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Coronelismo

 

O Coronelismo é o símbolo de autoritarismo e impunidade, as práticas do coronelismo, do caudilhismo e do caciquismo aviltaram do império às últimas décadas do século XX, a cena política brasileira.

Coronelismo é o termo criado para designar certos hábitos políticos e sociais próprios do meio rural brasileiro, onde os grandes proprietários rurais, ditos coronéis, exerciam absoluto domínio sobre as pessoas que viviam em suas terras ou delas dependiam para sobreviver. O fenômeno tem raízes profundas na tradição patriarcal brasileira e no arcaísmo da estrutura agrária do país.

História

O título de coronel remonta à criação da Guarda Nacional, em 1831, pelo governo imperial, em substituição às milícias e ordenanças, com a finalidade de defender a constituição e a integridade do império. Como seus quadros eram nomeados pelo governo central ou pelos presidentes de província, o tráfico de influências e a corrupção política logo dominaram o sistema. A patente de coronel tornou-se equivalente a um título nobiliárquico, concedida de preferência aos senhores de terras, que assim adquiriam autoridade para impor a ordem sobre o povo e os escravos. Sem vigilância direta, perdido nas distâncias e defendido por um partido nos excessos que cometesse, o coronel personificou a invasão particular da autoridade pública, favorecido pelo sistema que o nomeava e sustentava.

Ao lado do coronel detentor de patente surgiu à figura do coronel sem cargo, qualificado pelo prestígio e pela capacidade de mobilização eleitoral. Os dependentes submetiam-se ao senhor da terra pela persuasão e pela proteção que caracterizavam a relação de "compadrio"; em caso de resistência, eram expulsos da fazenda, perseguidos e até assassinados impunemente. Essa foi, durante muitas décadas, a configuração das relações políticas brasileiras nas áreas rurais.

Nos pequenos núcleos urbanos surgiram lideranças mais modestas, personificadas por comerciantes, médicos, padres ou advogados, todos presos à concepção comum do voto cativo. A república, ao deslocar o comando político para a unidade federada e transformar o governo central -- depois de Campos Sales até a revolução de 1930 -- numa coligação de poderes estaduais, favoreceu o pleno florescimento do coronelismo. Os chefes estaduais tornaram-se coronéis de coronéis, pois os chefes de municípios, em troca dos votos de seus próprios currais eleitorais, recebiam apoio para gerir os negócios locais e autonomia para nomear protegidos.

Opor-se ao governo do estado, exceto no caso de municípios mais ricos, implicava sérias privações para o chefe municipal e seus seguidores. A vitória eleitoral do coronel de oposição foi sempre fato raro, pois a máquina do governo na política, no fisco, na justiça e na administração trabalhava contra ele. Se eleito, precisava de recursos que dificilmente viriam sem concessões de sua parte. Além disso, o governo podia seduzir os chefes da oposição, sempre que se mostrassem mais eficazes que seus correligionários na arregimentação de votos.

Declínio do coronelismo

O crescimento da população rural e das pequenas cidades, as migrações, a abertura de estradas e a penetração dos meios de comunicação de massa nos pontos mais remotos do território nacional tornaram o eleitor menos submisso e mais exigente para conceder seu voto. Surgiram novos líderes, que podiam dirigir-se diretamente ao povo, cada vez mais concentrado nas cidades. A decadência do coronelismo, forma de organização político-social ajustada à tradicional sociedade rural brasileira, foi-se processando em compasso com a transformação da sociedade. O êxodo rural e o desmesurado crescimento das cidades pelos aglomerados urbanos marginais esvaziaram o poder eleitoral dos coronéis. A permanência de um regime de propriedade rural arcaico, no entanto, com seu subproduto de pobreza e dependência, favorece a manutenção das práticas políticas autoritárias e da instituição do "voto de cabresto".

