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Sangue

Colheita e classificação do sangue

Existem organismos de saúde oficiais que regulam a colheita, o armazenamento e o transporte do sangue e seus componentes. Muitas autoridades sanitárias locais e estatais, assim como a Cruz Vermelha e os bancos de sangue, entre outros, têm as suas próprias normas adicionais.

Os dadores de sangue submetem-se a vários exames para constatar o seu estado de saúde. Toma-se o seu pulso, mede-se a pressão arterial e a temperatura e analisa-se uma amostra de sangue para verificar se estão anémicos. Pergunta-se-lhes se sofrem ou sofreram de alguma doença que os impossibilite de doar sangue. Doenças como a hepatite, problemas cardíacos, cancro (salvo certos tipos, como o cancro de pele localizado), a asma grave, o paludismo, as perturbações hemorrágicas, a SIDA e a possível exposição ao vírus da SIDA podem incapacitar um dador de forma permanente. A exposição à hepatite, uma gravidez, uma grande cirurgia recente, uma pressão arterial alta mal controlada, uma pressão arterial baixa, uma anemia ou o uso de certos medicamentos podem incapacitar um dador temporariamente. Estas restrições foram desenvolvidas para proteger tanto o dador como o receptor. Em geral, não se permite aos dadores dar sangue mais de uma vez em cada dois meses. O costume de pagar aos dadores de sangue quase desapareceu, já que incentivava os necessitados a apresentarem-se como dadores e negavam ter qualquer doença que os incapacitasse como tais.

Para os dadores seleccionados, dar sangue é muito seguro. Todo o processo precisa de cerca de uma hora; a doação em si mesma não leva mais de 10 minutos.

Habitualmente experimenta-se uma sensação de comichão quando se espeta a agulha, mas o próprio processo é indolor.

A unidade de sangue doada anda à volta de meio litro. O sangue recém-obtido é selado em bolsas de plástico que contêm conservantes e um composto anticoagulante. Uma amostra pequena de cada dador é examinada para detectar doenças infecciosas como a SIDA, a hepatite viral e a sífilis. O sangue refrigerado conserva-se em bom estado durante 42 dias. Em circunstâncias especiais (por exemplo, para conservar um tipo de sangue pouco comum) os glóbulos vermelhos podem ser congelados e conservados durante um máximo de 10 anos.

Como realizar uma transfusão de sangue que não é compatível com o receptor pode ser perigoso, o sangue doado é habitualmente classificado em grupos A, B, AB ou O e como Rh positivo ou Rh negativo. Por exemplo, o tipo de sangue de uma pessoa pode pertencer ao grupo O positivo ou ao AB negativo. Como precaução adicional, antes de começar a transfusão, um técnico mistura uma gota do sangue do dador com sangue do receptor para se assegurar de que são compatíveis; este procedimento denomina-se teste de compatibilidade.

O sangue e os componentes sanguíneos

Sangue
Tipos de Sangue Compatíveis

Uma pessoa que precisa de uma grande quantidade de sangue com urgência (alguém que está sangrando muito, por exemplo) pode receber sangue completo para facilitar a recuperação da circulação e do volume de sangue. Também se pode administrar sangue completo quando o componente sanguíneo necessário não se encontra disponível sob forma separada.

Tipos de sangue compatíveis

O componente do sangue que mais habitualmente se transfunde são os concentrados de glóbulos vermelhos, que podem restabelecer a capacidade do sangue para transportar oxigénio. Este componente pode dar-se a uma pessoa com hemorragia ou anemia grave. Visto que os glóbulos vermelhos congelados são muito mais caros do que os concentrados de glóbulos vermelhos, habitualmente reservam-se aqueles para as transfusões dos tipos de sangue menos comuns.

Algumas pessoas que precisam de sangue são alérgicas a este. Se os medicamentos não conseguem prevenir as reações alérgicas, a pessoa pode ter que receber glóbulos vermelhos lavados. A lavagem dos glóbulos vermelhos retira do plasma do dador quase todo o rastro de substâncias que podem causar reações alérgicas.

