiotus destructor
Os folíolos vão ficando amarelos pela ação sugadora do inseto, secando em seguida.
Realizar o controle quando verificar-se 5 a 10% das plantas com 3 folhas muito atacadas, Usar Dimethoato ou
Lagarta das folhas
Brassolis sophorae
Pode causar desfolhamento total da planta

Aldicarb (Temik 100 ou Temik 150).

Localização e destruição das lagartas

Pulgão preto do coqueiro
Cerataphis lataniae
Em coqueiros jovens, causa retardo do início de produção. Em coqueiros adultos, provoca abortamento de flores femininas, queda de frutos pequenos e/ou frutos em desenvolvimento.
Pulverização das plantas infestadas com produtos sistêmicos. Carbosulfan – (Marshal 200 SC).

Tabela 2 - Principais doenças de importância econômica e seu controle.

Nome Vulgar
Nome Científico
Danos
Controle
Anel vermelho
Rhadinaphelenchus cocophilus
É uma doença letal ao coqueiro. A planta fica com aspecto de guarda-chuva fechado. O sintoma característico da doença é interno. Ao se cortar a estipe, observa-se um anel, de coloração vermelha.

Helmintosporiose
Drechslera incurvata
Manchas marrons e ovaladas nas folhas, que podem coalescer, formando lesões maiores
AduNão fazer sementeiras em locais de plantas doentes. Não usar sementes de áreas contaminadas. Erradicação e queima das plantas doentes e controle do inseto vetor (Rhincoporus) através de armadilhas.bação nitrogenada equilibrada, controle de ervas daninhas, plantio no viveiro que permita uma boa aeração. Pulverizações com fungicidas. Usar: Captan (Captan 500 PM ou Captafol). Mancozeb (Dithane PM, Manzate BR ou Fungineb 80), Tebuconazole (Folicur PM)
Murcha de Fitomonas
Protozoário Phitomonas sp.
Queda parcial ou total de frutos imaturos, queda de flores, empardecimentos e ressecamento das espiguetas na inflorescência, inflorescência não aberta fica com coloração cinza amarronzado, nas folhas basais os folíolos terminais ficam amarelos seguidos de empardecimento rápido, quebra da ráquis e apodrecimento do meristema central

Controle: Erradicação e queima de plantas afetadas, coroamento, corte das folhas que tocam o chão, controle do percevejo.

Produtos Momocrotofos, Deltametrine

Queima das folhas
Botryosphaeria cocogena
Lesão marrom-avermelhada em "V". Esta lesão evolui e pode causar a morte prematura das folhas, provocando a diminuição da área foliar e, como as folhas servem de apoio para os cachos, também podem causar a queda dos frutos.

Realizar o manejo cultural e as adubações adequadas. Eliminar e queimar folhas mortas. Amarrar ou escorar, quando possível, os cachos. Em ataques mais severos, pulverizar com fungicidas

Usar: Benomyl 0,1% (benlate 500) + Carbendazin (Derosal)

Lixa

Sphaerodothis acrocomiae – Lixa grande

Phyllachora torrendiella – Lixa pequena

Lixa grande – pontos marrons ásperos, nas folhas mais velhas que se destacam facilmente. A doença não causa necrose das folhas.

Lixa pequena – pequenos pontos negros e ásperos que não se destacam facilmente. A doença provoca seca prematura das folhas.

Difenoconazole (6x de 15 em 15 dias)

Colheita e Pós colheita

Colheita

O coqueiro anão inicia a produção com cerca de 30 a 36 meses, sendo que, esta será contínua com produção de 12 a 16 cachos por ano e uma média de 8 a 20 frutos por cacho. A expectativa de produção de frutos por planta durante o ano é mostrada na tabela 7.

Tabela 3 - Expectativa de produção de frutos do coqueiro anão verde, em função da idade da planta, em plantios de sequeiro e irrigado.