Caudilhismo

Formas análogas de exercício de poder pessoal e discricionário surgiram e se mantiveram ao lado do coronelismo, ou em sua substituição. Uma delas foi o caudilhismo, que se define pelo agrupamento de uma sociedade, ou de parte representativa desta, em torno da figura de um chefe. Enquanto o coronel se impunha pela força e pelo medo, o caudilho impunha-se principalmente pelo carisma e por um apelo de tipo salvacionista. Embora se manifestasse na esfera política, podia envolver relações de tipo militar, ou paramilitar, para impor o nome do caudilho pela força. Tal como o coronelismo, é um fenômeno típico do meio rural, ou dos pequenos agrupamentos urbanos do interior, que vigorou até meados do século XX não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina.

Caciquismo

Fenômeno semelhante ao coronelismo e ao caudilhismo, o caciquismo difere apenas na forma menos agressiva. O cacique era o chefe político local, às vezes deputado estadual, federal ou senador, com domínio sobre amplos currais eleitorais. Seu traço principal era a política clientelista, de concessão de favores e cargos públicos, também chamados "política de mão-no-ombro". O cacique desfrutava de domínio sobre seu eleitorado e também sobre o processo eleitoral local, o que multiplicava seu poder e o tornava temido.

Embora o coronelismo, o caudilhismo e o caciquismo -- sobretudo este último fenômeno -- tenham sobrevivido até o final do século XX em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos, já não apresentavam a mesma força e poder, corroídos por novas variáveis que se impuseram à realidade eleitoral brasileira. Uma delas foi à recomposição demográfica da sociedade, com crescente diminuição da população rural e aumento dos contingentes urbanos. Tal mudança se acompanhou de uma modificação na visão de mundo do trabalhador rural migrante que, embora vivendo miseravelmente na cidade grande, passou a dispor de certa autonomia e ficaram livres da pressão direta de seus antigos patrões.

Outra variável importante foi o alastramento dos meios de comunicação, principalmente a televisão, por sua natureza hegemônica e seu poder de penetração e convencimento, reforçado pela utilização da imagem em cores e a formação de redes nacionais. A disseminação de formas urbanas de comportamento afetou profundamente as massas populares interioranas, destruiu mitos e tradições e, de algum modo, reduziu a ingenuidade e a submissão que caracterizavam a atitude do homem do campo, habituado por séculos de dominação a obedecer servilmente aos seus senhores.

Fonte: www.enciclopediaescolar.hpg.com.br

Coronelismo

Expressão usada para definir a estrutura de poder dos grandes proprietários e das oligarquias agrárias entre o fim do Império e o começo da República.

O título ou a patente de "coronel" dos grandes proprietários rurais vem de sua participação na Guarda Nacional, criada em 1831.

Durante o Império são eles que, com tropas particulares, asseguram a ordem interna. Com a República, a Guarda Nacional é extinta, mas os coronéis mantêm o poder em suas terras e em áreas de influência.

A partir da instituição do regime representativo e da ampliação do direito de voto, ganham importância os partidos políticos e as eleições.

Mas são os coronéis, articulados nas oligarquias regionais, que garantem a eleição de candidatos dos governos federal e estadual durante a República Velha.

Eles fazem a propaganda dos candidatos oficiais, controlam o voto não-secreto dos eleitores e a apuração, chegando quase sempre ao resultado esperado.

"Coronel caudilho" nas coxilhas do Sul, "coronel de barranco" nos rios amazônicos do Norte, "coronel donatário" nos sertões do Nordeste ou "coronel empresário" na cafeicultura do Sudeste: os nomes variam, mas a estrutura de poder é a mesma.

Os latifundiários e as oligarquias rurais trocam favores por voto: de botina e enxada a emprego público.

Essa prática se apóia nas velhas relações paternalistas originárias da sociedade colonial e só começa a mudar a partir dos anos 30 e 40, com a urbanização e a industrialização.

No interior do país, os laços de fidelidade, lealdade e dependência econômica com os senhores de terras ainda condicionam parte do comportamento político da população local.

