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Sistema Circulatório

CIRCULAÇÃO FETAL DESENVOLVIMENTO DO CORAÇÃO E DOS VASOS SANGÜÍNEOS

O coração e os vasos sangüíneos desenvolve-se muito cedo no período embrionário propriamente dito e são o primeiro sistema orgânico a se tornar funcional.

As necessidades nutritivas e respiratórias do embrião podem ser atingidas apenas por um mecanismo circulatório, e a circulação do sangue inicia-se, provavelmente, no fim da terceira semana após a fecundação. As células musculares começam a se formar, e o coração principia a bater.

O coração é formado por dois tubos celulares simples, os tubos endoteliais ou endocárdicos, que formam a extremidade cefálica do embrião. A terminação cefálica de cada tubo volta-se dorsalmente como o primeiro arco aórtico, e, em seguida, continua caudalmente como uma das duas aortas dorsais. A extremidade caudal de cada tubo endocárdico une-se a um vaso formado pela fusão das veias vitelinas e umbilical correspondentes. Os dois tubos endocárdicos logo começam a fundir-se. O coração em crescimento toma a forma de S, e sua extremidade venosa, originariamente caudal, torna-se dorsal e ligeiramente cranial em relação à extremidade arterial, que se subdivide para formar a aorta e o tronco pulmonar. A forma externa do coração é mais ou menos estabelecida durante o segundo mês.

CIRCULAÇÃO FETAL

O sangue oxigenado que retorna da placenta pela veia umbilical é em grande parte desviado pelo ducto venoso para a veia cava inferior. A mistura de sangue oxigenado e desoxigenado ocorre na veia cava inferior, porque este canal também recebe sangue das porções caudais do embrião e das veias hepática e vitelina.

A maior parte do sangue contido na veia cava inferior, ao entrar no coração, passa à esquerda do septum secundum , através do forame oval, para o átrio esquerdo. Parte do sangue que circula na veia cava inferior mistura-se com o que vem da veia cava superior.

O sangue no átrio esquerdo (junto com o sangue venoso dos pulmões) penetra no ventrículo esquerdo e na aorta. A maior quantidade deste sangue (largamente oxigenado) destina-se à cabeça, ao pescoço e aos membros superiores. Uma parte desce pela aorta (misturada com o sangue venoso do ducto arterial) e é distribuída ao tronco, aos membros inferiores e à placenta.

O sangue venoso dos membros superiores, pescoço e cabeça, e da maior parte da parede corpórea, penetra no átrio direito através da veia cava superior. No átrio, mistura-se com pequena quantidade de sangue da veia cava inferior e, a seguir, atinge o ventrículo direito e o tronco pulmonar. Uma porção desse sangue alcança os pulmões e retorna (ainda como sangue venoso) ao átrio esquerdo (onde se mistura com o sangue oxigenado da placenta). A maior parte de sangue do tronco pulmonar, entretanto, é desviada através do ducto arterial para a aorta, pela qual grande parte dele alcança a placenta para oxigenação.

A circulação fetal é, assim, regulada para tomar oxigênio da circulação materna na placenta, orientar a maior parte de sangue oxigenado para a cabeça e pescoço, e desviar sangue venoso dos pulmões para a placenta.

Embora os pulmões fetais não tenham função respiratória, a quantidade de sangue que circula através deles se torna considerável durante a última fase do período pré-natal. Os pulmões não estão expandidos, e a resistência ao fluxo sangüíneo é mais alta que após o nascimento. O ventrículo direito bombeia sangue contra essa resistência e a pressão aórtica. Antes do nascimento, a parede do ventrículo direito é tão espessa quanto a do esquerdo, ou mais.

No nascimento, ou após ele, ocorrem alterações quanto à circulação:

As artérias umbilicais são obstruídas e formam o ligamento umbilical medial

A veia umbilical e o ducto venoso obliteram-se e formam o ligamento redondo e o ligamento venoso

O ducto arterial fecha-se e forma o ligamento arterial

O forame oval se fecha

O sangue venoso é dirigido aos pulmões para a oxigenação, em substituição à placenta; após um mês, o ventrículo esquerdo torna-se mais pesado que o direito.