Ano de Plantio
Lavoura de sequeiro (frutos/planta/ano)
Lavoura Irrigada (frutos/planta/ano)
1
0
0
2
0
0
3
20
50
4
35
80
5
50
120
6
10
150
7 e seguintes
80-100
150-200

O ponto ideal de colheita do fruto está associado a diversos indicadores relacionados à planta, ao fruto e às características de produção. Depende também de determinadas propriedades química e sensorial, ligadas aos aspectos nutritivos, alimentares e de saúde humana. Os frutos dos coqueiros anão destinados ao consumo in natura de água de coco devem ser colhidos, principalmente, entre o sexto e o sétimo mês, após a abertura natural da inflorescência. Nessa idade ocorrem os maiores pesos de fruto, as maiores produções de água de coco, os maiores valores de frutose, glicose e grau brix, e o melhor sabor da água de coco, além de ser rica em minerais, principalmente em potássio. A água proveniente de frutos com idade em torno de cinco meses, é menos doce (menores teores de glicose e frutose e menor grau brix), enquanto na dos frutos com oito meses de idade, já ocorrem quedas nos teores de glicose e frutose e no grau brix, e aumento no teor de sacarose e no de gordura, ocasionando um sabor rançoso a água de coco.

O coco para consumo in natura na culinária ou para uso agroindustrial na fabricação de alimentos, deve ser colhido com onze a doze meses. Estes frutos apresentam cor castanha, com manchas verdes e pardas irregulares, com peso inferior ao coco verde. Para a produção de alimentos "light" em gordura seja na culinária ou na agroindústria, recomenda-se utilizar a polpa do coqueiro anão por possuir menos da metade do teor de gordura da polpa tanto do coqueiro gigante quanto do híbrido.

Para realizar a colheita de coqueiros com grande altura o colhedor ou "tirador" deve utilizar "peias" de couro ou nylon para subir nas plantas. O uso de esporas deve ser evitado visto que estas causam ferimentos no tronco do coqueiros, o que pode transmitir doenças letais às plantas. Chegando ao topo da árvore, o tirador amarra uma corda no pedúnculo do cacho e o secciona com um facão. Com isso, a queda do cacho é evitada já que a corda o está segurando. Aproveita-se este momento para realizar a limpeza das copas, desbastando as folhas velhas, que são cortadas também com o facão. Não é recomendado cortar folhas ainda verdes, pois pode ocorrer a atração de insetos causadores de doenças.

O coco verde merece cuidados para ser aceito pelo consumidor, visto que ele será consumido in natura e o seu aspecto visual é um fator limitante para a sua comercialização. Logo depois de colhidos, os cachos devem ser limpos, eliminando-se as ráquiles ou rabichos do coco para que estas não atritem com a casca do fruto no transporte, causando feridas e escurecimento no mesmo. Em Rondônia é comum encontrar carrinhos onde a água de coco é comercializada em copos descartáveis, onde a aparência visual do fruto não tem tanta importância para o consumidor.

PÓS-COLHEITA

Após a colheita, os cachos devem ser transportados com a máxima atenção, para evitar danos tanto mecânicos provocados pelo impacto quanto a ruptura do endocarpo, ocasionando a perda da água. Além disso, eles devem ser deixados à sombra dos coqueiros até o momento de serem transportados para a comercialização.

A qualidade da água é extremamente afetada pelo tempo decorrente entre a colheita e o consumo final. Sendo assim é necessário alguns cuidados para prolongar a vida útil dos frutos:

Os frutos (cachos) devem ser manuseados com cuidado e o transporte efetuado o mais rápido possível, em veículos cobertos com lonas de cor clara e em horários de temperatura amena;

Deve-se ainda forrar o caminhão com palha ou serragem para evitar danos mecânicos aos frutos das camadas inferiores;

Não sendo possível o transporte logo após a colheita, recomenda-se que os cachos sejam armazenados em galpão fresco, bem arejado e seco, por, no máximo dois dias;

Se o mercado exigir o fruto a granel por unidade, proceder à retirada dos frutos do cacho com o auxílio de uma tesoura de poda, tomando o cuidado para não arrancar o pedúnculo e o cálice floral, estruturas que formam uma proteção natural contra a entrada de fungos e bactérias que deterioram a água;

Recomenda-se que os frutos cheguem ao distribuidor no prazo máximo de três dias após a colheita;

Na maioria das vezes o fruto exige armazenamento no local de consumo, onde devem permanecer ainda nos cachos, em locais com boa ventilação, evitando-se a exposição aos raios solares e a temperaturas elevadas. Quando armazenados à temperatura ambiente, acima de 20ºC os cocos devem ser consumidos no período máximo de 10 dias após a colheita. Em câmara fria a 12ºC esse período pode ser prolongado por mais 15 a 20 dias, após o qual iniciam os processos de deterioração que comprometem, principalmente, a acidez da água.

