Diagnóstico Laboratorial



Específicos: em situações de surto, é recomendável, sempre que possível, a identificação do agente infeccioso, através de cultura, pelo menos numa amostra dos casos, para que se possa conhecer a incidência da Bordetella pertussis.

Cultura: é o método de excelência para identificar o agente etiológico da coqueluche. Para melhorar a probabilidade de sucesso, diferentemente dos procedimentos utilizados para coleta de material por "swab" (cotonete com algodão) a amostra deve ser colhida com bastão especial, cuja ponta é coberta por dácron ou de alginato de cálcio, isto porque o algodão interfere no crescimento da Bordetella pertussis. A seguir deve ser transportada para meios de cultura especiais (Regan-Lowe ou Bordet-Gengou). Observe-se que o crescimento, em condições ideiais, para essa bactéria consegue-se em torno de 60 a 76% das vezes. Interferem no crescimento bacteriano nas culturas: uso de antimicrobianos ou de vacina específica, momento da coleta (quando passada a fase aguda da doença).

Sorologia: seria o método ideal para confirmar o diagnóstico de coqueluche, desde que, existisse comercialmente em larga escala, pudesse ser rápido, facilmente reprodutível e de baixo custo. Por essas características, até o momento não se dispõe de testes adequados nem padronizados. Os novos métodos em investigação apresentam limitações na interpretação, sensibilidade, especificidade e reprodutibilidade, além de necessitarem de laboratórios especializados. Dessa forma, a confirmação diagnóstica continua sendo o isolamento da bactéria de secreções de nasofaringe semeadas em meio de cultura.

Outros Métodos Laboratoriais que podem ser utilizados: neutralização da toxina, detecção do antígeno pelo método com anticorpos monoclonais e método da adenilatociclase: têm alta sensibilidade e especificidade, porém não foram padronizados. É importante salientar que o isolamento e detecção de antígenos, produtos bacterianos, ou seqüência genômicas de Bordetella pertussis são aplicáveis ao diagnóstico de fase aguda. A sorologia deve ser reservada para diagnósticos mais tardios ou levantamentos epidemiológicos.

Inespecíficos: para auxiliar na confirmação e/ou descarte dos casos pode-se realizar exames complementares: no período catarral, pode existir uma leucocitose relativa (de 10.000 leucócitos) que, no final dessa fase, já atinge um número, em geral, superior a 20.000 leucócitos/mm3. No período paroxístico, o número de leucócitos pode elevar-se para 30.000 ou 40.000, associado a uma linfocitose de 60 a 80%.

Velocidade de Hemossedimentação (VHS): a coqueluche oferece uma condição singular, apresenta VHS normal ou diminuída (geralmente inferior a 3), embora seja de origem infecciosa, o que permite distinguí-la dos demais processos catarrais das vias respiratórias, nos quais a VHS se encontra, em geral, acelerada.

Exames Radiológicos: recomenda-se a realização de RX de tórax em menores de 4 anos, para auxiliar no diagnóstico diferencial e/ou presença de complicações.

Fonte: dtr2001.saude.gov.br