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Imunologia

As doenças infecciosas ainda são responsáveis pelo maior número mortes no planeta, facilmente superando as mortes causadas por guerras, acidentes e infartos. E esta situação só não é pior graças ao avanço contínuo da medicina, principalmente na área de prevenção, ou seja, no desenvolvimento de vacinas.

As vacinas, além de poupar grandes sofrimentos para a população, ainda possuem a melhor relação custo benefício, ou seja, é mais vantajoso investir em vacinação (prevenção) do que no tratamento das doenças (uso de remédios e soros); o que acaba confirmando uma das citações populares: "É melhor prevenir a remediar".

A vacinação começou a ser amplamente utilizada após o sucesso de Pasteur e Jenner, dois dos primeiros cientistas que obtiveram sucesso no controle de doenças por meio de vacinas, como por exemplo, a raiva. Várias doenças passaram a ser controladas, sendo que um grande triunfo aconteceu na década de 70, quando uma campanha mundial de vacinação praticamente erradicou a varíola - doença que atingia de 10 a 15 milhões de pessoas.

Apesar destes grandes benefícios existem ainda muitas doenças que não possuem vacinas contra elas desenvolvidas. Em grande parte isto se deve à falta de conhecimento do mecanismo de ação destes agentes patogênicos e também do funcionamento do sistema imune humano. Graças ao grande avanço obtido recentemente nestas áreas novos enfoques de confecção de vacinas estão ficando acessíveis.

Pré-requisitos para a formulação de uma nova vacina

Uma vacina, por mais diferente que seja seu meio de ação e/ou origem, precisa preencher certos pré-requisitos:

Técnicas mais utilizadas na confecção de vacinas

As técnicas mais utilizadas na confecção de vacinas são:

Organismos inteiros atenuados: representam a mais velha e simples maneira de se fazer uma vacina. Este método possui a grande vantagem de ser muito simples e simular todos os mecanismos existentes na infecção natural mas é também o mais arriscado, já que há a possibilidade destes organismos de se reverterem para sua forma mais patogênica ou encontrarem sistemas imunes fracos que possibilitem seu crescimento. Ex: Sabin (poliomielite)

Organismos inteiros mortos

Muito parecido com o anterior com a vantagem de não permitir a multiplicação do organismo mas com a desvantagem de não produzir proteínas que normalmente servem de antígeno à resposta imune. Ex: Salk (pólio)

Organismos inteiros modificados

Os genes causadores da patogenicidade do organismo são muito modificados ou até deletados. Isto evita um risco de reversão mas têm como desvantagens uma necessidade de maior estudo do patógeno e uma pequena mas considerável probabilidade de não imunizar o indivíduo contra o organismo selvagem. Ex: gripe.

Subunidades antigênicas purificadas

Como esta técnica usa antígenos ao invés de organismos inteiros, ela evita os problemas citados acima, mas para isto é necessário um estudo detalhado da estrutura dos antígenos para escolher um que apesar de não ser tóxico proteja contra as toxinas produzidas na infecção. Ex: influenza tipo B.

Porém, as técnicas mais recentes estão brevemente descritas abaixo e serão melhor explicitadas ao longo do texto:

Antígenos recombinantes

O uso de bactérias não-alteradas para produzir o antígeno desejado aprimorou o método acima, facilitando a obtenção dos antígenos e reduzindo os custos da técnica. Ex: Hepatite B.

Peptídeos sintéticos

Este método surgiu em resposta ao rápido avanço da clonagem de DNA, mas apresenta grandes problemas, entre eles, o custo e a dificuldade da síntese propriamente dita; a necessidade de um adjuvante e a necessidade de uma proteína carregadora para apresentação correta em moléculas de MHC. Ex: câncer

Vetores recombinantes

É usado um vetor (normalmente viral) para conduzir os genes codificantes dos antígenos necessários para dentro da célula, resolvendo assim o problema encontrado quando se faz uso dos antígenos ou organismos inteiros, que é justamente a entrada na célula para processamento e apresentação. Os genes inseridos irão se aplicação utilizar da maquinaria celular e seus produtos irão ser expressados já no interior da célula. Ex: herpes simplex.

DNA em plasmídeos

Este método consiste na injeção de DNA na forma de plasmídeos em células receptoras, normalmente musculares, ocasionando uma forte resposta imune. A técnica acaba induzindo a expressão de peptídeos codificados por este DNA que então ativa linfócitos T citotóxicos e auxiliares e ativa também produção de anticorpos.

