Formação de anticorpos pelos plasmócitos. Antes da exposição a um antígeno específico, os clones de linfócitos B permanecem inativos no tecido linfóide. Com a entrada de um antígeno estranho, os macrófagos do tecido linfóide fagocitam o antígeno e o apresentam aos linfócitos adjacentes. Além disso, o antígeno ao mesmo tempo é apresentado às células T, e células T de ajuda também contribuem para ativação dos linfócitos B. Estes linfócitos B específicos para o antígeno imediatamente avolumam e adquirem a aparência de linfoblastos. Alguns linfoblastos sofrem diferenciação adicional para formar plasmoblastos, que são os precursores dos plasmócitos. Nestas células, o citoplasma se expande e o retículo endoplasmático granular prolifera intensamente. Eles, então, começam a se dividir numa velocidade de cerca de uma vez a cada 10 h para nove divisões, originando em quatro dias uma população total de aproximadamente 500 células por cada plasmoblasto original. Os plasmócitos maduros produzem anticorpos gamaglobulina numa velocidade extremamente rápida – aproximadamente 2.000 moléculas por segundo por cada plasmócito. Os anticorpos são secretados para a linfa e carreados para o sangue circulante. Este processo continua durante vários dias ou semanas até a exaustão final e morte dos plasmócitos.
Formação das Células de Memória – Diferença entre Resposta Primária e Resposta Secundária.
Alguns dos linfoblastos formados por ativação de um clone de linfócitos B não evoluem para formar plasmócitos, mas, em seu lugar, formam quantidades moderas de novos linfócitos B similares àquelas do clone original. Em outras palavras, a população de células B do clone especificamente ativado aumenta consideravelmente. Os novos linfócitos B juntam-se aos linfócitos originais do clone. Eles também circulam através dos corpos para popular todo o tecido linfóide, mas, imunologicamente, permanecem inativos até serem ativados outra vez por uma nova quantidade do mesmo antígeno. Estes linfócitos são chamados de células de memória. A exposição subseqüente ao mesmo antígeno causará uma resposta muito mais rápida e potente porque existem muito mais células de memória do que de linfócitos B originais do clone específico.
A figura 01 mostra as diferenças entre a resposta primária, que ocorre na primeira exposição ao antígeno específico para a produção de anticorpos, e a resposta secundária, que ocorre depois de uma segunda exposição ao mesmo antígeno. Observe a demora no aparecimento da resposta primária, sua fraca e curta duração. A resposta secundária, ao contrário, começa rapidamente após a exposição ao antígeno (geralmente dentro de horas), é mais potente e produz anticorpos para muitos meses, e não para somente poucas semanas.
A potência e a duração aumentadas da resposta secundária explicam por que a vacinação é normalmente realizada com a injeção do antígeno em doses múltiplas com períodos de várias semanas ou meses entre as injeções.
Natureza dos anticorposOs anticorpos são gamaglobulinas chamadas de imunoglobulinas e têm um peso molecular entre 160.000 e 970.000. Geralmente constituem cerca de 20% do total de proteínas plasmáticas.
Todas as imunoglobulinas são formadas pela combinação de cadeias polipeptídicas leves e pesadas; a maioria é uma combinação de duas cadeias leves e duas pesadas.
Entretanto algumas imunoglobulinas têm combinações de 10 cadeias pesadas e 10 cadeias leves, que originam imunoglobulinas de alto peso molecular. Em todas as imunoglobulinas, cada cadeia pesada é paralela a uma cadeia leve em uma de suas extremidades, e sempre há pelo menos dois e até, 10 pares em cada molécula de imunoglobulina.

A FIG 02 mostra , uma extremidade da cadeia leve e pesada, chamada de porção
variável; o restante de cada cadeia é denominado de porção
constante. A porção variável é diferente para
cada especificidade de anticorpo, e é esta porção que
se liga especificamente a um tipo particular de antígeno. A porção
constante do anticorpo determina outras propriedades, estabelecendo fatores
tais como a difusão do anticorpo nos tecidos, a aderência do
anticorpo a estruturas específicas nos tecidos, a ligação
ao complexo do complemento, a facilidade com que os anticorpos passam através
das membranas e outras propriedades biológicas dos anticorpos.