O INÍCIO DA FUNÇÃO CARDÍACA

Graças à sua acessibilidade, o embrião de galinha ensinou aos cientistas a maior parte do que sabem sobre as funções bem iniciais do coração embrionário. Nos últimos anos a aplicação de técnicas de ultra-som tem permitido pesquisar alguns aspectos da função cardíaca em embriões humanos de 4 a 5 semanas de idade.

Regiões bilaterais de mesoderma pré-cardíaco do embrião de galinha diferenciam-se em tubos cardíacos direito e esquerdo, com regiões ventricular, atrial e sinoatrial funcionais. As contrações do coração embrionário têm início quando os tubos endocárdios direito e esquerdo começam a se fundir, e a circulação do sangue tem início logo em seguida. No embrião humano, isto ocorre entre 21 e 23 dias de gestação.

Diferentes partes do coração tubular possuem batimentos intrínsecos diferentes, e estudos experimentais com transplantes demonstraram que as características das regiões funcionais do coração dependem de indicações extracelulares. Por exemplo, quando tecido pré-atrial é implantado numa área pré-ventricular, ele adquire características funcionais de tecido ventricular.

Quando os tubos cardíacos do embrião de galinha se fundem na região ventricular, os ventrículos fundidos apresentam uma freqüência intrínseca de 25 batimentos por minuto, enquanto os átrios não fundidos não batem. Poucas horas depois, quando as partes atriais dos tubos cardíacos já se fundiram, a região atrial passa a bater 62 vezes por minuto. O batimento atrial funciona como um marcapasso, fazendo com o ventrículo acompanhe a sua freqüência. Finalmente, quando o seio venoso já está consolidado, sua média de 140 batimentos por minuto dirige a seqüência global do coração.

No coração primitivo em processo de fusão, uma região distinta de marcapasso localiza na região do seio venoso esquerdo. O marcapasso consiste em um agregado de aproximadamente 60 a 150 células, e não provém, de uma única célula. O marcapasso dá início a uma onda excitatória que se propaga através do coração primitivo em cerca de 0.5 segundos.

O mecanismo através do qual o coração tubular consegue bombear sangue na ausência de valvas ainda não está bem esclarecido. Depois que o átrio se enche com sangue vindo seio venoso, ele se contrai e manda sangue para o ventrículo. Uma contração do tipo peristáltico manda o sangue para a região do tronco arterioso de onde ele sai do coração e entra no saco aórtico. Mesmo no coração inicial os coxins endocárdios do canal atrioventricular e o trato de saída exibem uma função valvar.

A pressão sangüínea de um embrião precoce é muito baixa (0,61/0,43 mmHg no embrião de galinha de três dias). Quando o embrião cresce, a pressão sangüínea aumenta exponencialmente e depois diminui gradualmente antes do nascimento.

A CIRCULAÇÃO

A circulação no embrião pode ser estudada por volta da quinta semana, através do ultra-som. Nesta época, o coração bate numa freqüência de aproximadamente 100/min, o que provavelmente representa um ritmo atrial intrínseco. Os batimentos sobem para cerca de 160/min na oitava semana e depois caem para cerca de 150/min no feto de 15 semanas, com mais um declínio quando quase a termo. A freqüência de batimentos no útero é notavelmente constante, e os embriões que apresentam bradicardia muitas vezes morrem sem chegar a termo. Pouco tempo antes do nascimento, a freqüência cardíaca varia dentro de certos limites quando as condições do útero sofrem alteração ou o feto fica estressado.

Isto provavelmente resulta no estabelecimento funcional da inervação autônoma do coração.

O coração do feto apresenta propriedades fisiológicas bastante distintas das do coração pós-natal. Por exemplo, a força do miocárdio, a velocidade de encurtamento e a magnitude da contração são menores do que no coração fetal. Algumas características funcionais do coração fetal estão relacionadas à presença de isomorfos fetais das proteínas contráteis nos miócitos cardíacos.

