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Imunologia

 

A Imunologia surgiu na história da ciência de uma forma bastante peculiar, tendo evoluído em um âmbito bastante diferente de outras ciências. Enquanto, por exemplo a Anatomia e Fisiologia aprofundaram seus estudos gregos em relação aos seres vivos, a Imunologia surgiu dentro da Medicina, revolucionando uma nova arte de curar ou de prevenir doenças, calçada sob aspectos novos da filosofia de visão da Medicina em lugar da cura das doenças, entendendo-se ser melhor previna-las. Em uma época em que as doenças infecciosas arrasavam o mundo, as descobertas da bacteriologia deram início a arte médica da cura. Antes que a humanidade conhecesse os agentes etiológicos das doenças, Tucídides conseguiu fazer um relato científico do processo da prevenção contra estas doenças.

Foi a partir do surgimento da Imunologia que , pela primeira vez a medicina foi capaz de mostrar intervir no curso de uma doença. Os primeiros indícios de interferência na saúde humana se fez através de um instrumento imunológico: A VACINA.

Eduard Jenner (1749-1823), foi o pioneiro no processo de criação da vacinação. Logo, a compreensão da imunização e da proteção, surgiu no final do século XVIII, bem mesmo antes de se conhecer os microorganismos, quando foi criada por Louis Pasteur a Teoria dos Germes no final do século XIX.

Jenner, o qual foi discípulo de John Hunter, era médico de província e um exímio médico experimental. Na sua época a varíola era uma ameaça constante à população, sendo responsável na Inglaterra por um óbito em cada sete crianças. As crianças que sobreviviam à varíola ficavam com importantes seqüelas.

Curiosamente, Jenner observou que em vacas a varíola (cowpox ou vaccínia) também se manifestava, porém de uma forma bem mais branda e atípica em relação a humana. A característica da cowpox, assim chamada diferentemente da humana (smallpox), manifestava-se por pústulas no úbere, cujas infecções eram passadas para as mãos e braços das pessoas que trabalhavam na ordenha. Entretanto, essas pessoas não adoeciam subsequentemente com a varíola. Após alguns anos de convívio com o fato e fazendo observações científicas, Eduard Jenner propôs inocular pus das lesões de cowpox em crianças, inoculando após alguns meses o própio pus da varíola de indivíduos gravemente doentes na mesma criança. Repetindo em adultos e percebendo que os indivíduos não adoeciam, jenner submeteu seus resultados a Royal Society. Esta metodologia de prevenção à doença levou à prática da vacinação, cuja palavra tem origem grega em "vacca", dando origem ao nome vaccínia que levou à palavra vacinação, que é o significado do processo de imunização.

No final do século XIX, Louis Pasteur lançou a idéia de que as doenças epidêmicas eram causadas por microorganismos (chamados de corpos quando vistos ao microscópio) e que haveria possibilidades que fossem evitados. Este ilustre pesquisador interessou-se pelas técnicas de isolamento de microorganismos e pelos estudos das doenças com suas respectivas bactérias. Estudou as infecções responsáveis pelas bactérias, onde defendeu a idéia de que as doenças devem ser tratadas previamente pela Medicina, antes de se instalarem nos indivíduos.

Pasteur estudou cientificamente a cólera aviária e descobriu que é possível em laboratório atenuar os microorganismos, lançando o princípio da atenuação microbiana e realmente tornado possível a preparação das vacinas. Pasteur contribuiu muito com a saúde da humanidade, quando a partir de um extrato de células de medula de coelhos infectados como vírus da raiva, foi capaz de produzir uma vacina contra a hidrofobia. Este fato lhe conferiu o reconhecimento público e a criação do Instituto Pasteur em 1888, onde foi difundida as suas idéias universalmente.

Em 1888, Von Behring e Kitassato encontraram no soro de animais imunizados contra a difteria e o tétano, substâncias neutralizantes específicas, as quais foram denominadas anticorpos (anti-corpos). Eles demonstraram que a proteção contra estas duas doenças podem ser transferidas passivelmente de um animal doente (imune) para outro animal normal, quando transferimos soro deste contendo estas moléculas chamadas de anticorpos. Assim, estava criada a soroterapia, a qual iniciou um processo de cura na Medicina em crianças com difteria em todo o mundo.

Paul Erlich também destacou-se na história da ciência Imunologia, desde o início do século. Foi um pesquisador nato, fez carreira como químico, quando iniciou seus trabalhos científicos com a implantação da indústria química alemã.

Responsável pela síntese dos primeiros corantes biológicos, criou métodos de coloração das células sanguíneas, onde conseguiu distinguir neutrófilos, eosinófilos e basófilos, depois descobrindo o mastócito no tecido. Erlich interessou-se pela especificidade dos fenômenos imunológicos, sendo capaz de diferenciar os mecanismos de imunização ativa e passiva, demonstrando para a comunidade científica, que existia uma transmissão de anticorpos de mãe para seus filhos, através do processo de amamentação.

Vários cientistas ganharam o prêmio Nobel na área de Imunologia durante o decorrer do século XX :

1907: Alfhonse Laveran pelos seus trabalhos evidenciando o papel dos protozoários como agentes causadores de doenças.
1908
: Elie Metchnikoff pelos seus trabalhos sobre a Imunidade Celular. 1919: Jules Bordet que colocou em evidência o papel dos anticorpos e complemento.
1928:
Charles Nicole: colaborou com as pesquisas imunológicas em tifo.
1957
: Daniel Bovet: descobriu os antihistamínicos.
1965:
Franços Jacob, André Lwoff e Jacques Monod: descobriram a regulação genética da síntese das enzimas e dos vírus. A Imunologia Moderna nasce imbricada no complexo processo de transformação da Ciência e da Medicina.

Enquanto o descobrimento dos linfócitos e sua grande importância na constituição do Sistema Imune, somente ocorreu em 1950, muitas décadas antes usava-se o processo da vacinação , a soroterapia e o sorodiagnóstico. Os diferentes estudos dos mecanismos do Sistema Imunológico, voltados para a montagem dos seus componentes bioquímicos e genéticos, geram uma evolução rápida da compreensão dos mecanismos biológicos dos organismos. Portanto, há um grande desafio para a descoberta da cura das infecções, da compreensão dos processos das neoplasias e um desafio maior na prevenção destas doenças, através do empenho do desenvolvimento de novas vacinas para um futuro bem próximo.

IMUNOLOGIA - INTRODUÇÃO

A imunologia consiste no estudo da resposta imune, isto é, estudo dos mecanismos pelos quais um organismo tem capacidade de reconhecer, neutralizar, metabolizar e eliminar as substâncias heterólogas, assim como tornar-se resistente a reinfecção. Este processo ocorre com ou sem lesão tecidual.

Imunis: livre ou isento de Doença

O homem mantém contato direto com uma grande quantidade de organismos com características biológicas bastante variadas (vírus, bactérias, fungos, parasitos), muitos dos quais podem causar um desequilíbrio fisiológico focal ou generalizado causando o estado de doença.

Graças à vigilância imunológica o organismo mantém a sua integridade, agindo contra agentes agressores e substâncias endógenas ou exógenas. Para tanto o homem utiliza diferentes mecanismos de defesa. Os diferentes mecanismos tem como base de ação o reconhecimento do próprio e do não próprio, desencadeando processo imune contra o não próprio. É reconhecido como próprio toda e qualquer molécula e estrutura criada simultaneamente ao amadurecimento do sistema imune, desta forma os espermatozóides masculinos serão reconhecidos como não próprio ao organismo masculino, pois sua morfogênese ocorre somente durante e após a puberdade, quando o sistema imune já esta totalmente formado. Este processo é causa de esterilidade masculina em muitos homens quando a barreira hemato-testicular é rompida.

O mecanismo de reconhecimento do próprio e do não próprio pode ser inespecífico (fagocitose de partículas por neutrófilos e macrófagos) ou específicos (cada linhagem de linfócito age contra um agente agressor específico). Podem ocorrer situações onde o sistema imunológico confunde-se e passa a agir contra o próprio, nestes casos são desencadeadas as doenças auto imunes. As respostas imunológicas podem ser desencadeadas em caso de fusão de organismos, são os casos de transfusões e transplantes. A resposta imune específica contra um agressor é realizada através da participação de agentes celulares e agentes humorais.

Tem como característica básica o poder descriminatório, ser específica apresentar mecanismo de memória.

Em um primeiro contato com o agente agressor, o organismo desencadeia a resposta imune após um certo período de contato. Durante este período há uma proliferação do agressor no organismo causando o estado de doença. Porém após o desencadeamento da resposta imune, o agressor é neutralizado e eliminado. Como resultado temos o estado de resistência a reinfecção. Dessa forma, em um próximo contato o organismo desencadeia a resposta imune mais rápida e mais eficiente, impedindo a proliferação do agente agressor, impedindo o estado de doença.

Conceitos Relacionados com Imunologia Infecção

É a implantação, crescimento e proliferação de seres agressores no organismo hospedeiro, acarretando-lhe prejuízo.

Inflamação: Reação de defesa de um tecido em relação a presença de um agente agressor.
Agente infeccioso:
Qualquer ser capaz de originar infecção.
Infecciosidade:
Característica de um agressor que tem poder de infectar.
Patogenicidade:
Capacidade que tem o agente agressor de causar doença.
Virulência
: Capacidade de produzir doença grave ou fatal.
Poder Imunogênico:
Poder do agressor de ser percebido e desencadear a resposta imune no organismo hospedeiro.

SISTEMA IMUNOLÓGICO

São as defesas naturais do organismo. Trata-se de um batalhão de células especializadas em identificar e destruir todos os microrganismos estranhos que entram no corpo.

COMO FUNCIONA

Imunologia

Assim que um organismo infeccioso entra no corpo humano (pode ser vírus, bactéria, fungo ou parasita), os primeiros a reagir são os macrófagos, que atacam os intrusos.

Imunologia

O resto dos invasores servem de sinal para que as células T ordenem as células B, ambas integrantes do sistema de defesa, para iniciar a produção de anticorpos.

Imunologia

Os anticorpos se fixam nos invasores e sinalizam aos fagócitos para destruí-los. A partir daí, todas as defesas estão em ação para combater a doença. Depois que a infecção é vencida, o corpo passa a ter imunidade (temporária ou permanente) contra o mal. Naturalmente, precisamos sofrer da doença para conseguir a imunidade natural. Mas o sistema imunológico, embora perito em eliminar infecções, nem sempre ganha da doença.

IMUNIDADE Resistência

Compreende as forças defensivas de que normalmente dispõe o hospedeiro a fim de impedir a implantação de um agente infeccioso. A resistência natural pode ocorrer de forma individual ou de espécie. Assim, por exemplo, em relação ao bacilo da tuberculose, o homem apresenta certa resistência a infecção. Nem toda a criança que entra em contato com o bacilo da tuberculose adquire a doença, isto mesmo sem estar imune ao agressor. Os mais suscetíveis adoecerão de forma grave já no primeiro contato, enquanto os mais resistentes somente através de contatos repetidos irão adquirir tuberculose-infecção mas não a doença. Neste caso o bacilo se mantém em estado de microbismo latente ou de infecção crônica mínima, o qual irá desencadear reações do organismo garantindo-lhe um certo grau de imunidade.

Imunidade

É o estado específico de proteção que se desenvolve no organismo em consequência de um ataque prévio pelo agente infeccioso.

O homem esta rodeado de uma grande quantidade de agentes infecciosos: vírus, bactérias, fungos, protozoários e parasitas e parasitos multicelulares. Como estes organismos apresentam-se de formas bastante diferentes, há a necessidade de uma ampla variedade de respostas imunes para controlar cada tipo de infecção.

Resistência Inespecífica Defesa externa

A maioria dos agentes infecciosos com os quais um indivíduo se defronta não penetra a superfície do corpo devido a dificuldade imposta por uma variedade de barreiras bioquímicas e físicas que fazem parte da resistência inespecífica do organismo.

Mecanismos de defesa

Os mecanismos de defesa utilizados durante a fase defesa externa, anterior a entrada do agressor no organismo, podem ser separados em três classes:

Físicos: Dessecação, pH extremo, barreiras epiteliais e fluxo de fluídos ( saliva, urina, leite, diarréia) .
Químicos:
Lisozimas, ácidos graxos ácidos gástricos, enzimas proteolíticas.
Biológicos
: Competição flora local.

Locais de entrada e seus mecanismos de defesa:

Lisozimas nas lágrimas e outras secreções
Remoção de partículas pela rápida passagem de ar através dos ossos turbinados
Muco e cílios nas vias respiratórias
Pele - barreira física, ácidos graxos e comensais
Ácidos digestivos
Rápida alteração do pH intestinal
Comensais intestinais
Fluxo do trato urinário
Ph baixo e comensais do orgão genital feminino

Os comensais defendem o local onde se encontram através de competição de populações, criando um equilíbrio entre as populações presentes, porém estas populações podem causar infecção quando a pele for rompida ou ocorrer um desequilíbrio das populações devido alterações no ambiente, tornando-o mais propicio para uma das populações presentes. Os comensais do intestino auxiliam no processo digestivo e na formação do bolo fecal. Na ausência temporária da flora intestinal ocorre dificuldade de formação do bolo fecal e invasão de outras bactérias causando diarréia.

Os agressores que ultrapassam a barreira externa serão agora atacados pelo sistema imune. As respostas imunes estão enquadradas em duas categorias: resposta imune inata ou primeira linha de defesa e resposta imune adaptativa ou segunda linha de defesa.

Resposta Imune Inata ou Primeira linha de Defesa

Atua no organismo inespecificamente e não é alterada mediante exposição repetida do agressor. Pode sofrer alteração em função do meio ambiente: fatores etários; genéticos; nutricionais; higiênicos; de saneamento e psicológicos. Esta primeira linha de defesa é realizada através de células que compõe o Sistema Imune e também por fatores humorais.

Células relacionadas com a resposta Imune Inata

Trata-se de um grupo importante de leucócitos, as células fagocitárias como os monócitos, os macrófagos e os neutrófilos polimorfonucleares e os eosinófilos.

Estas células ligam-se aos microorganismos, englobam estes agentes e os destroem. Agem de forma bastante primitiva não envolvendo especificidade ou memória.

Fagocitose: As células vivas têm a capacidade de englobar partículas através de um processo ativo que envolve a formação de prolongamentos da membrana plasmática e vesícula citoplasmática contendo o material englobado. Tal processo é genericamente denominado endocitose, que, é dividido em fagocitose (partículas sólidas) e pinocitose (partículas líquidas). O mecanismo se inicia pela adesão da partícula à membrana citoplasmática, seguida de uma invaginação que, pouco a pouco se aprofunda e acaba por internalizar a partícula num vacúolo citoplasmático, ao mesmo tempo que se processa a cicatrização da membrana citoplasmática ao nível do ponto de invaginação.

A fagocitose é a forma de defesa mais primitiva. Os seres unicelulares tinham-na como única forma de nutrição e proteção e para os seres multicelulares é um processo fundamental de depuração do organismo, seja através de remoção de resíduos de origem interna (células mortas, componentes de células danificadas, macromoléculas desnaturadas), seja através da eliminação de corpos estranhos de qualquer natureza, inclusive microorganismos.

Células Fagocitárias

1- Células do Sistema Fagocitário Mononuclear ou Sistema Retículo Endotelial:

Monócitos do Sangue
Histiócitos do tecido conjuntivo
Macrófagos derivados dos monócitos sanguíneos e migrados para os tecidos como os encontrados nos alvéolos pulmonares (macrófagos alveolares)
Macrófagos da micróglia (macrófagos do tecido nervoso)
Células endoteliais de intensa capacidade fagocitária, que revestem os sinusóides sanguíneos do fígado (cél. de Kupfer), do baço, da medula óssea e linfáticos
Células reticulares primitivas do tecido linfoide.

2- Neutrófilos

São os leucócitos mais numerosos do sangue. Migram para a região infeccionada.