Fig 02 Estrutura de um anticorpo mostrando sua composição de duas cadeias polipeptídicas pesadas e duas cadeias polipeptídicas leves.
Especificidade dos anticorpos. Cada anticorpo é específico para um antígeno particular; isto é motivado por sua organização estrutural singular de aminoácidos nas porções variáveis tanto das cadeias leves como das pesadas. A organização de aminoácidos tem uma forma diferente para cada especificidade antigênica, tanto que, quando um antígeno entra em contato com ela, múltiplos grupamentos prostéticos do antígeno ajustam-se, com uma imagem de espelho, com aqueles do anticorpo, permitindo assim uma rápida ligação entre o anticorpo e o antígeno. A ligação é não-covalente, mas quando, o anticorpo é altamente específico, existem tantos sítios de ligação que a união antígeno-anticorpo é excessivamente forte, mantida por (1) pontes hidrofóbicas, (2) pontes de hidrogênio, (3) atrações iônicas e (4) forças de Van der Walls. Isto também obedece à lei da ação termodinâmica das massas:
Ka = concentração do complexo ligado antígeno-anticorpo
___________________________________________
concentração de anticorpo x concentração de antígeno
Ka é chamada de constante da afinidade e representa uma medida da força
de ligação do anticorpo ao antígeno.
Note especialmente, na Fig 02, que há dois sítios variáveis no anticorpo ilustrado para ligação do antígeno, tornando este tipo de anticorpo bivalente. Uma pequena proporção de anticorpos, que compreendem combinações acima de 10 cadeias leves e 10 pesadas, têm até 10 sítios de ligação.
Classes de anticorpos: Existem cinco classes gerais de anticorpos, chamadas, respectivamente, de IgM, IgG, IgA, IgD e IgE. Ig significa imunoglobulina, enquanto as outras cinco letras designam simplesmente, as classes respectivas.
Duas destas classes de anticorpos são de particular importância: IgG, que é um anticorpo bivalente e compreende cerca de 75% dos anticorpos de uma pessoa normal, e IgM, que constitui uma pequena porcentagem dos anticorpos mas está especialmente envolvido com a alergia. A classe IgM também é importante porque uma grande parte dos anticorpos produzidos durante a resposta primária é deste tipo. Estes anticorpos possuem 10 sítios de ligação, o que os torna extraordinariamente eficazes na proteção do organismo contra invasores, embora não haja muitos anticorpos IgM.
Mecanismo de Ação doa AnticorposOs anticorpos agem de duas maneiras para proteger o corpo contra agentes invasores: (1) por ataque direto aos invasores e (2) por motivação do sistema do complemento, que também tem múltiplos meios para destruir o invasor.
Ação Direta dos Anticorpos sobre os Agentes Invasores: Fig 03 mostra os anticorpos (indicados por barras em forma de Y) reagindo com os antígenos.

Devido à natureza bivalente dos anticorpos e aos múltiplos sítios antigênicos nos agentes invasores, os anticorpos podem inativá-los por uma das várias maneiras a seguir:
1. Aglutinação, na qual muitas partículas grandes com antígenos na sua superfície, tais como bactérias ou hemácias, formam um aglomerado.
2. Precipitação, na qual o complexo molecular de antígeno é solúvel (tal como toxina do tétano) e anticorpo é tão grande que se torna insolúvel e precipitado.
3. Neutralização, na qual anticorpos cobrem os sitos tóxicos do antígeno.
4. Lise, na qual anticorpos potentes são ocasionalmente capazes de atacar diretamente as membranas de antígenos celulares e, desse modo, causar ruptura da célula.
Sob condições normais, estas ações diretas dos anticorpos atacando os antígenos, não são bastante fortes para desempenhar papel importante na proteção do corpo contra o invasor. A maior parte da proteção vem através dos efeitos amplificados do sistema do complemento.