O débito cardíaco do feto primitivo (18 a 19 semanas de gestação) é muito pequeno (menos de um 1 ml), mas aumenta rapidamente com o crescimento contínuo do feto. O ventrículo direito do feto humano possui um volume ligeiramente maior do que o ventrículo esquerdo, o que se relaciona com um diâmetro da artéria pulmonar 8% maior do que o diâmetro da artéria fetal. Estudos quantitativos demonstram que há boa correlação entre o fluxo sangüíneo e as necessidades funcionais das várias regiões do embrião. Aproximadamente 40% do débito cardíaco combinado vão para a cabeça e para a parte superior do corpo, satisfazendo assim as necessidades do encéfalo em desenvolvimento. Outros 30% do débito cardíaco combinado segue para a placenta através das artérias umbilicais para reabastecimento.

O fluxo sangüíneo diferencial no interior do coração resulta em diferentes concentrações de oxigênio nas câmaras do coração fetal. Isto e mais o elevado volume de sangue suprindo a cabeça através de ramos da aorta ascendente, garantem que o encéfalo e o coração em formação recebam um suprimento adequado de oxigênio.

Um fator decisivo na manutenção do padrão fetal é a luz dos ductos arterioso e venoso. A visão clássica era de que a luz desses ductos era mantida por meios passivos, mas mecanismos ativos estão claramente envolvidos. A luz do ducto venoso fetal é mantida pela ação das prostaglandinas E2 e I2, enquanto apenas a prostaglandina E2 está envolvida na manutenção da luz do ducto arterioso.

O sistema cardiovascular é o primeiro a funcionar no embrião, dada sua importância para a nutrição e excreção, principalmente. O sistema forma-se a partir do tecido angioblástico e os vasos embrionários são designados como artérias e veias conforme a sua relação com o coração e seu destino, uma vez que não se podem diferenciar artérias e veias, por sua morfologia nos estágios iniciais do desenvolvimento.

O sistema arterial embrionário é constituído pelos vasos que saem do coração embrionário e tem como principais elementos os arcos aórticos, as artérias vitelínicas, as artérias intersegmentares e as artérias umbilicais, entre outras estruturas. Esse sistema inicia seu desenvolvimento por voltas da terceira semana e adquire sua forma final, que irá perdurar até o nascimento por volta da 9ª semana.

No 19º dia de desenvolvimento do embrião, um par de elementos vasculares chamados tubos endocárdicos começa a se desenvolver na região cardiogênica, localizada cranial e lateralmente à placa na neural do disco embrionário. Simultaneamente, desenvolvem-se as aortas dorsais, bem como outros vasos importantes do embrião. O par de aortas dorsais, que formam a primeira via eferente, do coração desenvolve-se no mesênquima dorsal do disco embrionário, de ambos os lados da notocorda e conecta-se aos tubos endocárdicos antes que a curvatura embrionária ocorra. Posteriormente, as porções caudais das aortas dorsais fundem-se para constituir uma única artéria.

O primeiro arco aórtico surge quando o coração primitivo migra caudal e ventralmente. É então formado um arco entre as aortas dorsais e o saco aórtico. Entre o 26º e o 29º dia, os arcos aórticos 2, 3, 4 e 6 desenvolvem-se por vasculogênese dentro de seus respectivos arcos faríngeos. Eles conectam-se, ventralmente, ao saco aórtico e, dorsalmente, às duas aortas dorsais. Por volta do dia 35 os segmentos da aorta dorsal conectando o 3º e o 4º par desaparece fazendo com que o 3º par passe a ser o responsável pela irrigação da região da cabeça do embrião. Assim, esses segmentos darão origem às artéria carótidas comuns e uma parte da carótida interna.

O restante da carótida interna e carótida externa surgirão, durante a sétima semana, a aorta dorsal direita perde suas conexões tanto com a aorta dorsal caudal e com o sexto arco aórtico direito, embora se mantenha conectada ao quarto par. Simultaneamente, essa artéria adquire, de ambos os lados, um ramo, a 7ª artéria intersegmentar, que cresce para irrigar o botão que dará origem ao membro superior. Eventualmente a aorta dorsal direita degenera sua porção do espaço intersegmentar oito, o qual liga o espaço intersegmentar 7 com o espaço intersegmentar 9, porção a partir da qual a aorta já se encontra fundida. Forma-se assim a artéria subclávia direita. A porção do saco aórtico de onde sai o quarto par transforma-se no tronco braquiocefálico.