Resposta Humoral

Atuação do complemento, proteínas de fase aguda, lisozimas, interferon

Resistência Específica

Resposta Imune Adaptativa ou Segunda linha de Defesa

Celular

É altamente específica para determinado patógeno e torna-se mais eficiente a cada contato subseqüente com o mesmo agressor. É realizada com a participação de um outro grupo de leucócitos, os linfócitos, que agem contra um invasor quer ele esteja no interior de uma célula hospedeira, quer ele esteja em fluídos intersticiais ou no sangue.

Os linfócitos são divididos em dois grupos, segundo funções especiais:

Linfócitos B: Combatem patógenos extracelulares e seus produtos através da produção de anticorpos.
Linfócitos T:
Possuem uma ampla variedade de atividades interagindo com células fagocitárias, atuando no controle do desenvolvimento dos linfócitos B e atuando como defesa na destruição de células infectadas.

Humoral

Está relacionada com a atuação dos anticorpos criados contra um agressor específico. Estes anticorpos podem ser divididos em:

1-Antitóxico

O organismo produz anticorpos contra uma substância tóxica específica produzida pelo agressor (ex. tétano e difteria). A imunização se dá pela vacinação com toxóides ou anatoxinas que tratam-se de moléculas de toxina alteradas sem perder o poder vacinante.

2- Antimicrobiano

O organismo produz anticorpos contra moléculas que fazem parte da membrana ou cápsula do invasor

Imunização Considerações

Há obviamente muitos tipos diferentes de doenças causadas for vários agentes infecciosos. Ao longo da história, desenvolveu-se uma metodologia para combater muitas doenças indiretamente, ou seja, "preparar" o sistema imune de um indivíduo para melhor lutar contra um ser vivo ou produto específico antes que o indivíduo se exponha a mesmo de forma perigosa e ameaçadora. Este capítulo relata os vários tipos de metodologia desenvolvida há anos para efetuar a ativação da resposta imune a organismos e/ou seus produtos especificamente e proteger das conseqüências potencialmente danosas da infecção por microorganismos patogênicos.

Imunização passiva

É possível tratar uma pessoa ou animal com preparações de anticorpos purificados, os quais são específicos para um organismo particular ou toxina produzida por ele. Nestas condições, o indivíduo receberá esses anticorpos intravenosamente como uma defesa primária contra o patógeno/toxina, e irá dessa forma receber uma proteção passiva. Obviamente o feto (e todas as linhagens mamíferas) irá receber também um similar, mas naturalmente, ocorrendo desta forma uma imunização passiva através da transferência materno-fetal de anticorpos IgG pela placenta os quais a mãe está produzindo, e anticorpos IgA pelo leite materno.

Imunização passiva intencional por injeção (usualmente anticorpos de classe IgG) será dado somente se houver uma clara evidência de exposição a uma organismo significativamente perigoso, e se houver uma evidência adicional em circunstâncias apropriadas em que o indivíduo claramente não recebeu vacina no tempo padrão correto (pertussis, tétano, difteria por exemplo). Estão disponíveis as seguintes preparações de imunoglobulina purificada:

IgG anti-botulium de cavalo (equinos)

Isolada a partir de cavalos imunizados contra exotoxina do Clostridium botulium. Dado às pessoas com suspeita de exposição a toxina botulínica - toxina causa paralisia flácida devido a interferência com a liberação da acetilcolina, conduzindo a uma parada respiratória, falha muscular ao impulso nervoso, podendo ser fatal (botulismo).

IgG anti-difteria de cavalo

Isolada a partir de cavalos imunizados contra exotoxina do Corynebacterium diphteriae.Dado a pessoas com suspeita de exposição a toxina diftérica - toxina é uma enzima que é uma inibidora da síntese protéica, causa um disfuncional prolongamento do fator 2, podendo ser fatal.

IgG anti-tetânica de cavalo

Isolada a partir de cavalos imunizados contra exotoxina do Clostriduim tetanii. Dado a pessoas com suspeita de exposição ao tétano , cuja vacinação contra essa toxina está ou desatualizada ( passou do tempo) ou ausente. A toxina causa uma paralisia espástica pela inibição do impulso que inibia a contração muscular ( céls de Renshaw na medula espinal), levando a uma parada cardíaca ou respiratória, podendo ser fatal.

IgG anti-veneno de cobra, de cavalo

Isolada a partir de cavalos imunizados contra várias cobras venenosas. Dado a pessoas que foram mordidas por cobras venenosas.

Todas essas imunizações acima se realizadas mais de uma vez podem eventualmente conduzir a uma resposta imune contra a própria IgG do cavalo, o qual pode subseqüentemente levar a uma ausência de resposta efetiva protetora ao indivíduo, assim como também causar uma perigosa reação de hipersensibilidade tipo III (vinculado a imunocomplexos e ativando complemento).

IgG anti-rábica humana

Isolada a partir de indivíduos imunizados contra o vírus da raiva. A imunização é realizada em animais e homens. Uma vez que o vírus cresce em células humanas, e uma vez que a fonte de anticorpos é humana, indivíduos com risco de infecção com o vírus da raiva não necessita de se preocupar em receber uma "IgG estranha".

Anti-hepatite A/B humana

IgG isolada de indivíduos que adquiriram um infecção com vírus da hepatite.Infelizmente, há um número pequeno de indivíduos cujo os anticorpos antivirais podem ser purificados.

Enquanto o uso de IgG humanas elimina a possibilidade de reações contra os anticorpos no receptor, o receptor está inserido em um nível de risco por exposição a substâncias do sangue humano - como certos vírus como o HIV, ou prions como na doença de Creutzfeldt-Jakob ou da "Vaca Louca", que podem ser transmitidos. Essas preparações assim como os doadores, são muito cuidadosamente investigadas para prevenir tal eventualidade.

Imunização Ativa (Vacinas)

Vacinas podem ser preparadas de vírus ou bactérias inativadas como organismos inteiros ou seus produtos, ou organismos inteiros vivos, mas atenuados. Após receber a vacina, o indivíduo irá esperançosamente desenvolver uma resposta secundária humoral ou celular,o qual obviamente envolve desenvolvimento de céls B ou T de memória, produção de IgG ou IgA, e uma rápida e ligeira resposta contra o patógeno poderá ocorrer mais tarde. Em alguns casos, uma resposta imune humoral versus celular pode ser preferida, ou mesmo dentro de uma resposta humoral, a produção de IgA pode ser preferida a uma anticorpo IgG ( se o patógeno especificamente infecta o epitélio da mucosa associada com a devida região do corpo, como intestino, aparelho respiratório, urogenital por exemplo).

Imunização ativa é mais duradoura que a humoral. Pode ser adquirida naturalmente, em conseqüência de uma infecção com ou sem manifestação clínica, ou artificialmente, mediante a inoculação de frações ou produtos do agente infeccioso, do próprio agente , morto ou atenuado. A imunidade ativa depende da imunidade celular, que é conferida pela sensibilidade de linfócitos T, e da imunidade humoral, que se baseia na resposta aos linfócitos B.

O mecanismo de imunidade adquirida através da vacinação é semelhante àquele utilizado pelo organismo para lutar contra as infecções virais ou bacterianas. O antígeno, ao entrar no organismo, estimula uma resposta imune, a qual pode ser de natureza humoral, celular ou de ambas.

O processo de imunização ocorre após a administração de uma vacina. Podem ocorrer dois tipos de resposta: primárias e secundárias.

Resposta primária. Observam-se depois da primovacinação três períodos distintos, que são: de latência, de crescimento e de diminuição.

Período de latência

É o período entre a injeção da vacina e o aparecimento dos anticorpos séricos. Varia de acordo com o desenvolvimento de sistema imunitário da pessoa ,da natureza e da forma da vacina (antígeno) utilizada.

Período de crescimento

É o período em que ocorre o aumento da taxa de anticorpos, que cresce de modo exponencial, atingindo o seu máximo no tempo mais variado. Varia de quatro dias a quatro semanas. Exemplificando: este período é de aproximadamente três semanas para os toxóides tetânico e diftérico. A produção dos anticorpos IgM precede à dos anticorpos IgG.

Período de diminuição

É o período em que, depois de atingir a concentração máxima, a taxa de anticorpos tende a cair rápida e depois lentamente. Este período é longo e depende da taxa de síntese dos anticorpos e de sua degradação, bem como da qualidade e quantidade do antígeno. Os IgA e os IgM diminuem mais rapidamente do que os IgG.

Resposta secundária

Observa-se ao introduzir uma segunda ou mais doses posteriores. Para produzir anticorpos são necessários alguns dias. O gráfico abaixo mostra que a primeira dose provoca uma resposta mínima de anticorpos e que a segunda e a terceira doses produzem resposta secundárias, com o surgimento rápido de grandes quantidade de anticorpos.

Fonte: www.biomania.com.br

Imunologia

As doenças infecciosas ainda são responsáveis pelo maior número mortes no planeta, facilmente superando as mortes causadas por guerras, acidentes e infartos.

E esta situação só não é pior graças ao avanço contínuo da medicina, principalmente na área de prevenção, ou seja, no desenvolvimento de vacinas.

As vacinas, além de poupar grandes sofrimentos para a população, ainda possuem a melhor relação custo benefício, ou seja, é mais vantajoso investir em vacinação (prevenção) do que no tratamento das doenças (uso de remédios e soros); o que acaba confirmando uma das citações populares: "É melhor prevenir a remediar".

A vacinação começou a ser amplamente utilizada após o sucesso de Pasteur e Jenner, dois dos primeiros cientistas que obtiveram sucesso no controle de doenças por meio de vacinas, como por exemplo, a raiva. Várias doenças passaram a ser controladas, sendo que um grande triunfo aconteceu na década de 70, quando uma campanha mundial de vacinação praticamente erradicou a varíola - doença que atingia de 10 a 15 milhões de pessoas.

Apesar destes grandes benefícios existem ainda muitas doenças que não possuem vacinas contra elas desenvolvidas. Em grande parte isto se deve à falta de conhecimento do mecanismo de ação destes agentes patogênicos e também do funcionamento do sistema imune humano. Graças ao grande avanço obtido recentemente nestas áreas novos enfoques de confecção de vacinas estão ficando acessíveis.

Pré-requisitos para a formulação de uma nova vacina

Uma vacina, por mais diferente que seja seu meio de ação e/ou origem, precisa preencher certos pré-requisitos:

Geração de células de memória tanto para linfócitos T quanto para linfócitos B
Proteção contra a doença que seria causada pela exposição ao patógeno vivo, e esta proteção deve ser duradoura
Ela própria não pode causar doença ou morte, mesmo que seja em proporções muito pequenas, já que um grande número de pessoas serão imunizadas
Não deve apresentar muitos efeitos colaterais
Deve possui um baixo custo por dose e ser de manipulação relativamente fácil.

Técnicas mais utilizadas na confecção de vacinas

As técnicas mais utilizadas na confecção de vacinas são:

Organismos inteiros atenuados: representam a mais velha e simples maneira de se fazer uma vacina. Este método possui a grande vantagem de ser muito simples e simular todos os mecanismos existentes na infecção natural mas é também o mais arriscado, já que há a possibilidade destes organismos de se reverterem para sua forma mais patogênica ou encontrarem sistemas imunes fracos que possibilitem seu crescimento. Ex: Sabin (poliomielite)

Organismos inteiros mortos

Muito parecido com o anterior com a vantagem de não permitir a multiplicação do organismo mas com a desvantagem de não produzir proteínas que normalmente servem de antígeno à resposta imune. Ex: Salk (pólio)

Organismos inteiros modificados

Os genes causadores da patogenicidade do organismo são muito modificados ou até deletados. Isto evita um risco de reversão mas têm como desvantagens uma necessidade de maior estudo do patógeno e uma pequena mas considerável probabilidade de não imunizar o indivíduo contra o organismo selvagem. Ex: gripe.

Subunidades antigênicas purificadas

Como esta técnica usa antígenos ao invés de organismos inteiros, ela evita os problemas citados acima, mas para isto é necessário um estudo detalhado da estrutura dos antígenos para escolher um que apesar de não ser tóxico proteja contra as toxinas produzidas na infecção. Ex: influenza tipo B.

Porém, as técnicas mais recentes estão brevemente descritas abaixo e serão melhor explicitadas ao longo do texto:

Antígenos recombinantes

O uso de bactérias não-alteradas para produzir o antígeno desejado aprimorou o método acima, facilitando a obtenção dos antígenos e reduzindo os custos da técnica. Ex: Hepatite B.

Peptídeos sintéticos

Este método surgiu em resposta ao rápido avanço da clonagem de DNA, mas apresenta grandes problemas, entre eles, o custo e a dificuldade da síntese propriamente dita; a necessidade de um adjuvante e a necessidade de uma proteína carregadora para apresentação correta em moléculas de MHC. Ex: câncer

Vetores recombinantes

É usado um vetor (normalmente viral) para conduzir os genes codificantes dos antígenos necessários para dentro da célula, resolvendo assim o problema encontrado quando se faz uso dos antígenos ou organismos inteiros, que é justamente a entrada na célula para processamento e apresentação. Os genes inseridos irão se aplicação utilizar da maquinaria celular e seus produtos irão ser expressados já no interior da célula. Ex: herpes simplex.

DNA em plasmídeos

Este método consiste na injeção de DNA na forma de plasmídeos em células receptoras, normalmente musculares, ocasionando uma forte resposta imune. A técnica acaba induzindo a expressão de peptídeos codificados por este DNA que então ativa linfócitos T citotóxicos e auxiliares e ativa também produção de anticorpos.

Os últimos três métodos citados anteriormente exigem explicações mais detalhadas que estão apresentadas a seguir. Estas explicações só foram possibilitadas através de estudos e pesquisas com o vírus da raiva (Ertl e Xiang, 1996).

As inovações no mundo da vacina Peptídeos sintéticos

Linfócitos T reconhecem antígenos na forma de peptídeos de 8 a 12 aminoácidos associados a moléculas MHC de classe I ou II. A célula T citotóxica (CD8+) sempre reconhece peptídeos conectados com moléculas MHC de classe I. Estes peptídeos são derivados de proteínas sintetizadas pelo sistema de novo (proteínas virais). Já o linfócito T auxiliar (CD4+) responde a peptídeos associados a moléculas MHC de classe II gerados a partir de proteínas fagocitadas.

Anticorpos, ao contrário, reconhecem os epítopos presentes em antígenos solúveis.

Epítopos podem ser mimetizados por peptídeos sintéticos.

Estes peptídeos, quando associados a adjuvantes apropriados, são capazes de se ligar às moléculas de MHC disponíveis na membrana celular.

Conseqüentemente, ativam uma resposta imune, o que sugere que peptídeos sintéticos podem ser usados como vacinas.

Ao contrário das vacinas tradicionais, as peptídicas têm como vantagens o fato de serem seguras, de poderem induzir respostas bem definidas do sistema imune e de serem sintetizadas com alta reprodutibilidade e excelente pureza em grandes quantidades. As principais desvantagens são sua baixa imunogenicidade e a monoespecificidade da resposta imune induzida, o que faz com que a vacina não seja efetiva contra patógenos mutantes. Também há a limitação das respostas de indivíduos geneticamente distintos, circunstância que não apresenta solução. A baixa imunogenicidade causada pela rápida degradação de peptídeos por peptidases do soro pode ser corrigida por uma modificação de peptídeos ou pela sua incorporação em formulação de liberação controlada. As soluções citadas foram testadas pela equipe de Ertl e Xiang usando-se peptídeos da proteína G ou da nucleoproteína do vírus da raiva. Embora ambos os métodos possam aumentar a imunogenicidade, os peptídeos continuam sendo fracas opções para vacinas antivirais usadas para grandes grupos populacionais devido à grande variabilidade genética dos indivíduos.

Vacinas peptídicas podem ser usadas na terapia do câncer?