O que é

O Coronelismo no Brasil é símbolo de autoritarismo e impunidade. Suas práticas remontam do caudilhismo e do caciquismo que provém dos tempos da colonização do Brasil, ganhando força na época do primeiro império chegando ao final do século XX tomando conta da cena política brasileira. Conjunto de ações políticas de latifundiários (chamados de coronéis) em caráter local, regional ou federal, onde aplicasse o domínio econômico e social para a manipulação eleitoral em causa própria ou de particulares. Fenômeno social e político típico da República Velha, caracterizado pelo prestígio de um chefe político e por seu poder de mando.

Fonte: geocities.yahoo.com.br

Coronelismo

O coronelismo é uma forma de poder político que ocorre principalmente no meio rural do Brasil. A palavra, surgida no século XIX, vem do título de coronel, que nos meados do mesmo século era dado para pessoas influentes que exerciam esse posto na Guarda Nacional.

Porém, a patente de coronel aos poucos deixou de ser usada somente para pessoas ligadas ao serviço militar e começou a designar aqueles com poder político em determinadas regiões.

Depois, a palavra passou a indicar proprietários de terras com poderes paramilitares. Muitas vezes, nem eram fazendeiros, mas sempre eram pessoas com prestígio político. O coronel típico assemelhava-se muito ao senhor de engenho da época do Brasil colonial.

Nas duas primeiras décadas do século XX, o coronelismo atingiu seu ápice. Havia, inclusive, hierarquia entre coronéis, um tendo poder sobre outro. As pessoas se diziam "gente" de um ou outro coronel e eram protegidas por eles. Em troca, "pagavam" com lealdade e votos. Os coronéis exigiam de seus "protegidos" votos para o governo, que em troca cedia cargos públicos.

A parentela é a origem do coronelismo. Designa-se por um grupo grande de pessoas ligadas por laços de parentesco, o que garantia a preservação de riquezas por meio de heranças e comércio.

Essa forma de poder começou a decair por volta de 1930, mas ainda persiste em algumas regiões do país.

Fonte: guiadoscuriosos.ig.com.br

Coronelismo

O coronelismo é a manifestação do poder privado - dos senhores de terra - que coexiste com um regime político de extensa base representativa.

Refere-se basicamente a estrutura agrária que fornecia as bases de sustentação do poder privado no interior do Brasil, um país essencialmente agrícola.

Definido como um compromisso, uma troca de proveitos entre o Poder Publico, progressivamente fortalecido, e a decadente influencia social dos chefes locais, notadamente dos senhores de terras. A força dos coronéis provinha dos serviços que prestavam ao chefe do Executivo, para preparar seu sucessor nas eleições, e aos membros do Legislativo, fornecendo-lhes votos e assim ensejando sua permanecia em novos pleitos, o que tornava fictícia a representação popular, em virtude do voto "manipulado".

Certas atribuições, tais como eleger o governador e o prefeito, criar certos impostos, foram retiradas do poder central e transferidas para os estados e municípios.

Essa descentralização, introduzida pela República, fortaleceu o poder local.

Os grandes fazendeiros interferiam violentamente nas eleições.

Esses grandes fazendeiros eram chamados de coronéis e seu sistema de dominação, o coronelismo, cujo papel principal cabia aos coronéis.

Os coronéis acabaram assumindo um grande poder. O coronel era, sobretudo uma figura local, exercendo influencia nas cidades menores, mais afastadas e sua imediações.

Nessas localidades, aonde não chegava a influencia do Estado, certas funções publicas, tais como policia, justiça e outras passaram a ser exercida de forma privada, pelos coronéis. Mesmo que no município existissem os delegados, o juiz, prefeito, essas autoridades, encontravam-se submetidas ao seu poder.

O coronel tinha de mandar e ser obedecido, era a pratica do "mandonismo local".

Esse poder decorria de sua condição de grande proprietário, e era proporcional à quantidade de terras que possuía. Quanto mais terra, maior era o numero de pessoas que dependia do coronel.

Estabeleceu-se uma relação de dominação pessoal do "coronel" sobre seus dependentes.

