As pontas ou extremidades do H medular são chamadas cornos, assim exitem 4 cornos medulares: dois anteriores e dois posteriores, à direita e à esquerda. Desta substância cinzenta da medula saem e entram as raízes nervosas dos nervos raquidianos. Dos dois cornos anteriores saem as raízes nervosas motoras destes nervos raquidianos, ou seja, as raízes encarregadas de levar ordens nervosas de movimentação (portanto, são raízes motoras).
Nos dois cornos posteriores, entram as raízes nervosas sensitivas destes nervos raquidianos, ou seja, as raízes encarregadas de trazer à medula (e dela ao encéfalo) as sensações nervosas da periferia do corpo (por isso são raízes sensitivas).
A medula é percorrida, de cima a baixo, por vias nervosas, que circulam ao longo da substância branca, existindo três grupos de cordões de vias nervosas (anteriores, posteriores e laterais). Sua função é transmitir os diversos estímulos (vias de passagem) desde a medula até o encéfalo (vias sensitivas) e vice-versa (vias motoras).
Os grupos ou cordões laterais cruzam para o lado oposto ao deixar a medula, para chegar ao encéfalo, razão pela qual, por exemplo, alcançando o hemisfério cerebral direito, levarão a impressão recolhida no lado esquerdo da periferia do corpo. É por esta razão também, que se diz que o hemisfério cerebral direito controla o lado esquerdo do corpo e o cérebro esquerdo controla o lado direito.
Além da função da condução dos estímulos nervosos (via de passagem), os centros medulares (zona de substância cinzenta ou o H medular) são sede de uma série de reflexos que, pela sua simplicidade, não necessitam de interferência do encéfalo para sua integração e realização.
O reflexo de retirada é um reflexo protetor que provoca o afastamento de qualquer parte do corpo de um objeto que esteja causando dor. Por exemplo, a mão queimada por um cigarro ou picada por uma agulha. Os sinais de dor são transmitidos à substância cinzenta da medula espinhal e, após a seleção apropriada da informação pelas sinapses, os sinais são mandados para os neurônios motores adequados para promoverem a flexão dos músculos do antebraço, e com isso é retirada a mão do cigarro ou da agulha.
Qualquer reflexo depende da atividade de um conjunto de neurônios, o arco reflexo ou via reflexa.
Um dos primeiros a confirmar experimentalmente a tese de que os reflexos se comportam como unidades de ação do sistema nervoso foi Stephen Hales, no século XVIII. Ele decapitou um sapo e, apesar disso, persistiram as respostas a determinados estímulos. O fato prova que tais respostas podem ser dadas pela medula espinhal sem intervenção do encéfalo. Estes reflexos são chamados então "reflexos medulares". Eles são efetuados sem que o cérebro tome conhecimento imediato (conscientização) deste movimento.
Os nervos são formados por feixes de fibras nervosas. As fibras provêm de determinado lugar e, de acordo com sua finalidade e função, possuem um determinado destino. Umas têm origem no sistema nervoso central: são as fibras motoras, que conduzem impulsos para os músculos e glândulas. Outras fibras trazem impulsos da periferia para o sistema nervoso central; são as fibras sensitivas e os corpos celulares que lhes dão origem. Constituem os gânglios sensitivos, situados fora do sistema nervoso central.
Tipos de fibras motoras e tipos de fibras sensitivas:
Fibras motoras somáticas
Destinam-se aos músculos esqueléticos
Fibras motoras viscerais
Destinam-se à musculatura lisa, às glândulas das vísceras e à musculatura do coração.
As motoras somáticas vão diretamente do neuroeixo (SNC) para a estrutura a ser inervada; as motoras viscerais terminam em gânglios simpáticos, onde os impulsos são retransmitidos, através de sinapses, a outras fibras que atingem, por sua vez, o destino.
As fibras situadas antes dos gânglios simpáticos são chamadas de fibras pré-ganglionares; as fibras originadas em células desses gânglios são chamadas de fibras pós-ganglionares.
Fibras sensitivas exteroceptivas
Trazem impulsos provenientes da pele e dos órgãos dos sentidos
Fbras sensitivas proprioceptoras
Trazem impulsos dos músculos, tendões e articulações
Fibras sensitivas interoceptoras
Trazem impulsos originados nas vísceras
Dentro de um único nervo, encontram-se, praticamente, todos esses tipos de fibras nervosas.
Mecanorreceptores
Terminações nervosas livres, terminações especializadas, como os fusos musculares, etc.