O Sistema do Complemento na Ação do AnticorpoComplemento é um termo coletivo que descreve um sistema de cerca de 20 proteínas, muitas das quais são precursores enzimáticos. Os principais agentes neste sistema são 11 proteínas designadas de C1 até, C9, B e D. Normalmente, todas estão presentes entre as proteínas plasmáticas, assim como entre as proteínas plasmáticas que extravasam dos capilares para os espaços teciduais. Os precursores enzimáticos normalmente são inativos, mas podem ser ativados por duas vias: (1) pela via clássica e (2) pela via alternativa.
Via ClássicaA via clássica é ativada pela reação antígeno-anticorpo. Isto é, quando um anticorpo se liga ao antígeno, um sítio reativo específico na porção constante do anticorpo é exposto, ou ativado, e este sítio, por sua vez, se une diretamente com a molécula C1 do sistema complemento, colocando em ação uma cascata de reações seqüenciais, que começa com a ativação da proenzima C1. Poucas combinações antígeno-anticorpo são necessárias para ativar muitas moléculas do primeiro no primeiro estágio do sistema complemento. As enzimas C1 que são formadas ativam sucessivamente quantidades crescentes de enzimas nas fases finais do sistema, tanto que, a partir de um começo diminuto, ocorre uma reação extremamente extensa e amplificada. Muitos produtos finais são formados, e vários deles causam efeitos importantes que ajudam a evitar danos pelos organismos invasores ou toxinas.
Entre os efeitos mais importantes, incluem-se os seguintes:
1.Opsonização e fagocitoseUm dos produtos da cascata do complemento, a C3b, ativa intensamente a fagocitose pelos neutrófilos e macrófagos, induzindo-os a englobar as bactérias onde os complexos antígeno-anticorpo estão aderidos. Este processo é chamado de opsonização. Isto freqüentemente eleva em centenas de vezes o número de bactérias que podem ser destruídas.
2.LiseDe todos os produtos da cascata do complemento, um dos mais importantes é o complexo lítico, que é a combinação de múltiplos fatores do complemento sendo designado C5b6789. Este tem um efeito direto na ruptura das membranas celulares de bactérias e de outro organismo invasor.
3.AglutinaçãoOs produtos do complemento também alteram a superfície dos organismos invasores, induzindo-os a aderir uns aos outros, promovendo desse modo a aglutinação.
4.Neutralização de vírusAs enzimas e outros produtos do complemento podem atacar as estruturas de alguns vírus e, desse modo, torná-los não-virulentos.
5.QuimiotaxiaO fragmento C5a induz a quimiotaxia pelos neutrófilos e macrófagos, promovendo a migração de grandes quantidades desses fagócitos para o local do agente antigênico.
6.Ativação de mastócitos e basófilosOs fragmentos C3a, C4a e C5a ativam os mastócitos e basófilos, induzindo-os a liberar histamina, heparina e várias outras substâncias para os líquidos locais. Estas substâncias, por sua vez, causam aumento no fluxo sangüíneo local, de extravasamento de líquido e proteína plasmática para os tecidos e de outras reações teciduais locais que ajudam a inativar e imobilizar o agente antigênico. Os mesmos fatores desempenham papel importante na inflamação e na alergia.
7.Efeitos inflamatóriosAlém dos efeitos inflamatórios causados pela inflamação dos mastócitos e basófilos, vários outros produtos do complemento contribuem para a inflamação local. Estes produtos induzem o aumento do fluxo sangüíneo que já estava aumentado, o aumento do extravasamento de proteínas a partir dos capilares e a coagulação de proteínas nos espaços teciduais, evitando desse modo à movimentação do organismo invasor através dos tecidos.
Via AlternativaAlgumas vezes, o sistema do complemento é ativado sem a intermediação de uma reação antígeno-anticorpo. Isto ocorre especialmente em resposta a grandes moléculas polissacarídicas na membrana celular de alguns microrganismos invasores. Estas substâncias reagem com os fatores B e D do complemento, formando um produto ativador que ativa o fator C3 e estimula o restante da cascata do complemento além do nível C3. Desse modo, essencialmente todos os mesmos produtos finais do sistema são produzidos como na via clássica e promovem os mesmos efeitos que aqueles já listados para proteger o corpo contra o invasor.