Os últimos três métodos citados anteriormente exigem explicações mais detalhadas que estão apresentadas a seguir. Estas explicações só foram possibilitadas através de estudos e pesquisas com o vírus da raiva (Ertl e Xiang, 1996).

As inovações no mundo da vacina Peptídeos sintéticos

Linfócitos T reconhecem antígenos na forma de peptídeos de 8 a 12 aminoácidos associados a moléculas MHC de classe I ou II. A célula T citotóxica (CD8+) sempre reconhece peptídeos conectados com moléculas MHC de classe I. Estes peptídeos são derivados de proteínas sintetizadas pelo sistema de novo (proteínas virais). Já o linfócito T auxiliar (CD4+) responde a peptídeos associados a moléculas MHC de classe II gerados a partir de proteínas fagocitadas. Anticorpos, ao contrário, reconhecem os epítopos presentes em antígenos solúveis.

Epítopos podem ser mimetizados por peptídeos sintéticos.

Estes peptídeos, quando associados a adjuvantes apropriados, são capazes de se ligar às moléculas de MHC disponíveis na membrana celular. Conseqüentemente, ativam uma resposta imune, o que sugere que peptídeos sintéticos podem ser usados como vacinas.

Ao contrário das vacinas tradicionais, as peptídicas têm como vantagens o fato de serem seguras, de poderem induzir respostas bem definidas do sistema imune e de serem sintetizadas com alta reprodutibilidade e excelente pureza em grandes quantidades. As principais desvantagens são sua baixa imunogenicidade e a monoespecificidade da resposta imune induzida, o que faz com que a vacina não seja efetiva contra patógenos mutantes. Também há a limitação das respostas de indivíduos geneticamente distintos, circunstância que não apresenta solução. A baixa imunogenicidade causada pela rápida degradação de peptídeos por peptidases do soro pode ser corrigida por uma modificação de peptídeos ou pela sua incorporação em formulação de liberação controlada. As soluções citadas foram testadas pela equipe de Ertl e Xiang usando-se peptídeos da proteína G ou da nucleoproteína do vírus da raiva. Embora ambos os métodos possam aumentar a imunogenicidade, os peptídeos continuam sendo fracas opções para vacinas antivirais usadas para grandes grupos populacionais devido à grande variabilidade genética dos indivíduos.

Vacinas peptídicas podem ser usadas na terapia do câncer.

Com as recentes inovações da biologia molecular, é possível identificar oncoproteínas celulares, como patogênicas p53 ou ras mutadas, que diferem das selvagens por conterem mutações pontuais acumuladas. Algumas mutações podem resultar em uma seqüência que seja reconhecida por linfócitos T. Outras, como as mutações da p53, causam uma expressão muito aumentada da proteína devido a mudanças estruturais que dificultam a degradação da mesma. A super-expressão faz com que epítopos normalmente silenciosos fiquem expostos. As mutações de cada paciente podem ser facilmente identificadas através da técnica de sequenciamento do RNA mensageiro da célula tumoral. Isso contribui para o conhecimento necessário para a produção de vacinas particulares (diferentes para cada paciente) contra seqüências mutadas ou super-expressadas de oncoproteínas. Essa terapia não é usada em humanos, mas experimentos com ratos das concluíram que a vacina peptídica administrada com um adjuvante (uma citocina) pode causar uma resposta imunológica de proteção contra células tumorais que têm a mutação homóloga a da seqüência usada para a produção da vacina.

Vacina de vetores recombinantes

Vários organismos diferentes são usados para a construção de vacinas recombinantes, como por exemplo a bactéria Salmonella (entre outras) e vírus como vaccinia e adenovírus. Enfatizar-se-á aqui a tecnologia de vacinas baseadas em vaccinia e adenovírus. Estas são vantajosas por serem muito eficazes na ativação tanto de resposta imunológica humoral quanto celular, muitas vezes sendo necessária apenas uma aplicação. Por outro lado, existem riscos como a conversão dos genes virais inseridos para a virulência ou a recombinação com vírus selvagens e potencial interferência com uma imunidade preexistente ao vetor da vacina.

A eficiência da vacina a partir de vaccinia foi comprovada através de experimentos feitos com o vírus da raiva. Foi feito um recombinante viral vaccinia-proteína G (do vírus da raiva) que mostrou induzir uma resposta imune através de anticorpos, células T auxiliares e citotóxicas. Animais imunizados com esta vacina estão protegidos contra doses letais do vírus da raiva. A imunidade foi adquirida tanto com a inoculação sistêmica quanto via oral.