Uma quantidade reduzida de plaquetas (trombocitopenia) pode causar uma hemorragia grave e espontânea. A transfusão de plaquetas pode restaurar a capacidade de coagulação do sangue. Os fatores da coagulação são as proteínas do plasma que normalmente trabalham com as plaquetas para que o sangue coagule. Se não existisse esta coagulação, a hemorragia não cessaria depois de se produzir uma lesão. Os concentrados de fatores da coagulação do sangue podem ser fornecidos às pessoas que sofrem de uma doença hereditária do sangue, como a hemofilia ou a síndroma de Von Willebrand.

Os fatores de coagulação encontram-se no plasma. O plasma fresco congelado utiliza-se nas perturbações do sangue quando não se conhece o fator de coagulação que falta ou quando não se dispõe do concentrado do mesmo. Também se usa quando a hemorragia é causada por uma produção insuficiente de fatores de coagulação, como no caso de uma insuficiência hepática.

Não é frequente que se realize uma transfusão de células brancas para tratar de infecções letais em pessoas cuja contagem de glóbulos brancos é muito baixa ou cujos glóbulos brancos funcionam de forma anormal. Nestes casos, habitualmente receitam-se antibióticos. Ocasionalmente, administram-se anticorpos (imunoglobulinas), componentes do sangue que protegem o organismo de algumas doenças, para criar imunidade em pessoas que foram expostas a uma doença infecciosa como a varicela ou a hepatite, ou naquelas que apresentam uma baixa quantidade de anticorpos.

Tratamento de doenças mediante transfusões de sangue

Os médicos usam um tipo de transfusão chamada hemaférese para tratar certas doenças. A hemaférese é um processo de purificação. Consiste em extrair sangue de uma pessoa, eliminar os elementos ou componentes prejudiciais e efetuar uma retransfusão do sangue purificado.

Os dois tipos mais comuns de hemaférese recebem o nome de citaférese e plasmaférese. A citaférese extrai as quantidades excessivas de certas células sanguíneas. Utiliza-se para tratar a policitemia (um excesso de glóbulos vermelhos), certos tipos de leucemia (um excesso de glóbulos brancos) e a trombocitose (um excesso de plaquetas). A plasmaférese (intercâmbio de plasma) extrai os elementos prejudiciais do plasma (a parte líquida do sangue).

Por exemplo, usa-se para tratar a miastenia grave e a síndroma de Guillain-Barré.

Difícil e cara, a hemaférese está normalmente reservada para pessoas com doenças graves que não responderam ao tratamento convencional. Para ser útil, a hemaférese deve extrair o elemento sanguíneo a uma velocidade superior à que o corpo necessita para o produzir. A hemaférese deve ser repetida apenas se for necessário, já que as deslocações importantes de líquidos entre os vasos sanguíneos e os tecidos que ocorrem quando se faz a extração e se realizam a transfusão e a retransfusão podem causar complicações em pessoas já doentes. A hemaférese pode contribuir para controlar algumas doenças, mas em geral não consegue curá-las.

Procedimentos de doação especial

Numa transfusão tradicional, uma pessoa doa sangue completo e outra pessoa recebe-o. Contudo, este conceito está a ampliar-se. Consoante o caso, uma pessoa pode receber um único componente sanguíneo, por exemplo as células ou os fatores de coagulação. A transfusão só de componentes seleccionados faz com que o tratamento seja específico, reduz os riscos dos efeitos colaterais e permite usar os diferentes componentes de uma única unidade de sangue para tratar de maneira eficaz várias pessoas. Noutros casos, uma pessoa pode receber o seu próprio sangue completo (transfusão autóloga).

Aférese

Na aférese, um dador dá apenas o componente sanguíneo específico que o receptor requer, em vez do sangue completo. Se um receptor necessita de plaquetas, extrai-se sangue completo do dador e uma máquina que separa os componentes do sangue extrai as plaquetas e devolve o resto do sangue ao dador. Como os dadores voltam a receber a maioria do seu sangue, podem doar, sem risco, de 8 a 10 vezes mais plaquetas durante um destes procedimentos do que as que se poderiam recolher se doassem sangue completo uma única vez.