Como a via alternativa não envolve uma reação antígeno-anticorpo, ela é uma das primeiras linhas de defesa contra microrganismos invasores, capaz de funcionar mesmo antes que uma pessoa seja imunizada contra o organismo.
Características especiais do Sistema de Linfócitos T – Células T Ativadas e Imunidade Celular
A liberação de células T ativadas do tecido linfóide e a produção de celular de memória. Após exposição aos antígenos adequados, apresentados pelos macrófagos adjacentes, os linfócitos T de clone específico do tecido linfóide proliferam e liberam grandes quantidades de células T ativadas, de certo modo paralelamente à liberação de anticorpos pelas células B ativadas. A principal diferença é que, em lugar de liberar anticorpos, formam-se células T ativadas que são liberadas na linfa. Elas, então passam para circulação e são distribuídas pelo corpo, passando através das paredes dos capilares para os espaços teciduais, voltando para linfa e sangue outra vez, e recirculam várias vezes pelo corpo, em geral durante meses ou mesmo anos.
Também os linfócitos T de memória são formados da mesma maneira que as células B no sistema imune. Isto é, quando um clone de linfócitos T é ativado por antígeno, muitos dos linfócitos recém-formados são mantidos no tecido linfóide para se tornarem linfócitos suplementares desse clone específico; de fato, estas células de memória difundem-se através do tecido linfóide de todo o corpo. Por esta razão, numa exposição subseqüente do mesmo antígeno, a liberação das células T ativadas ocorre muito mais rapidamente e com mais eficácia do que na primeira resposta.
Receptores de Antígenos nos LinfócitosOs antígenos ligam-se com moléculas receptoras na superfície das células T da mesma maneira que se unem com os anticorpos.Estas moléculas receptoras são constituídas de uma unidade variável similar à porção variável de um anticorpo humoral, mas sua porção reta está firmemente ligada à membrana celular. Existem cerca de 100.000 sítios receptores numa única célula T.
Vários Tipos de Células T e suas Diferentes FunçõesEstá claro que existem vários tipos de células T. São classificadas em três grandes grupos: (1) células T de ajuda, (2) Células T citotóxicas e (3) células T supressoras. As funções de cada uma delas são absolutamente distintas.
Células T de Ajuda – Seu Papel na Regulação Total da ImunidadeAs células T de ajuda são as mais numerosas células t, constituindo normalmente mais de três quartos de todas as células. Como seu nome indica, elas ajudam nas funções do sistema imune de muitas maneiras. De fato, atuam como o regulador principal de todas as funções imunes. Atuam produzindo uma série de mediadores protéicos, chamados de linfoquinas, que agem em outras células do sistema imune, assim como nas células de medula óssea. Entre as importantes linfoquinas secretadas pelas células T de ajuda estão as seguintes:
Fator estimulador de colônia granulócito-monócito Interferon-?
Funções Reguladoras Específicas das LinfoquinasNa ausência de linfoquinas das células T de ajuda, o restante do sistema imune é quase paralisado. De fato, são as células T de ajuda que são inativadas ou destruídas pelo vírus da síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS) que deixa o corpo quase que totalmente desprotegido contra doenças infecciosas, por esta razão produzindo os efeitos rápidos e letais conhecidos da AIDS. Algumas das funções reguladoras são as seguintes:
1.Funções reguladoras específicas das linfoquinas. Na ausência de linfoquinas das células T de ajuda, os clones para produção de células T citotóxicas e células T supressoras são muito pouco ativados pela maioria dos antígenos. A linfoquina interleuquina-2 tem um efeito estimulador especialmente forte para induzir o crescimento e proliferação de células T citotóxicas e supressoras. Além disso, várias outras linfoquinas têm efeito menos potente, especialmente a interleuquina-4 e a interleuquina-5.