Termorreceptores
Frio e calor, terminações nervosas livres.
Nociceptores
Dor, terminações nervosas livres.
Receptores eletromagnéticos
Visão (células bastonetes e cones da retina).
Quimiorreceptores: gustação (papilas gustativas); olfação (epitélio olfatório); para oxigênio (corpos aórticos e carotídeos); de CO2 (receptores no bulbo e nos corpos carotídeos e aórticos); de glicose, de aminoácidos (receptores do hipotálamo).
Sistema Nervoso Periférico
É formado por 12 pares de nervos cranianos, 31 pares de nervos raquianos e pelo sistema nervoso autônomo.
Nervos Cranianos
Os nervos cranianos têm origem no crânio ou caixa craniana e se dispõem aos pares, pois cada nervo terá que inervar um lado do organismo.
São os seguintes
1o par
Olfativo, nervo sensitivo que, nascendo no encéfalo, vai às fossas nasais, trazendo os estímulos do epitélio olfativo.
2o par
Óptico, nervo sensitivo que, nascendo no encéfalo, vai à retina e traz os estímulos da visão.
3o par
Motor ocular comum ou oculomotor, nervo motor que. originando-se no mesencéfalo, vai aos músculos do olho e dá movimentação aos globos oculares, pálpebras e diâmetro da pupila.
4o par
Troclear ou patético, nervo motor que, nascendo no mesencéfalo, vai ao músculo grande oblíquo do olho e dá movimentação aos globos oculares.
5o par
Trigêmeo, nervo misto que, nascendo da protuberância, dá três raízes (daí seu nome trigêmeo). Seu componente motor vai da ponte até os músculos da mastigação; seu componente sensorial parte da córnea, face, lábios, língua e dentes e vai para a ponte.
6o par
Abducente ou motor ocular externo, nervo motor que, nascendo do sulco buIbo-protuberancial, vai ao músculo reto externo do olho e dá movimentação aos globos oculares.
7o par
Facial, nervo motor que, nascendo do bulbo, vai aos músculos do pescoço e da face, dando movimentação a eles. Também regula a secreção da saliva e de lágrimas, além das sensações gustativas.
8o par
Vestibulococlear ou auditivo, nervo sensitivo que, nascendo do bulbo, vai às estruturas do ouvido interno. Este nervo participa com um de seus ramos (ramo vestibular) nos processos nervosos do equilíbrio corporal.
9o par
Glossofaríngeo, nervo misto que, nascendo do bulbo, vai à língua e às suas papilas sensitivas (raiz sensitiva). Com isto, traz as sensações da gustação. Além disto, manda raízes motoras para os músculos da faringe, participando assim dos movimentos de deglutição.
10o par
Vago ou pneumogástrico, nervo misto que, nasce do bulbo e vai às vísceras do tórax e abdômen, nas quais tem raízes motoras e sensitivas. Regula inúmeras funções da vida vegetativa (aquelas que não dependem da possa vontade), como: digestiva, respiratória. cárdio-circulatória. Sob este ponto de vista, o vago é um elemento anatômico que faz parte da constituição do Sistema Nervoso Autônomo.
11o par
Acessório ou espinhal, nervo motor que nasce no bulbo e vai aos músculos do pescoço, faringe e laringe. Participa da movimentação da cabeça e do pescoço.
12o par
Hipoglosso, nervo motor que, nascendo no bulbo, vai aos músculos da língua, atuando na fala e na deglutição.
Emergem da medula espinhal através de orifícios vertebrais por meio de duas raízes.
Uma motor, que sai dos cornos anteriores e vai dar movimentação ao segmento do corpo que a recebe.
Uma sensitiva, que entra nos cornos posteriores e traz os estímulos que vêm da periferia do corpo.
Logo, estes são nervos mistos:
Os nervos raquidianos seguem o trajeto da medula espinhal e vão inervar os segmentos correspondentes a esta.
São os seguintes:
8 pares de nervos raquidianos cervicais
12 pares de nervos raquidianos torácicos ou dorsais
5 pares de nervos raquidianos lombares
5 pares de nervos raquidianos sacros
1 par de nervos raquidianos coccigianos (do cóccix ou osso terminal
da coluna vertebral).