Quando se perguntava a alguém: "Quem é você?", a reposta era: "Sou gente do coronel fulano". Essas pessoas constituíam a clientela do "coronel".

Havia milhares de coronéis espalhados pelos municípios brasileiros. Nem todos os coronéis tinham o mesmo poder de influencia, nem todos eram amigos entre si.

Na disputa pelo poder era comum explodir lutas sangrentas entre bandos de jagunços de coronéis adversários. Ao final, o coronel mais poderoso e violento acabava por se impor na região em disputa.

O coronel mais importante estabelecia alianças com outros fazendeiros para eleger o governador do estado.

Os coronéis alem de manipular os votos através do voto de cabresto, utilizavam muitas fraudes para ganhar as eleições.

Exemplos: documentos eram falsificados para que menores analfabetos pudessem votar; pessoas que já tinham morrido eram escritas como eleitores; urnas eram violadas e votos adulterados; muitas artimanhas eram feitas na contagem de votos.

A força do coronelismo era maior nas regiões mais atrasadas, porque nesses lugares a população não encontrava ou encontrava poucas possibilidades de viver fora da agricultura. Nas regiões mais urbanizadas a população ganhava mais independência política que podia encontrar empregos no comercio e na industria.

São resultantes desse compromisso algumas características do sistema Coronelista que ainda perduram em nosso país: o mandonismo, o filhotismo, o nepotismo, o falseamento do voto e a desorganização dos serviços locais.

Nas ultimas décadas do século, a população rural correu para as cidades, atraída inicialmente pelo processo de industrialização e deixou de usar a enxada como instrumento de trabalho, a relação entre o coronel e o voto de cabresto parece sobreviver sob novas formas diversificadas de "coronelismo" no Brasil urbano.

A relação de reciprocidade ganha novos contornos e amplia a sua esfera para outras arenas: a vaga na escola só é concedida pelo vereador - a rede de água e esgoto ou a instalação elétrica compete ao deputado estadual; e os investimentos em transporte ou pólos de desenvolvimento ficam com os deputados federais e os senadores.

As políticas públicas acabam sempre privatizadas pelas verbas distribuídas diretamente aos parlamentares, pela contratação de cabos eleitorais para assumir funções nobres em órgãos públicos ou pelos "currais comunitários" desenvolvidos pelos "coronéis modernos".

Este procedimento de utilização direta ou indireta dos recursos públicos mantém, alimenta e conserva a "relação de reciprocidade" e acaba por atender mais a sustentação das lideranças dos coronéis modernos em detrimento da implantação, organização e democratização de políticas públicas voltadas para o cidadão e para a sociedade.

A atualidade do coronelismo, tratando por exemplo, do Ceará, é a seguinte: Voto de curral, principalmente no interior, política de aliados pela troca de favores e distribuição de cargos federais, estaduais e municipais para apadrinhados dos poderosos ainda encontram eco na cultura local. Hoje a precária estrutura partidária do interior continua ao sucumbir diante de pressões. Votos são trocados por cestas, tijolos e até dentaduras.

E o que dizer do coronelismo eletrônico?

O advento das mídias eletrônicas de massa e sua universalização, num país onde os baixíssimos níveis de educação da população as transformam num meio hegemônico de informação e, mais grave que isso, num meio hegemônico de formação e de indução de modas e costumes, ensejam o surgimento de uma versão eletrônica do fenômeno do coronelismo, infinitamente mais abrangente e perigoso que a versão anterior.

Quem, não por acaso, deu o impulso definitivo a esse surgimento foi um dos mais legítimos representantes dessa versão brasileira do caudilhismo, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães que, quando ministro das Comunicações do governo José Sarney, distribuiu canais de radio e televisão a todos os grupos políticos regionais dominantes, especialmente no Norte e Nordeste do País, e articulou a filiação de muitos desses canais à mais poderosa das redes privadas de televisão, à qual ele estava, na época, umbilicalmente ligado. Assim nasceu a relação de crescente promiscuidade entre o poder político e o poder da mídia que desvirtua a democracia brasileira.