2.Estimulação do crescimento e diferenciação das Células B para formar plasmócitos e anticorpos. As ações diretas do antígeno para induzir o crescimento e proliferação de células B, a formação de plasmócitos e a secreção de anticorpos são também insuficientes sem a “ajuda” das células T de ajuda. Quase todas as interleuquinas participam da resposta das células B, mas especialmente as interleuquinas-4, 5 e 6. Realmente, estas três interleuquinas têm efeitos tão potentes sobre as células B que foram chamadas de fatores estimuladores das células B ou fatores de crescimento das Células B.
3.Ativação do sistema de macrófagos. As linfoquinas também afetam os macrófagos. Primeiro, atrasando ou parando a migração dos macrófagos depois que estes foram atraídos quimiotaticamente para área do tecido inflamado, desse modo causando grande acumulação de macrófagos. Segundo, ativam os macrófagos para induzir uma fagocitose mais eficiente, possibilitando-lhes atacar e destruir quantidades aumentadas de organismos invasores.
4.Feedback, efeito estimulador nas células de ajuda. Algumas linfoquinas, especialmente a interleuquina-2, têm um efeito de feedback direto e positivo na ativação estimuladora das próprias células T de ajuda. Isto atua como um amplificador acentuando a resposta imune para um antígeno invasor.
Células T CitotóxicasA célula T citotóxica é uma célula de ataque direto capaz de matar microrganismos e, às vezes, algumas células do próprio corpo. Por esta razão, estas células são chamadas de células assassinas. Os receptores protéicos na superfície das células citotóxicas induzem uma ligação firme com aqueles organismos ou células que contém sítios de ligação específicos. Dessa forma matam a célula atacada. Após a ligação, a célula T citotóxica secreta proteínas formadoras de buracos, chamados de perforinas, que, literalmente, perfuram grandes buracos redondos na membrana da célula atacada. Quase que imediatamente, a célula atacada torna-se intensamente túrgida e geralmente desintegra logo depois.
Uma característica especialmente importante refere-se à capacidade das células citotóxicas assassinas de retira-se e afastar-se das células atacadas após terem cavados buracos e liberado substâncias citotóxicas, movendo-se para destruir muito mais células. Na verdade, mesmo após destruírem todos os invasores, muitas destas células persistem durante meses nos tecidos.
Algumas células T citotóxicas são especialmente letais para os tecidos que foram invadidos por vírus porque muitas partículas virais ficam aprisionadas nas membranas destas células e atraem as células T em resposta à antigenicidade viral. As células citotóxicas também têm papel importante na destruição de células cancerosas, células cardíacas transplantadas ou outros tipos de células que são estranhas para o corpo do indivíduo.
Células T SupressorasMuito menos é sabido sobre as células T supressoras em relação às outras células; mas elas são capazes de suprimir as funções das células T citotóxicas e de ajuda. Acredita-se que estas funções supressoras têm o objetivo de regular às atividades de outras células, impedindo-as de efetuar reações imunes excessivas que poderiam ser seriamente prejudiciais para o corpo. Por esta razão, as células supressoras, juntamente com as células T de ajuda, são classificadas como células T reguladoras. Um panorama para a função das células T supressoras e reguladoras é o seguinte: as células T de ajuda ativam as células T supressoras; estas células por sua vez, agem com um feedback negativo controlador das células T de ajuda; e este, automaticamente, ajusta o nível de atividade do sistema de células T de ajuda. Também é provável que as células T supressoras tenham um papel importante limitando a capacidade do sistema imune em atacar os tecidos do próprio corpo do indivíduo, chamada de tolerância imune.
Tolerância do Sistema de Imunidade para os próprios tecidos – papel do pré-processamento no timo e na medula óssea
Se uma pessoa se torna imune aos seus próprios tecidos, o processo de imunidade adquirida poderia destruir o corpo do próprio indivíduo. O mecanismo imune normalmente reconhece os tecidos próprios da pessoa como sendo diferentes das bactérias e do vírus, e o sistema imune forma poucos anticorpos ou células T ativadas contra os antígenos próprios da pessoa. Este fenômeno é conhecido como autotolerância aos tecidos do próprio corpo.