Com as recentes inovações da biologia molecular, é possível identificar oncoproteínas celulares, como patogênicas p53 ou ras mutadas, que diferem das selvagens por conterem mutações pontuais acumuladas. Algumas mutações podem resultar em uma seqüência que seja reconhecida por linfócitos T. Outras, como as mutações da p53, causam uma expressão muito aumentada da proteína devido a mudanças estruturais que dificultam a degradação da mesma. A super-expressão faz com que epítopos normalmente silenciosos fiquem expostos. As mutações de cada paciente podem ser facilmente identificadas através da técnica de sequenciamento do RNA mensageiro da célula tumoral. Isso contribui para o conhecimento necessário para a produção de vacinas particulares (diferentes para cada paciente) contra seqüências mutadas ou super-expressadas de oncoproteínas. Essa terapia não é usada em humanos, mas experimentos com ratos das concluíram que a vacina peptídica administrada com um adjuvante (uma citocina) pode causar uma resposta imunológica de proteção contra células tumorais que têm a mutação homóloga a da seqüência usada para a produção da vacina.

Vacina de vetores recombinantes

Vários organismos diferentes são usados para a construção de vacinas recombinantes, como por exemplo a bactéria Salmonella (entre outras) e vírus como vaccinia e adenovírus. Enfatizar-se-á aqui a tecnologia de vacinas baseadas em vaccinia e adenovírus. Estas são vantajosas por serem muito eficazes na ativação tanto de resposta imunológica humoral quanto celular, muitas vezes sendo necessária apenas uma aplicação. Por outro lado, existem riscos como a conversão dos genes virais inseridos para a virulência ou a recombinação com vírus selvagens e potencial interferência com uma imunidade preexistente ao vetor da vacina.

A eficiência da vacina a partir de vaccinia foi comprovada através de experimentos feitos com o vírus da raiva. Foi feito um recombinante viral vaccinia-proteína G (do vírus da raiva) que mostrou induzir uma resposta imune através de anticorpos, células T auxiliares e citotóxicas. Animais imunizados com esta vacina estão protegidos contra doses letais do vírus da raiva. A imunidade foi adquirida tanto com a inoculação sistêmica quanto via oral.

Esta vacina, chamada VRG, possui replicação limitada dentro do organismo, é estável em altas temperaturas e é de fácil, sendo então muito útil para a imunização de grandes populações de animais selvagens. Não deve ser usada em humanos, nem em animais que entram em contato com aqueles por ter uma pequena probabilidade de conversão à virulência.

Também foi feita para esta mesma proteína G uma vacina recombinante usando como vetor um adenovírus replicação-incompetente. Tem como características vantajosas a alta potência (3 vezes mais do que a VRG), o longo período de exposição do antígeno e a própria incompetência de replicação que impede a proliferação indesejada do vírus-vetor. Com estes aspectos, esta vacina substituiria o uso da VRG mas, como é instável em altas temperaturas e de impossível ministração via oral, a vacina de vaccina é mais vantajosa para a vacinação de animais selvagens. Devido principalmente ao aspecto de replicação-incompetência, esta vacina tem sido alvo de estudo para uso em humanos e animais domésticos.

O uso do vetor de adenovírus está sendo muito visado pois induz imunidade com a aplicação via membranas mucosas. Isto faz com que este vetor seja muito apropriado na construção de vacinas contra agentes que infectam o organismo através das vias aéreas (como o influenza A) ou através do trato genital, como por exemplo o HIV ou Herpes simplex virus II.

Vacinas de DNA em plasmídeos

Possui vários nomes diferentes como "imunização genética", "vacinas polinucleotídeas" e "DNA nu". Originalmente utilizado nas terapias gênicas, plasmídeos de DNA passaram a ser utilizados em vacinação a partir dos estudos de S.A.Johnston, que foi o primeiro cientista que descreveu a indução de respostas imunes na inserção de DNA nu. Diferentemente do que ocorre com as vacinas clássicas, a principal resposta imune não é contra os genes inseridos e sim contra as proteínas por ele codificadas.

A inoculação da vacina se dá por injeção intramuscular de uma solução aquosa contendo os vetores ou por bombardeamento de partículas de DNA por meio de um revólver gênico. Este processo causa a entrada destes plasmídeos dentro das células contíguas ao local de injeção. Este DNA irá ser transcrito e traduzido dentro das células causando sua expressão. As proteínas produzidas serão processadas similarmente a um antígeno viral intracelular e expressadas na membrana complexadas com moléculas de MHC classe I causando a ativação de linfócitos T CD8+. Além disso causa indiretamente a ativação de linfócitos T CD4+ e a produção de anticorpos.

A imunização por este método possui algumas características incomuns, por exemplo, a resposta de anticorpos é lenta, tendo seu pico somente após 10 semanas e, apesar de fraca, a resposta é muito duradoura, sendo que em experimentos com cobaias esta resposta se tornou permanente (cabe aqui maiores estudos, principalmente com animais de maior longevidade). Esta característica de imunização por um longo período de tempo é uma das principais vantagens deste método e está causando uma grande expectativa na comunidade científica e médica.

O mecanismo de ação desta vacina é muito pouco conhecido. O que se tem feito até agora é formular hipóteses do que ocorre através de algumas poucas evidências de resposta do organismo. Não se sabe como o DNA atravessa a membrana celular já que in vitro, este processo só ocorre em condições especiais, como precipitado com cálcio ou envolto por um lipossomo. In vivo o DNA pode ser aplicado tanto em soluções salinas ou hipotônicas ou até mesmo por meio de aplicação tópica (vias aéreas e trato genital). Células musculares expressam níveis baixos de MHC classe I e não expressam MHC classe II nem sinais coestimulatórios como B7.1. Isto normalmente causaria um anergia - faltam sinais coestimulatórios - ou uma não-resposta imune - níveis muito baixos de apresentação, o que vimos que não acontece. São propostas duas hipóteses que tentam explicar este fato mas nenhuma ainda conseguiu se firmar como verdadeira. A primeira hipótese é que algumas moléculas de DNA infectariam algumas células dendríticas que estão presentes em baixos níveis no tecido muscular e ativariam a resposta imune. Mas estas células estão silenciosas e para começar seu processo de resposta precisaria de um estímulo. Os sinais de ativação destas células dendríticas são pouco conhecidos. Já se sabe que um deles é devido ao aviso de infecção ou inflamação mas muito provavelmente os plasmídeos de DNA não simulam este estímulo. Outro problema é que as células dendríticas têm uma vida limitada, o que entra em conflito com a apresentação e resposta imune duradoura. A segunda hipótese sugere uma deposição de complexos de antígenos e anticorpos com baixa afinidade (lembrar que a produção de anticorpos com alta afinidade só se dá a partir da décima semana). Com isto haveria um liberação constante de poucos antígenos (que se soltariam destes complexos) provendo uma resposta imune duradoura.

Apesar desta falta de conhecimento sobre o mecanismo de funcionamento da vacina polinucleotídica, existem grandes vantagens deste método se comparado com as vacinas clássicas. A vantagem mais clara é a possibilidade de manipulação destes plasmídeos muito grande. Pode-se por meio das mais variadas técnicas selecionar genes e modificá-los. Outra vantagem seria a alta estabilidade. Sua resistência ao calor pode ser altamente explorada em países tropicais e/ou em desenvolvimento onde é mais complicado o armazenamento a baixas temperaturas. Tem também a ótima característica de não possuir riscos de conversão para virulência. Sua única desvantagem é a pequena probabilidade de haver inserção destes genes no genoma celular e causar uma oncogenia.

Atualmente existem vários estudos e desenvolvimentos de vacinas com esta técnica. Podemos citar como exemplo o trabalho do Instituto Wyoming DNA Vaccine que utiliza a técnica de imunização genética na busca de um meio de prevenção para a doenças causadas por nemátodas e helmintos em cães, felinos e humanos.

Sua pesquisa visa basicamente a produção de vacinas ministradas via oral para estimulação do sistema imune causando a morte do animal e conseqüente expulsão do nemátoda do trato digestivo (ao contrário da maioria dos remédios que somente causa a expulsão sem morte, possibilitando uma reinfecção). Isto diminuiria ou até mesmo acabaria com o uso de remédio contra estes organismos.

A vacina já feita (e pronta para consumo) com a técnica de DNA em plasmídeos é específica para Dirofilaria (parasita causador de doenças em homens, cães e gatos). É composta de múltiplos plasmídeos de DNA que estimulam a resposta celular e humoral contra todas as diferentes fases do parasita. Até o momento está disponível somente para uso veterinário.

Outro exemplo do uso desta técnica é o trabalho de Jeffrey,B.Ulmer et al. Publicado na Science (1993) que tem o seguinte título: "Heterologous Protection against influenza by injection of DNA encoding a Viral Protein". Como sugere o título há uma injeção de plasmídeos de DNA codificante de uma proteína do envelope viral. Uma grande vantagem deste método é a facilidade do plasmídeo in vivo penetrar na célula e codificar a proteína aí dentro, sem precisar de um vetor ou ter que ser endocitado pela célula, como ocorre quando usado peptídeos. Outra grande vantagem é que a apresentação dos antígenos produzidos para linfócitos T citotóxicos causa a expansão clonal do antígeno-específico mas este é capaz de reconhecer linhagens heterólogas àquela imunizada, protegendo assim a pessoa imunizada contra várias linhagens de uma só vez. Isto não ocorre com os anticorpos, que são "exclusivos" de uma só linhagem.

Podemos citar ainda o artigo "Dna vaccination against virus infection and enhancement of antiviral immunity following consecutive immunization with DNA and viral vectors", de Ramsay, Leong & Ramshaw que faz uma ótima revisõ desta técnica, seus problemas e algumas soluções já disponíveis para eles. Um exemplo é que a resposta humoral da vacinação com plasmídeos de DNA é muito lenta, podendo ser solucionado através da inserção de genes codificantes de citocinas ou de uma segunda imunização com vetores virais.

Comentários finais

O desenvolvimento dessas novas vacinas apresentadas, baseadas em vírus ou bactérias recombinantes, peptídeos e plasmídeos vetores está sendo proporcionado por avanços recentes em imunologia, biologia molecular e bioquímica de peptídeos.

Contudo, esses métodos ainda não estão sendo usados para vacinação em massa sendo que a maioria deles ainda está passando por experimentação clínica.

Nenhuma dessas diferentes vacinas que estão sendo desenvolvidas já são aptas para serem totalmente efetivas na prevenção de doenças infecciosas ou na imunoterapia contra o câncer. Mas as vantagens e os benefícios que elas prometem tem trazido grandes expectativas. Vacinas de recombinantes virais, assim como aqueles baseados no vírus da vaccinia ou adenovírus, induzem potentes respostas imunes. O vírus da vaccinia tem a vantagem de ser bastante estável e imunogênico quando aplicado via oral, o que o faz um bom candidato à imunização de animais selvagens. Recombinantes baseados na replicação defectiva do adenovírus são mais seguros e também mais eficientes comparados com recombinantes do vírus vaccinia. Além disso, eles induzem excelente imunização quando aplicados em membranas mucosas, sugerindo seu uso como vacina contra agentes infecciosos que entram no organismo através das vias respiratórias ou trato genital. Peptídeos trazem benefícios ainda limitados na prevenção de doenças infecciosas, mas se mostram promissores como vacina na terapia contra o câncer.

Vacinas genéticas ou de DNA, que foram descritas há menos de cinco anos já progrediram para a fase de experimentos clínicos em humanos saudáveis adultos.

Desde que a seguridade e eficácia dessas vacinas possam ser confirmadas, elas podem trazer imunidade a inúmeros agentes patológicos, melhorando assim o padrão e a expectativa de vida tanto dos humanos quanto dos animais vitais para a nossa sobrevivência.

Fonte: www.geocities.com

Imunologia

A imunologia é o estudo das respostas do organismo que fornecem imunidade, ou seja, proteção às doenças. Ainda que o sistema imune seja muito complexo, certos componentes do sistema imune são facilmente detectados, como por exemplo os anticorpos.

O sistema imunológico baseia-se nas relações Antígeno-Anticorpo.

Antígenos ( Ag ) -Substância estranha que induz uma resposta imune por causar uma produção de anticorpos e ou linfócitos sensibilizados que reagem especificamente com a substância; imunógeno.

Anticorpo (Ac) - Proteína do soro que foi induzida por e reage específicamente a uma substância estranha (antígeno); imunoglobulina.

O sistema imune fornece mecanismos de defesas específicas contra uma variedade de substâncias estranhas ao nosso corpo chamadas de antígenos. Estes antígenos podem ser vírus, células (como células sangüíneas, células de bactérias e células de fungos) ou moléculas de proteínas. O sistema imune é uma organização complexa de tecidos, células, produtos de células e mediadores químicos bológicamente ativos e todos interagem para produzir a resposta imune.

A resposta imune reconhece e relembra diferentes antígenos. A imunidade específica é caracterizada por três propriedades:

1. Reconhecimento
2.
Especificidade
3.
Memória

O reconhecimento refere-se à habilidade do sistema imune de reconhecer diferenças em um número muito grande de antígenos e distingui-los.

A especificidade refere-se à habilidade de dirigir uma resposta a um antígeno específico.

Memória é a referência à habilidade do sistema imune de lembrar de um antígeno muito tempo depois de um contato inicial.

Os principais tecidos e órgãos do sistema imune são:

Linfócitos

São as principais células responsáveis pela resposta imune: linfócitos T (vírus, fungos e tumores) e linfócitos B (bactérias e toxinas).

Órgãos linfóides primários

Timo e Medula óssea.

Órgãos e tecidos linfóides secundários - Nódulos linfáticos, Baço, tecidos linfóides associados ao intestino, Apêndice, Amígdalas, Placas de Peyer e tecidos linfóides associados aos brônquios.

Imunoglobulinas (Ig)

As imunoglobulinas (Ig) são proteínas produzidas por células plasmáticas e secretadas no organismo em resposta à exposição ao antígeno. Elas se classificam em:

IgA

É a imunoglobulina predominante nas lágrimas, saliva, leite materno, secreções respiratórias e trato gastrointestinal. Fornece proteção contra organismos que invadem estas áreas.

IgG

É a classe em maior concentração no organismo. É também chamada de gama globulina. Fornece imunidade a longo prazo. É a única que atravessa a Placenta e fornece ao recém nascido a imunidade que vai durar vários meses.

IgM

É a Segunda mais abundante. É a primeira produzida em resposta a um antígeno, mas não fornece imunidade a longo prazo.

IgE

Está envolvida nas reações alérgicas e nas infecções parasitárias.

Células envolvidas na Imunologia

As principais células que participam do sistema imune são os leucócitos, também chamados de glóbulos brancos do sangue, que são originados na medula óssea e são responsáveis pela destruição de corpos estranhos que invadem nosso organismo. Existem vários tipos de leucócitos, que podem ser classificados de acordo com sua morfologia nuclear: mononucleares (linfócitos T, linfócitos B, células exterminadoras ou natural killer, monócitos, macrófagos e células dendríticas) ou polimorfonucleares (neutrófilos, eosinófilos, basófilos e mastócitos).

Os monócitos, os macrófagos, os neutrófilos e as células dendríticas também podem ser classificados como fagócitos, por serem capazes de fagocitar (englobar) e destruir antígenos (invasores), ou ainda podem ser denominados células apresentadoras de antígenos, por serem capazes de expor, em sua superfície, fragmentos de antígenos fagocitados para serem reconhecidos por linfócitos. Os linfócitos, por sua vez, são as células-chave no controle da resposta imune, e compõem 20% a 30% dos leucócitos circulantes no sangue dos adultos. Divididos em linfócitos T e linfócitos B, são capazes de reconhecer especificamente os antígenos, diferenciando-os dos componentes próprios do organismo.

Os linfócitos T podem ser classificados em citotóxicos (CD8) ou auxiliares (CD4). Os linfócitos T citotóxicos são importantes no combate à infecção viral, uma vez que têm a capacidade de reconhecer e destruir células infectadas por vírus. Já os linfócitos T auxiliares exercem papel central no controle e desenvolvimento da resposta imune. Estas células podem ser ativadas pelo reconhecimento de corpos estranhos (antígeno) apresentados por células apresentadoras de antígenos.