Transfusão autóloga

A transfusão de sangue mais segura é aquela em que o dador também é o receptor, já que elimina o risco das incompatibilidades e das doenças induzidas pelo sangue. Por vezes, quando um doente sofre uma hemorragia ou é submetido a uma intervenção cirúrgica, pode colher-se o sangue e este ser devolvido ao doente.

É ainda mais frequente que a pessoa doe sangue que receberá depois numa transfusão. Por exemplo, um mês antes da intervenção, uma pessoa pode doar várias unidades de sangue para as receber (se for necessário) durante ou depois daquela.

Doação direta ou dirigida

Os familiares ou amigos podem doar sangue especificamente uns aos outros, desde que o grupo sanguíneo e o Rh do receptor e do dador sejam compatíveis.

Para alguns receptores, saber quem doou o sangue faz com que se sintam melhor, apesar de uma doação de um familiar ou amigo não ser necessariamente mais segura que a procedente de um desconhecido. O sangue de um familiar trata-se com irradiação para prevenir a doença do enxerto contra o receptor, que, embora pouco frequente, ocorre mais amiúde quando o receptor e o dador são aparentados.

Precauções e reações

Para minimizar os riscos de uma reação durante a transfusão, os responsáveis de saúde tomam várias precauções. Depois de verificarem duas vezes que o sangue que vão utilizar é compatível com o do receptor, administram-no lentamente, em geral durante duas horas ou mais para cada unidade de sangue. Como a maioria das reações adversas se produz durante os primeiros 15 minutos da transfusão, no princípio o receptor é observado cuidadosamente. Depois disto, uma enfermeira pode inspeccionar o receptor todos os 30 ou 45 minutos e, se apresentar uma reação adversa, pára-se a transfusão.

A maioria das transfusões são seguras e alcançam o seu objetivo; contudo, de vez em quando produzem-se reações ligeiras e raramente reações graves e fatais.

As reações mais frequentes são febre e alergias (hipersensibilidade), que ocorrem em 1 % a 2 % das transfusões. Os sintomas incluem prurido, erupções, inflamação, vertigens, febre e dor de cabeça. Com menos frequência aparecem dificuldades respiratórias, arquejos e espasmos musculares. Não é frequente que uma reação alérgica seja suficientemente grave para ser perigosa. Existem tratamentos que permitem praticar transfusões a pessoas que previamente sofriam de reações alérgicas.

Apesar de se verificar cuidadosamente a compatibilidade do sangue, ainda existem incompatibilidades que ocasionam a destruição dos glóbulos vermelhos administrados pouco depois da transfusão (reação hemolítica). Habitualmente, esta reação começa com uma sensação de incomodidade geral ou de ansiedade durante a transfusão ou imediatamente depois da mesma. Por vezes aparecem dificuldades respiratórias, pressão torácica, rubor e dor aguda nas costas. Muito raramente, as reações tornam-se mais graves ou mortais. O médico pode averiguar se uma reação hemolítica está a destruir os glóbulos vermelhos verificando se a hemoglobina libertada por estas células está presente no sangue e na urina do paciente.

Os receptores de transfusões podem sofrer uma sobrecarga de líquido. Os que sofrem de doenças cardíacas são muito vulneráveis, de maneira que as transfusões se realizam mais lentamente e sob um controlo mais rigoroso.

A doença do enxerto contra o receptor é uma complicação não usual que afeta as pessoas cujo sistema imunitário se encontra lesado principalmente por drogas ou doenças. Nesta doença, os tecidos do receptor (hospedeiro) são atacados pelos glóbulos brancos do dador (enxerto). Os sintomas incluem febre, pressão arterial baixa, erupções, destruição de tecido e choque.