A maior parte da tolerância resulta da seleção de clones durante o pré-processamento
Acredita-se que a maior parte do fenômeno da tolerância desenvolve-se durante o pré-processamento dos linfócitos T no timo e dos linfócitos B nos seres humanos na medula óssea. A razão para este ponto de vista é que, injetando-se um antígeno potente em um feto na época em que os linfócitos estão sendo processados nestas duas áreas, impede-se o desenvolvimento de clones de linfócitos no tecido linfóide que são específicos para o antígeno injetado. Igualmente, experimentos têm mostrado que linfócitos específicos imaturos no timo, quando expostos a um antígeno potente, tornam-se linfoblastos, proliferam consideravelmente e, então, combinam-se com o antígeno estimulador – um efeito que, acredita-se, promove a destruição das células tímicas epiteliais antes que possam migrar e colonizar o tecido linfóide.
Portanto, acredita-se que, durante o pré-processamento dos linfócitos no timo e na medula óssea, a maioria dos clones ou todos aqueles de linfócitos que são específicos para os tecidos do próprio corpo são destruídos devido a sua exposição contínua aos antígenos do corpo.
Papel das células T supressoras no desenvolvimento da tolerância
Provavelmente, as células T supressoras são responsáveis por outro tipo de autotolerância. Por exemplo, algumas vezes uma reação de auto-imunidade ocorre intensamente contra um dos tecidos do próprio corpo, mas, após alguns dias ou semanas, desaparece, ainda que anticorpos auto-imunes persistam no plasma circulante. O que acontece é que o número de células T supressoras especificamente sensibilizadas para o auto-antígeno aumentou intensamente. Acredita-se que estas células T supressoras funcionam neutralizando os efeitos dos anticorpos auto-imunes, assim como as células de ajuda e as células T citotóxicas sensibilizadas, bloqueando assim o ataque imune ao tecido.
Deficiência do mecanismo de tolerância causa doenças imunes
Algumas vezes, as pessoas perdem certa tolerância imune para seus próprios tecidos. Isto ocorre com grande extensão quanto mais velha a pessoa se torna. Normalmente isto ocorre depois da destruição de alguns tecidos do corpo, liberando quantidades consideráveis de auto-antígenos que circulam pelo corpo e, presumivelmente, induzem a imunidade adquirida na forma de células T ativadas ou de anticorpos.
Várias doenças específicas que se originam da auto-imunidade incluem (1) febre reumática, na qual o corpo de torna imunizado contra tecidos das articulações e coração, especialmente as válvulas cardíacas, após a exposição a um tipo específico de tóxica estreptocócica que tem um epítopo na sua estrutura molecular similar à estrutura de algum auto-antígeno do próprio corpo; (2) Um tipo de glomerulonefrite, na qual a pessoa se torna imunizada contra as membranas basais dos glomérulos; (3) miastenia grave, na qual a imunidade se desenvolve contra os receptores protéicos para acetilcolina na junção neuromuscular, causando paralisia; (4) lúpus eritematoso, na qual a pessoa se torna imunizada contra diferentes tecidos do corpo ao mesmo tempo, uma doença que causa danos extensos e freqüentemente a morte rápida.
VacinaçãoHá muitos anos, a vacinação vem sendo usada para produzir imunidade adquirida contra doenças específicas. Uma pessoa pode ser vacinada por injeções de organismos mortos que não são mais capazes de causar doenças mas que ainda possuem seus antígenos químicos. Este tipo de vacinação é usado é usado para proteger contra a febre tifóide, coqueluche, difteria e muitos outros tipos de doenças bacterianas. A imunidade também pode ser conseguida contra toxinas que foram tratadas quimicamente de modo que sua natureza tóxica foi destruída, embora seus antígenos que induzem a imunidade ainda estejam intactos. Este procedimento é usado na vacinação contra o tétano, botulismo e outras doenças tóxicas similares. E, finalmente, uma pessoa pode ser vacinada por infecção com o organismo vivo que foi atenuado. Isto é, estes organismos cresceram em um meio de cultura especial ou passaram por uma série de animais até se transformarem suficientemente e não mais causarem doenças, apesar de ainda carregarem os antígenos específicos. Este procedimento é usado na proteção contra poliomielite, febre amarela, sarampo, varíola, e muitas outras doenças virais.
