O intestino delgado é um tubo com pouco mais de 6 m de comprimento por 4cm de diâmetro e pode ser dividido em três regiões: duodeno (cerca de 25 cm), jejuno (cerca de 5 m) e íleo (cerca de 1,5 cm).
A porção superior ou duodeno tem a forma de ferradura e compreende o piloro, esfíncter muscular da parte inferior do estômago pela qual este esvazia seu conteúdo no intestino.
A digestão do quimo ocorre predominantemente no duodeno e nas primeiras porções do jejuno. No duodeno atua também o suco pancreático, produzido pelo pâncreas, que contêm diversas enzimas digestivas.
Outra secreção que atua no duodeno é a bile, produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar. O pH da bile oscila entre 8,0 e 8,5. Os sais biliares têm ação detergente, emulsificando ou emulsionando as gorduras (fragmentando suas gotas em milhares de microgotículas).
O suco pancreático, produzido pelo pâncreas, contém água, enzimas e grandes quantidades de bicarbonato de sódio. O pH do suco pancreático oscila entre 8,5 e 9. Sua secreção digestiva é responsável pela hidrólise da maioria das moléculas de alimento, como carboidratos, proteínas, gorduras e ácidos nucléicos.
A amilase pancreática fragmenta o amido em moléculas de maltose; a lípase pancreática hidrolisa as moléculas de um tipo de gordura os triacilgliceróis, originando glicerol e álcool; as nucleases atuam sobre os ácidos nucléicos, separando seus nucleotídeos.
O suco pancreático contém ainda o tripsinogênio e o quimiotripsinogênio, formas inativas em que são secretadas as enzimas proteolíticas tripsina e quimiotripsina. Sendo produzidas na forma inativa, as proteases não digerem suas células secretoras.
Na luz do duodeno, o tripsinogênio entra em contato com a enteroquinase, enzima secretada pelas células da mucosa intestinal, convertendo-se me tripsina, que por sua vez contribui para a conversão do precursor inativo quimiotripsinogênio em quimiotripsina, enzima ativa.
A tripsina e a quimiotripsina hidrolisam polipeptídios, transformando-os em oligopeptídeos. A pepsina, a tripsina e a quimiotripsina rompem ligações peptídicas específicas ao longo das cadeias de aminoácidos.
A mucosa do intestino delgado secreta o suco entérico, solução rica em enzimas e de pH aproximadamente neutro. Uma dessas enzimas é a enteroquinase. Outras enzimas são as dissacaridades, que hidrolisam dissacarídeos em monossacarídeos (sacarase, lactase, maltase).
No suco entérico há enzimas que dão seqüência à hidrólise das proteínas: os oligopeptídeos sofrem ação das peptidases, resultando em aminoácidos.
No intestino, as contrações rítmicas e os movimentos peristálticos das paredes musculares, movimentam o quimo, ao mesmo tempo em que este é atacado pela bile, enzimas e outras secreções, sendo transformado em quilo.
A absorção dos nutrientes ocorre através de mecanismos ativos ou passivos, nas regiões do jejuno e do íleo. A superfície interna, ou mucosa, dessas regiões, apresenta, além de inúmeros dobramentos maiores, milhões de pequenas dobras (4 a 5 milhões), chamadas vilosidades; um traçado que aumenta a superfície de absorção intestinal.
As membranas das próprias células do epitélio intestinal apresentam, por sua vez, dobrinhas microscópicas denominadas microvilosidades. O intestino delgado também absorve a água ingerida, os íons e as vitaminas.
Os nutrientes absorvidos pelos vasos sanguíneos do intestino passam ao fígado para serem distribuídos pelo resto do organismo.
Os produtos da digestão de gorduras (principalmente glicerol e ácidos graxos isolados) chegam ao sangue sem passar pelo fígado, como ocorre com outros nutrientes.
Nas células da mucosa, essas substâncias são reagrupadas em triacilgliceróis (triglicerídeos) e envelopadas por uma camada de proteínas, formando os quilomícrons, transferidos para os vasos linfáticos e, em seguida, para os vasos sangüíneos, onde alcançam as células gordurosas (adipócitos), sendo, então, armazenados.
Fonte: www.geocities.com


O Intestino divide-se anatómica e funcionalmente em duas partes: Intestino Delgado e Intestino Grosso ou Cólon. Neste local vamos descrever a Anatomia e Fisiologia do Intestino Delgado.
ANATOMIA DO INTESTINO DELGADO
O comprimento do Intestino Delgado varia entre 3 e 9 metros e, divide-se em três partes: o duodeno, o jejuno e o íleo. O duodeno tem cerca de 25 cm ( 12 dedos de comprimento por isso se chama duodeno ). A, tão frequente, úlcera do duodeno localiza-se nos 5 cm iniciais que formam o bulbo do duodeno.
A superfície do Intestino Delgado é coberta por por projecções em forma de dedo com 0.5 a 1.5 mm, chamadas vilosidades que, por sua vez são cobertas por microscópicas microvilosidades. Como facilmente se compreende, esta estrutura, aumenta enormemente a superfície de absorção do Intestino Delgado.
FUNÇÕES DO INTESTINO DELGADO
No Intestino Delgado continua-se a digestão dos alimentos, mas o Intestino Delgado é por excelência o local da absorção dos nutrientes.