Após este reconhecimento, os linfócitos são ativados e induzidos a produzir proteínas, como as citocinas, que agem na ativação de outras células do sistema imune.

Dentre os componentes do sistema imune ativados pelos linfócitos T auxiliares durante o processo de apresentação de antígenos, destacam-se os linfócitos B.

Estas células estão geneticamente programadas para codificar receptores específicos para um determinado antígeno. Uma vez ativadas, as células B produzem e secretam, na forma solúvel, uma enorme quantidade de moléculas receptoras, que são conhecidas como anticorpos ou imunoglobulinas.

Os neutrófilos constituem cerca de 70% dos leucócitos sangüíneos, sendo assim os leucócitos mais abundantes. São importantes células fagocitárias e têm a capacidade de migrar dos vasos sangüíneos para os tecidos, onde podem atuar no combate aos agentes invasores. Função semelhante pode ser exercida pelos monócitos que, após migrarem para os tecidos, são diferenciados em macrófagos.

Os eosionófilos compreendem 2% a 5% dos leucócitos sangüíneos que são capazes de fagocitar e destruir microorganismos. Além disso, liberam histaminas e aril-sulfatase, que inativam os produtos dos mastócitos. Desta forma, diminuem a resposta inflamatória.

Os basófilos são semelhantes aos mastócitos sangüíneos e compõem o menor grupo das células polimorfonucleares envolvidas no sistema imune.

Classes de Imunoglobulinas IgM

Perfaz aproximandamente 10% do conjunto de imunoglobulinas. Sua estrutura é pentamérica, sendo que as cadeias pesadas individuais têm um peso molecular de aprox. 65.000 daltons e a molécula completa tem peso de 970.000!.As 5 cadeias são ligadas entre si por pontes dissulfeto e por uma cadeia polipeptídica inferior chamada de cadeia J. A IgM é encontrada principalmente no intravascular, sendo uma classe de anticorpos "precoces" (são produzidas agudamente nas fases agudas iniciais das doenças que desencadeiam resposta humoral). É uma proteína que não atravessa a placenta ( por ser grande). É encontrada também na superfície dos linfócitos B de forma monomérica, realizando a função de receptor de antígenos.

IgA

Representa 15-20% da simunoglobulinas do soro humano. No homem, mais de 80% da IgA ocorre sob a forma monomérica e está presente sangue nesta forma.

A IgA é a imunoglobulina predominante em secreções: saliva, lágrima, leite, mucosas do trato gastrointestinal, trato respiratório e genitourinário. Nestas secreções ela se uni a um componente secretor (70.000 daltons), e forma a IgA secretora. Esta é composta por 2 unidades ( dimérica) ligadas a uma cadeia J unida na sua porção FC no componete secretor. A função desse componente é proteger a molécula das enzimas hidrolíticas (destrutivas). O principal papel da IgA é proteger o organismo de invasão viral ou bacteriana através das mucosa.

IgG

É uma imunoglobulina monomérica simples de 150.000 daltons, cadeias pesadas tipo g, que perfaz 80% das imunoglobulinas do organismo. Esta igualmente distribuída nos compartimentos extracelulares e é a única que é normalmente atravessa a placenta. É o anticorpo principal nas resposta imunes secundárias e a única classe antitoxinas.

A região FC realiza ativação de complemento ( quando unida ao antígeno) e auxilia a fagocitose por se ligar a macrófagos. Com a ativação do complemento, há geração de quimiotaxia de neutrófilos, aumento da permeabilidade vascular e amplificação da resposta inflamatória.

IgE

Está presente no soro em baixas concentrações. É encontrada na membrana de superfície de basófilos e mastócitos em todos os indivíduos. Tem um papel importante na imunidade ativa contra parasitas helmintos, atraindo os eosinófilos. Cinqüenta porcento dos pacientes com doenças alérgicas tem altos níveis de IgE. A específica interação entre o antígeno e a IgE ligada no mastócito resulta em liberação de histamina, leucotrienos, proteases, fatores quimiotáxicos e citocinas. Esses mediadores podem produzir broncoespasmo, vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, contração de músculo liso e quimioatração de outras células inflamatórias ( eosinófilos p. exemplo).

IgD

IgD está presente no soro em concentrações muito baixas. É encontrada na superfície de muitos linfócitos assim como IgM, onde provavelmente serve como receptor de antígeno. A função dela não está muito bem definida.

Implicações Clínicas das Classes de Immunoglobulinas Humanas:

Em certas patologias o nível de imunoglobulinas estará elevado ou diminuído. Isto pode servir como uma pista para o diagnóstico, somando a outras provas laboratoriais e exame clínico. Por tanto, quando estiver difícil de distinguir entre o diagnóstico diferencial, uma prova laboratorial pode revelar o mais correto.

Neste caso, o nível de algumas classes de imunoglobulinas irá apontar para uma ou outra doença.

1. IgG

O nível de IgG estará aumentado em:

Infecções granulomatosas crônicas ( ex. tuberculose, sífilis, paracoccidioidomicose...)

Infecções em geral

Hiperimunização

Doença hepática
Desnutrição severa
Doenças associadas com desordens dermatológicas ou granulomas de hipersensibilidade
Artrite Reumatóide

O nível de IgG estará diminuído em:

Agamaglobulinemia
Aplasia linfóide
Deficiência de IgA ou seletiva de IgG
Mieloma IgA
Proteinemia de Bence Jones
Leucemia Linfoblástica Crônica

2. IgM

O nível de IgM estará aumentado (adultos) em:

Macroglobulinemia de Waldenström
Tripanosomíase - fase aguda
Actinomicose - fase aguda
Doença de Carrión (bartonelose)
Malária
Mononuclease Infecciosa
Lupos eritematoso
Artrite Reumatóide
Desgamaglobulinemias

Obs: No recém-nascido, um nível de IgM acima de 20 ng /dl é uma indicação de estimulação do sistema imune in utero pelo vírus de rubéola, o citomegalovirus, sífilis, ou toxoplasmose.

O nível de IgM estará diminuído em:

Agamaglobulinemia
Distúrbios linfoproliferativos(certos casos)
Aplasia linfóide
Mieloma de IgG ou IgA
Disgamaglobulinemia
Leucemia de Linfoblastica Crônica

3. IgA

O nível de IgA estará aumentado em:

Síndrome de Wiskott-Aldrich
Cirrose (a maioria dos casos)
Certas fases das doenças do colágeno e autoimmunes como artrite reumática e lupus
Infecções Crônicas não baseada em deficiências imunológicas

Mieloma de IgA

O nível de IgA estará diminuído em:

Telangiectasia ataxia hereditária
Deficiência Imunológica (por exemplo, disgamaglobulinemia, agamaglobulinemia congênita e adquirida, e hipogamaglobulinemia)
Síndromes de Malabsorção
Aplasia Linfoide
Mieloma de IgG
Leucemia Linfoblastica Aguda
Leucemia Linfoblastica Crônica

4. IgD

O nível de IgD estará aumentado em:

Infecções Crônicas
Mieloma de IgD

5. IgE

O nível de IgE estará aumentado em:

Atopias da pele, como eczemas
Febre de Feno
Asma
Choque Anafilactico
Mieloma IgE

O nível de IgE estará diminuído em:

Agamaglobulinemia Congênita
Hipogamaglobulinemia devido a metabolismo defeituoso ou síntese de imunoglobulinas

Funções dos Anticorpos

Anticorpo de Membrana como receptor de linfócito B - Linfócitos B maduros expressam IgG e IgM na superfície. O encontro do antígeno com esses receptores desencadeia uma reação dentro de linfócito, ativando proteínas citoplasmáticas que ativam a resposta imune, multiplicação e diferenciação em plasmócitos para produzir mais anticorpos.

Neutralização do antígeno pelo anticorpo secretado

Toxinas bacterianas, drogas, agentes virais e outros parasitas, iniciam a lesão celular pela ligação a receptores específicos da superfície celular. Os anticorpos podem impedir esta interação, neutralizando o processo tóxico ou infeccioso.

Ativação do complemento por IgG ou IgM - O sistema complemento consiste numa família de proteínas séricas ( produzidas pelo fígado) que podem ser ativadas por uma cascata proteolítica, para a geração de moléculas efetoras. A ativação da cascata pela via clássica é inicia pela ligação do componente C1q do complemento com a região Cb ( na região FC) do anticorpo. O C1q faz parte de um complexo C1 que é dependente de Cálcio ionizado ( Ca++).Com a interação com a fração FC do anticorpo, há uma ativação deste complexo C1 , que vai então clivar o componete C4 do complemento em C4a e C4b. O C4b vai se ligar ao componente C2. Surge assim o complexo C4bC2, chamada de enzima convertase. Esta vai clivar o C3 em C3a e C3b. O C3a tem várias funções como p.exemplo ativar a degranulação de mastócitos e realizar quimiotaxia. O C3b é um dos componentes que mais tem função no complemento. Ele se liga aos C4bC2 e forma C4bC2C3b. Esta é a via clássica , que vai então, converter o C5 na superfíce na bactéria ou qualquer que seja o corpo estranho ( antígeno). Por isso, o C4bC2C3b é chamada de C5 convertase. Começa agora a via lítica, uma seqüência de ativação de componentes do complemento ( C5 ativa C6, que ativa C7, que ativa C8, que ativa C9) que vai literalemente "rasgar" a bactéria. Vai arrebentar a membrana da célula alvo, fazendo com que entre água dentro do citoplasma , e saia substâncias vitais.Isso tudo mata bactéria, e ocorre em questão de segundos.

Opsionização do complemento

Os anticorpos envolvem a bactéria ou vírus em questão, e se ligam a receptores de fração FC dos macrófagos. Isso melhora a eficiência da fagocitose. O macrófago injere bem mais rápido se o antígeno estiver envolvido por anticorpos.

Citotoxidade mediado por células dependente de anticorpos IgG, IgE e IgA- Várias células como neutrófilos, eosinófilos, SMF, linfócitos NK especialmente, em determinadas ocasiões, matam o micróbio se ele estiver revestido por anticorpos. É um processo chamado de citotoxidade mediada por células dependente de anticorpo. O linfócito NK (natural killer) mata logo que encontra uma célula revestida por IgG, reconhecendo-a na hora. O receptor de FCIII no Linf.NK ao se ligar a IgG começa a liberar o fator de necrose tumoral ( TNF) e o interferon-gama. Essas citocinas são muito importantes na resposta imune celular. Já os eosinófilos atacam vermes helmintos e outros parasitas revestidos por IgE, sendo que os neutrófilos não reconhecem. A IgE vai promover identificação e ativação dos eosinófilos, que vão liberar a proteína básica principal, que vai matar o parasita.

IgA neutraliza agentes lesivos nas mucosas dos organismo.

Funções avançadas dos componentes C3b e C4b :

1. Facilitam a ligação de micróbios a neutrólifos e macrófagos
2. Facilitam a endocitose e ativam a fagocitose nos macrófagos
3. Facilitam a fagocitose pela opsionização
4. Auxilia ativação de linfócitos
5. Facilita captura de complexos imunes por eritrócitos e plaquetas.

Imunidade e Alergia

Conceitos relacionados com Imunologia

1-Agente infeccioso: Qualquer ser capaz de originar infecção.
2-Alérgeno:
antígeno que reage especificamente com um tipo específico de anticorpo reagina IgE)
3-Anticorpos:
moléculas sintetizadas após um estímulo antigênico, dotadas de alta especificidade para antígeno.
4-Antígenos:
moléculas que quando introduzidas em um indivíduo, estimulam a síntese de anticorpos capazes de interagir com ele através dos sítios de combinação.
5-Estudo da Resposta Imune:
estudo de mecanismos pelo qual um organismo tem capacidade de reconhecer, neutralizar, metabolizar e eliminar as substâncias heterólogas, assim como tornar-se resistente a reinfecção.
6-Infecção:
é a implantação, crescimento e proliferação de seres agressores no organismo hospedeiro, acarretando-lhe prejuízo.
7-Infecciosidade:
característica de um agressor que tem poder de infectar.
8-Inflamação:
reação de defesa de um tecido em relação a presença de um agente agressor.
9-Haptenos:
grupamentos químicos que, por si só, são muito pequenos para estimular uma resposta imune, mas reagem com os anticorpos.
10-Moléculas Carregadoras:
proteínas imunogênicas que se ligam aos haptenos, tornando-os imunogênicos.
11-Patogenicidade:
capacidade que tem o agente agressor de causar doença.
12-Poder Imunogênico:
Poder do agressor de ser perceber e desencadear a resposta imune no organismo hospedeiro.
13-Vacinação:
método de estimular a imunidade para uma doença infecciosa através da inoculação de um microorganismo ou seus produtos.
14-Virulência:
Capacidade de produzir doença grave ou fatal.

Vias de Penetração de Microorganismos em Laboratório

Via Aérea: produção de aerossóis pelo ato de pipetagem, centrifugação, maceração de tecidos, sonicação, agitação, flambagem da alça de platina, abertura de ampolas liofilizadas, manipulação de fluidos orgânicos, abertura de frascos com cultura de células infectadas etc. O aerossol pode ficar em suspensão, propagar-se e contaminar um grande número de pessoas;
Via Cutânea:
perfuração com agulhas contaminadas, sobretudo durante a prática incorreta de recapiá-las, corte ou perfuração por vidraria quebrada, trincada ou por instrumentos perfuro-cortantes contaminados;
Via Ocular:
contaminação da mucosa conjuntival por projeções de gotículas ou aerossóis de material infectante nos olhos;
Via Oral:
pipetagem com a boca, hábito de fumar, fazer refeições no laboratório e falta de procedimentos higiênicos.

Órgãos do Sistema Imunológico

Os órgãos do sistema imunológico estão espalhados pelo corpo, e são conhecidos como órgãos linfóides, podendo ser divididos em dois tipos:

1-Órgãos Linfóides primários: produtores de células do Sistema Imunológico (SI).

Timo
Medula Óssea

2-Órgãos Linfóides secundários: agem como um filtro imunológico drenando os antígenos dos tecidos.

Baço
Linfonodos

Imunidade Natural

O corpo humano tem a capacidade de resistir a quase todos os tipos de organismos ou toxinas que tendem a danificar os tecidos e órgãos. Esta capacidade é chamada de imunidade. Grande parte da imunidade é a imunidade adquirida, que se desenvolve depois do primeiro ataque do organismo por uma doença bacteriana ou por toxina, muitas vezes necessitando de semanas ou meses para se desenvolver. Uma parte suplementar da imunidade origina-se de processos gerais, e não de processos direcionados para organismos infecciosos específicos.

Esta é chamada de imunidade natural, que inclui o seguinte:

1. Fagocitose de bactérias e outros invasores por glóbulos brancos e células do sistema de macrófagos teciduais.
2.
Destruição de organismos presentes no estomago pelas secreções ácidas gástricas e enzimas digestivas.
3.
Resistência da pele a invasão de organismos.
4.
Presença de determinados compostos químicos no sangue que aderem aos organismos estranhos ou toxinas e os destroem. Alguns desses compostos são (1) lisozima, um polissacarídeo mucolítico que ataca as bactérias e ocasiona sua desagregação; (2) polipeptídios básicos, que reagem e inativam certos tipos de bactérias Gram-positivas; (3) o complexo do complemento, um sistema de aproximadamente 20 proteínas que pode ser ativado de diversos modos para destruir bactérias; (4) linfócitos matadores naturais, (natural killer), que podem reconhecer e destruir células estranhas, células tumorais e até mesmo algumas células infectadas.

Esta imunidade natural torna o organismo humano resistente a doenças tais como paralisias de animais por infecções virais, cólera suína, peste bovina e cinomose (doença viral que mata grande percentagem de cães afetados). Por outro lado, muitos animais inferiores são resistentes ou mesmo imunes a inúmeras doenças humanas, tais como poliomielite, caxumba, cólera humana, sarampo e sífilis, que são destrutivas ou mesmo letais para seres humanos.