O quarto arco aórtico esquerdo mantém suas conexões com a aorta dorsal esquerda e, também, com a aorta dorsal fundida. Dessa forma, esse segmento dará origem à aorta e à sua croça (ou arco aórtico adulto). Durante a sétima semana o sexto arco aórtico direito perde sua ligação com a aorta dorsal, enquanto o esquerdo continua ligado a aorta dorsal direita. Esta ligação forma o ducto arterioso um dos desvios (shunts) presentes na circulação fetal que persiste até o nascimento ligando a artéria pulmonar à aorta esquerda.

Há controvérsia quanto à origem das artérias pulmonares: alguns autores afirmam que as artérias pulmonares têm origem diretamente a partir do sexto par, outros sugerem a possibilidade de sua origem ser o quarto par. Um desses pares liga-se ao tronco pulmonar, originado a partir do tronco arterioso do coração primitivo, dando origem às artérias pulmonares.

As artérias vitelinas formam-se a partir de projeções ventrais da aorta dorsal que chegam ao saco vitelino. À medida que o saco vitelino diminui seu tamanho, as artérias coalescem e formam um grande número de vasos, os quais anastomosam-se tanto com a artéria dorsal quanto com vasos do intestino primitivo.

Posteriormente, eles perdem contato com o saco vitelino formando os vasos que nutrem o trato gastrointestinal. Pares das artérias vitelínicas anastomosam-se para irrigar o esôfago, cranialmente ao diafragma e os intestinos primitivos, caudalmente ao diafragma.

A mais superior artéria vitelínica caudal ao diafragma forma a artéria celíaca, a qual desenvolve ramos que irrigam não só o intestino primitivo anterior, quanto também estruturas derivadas dessa região, como o fígado, o pâncreas e a vesícula biliar. O tronco celíaco também irriga o baço. As outras artérias vitelínicas constituem as artérias mesentéricas superior e inferior, as quais irrigam, respectivamente, da porção distal do duodeno até o cólon transverso, e do cólon transverso ate o reto e a porção superior do canal anal.

Os rins, gônadas e as glândulas supra-renais são irrigados por ramos da aorta que se desenvolvem de forma diferente. As adrenais e seus ramos aórticos desenvolvem-se no mesmo nível e não migram. Algumas vezes essa glândula pode receber um ramo da artéria renal. As gônadas em formação recebem irrigação de ramos da aorta dorsal do primeiro nível torácico. As gônadas migram caudalmente durante o desenvolvimento, mas as origens das artérias permanecem fixas, de modo que as artérias gonadais alongam-se.

Os rins, por sua vez, surgem na região sacral e sobem para se localizar na região lombar. Entretanto, as artérias renais não se alongam para acompanhar esses órgãos. Conforme ocorre a migração, o rim é irrigado por uma sucessão de ramos temporários. Assim, o último par desses ramos da aorta dorsal torna-se as artérias renais definitivas. Algumas vezes, o penúltimo ramo persiste como artéria renal acessória.

As artérias intersegmentares partem da aorta e crescem látero-ventralmente para irrigar os somitos e estruturas derivadas. Nas regiões sacral, lombar e torácica, ramos dorsais das artérias intersegmentares desenvolvem-se para irrigar o tubo neural, os primórdios dos músculos profundos do dorso e o território cutâneo dorsal. Ramos ventrais dessas artérias crescem para formar as artérias intercostais, as artérias lombares e as sarais laterais.

A sacral mediana é formada pela porção mais caudal da aorta dorsal. Na região cervical as artérias intersegmentares desenvolvem-se de modo diferente, anastomosando-se e dando origem às artérias vertebrais, à cervical profunda, à cervical ascendente, à intercostal superior, à torácica interna e às epigástricas superior e inferior.

As artérias dos membros originam-se também das intersegmentares, sendo as artérias do membro superior derivadas da sétima artéria torácica e as do membro inferior, do quinto par de artérias lombares. Essas artérias irrigam inicialmente os primórdios dos membros através de uma ligação com a artéria axial primária, a qual acompanha o eixo do membro em desenvolvimento.

No membro superior, essa artéria dá origem às artérias braquial e interóssea anterior. As outras artérias do membro superior desenvolvem-se a partir de ramificações da artéria axial. No membro inferior, por outro lado, a maior parte da artéria axial degenera e o suprimento sangüíneo passa a ser feito pela artéria ilíaca externa, originada da quinta artéria intersegmentar lombar.