Fonte: www.manualmerck.net

Sangue

Fisiologia: Sangue

É o nosso precioso tecido líquido, responsável pelo transporte de gases, nutrientes e demais elementos que devem ser continuamente transportados através do nosso corpo, de um tecido ao outro. É responsável, também, pela defesa de nosso organismo contra a invasão de microorganismos estranhos que, a todo momento, tentam se proliferar em nosso corpo.

É formado por uma parte líquida (o plasma, onde se dissolvem diversos elementos como proteínas, açúcares, sais, íons, etc.), e uma parte sólida, formada por células (as hemácias, que são células vermelhas e os leucócitos, células brancas) e plaquetas, que são fragmentos de uma célula chamada megacariócito.

HEMÁCIAS

Também chamadas de eritrócitos, são as células vermelhas do sangue.

Apresentam esta coloração devido a presença, em seu citoplasma, de grande quantidade de hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. As hemácias são células anucleadas, em forma de discos bicôncavos, bastante maleáveis (devido às grandes dimensões da membrana celular com relação ao pequeno volume citoplasmático), podendo, com isso, passar por capilares bastante delgados sem que ocorra o rompimento da própria membrana celular.

Cada milímetro cúbico de sangue contém, aproximadamente, 5.000.000 hemácias.

São produzidas na medula óssea (principalmente de ossos membranosos como esterno, costelas e ilíaco) a partir de uma célula-mãe chamada hemocitoblasto.

Durante alguns dias, em sua evolução, passa por vários estágios sucessivos (eritroblasto basófilo, eritroblasto policromatófilo, normoblasto) até que, na forma de reticulócito, através de diapedese, passam através da parede de capilares sanguíneos e vão fazer parte do sangue. Em 1 ou 2 dias cada reticulócito se transforma numa hemácia madura. Cada hemácia vive, aproximadamente, 120 dias.

A produção de hemácias pela medula é bastante estimulada por uma proteína presente no plasma chamada eritropoietina. Quanto maior for o nível plasmático de eritropoietina, maior será a proliferação dos hemocitoblastos na medula óssea e, consequentemente, maior será a produção de hemácias.

Se uma pessoa sofre uma hemorragia, aumenta sua atividade física ou mesmo se mesma se desloca para uma região de altitude bastante elevada, algumas células presentes no parênquima renal, ao detectarem a oferta reduzida de oxigênio que então passam a receber, imediatamente aumentam a síntese da eritropoietina.

Enquanto a hemácia vai sendo formada, na medula óssea, em seu citoplasma uma importante molécula protéica vai sendo continuamente sintetizada e se acumulando no interior da célula: a hemoglobina.

Para que ocorra uma normal produção de hemoglobina, é necessário que não haja falta de um mineral muito importante para sua síntese: o íon ferro.

Na falta de ferro haverá, como consequência, falta de hemoglobina no interior das hemácias, o que afetará nitidamente o transporte de oxigênio no sangue. Por isso é muito importante que o íon ferro esteja frequentemente presente na alimentação das pessoas.

Cada 100 ml de sangue contém, aproximadamente, 15 g de hemoglobina.

Cada grama de hemoglobina transporta, aproximadamente, 1,33 ml de oxigênio.

Portanto, cada 100 ml de sangue transporta, aproximadamente, 20 ml de oxigênio.

Devido a grande importância do íon ferro na produção de hemoglobina e devido a importância da hemoglobina no transporte de oxigênio no sangue, existe um sistema importante, também, para transporte e armazenamento do ferro em nosso organismo:

O ferro, presente principalmente em alimentos como carnes, fígado, gema de ovos, feijão, couve, lentilha, espinafre, etc., logo após ser absorvido, na parede do intestino delgado, se liga a uma proteína presente no plasma denominada transferrina. Ligado à transferrina o ferro é transportado na corrente sanguínea.

O ferro também permanece, durante semanas a meses, armazenados em nosso organismo, na forma de ferritina. Para se transformar em ferritina o ferro se liga a moléculas presentes, principalmente no fígado, chamadas de apoferritina.

Fonte: mclocosta.sites.uol.com.br

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