Imunidade Adquirida

Além de sua imunidade natural, o organismo humano tem a habilidade de desenvolver imunidade extremamente poderosa e específica contra agentes invasores tais como bactérias, vírus, toxinas e, até mesmo, tecidos estranhos de outros animais. Isto é denominada imunidade adquirida.A imunidade adquirida é induzida por um sistema imune especial formado de anticorpos e linfócitos ativados que atacam e destroem organismos específicos ou toxinas, especialmente as alergias.

A imunidade adquirida pode muitas vezes conferir proteção extrema. Por exemplo, certas toxinas, tais como a toxina paralisante do botulismo ou a toxina do tétano, podem ser bloqueadas em doses tão altas quanto 100.000 vezes a quantidade que seria letal sem imunidade. Esta é a razão pó que o processo conhecido como vacinação é tão importante na proteção dos seres humanos contra doenças e toxinas.

Tipos Básicos de Imunidade Adquirida

Dois tipos básicos mais diretamente relacionados de imunidade adquirida ocorrem no organismo. Em deles, o organismo desenvolve anticorpos circulantes, que são globulinas do sangue capazes de atacar agentes invasores. Este tipo de imunidade é chamado imunidade humoral ou imunidade célula B (porque os linfócitos B produzem os anticorpos). O segundo tipo de imunidade adquirida é alcançado através da formação de grandes quantidades de linfócitos ativados que são designados especificamente para destruir o agente estranho. Este tipo de imunidade é chamado de imunidade celular ou imunidade célula T ( porque os linfócitos ativados são os linfócitos T).

Os Dois Tipos de Imunidade Adquirida São Iniciados Pelos Antígenos

Desde que a imunidade adquirida não ocorre até depois da primeira invasão por um organismo ou toxina estranha, está claro que o organismo deve ter algum mecanismo para reconhecer a invasão inicial. Cada toxina ou tipo de organismo quase sempre contém um ou mais compostos químicos específicos, na configuração, que são diferentes de todos os outros compostos. Em geral, são proteínas ou grandes polissacarídeos, e são eles que iniciam a imunidade adquirida.

Estas substâncias são chamadas de antígenos.

Para uma substância ser antigênica, normalmente deve ter um alto peso molecular, 8.000 ou mais. Além disso, o processo de antigenicidade normalmente depende da ocorrência periódica de grupos moleculares, chamados de epítopos, na superfície de grandes moléculas, o que explica por que proteínas e grandes polissacarídeos são quase sempre antigênicos devido ao fato de ambos possuírem este tipo de característica esterioquímica.

Haptenos

Embora substâncias com peso molecular menor que 8.000 raramente atuem como antígenos, mesmo assim a imunidade pode se desenvolver contra substâncias de baixo peso molecular de uma maneira especial, como se segue: caso o composto de baixo peso molecular, chamado de hapteno, primeiro se combine com uma substância antigênica, tal como uma proteína, então a combinação resultará numa resposta imune. Os anticorpos ou linfócitos ativados que se desenvolvem contra a associação então reagirão separadamente contra a proteína ou hapteno. Por está razão, numa segunda exposição ao hapteno, alguns anticorpos ou linfócitos reagirão com ele antes que ele possa de disseminar pelo corpo e causar danos.

Os haptenos que provocam respostas imunes desse tipo são normalmente drogas de baixo peso molecular, constituintes químicos da poeira, produtos da decomposição química da descamação de animais, produtos degenerativos da descamação da pele, vários compostos químicos industriais, a toxina do veneno da urtiga, e assim por diante.

Os Linfócitos São as Bases da Imunidade Adquirida

A imunidade adquirida é o produto do sistema linfático do organismo. As pessoas que possuem carência genética de linfócitos ou aquelas cujos linfócitos foram destruídos por irradiação ou drogas não podem desenvolver imunidade adquirida. E, dias após o nascimento, essas pessoas morrem por infecção bacteriana fulminante, salvo se tratadas com medidas heróicas. Conseqüentemente, torna-se claro que os linfócitos são essenciais para sobrevivência do ser humano.

Os linfócitos estão localizados amplamente nos linfonodos, mas também são encontrados em tecidos linfóides, especiais tais como o baço, áreas da submucosa do trato gastrintestinal e na medula óssea. O tecido linfóide está distribuído favoravelmente no organismo para interceptar os organismos invasores ou toxinas antes que possam disseminar-se amplamente. Em muitos casos o agente invasor primeiramente penetra nos líquidos teciduais e, então, é carregado via vasos linfáticos para o linfonodo ou outro tecido linfóide. Por exemplo, o tecido linfóide do trato gastrintestinal é logo exposto aos antígenos que invadem o intestino. O tecido linfóide da garganta e faringe (as tonsilas e adenóides) está bem localizado para interceptar os antígenos que penetram via trato respiratório superior. O tecido linfóide nos linfonodos está exposto aos antígenos que invadem os tecidos periféricos do corpo. E, finalmente, o tecido linfóide do baço e medula óssea desempenha o papel específico de interceptar agentes antigênicos que conseguiram alcançar o sangue circulante.

Dois tipos de Linfócitos Promovem, Respectivamente, a Imunidade Celular e a Imunidade Humoral – Os Linfócitos T e B.

Embora a maioria dos linfócitos no tecido linfóide normal pareça semelhante quando estudados ao microscópio, estas células são divididas em duas grandes populações distintas. Uma das populações, os Linfócitos T, é responsável pela formação de linfócitos ativados produzem a imunidade celular, e a outra população, os linfócitos B, é responsável pela formação de anticorpos que proporcionam a imunidade humoral.

Ambos os tipos de linfócitos são derivados originalmente do embrião, a partir de células-tronco hemopoéticas pluripotenciais que diferenciam e originam os linfócitos. Os linfócitos formados finalmente se localizam no tecido linfóide, mas previamente sofrem diferenciação adicional ou são pré-processados da seguinte maneira.

Os linfócitos destinados a formar linfócitos T ativados primeiro migram e são pré-processados no timo, daí serem chamados de linfócitos T. Eles são responsáveis pela imunidade celular.

A outra população de linfócitos – os linfócitos B, destinados a formação de anticorpos - são pré-processados no fígado, durante a metade da vida fetal, e na medula óssea, durante o final da vida fetal e após o nascimento. Esta população celular foi inicialmente descoberta nas aves, nas quais o pré-processamento ocorre na bolsa de Fabricius, uma estrutura ausente nos mamíferos. Por esta razão, estes linfócitos são chamados de linfócitos B, e são responsáveis pela imunidade humoral.

Pré-processamento dos Linfócitos T e B

Embora todos os linfócitos do corpo se originem das células-tronco linfocíticas comprometidas, estas células-tronco por si só são incapazes de formar linfócitos T ativados ou anticorpos. Previamente elas devem sofrer diferenciação adicional em áreas apropriadas de processamento no timo ou em áreas de processamento de célula B.

O Timo pré-processa os linfócitos T. Os linfócitos T, após sua produção na medula óssea, inicialmente migram para o timo, onde se dividem rapidamente e, ao mesmo tempo, desenvolvem extrema diversidade para reagir contra diferentes antígenos específicos. Isto é, um dos linfócitos tímicos desenvolve reatividade especifica contra um antígeno. Depois, o linfócito seguinte desenvolve especificidade contra outro antígeno. Isto continua até que haja diferentes linfócitos tímicos com reatividade específica contra, literalmente, milhões de antígenos diferentes. Estes diferentes tipos de linfócitos T processados agora deixam o timo e disseminam-se pelo organismo, para se fixarem nos tecidos linfóides.

O timo também determina que qualquer linfócito T que o deixa não reagirá contra proteínas ou outros antígenos presentes nos tecidos do próprio corpo; caso contrário os linfócitos T seriam letais para o corpo em somente poucos dias. O timo seleciona quais os linfócitos T que serão liberados, expondo-os virtualmente, a todos os antígenos próprios específicos dos tecidos do corpo. Se um linfócito T reage, ele é destruído e fagocitado, em vez de ser liberado, sendo o que acontece com 90% dos linfócitos T. Deste modo, somente as células que finalmente são liberadas são aquelas não-reativas contra antígenos do próprio corpo - ao contrário, somente contra os antígenos de origem externa tais como uma bactéria, uma toxina, ou mesmo, um tecido transplantado de outra pessoa.

A maior parte do pré-processamento dos linfócitos T no timo ocorre rapidamente antes do nascimento de uma criança e durante alguns meses após o nascimento.

Após este período, a remoção do timo diminui, (mas não elimina) o sistema imune linfocítico T. Entretanto, a remoção do timo vários meses antes do nascimento evita o desenvolvimento de toda imunidade celular. Como este tipo de imunidade celular é o principal responsável pela rejeição de órgãos transplantados, tais como coração e rim, podem se transplantar órgãos com pouca probabilidade de rejeição se o timo for removido do animal num período razoável antes do nascimento.

O fígado e a medula óssea pré-processam os linfócitos B. Sabe-se muito pouco sobre os detalhes do pré-processamento dos linfócitos B do que aqueles do pré-processamentos dos linfócitos T. Nos seres humanos, considera-se que os linfócitos B são processados, np fígado, durante o segundo trimestre da vida fetal e, na medula óssea, durante o final da vida fetal e após o nascimento.

Os linfócitos B são diferentes dos linfócitos T por dois motivos:

Primeiro, em vez de a célula inteira desenvolver reatividade contra o antígeno, como ocorre com os linfócitos T, o linfócito B secreta ativamente anticorpos que são os agentes reativos. Estes agentes são grandes moléculas protéicas capazes de se combinar com o agente antigênico e destruí-lo. Segundo, os linfócitos B tem maior diversidade que os linfócitos T, produzindo muitos e muitos milhões – talvez bilhões- de tipos de anticorpos com diferentes reatividades especificas.

Após o pré-processamento, os linfócitos B, como os linfócitos T, migram para o tecido linfóide através do organismo, onde se fixam nas proximidades das áreas de linfócitos T.

Linfócitos T e Anticorpos dos Linfócitos B Reagem Especificamente contra Antígenos Específicos – Papel dos Clones de Linfócitos

Quando um antígeno específico entra em contato com os linfócitos T e B no tecido linfóide, alguns linfócitos T tornam-se ativados e formam células T ativadas e alguns linfócitos B produzem anticorpos. As células T ativadas e os anticorpos por sua vez reagem especificamente contra o tipo particular de antígeno que iniciou sua produção. O mecanismo desta especificidade é o seguinte.

Milhões de Linfócitos Específicos estão Pré-formados no Tecido Linfóide. A milhões de diferentes tipos de linfócitos B e T pré-formados que são capazes de produzir anticorpos altamente específicos ou células T quando estimulados por antígenos apropriados. Cada um destes linfócitos pré-formados é capaz de formar somente um tipo de anticorpo ou tipo de célula T com um único tipo de especificidade. E somente o tipo específico de antígeno com o qual ele pode reagir pode ativá-lo. Uma vez o linfócito específico seja ativado por seu antígeno, ele se reproduz amplamente, formando números extraordinários de linfócitos do mesmo tipo. Caso seja um linfócito B, sua progênie secretará anticorpos que circulam pelo corpo; se for um linfócito T, sua progênie é de células T sensibilizadas que são liberadas para a linfa e carreadas para o sangue e, então, circulam através de todos os líquidos teciduais e voltam para a linfa, algumas vezes circulando em torno desse circuito por meses ou anos.

Todos os diferentes linfócitos que são capazes de produzir uma especificidade de anticorpo ou célula T são denominados de clone de linfócitos. Isto é, os linfócitos em cada clone são semelhantes e derivados, originalmente, de um linfócito ou de poucos linfócitos prematuros do seu tipo específico.

Origem de Muitos Clones de Linfócitos

Apenas várias centenas ou milhares de genes codificam para os diferentes tipos de anticorpos e linfócitos T. A princípio, foi um mistério, como era possível tão pouco genes codificar milhões de diferentes especificidades de moléculas de anticorpos ou células T que podem ser produzidas pelo tecido linfóide, sobretudo quando se considera que um único gene é normalmente necessário para formação de cada tipo diferente de proteína. Este mistério agora está solucionado. O gene completo para formação de cada tipo de célula T ou B nunca está presente nas células-tronco originais a partir das quais as células imunes funcionais são formadas. Ao contrário, existem apenas múltiplos segmentos gênicos - normalmente, centenas de tais segmentos -, mas não genes totais. Durante o pré-processamento dos respectivos linfócitos T e B, estes segmentos gênicos misturam-se uns com os outros em combinações aleatórias, finalmente formando, genes inteiros. Devido às várias centenas de tipos de segmentos gênicos, assim como os milhões de ordens diferentes em que os segmentos podem ser arranjados numa única célula, é possível entender os milhões ou, mesmo, bilhões de diferentes tipos de genes que podem ocorrer. Para cada linfócito T e B funcional que é finalmente formado, a estrutura gênica codifica para somente uma única especificidade antigênica. Estas células maduras tornam-se, então, células T e B altamente específicas, que se disseminam e populam o tecido linfóide.

Mecanismo para ativar um Clone de Linfócitos

Cada clone de linfócito é responsivo para somente um único tipo de antígeno (ou para antígenos similares que tenham quase que exatamente as mesmas características esterioquímicas). A razão para isto é o seguinte: no caso dos linfócitos B, cada um tem na superfície da sua membrana celular cerca de 100.000 moléculas de anticorpos que reagirão especificamente com somente um tipo específico de antígeno. Por, essa razão, quando o antígeno apropriado se aproxima, imediatamente adere à membrana celular; isto induz o processo de ativação. No caso dos linfócitos T, moléculas similares aos anticorpos, chamadas de receptores protéicos de superfície (ou marcadores de célula T), estão na superfície da membrana da célula T, e estas são, também, altamente específicas para um único antígeno ativado.

Papel dos Macrófagos no Processo de Ativação. Ao lado dos linfócitos no tecido linfóide, literalmente milhões de macrófagos estão presentes no mesmo tecido.

Estes revestem os sinusóides dos linfonodos, baço e outro tecido linfóide, e encontram-se justapostos aos muitos linfócitos no linfonodo. A maioria dos organismos invasores são inicialmente fagocitados e parcialmente digeridos pelos macrófagos, e os produtos antigênicos são liberados para o citosol do macrófago. Daí os macrófagos passam estes antígenos diretamente para os linfócitos por contato célula-célula, induzindo, assim a ativação de clones específicos.

Além disso, os macrófagos secretam uma substância ativadora especial que promove o crescimento e a reprodução de linfócitos específicos. A substância é chamada de interleuquina-1.

Papel das células T na ativação dos Linfócitos B

A maioria dos antígenos ativa ao mesmo tempo tanto os linfócitos T quanto os linfócitos B. Algumas das células T então formadas chamadas de células de ajuda, por sua vez secretam substâncias específicas (chamadas coletivamente de linfoquinas) que favorecem a ativação dos linfócitos B na verdade, sem a ajuda dessas células T, a quantidade de anticorpos produzida pelos linfócitos B seria desprezível.

Formação de anticorpos pelos plasmócitos

Antes da exposição a um antígeno específico, os clones de linfócitos B permanecem inativos no tecido linfóide. Com a entrada de um antígeno estranho, os macrófagos do tecido linfóide fagocitam o antígeno e o apresentam aos linfócitos adjacentes. Além disso, o antígeno ao mesmo tempo é apresentado às células T, e células T de ajuda também contribuem para ativação dos linfócitos B. Estes linfócitos B específicos para o antígeno imediatamente avolumam e adquirem a aparência de linfoblastos. Alguns linfoblastos sofrem diferenciação adicional para formar plasmoblastos, que são os precursores dos plasmócitos. Nestas células, o citoplasma se expande e o retículo endoplasmático granular prolifera intensamente. Eles, então, começam a se dividir numa velocidade de cerca de uma vez a cada 10 h para nove divisões, originando em quatro dias uma população total de aproximadamente 500 células por cada plasmoblasto original. Os plasmócitos maduros produzem anticorpos gamaglobulina numa velocidade extremamente rápida – aproximadamente 2.000 moléculas por segundo por cada plasmócito. Os anticorpos são secretados para a linfa e carreados para o sangue circulante. Este processo continua durante vários dias ou semanas até a exaustão final e morte dos plasmócitos.

