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Baço



Baço

É um órgão esponjoso e de cor avermelhada; em condições normais, não é palpável, sendo visualizado apenas com auxílio de exames radiológicos como a ultra-sonografia ou a tomografia computadorizada. Está localizado abaixo do diafragma, no quadrante superior esquerdo do abdome. O baço funciona como um grande "filtro" de sangue. É no seu interior que as hemácias defeituosas ou muito velhas são removidas. Além disso, o baço é parte importante do sistema imunológico, onde os linfócitos têm a oportunidade de entrar em contato com antígenos estranhos, presentes na superfície de agentes infecciosos que eventualmente ganhem acesso corrente sangüínea.

Nos adultos jovens pesa cerca de 200 gramas e com o passar dos anos tende a ter seu tamanho reduzido, chegando a 120 gramas em pessoas idosas. Tem 12 cm de comprimento e 8cm de largura. Variando o estado de saúde pode ter seu tamanho aumentado. O baço não é um órgão essencial, embora muito importante. Com a esplenectomia (retirada cirúrgica do baço, muitas vezes necessária em pessoas que sofrem traumatismos abdominais), sofreremos uma anemia, nos recuperando após algum tempo por haver outras partes do organismo com condições de assumir as funções que ele desempenha.

É necessário, porém que tenhamos atenção médica especial sempre que se apresente qualquer sinal de infecção (ex: febre) já que o indivíduo fica mais predisposto a infecções graves.

No seu interior podemos distinguir a polpa branca, que constitui um quarto de todo órgão, na qual encontramos o tecido linfóide (formada por nódulos linfáticos, denominados corpúsculos de Malpighi, semelhantes aos gânglios linfáticos) e a polpa vermelha, na qual se encontra seu tecido vascular, sendo constituído de glóbulos vermelhos e brancos.

Fonte: www.virtual.epm.br

Baço


O baço é designado nos diversos idiomas por termos oriundos de mais de uma raiz etimológica. A palavra original grega usada por Hipócrates para nomear o baço é splén, da qual derivam todos os termos médicos relacionados com este órgão, tais como esplênico, esplenite, esplenectomia, esplenomegalia etc.

Em latim o baço era designado por lien, conforme se encontra nos livros de Celsus.[1] Skinner observa com muita propriedade que lien é quase a mesma palavra grega, com perda das duas consoantes iniciais.[2]

De lien deriva, em português, o adjetivo lienal, com o mesmo sentido de esplênico.

Em alemão o baço é denominado milz e, em italiano, milza. Segundo Guttmann, milz provém do alto-alemão milde que significa mole, macio, esponjoso, atributos característicos do órgão.[3]

Em inglês o baço recebe dois nomes: o primeiro, pouco usado, milt (primitivamente milte); o segundo, spleen, de uso generalizado, procede do grego através do francês antigo splen, forma arcaica igualmente encontrada na língua inglesa, até sua ulterior evolução para spleen.[4]

Na língua francesa o baço é chamado de rate, que também significa fêmea do rato. Segundo Dauzat, rate, víscera, origina-se do neerlandês râte, favo de mel.[5]

Em espanhol e português temos, respectivamente, bazo e baço, de origem controvertida.

Três possíveis étimos são admitidos:

1. Corominas ensina que bazo, nome de víscera, provém de bazo, adjetivo, cujo significado é "moreno tirado a amarillo".[6] Em seu apoio, Carolina de Michaelis identifica baço no Cancioneiro da Ajuda, com o sentido de "moreno escuro".[7]

2. Gonçalves Viana deriva baço do latim opacium, comparativo de opacum, pela queda da vogal inicial e abrandamento de p em b.[8]

3. José Pedro Machado, citando Piel (Miscelania de etimologia portuguesa e galega), considera baço vocábulo erudito, oriundo do grego hepátion, através do latim.[9]

Nascentes, em seu DicionárioEtimológico admitiu que o termo anatômico tenha-se originado do adjetivo baço, "por causa da cor vermelha do órgão".[7]

Posteriormente, julgou preferível considerar o substantivo de origem incerta, enquanto o adjetivo baço seria derivado do latim badium, "moreno pálido".[10]

Na história da medicina o baço sempre constituiu um desafio à curiosidade dos investigadores que buscavam compreender a sua função no organismo. A teoria dos humores da medicina hipocrática, que orientou o pensamento médico durante mais de vinte séculos, atribuía-lhe a função de produzir bile negra, um dos quatro humores do corpo, de cujo equilíbrio dependeria a saúde. O excesso de bile negra seria responsável pela "melancolia" (melanós, negro + kholé, bile).

Em alemão, milzsucht, literalmente "enfermidade do baço", tem o mesmo sentido de hipocondria. Em inglês, spleen conservou várias acepções decorrentes desse conceito, tais como tristeza, melancolia, tédio, irritabilidade, impaciência, impetuosidade, temperamento irascível, rabugento etc.

Do inglês, spleen passou por empréstimo para outras línguas e se encontra registrado em muitos léxicos da língua portuguesa com o sentido de tédio, hipocondria, melancolia. [11][12][13]

O próprio termo hipocondria revela o seu vínculo etimológico com o baço (Do grego hypó, abaixo de + chóndros, cartilagem).

Em linguagem literária encontram-se os adjetivos splénico e spleenático, adaptados do inglês e inteiramente dispensáveis na língua portuguesa.

Referências bibliográficas

1. CELSUS, A.C. - De Medicina. The Loeb Classical Library, Cambridge, Harvard University Press, 1971.
2. SKINNER, H.A. - The origin of medical terms, 2.ed. Baltimore, Williams & Wilkins, 1961, p. 381.

3. GUTTMANN, W. - Medizinische Terminologie, 4.ed. Berlin, Urban & Schwarzenberg, 1911.

4. OXFORD ENGLISH DICTIONARY (Shorter), 3.ed. Oxford, Claredon Press, 1978.

5. DAUZAT, A., DUBOIS, J., MITTERRAND, H. - Nouveau dictionnaire étymologique et historique, 3.ed. Paris, Larousse, 1964.

6. COROMINAS, J. - Breve diccionario etimológico de la lengua castellana, 3.ed., Madrid, Ed. Gredos, 1980.

7. NASCENTES, A. - Dicionário etimológico da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Liv. Francisco Alves, 1932.

8.. VIANA, A.R.G. - Apostilas aos dicionários portugueses. Lisboa, Liv. Clássica Ed., 1906, p. 173.

9. MACHADO, J.P. - Dicionário etimológico da língua portuguesa, 3.ed. Lisboa, Livros Horizonte, 1977.

10. NASCENTES, A. - Dicionario etimológico resumido. Rio de Janeiro, INL, 1966.

11. VIEIRA, D. - Grande dicionário português ou Tesouro da língua portuguesa. Porto, Ernesto Chardron e Bartholomeu H. de Moraes, 1871-1874.

12. MORAIS SILVA, A. - Grande dicionário da língua portuguesa, 10.ed. (12 vol.), Lisboa, Confluência, 1949-1959.

Fonte: usuarios.cultura.com.br

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