Em reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, em 15/08/2001, temos um retrato atualizado desse quadro:

Os políticos controlam ¼ das emissoras comerciais de televisão do Brasil: 60 de um total de 250. Esse número se refere apenas aos veículos que detêm concessão governamental para reger programação. A Rede Globo tem 21 filiais pertencente a políticos, o SBT tem 17, a Bandeirantes 9. entre os políticos que vivem de retransmitir e vender programação da Globo em seus estados estão os ex-presidentes Jose Sarney e Fernando Collor de Mello, os governadores Roseana Sarney (MA), Garibaldi Alves Filho (RN) e Albano Franco (SE), o ex-senador e ex-governados da Bahia Antonio Carlos Magalhães e o atual senador Antonio Carlos Magalhães Junior (BA), e mais um ex-senador, oito deputados federais e um estadual. Entre os que vivem do SBT, estão o governador Tarso Jereissati (CE), o presidente interino do Senado, Edison Lobão (MA), três ex-governadores (Quércia, Paulo Pimentel e Nilo Coelho) e mais quatro deputados federais. Ligados a Bandeirantes, há três senadores - entre eles o licenciado Jader Barbalho (PA). E há ainda as redes menores, todas com sua coleção de políticos.

Uma vez estabelecida à ligação entre essas duas pontas, ela ganha uma dinâmica própria virtualmente impossível de deter.

Freqüentemente, na Bahia, esta ligação foi tão escandalosa que mereceu um capitulo especial no relatório anual da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) -, os donos dessas redes, quando no poder, carreiam toda a publicidade oficial para seus próprios veículos, o que lhes permite esmagar a concorrência e calar as vozes da oposição. Acabam se elegendo e se reelegendo graças ao domínio total da mídia que exercem em seus territórios. Metade do que é auferido vai a rede a qual estão associados que, desse modo, pode reproduzir seu esquema de expansão e domínio de mercado - e, conseqüentemente, de poder político - em âmbito nacional.

Fonte: www.brasilcultura.com.br

Coronelismo

Uma breve definição de coronelismo

O termo coronelismo tem origem no século passado, quando os grandes proprietários recebiam esse título da Guarda Nacional, que foi criada em 18 de agosto de 1831. Com o passar do tempo, essa denominação passou a designar aqueles com poder político em suas regiões. Os coronéis detinham em suas mãos o poder de controlar a vida de todas as pessoas que viviam em seus respectivos municípios. Eles tinham um poder de mando muito grande e representava a liderança primária em um município, qualquer que fosse o chefe municipal. Controlavam também um número considerável de votos. A força eleitoral lhe proporcionava prestígio político, resultado natural de sua privilegiada situação econômica e social de grande proprietário rural.

O coronelismo é uma forma de poder político que ocorre principalmente no meio rural do Brasil. A palavra, surgida no século XIX, vem do título de coronel, que nos meados do mesmo século era dado para pessoas influentes que exerciam esse posto na Guarda Nacional. Porém, a patente de coronel aos poucos deixou de ser usada somente para pessoas ligadas ao serviço militar e começou a designar aqueles com poder político em determinadas regiões. Depois, a palavra passou a indicar proprietários de terras com poderes paramilitares. Muitas vezes, nem eram fazendeiros, mas sempre eram pessoas com prestígio político. O coronel típico assemelhava-se muito ao senhor de engenho da época do Brasil colonial.

Os coronéis controlavam oficiais ou extraoficialmente várias funções policiais. Em muitos casos, efetivavam essas funções com o auxílio de empregados, agregados ou capangas, que usando o poder da força acusavam, julgavam e puniam conforme suas convicções.

O Coronelismo no Brasil é símbolo de autoritarismo e impunidade. Suas práticas remontam do caudilhismo e do caciquismo que provém dos tempos da colonização do Brasil, ganhando força na época do primeiro império chegando ao final do século XX tomando conta da cena política brasileira. Conjunto de ações políticas de latifundiários (chamados de coronéis) em caráter local, regional ou federal, onde aplicasse o domínio econômico e social para a manipulação eleitoral em causa própria ou de particulares. Fenômeno social e político típico da República Velha, caracterizado pelo prestígio de um chefe político e por seu poder de mando.