Formação das Células de Memória – Diferença entre Resposta Primária e Resposta Secundária.

Alguns dos linfoblastos formados por ativação de um clone de linfócitos B não evoluem para formar plasmócitos, mas, em seu lugar, formam quantidades moderas de novos linfócitos B similares àquelas do clone original. Em outras palavras, a população de células B do clone especificamente ativado aumenta consideravelmente. Os novos linfócitos B juntam-se aos linfócitos originais do clone. Eles também circulam através dos corpos para popular todo o tecido linfóide, mas, imunologicamente, permanecem inativos até serem ativados outra vez por uma nova quantidade do mesmo antígeno. Estes linfócitos são chamados de células de memória. A exposição subseqüente ao mesmo antígeno causará uma resposta muito mais rápida e potente porque existem muito mais células de memória do que de linfócitos B originais do clone específico.

A potência e a duração aumentadas da resposta secundária explicam por que a vacinação é normalmente realizada com a injeção do antígeno em doses múltiplas com períodos de várias semanas ou meses entre as injeções.

Natureza dos anticorpos

Os anticorpos são gamaglobulinas chamadas de imunoglobulinas e têm um peso molecular entre 160.000 e 970.000. Geralmente constituem cerca de 20% do total de proteínas plasmáticas.

Todas as imunoglobulinas são formadas pela combinação de cadeias polipeptídicas leves e pesadas; a maioria é uma combinação de duas cadeias leves e duas pesadas.

Entretanto algumas imunoglobulinas têm combinações de 10 cadeias pesadas e 10 cadeias leves, que originam imunoglobulinas de alto peso molecular. Em todas as imunoglobulinas, cada cadeia pesada é paralela a uma cadeia leve em uma de suas extremidades, e sempre há pelo menos dois e até, 10 pares em cada molécula de imunoglobulina.

Especificidade dos anticorpos

Cada anticorpo é específico para um antígeno particular; isto é motivado por sua organização estrutural singular de aminoácidos nas porções variáveis tanto das cadeias leves como das pesadas. A organização de aminoácidos tem uma forma diferente para cada especificidade antigênica, tanto que, quando um antígeno entra em contato com ela, múltiplos grupamentos prostéticos do antígeno ajustam-se, com uma imagem de espelho, com aqueles do anticorpo, permitindo assim uma rápida ligação entre o anticorpo e o antígeno. A ligação é não-covalente, mas quando, o anticorpo é altamente específico, existem tantos sítios de ligação que a união antígeno-anticorpo é excessivamente forte, mantida por (1) pontes hidrofóbicas, (2) pontes de hidrogênio, (3) atrações iônicas e (4) forças de Van der Walls. Isto também obedece à lei da ação termodinâmica das massas:

Ka = concentração do complexo ligado antígeno-anticorpo
___________________________________________
concentração de anticorpo x concentração de antígeno

Ka é chamada de constante da afinidade e representa uma medida da força de ligação do anticorpo ao antígeno.

Note especialmente, que há dois sítios variáveis no anticorpo ilustrado para ligação do antígeno, tornando este tipo de anticorpo bivalente. Uma pequena proporção de anticorpos, que compreendem combinações acima de 10 cadeias leves e 10 pesadas, têm até 10 sítios de ligação.

Classes de anticorpos: Existem cinco classes gerais de anticorpos, chamadas, respectivamente, de IgM, IgG, IgA, IgD e IgE. Ig significa imunoglobulina, enquanto as outras cinco letras designam simplesmente, as classes respectivas.

Duas destas classes de anticorpos são de particular importância: IgG, que é um anticorpo bivalente e compreende cerca de 75% dos anticorpos de uma pessoa normal, e IgM, que constitui uma pequena porcentagem dos anticorpos mas está especialmente envolvido com a alergia. A classe IgM também é importante porque uma grande parte dos anticorpos produzidos durante a resposta primária é deste tipo. Estes anticorpos possuem 10 sítios de ligação, o que os torna extraordinariamente eficazes na proteção do organismo contra invasores, embora não haja muitos anticorpos IgM.

Mecanismo de Ação doa Anticorpos

Os anticorpos agem de duas maneiras para proteger o corpo contra agentes invasores: (1) por ataque direto aos invasores e (2) por motivação do sistema do complemento, que também tem múltiplos meios para destruir o invasor.

Devido à natureza bivalente dos anticorpos e aos múltiplos sítios antigênicos nos agentes invasores, os anticorpos podem inativá-los por uma das várias maneiras a seguir:

1. Aglutinação, na qual muitas partículas grandes com antígenos na sua superfície, tais como bactérias ou hemácias, formam um aglomerado.
2.
Precipitação, na qual o complexo molecular de antígeno é solúvel (tal como toxina do tétano) e anticorpo é tão grande que se torna insolúvel e precipitado.
3.
Neutralização, na qual anticorpos cobrem os sitos tóxicos do antígeno.
4.
Lise, na qual anticorpos potentes são ocasionalmente capazes de atacar diretamente as membranas de antígenos celulares e, desse modo, causar ruptura da célula.

Sob condições normais, estas ações diretas dos anticorpos atacando os antígenos, não são bastante fortes para desempenhar papel importante na proteção do corpo contra o invasor. A maior parte da proteção vem através dos efeitos amplificados do sistema do complemento.

O Sistema do Complemento na Ação do Anticorpo

Complemento é um termo coletivo que descreve um sistema de cerca de 20 proteínas, muitas das quais são precursores enzimáticos. Os principais agentes neste sistema são 11 proteínas designadas de C1 até, C9, B e D. Normalmente, todas estão presentes entre as proteínas plasmáticas, assim como entre as proteínas plasmáticas que extravasam dos capilares para os espaços teciduais. Os precursores enzimáticos normalmente são inativos, mas podem ser ativados por duas vias: (1) pela via clássica e (2) pela via alternativa.

Via Clássica

A via clássica é ativada pela reação antígeno-anticorpo. Isto é, quando um anticorpo se liga ao antígeno, um sítio reativo específico na porção constante do anticorpo é exposto, ou ativado, e este sítio, por sua vez, se une diretamente com a molécula C1 do sistema complemento, colocando em ação uma cascata de reações seqüenciais, que começa com a ativação da proenzima C1. Poucas combinações antígeno-anticorpo são necessárias para ativar muitas moléculas do primeiro no primeiro estágio do sistema complemento. As enzimas C1 que são formadas ativam sucessivamente quantidades crescentes de enzimas nas fases finais do sistema, tanto que, a partir de um começo diminuto, ocorre uma reação extremamente extensa e amplificada. Muitos produtos finais são formados, e vários deles causam efeitos importantes que ajudam a evitar danos pelos organismos invasores ou toxinas.

Entre os efeitos mais importantes, incluem-se os seguintes:

1.Opsonização e fagocitose

Um dos produtos da cascata do complemento, a C3b, ativa intensamente a fagocitose pelos neutrófilos e macrófagos, induzindo-os a englobar as bactérias onde os complexos antígeno-anticorpo estão aderidos. Este processo é chamado de opsonização. Isto freqüentemente eleva em centenas de vezes o número de bactérias que podem ser destruídas.

2.Lise

De todos os produtos da cascata do complemento, um dos mais importantes é o complexo lítico, que é a combinação de múltiplos fatores do complemento sendo designado C5b6789. Este tem um efeito direto na ruptura das membranas celulares de bactérias e de outro organismo invasor.

3.Aglutinação

Os produtos do complemento também alteram a superfície dos organismos invasores, induzindo-os a aderir uns aos outros, promovendo desse modo a aglutinação.

4.Neutralização de vírus

As enzimas e outros produtos do complemento podem atacar as estruturas de alguns vírus e, desse modo, torná-los não-virulentos.

5.Quimiotaxia

O fragmento C5a induz a quimiotaxia pelos neutrófilos e macrófagos, promovendo a migração de grandes quantidades desses fagócitos para o local do agente antigênico.

6.Ativação de mastócitos e basófilos

Os fragmentos C3a, C4a e C5a ativam os mastócitos e basófilos, induzindo-os a liberar histamina, heparina e várias outras substâncias para os líquidos locais. Estas substâncias, por sua vez, causam aumento no fluxo sangüíneo local, de extravasamento de líquido e proteína plasmática para os tecidos e de outras reações teciduais locais que ajudam a inativar e imobilizar o agente antigênico. Os mesmos fatores desempenham papel importante na inflamação e na alergia.

7.Efeitos inflamatórios

Além dos efeitos inflamatórios causados pela inflamação dos mastócitos e basófilos, vários outros produtos do complemento contribuem para a inflamação local.

Estes produtos induzem o aumento do fluxo sangüíneo que já estava aumentado, o aumento do extravasamento de proteínas a partir dos capilares e a coagulação de proteínas nos espaços teciduais, evitando desse modo à movimentação do organismo invasor através dos tecidos.

Via Alternativa

Algumas vezes, o sistema do complemento é ativado sem a intermediação de uma reação antígeno-anticorpo. Isto ocorre especialmente em resposta a grandes moléculas polissacarídicas na membrana celular de alguns microrganismos invasores. Estas substâncias reagem com os fatores B e D do complemento, formando um produto ativador que ativa o fator C3 e estimula o restante da cascata do complemento além do nível C3. Desse modo, essencialmente todos os mesmos produtos finais do sistema são produzidos como na via clássica e promovem os mesmos efeitos que aqueles já listados para proteger o corpo contra o invasor.

Como a via alternativa não envolve uma reação antígeno-anticorpo, ela é uma das primeiras linhas de defesa contra microrganismos invasores, capaz de funcionar mesmo antes que uma pessoa seja imunizada contra o organismo.

Características especiais do Sistema de Linfócitos T – Células T Ativadas e Imunidade Celular

A liberação de células T ativadas do tecido linfóide e a produção de celular de memória. Após exposição aos antígenos adequados, apresentados pelos macrófagos adjacentes, os linfócitos T de clone específico do tecido linfóide proliferam e liberam grandes quantidades de células T ativadas, de certo modo paralelamente à liberação de anticorpos pelas células B ativadas. A principal diferença é que, em lugar de liberar anticorpos, formam-se células T ativadas que são liberadas na linfa. Elas, então passam para circulação e são distribuídas pelo corpo, passando através das paredes dos capilares para os espaços teciduais, voltando para linfa e sangue outra vez, e recirculam várias vezes pelo corpo, em geral durante meses ou mesmo anos.

Também os linfócitos T de memória são formados da mesma maneira que as células B no sistema imune. Isto é, quando um clone de linfócitos T é ativado por antígeno, muitos dos linfócitos recém-formados são mantidos no tecido linfóide para se tornarem linfócitos suplementares desse clone específico; de fato, estas células de memória difundem-se através do tecido linfóide de todo o corpo. Por esta razão, numa exposição subseqüente do mesmo antígeno, a liberação das células T ativadas ocorre muito mais rapidamente e com mais eficácia do que na primeira resposta.

Receptores de Antígenos nos Linfócitos

Os antígenos ligam-se com moléculas receptoras na superfície das células T da mesma maneira que se unem com os anticorpos.Estas moléculas receptoras são constituídas de uma unidade variável similar à porção variável de um anticorpo humoral, mas sua porção reta está firmemente ligada à membrana celular. Existem cerca de 100.000 sítios receptores numa única célula T.

Vários Tipos de Células T e suas Diferentes Funções

Está claro que existem vários tipos de células T. São classificadas em três grandes grupos: (1) células T de ajuda, (2) Células T citotóxicas e (3) células T supressoras. As funções de cada uma delas são absolutamente distintas.

Células T de Ajuda – Seu Papel na Regulação Total da Imunidade

As células T de ajuda são as mais numerosas células t, constituindo normalmente mais de três quartos de todas as células. Como seu nome indica, elas ajudam nas funções do sistema imune de muitas maneiras. De fato, atuam como o regulador principal de todas as funções imunes. Atuam produzindo uma série de mediadores protéicos, chamados de linfoquinas, que agem em outras células do sistema imune, assim como nas células de medula óssea.

Entre as importantes linfoquinas secretadas pelas células T de ajuda estão as seguintes:

Interleuquina-2
Interleuquina-3
Interleuquina-4
Interleuquina-5
Interleuquina-6

Fator estimulador de colônia granulócito-monócito Interferon-?

Funções Reguladoras Específicas das Linfoquinas

Na ausência de linfoquinas das células T de ajuda, o restante do sistema imune é quase paralisado. De fato, são as células T de ajuda que são inativadas ou destruídas pelo vírus da síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS) que deixa o corpo quase que totalmente desprotegido contra doenças infecciosas, por esta razão produzindo os efeitos rápidos e letais conhecidos da AIDS.

Algumas das funções reguladoras são as seguintes:

1. Funções reguladoras específicas das linfoquinas. Na ausência de linfoquinas das células T de ajuda, os clones para produção de células T citotóxicas e células T supressoras são muito pouco ativados pela maioria dos antígenos. A linfoquina interleuquina-2 tem um efeito estimulador especialmente forte para induzir o crescimento e proliferação de células T citotóxicas e supressoras. Além disso, várias outras linfoquinas têm efeito menos potente, especialmente a interleuquina-4 e a interleuquina-5.
2
. Estimulação do crescimento e diferenciação das Células B para formar plasmócitos e anticorpos. As ações diretas do antígeno para induzir o crescimento e proliferação de células B, a formação de plasmócitos e a secreção de anticorpos são também insuficientes sem a “ajuda” das células T de ajuda. Quase todas as interleuquinas participam da resposta das células B, mas especialmente as interleuquinas-4, 5 e 6. Realmente, estas três interleuquinas têm efeitos tão potentes sobre as células B que foram chamadas de fatores estimuladores das células B ou fatores de crescimento das Células B.
3.
Ativação do sistema de macrófagos. As linfoquinas também afetam os macrófagos. Primeiro, atrasando ou parando a migração dos macrófagos depois que estes foram atraídos quimiotaticamente para área do tecido inflamado, desse modo causando grande acumulação de macrófagos. Segundo, ativam os macrófagos para induzir uma fagocitose mais eficiente, possibilitando-lhes atacar e destruir quantidades aumentadas de organismos invasores.
4.
Feedback, efeito estimulador nas células de ajuda. Algumas linfoquinas, especialmente a interleuquina-2, têm um efeito de feedback direto e positivo na ativação estimuladora das próprias células T de ajuda. Isto atua como um amplificador acentuando a resposta imune para um antígeno invasor.

Células T Citotóxicas

A célula T citotóxica é uma célula de ataque direto capaz de matar microrganismos e, às vezes, algumas células do próprio corpo. Por esta razão, estas células são chamadas de células assassinas. Os receptores protéicos na superfície das células citotóxicas induzem uma ligação firme com aqueles organismos ou células que contém sítios de ligação específicos. Dessa forma matam a célula atacada. Após a ligação, a célula T citotóxica secreta proteínas formadoras de buracos, chamados de perforinas, que, literalmente, perfuram grandes buracos redondos na membrana da célula atacada. Quase que imediatamente, a célula atacada torna-se intensamente túrgida e geralmente desintegra logo depois.

Uma característica especialmente importante refere-se à capacidade das células citotóxicas assassinas de retira-se e afastar-se das células atacadas após terem cavados buracos e liberado substâncias citotóxicas, movendo-se para destruir muito mais células. Na verdade, mesmo após destruírem todos os invasores, muitas destas células persistem durante meses nos tecidos.

Algumas células T citotóxicas são especialmente letais para os tecidos que foram invadidos por vírus porque muitas partículas virais ficam aprisionadas nas membranas destas células e atraem as células T em resposta à antigenicidade viral. As células citotóxicas também têm papel importante na destruição de células cancerosas, células cardíacas transplantadas ou outros tipos de células que são estranhas para o corpo do indivíduo.