Esta vacina, chamada VRG, possui replicação limitada dentro do organismo, é estável em altas temperaturas e é de fácil, sendo então muito útil para a imunização de grandes populações de animais selvagens. Não deve ser usada em humanos, nem em animais que entram em contato com aqueles por ter uma pequena probabilidade de conversão à virulência.

Também foi feita para esta mesma proteína G uma vacina recombinante usando como vetor um adenovírus replicação-incompetente. Tem como características vantajosas a alta potência (3 vezes mais do que a VRG), o longo período de exposição do antígeno e a própria incompetência de replicação que impede a proliferação indesejada do vírus-vetor. Com estes aspectos, esta vacina substituiria o uso da VRG mas, como é instável em altas temperaturas e de impossível ministração via oral, a vacina de vaccina é mais vantajosa para a vacinação de animais selvagens. Devido principalmente ao aspecto de replicação-incompetência, esta vacina tem sido alvo de estudo para uso em humanos e animais domésticos.

O uso do vetor de adenovírus está sendo muito visado pois induz imunidade com a aplicação via membranas mucosas. Isto faz com que este vetor seja muito apropriado na construção de vacinas contra agentes que infectam o organismo através das vias aéreas (como o influenza A) ou através do trato genital, como por exemplo o HIV ou Herpes simplex virus II.

Vacinas de DNA em plasmídeos

Possui vários nomes diferentes como "imunização genética", "vacinas polinucleotídeas" e "DNA nu". Originalmente utilizado nas terapias gênicas, plasmídeos de DNA passaram a ser utilizados em vacinação a partir dos estudos de S.A.Johnston, que foi o primeiro cientista que descreveu a indução de respostas imunes na inserção de DNA nu. Diferentemente do que ocorre com as vacinas clássicas, a principal resposta imune não é contra os genes inseridos e sim contra as proteínas por ele codificadas.

A inoculação da vacina se dá por injeção intramuscular de uma solução aquosa contendo os vetores ou por bombardeamento de partículas de DNA por meio de um revólver gênico. Este processo causa a entrada destes plasmídeos dentro das células contíguas ao local de injeção. Este DNA irá ser transcrito e traduzido dentro das células causando sua expressão. As proteínas produzidas serão processadas similarmente a um antígeno viral intracelular e expressadas na membrana complexadas com moléculas de MHC classe I causando a ativação de linfócitos T CD8+. Além disso causa indiretamente a ativação de linfócitos T CD4+ e a produção de anticorpos.

A imunização por este método possui algumas características incomuns, por exemplo, a resposta de anticorpos é lenta, tendo seu pico somente após 10 semanas e, apesar de fraca, a resposta é muito duradoura, sendo que em experimentos com cobaias esta resposta se tornou permanente (cabe aqui maiores estudos, principalmente com animais de maior longevidade). Esta característica de imunização por um longo período de tempo é uma das principais vantagens deste método e está causando uma grande expectativa na comunidade científica e médica.

O mecanismo de ação desta vacina é muito pouco conhecido. O que se tem feito até agora é formular hipóteses do que ocorre através de algumas poucas evidências de resposta do organismo. Não se sabe como o DNA atravessa a membrana celular já que in vitro, este processo só ocorre em condições especiais, como precipitado com cálcio ou envolto por um lipossomo. In vivo o DNA pode ser aplicado tanto em soluções salinas ou hipotônicas ou até mesmo por meio de aplicação tópica (vias aéreas e trato genital). Células musculares expressam níveis baixos de MHC classe I e não expressam MHC classe II nem sinais coestimulatórios como B7.1. Isto normalmente causaria um anergia - faltam sinais coestimulatórios - ou uma não-resposta imune - níveis muito baixos de apresentação, o que vimos que não acontece. São propostas duas hipóteses que tentam explicar este fato mas nenhuma ainda conseguiu se firmar como verdadeira. A primeira hipótese é que algumas moléculas de DNA infectariam algumas células dendríticas que estão presentes em baixos níveis no tecido muscular e ativariam a resposta imune. Mas estas células estão silenciosas e para começar seu processo de resposta precisaria de um estímulo. Os sinais de ativação destas células dendríticas são pouco conhecidos. Já se sabe que um deles é devido ao aviso de infecção ou inflamação mas muito provavelmente os plasmídeos de DNA não simulam este estímulo. Outro problema é que as células dendríticas têm uma vida limitada, o que entra em conflito com a apresentação e resposta imune duradoura. A segunda hipótese sugere uma deposição de complexos de antígenos e anticorpos com baixa afinidade (lembrar que a produção de anticorpos com alta afinidade só se dá a partir da décima semana). Com isto haveria um liberação constante de poucos antígenos (que se soltariam destes complexos) provendo uma resposta imune duradoura.