As artérias umbilicais esquerda e direita aparecem cedo no desenvolvimento embrionário. Essas artérias estão inicialmente conectadas às aortas dorsais na região sacral. Durante a quinta semana, entretanto, essas conexões são obliteradas e as umbilicais desenvolvem ligações com as artérias ilíacas internas-corpo-humano, um par de ramos do quinto segmento lombar intersegmentar. As artérias umbilicais transportam produtos do metabolismo fetal à placenta durante todo o período gestacional.

DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA VENOSO EMBRIONÁRIO

O embrião possui três grandes sistemas venosos que cumprem diferentes funções. O sistema vitelínico drena o trato gastro-intestinal e os derivados do intestino primitivo. O sistema umbilical leva sangue oxigenado da placenta ao feto. E o sistema cardinal drena a cabeça, o pescoço e a parede corporal. Inicialmente, os três sistemas possuem desenvolvimento simétrico, convergindo para o seio venoso. No entanto, com a mudança do retorno venoso sistêmico para o átrio direito ocorre um grande remodelamento que confere ao sistema venoso a morfologia encontrada no adulto.

As veias vitelínicas surgem dos plexos capilares formados no saco vitelino. Inicialmente ambas drenam para os cornos do seio venoso. Plexos vitelínicos direito e esquerdo também se desenvolvem no septo transverso para depois originar os sinusóides hepáticos. À medida que o corno esquerdo regride para formar o seio coronário a veia vitelínica também diminui até desaparecer por completo.

A partir daí, o sangue do lado esquerdo passa a ser drenado pela veia vitelínica direita através de várias anastomoses. Assim, a artéria vitelínica passa a drenar todo o sistema vitelínico e, depois, torna-se a porção terminal da veia cava inferior. Simultaneamente, em dos capilares hepáticos passa a se dominante e forma um canal oblíquo, o duto venoso, importante para o feto, uma vez que leva o sangue oxigenado direto ao átrio direito. Inferiormente ao fígado, as veias vitelínicas degeneram exceto pela parte mais próxima ao fígado da veia vitelínica direita que dará origem ao sistema porta. Os ramos persistentes e suas anastomoses reorganizam-se de tal forma que o sangue seja drenado para a parte inferior da veia porta por duas veias, na maioria dos casos, a veia esplênica e a veia mesentérica inferior.

O sistema umbilical desenvolve-se de forma um pouco diferente. Nesse caso, é a veia umbilical direita que desaparece. A veia umbilical esquerda persiste, mas perde sua ligação com o corno esquerdo do seio venoso anastomosando-se secundariamente com o ducto venoso, conforme mencionado acima.

O sistema cardinal inicialmente constitui-se de um par de veias cardinais posteriores (inferiores) e um par de cardinais anteriores (superiores), as quais unem-se por um pequeno trecho, as veias cardinais comuns, para desembocar nos cornos do seio venoso. Mais tarde desenvolvem-se, medialmente às cardinais posteriores, as artérias subcardinais e as supracardinais, que suplementam e posteriormente substituem em grande parte, as veias cardinais posteriores.

As veias subcardinais crescem a partir da base da veia cardinal superior e desenvolvem-se caudalmente. Depois, tornam-se conectadas entre si por meio de anastomoses, sendo que, posteriormente, os segmentos longitudinais da subcardinal esquerda e as estruturas desse lado passam a ser drenadas pela subcardinal direita. Entrementes, a subcardinal direita perde sua conexão com a cardinal posterior e estabelece uma nova conexão com veia vitelínica direita para formar a porção da veia cava inferior entre o fígado e os rins.

As veias supracardinais, assim como as subcardinais, crescem a partir da base das cardinais posteriores. As supracardinais drenam a parede corporal através de veias intercostais, assumindo, dessa forma, o papel das cardinais posteriores. Estas são amplamente obliteradas e degeneram a não ser em sua porção mais caudal, que dá origem às ilíacas comuns e à porção mais caudal da veia cava inferior. A supracardinal direita, no abdômen, anastomosa-se com a subcardinal direita, formando a porção da veia cava inferior logo abaixo dos rins.