Células T Supressoras

Muito menos é sabido sobre as células T supressoras em relação às outras células; mas elas são capazes de suprimir as funções das células T citotóxicas e de ajuda. Acredita-se que estas funções supressoras têm o objetivo de regular às atividades de outras células, impedindo-as de efetuar reações imunes excessivas que poderiam ser seriamente prejudiciais para o corpo. Por esta razão, as células supressoras, juntamente com as células T de ajuda, são classificadas como células T reguladoras. Um panorama para a função das células T supressoras e reguladoras é o seguinte: as células T de ajuda ativam as células T supressoras; estas células por sua vez, agem com um feedback negativo controlador das células T de ajuda; e este, automaticamente, ajusta o nível de atividade do sistema de células T de ajuda. Também é provável que as células T supressoras tenham um papel importante limitando a capacidade do sistema imune em atacar os tecidos do próprio corpo do indivíduo, chamada de tolerância imune.

Tolerância do Sistema de Imunidade para os próprios tecidos – papel do pré-processamento no timo e na medula óssea

Se uma pessoa se torna imune aos seus próprios tecidos, o processo de imunidade adquirida poderia destruir o corpo do próprio indivíduo. O mecanismo imune normalmente reconhece os tecidos próprios da pessoa como sendo diferentes das bactérias e do vírus, e o sistema imune forma poucos anticorpos ou células T ativadas contra os antígenos próprios da pessoa. Este fenômeno é conhecido como autotolerância aos tecidos do próprio corpo.

A maior parte da tolerância resulta da seleção de clones durante o pré-processamento

Acredita-se que a maior parte do fenômeno da tolerância desenvolve-se durante o pré-processamento dos linfócitos T no timo e dos linfócitos B nos seres humanos na medula óssea. A razão para este ponto de vista é que, injetando-se um antígeno potente em um feto na época em que os linfócitos estão sendo processados nestas duas áreas, impede-se o desenvolvimento de clones de linfócitos no tecido linfóide que são específicos para o antígeno injetado. Igualmente, experimentos têm mostrado que linfócitos específicos imaturos no timo, quando expostos a um antígeno potente, tornam-se linfoblastos, proliferam consideravelmente e, então, combinam-se com o antígeno estimulador – um efeito que, acredita-se, promove a destruição das células tímicas epiteliais antes que possam migrar e colonizar o tecido linfóide.

Portanto, acredita-se que, durante o pré-processamento dos linfócitos no timo e na medula óssea, a maioria dos clones ou todos aqueles de linfócitos que são específicos para os tecidos do próprio corpo são destruídos devido a sua exposição contínua aos antígenos do corpo.

Papel das células T supressoras no desenvolvimento da tolerância

Provavelmente, as células T supressoras são responsáveis por outro tipo de autotolerância. Por exemplo, algumas vezes uma reação de auto-imunidade ocorre intensamente contra um dos tecidos do próprio corpo, mas, após alguns dias ou semanas, desaparece, ainda que anticorpos auto-imunes persistam no plasma circulante. O que acontece é que o número de células T supressoras especificamente sensibilizadas para o auto-antígeno aumentou intensamente. Acredita-se que estas células T supressoras funcionam neutralizando os efeitos dos anticorpos auto-imunes, assim como as células de ajuda e as células T citotóxicas sensibilizadas, bloqueando assim o ataque imune ao tecido.

Deficiência do mecanismo de tolerância causa doenças imunes

Algumas vezes, as pessoas perdem certa tolerância imune para seus próprios tecidos. Isto ocorre com grande extensão quanto mais velha a pessoa se torna.

Normalmente isto ocorre depois da destruição de alguns tecidos do corpo, liberando quantidades consideráveis de auto-antígenos que circulam pelo corpo e, presumivelmente, induzem a imunidade adquirida na forma de células T ativadas ou de anticorpos.

Várias doenças específicas que se originam da auto-imunidade incluem (1) febre reumática, na qual o corpo de torna imunizado contra tecidos das articulações e coração, especialmente as válvulas cardíacas, após a exposição a um tipo específico de tóxica estreptocócica que tem um epítopo na sua estrutura molecular similar à estrutura de algum auto-antígeno do próprio corpo; (2) Um tipo de glomerulonefrite, na qual a pessoa se torna imunizada contra as membranas basais dos glomérulos; (3) miastenia grave, na qual a imunidade se desenvolve contra os receptores protéicos para acetilcolina na junção neuromuscular, causando paralisia; (4) lúpus eritematoso, na qual a pessoa se torna imunizada contra diferentes tecidos do corpo ao mesmo tempo, uma doença que causa danos extensos e freqüentemente a morte rápida.

Vacinação

Há muitos anos, a vacinação vem sendo usada para produzir imunidade adquirida contra doenças específicas. Uma pessoa pode ser vacinada por injeções de organismos mortos que não são mais capazes de causar doenças mas que ainda possuem seus antígenos químicos. Este tipo de vacinação é usado é usado para proteger contra a febre tifóide, coqueluche, difteria e muitos outros tipos de doenças bacterianas. A imunidade também pode ser conseguida contra toxinas que foram tratadas quimicamente de modo que sua natureza tóxica foi destruída, embora seus antígenos que induzem a imunidade ainda estejam intactos. Este procedimento é usado na vacinação contra o tétano, botulismo e outras doenças tóxicas similares. E, finalmente, uma pessoa pode ser vacinada por infecção com o organismo vivo que foi atenuado. Isto é, estes organismos cresceram em um meio de cultura especial ou passaram por uma série de animais até se transformarem suficientemente e não mais causarem doenças, apesar de ainda carregarem os antígenos específicos. Este procedimento é usado na proteção contra poliomielite, febre amarela, sarampo, varíola, e muitas outras doenças virais.

Imunidade Passiva

Até este ponto, toda imunidade adquirida que discutimos tem sido imunidade passiva. Isto é, o corpo da pessoa desenvolve anticorpos ou células T ativadas em resposta à invasão de um antígeno estranho. Entretanto, temporariamente a imunidade pode ser conseguida, numa pessoa, sem a injeção de qualquer antígeno.

Isto é feito por injeção de anticorpos, células T ativadas, ou por ambos esses processos, obtidos a partir do sangue de qualquer outra pessoa ou de algum outro animal que tenho sido imunizado ativamente contra o antígeno. Os anticorpos conservam-se durante duas a três semanas, e, durante este tempo, a pessoa está protegida contra a doença. As células T ativadas conservam-se durante poucas semanas, se transfundidas a partir de outra pessoa, e durante poucas horas até poucas horas até poucos dias, se transfundidas a partir de um animal. Tais transfusões de anticorpos ou linfócitos que conferem imunidade é o que se chama imunidade passiva.

Alergia e Hipersensibilidade

Um efeito importante e indesejável da imunidade é o desenvolvimento, sob algumas condições, de alergia ou outros tipos de hipersensibilidades, algumas das quais ocorrem somente em pessoas que têm a tendência alérgica específica.

Alergia causada por células T ativadas: Reação Alérgica Retardada

Este tipo de alergia pode causar erupções cutâneas em resposta a certas drogas ou substâncias químicas, particularmente alguns cosméticos e substâncias químicas de uso doméstico, às quais a pele do indivíduo está freqüentemente exposta. Outro exemplo de hipersensibilidade alérgica é a erupção cutânea causada pela exposição à urtiga.

A reação alérgica retardada é causada pelas células T ativadas, e não por anticorpos. No caso da urtiga, a toxina por si só não causa muitos danos aos tecidos.

Entretanto, a exposição repetida induz a formação de células T de ajuda e citotóxicas. Por isto, após uma exposição subseqüente à toxina da urtiga, dentro de mais ou menos um dia as células T ativadas passam do sangue circulante para a pele em número suficiente para responder à toxina da urtiga e induz uma reação imune do tipo celular. Lembrando que este tipo de imunidade pode causar liberação de muitas substâncias tóxicas a partir de células T ativadas, assim como extensa invasão dos tecidos por macrófagos e seus efeitos subseqüentes, alguém pode bem entender que o resultado eventual de algumas reações alérgicas retardada pode consistir em danos sérios aos tecidos. O dano normalmente ocorre na área de tecido onde o antígeno está presente, tal como a pele, no caso da urtiga, ou os pulmões ocasionando edema pulmonar e ataque plasmático, no caso de antígenos transportados pelo ar.

Alergias com excesso de anticorpos IgE em pessoas que se dizem alérgicas

Algumas pessoas têm tendência alérgica. Suas alergias são chamadas de alergias atópicas, porque são causadas por uma resposta incomum do sistema imune. A tendência alérgica é transmitida geneticamente de pais para crianças e é caracterizada pela presença de grandes quantidades de anticorpos IgE. Estes anticorpos são chamados de reaginas ou anticorpos sensibilizantes para se distinguirem dos anticorpos mais comuns IgG. Quando um alérgeno penetra no corpo, uma reação alérgeno-reagina acontece, ocorrendo uma reação alérgica subseqüente.

Uma característica especial dos anticorpos IgE (as reaginas) é a forte propensão em atacar mastócitos e basófilos. Na verdade, um único mastócito ou basófilo pode se ligar a meio milhão de moléculas de anticorpos IgE. Desse modo, quando um antígeno (um alérgeno) que tem múltiplos sítios de ligação se une com vários anticorpos IgE aderidos a um mastócito ou basófilo, isto provoca uma mudança imediata na membrana celular, talvez resultante de um simples efeito físico das moléculas de anticorpo ao serem tracionadas em conjunto pelo antígeno. Em qualquer proporção, muitos mastócitos e basófilos se rompem; outros liberam seus grânulos sem se romperem e secretam substância adicionais que não são pré-formadas nos grânulos. Dentre essas muitas substâncias liberadas imediatamente ou secretadas logo depois, incluem-se histamina, substância da reação lenta de anafilaxia (que uma mistura de leucotrienos tóxicos), substância quimiotática eosinofílica, uma protease, uma substância quimiotática neutofílica, heparina e fatores de ativação plaquetária. Estas substâncias causam fenômenos tais como dilatação dos vasos sanguíneos locais, atração de eosinófilos e neutrófilos para o sítio reativo, danos aos tecidos locais pelas proteases, aumento da permeabilidade capilar e perda de líquido para os tecidos, além de contração das células musculares lisas locais. Entretanto vários tipos diferentes de respostas teciduais anormais podem ocorrer, dependendo do tipo de tecido onde a reação alérgeno-reagina ocorre. Dentre os diferentes tipos de reações alérgicas originadas dessa maneira, citam-se os seguintes:

Anafilaxia: Quando um alérgeno específico é injetado diretamente na circulação, este pode reagir em áreas extensas do corpo com os basófilos do sangue e mastócitos, localizados imediatamente ao lado de pequenos vasos sanguíneos, casos estes tenham sido sensibilizados pela ligação com reagina IgE. Desse modo uma reação alérgica ampla ocorre através do sistema vascular e em tecidos intimamente associados. Isto é chamado de anafilaxia. A histamina liberada na circulação causa vasodilatação generalizada, assim como o aumento da permeabilidade capilar com a resultante perda intensa de plasma a partir da circulação.

Muitas pessoas que experimentam esta reação morrem de choque circulatório em poucos minutos, salvo quando tratadas com epinefrina para antagonizar os efeitos da histamina. Além disso, uma mistura de leucotrienos é liberada das células, chamada de substância de reação lenta da anafilaxia. Estes leucotrienos causam espasmo do músculo liso dos bronquíolos, provocando um ataque asmático, algumas vezes causando a morte por sufocação.

Urticária: a urticária resulta da entrada de um antígeno em áreas específicas da pele, causando reações anafilactóides localizadas. A histamina liberada localmente causa (1) vasodilatação, que produz uma imediata vermelhidão, e (2) aumento da permeabilidade capilar local, que induz a formação de áreas circunscritas de edema local na pele em poucos minutos. Estas áreas circunscritas de edema local na pele em poucos minutos. Estas áreas são vulgarmente chamadas de urticária.

A administração de anti-histamínicos ao indivíduo antes da exposição impede a formação dessas bolhas.

Febre do Feno: Na febre do feno, a reação alérgeno-reagina ocorre no nariz. A histamina liberada em resposta à reação causa dilatação vascular local, como resultante aumento da pressão capilar, assim como aumento da permeabilidade capilar. Estes efeitos induzem extravasamento rápido de líquido para os tecidos do nariz, e a mucosa nasal torna-se edemaciada e secretora. Aqui, outra vez, o uso de drogas anti-histamínicas pode evitar esta reação do edema. Outros produtos da reação alérgeno-reagina ainda causam irritação no nariz, provocando a típica síndrome do espirro, apesar da terapia com drogas.

Asma: a asma ocorre freq6uentemente em pessoas do tipo “alérgico”. Nelas, a reação alérgeno-reagina ocorre nos bronquíolos dos pulmões. Aqui, o produto mais importante liberado pelos mastócitos parece ser a substância de reação lenta anafilaxia, que causa espasmo do músculo liso bronquiolar. Conseqüentemente, a pessoa tem dificuldade para respirar até que os produtos da reação alérgica sejam removidos. A administração de anti-histamínicos tem pouco efeito no curso da asma porque a histamina não parece ser o fator principal que provoca a reação asmática.

No corpo humano existem diversos locais onde há produção de células linfóides maduras que vão agir no combate a agressores externos. Alguns órgãos linfóides se encontram interpostos entre vasos sangüíneos e vão dar origem a células brancas na corrente sangüínea. Outros estão entre vasos linfáticos, e vão filtrar a linfa e combater antígenos que chegam até eles por essa via. Outros ainda podem ser encontrados fazendo parte da parede de outros órgãos, ou espalhados pela sua mucosa. Os tecidos linfóides são classificados em primários e secundários. Os primários representam o local onde ocorrem as principais fases de amadurecimento dos linfócitos. O timo e a medula óssea são tecidos primários, pois é o local onde amadurecem os linfócitos T e B respectivamente. Os tecidos primários não formam células ativas na resposta imune, formam até o estágio de pró-linfócitos.

Os tecidos linfóides secundários são os que efetivamente participam da resposta imune, seja ela humoral ou celular. As células presentes nesses tecidos secundários tiveram origem nos tecidos primários, que migraram pela circulação e atingiram o tecido. Neles estão presentes os nodos linfáticos difusos, ou encapsulados como os linfonodos, as placas de Peyer, tonsilas, baço e medula óssea.

ÓRGÃOS LINFÓIDES PRIMÁRIOS Timo

O timo é um órgão linfático que se localiza no tórax, anterior ao coração. É dividido em dois lobos, o direito e o esquerdo. É revestido por uma cápsula fibrosa, que histologicamente vai penetrando pelo parênquima tímico e formando os septos conjuntivos que vai dividindo os lobos em inúmeros lóbulos. Sobre esta cápsula aparece um aglomerado de adipócitos que forma o tecido adiposo extra tímico.

Os lóbulos tímicos podem ser evidenciados por duas zonas, a zona medular e a zona cortical. A zona cortical, que é a mais periférica, apresenta os linfócitos T em maturação e a zona medular possui tecido conjuntivo frouxo e células reticulares epiteliais. Estas células reticulares epiteliais possuem prolongamentos que envolvem grupos de linfócitos em diferenciação na cortical e também formam estruturas de células concêntricas denominadas de corpúsculo de Hassal, cujo centro pode calcificar-se devido à morte de células centrais.

O timo se origina no embrião a partir da terceira bolsa faríngea de cada lado do corpo. Nesta bolsa se formam tubos de células epiteliais que vão crescendo em forma de cordões para baixo até o tórax. Os cordões perdem a comunicação com sua origem e se transformam na medular do timo. Cada cordão representa a medular dos lóbulos de cada lobo (direito e o esquerdo). As células reticulares emitem prolongamentos (células reticulares epiteliais) e formam os septos, corpúsculos de Hassal e as áreas onde vão ser ocupadas pelos linfócitos T em maturação na cortical. Depois do desenvolvimento do estroma do órgão, surgem as células fontes que vieram do fígado e do baço do embrião. Começa a partir daí a formação de pro - linfócitos T. Esta é a fase hepatoesplenicotímica, e está presente no segundo mês de vida intra-uterina.