Os pares nervosos raquidianos darão a movimentação e toda a sensibilidade para as seguintes regiões do corpo:
Pescoço e diafragma (plexo cervical, que é o nome dado à união dos quatro últimos cervicais e 1o torácico);
Músculos intercostais, parede lateral do tórax, pleura e peritônio (nervos intercostais, que são ramos anteriores dos 12 pares torácicos);
Paredes anterior e lateral do abdômen, músculos da coxa e genitália externa (plexo lombar, que é o nome dado à união dos 4 primeiros pares lombares);
Região glútea, face posterior da coxa, perna e pé (plexo sacro formado pela união do 5o nervo lombar e dos três primeiros sacros);
Região coccigiana, que é inervada pelo plexo coccigiano que é formado pela reunião dos dois últimos pares sacros e pelo par coccigiano.
Sistema Nervoso Autônomo
Também conhecido como Sistema Nervoso da Vida Vegetativa, ou Sistema Nervoso Involuntário. Os elementos que o compõem constituem duas grandes estruturações nervosas ou subdivisões conhecidas pelos nomes de:
Sistema Nervoso Simpático; Sistema Nervoso Parassimpático.
Sistema Nervoso Simpático
Sendo parte integrante do Sistema Nervoso Autônomo, o simpático atua independentemente da nossa vontade e coordena funções vitais como a circulação, a respiração, a digestão, etc. A sua atuação é feita de forma equilibrada e moderada, graças à existência do outro grupamento nervoso autônomo chamado parassimpático, que, de uma maneira geral, atua de forma contrária ou antagônica. Assim, o simpático acelera os batimentos do coração, enquanto que o parassimpático diminui a freqüência destes batimentos. Do equilíbrio entre o estímulo acelerador do simpático e o estímulo frenador do parassimpático, surge o equilíbrio dos batimentos cardíacos, que variam entre 70 a 80 batimentos por minuto.
Este antagonismo funcional entre o simpático e o parassimpático existe em todas as funções que independem de nossa vontade (vida vegetativa), e dele nasce ou aparece o equilíbrio neurovegetativo.
O S.N. Simpático é formado por um conjunto de nervos (fibras nervosas e de gânglios).
As fibras nervosas, após deixarem a medula, encontram os gânglios do simpático, que se acham dispostos, um abaixo do outro, ao longo de toda Medula (daí o nome cadeia ganglionar simpática).
No Sistema Nervoso Simpático, encontramos a seguinte seqüência, desde o nascimento da fibra nervosa na medula:
Fibra nervosa simpática
Gânglio simpático
Fibra nervosa simpática
Órgão
É por esta razão que a fibra que sai da medula, por se encontrar em situação anterior ao gânglio (que vem depois dela) é chamada fibra pré-ganglionar. Da mesma forma, a fibra que sai do gânglio e vai ao órgão efetuador é chamada fibra pós-ganglionar.
Assim, podemos dizer que o S.N. Simpático é composto essencialmente por:
Fibras nervosas pré-ganglionares
Gânglios nervosos
Fibras nervosas pós-ganglionares
Sistema Nervoso Parassimpático
O S.N. Parassimpático é formado por um conjunto de nervos ou fibras nervosas (o mais importante ramo parassimpático é o 10o par craniano ou nervo pneumogástrico, também chamado vago) e de gânglios nervosos (lembrem-se de que gânglios são grupos de células nervosas, intercaladas nos percursos dos nervos, e que constituem centros ou estações nervosas). As fibras nervosas do S.N. Parassimpático nascem dos centros encefálicos ou cranianos (principalmente do bulbo) e da região sacra, razão pela qual ele também recebe o nome de S.N. Crânio-Sacro. Após saírem destes centros nervosos (do crânio ou da região sacra), as fibras nervosas encontram os gânglios do parassimpático, que se acham dispostos junto aos órgãos controlados por este Sistema Nervoso (órgãos efetores). Depois do gânglio, as fibras nervosas se encaminham na direção destes órgãos (tubo digestivo, coração, vasos, bexiga, etc.).
Ações excitatórias e inibitórias da estimulação parassimpática e simpática:
O quadro abaixo mostra alguns efeitos sobre diversas funções viscerais do organismo que são provocados pela estimulação dos nervos simpáticos e parassimpáticos.
Observamos, no quadro, que a estimulação simpática produz efeitos excitatórios em alguns órgãos e inibitória em outros. O mesmo acontece com a estimulação parassimpática.
Os dois sistemas interagem de maneira antagônica, ou seja, quando um estimula determinado órgão, o outro o inibe.