Apesar desta falta de conhecimento sobre o mecanismo de funcionamento da vacina polinucleotídica, existem grandes vantagens deste método se comparado com as vacinas clássicas. A vantagem mais clara é a possibilidade de manipulação destes plasmídeos muito grande. Pode-se por meio das mais variadas técnicas selecionar genes e modificá-los. Outra vantagem seria a alta estabilidade. Sua resistência ao calor pode ser altamente explorada em países tropicais e/ou em desenvolvimento onde é mais complicado o armazenamento a baixas temperaturas. Tem também a ótima característica de não possuir riscos de conversão para virulência. Sua única desvantagem é a pequena probabilidade de haver inserção destes genes no genoma celular e causar uma oncogenia.

Atualmente existem vários estudos e desenvolvimentos de vacinas com esta técnica. Podemos citar como exemplo o trabalho do Instituto Wyoming DNA Vaccine que utiliza a técnica de imunização genética na busca de um meio de prevenção para a doenças causadas por nemátodas e helmintos em cães, felinos e humanos.

Sua pesquisa visa basicamente a produção de vacinas ministradas via oral para estimulação do sistema imune causando a morte do animal e conseqüente expulsão do nemátoda do trato digestivo (ao contrário da maioria dos remédios que somente causa a expulsão sem morte, possibilitando uma reinfecção). Isto diminuiria ou até mesmo acabaria com o uso de remédio contra estes organismos.

A vacina já feita (e pronta para consumo) com a técnica de DNA em plasmídeos é específica para Dirofilaria (parasita causador de doenças em homens, cães e gatos). É composta de múltiplos plasmídeos de DNA que estimulam a resposta celular e humoral contra todas as diferentes fases do parasita. Até o momento está disponível somente para uso veterinário.

Outro exemplo do uso desta técnica é o trabalho de Jeffrey,B.Ulmer et al. Publicado na Science (1993) que tem o seguinte título: "Heterologous Protection against influenza by injection of DNA encoding a Viral Protein". Como sugere o título há uma injeção de plasmídeos de DNA codificante de uma proteína do envelope viral. Uma grande vantagem deste método é a facilidade do plasmídeo in vivo penetrar na célula e codificar a proteína aí dentro, sem precisar de um vetor ou ter que ser endocitado pela célula, como ocorre quando usado peptídeos. Outra grande vantagem é que a apresentação dos antígenos produzidos para linfócitos T citotóxicos causa a expansão clonal do antígeno-específico mas este é capaz de reconhecer linhagens heterólogas àquela imunizada, protegendo assim a pessoa imunizada contra várias linhagens de uma só vez. Isto não ocorre com os anticorpos, que são "exclusivos" de uma só linhagem.

Podemos citar ainda o artigo "Dna vaccination against virus infection and enhancement of antiviral immunity following consecutive immunization with DNA and viral vectors", de Ramsay, Leong & Ramshaw que faz uma ótima revisõ desta técnica, seus problemas e algumas soluções já disponíveis para eles. Um exemplo é que a resposta humoral da vacinação com plasmídeos de DNA é muito lenta, podendo ser solucionado através da inserção de genes codificantes de citocinas ou de uma segunda imunização com vetores virais.

Comentários finais

O desenvolvimento dessas novas vacinas apresentadas, baseadas em vírus ou bactérias recombinantes, peptídeos e plasmídeos vetores está sendo proporcionado por avanços recentes em imunologia, biologia molecular e bioquímica de peptídeos.

Contudo, esses métodos ainda não estão sendo usados para vacinação em massa sendo que a maioria deles ainda está passando por experimentação clínica.