No tórax, as supracardinais mantêm-se conectadas umas as outras por meio de anastomoses mediais e drenam a parede torácica por meio das intercostais. A supracardinal esquerda é obliterada em sua porção mais inferior e perde suas conexões com a veia cardinal posterior esquerda e assim passa a drenar para o sistema supracardinal, constituindo a hemiázigos. A parte restante da supracardinal direita também perde suas conexões com a cardinal posterior direita e conecta-se com o segmento da veia cava superior, originado da cardinal anterior. Desse modo, a supracardinal direita origina a veia ázigos. Tanto esta, quanto a hemiázigos drenam para o átrio direito, via veia cava superior.

As veias cardinais anteriores dão origem as jugulares internas-corpo-humano e, simultaneamente, desenvolve-se uma anastomose medial conectando as cardinais anteriores. Uma vez que a conexão proximal da veia cardinal anterior esquerda com o corno do seio venoso regride, todo o sangue da parte esquerda da cabeça é drenada por essa anastomose que passa a ser a veia braquio-cefálica esquerda. O pequeno segmento da cardinal esquerda entre os locais em que desembocam as braquio-cefálicas forma a veia cava superior.

A HEMOGLOBINA FETAL

Os fetos têm seu próprio tipo de hemoglobina, chamada de hemoglobina F, a qual difere da hemoglobina adulta porque possui uma afinidade maior pelo oxigênio em condições fisiológicas. A maior afinidade da hemoglobina F pelo oxigênio otimiza a transferência de oxigênio da circulação materna para fetal. A hemoglobina F é oxigenada à custa da hemoglobina A do outro lado da circulação placentária. A maior afinidade da hemoglobina fetal pelo oxigênio é explicada porque ela se liga menos avidamente ao BPG, um fosfato inorgânico presente nas hemácias humanas que estabiliza a estrutura quaternária da desoxihemoglobina pela interligação entre as cadeias b desta, impedindo, assim, que a oxigenação ocorra.

Fonte: www.icb.ufmg.br

Sistema Circulatório

O aparelho circulatório é o sistema de transporte interno do organismo. Seu objetivo é levar elementos nutritivos e oxigênio a todos os tecidos do organismo, eliminar os produtos finais do metabolismo e levar os hormônios, desde as correspondentes glândulas endócrinas, aos órgãos sobre os quais atuam. Durante este processo, regula a temperatura do corpo.

Aparelho Circulatório Humano compreende: coração, vasos sangüíneos, vasos linfáticos, sangue, linfa.

Vasos sangüíneos: existem três tipos de vasos sangüíneos: artérias, veias e capilares. Artérias: sua função é levar o sangue desde o coração até os tecidos. Três capas formam suas paredes, a externa ou adventícia de tecido conjuntivo; a capa media de fibras musculares lisas, e a interna ou íntima formada por tecidos conectivos, e por dentro dela se encontra uma capa muito delgada de células que constituem o endotélio. Veias: devolvem o sangue dos tecidos ao coração.

À semelhança das artérias, suas paredes são formadas por três capas, diferenciando-se das anteriores somente por sua menor espessura, sobretudo ao diminuir a capa media. As veias têm válvulas que fazem com que o sangue circule desde a periferia rumo ao coração ou seja, que levam a circulação centrípeta.

Capilares: são vasos microscópicos situados nos tecidos, que servem de conexão entre as veias e as artérias; sua função mais importante é o intercâmbio de materiais nutritivos, gases e desperdícios entre o sangue e os tecidos. Suas paredes se compõem de uma só capa celular, o endotélio, que se prolonga com o mesmo tecido das veias e artérias em seus extremos.

O sangue não se põe em contato direto com as células do organismo, se bem que estas são rodeadas por um líquido intersticial que as recobre; as substâncias se difundem, desde o sangue pela parede de um capilar, por meio de poros que contém os mesmos e atravessa o espaço ocupado por líquido intersticial para chegar às células.