Tabela 4 – Coeficientes técnicos para implantação de 1 ha de coqueiro.

Especificação
Quantidade
Unidade
Ano 1
Insumos
Calcário
2
T
Superfosfato simples
102
KG
Uréia
61
KG
Cloreto de potássio
41
KG
Esterco
1.000
KG
Mudas
226
Unidade
Inseticida granulado
1
KG
Inseticida
1
Litro
Fungicida
1
Litro
Serviços
Roçagem e limpeza da área
15
D/H
Marcação da área
10
D/H
Preparo das covas
2
D/H
Plantio/replantio
6
D/H
Coroamento
10
D/H
Aplicação de agrotóxicos
5
D/H
Adubações de cobertura Ano 3
4
D/H
Insumos
Superfosfato simples
163
Kg
Uréia
204
Kg
Cloreto de potássio
163
Kg
Esterco
1000
Kg
Inseticida
1
Kg
Fungicida
1
Litro
Serviços
Litro
Coroamento
10
D/H
Roçagens
2
D/H
Aplicação de agrotóxicos
5
D/H
Adubações de cobertura
4
D/H
Colheita
5
D/H

Referências

ARAGÃO, W.M., OLIVEIRA, A.A.; LEAL, E.C.; DONALD, E.R.C.; FONTES, H.R., LEAL, M.L.S.; MELO, M.F. Recomendações Técnicas para o Cultivo do Coqueiro. EMBRAPA Tabuleiros Costeiros, Aracaju - SE, 1993, 44p. (EMBRAPA Tabuleiros Costeiros, Circular Técnica n.1).
BLISKAS, F.M.M.; FERNANDES, R.S.S. Situação atual da cultura e mercado de coco no Brasil. In: XIII Congresso Brasileiro de Fruticultura. Salvador Bahia. Resumos..., p. 1037, v. 03, 1994.
FERREIRA, J.M.S.; LIMA, M.F.; SANTANA, D.L.Q.; MOURA, J.I.L.; Pragas do Coqueiro, In: WARWICK, D.R.N.; SIQUEIRA, L.A.; (eds.). Cultura do coqueiro no Brasil. Aracaju: EMBRAPA-SPI, p. 205-280. 1998.
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GOMES, R.P. O coqueiro-da-baía, 2ª ed., São Paulo - SP, Nobel, 111p. 1977.
IBGE. Rio de Janeiro, RJ. Anuário Estatístico, 1998.
MADEIRA, M.C.B.; HOLANDA, J.S.de; GUEDES, F.X.; OLIVEIRA, J.F.de. Coqueiro anão: da produção de mudas à colheita. Natal, RN:EMPARN; 1998. 72p. (EMPARN – RN. Documento, 26).
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Anuário brasileiro da fruticultura. 176p. 2002.
RÊGO FILHO, L.M.; BARROS, J.C.S.M.; CELESTINO, R.C.A.; SOUZA FILHO, B.F.; SILVA, J.A.C.; FERNANDES, S.G.; SARMENTO, W.R.M.; COSTA, R.A.; OLIVEIRA, L.A.A.; CARVALHO, S.M.P.; CUNHA, H. A cultura do coco-verde: perspectivas, tecnologias e viabilidade. Niterói: PESAGRO-RIO, 1999. 48p. (PESAGRO-RIO. Documentos, 47).
SOBRAL, L.F. Nutrição e adubação do coqueiro, In: WARWICK, D.R.N.; SIQUEIRA, L.A.; (eds.). Cultura do coqueiro no Brasil. Aracaju: EMBRAPA-SPI, p. 156-198. 1998.
WARWICK, D.R.N.; LEAL, E.C.; RAM. C. Doenças do coqueiro. In: WARWICK, D.R.N.; SIQUEIRA, L.A.; (eds.). Cultura do coqueiro no Brasil. Aracaju: EMBRAPA-SPI, p. 281-306. 1998.

Fonte: sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br

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