Entretanto é bom saber que a maior parte dos órgãos é dominantemente controlada por um ou outro sistema.
| Órgão | Estimulação simpática | Estimulação parassimpática |
| Vaso sangüíneo periférico | Contrai | Dilata |
| Musculatura lisa do tubo digestivo | Relaxa | Contrai |
| Musculatura da árvore respiratória | Relaxa | Contrai |
| Glândulas digestivas | Deprime | Estimula |
| Pupila | Dilata | Contrai |
| Coração | Freqüência aumentaaumenta | Freqüência diminuiFreqüência |
| Coronárias | Vasodilatação | Constrição |
| Intestinos | Diminui o peristaltismo | Aumenta o peristaltismo |
| Bexiga | Inibição | Excitação |
| Pênis | Ejaculação | Ereção |
Neurotransmissores e Transmissão sináptica
Substâncias transmissoras (neurotransmissores)
As substâncias químicas elaboradas na sinapse são chamadas de mediadores químicos do impulso nervoso.
São classificados dois tipos ou categorias de neurotransmissores: excitatórios e inibitórios.
Excitatórios
Acetilcolina, noradrenalina, dopamina, serotonina.
Inibitórios
Ácido gama-aminobutírico (GABA); o aminoácido glicina encontra-se em grandes concentrações em neurônios medulares.
A acetilcolina foi o primeiro neurotransmissor a ser identificado. Esta substância é o transmissor na junção neuromuscular e no sistema nervoso autônomo. A deficiência de acetilcolina foi sugerida como causa do tipo de demência chamada doença de Alzheimer. A norepinefrina, também transmissor no sistema nervoso simpático, parece ter participação nos processos do acordar e das reações emocionais encefálicas.
A norepinefrina é exemplo da classe de compostos conhecida como monoaminas. Outros transmissores da classe das monoaminas são a epinefrina, a dopamina e a serotonina. A epinefrina participa das respostas ao estresse. A dopamina participa do comportamento emocional; o seu excesso resulta em determinados tipos de esquizofrenia. A dopamina também é importante no controle motor; a sua falta produz os tremores e movimentos descontrolados observados na doença de Parkinson. A excessiva produção de dopamina pode causar certos tipos de depressão. A serotonina parece ser importante para o controle do ciclo sono/vigília, e sua depleção pode levar à depressão.
Outra classe importante de transmissores é a dos aminoácidos: glutamato, glicina e ácido gama-aminobutírico (GABA).
O glutamato é, provavelmente, o principal transmissor excitatório no sistema nervoso central, enquanto a glicina parece ser um dos principais transmissores inibitórios. O GABA também é inibitório, e sua falta parece ser a responsável por certos tipos de ansiedade.
A acetilcolina, em nosso organismo, é destruída pela enzima chamada colinesterase, pois o organismo não toleraria o acúmulo de acetilcolina; assim, logo depois da liberação, por parte de uma célula nervosa, a acetilcolina cria o potencial de excitação (despolarização) na célula seguinte, mas é imediatamente destruída pela colinesterase.
Desta forma, os influxos nervosos caminham pelas fibras nervosas às custas da liberação de acetilcolina. Quando a colinesterase destrói a acetilcolina, a célula que a liberou volta ao seu estado primitivo antes do estímulo (repouso), ou ao que se chama de repolarização.
Algumas características especiais da transmissão sináptica
Os impulsos são conduzidos através de sinapses somente numa direção (unidirecionais); a isto dá-se o nome de princípio da condução em um só sentido.
Fadiga da transmissão sináptica
Quando os terminais pré-sinápticos são estimulados contínua e repetidamente, com freqüência elevada (superexcitadas), isto resulta na fadiga da transmissão sináptica. Por exemplo, a fadiga é provavelmente o meio mais importante pelo qual o excesso de excitabilidade do encéfalo, durante um ataque epiléptico, acaba desaparecendo e terminando a crise. A fadiga é um mecanismo protetor da atividade neural.
Efeito da acidose e alcalose na transmissão sináptica
Os neurônios são muito sensíveis ao pH dos líquidos que os rodeiam. A alcalose aumenta muito a excitabilidade neural, o que pode gerar convulsões, por exemplo, a crise convulsiva epiléptica.
A acidose diminui muito a atividade neural, o que pode gerar o estado comatoso. Por exemplo, na acidose diabética muito grave, quase sempre o indivíduo entra em coma.
Efeito da hipoxia (baixa concentração de O2) sobre a transmissão sináptica
A diminuição do transporte de oxigênio, mesmo apenas por alguns segundos, pode levar à inexcitabilidade total do neurônio. Exemplo: se houver uma interrupção temporária da circulação sangüínea cerebral, de 3 a 5 segundos, a pessoa perde a consciência.
Fonte: www.biomania.com.br