As artérias antes de se transformarem em capilares são um pouco menores e se chamam arteríolas, e o capilar quando passa a ser veia novamente tem uma passagem intermediária nas que são veias menores chamadas vénulas; os esfíncteres pré-capilares ramificam os canais principais, abrem ou fecham outras partes do leito capital para satisfazer as variadas necessidades do tecido. Dessa maneira, os esfíncteres e o músculo liso de veias e artérias regulam o fornecimento do sangue aos órgãos.

Sistema Circulatório

Vasos linfáticos

São um sistema auxiliar para o retorno de líquido dos espaços tissulares. A circulação; o líquido intersticial entra nos capilares linfáticos, transforma-se em linfa e logo é levado à união com o sistema vascular sangüíneo e se mistura com o sangue. Os capilares linfáticos se reúnem e formam os vasos linfáticos, cada vez maiores, que têm válvulas para evitar o reflexo igual ao das veias.

Baço

É um órgão linfático, situado na parte esquerda da cavidade abdominal. Nele não se produz a contínua destruição dos glóbulos vermelhos envelhecidos; sua principal função está vinculada com a imunidade; como órgão linfático está encarregado de produzir linfócitos (que são um tipo de glóbulos brancos) que se derramam no sangue circulante e toma parte nos fenômenos necessários para a síntese de anticorpos.

Apesar de todas estas funções, o baço não é um órgão fundamental para a vida sua forma é oval e com um peso de 150 gr o qual varia em situações patológicas. Macroscopicamente, se caracteriza pela alternância entre estruturas linfóides e vasculares, que formam respectivamente a polpa branca e a polpa vermelha.

A artéria esplênica entra no órgão e se subdivide em artérias traveculares, que penetram na polpa branca como artérias centrais e uma vez fora delas se dividem na polpa vermelha. A polpa branca é formada por agregados linfocitários formando corpúsculos, atravessados por uma artéria.

A polpa vermelha é formada por seios e cordões estruturados por células endoteliais e reticulais formando um sistema filtrante e depurador capacitado para seqüestrar os corpos estranhos de forma irregular e de certa dimensão.

Em síntese as funções de baço são múltiplas; Intervêm nos mecanismos de defesa do organismo, forma linfócitos e indiretamente anticorpos, destrói os glóbulos vermelhos envelhecidos e quando diminui a atividade hemocitopoiética da medula, é capaz de reemprender rapidamente dita atividade.

Por outro lado como contém grande quantidade de sangue, em estado de emergência pode aumentar com sua contração a quantidade de sangue circulante, lilberando toda aquela que contém.

Dinâmica da circulação: o batimento do coração é iniciado e regulado pelo nódulo sinosal que se encontra na parte superior da aurícula direita e do nascimento automático deste nódulo passa o estímulo para o resto do coração pelo tecido de Purkinge.

Quando o nódulo sinosal por qualquer doença não produz o batimento automático, as outras zonas que constituem a rede ou o tecido de Purkinje podem bater com ritmos de freqüências inferiores. A aurícula direita recebe o sangue por intermédio de duas importantes veias .

A veia cava superior (sangue da cabeça, braços e parte superior do corpo) e a veia cava inferior ( sangue de membros inferiores e parte inferior do corpo). A aurícula direita se contrai abrindo a válvula tricúspide ( que é a que separa a aurícula do ventrículo direito) que, permite a entrada do sangue ao ventrículo direito.

A contração do ventrículo direito fecha a válvula tricúspide e abre a válvula pulmonar semilunar desse lado impulsionando o sangue pela artéria pulmonar em direção aos pulmões.

Dos pulmões o sangue volta para a aurícula esquerda pelas veias pulmonares. Este é o último caso no qual uma veia leva sangue oxigenado, já que normalmente o sangue oxigenado vai pelo sistema arterial e o sangue com desperdícios, com menor conteúdo de oxigênio, vai pela rede venosa.

Mesmo assim, neste caso existe uma exceção quando a artéria pulmonar, que sai do ventrículo direito, leva sangue não oxigenado ou resíduos para os pulmões, e dos pulmões voltam às veias pulmonares com o sangue oxigenado para a parte do coração esquerdo; a aurícula esquerda se contrai abrindo a válvula mitral (que é a que separa a aurícula do ventrículo esquerdo).

A contração do ventrículo esquerdo fecha esta válvula, abre a válvula aorta semilunar e envia o sangue através da aorta a todo o sistema, menos aos pulmões.