Imunidade PassivaAté este ponto, toda imunidade adquirida que discutimos tem sido imunidade passiva. Isto é, o corpo da pessoa desenvolve anticorpos ou células T ativadas em resposta à invasão de um antígeno estranho. Entretanto, temporariamente a imunidade pode ser conseguida, numa pessoa, sem a injeção de qualquer antígeno. Isto é feito por injeção de anticorpos, células T ativadas, ou por ambos esses processos, obtidos a partir do sangue de qualquer outra pessoa ou de algum outro animal que tenho sido imunizado ativamente contra o antígeno. Os anticorpos conservam-se durante duas a três semanas, e, durante este tempo, a pessoa está protegida contra a doença. As células T ativadas conservam-se durante poucas semanas, se transfundidas a partir de outra pessoa, e durante poucas horas até poucas horas até poucos dias, se transfundidas a partir de um animal. Tais transfusões de anticorpos ou linfócitos que conferem imunidade é o que se chama imunidade passiva.
Alergia e HipersensibilidadeUm efeito importante e indesejável da imunidade é o desenvolvimento, sob algumas condições, de alergia ou outros tipos de hipersensibilidades, algumas das quais ocorrem somente em pessoas que têm a tendência alérgica específica.
Alergia causada por células T ativadas: Reação Alérgica Retardada
Este tipo de alergia pode causar erupções cutâneas em resposta a certas drogas ou substâncias químicas, particularmente alguns cosméticos e substâncias químicas de uso doméstico, às quais a pele do indivíduo está freqüentemente exposta. Outro exemplo de hipersensibilidade alérgica é a erupção cutânea causada pela exposição à urtiga.
A reação alérgica retardada é causada pelas células T ativadas, e não por anticorpos. No caso da urtiga, a toxina por si só não causa muitos danos aos tecidos. Entretanto, a exposição repetida induz a formação de células T de ajuda e citotóxicas. Por isto, após uma exposição subseqüente à toxina da urtiga, dentro de mais ou menos um dia as células T ativadas passam do sangue circulante para a pele em número suficiente para responder à toxina da urtiga e induz uma reação imune do tipo celular. Lembrando que este tipo de imunidade pode causar liberação de muitas substâncias tóxicas a partir de células T ativadas, assim como extensa invasão dos tecidos por macrófagos e seus efeitos subseqüentes, alguém pode bem entender que o resultado eventual de algumas reações alérgicas retardada pode consistir em danos sérios aos tecidos. O dano normalmente ocorre na área de tecido onde o antígeno está presente, tal como a pele, no caso da urtiga, ou os pulmões ocasionando edema pulmonar e ataque plasmático, no caso de antígenos transportados pelo ar.
Alergias com excesso de anticorpos IgE em pessoas que se dizem alérgicas
Algumas pessoas têm tendência alérgica. Suas alergias são chamadas de alergias atópicas, porque são causadas por uma resposta incomum do sistema imune. A tendência alérgica é transmitida geneticamente de pais para crianças e é caracterizada pela presença de grandes quantidades de anticorpos IgE. Estes anticorpos são chamados de reaginas ou anticorpos sensibilizantes para se distinguirem dos anticorpos mais comuns IgG. Quando um alérgeno penetra no corpo, uma reação alérgeno-reagina acontece, ocorrendo uma reação alérgica subseqüente.