As bases do Coronelismo, assim como foi conduzido ao longo do tempo, têm como palco de atuação a estrutura agropecuária arcaica do interior do nosso país.

O título de coronel, concedido aos grandes proprietários de terras, apresenta uma conotação nobiliárquica que lhes garantia o poder de mando em relação aos peões escravos e o povo humilde em geral.

Geralmente, o título de coronel era garantido por laços de parentesco, para que fossem preservadas heranças e riquezas ao grupo familiar.

Eles exerciam o controle da vida política nacional e importantes instituições sociais resumiam-se em sua pessoa. Ainda hoje, a vida política do país é marcada por essa herança. A falta de concentração do poder político em nosso país contribuiu para o fortalecimento do poder dos Coronéis.

Devido ao seu território continental, portanto à falta de mecanismos de vigilância direta dos coronéis pelo poder central, e pela população pobre e ignorante, o Brasil passou a ser refém dos coronéis. Estes "personificaram a invasão particular da autoridade pública". O sistema criado pelo coronelismo passou a favorecer os grandes proprietários que iniciaram a invasão, a tomada de terras pela força e a expulsão do pequeno produtor rural, que passou a se transformar numa figura servil em nome dos novos senhores. Portanto, surgiu a figura do coronel sem cargo, qualificado pelo prestígio e pela capacidade de mobilização eleitoral.

As pessoas que dependiam dos coronéis viviam em suas fazendas, recebiam pouco ou quase nada para manter a própria sobrevivência, obedecendo às ordens dos coronéis para elegerem sempre aqueles políticos escolhidos pelo patrão, o chamado voto de cabresto.

Na esfera local, os coronéis utilizavam das forças policiais para a manutenção da ordem. Além disso, essas mesmas milícias atendiam aos seus interesses particulares. Em uma sociedade em que o espaço rural era o grande palco das decisões políticas, o controle das polícias fazia do coronel uma autoridade quase inquestionável. Durante as eleições, os favores e ameaças tornavam-se instrumentos de retaliação da democracia no país.

O coronelismo é uma parte da nossa história marcada por práticas de autoritarismo, violência e poder.

O fato de as pessoas não terem acesso a nenhum tipo de informação, facilitava esse tipo de controle coronelístico, formando um contingente de pessoas dependentes, controladas por uma minoria que se aproveitava da situação de vulnerabilidade dos trabalhadores sem nenhuma legislação que os protegesse.

Os coronéis também exerciam o seu poder sobre a polícia, o que facilitava essa prática, pois permitia que os desobedientes sofressem castigos físicos e a perda de sua moradia.

O controle coronelista abrangia todos os aspectos da sociedade, impossibilitando qualquer reação contrária aos interesses da classe dominante.

Em nível rural o controle político dos coronéis se traduzia em controle econômico, social e cultural. Praticamente eliminava qualquer possibilidade de surgir uma reação a esse sistema. O máximo que se poderia chegar era existirem divergências entre os coronéis, mas que não significavam maiores alterações no quadro político. Qualquer reação a esse sistema só poderia vir de um ambiente que tivesse mais liberdade. Esse ambiente era a cidade, que respirava novos ares trazidos pela industrialização e pelas ideias provenientes da Europa. O movimento modernista e a formação do PCB trouxeram novas ideias sobre o exercício do poder político. Mesmo não tendo uma compreensão mais profunda da sociedade e dos problemas decorrentes do modelo implantado no país, esses novos grupos viam claramente que as oligarquias agrárias eram ineficientes e incapazes de dirigir politicamente o país. Era preciso mudar politicamente para que o Brasil crescesse e se tornasse uma
grande potência.

O coronelismo teve o seu apogeu durante a Primeira República Brasileira, e desempenhou papel preponderante na manutenção do poder nas mãos de uma determinada facção da Oligarquia.