Nenhuma dessas diferentes vacinas que estão sendo desenvolvidas já são aptas para serem totalmente efetivas na prevenção de doenças infecciosas ou na imunoterapia contra o câncer. Mas as vantagens e os benefícios que elas prometem tem trazido grandes expectativas. Vacinas de recombinantes virais, assim como aqueles baseados no vírus da vaccinia ou adenovírus, induzem potentes respostas imunes. O vírus da vaccinia tem a vantagem de ser bastante estável e imunogênico quando aplicado via oral, o que o faz um bom candidato à imunização de animais selvagens. Recombinantes baseados na replicação defectiva do adenovírus são mais seguros e também mais eficientes comparados com recombinantes do vírus vaccinia. Além disso, eles induzem excelente imunização quando aplicados em membranas mucosas, sugerindo seu uso como vacina contra agentes infecciosos que entram no organismo através das vias respiratórias ou trato genital. Peptídeos trazem benefícios ainda limitados na prevenção de doenças infecciosas, mas se mostram promissores como vacina na terapia contra o câncer. Vacinas genéticas ou de DNA, que foram descritas há menos de cinco anos já progrediram para a fase de experimentos clínicos em humanos saudáveis adultos.

Desde que a seguridade e eficácia dessas vacinas possam ser confirmadas, elas podem trazer imunidade a inúmeros agentes patológicos, melhorando assim o padrão e a expectativa de vida tanto dos humanos quanto dos animais vitais para a nossa sobrevivência.

Fonte: www.geocities.com

Imunologia

Imunologia é o ramo da biologia que estuda o sistema imunitário (ou imunológico). Ele lida, entre outras coisas, com o funcionamento fisiológico do sistema imune de um indivíduo no estado sadio ou não, malfuncionamento do sistema imune em casos de doenças imunológicas (doenças autoimunes, hipresensitividade, deficiência imune rejeição pós enxerto); características físicas, químicas e fisiológicas dos componentes do sistema imune in vitro, in situ e in vivo. O ramo da imunologia que estuda a sua interação com o comportamento e o sistema neuroendócrino chama-se psiconeuroimunologia.

História

O conceito de Imunologia foi criado por Elie Metchnikoff em 1882. Após espetar uma larva transparente de estrela-do-mar com o acúleo de uma roseira, Metchnikoff verificou um acumulo de células cercando a ponta afiada, 24 horas após a injúria. Uma resposta activa (inexistente naquela época - ver Teoria dos Humores) dos organismos foi então proposta, baseada nas observações da Fagocitose (termo cunhado pelo próprio Metchnikoff). Esta actividade seria fundamental na manutenção da integridade dos organismos, sendo que a defesa aparece como um fenômeno secundário.

Conceito

As células responsáveis pela imunidade são os linfócitos e os fagócitos. Os linfócitos podem apresentar-se como linfócitos T ou linfócitos B (estes são responsáveis pela produção de anticorpos), as células T citotóxicas (CD8) destroem células infectadas por vírus e os linfócitos T auxiliares (CD4) coordenam as respostas imunes. Além das defesas internas existem também defesas externas (Ex: pele – barreira física, ácidos gordos e comensais). As defesas externas são a primeira barreira contra muitos organismos agressores. No entanto, muitos conseguem penetrar, activando assim as defesas internas do organismo. O sistema imune pode sofrer um desequilíbrio que se apresenta como imunodeficiência, hipersensibilidade ou doença auto-imune.

As respostas imunes podem ser adaptativas ou inatas: as respostas adaptativas reagem melhor cada vez que encontram um determinado patógeno e a resposta inata, ao contrário da adaptativa, sempre dá a mesma resposta mesmo quando é exposta várias vezes ao patógeno. Os fagócitos coordenam as respostas inatas e os linfócitos coordenam as respostas imunes adaptativas.

Os principais componentes do sistema imune são as células T, células B, linfócitos grandes granulares (células NK), fagócitos mononucleares (monócitos), neutrófilos, eosinófilos, basófilos, mastócitos (denominação dos basófilos infudidos nos tecidos), plaquetas e células teciduais.

Os linfócitos T e B são responsáveis pelo reconhecimento específico dos antigénios. Cada célula B está geneticamente programada para codificar um receptor de superfície específico para um determinado antigénio, os linfócitos T constituem várias subpopulações diferentes com uma variedade de funções.

As células cititóxicas reconhecem e destroem outras células que se tornaram infectadas. Essas células são: Ta¹, Ta², Tc e LGG. As células auxiliares que controlam a inflamação são: basófilos, mastócitos e plaquetas. Os basófilos e mastócitos possuem granulosidades no seu citoplasma e uma série de mediadores que provocam inflamação nos tecidos circundantes. As plaquetas também podem liberar mediadores inflamatórios quando activadas durante a trombogénese ou por complexos antigénio-anticorpo.