Uma característica especial dos anticorpos IgE (as reaginas) é a forte propensão em atacar mastócitos e basófilos. Na verdade, um único mastócito ou basófilo pode se ligar a meio milhão de moléculas de anticorpos IgE. Desse modo, quando um antígeno (um alérgeno) que tem múltiplos sítios de ligação se une com vários anticorpos IgE aderidos a um mastócito ou basófilo, isto provoca uma mudança imediata na membrana celular, talvez resultante de um simples efeito físico das moléculas de anticorpo ao serem tracionadas em conjunto pelo antígeno. Em qualquer proporção, muitos mastócitos e basófilos se rompem; outros liberam seus grânulos sem se romperem e secretam substância adicionais que não são pré-formadas nos grânulos. Dentre essas muitas substâncias liberadas imediatamente ou secretadas logo depois, incluem-se histamina, substância da reação lenta de anafilaxia (que uma mistura de leucotrienos tóxicos), substância quimiotática eosinofílica, uma protease, uma substância quimiotática neutofílica, heparina e fatores de ativação plaquetária. Estas substâncias causam fenômenos tais como dilatação dos vasos sanguíneos locais, atração de eosinófilos e neutrófilos para o sítio reativo, danos aos tecidos locais pelas proteases, aumento da permeabilidade capilar e perda de líquido para os tecidos, além de contração das células musculares lisas locais. Entretanto vários tipos diferentes de respostas teciduais anormais podem ocorrer, dependendo do tipo de tecido onde a reação alérgeno-reagina ocorre. Dentre os diferentes tipos de reações alérgicas originadas dessa maneira, citam-se os seguintes:
Anafilaxia: Quando um alérgeno específico é injetado diretamente na circulação, este pode reagir em áreas extensas do corpo com os basófilos do sangue e mastócitos, localizados imediatamente ao lado de pequenos vasos sanguíneos, casos estes tenham sido sensibilizados pela ligação com reagina IgE. Desse modo uma reação alérgica ampla ocorre através do sistema vascular e em tecidos intimamente associados. Isto é chamado de anafilaxia. A histamina liberada na circulação causa vasodilatação generalizada, assim como o aumento da permeabilidade capilar com a resultante perda intensa de plasma a partir da circulação. Muitas pessoas que experimentam esta reação morrem de choque circulatório em poucos minutos, salvo quando tratadas com epinefrina para antagonizar os efeitos da histamina. Além disso, uma mistura de leucotrienos é liberada das células, chamada de substância de reação lenta da anafilaxia. Estes leucotrienos causam espasmo do músculo liso dos bronquíolos, provocando um ataque asmático, algumas vezes causando a morte por sufocação.
Urticária: a urticária resulta da entrada de um antígeno em áreas específicas da pele, causando reações anafilactóides localizadas. A histamina liberada localmente causa (1) vasodilatação, que produz uma imediata vermelhidão, e (2) aumento da permeabilidade capilar local, que induz a formação de áreas circunscritas de edema local na pele em poucos minutos. Estas áreas circunscritas de edema local na pele em poucos minutos. Estas áreas são vulgarmente chamadas de urticária. A administração de anti-histamínicos ao indivíduo antes da exposição impede a formação dessas bolhas.
Febre do Feno: Na febre do feno, a reação alérgeno-reagina ocorre no nariz. A histamina liberada em resposta à reação causa dilatação vascular local, como resultante aumento da pressão capilar, assim como aumento da permeabilidade capilar. Estes efeitos induzem extravasamento rápido de líquido para os tecidos do nariz, e a mucosa nasal torna-se edemaciada e secretora. Aqui, outra vez, o uso de drogas anti-histamínicas pode evitar esta reação do edema. Outros produtos da reação alérgeno-reagina ainda causam irritação no nariz, provocando a típica síndrome do espirro, apesar da terapia com drogas.
Asma: a asma ocorre freq6uentemente em pessoas do tipo “alérgico”. Nelas, a reação alérgeno-reagina ocorre nos bronquíolos dos pulmões. Aqui, o produto mais importante liberado pelos mastócitos parece ser a substância de reação lenta anafilaxia, que causa espasmo do músculo liso bronquiolar. Conseqüentemente, a pessoa tem dificuldade para respirar até que os produtos da reação alérgica sejam removidos. A administração de anti-histamínicos tem pouco efeito no curso da asma porque a histamina não parece ser o fator principal que provoca a reação asmática.