Entre a década de trinta e a década de sessenta, a população rural iniciou seu lento deslocamento para os centros urbanos [...], e os poderosos então tiveram que mudar suas táticas de obtenção de votos. Começaram a surgir novos líderes, porém no interior o coronelismo continuava com sua força e os currais eleitorais ainda existiam. Ainda hoje, boa parcela da população interiorana é mantida ignorante e sem acesso à informação e à educação, principalmente nas grandes propriedades rurais mais distantes, no interior da Amazônia, onde aumentam as denúncias de escravidão.

A figura do coronel teve seu papel reduzido a partir do esforço pela modernização do país (Revolução 1930), mas não foi extinto. Hoje, em algumas regiões mais isoladas e pobres nota-se a existência de Coronéis.

Nos centros urbanos instaura-se outro tipo de coronelismo, agora não mais com o uso exclusivo da força, mas com o uso dos meios de comunicação de massas, que confere força política e econômica aos antigos proprietários de terras, agora donos dos meios de comunicação social, portanto, coronéis midiáticos.

Com o surgimento de novos líderes e com o crescimento do uso dos meios de comunicação, estes começaram a se dirigir à população de forma cada vez mais concentrada nas grandes cidades que iniciavam seu longo inchaço em direção à favelização diminuindo o poder político dos coronéis. Na área rural, porém através da pobreza e da dependência da população, surgiu um novo método de adquirir votos, o chamado voto de cabresto. Este propiciou o crescimento de um método de poder que já existia, porém no Brasil ganhou força juntamente com o coronelismo, era o caudilhismo.

Existe uma diferença entre coronelismo e caudilhismo, enquanto que aquele age pela força, este usa o carisma, surgindo a partir dessa nova realidade, lideranças com o propósito de “melhorar a vida da população”

Preponderância de uma facção ou grupo na direção dos negócios públicos. Governo de poucas pessoas, pertencente a um mesmo partido, classe social ou família. Os latifundiários latino-americanos, desde o início da colonização ocuparam os postos de comando militar e de poder político, executando políticas públicas voltadas para seus interesses imediatos. Portanto, a política latino-americana é eminentemente oligárquica. (MOURE, Telmo Remião. História do Rio Grande do Sul, São Paulo, FTD, 1994)

O caudilhismo vai encontrar um terreno bastante fértil para o seu desenvolvimento no Sul do país.

IRENE DE FREITAS CICHOCKI

Fonte: bibliodigital.unijui.edu.br

Coronelismo

Com os primeiros presidentes civis a República começou a tomar forma.

Pela constituição de 1891, garantia-se o sufrágio universal – com exceção dos analfabetos – e a igualdade de todos perante à lei , assegurando à maioria plenos direitos à participação política.

Na prática, porém, o regime se sustentava em dois pilares básicos: os coronéis do Interior, com seus chamados currais eleitorais, e as oligarquias abrigadas nos partidos republicanos, que controlavam o poder em casa Estado.

Essa estrutura coronelística não foi uma invenção dos fundadores da República, mas uma herança do passado colonial que se cristalizou durante o império.

Foi então que a Guarda Nacional, instituída em 1831, revelou-se plenamente como instrumento de poder. Convém lembrar que ela foi criada para contrabalançar a ação do exército, organizada pelos chefes políticos locais, que recrutavam em suas fileiras homens de toda confiança, em geralk empregados ou agragados de suas fazendas. Investidos em patentes militares, das quais a mais cobiçada era a de coronel, esses chefes locais tinham cobertura legal para convocar e armar suas próprias milícias. A partir da Constituição de 1891, o coronel passou a desfrutar de um poder até então desconhecido, porque a descentralização republicana, ao ampliar espaço para a autonomia dos Estados, transformou-o em elemento decisivo nas disputas políticas, Por dispor de um eleitorado próprio, o coronel exercia enorme influência no interior de cada partido. Em decorrência disso, o poder político era exercido por grupos oligárquicos que mantinham sua liderança graças ao apoio dos coronéis.