As moléculas envolvidas no desenvolvimento da resposta imune compreendem os anticorpos e as citosinas, produzidas pelos linfócitos, e uma ampla variedade de outras moléculas conhecidas como proteínas de fase aguda, porque as suas concentrações séricas elevam-se rapidamente durante a infecção. As moléculas que promovem a fagocitose são conhecidas como opsoninas.

O sistema complementar é um conjunto de aproximadamente 20 proteína séricacieínas séricas cuja principal função é o controlo do processo inflamatório. As proteínas deste sistema promovem a fagocitose, controlam a inflamação e interagem com os anticorpos na defesa imune.

As citosinas são moléculas diversas que fornecem sinais para os linfócitos, fagócitos e outras células do organismo. Todas as citosinas são proteínas ou péptidos, algumas contendo glicoproteínas.

Os principais grupos de citosinas são: Interferons (IFNs) (limitam a propagação de certas infecções virais), Interleucinas (ILs) (a maioria delas está envolvida na indução de divisão e diferenciação de outras células), Fatores estimuladores de colónias (CSFs) (divisão e diferenciação das células tronco na medula óssea e dos precursores dos leucócitos sangüíneos), Quimiocinas (direcciona a movimentação das células pelo organismo) e outras citosinas (são particularmente importantes nas reacções inflamatórias e citotóxicas).

Anticorpos

Os anticorpos são um grupo de proteínas séricas produzidas pelos linfócitos B. Eles são a forma solúvel do receptor de antígenos. Os anticorpos ligam-se especificamente aos antígenos e assim promovem efeitos secundários. Enquanto uma parte da molécula do anticorpo se liga ao antigénio (chamada porção Fab do AC), outras regiões interagem com outros elementos do sistema imune (chamada porção Fc do AC), como os fagócitos ou com uma das moléculas do complemento.

Antigénios

Antigénios são quaisquer moléculas que possam ser reconhecidas pelo sistema imune adaptativo. O reconhecimento do antigénio é a base principal de todas as respostas imunes adaptativas. O ponto essencial a ser considerado com relação ao antigénio é que a estrutura é a força iniciadora e condutora de todas as respostas imunes. O sistema imune evoluiu com a finalidade de reconhecer os antígenos e destruir e eliminar a sua fonte. Quando o antigénio é eliminado, o sistema imune é desligado.

A selecção clonal envolve a proliferação de células que reconhecem um antigénio específico. Quando um antigénio se liga às poucas células que podem reconhecê-lo, estas são rapidamente induzidas a proliferar e em poucos dias existirá uma quantidade suficiente delas para elaborar uma resposta imune adequada.

Outras Definições

Diferentes sistemas efectores estão disponíveis para controlar a enorme diversidade de patogenes.

Neutralização - os anticorpos podem combater os patogenes simplesmente por se ligarem a eles;

Fagocitose – internalização do material estranho, que sofre uma endocitose no fagossomo;

Reações citotóxicas – são direccionadas contra células muito grandes para sofrerem fagocitose. As células de defesa direccionam os seus grânulos para a célula-alvo, as células alvo serão lesadas em suas membranas externas pela perfurina. Algumas células citotóxicas também podem sinalizar para as células-alvo que então iniciam um processo de autodestruição, conhecido como apoptose.

A inflamação é a concentração das células do sistema imune no local da infecção e compreende três eventos: aumento do suprimento sanguíneo para a área afectada, aumento da permeabilidade capilar e migração dos leucócitos, dos capilares para os tecidos circundantes.

O processo de migração celular é controlado pelas quimiocinas na superfície do endotélio das vénulas dos tecidos inflamados. As quimiocinas activam as células circulantes promovendo a sua ligação ao endotélio e iniciando a migração dos leucócitos através deste.

Quando o sistema imune se defronta com um patogene extracelular o seu objectivo é destruí-lo e neutralizar os seus produtos. Nas respostas intracelulares, os linfócitos T destroem a célula infectada ou determinam que a própria célula parasitada destrua o parasita por si própria.

O princípio da vacinação está baseado em dois elementos fundamentais da resposta imune adaptativa: memória e especificidade. O objectivo no desenvolvimento da vacina é alterar o patogene ou as suas toxinas de tal modo que eles se tornem inócuos sem perderem a antigenicidade.

O sistema imune pode sofrer um desequilíbrio, esta falência do sistema imune pode ocasionar:

Imunodeficiência - resposta imune ineficiente;

Hipersensibilidade - resposta imune exagerada; Doenças auto-imunes – reacção inadequada aos antigénios autólogos.

Fonte: pt.wikipedia.org

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