Entre os lóbulos tímicos aparecem diversos espaços chamados espaços intralobulares. Nestes espaços passam vasos sangüíneos e também vasos linfáticos eferentes. São encontrados poucos vasos linfáticos, sendo todos eferentes. As artérias chegam ao órgão e ramificam-se em arteríolas e capilares no parênquima cortical. Esses capilares terminam na medular de cada lóbulo onde se originam os vasos venosos do timo e os vasos linfáticos. Estes últimos penetram nos espaços interlobulares e saem pela cápsula do timo. É importante destacar aqui a barreira hematotímica presente somente na cortical dos lóbulos. Esta barreira se refere a pouca permeabilidade dos capilares aos linfócitos da cortical. Estes capilares possuem fortes junções oclusivas entre as células endoteliais e impede que os linfócitos ainda em processo maturação saiam para o sangue. Quando os linfócitos atingem a fase de pró-linfócitos ou ainda linfócitos maduros não ativos, eles caem na medular onde penetram nas vênulas (estas não tem barreira) indo para veias, ou vasos eferentes linfáticos e saem do órgão em direção aos tecidos linfóides secundários.

O timo é um órgão que no recém-nascido esta no seu maior tamanho. Ele chega a pesar 30 gramas e cresce até a puberdade. A partir da puberdade o timo começa a involuir até chegar a 10 gramas no idoso. No recém nascido, o timo é grande devido ao desenvolvimento dos órgãos imune secundários, pois esses possuem áreas timo-dependentes que tem que ser preenchidas pelos linfócitos T. Na puberdade essas áreas já estão preenchidas, havendo apenas as substituições de linfócitos que saem pelos novos que vem do timo.

A função do timo é promover a maturação dos linfócitos T que vieram da medula óssea até o estágio de pró-linfócitos que vão para os outros tecidos linfóides, onde se tornam ativos para a resposta imune. Porém, o timo também dá origem a linfócitos T maduros que vão fazer o reconhecimento do organismo para saber identificar o que é material estranho ou próprio do organismo. Outra função importante do timo é a produção de fatores de desenvolvimento e proliferação de linfócitos T, como a timosina alfa, timopoetina, timulina e o fator tímico humoral. Estes fatores vão agir no próprio timico (hormônios parácrinos) ou agir nos tecidos secundários (hormônios endócrinos), onde estimulam a maturação completa dos linfócitos.

Se houver uma timectomia no indivíduo, haverá uma deficiência de linfócitos T no organismo, e ausência das áreas timo-dependentes nos órgãos secundários.

Medula Óssea

A medula óssea é constituída por células reticulares, associadas às fibras reticulares, que juntos dão o aspecto esponjoso da medula e tem a função sustentadora e indispensável ao desenvolvimento das células que participam da hematopoiese. No meio deste tecido reticular encontramos uma enorme quantidade de capilares sanguíneos sinusóides, com grandes poros que permite a saída de células maduras.

No tecido reticular encontramos diversos tipos de proteínas de adesão, sendo a hemonectina a mais importante para segurar as células em processo de maturação. A liberação das células para o sangue é feito por estímulos (fatores estimulatórios de liberação), sendo o componente C3b do complemento, glicocorticóides, androgênios e algumas toxinas bacterianas os fatores mais significantes.

A medula realiza a hemocitopoiese e armazena ferro para a síntese de hemoglobina, formando hemácias e leucócitos para o sangue no terceiro mês vida, com a ossificação da clavícula do embrião. No adulto, os ossos longos e a pelve são ossos que efetivamente produzem sangue.

A medula como órgão linfóide primário é capaz de formar pro - linfócitos que vem das células totipotentes. O Pró-linfócito não é capaz de realizar uma resposta imune, então se dirige aos órgãos secundários para se desenvolver. A célula multipotente mielóide e linfoblastos T irão ao timo para formar linfócitos T.

ÓRGÃOS LINFÓIDES SECUNDÁRIOS Linfonodos

Linfonodos são órgãos pequenos em forma de feijão que aparecem no meio do trajeto de vasos linfáticos. Normalmente estão agrupados na superfície e na profundidade nas partes proximais dos membros, como nas axilas, na região inguinal, no pescoço... Também encontramos linfonodos ao redor de grandes vasos do organismo. Eles filtram a linfa que chega até eles, e removem bactérias, vírus, restos celulares, etc.

O sistema linfático consiste em um conjunto de vasos que possuem válvulas e se distribuem por todo o corpo, com exceção de alguns órgãos como o cérebro, com a função de drenar o líquido intersticial que não retornou as vênulas, e coletar também restos celulares e microorganismo que estão no tecido. Os vasos linfáticos do corpo acabam desembocando em dois ductos principais: o ducto torácico e o ducto linfático direito, que desembocam na maioria das vezes, na junção da jugular externa com a veia subclávia.

Os linfonodos são órgãos com uma parte convexa, aonde chegam os vasos linfáticos (aferentes) e uma face côncava, que é o hilo. No hilo chega uma artéria nutridora e sai uma veia e um vaso linfático eferente, que se continua o seu trajeto.

No córtex encontramos nódulos linfáticos, ricos em linfócitos B em processo de maturação. A morfologia desses nódulos é interessante: eles possuem um centro germinativo mais claro e uma zona cortical mais densa. Isto ocorre porque os linfócitos B do centro germinativo estão no estágio inicial da maturação, ou seja, são ainda pró-linfócitos. Já os linfócitos B da zona periférica estão mais maduros, com a cromatina mais densa. Vários septos dividem o córtex em lóbulos incompletos. Ao lado desses septos aparecem os seios peritrabeculares. É através deste seio que a linfa entra em contato direto com os lóbulos e atinge a medular. A região cortical fica vazia nos linfonodos em indivíduos com deficiência de linfócitos B.

Os linfócitos T são encontrados numa região que fica entre o córtex e a medular, chamada de região paracortical. Neste local, os pró-linfócitos T viram linfócitos T maduros e capazes de realizar a resposta imune. Esta região está ausente quando o indivíduo é submetido a uma timectomia ou apresenta a síndrome de Di George.

Os linfonodos estão completamente vazios de células linfóides em indivíduos com imunodeficiência combinada grave, pois ocorre uma ausência generalizada de linfócitos B e T. A medular possui um aspecto trabecular e se situa no centro do órgão. Nele encontramos numerosos macrófagos, plasmóticos disseminados e linfócitos maduros que estão “prontos” para sair do linfonodo e se dirigir ao local de ação. As células maduras saem pelas veias e v. linfáticos eferentes e atingem a circulação sanguínea e linfática.

Abaixo da cápsula de tecido conjuntivo, que cobre o órgão notamos um espaço chamado de seio subcapsular, onde corre a linfa. Os vasos linfáticos aferentes desembocam aí, sendo o primeiro local de contato do linfonodo com a linfa. Por esse fato é importante notar que aparecem células apresentadoras de antígenos chamadas de células dendríticas (dendríticas porque tem um aspecto ramificado) que pertencem ao SMF. Essas células fagocitam os antígenos que chegam pela linfa, e vão apresentar seus epítopos para os linfócitos B ou T maduros que estão no parênquima do órgão. Desenvolve-se então uma resposta imune. Os linfócitos ativados proliferam-se e atacam os antígenos que chegam ao órgão. Os linfócitos também saem do órgão para a linfa e vão para a circulação sangüínea se dirigir ao local de ação.

A resposta imune que se desenvolve nos linfonodos, dependendo do antígeno, faz com que os linfonodos aumentem de tamanho, devido à grande proliferação dos linfócitos. Este processo de hipertrofia dos linfonodos é chamado de adenite, ou linfadenite. Quando o processo é bem patológico e específico, o linfonodo pode crescer muito (crescimento exagerado) e nesse caso é chamado de adenomegalia.

Linfonodos satélites são linfonodos que recebem a linfa de uma parte determinada do corpo, situados geralmente nas extremidades proximais dos membros, ou próximos a um órgão interno, como pulmão (linfonodos traquebroquiais) e intestino (linfonodos mesentéricos) . Os linfonodos satélites da coxa estão na região inguinal e os linfonodos na perna estão nos linfonodos tibial anterior, e poplíteo, por exemplo. É importante que saibamos a localização anatômica destes linfonodos, pois se encontrarmos uma linfadenite nos linfonodos inguinais, provavelmente esta ocorrendo uma infecção ou carcinoma no membro inferior.

Carcinoma é uma neoplasia maligna que tem origem no tecido epitelial de um órgão, como a pele. Eles costumam dar metástases por via linfática e atingir os linfonodos satélites, malignizando-os. Se ocorrer essa metástase, há necessidade de se retirar os linfonodos para que eles não sejam fonte de crescimento para as células neoplásicas, que podem a partir daí se espalhar para o resto do corpo.

Baço

O baço é um órgão maciço avermelhado, de consistência gelatinosa, situado no quadrante superior esquerdo do abdômen. É o maior órgão linfático secundário do organismo e tem como função imunológica, a liberação de linfócitos B, T, plasmócitos, e outras células linfóides maduras e capazes e capazes de realizar uma resposta imune para o sangue e não para a linfa.

O baço está envolvido por uma cápsula de tecido conjuntivo, que emite septos (trabéculas) para o interior do órgão. Estes septos não delimitam lóbulos completos no órgão, mas formam o arcabouço (estroma) do órgão. O parênquima do baço é dividido estrutural e fisiologicamente em duas regiões: a polpa branca e a polpa vermelha.

A polpa branca se refere aos pontos brancos que encontramos no corte histológico do baço. Esses pontos são os corpúsculos de Malpighi. Este corpúsculo é que dá a função de órgão linfóide ao baço. Ele representa o sítio de maturação dos linfócitos. No centro encontramos o centro germinativo que é o local onde existem linfoblastos e pró-linfócitos B em diferenciação. Já na periferia existem linfócitos maduros prontos a realizar alguma resposta imune, que podem sair para o sangue. O corpúsculo recebe no centro uma arteríola, chamada arteríola da polpa branca. Ao redor dela encontramos a bainha periarterial, que é o local onde estão os linfócitos T (pró-linfócitos T) em processo de maturação e desenvolvimento.

A polpa vermelha é o restante do órgão, que tem a coloração bem vermelha, devido a alta concentração de hemácias no órgão. O baço é um órgão que armazena sangue, e lança estas hemácias para circulação no caso de necessidade (sob estímulo da adrenalina liberada numa situação de estresse/alerta), pois o organismo necessita de mais oxigênio para o metabolismo. Na polpa vermelha encontramos diversas cadeias de células que formam os cordões de Billroth, formados por macrófagos, plaquetas, plasmócitos, células reticulares. A célula reticular é a célula que sustenta fisicamente a polpa vermelha, pois sem ela, a polpa vermelha desmancharia em um caldo de hemácias.

Sua irrigação sanguínea é terminal, ou seja, recebe uma artéria terminal (artéria lienal), que sai do tronco celíaco, ramo da artéria aorta abdominal. A artéria lienal entra pelo hilo do baço e se divide em ramos que vão seguindo os septos (trabéculas) atingindo o interior do órgão. A partir desses ramos surgem as arteríolas da polpa branca que penetram no corpúsculo de Malpighi. Quando saem da polpa branca, elas se ramificam e desembocam em sinusóides esplênicos localizados na polpa vermelha. Nestes sinusóides estão hemácias armazenadas e estão localizadas entre os cordões de Billroth. Os macrófagos dos cordões realizam a hemocaterese, ou seja, fagocitam hemácias velhas que chegam ao baço.

Drenando o sangue dos sinusóides, surgem as vênulas esplênicas que se juntam e formam a veia esplênica que sai do baço pelo hilo. A veia esplênica forma junto com a veia mesentérica inferior, a veia porta que segue para o fígado. É importante saber que a v. esplênica tem ligação importante com a v. porta, pois no caso de uma hipertensão portal, a pressão se eleva no sistema venoso do baço, que sofre uma hipertrofia, levando a esplenomegalia. A hipertrofia do baço pode levar a anemia hemolítica, pois o SMF poderá estar em maior atividade, destruindo mais hemácias. Por isso é necessária a esplenectomia em pacientes com esferocitose (hemácias em forma de esferas por instabilidade de proteínas da membrana), pois essas hemácias anormais são facilmente fagocitadas.

Tonsilas e Placas de Peyer

As tonsilas são aglomerados de nódulos linfáticos revestidos apenas de epitélio. As tonsilas eram conhecidas como amigdalas, e estão localizadas na cavidade bucal (tonsilas palatinas) próximas ao arco palatofaríngeo, na parte posterior da língua (tonsilas linguais), e na parte posterior da nasofaringe encontramos as tonsilas faríngeas.

O epitélio é do tipo estratificado não queratinizado plano, que emite centenas de invaginações para o interior e forma as chamadas cristas. Estas cristas aumentam a área de contato com a mucosa, sendo um local rico em bactérias e detritos.

Os folículos (das tonsilas e das Placas de Peyer) são típicos, semelhante ao dos linfonodos, com o seu centro germinativo e zona periférica com linfócitos B maduros. As Placas de Peyer também são aglomerados de nódulos linfáticos localizados principalmente na mucosa do íleo abaixo das glândulas de Leiberkühn, mas podem atingir a submucosa se a muscular da mucosa estiver dissociada. Elas têm a mesma atividade que as tonsilas.

A função mais característica das tonsilas e das placas de Peyer é a produção de plasmócitos que secretem IgA-secretória para a mucosa, protegendo a mucosa da agressão de micróbios que estão fazem parte da microbiota normal ou micróbios patogênicos que possam vir junto com os alimentos. Se todas as tonsilas forem retiradas do indivíduo, a microbiota normal pode sofrer um desequilíbrio biológico e começar a proliferar excessivamente, dando chance às bactérias oportunistas. Se o indivíduo for um portador são de pneumococo ( patogênico), poderá (devido ao desequilíbrio) manifestar pneumonia aguda. Os alimentos que ingerimos contém diversos tipos de bactérias, que devem ser atacadas pelas IgA-secretória. Este isotipo depois de produzido pela célula, a IgA atravessa a membrana do epitélio através da ligação com um receptor de superfície. Ao se ligar a este receptor, o complexo é endocitado pela célula, a travessa o citossol para ser liberado na luz do órgão.

A amigdalite ou tonsile é a inflamação das tonsilas, que resulta numa hipertrofia do órgão. As tonsilas são atacadas por agentes viróticos ou bacterianos, que desencadeiam respostas inflamatórias, com estímulo para hiperprodução de linfócitos. Os folículos aumentam de tamanho, a tonsila fica vermelha e muito dolorida. Os linfócitos B estão muito ativados e se diferenciando em plasmócitos para produzir anticorpos que ataquem os agressores. O pus que se forma (mais freqüente nas cristas) resulta da morte de leucócitos que morreram no ataque e de muco.

No organismo humano iremos encontrar diversos nódulos linfáticos difusos, que não formam nenhum órgão característico, e que tem funções semelhantes à tonsila. Por exemplo, na boca, no trato geniturinário, na estômago, no intestino, encontramos nódulos na mucosa, revestido pelo epitélio.

CONCLUSÃO

Os tecidos linfóides são classificados como órgãos geradores, também chamados de órgãos linfóides primários, onde os linfócitos primeiramente expressam os receptores de antígenos e atingem a maturidade fenotípica e funcional, e os órgãos periféricos, também designados órgãos linfóides secundários, onde as respostas dos linfócitos aos antígenos estranhos são iniciadas e se desenvolvem. Nos mamíferos são também incluídos entre os órgãos linfóides geradores a medula óssea, de onde derivam todos os linfócitos, e o timo, onde as células T amadurecem e alcançam o estágio de competência funcional. Os órgãos e tecidos linfóides periféricos incluem os linfonodos, o baço, o sistema imune cutâneo e o sistema imune das mucosas. Além disso, no tecido conjuntivo e em virtualmente todos os órgãos, exceto no sistema nervoso central são encontrados agregados mal definidos de linfócitos.

Fonte: www.portalbiologia.com.br

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