Os hidratos de carbono ou glícidos ou glúcidos são inicialmente digeridos no Jejuno, pela amilase salivar e pancreática, mas a digestão completa requer três enzimas ( lactase, maltase e sacarase ) existentes nas células da mucosa do Intestino. Estas enzimas desdobram os dissacáridos em monossacáridos porque só nesta forma podem ser absorvidos. A nossa mucosa intestinal não absorve dissacáridos, por isso, utilizamos a lactulose no tratamento da prisão de ventre. Alguns hidratos de carbono mais complexos, que constituem a fibra da nossa dieta são mal digeridos no Intestino Delgado e atingem o Cólon onde são fermentados pelas bactérias dando origem à formação de gazes.
A digestão das gorduras, dos ácidos núcleicos e das proteínas que se iniciou com a lipase e com a pepsina do estômago continua no lume do Intestino Delgado com as enzimas produzidas no Pâncreas ( lipase, fosfolipase, tripsina, quimotripsina, carboxipeptidase, DNase e RNase ).
A digestão das gorduras requer a sua emulsão, transformação em pequenas gotas, sobre as quais atuam as enzimas, levando à formação de ácidos gordos, vitaminas lipossolúveis, colesterol que os sais biliares transformam em micelas que são absorvidas pelo Intestino Delgado.
No íleo completa-se a absorção e os 100 cm distais do Intestino Delgado, têm a particularidade, de permitir a absorção dos sais biliares e da Vitamina B12.
É fácil compreendermos que pode haver deficiências na absorção dum só nutriente, um nutriente especifico. Por exemplo, se houver uma carência da enzima lactase nas células do intestino, a lactose ( açúcar do leite ) não é absorvida. Se por algum motivo os 100 cm distais do Intestino Delgado tiverem que ser retirados cirurgicamente, não se faz a absorção da Vitamina B12.
Outras afecções do Intestino Delgado levam a uma Má Absorção global, conduzem a uma deficiência generalizada na digestão ou absorção com perda de gorduras, de açucares, de proteínas e de vitaminas.
Estas deficiências generalizadas causam diarreia, geralmente com muitas gorduras ( esteatorreia ), causam emagrecimento, e levam ao aparecimento de outros sintomas relacionados com a carência dos nutrientes ( A carência de Vitamina A leva à cegueira nocturna e a deramatites; a carência de Vitamina D leva à osteomalacia etc.)
As doenças mais frequentes do Intestino Delgado são as Enterites provocadas por vírus, por bactérias e por toxinas que causam diarreia aguda, por vezes associadas a uma gastrite aguda dando origem à Gastroenterite. A Enterite e a Gastroenterite são, no adulto saudável, doenças auto-limitadas, evoluem para a cura em 5 ou 6 dias, sem necessidade de medicamentos. Na maior parte dos casos não é solicitada nem necessária a ajuda do médico.
A Deficiência de Lactase é outra afecção frequente do Intestino Delgado e, é uma doença sem gravidade e fácil de corrigir. A Doença Celíaca é causa de má absorção global e ocorre com relativa prevalência. No Algarve poderão existir entre 150 a 300 pessoas com esta afecção mas, em muitos casos, a doença é muito ligeira e passa desconhecida, o diagnóstico nunca se faz porque as queixas nunca têm grande significado.
A Doença de Crohn atinge, na maior parte dos casos o Intestino Delgado mas, pode localizar-se em qualquer outra parte do Tubo Digestivo desde a boca até ao orificial retal. É uma doença, cujo número de casos tem aumentado nos últimos anos.
Os Divertículos - incluindo o Divertículo de Meckel - aparecem com alguma frequência no Intestino Delgado, mas quase sempre são assintomáticos e não requerem tratamento. As hérnias, sobretudo as inguinais, mas também as femorais e umbilicais requerem quase sempre tratamento cirúrgico. Dos parasitas intestinais ( Lombrigas, Oxiuros, Ténia, Giardia etc. ), apenas os Oxiuros e a Giardia são frequentes no Algarve, muito raramente se encontra a Ténia. A lombrigas ( Ascaris Lumbricoides ) não existem no Algarve, o que facilmente se compreende pelo clima mas, no Algarve, chamam-se lombrigas aos oxiuros.
Quando os algarvios dizem que têm lombrigas querem dizer que têm oxiuros. Os Tumores do Intestino Delgado, quer benignos quer malignos ( cancros ) são pouco frequentes. Quer o Adenocarcinoma, quer o Linfoma, quer a Doença das Cadeias Pesadas são tumores raros, que representam, menos de 3% de todos os tumores do Aparelho Digestivo. O número de cancros do Intestino Delgado diagnosticados por ano no Algarve é, inferior a 5.
Como estudamos o Intestino Delgado ?
O Rx do Intestino Delgado ( ingere-se papa baritada que torna o Intestino Delgado opaco ao Rx ) tem sido o principal meio de diagnóstico de que nos servimos para visualizar o Intestino Delgado. A endoscopia tem até ao presente, tido limitações intransponíveis devido à estrutura e comprimento do Intestino Delgado.
Apenas a porção inicial do duodeno e a porção terminal do íleo são observadas com facilidade, a primeira na endoscopia alta e a segunda na colonoscopia.
Recentemente ( Junho-Julho de 2001 ) foi introduzida na Europa, e em Portugal, uma endocâmara, (imagem ao lado) com 11 mm por 22 mm que depois da deglutida permite a observação do Intestino Delgado. A utilização desta pequena cápsula é recomendada no estudo das hemorragias digestivas de causa obscura.
Apesar de uso limitado a endocâmara é um progresso na visualização do Intestino Delgado.
Fonte: www.gastroalgarve.com