Toda a porção de sangue que entra na aurícula direita deve dirigir-se para a circulação pulmonar antes de alcançar o ventrículo esquerdo e daí ser enviada aos tecidos. O tecido nodal regula o batimento cardíaco que consta de uma contração ou sístole, seguida de relaxamento ou diástole.

As aurículas e ventrículos não se contraem simultaneamente; a sístole auricular aparece primeiro, com duração aproximada de 0,15" seguida da sístole ventricular, com duração aproximada de 0,30".

Durante a fração restante de 0,40", todas as cavidades se encontram num estado de relaxamento isovolumétrica (situação onde não há mudança de volumes em nenhuma das quatro câmaras do coração).

Ciclo cardíaco

A função impulsora de sangue do coração segue uma sucessão cíclica cujas faces, a partir da sístole auricular, são as seguintes:

a) Sístole auricular: a onda de contração se propaga ao longo de ambas as aurículas estimuladas pelo nodo ou nódulo sinosal ou sinoauricular.

O coração tem a direção automática elétrica mas por outro lado as válvulas e as câmaras se abrem e fecham conforme as diferenças de pressão que o sangue tem em cada uma delas.

O ventrículo tem sangue em seu interior que provem da diferença de pressão, enquanto que há muito sangue nas aurículas e pouco nos ventrículos, e isso faz com que as válvulas se abram e passem o sangue das aurículas aos ventrículos, logo ao final, para ajudar o pouco sangue que restou nas aurículas a passar ao ventrículo, produzindo a chamada sístole auricular.

b) Sístole ventricular começa a contrair-se o ventrículo, com aumento rápido de sua pressão; nesse momento fecham-se as válvulas tricúspide e mitral, para que o sangue não volte a fluir para as aurículas e o aumento de pressão que sobrevem até que se abram as válvulas semilunares, auríticas e pulmonares e que passe o sangue rumo à aorta e também à artéria pulmonar, produzindo-se o primeiro som dos ruídos cardíacos.

c) Aumento da pressão dos ventrículos: as válvulas semilunares se mantêm fechadas até que a pressão dos ventrículos se equilibra com a das artérias.

d) Quando a pressão intraventricular ultrapassa a das artérias, abrem-se as válvulas semilunares e o sangue se dirige pelas artérias aorta e pulmonar.

e) Diástole ventricular: os ventrículos entram em relaxamento, sua pressão interna é inferior à arterial por isso as válvulas semilunares se fecham, produzindo o segundo ruído cardíaco.

f) Diminuição da pressão com relaxamento das paredes ventriculares, as válvulas tricúspide e mitral continuam fechadas (a pressão ventricular é maior que a auricular) pelo que não sai nem entra sangue nos ventrículos; embora penetre sangue nas aurículas ao mesmo tempo.

g) A pressão intraventricular é inferior à auricular, porque a aurícula vai se enchendo de sangue, o que produz uma diferença de pressão com a qual se abrem novamente as válvulas tricúspides e mitral e recomeça o ciclo.

Batimento cardíaco

O coração de uma pessoa em repouso impulsiona aproximadamente 5000 ml de sangue por minuto, que eqüivalem a 75 ml por batida. Isso significa que a cada minuto passa pelo coração um volume de sangue equivalente a todo aquele que o organismo humano contem.

Durante um exercício físico intenso o gasto cardíaco (volume de sangue impulsado pelo coração) pode chegar até 30 l por minuto (30.000 ml/min). Pressão arterial ou pressão sangüínea: a força da contração cardíaca, o volume de sangue no sistema circulatório e a resistência periférica (que é a resistência que opõem as artérias e veias, já que estas também se contraem, porque têm uma capa media que produz essa contração com o relaxamento) determinam a pressão arterial.

Esta pressão aumenta com a energia contrátil, com o maior volume de sangue e, com a energia da constrição e relaxamento dos ventrículos aumenta e diminui a pressão.

A pressão sistólica é a mais elevada e corresponde à sístole ventricular. E a pressão distólica é menor e corresponde a diástole ventricular. A diferença entre as pressões sistólica e diastólica se chama pressão diferencial.

Fonte: www.professoraangela.net

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