Durante a República Velha, essa forma de dominação variou de Estado parta Estado.

Mas um aspecto era comum a todos os grupos oligárquicos: o autoritarismo com que controlavam o poder, excluindo a participação política das camadas baixa e média da sociedade. No Norte, Nordeste e Centro do país, resumiam-se a um restrito grupo de famílias. Nos Estados mais ricos, a oligarquia era formada por vários grupos, como no Rio Grande do Sul. Minas Gerais e São Paulo eram controlados pela elite do partido republicano mineiro e paulista.

O poder era exercido por uma oligarquia colegiada, no interior da qual se podiam encontrar diferentes alianças familiares. O acordo entre essas oligarquias e os coronéis apoiava-se em uma política de favores, na qual os votos eram trocados por recursos, o que tornava um coronel mais poderoso que o outro. Para diminuir as crises e adversidades entre Estados mais ricos e pobres, foi instituída, por Campos Sales, a política dos governadores, espécie de pacto de poder entre o presidente da República e as oligarquias estaduais. Nos Estados, os governadores comprometiam-se a eleger para o Congresso Nacional elementos que obedecessem aos desígnios do presidente da República. Em compensação, esse não deveria interferir nas eleições estaduais. O Congresso era então controlado pelo presidente da República por intermédio da Comissão de Verificação de Poderes, formada por cinco parlamentares que o presidente da Câmara havia escolhido na legislação anterior. A função dessa comição era apontar os deputados eleitos que realmente deveriam tomar posse, não importando o número de votos recebidos por eles, mas sim seu grau de afinidade com a política dominante em seu Estado.

Fonte: www.bidvb.com

Coronelismo

A corrupção e o uso de cargos públicos para conseguir privilégios são práticas presentes na História do Brasil e em diversos outros países do mundo. Um elemento fundamental para compreender o funcionamento dessa prática no período da República Velha é o Coronelismo.

O título de coronel surgiu com a Guarda Nacional, criada no período Regencial, em 1832. Era normalmente concedido aos grandes fazendeiros que detinham prestígio e poder político nas suas localidades. Esses homens passaram a fazer parte da Guarda Nacional, uma milícia responsável pela manutenção da ordem interna, reprimindo as revoltas sociais. Com a proclamação da República e o fim da Guarda Nacional, os coronéis mantiveram o prestígio e o respeito político conquistados, atuando como chefes políticos locais. Cultivando a prática política da troca de favores, os cororéis mantinham sob sua ‘proteção’ uma série de afilhados em troca de obediência total. Esse mecanismo teve fundamental importância para as articulações políticas do período.

Nos períodos de eleição, os coronéis mostravam seu poder político, que era medido pelo tamanho do seu curral eleitoral, isto é, a massa de eleitores controlada pelo coronel, que englobava sua família, devedores, fazendeiros dependentes, empregados, apadrinhados, as cidades que viviam do comércio de sua produção agrícola, ou seja, todos aqueles que viviam sob sua influência.

Os dependentes do coronel votavam em massa nos candidatos apoiados por ele: era o chamado voto de cabresto.

A eleição ‘a bico de pena’ foi também amplamente utilizada. Consistia em incluir nas atas das eleições o nome de pessoas mortas ou mesmo inexistentes (‘eleitores fantasmas’). Como acontece ainda hoje, nos municípios onde a disputa eleitoral envolvia mais de um coronel, a eleição acabava em crimes e muita violência.

Essas práticas eram facilitadas pelo sistema eleitoral em vigor, no qual o voto era aberto. Para votar, o cidadão dirigia-se à mesa eleitoral, composta pelo presidente da Câmara e por mesários por ele indicados, que controlavam as listas de presença e votação. Ao término das eleições, os votos eram apurados pelos membros das câmaras municipais e estaduais, que registravam o resultado em atas e queimavam as cédulas. Esse sistema, que favorecia a fraude eleitoral, garantiu a perpetuação das oligarquias rurais no poder.

Fonte: belsimonato.files.wordpress.com

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